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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Novena de Santa Eufémia - sétimo dia

       A boca de ouro (= crisóstomo), assim conhecido, São João Crisóstomo, ajuda-nos a refletir e a louvar a Deus, pela criação, pela humanidade inteira, pelos sacramentos que Jesus Cristo nos deixou.
       Numa das suas cartas, antes do exílio, Crisóstomo fala com um grande desprendimento. "Se a vossa caridade me não retivesse aqui, não recusaria partir hoje mesmo para onde quer que fosse. Porque sempre estou dizendo: Senhor, seja feita a vossa vontade; não o que quer este ou aquele, mas o que Vós quereis que eu faça. Esta é a torre que me abriga, esta é a pedra firme que me sustenta, este é o bordão que não me deixa vacilar. Seja o que Deus quiser. Se Ele quer que eu permaneça aqui, fico Lhe agradecido. Se me chama para qualquer outro lado, sempre Lhe darei graças".
       Santa Eufémia, cuja novena continuamos a celebrar na paróquia de Pinheiros, ao sétimo dia centramo-nos no louvor. Daniel mesmo no meio do fogo, ou na cova dos leões, não deixa de alegremente louvar a Deus. Assim também com Santa Eufémia, a criação junta-se ao seu louvor. Antes, porém, as palavras de São João Crisóstomo, que encontrámos em São Paulo - para mim morrer é lucro -, de de Santa Eufémia, que não se importava de ser martirizada antes que todos os outros, sob a perspetiva de mais rapidamente chegar á glória de Deus.

       A imagem de Santa Eufémia é acompanhada de dois leões e tem a ver com o facto daqueles estarem presentes nos suplícios que lhe são infligidos.
       Segundo uma tradição, depois da tortura e de variadas formas de agressão, numa roda esquartejante, numa fornalha em chamas, ela terá sido morta por um leão, mas não esfacelada. Ou seja, um leão te-la-á morto, mas depois de morta, os leões deitaram-se junto dela, mansamente, como que a protegendo de outras agressões.
       Segundo outra tradição, foram várias as tentativas de a matarem com violência, mas resistiu ao fogo, à roda que a esquartejaria, lançada aos leões estes terão ficado mansos, sem darem sinais de a atacar, então um algoz desferiu o golpe fatal da espada. E assim foi morta a jovem Eufémia.
       Numa ou noutra tradição, os leões aparecem protectores de Santa Eufémia, remetendo-nos aos episódios bíblicos, nos quais Daniel é colocado numa fornalha ardente, e sai ileso, e posteriormentente colocado na cova de leões e sai também ileso. Nesta perspectiva, poder-se-á dizer que quem está bem com Deus, com a sua consciência, está bem com os outros, com o mundo e com a natureza inteira.
       Como Santa Eufémia, e seguindo a oração de Daniel, saibamos louvar a Deus por toda a criação, pelos animais, pelos peixes, pelas aves, pela chuva e pela neve, pelo sol e pelo vento, pelo dia e pela noite e sobretudo pelas pessoas que colocou perto de nós.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Auroras boreais - espetacularidade!!!

       Vídeo sobre as auroras boreais, com a recolha de imagens durante 3 anos. O autor é Chad Blakley...
       "O fenómeno da aurora boreal acontece quando partículas que vêm do sol (vento solar) interagem com o campo magnético da Terra, provocando a emissão de luz. Próximo do polo norte o fenómeno é conhecido por autora boreal. Próximo do Polo sul aurora austral".

  

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pecado original, queda de anjos, criação do mundo

Pecado Original:
        O pecado original, no qual todos os homens nascem, é o estado de privação da santidade e da justiça originais. É um pecado por nós «contraído» e não «cometido»; é uma condição de nascimento e não um acto pessoal. Por causa da unidade de origem de todos os homens, ele transmite-se aos descendentes de Adão com a natureza humana, «não por imitação mas por propagação». Esta transmissão permanece um mistério que não podemos compreender plenamente. 

O primeiro pecado da humanidade:
       O homem, tentado pelo diabo, deixou apagar no seu coração a confiança em relação ao seu Criador e, desobedecendo-lhe, quis tornar-se «como Deus», sem Deus e não segundo Deus (Gn 3, 5). Assim, Adão e Eva perderam imediatamente, para si e para todos os seus descendentes, a graça da santidade e da justiça originais 

O que é a queda dos Anjos:
       Com esta expressão indica-se que Satanás e os outros demónios de que falam a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja, de anjos criados bons por Deus, se transformaram em maus, porque, mediante uma opção livre e irrevogável, recusaram Deus e o seu Reino, dando assim origem ao inferno. Procuram associar o homem à sua rebelião contra Deus; mas Deus afirma em Cristo a Sua vitória segura sobre o Maligno.

Qual era a condição originária do homem segundo o projecto de Deus?
       Deus, criando o homem e a mulher, tinha-lhes dado uma participação especial na própria vida divina, em santidade e justiça. Segundo o projecto de Deus, o homem não deveria nem sofrer nem morrer. Além disso, reinava uma harmonia perfeita no próprio ser humano, entre a criatura e o criador, entre o homem e a mulher, bem como entre o primeiro casal humano e toda a criação.

Relação entre homem e mulher:
       O homem e a mulher foram criados por Deus com uma igual dignidade enquanto pessoas humanas e, ao mesmo tempo, numa complementaridade recíproca enquanto masculino e feminino. Deus quis que fossem um para o outro, para uma comunhão de pessoas. Juntos são também chamados a transmitir a vida humana, formando no matrimónio «uma só carne» (Gn 2, 24), e a dominar a terra como «administradores» de Deus.

Quem dá a alma ao ser humano: 
       A alma espiritual não vem dos pais, mas é criada directamente por Deus e é imortal. Separando-se do corpo no momento da morte, ela não perece; voltará a unir-se novamente ao corpo, no momento da ressurreição final. 

Em que sentido o ser humano é "imagem de Deus"? 
       Afirmar que o homem é criado à imagem de Deus significa que ele é capaz de conhecer e amar, na liberdade, o próprio Criador. É a única criatura, nesta terra, que Deus quis por si mesma e que chamou a partilhar a sua vida divina, no conhecimento e no amor. Enquanto criado à imagem de Deus, o homem tem a dignidade de pessoa: não é uma coisa mas alguém, capaz de se conhecer a si mesmo, de se dar livremente e de entrar em comunhão com Deus e com as outras pessoas. 

Quem são os Anjos:
       Os anjos são criaturas puramente espirituais, incorpóreas, invisíveis e imortais, seres pessoais dotados de inteligência e de vontade. Estes, contemplando incessantemente a Deus face a face, glorificam-no, servem-no e são os seus mensageiros no cumprimento da missão de salvação, em prol de todos os homens. 

Como é que Deus criou o mundo: 
       Deus criou o universo livremente, com sabedoria e amor. O mundo não é o produto duma necessidade, dum destino cego ou do acaso. Deus criou «do nada» (ex nihilo: 2Mac 7,28) um mundo ordenado e bom, que Ele transcende infinitamente. Deus conserva no ser a sua criação e sustenta-a, dando-lhe a capacidade de agir, e conduzindo-a à sua realização, por meio do seu Filho e do Espírito Santo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

SENHOR, LIVRA-ME DE MIM

Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte!

O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu!
Tu és o nosso corpo e a nossa alma e o nosso amor és tu também.
Onde nada está tu habitas e onde tudo está eis o teu corpo.
Dá-me alma para te servir e alma para te amar.
Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.
Torna-me puro como a água e alto como o céu.
Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos.
Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.
Minha vida seja digna da tua presença.
Meu corpo seja digno da terra, tua cama.
Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.
Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.
Senhor protege-me e ampara-me.
Dá-me que eu me sinta teu.
Senhor livra-me de mim.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

No interior profundo da terra

       O resgate dos mineiros chilenos, durante o dia de ontem, 13 de Outubro, foi um momento inesquecível. 33 mineiros, durante 69 dias nas profundezas da terra, lugar de trabalho, e simultaneamente de sacrifício, de sofrimento, de luta pela vida e por uma vida melhor.
       Mas nas profundezas da terra há outros lugares e outras descobertas, como se mostra neste diaporama. Magnífico:

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Cores garridas... extraordinário!

       A beleza da criação é divinal. Veja, neste diaporama, como a diversidade de cores (e de sons) e de vegetação, de paisagens, é algo extraordinariamente belo:

domingo, 11 de julho de 2010

O que é de todos, também é dos outros!

       Há determinados bens – materiais, sociais e culturais – que são de todos. À primeira vista não são de ninguém em concreto, logo pertencem a todos: os bens do Estado, bens públicos, os bens da Igreja, os bens de uma qualquer associação, grupo ou sociedade, os bens de uma autarquia ou Junta de Freguesia, os baldios.
       O mundo – o céu, a terra, a água, a chuva, as estrelas, o sol – não é propriedade privada ou individual. Poderíamos a este propósito dizer que quando faz sol ou quando chove é para todos. Por vezes nem é.
       Poderemos cair na tentação fácil de usar e abusar daquilo que entendemos ser de toda a gente. Num plano global, a exploração dos recursos da terra por parte de algumas potências mundiais, países ou organizações, levada ao excesso, deixa hipotecado o futuro daqueles que virão depois de nós e de uma grande maioria de povos.
       Naquilo que a nós nos diz respeito, mais de perto, poderemos por vezes descambar para uma forma rebuscada de comunismo – no que ele tem de perverso –, o que é de todos só beneficia uns poucos, ou se é de todos posso fazer o que me dá na real gana, mesmo destruir, sem que ninguém me possa julgar ou sequer chamar à atenção.
      Quando olhamos para o Estado – fonte de todos os males? – verifica-se uma progressiva subsidiodependência (por vezes os subsídios são a única forma de equilibrar), e uma progressiva relutância em pagar os impostos que nos cabem; queremos receber, mas não queremos contribuir, salvo as situações de injustiça declarada.
       No meio ambiente, como é de todos, deitamos papéis para o chão, beatas, lenços de papel, pastilhas elásticas, cuspimos… alguém há-de limpar! O que é de todos, entenda-se, é para benefício de todos, correcto, mas não para que cada um possa estragar. De todos para cuidar, para preservar, ou a alternativa, de todos para destruir, já que não é de ninguém?
       O que é de todos também tem governo, como na casa de Deus. Não para cada um a seu bel-prazer fazer o que mais lhe convém, mas para que cada um de nós cuide daquilo que é de todos e para todos, com alegria e generosidade.
       Na hora de reivindicar e de exigir, o argumento mais válido é que o que é de todos a todos pertence. Quando está mal, danificado ou é insuficiente, então a culpa é dos que gerem.
       Importa, como crentes, apostar na ecologia, nesta casa comum da humanidade que é o mundo, cuidando, protegendo, amando, e não esperar que outros resolvam o que eu posso resolver e que está ao meu alcance e me compete. Se eu cuido, eu testemunho, e subsequentemente posso exigir que outros também cuidem…

editorial Voz Jovem, n.º 77, Junho 2006