A terceira Carta Encíclica de Bento XVI empresta o título a este blogue. A Caridade na Verdade. Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas só esta entra na eternidade com Deus. Espaço pastoral de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo, de portas abertas para a Igreja e para o mundo...
Mostrar mensagens com a etiqueta Lumen Fidei. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lumen Fidei. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
sábado, 7 de abril de 2018
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Novena da Imaculada Conceição - 3.º dia
O terceiro dia da Novena coincidiu com o primeiro Domingo do Advento e o Pe. Jorge Henrique escolheu como tema para a pregação precisamente o tempo do Advento.
Como habitualmente quando a novena encontra o Domingo, a celebração começou com a exposição/adoração do Santíssimo Sacramento, rezando-se o terço, seguindo-se com uma leitura Leitura do Evangelho de São Mateus (1, 18-25) com o quadro do nascimento de Jesus. Depois da proclamação do Evangelho, a pregação.
O Advento é tempo de preparação para o Natal, com diversas figuras que nos ajudam a refletir, Isaías, João Batista, o Anjo, Maria e José.
Se nos fixarmos na figura de Maria, padroeira desta comunidade de Tabuaço, vemos como Ela se prepara para acolher Jesus. Como qualquer mulher que se econtre grávida, também Maria prepara o ambiente para acolher Jesus, não apenas ajeitando um espaço, mas preparando-se interior, espiritualmente. E como é que nos preparamos espiritualmente? Pela oração diligente. Certamente pela escuta da Palavra, acolhimento da vontade de Deus, prática do bem. Maria faz dilatar a Palavra que cresce no Seu ventre, no seu coração e na Sua vida.
Etiquetas:
Advento,
Catequese,
Crianças,
Eucaristia,
Imaculada Conceição,
Lumen Fidei,
Maria,
Nossa Senhora da Conceição,
Novena,
Pe. Jorge Henrique,
Pregação,
Pregador
domingo, 1 de dezembro de 2013
Novena da Imaculada Conceição - 2.º dia
Sábado é o dia das crianças e adolescentes da catequese. No segundo dia da Novena, e por ser sábado, o Compromisso de Acólitos, com a entrada de 6 elementos: Guilherme, Mariana, Sofia, Daniela Gonçalves, Daniela Correia e Margarida.
Com a Missa vespertina também o início do tempo do Advento.
O padre Pregador, Pe. Jorge, falou-nos de Compromisso, do acólitos mas também de outros compromissos, Batismo, Confirmação, Matrimónio, Vida sacerdotal, compromisso com a escola, com os colegas, com a família. Em diálogo com as crianças, acentuando os aspetos em que colocamos um GOSTO ou aquelas situações concretas em que colocamos NÃO GOSTO, procurando viver o Advento de forma concreta.
A Virgem Maria também assumiu um compromisso importante, ser a Mãe do Filho de Deus, mas não ficou de braços cruzados à espera. É uma espera vigilante mas ativa, empenhada em viver e levar Jesus aos outros, e em ajudar quem precisa como a sua prima Isabel. "Faça-se em Mim segundo a Tua palavra". Atitude de escuta e obediência. E nós, também ajudamos os nossos pais?
A pergunta às crianças também se adapta a nós, em que medida tornamos concreta a fé que professamos?
Etiquetas:
Advento,
Catequese,
Crianças,
Eucaristia,
Imaculada Conceição,
Lumen Fidei,
Maria,
Nossa Senhora da Conceição,
Novena,
Pe. Jorge Henrique,
Pregação,
Pregador
sábado, 30 de novembro de 2013
Novena da Imaculada Conceição - 1.º Dia
Com o dia 29 de novembro, cada ano, iniciamos a NOVENA de preparação para a Festa de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira desta paróquia de Tabuaço. Este ano assinalam-se também os 25 anos do Monumento a Nossa Senhora da Conceição que se encontra sobre a Vila, na Fraga do Tostão.
A Novena é orientada pelo Pe. Jorge Henrique, natural de Ariz, no concelho de Moimenta da Beira, ordenado sacerdote em 15 de agosto de 2008, é pároco de Faia, Penso, Vila da Ponte e Vila da Rua.
No primeiro dia, o pregador contextualizou o final do ano litúrgico, com as Leituras apocalípticas, numa toada de fim dos tempos, em lógica de esperança e confiança em Deus. Com o final do ano litúrgico um novo tempo se inicia, o do Advento.
Por outro lado, o significado de uma Novena, espera, preparação, antecipação do que está para acontecer. A primeira Novena, que tem Maria como protagonista, a espera entre a Ascensão de Jesus e o Pentecostes, o envio do Espírito Santo. Nove dias de oração, de assembleia que se reúne para rezar confiante na vinda do Senhor, Ao décimo dia, o Pentecostes.
Citando um professor, o Pe. Jorge sublinhou que mais do que falar de Maria, pois conhece-se o que Ela diz, importa viver Maria, viver como Ela viveu, com alegria e confiança. Sem alegria não pode haver cristãos saudáveis.
No final da Eucaristia, o padre pregador deixou à comunidade, para rezar individualmente ou em família, uma oração do papa Francisco, retirada da Sua primeira Encicílica Lumen Fidei:
No primeiro dia, o pregador contextualizou o final do ano litúrgico, com as Leituras apocalípticas, numa toada de fim dos tempos, em lógica de esperança e confiança em Deus. Com o final do ano litúrgico um novo tempo se inicia, o do Advento.
Por outro lado, o significado de uma Novena, espera, preparação, antecipação do que está para acontecer. A primeira Novena, que tem Maria como protagonista, a espera entre a Ascensão de Jesus e o Pentecostes, o envio do Espírito Santo. Nove dias de oração, de assembleia que se reúne para rezar confiante na vinda do Senhor, Ao décimo dia, o Pentecostes.
Citando um professor, o Pe. Jorge sublinhou que mais do que falar de Maria, pois conhece-se o que Ela diz, importa viver Maria, viver como Ela viveu, com alegria e confiança. Sem alegria não pode haver cristãos saudáveis.
No final da Eucaristia, o padre pregador deixou à comunidade, para rezar individualmente ou em família, uma oração do papa Francisco, retirada da Sua primeira Encicílica Lumen Fidei:
Ajudai, ó Mãe, a nossa fé.
Abri o nosso ouvido à Palavra,
para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada.
Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos,
saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa.
Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor,
para podermos tocá-Lo com a fé.
Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele,
a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e cruz,
quando a nossa fé é chamada a amadurecer.
Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado.
Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho.
Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus,
para que Ele seja luz no nosso caminho.
E que esta luz da fé cresça sempre em nós
até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo,
vosso Filho, nosso Senhor.
sábado, 23 de novembro de 2013
Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo - 24 novembro
1 – A realeza de Jesus Cristo que hoje temos a dita de celebrar assenta no Amor, na doação por inteiro, na entrega da vida a favor dos outros. É uma realeza frágil, exposta, carente, dependente do acolhimento e da aceitação alheia. Não é imposta e não vive pela força, pelas armas, pela persuasão coerciva, pelo estatuto social, cultural, político ou religioso. Impõe-se unicamente pelo serviço, pelo testemunho, como lâmpada que se acende para irradiar Luz.
Hoje são vários os motivos que nos levam/trazem à Eucaristia: solenidade de Cristo Rei, Senhor do Universo, Dia da Igreja Diocesana de Lamego, Encerramento do Ano da Fé, convocado por Bento XVI e concluído pelo Papa Francisco.
A síntese e o enquadramento do Ano da Fé pode encontrar-se na primeira carta Encíclica do novo Papa, Lumen Fidei, escrita a quatro mãos, preparada por Bento XVI e assumida, com as suas contribuições pessoais, por Francisco. Melhor síntese ainda: a passagem de testemunho de um a outro papa, sublime Evangelho da Humildade. Um, a fé, o serviço e o despojamento, pondo em evidência o que sempre foi: simples trabalhador da vinha do Senhor. Outro, com a temperatura muito latina, próximo, afável, universalizando o que era como sacerdote e cardeal, pastor da proximidade e da clareza, do encontro e da ternura. A Barca, porém, é conduzida, ontem como hoje, pelo Bom Pastor, Cristo Senhor. Outra síntese luminosa, anunciada neste ano, a canonização do Bom Papa João XXIII e do infatigável papa João Paulo II, a realizar em 27 de abril de 2014.
2 – Curioso o Evangelho que hoje nos é proposto: a coroação de Jesus realiza-se na Cruz, bela expressão do Amor sem fronteiras nem reservas, sem condições prévias.
Alguns zombam de Jesus: «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito»; «Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo»; «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também». O próprio letreiro pregado na cruz refere a realeza de Jesus: «Este é o Rei dos judeus».
A zombaria contrasta com a bondade de Jesus durante a vida pública. Ele prega e vive a proximidade com todos, especialmente com as pessoas mais frágeis e desconsideradas social, política e religiosamente, acerca-se delas, faz-Se caminho para coxos, aleijados, portadores de deficiência, publicanos, crianças, mulheres. Coloca no centro precisamente aqueles que foram colocados (ou se colocaram) nas periferias da vida. Surge como Messias prometido e esperado. São multidões que acorrem à Sua presença, para O ver, para O ouvir, para se encontrarem com Ele. É o Eleito do Senhor, Aquele em Quem Deus pôs todo o Seu enlevo, a Sua complacência.
Quando entra triunfalmente em Jerusalém (em Domingo de Ramos), faz-nos visualizar uma realeza pobre, despretensiosa, humilde. Não é acompanhado com carros de bois e de cavalos, com forte exército, armado, para O protegerem. Vai em cima de um burrito, símbolo da pobreza, do despojamento, sem adornos nem artifícios. E até o jumento é emprestado. No final, Jesus não tem nada, nem sequer Lhe é permitido ficar com a roupa do corpo. Nada tem. Tudo é para Deus. É todo de Deus. É todo para a humanidade.
3 – A história de salvação, que nos chega através da Sagrada Escritura, e do Povo da Aliança, no qual nasce Jesus, está marcada pelo desejo de uma realeza agregadora, fazendo com que o povo judeu seja luz para as nações, e nele sejam abençoados todos os povos da terra, como bem expressa o velho Simeão aquando da apresentação de Jesus no Templo.
É uma promessa constantemente renovada. O próprio Deus exercerá a justiça e o poder sobre Israel e sobre o mundo inteiro. A condição colocada é a observância dos preceitos de Deus, sintetizados nos 10 mandamentos.
O grande líder é Moisés. Fala com Deus, face a face, e, por seu intermédio, o povo é libertado e chega às portas da terra prometida. A liderança justa e gloriosa de Moisés, após a sua morte, provoca o sonho de um novo Moisés que conduza novamente o povo a uma terra prometida, onde corra leite e mel, terra fértil em paz, unidade e justiça.
As coisas nem sempre correm como esperado. No horizonte surge um REI cuja sabedoria parece iluminar os seus súbditos. David, o pastor, humilde e pobre, que passa despercebido, e se torna Rei. Não é um rei imposto, mas proposto: governa sobre nós, "somos dos teus ossos e da tua carne". O argumento é sobrenatural: «o Senhor disse-te: ‘Tu apascentarás o meu povo de Israel, tu serás rei de Israel’». David é ungido. A aliança é tripartida, do rei com o povo, diante do Senhor Deus. David congrega todas as tribos de Israel num só povo (para Deus). Ainda em vida assiste a contendas que mais à frente hão de desmoronar a harmonia que ele conseguiu. O sonho prossegue no desejo de um novo David, um pastor de Israel, que conduza o povo a pastagens verdejantes, fundando a nova Jerusalém.
Para nós, cristãos, Jesus Cristo é, sem dúvida, o novo Moisés, o novo David, o Ungido do Senhor. E mais que isso, é o Filho de Deus entre nós, sem coroa e sem poder. Vem para congregar com a força do perdão e do amor, introduzindo-nos na verdadeira e sempiterna cidade santa, a mais bela morada do Deus altíssimo, para a qual estamos convocados!
4 – «O meu reino não é deste mundo». Diante de Pilatos Jesus acentua a sobrenaturalidade do Reino de Deus, visível aos simples e humildes de coração, interior e com efeitos na prática do bem e da justiça. Se o meu reino fosse deste mundo, diz Jesus, então os meus guardas viriam para Me proteger. Se fosse uma questão de poder, Deus mandaria os exércitos celestes, e num instante faria desaparecer da face da terra todos os malfeitores. Mas o meu reino não é deste mundo. Não é aqui que se realiza a Jerusalém celeste, mas é aqui que se inicia este projeto de vida nova. A cidade de Deus está no meio dos homens, é Jesus Cristo.
4 – «O meu reino não é deste mundo». Diante de Pilatos Jesus acentua a sobrenaturalidade do Reino de Deus, visível aos simples e humildes de coração, interior e com efeitos na prática do bem e da justiça. Se o meu reino fosse deste mundo, diz Jesus, então os meus guardas viriam para Me proteger. Se fosse uma questão de poder, Deus mandaria os exércitos celestes, e num instante faria desaparecer da face da terra todos os malfeitores. Mas o meu reino não é deste mundo. Não é aqui que se realiza a Jerusalém celeste, mas é aqui que se inicia este projeto de vida nova. A cidade de Deus está no meio dos homens, é Jesus Cristo.
O grito do bom ladrão chega ao Céu: «Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza». A resposta dada é também para nós: «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso». Esta certeza, que nos é revelada por Jesus Cristo, provoca-nos a alegria do salmista: «Alegrei-me quando me disseram: 'Vamos para a casa do Senhor'».
Com a morte e a ressurreição de Cristo chega até nós a vastidão do Céu. N'Ele somos assumidos, não como súbditos mas como filhos bem-amados, como herdeiros da verdadeira aliança que Se alicerça no sangue e no corpo de Jesus, na Sua vida por inteiro, inteiramente oferecida a nosso favor. Por isso, «damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina. Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados. Cristo é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura... Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus».
A última tentação, na Cruz e na vida, é o “cada um por si”, cada um procurar salvar-se a si mesmo, usando todos os meios, mesmo que à custa de outros. «Salva-te e ti e a nós também». Jesus não quer salvar a pele e muito menos à custa do sacrifício de outros. Ao invés, Jesus oferece-Se como sacrifício, como Amor partilhado, para salvar a todos. No final, Ele não se livra do sofrimento, do suplício e da morte. Mas aprouve a Deus que na Sua oferenda todos fôssemos reconciliados com Ele, eternamente.
Textos para a Eucaristia: 2 Sam 5, 1-3; Sl 121 (122); Col 1, 12-20; Lc 23, 35-43.
Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço
sábado, 5 de outubro de 2013
XXVII Domingo do Tempo Comum - ano C - 6 de outubro
1 – O Papa Bento XVI, ao convocar o Ano da Fé, quis colocar a Igreja a refletir e a avivar as raízes da sua fé, a tornar mais visível a esperança, testemunhando-a em obras concretas, na transformação pessoal e comunitária. Iniciou-se 11 de outubro de 2012, 50 anos passados sobre a grande bênção para a Igreja que foi o Concílio Vaticano II, oportunidade para a Igreja se tornar Sacramento de Salvação, sinal e expressão da Presença de Cristo no mundo. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Igreja foi chamada a meditar em Si mesma para melhor servir a Palavra de Deus e tornar mais efetivo o compromisso com os homens e as mulheres deste tempo. 20 anos após a publicação do Catecismo da Igreja Católica, a síntese mais completa dos ensinamentos, verdades, vivências da fé católica, para que os crentes apreendam toda a riqueza que os une e possam comunicar a beleza e a riqueza do Evangelho, em linguagem compreensível nos dias que passam, traduzida em palavras e gestos de partilha solidária e de comunhão fraterna.
É de FÉ que HOJE a liturgia da Palavra nos fala.
O pedido humilde dos apóstolos: «Aumenta a nossa fé».
A resposta decidida de Jesus:
«Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu’? Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’».
Jesus desafia à confiança, viver a fé de forma humilde mas simultaneamente corajosa, sem reservas, como o senhor que ordena o serviço aos seus servos, sem falsas modéstias, não deixando que as dúvidas e hesitações momentâneas se tornem paralisantes. Viver a fé como quem se lança numa aventura, como aposta, um salto no escuro, ou melhor um salto na LUZ de Jesus Cristo, que nos mostra o Pai e tudo o que nos ampara, o AMOR, do qual nem a morte nos separará. A fé envolve a confiança e a entrega. Como a criança se lança de encontro aos braços da mãe/pai, sem calculismos. Com a idade, a pessoa deixa de se atirar... Nem sempre é fácil!
A propósito, uma significativa imagem de Santo Agostinho: “ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus escreva nela o que quiser”. Temos consciência que é mais fácil pedir a Deus que se faça a nossa vontade e não tanto a Sua, como rezamos no Pai-nosso.
2 – Na primeira carta Encíclica, Lumen Fidei, o Papa Francisco, em sintonia estreita com Bento XVI, diz-nos que a fé é sobretudo luz, ainda que haja momentos de grande sofrimento, em que a dúvida assola, em que a confiança fica abalada, como se o chão debaixo de nós estivesse a desaparecer. Com efeito, “a fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho... o serviço da fé ao bem comum é sempre serviço de esperança que nos faz olhar em frente, sabendo que só a partir de Deus, do futuro que vem de Jesus ressuscitado, é que a nossa sociedade pode encontrar alicerces sólidos e duradouros” (n.º 57).
O profeta Habacuc ajuda-nos a formular os nossos medos, melhor, os sofrimentos que atrapalham a nossa confiança em Deus, e no futuro. Há momentos em que a vida parece madrasta. Pedimos sinais e não vemos com clareza um caminho, uma abertura. Tudo parece em vão, fugidio, injustificável. Tristeza. Solidão. Doença. Traição. Morte de alguém próximo. Expetativas defraudadas, em relação a um emprego, a uma pessoa, a uma situação do dia-a-dia.
Se há em nós resíduos de fé, ainda que tenhamos o coração atolado de dúvidas, lá vamos questionando Deus: «Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? Porque me deixais ver a iniquidade e contemplar a injustiça? Diante de mim está a opressão e a violência, levantam-se contendas e reina a discórdia?»
E Deus não deixará de nos responder. Não se eliminam as dúvidas e contrariedades, mas sobrevém a presença de Deus, que nos atrai do futuro, da eternidade: «Põe por escrito esta visão e grava-a em tábuas com toda a clareza, de modo que a possam ler facilmente. Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há de cumprir-se com certeza e não falhará. Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há de vir e não tardará. Vede como sucumbe aquele que não tem alma reta; mas o justo viverá pela sua fidelidade».
Só em Deus, através da Luz da Fé (Lumen Fidei), encontramos alicerces sólidos e verdadeiros que nos permitem viver e contruir laços de amizade, de ternura e de comunhão, e mutuamente procurar ultrapassar, compreender, relativizar tudo o que entendemos ser empecilho. A certeza de que Deus, Pai/Mãe, está na nossa vida, assegura-nos um chão que nos permite viver confiantes, apesar dos tropeços que encontramos no caminho.
3 – Senhor, aumenta a nossa fé. Não apenas a minha fé, mas a fé da Igreja, vivida em comunidade, partilhada, celebrada. Imaginemos, como há tempos referia o Papa Francisco, que estamos num estádio de futebol, às escuras, e se acende uma pequena de luz (um isqueiro, uma vela), e cada um acende a sua pequena luz. Com cada pequena luz acesa, em conjunto, o estádio fica mais iluminado, sendo possível ver pessoas e os seus rostos.
A fé, individual, isolada, privada, é uma mentira. Ou meia verdade. Fica incompleta. A fé acolhe-se pessoalmente, mas necessita de se expressar e exercitar em comunidade, senão esmorece. É como os sentimentos. Não posso amar sozinho. Amar e ser amado, é o desiderato essencial da vida. Mas como amar se não tiver a quem? Como me sentir amado, se não houver ninguém. Assim a fé, ou pelo menos a fé em Cristo Jesus.
O apóstolo são Paulo exorta Timóteo a reavivar o dom de Deus, nele e nos outros. Não com timidez, mas com coragem.
“Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação. Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro. Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus. Toma como norma as sãs palavras que me ouviste, segundo a fé e a caridade que temos em Jesus Cristo. Guarda a boa doutrina que nos foi confiada, com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós”.
O desafio de Jesus aos apóstolos é sancionado por Paulo aos discípulos. Mesmo no sofrimento e na perseguição, há que manter firme a fé e a confiança em Deus, continuando a viver segundo a Sua vontade, na caridade e no serviço, confiando no Seu poder, no Seu amor por nós, alimentando-nos da Sua palavra, com o auxílio do Espírito Santo que nos habita.
Textos para a Eucaristia (ano C): Hab 1,2-3; 2,2-4; 2 Tim 1,6-8.13-14; Lc 17,5-10.
Etiquetas:
Bento XVI,
Domingo,
Eucaristia,
Fé,
Francisco,
Habacuc,
Homilias,
Jesus Cristo,
Liturgia da Palavra,
Lumen Fidei,
Palavra de Deus,
Profetas,
São Paulo,
São Timóteo,
Serviço
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Lumen Fidei - Maria, Mãe da Igreja e da nossa fé
A Maria, Mãe da Igreja e Mãe da nossa fé, nos dirigimos, rezando-Lhe:
Ajudai, ó Mãe, a nossa fé.
Abri o nosso ouvido à Palavra,
para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada.
Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos,
saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa.
Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor,
para podermos tocá-Lo com a fé.
Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele,
a crer no seu amor,
sobretudo nos momentos de tribulação e cruz,
quando a nossa fé é chamada a amadurecer.
Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado.
Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho.
Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus,
para que Ele seja luz no nosso caminho.
E que esta luz da fé cresça sempre em nós
até chegar aquele dia sem ocaso
que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor.
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 60)
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Lumen Fidei - a Fé força consoladora no sofrimento
Falar da fé comporta frequentemente falar também de provas dolorosas, mas é precisamente nelas que São Paulo vê o anúncio mais convincente do Evangelho, porque é na fraqueza e no sofrimento que sobressai e se descobre o poder de Deus que supera a nossa fraqueza e o nosso sofrimento. O próprio Apóstolo se encontra numa situação de morte que redunda em vida para os cristãos (cf. 2 Cor 4, 7-12). Na hora da prova, a fé ilumina-nos; e é precisamente no sofrimento e na fraqueza que se torna claro como «não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor» (2 Cor 4, 5). O capítulo 11 da Carta aos Hebreus termina com a referência a quantos sofreram pela fé, entre os quais ocupa um lugar particular Moisés que tomou sobre si a humilhação de Cristo (cf. vv. 26.35-38). O cristão sabe que o sofrimento não pode ser eliminado, mas pode adquirir um sentido: pode tornar-se acto de amor, entrega nas mãos de Deus que não nos abandona e, deste modo, ser uma etapa de crescimento na fé e no amor. Contemplando a união de Cristo com o Pai, mesmo no momento de maior sofrimento na cruz (cf. Mc 15, 34), o cristão aprende a participar no olhar próprio de Jesus; até a morte fica iluminada, podendo ser vivida como a última chamada da fé, o último «Sai da tua terra» (cf. Gn 12, 1), o último «Vem!» pronunciado pelo Pai, a quem nos entregamos com a confiança de que Ele nos tornará firmes também na passagem definitiva.
A luz da fé não nos faz esquecer os sofrimentos do mundo. Os que sofrem foram mediadores de luz para tantos homens e mulheres de fé; tal foi o leproso para São Francisco de Assis, ou os pobres para a Beata Teresa de Calcutá. Compreenderam o mistério que há neles; aproximan do-se deles, certamente não cancelaram todos os seus sofrimentos, nem puderam explicar todo o mal. A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho. Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar connosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para nela vermos a luz. Cristo é aquele que, tendo suportado a dor, Se tornou «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2).
O sofrimento recorda-nos que o serviço da fé ao bem comum é sempre serviço de esperança que nos faz olhar em frente, sabendo que só a partir de Deus, do futuro que vem de Jesus ressuscitado, é que a nossa sociedade pode encontrar alicerces sólidos e duradouros. Neste sentido, a fé está unida à esperança, porque, embora a nossa morada aqui na terra se vá destruindo, há uma habitação eterna que Deus já inaugurou em Cristo, no seu corpo (cf. 2 Cor 4, 16 - 5, 5). Assim, o dinamismo de fé, esperança e caridade (cf. 1 Ts 1, 3; 1 Cor 13, 13) faz-nos abraçar as preocupações de todos os homens, no nosso caminho rumo àquela cidade, «cujo arquitecto e construtor é o próprio Deus» (Heb 11, 10), porque «a esperança não engana» (Rm 5, 5).
Unida à fé e à caridade, a esperança projecta- nos para um futuro certo, que se coloca numa perspectiva diferente relativamente às propostas ilusórias dos ídolos do mundo, mas que dá novo impulso e nova força à vida de todos os dias. Não deixemos que nos roubem a esperança, nem permitamos que esta seja anulada por soluções e propostas imediatas que nos bloqueiam no caminho, que «fragmentam» o tempo transformando- o em espaço. O tempo é sempre superior ao espaço: o espaço cristaliza os processos, ao passo que o tempo projecta para o futuro e impele a caminhar na esperança.
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 56-57)
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Lumen Fidei - a família e a cidade dos homens
O primeiro âmbito da cidade dos homens iluminado pela fé é a família; penso, antes de mais nada, na união estável do homem e da mulher no matrimónio. Tal união nasce do seu amor, sinal e presença do amor de Deus, nasce do reconhecimento e aceitação do bem que é a diferença sexual, em virtude da qual os cônjuges se podem unir numa só carne (cf. Gn 2, 24) e são capazes de gerar uma nova vida, manifestação da bondade do Criador, da sua sabedoria e do seu desígnio de amor. Fundados sobre este amor, homem e mulher podem prometer-se amor mútuo com um gesto que compromete a vida inteira e que lembra muitos traços da fé: prometer um amor que dure para sempre é possível quando se descobre um desígnio maior que os próprios projectos, que nos sustenta e permite doar o futuro inteiro à pessoa amada. Depois, a fé pode ajudar a individuar em toda a sua profundidade e riqueza a geração dos filhos, porque faz reconhecer nela o amor criador que nos dá e nos entrega o mistério de uma nova pessoa; foi assim que Sara, pela sua fé, se tornou mãe, apoiando-se na fidelidade de Deus à sua promessa (cf. Heb 11, 11).
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 52)
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Lumen Fidei - fé e bem comum
"... a fé ilumina também as relações entre os homens, porque nasce do amor e segue a dinâmica do amor de Deus. O Deus fiável dá aos homens uma cidade fiável...
Devido precisamente à sua ligação com o amor (cf. Gl 5, 6), a luz da fé coloca-se ao serviço concreto da justiça, do direito e da paz. A fé nasce do encontro com o amor gerador de Deus que mostra o sentido e a bondade da nossa vida; esta é iluminada na medida em que entra no dinamismo aberto por este amor, isto é, enquanto se torna caminho e exercício para a plenitude do amor. A luz da fé é capaz de valorizar a riqueza das relações humanas, a sua capacidade de perdurarem, serem fiáveis, enriquecerem a vida comum. A fé não afasta do mundo, nem é alheia ao esforço concreto dos nossos contemporâneos. Sem um amor fiável, nada poderia manter verdadeiramente unidos os homens: a unidade entre eles seria concebível apenas enquanto fundada sobre a utilidade, a conjugação dos interesses, o medo, mas não sobre a beleza de viverem juntos, nem sobre a alegria que a simples presença do outro pode gerar. A fé faz compreender a arquitectura das relações humanas, porque identifica o seu fundamento último e destino definitivo em Deus, no seu amor, e assim ilumina a arte da sua construção, tornando-se um serviço ao bem comum. Por isso, a fé é um bem para todos, um bem comum: a sua luz não ilumina apenas o âmbito da Igreja nem serve somente para construir uma cidade eterna no além, mas ajuda também a construir as nossas sociedades de modo que caminhem para um futuro de esperança. A Carta aos Hebreus oferece um exemplo disto mesmo, ao nomear entre os homens de fé Samuel e David, a quem a fé permitiu «exercerem a justiça» (11, 33). A expressão refere-se aqui à sua justiça no governar, àquela sabedoria que traz a paz ao povo (cf. 1 Sm 12, 3-5; 2 Sm 8, 15). As mãos da fé levantam-se para o céu, mas fazem-no ao mesmo tempo que edificam, na caridade, uma cidade construída sobre relações que têm como alicerce o amor de Deus".
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 50-51)
domingo, 1 de setembro de 2013
Lumen Fidei - Uma luz para a vida em sociedade
À medida que a história da salvação avança, o homem descobre que Deus quer fazer a todos participar como irmãos da única bênção, que encontra a sua plenitude em Jesus, para que todos se tornem um só. O amor inexaurível do Pai é-nos comunicado em Jesus, também através da presença do irmão. A fé ensina-nos a ver que, em cada homem, há uma bênção para mim, que a luz do rosto de Deus me ilumina através do rosto do irmão...
«Se olhássemos a terra do alto do céu, que diferença se nos ofereceria entre as nossas atividades e as das formigas e das abelhas?» (Orígenes). No centro da fé bíblica, há o amor de Deus, o seu cuidado concreto por cada pessoa, o seu desejo de salvação que abraça toda a humanidade e a criação inteira e que atinge o clímax na encarnação, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Quando se obscurece esta realidade, falta o critério para individuar o que torna preciosa e única a vida do homem; e este perde o seu lugar no universo, extravia-se na natureza, renunciando à própria responsabilidade moral, ou então pretende ser árbitro absoluto, arrogando-se um poder de manipulação sem limites.
Além disso a fé, ao revelar-nos o amor de Deus Criador, faz-nos olhar com maior respeito para a natureza, fazendo-nos reconhecer nela uma gramática escrita por Ele e uma habitação que nos foi confiada para ser cultivada e guardada; ajuda-nos a encontrar modelos de progresso, que não se baseiem apenas na utilidade e no lucro mas considerem a criação como dom, de que todos somos devedores; ensina-nos a individuar formas justas de governo, reconhecendo que a autoridade vem de Deus para estar ao serviço do bem comum. A fé afirma também a possibilidade do perdão, que muitas vezes requer tempo, canseira, paciência e empenho; um perdão possível quando se descobre que o bem é sempre mais originário e mais forte que o mal, que a palavra com que Deus afirma a nossa vida é mais profunda do que todas as nossas negações. Aliás, mesmo dum ponto de vista simplesmente antropológico, a unidade é superior ao conflito; devemos preocupar-nos também com o conflito, mas vivendo-o de tal modo que nos leve a resolvê-lo, a superá-lo, como elo duma cadeia, num avanço para a unidade...
Se tiramos a fé em Deus das nossas cidades, enfraquecer-se-á a confiança entre nós, apenas o medo nos manterá unidos, e a estabilidade ficará ameaçada.
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 54-55)
Etiquetas:
Ano da Fé,
Bento XVI,
Caridade,
Deus Pai,
Encíclica,
Esperança,
Espírito Santo,
Francisco,
Jesus Cristo,
Lumen Fidei,
Mensagem,
Orígenes
Lumen Fidei - fé e sacramentos
De facto, a fé tem necessidade de um âmbito onde se possa testemunhar e comunicar, e que o mesmo seja adequado e proporcionado ao que se comunica. Para transmitir um conteúdo meramente doutrinal, uma ideia, talvez bastasse um livro ou a repetição de uma mensagem oral; mas aquilo que se comunica na Igreja, o que se transmite na sua Tradição viva é a luz nova que nasce do encontro com o Deus vivo, uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, no coração, envolvendo a sua mente, vontade e afectividade, abrindo-a a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros. Para se transmitir tal plenitude, existe um meio especial que põe em jogo a pessoa inteira: corpo e espírito, interioridade e relações. Este meio são os sacramentos celebrados na liturgia da Igreja: neles, comunica-se uma memória encarnada, ligada aos lugares e épocas da vida, associada com todos os sentidos; neles, a pessoa é envolvida, como membro de um sujeito vivo, num tecido de relações comunitárias. Por isso, se é verdade que os sacramentos são os sacramentos da fé, há que afirmar também que a fé tem uma estrutura sacramental; o despertar da fé passa pelo despertar de um novo sentido sacramental na vida do homem e na existência cristã, mostrando como o visível e o material se abrem para o mistério do eterno.
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 40)
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Lumen Fidei - Fé e Eucaristia
A natureza sacramental da fé encontra a sua máxima expressão na Eucaristia. Esta é alimento precioso da fé, encontro com Cristo presente de maneira real no seu acto supremo de amor: o dom de Si mesmo que gera vida. Na Eucaristia, temos o cruzamento dos dois eixos sobre os quais a fé percorre o seu caminho. Por um lado, o eixo da história: a Eucaristia é acto de memória, actualização do mistério, em que o passado, como um evento de morte e ressurreição, mostra a sua capacidade de se abrir ao futuro, de antecipar a plenitude final; no-lo recorda a liturgia com o seu hodie, o «hoje» dos mistérios da salvação. Por outro lado, encontra-se aqui também o eixo que conduz do mundo visível ao invisível: na Eucaristia, aprendemos a ver a profundidade do real. O pão e o vinho transformam-se no Corpo e Sangue de Cristo, que Se faz presente no seu caminho pascal para o Pai: este movimento introduz- nos, corpo e alma, no movimento de toda a criação para a sua plenitude em Deus.
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 44)
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Lumen Fidei - fé dos pais gera os filhos para a vida
Uma criança não é capaz de um ato livre que acolha a fé: ainda não a pode confessar sozinha e, por isso mesmo, é confessada pelos seus pais e pelos padrinhos em nome dela. A fé é vivida no âmbito da comunidade da Igreja, insere- se num «nós» comum. Assim, a criança pode ser sustentada por outros, pelos seus pais e padrinhos, e pode ser acolhida na fé deles que é a fé da Igreja, simbolizada pela luz que o pai toma do círio na liturgia baptismal. Esta estrutura do Batismo põe em evidência a importância da sinergia entre a Igreja e a família na transmissão da fé. Os pais são chamados - como diz Santo Agostinho - não só a gerar os filhos para a vida, mas a levá-los a Deus, para que sejam, através do Baptismo, regenerados como filhos de Deus, recebam o dom da fé. Assim, juntamente com a vida, é-lhes dada a orientação fundamental da existência e a segurança de um bom futuro; orientação esta, que será ulteriormente corroborada no sacramento da Confirmação com o selo indelével do Espírito Santo.
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 43)
Etiquetas:
Ano da Fé,
Batismo,
Bento XVI,
Caridade,
Deus Pai,
Encíclica,
Esperança,
Espírito Santo,
Francisco,
Jesus Cristo,
Lumen Fidei,
Mensagem,
Sacramentos,
Santo Agostinho
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Lumen Fidei - a fé e a busca de Deus
A luz da fé em Jesus ilumina também o caminho de todos aqueles que procuram a Deus e oferece a contribuição própria do cristianismo para o diálogo com os seguidores das diferentes religiões...
Deste modo, a estrela fala da paciência de Deus com os nossos olhos, que devem habituar-se ao seu fulgor. Encontrando-se a caminho, o homem religioso deve estar pronto a deixar-se guiar, a sair de si mesmo para encontrar o Deus que não cessa de nos surpreender. Este respeito de Deus pelos olhos do homem mostra-nos que, quando o homem se aproxima d’Ele, a luz humana não se dissolve na imensidão luminosa de Deus, como se fosse um estrela absorvida pela aurora, mas torna-se tanto mais brilhante quanto mais perto fica do fogo gerador, como um espelho que reflecte o resplendor. A confissão de Jesus, único Salvador, afirma que toda a luz de Deus se concentrou n’Ele, na sua «vida luminosa», em que se revela a origem e a consumação da história. Não há nenhuma experiência humana, nenhum itinerário do homem para Deus que não possa ser acolhido, iluminado e purificado por esta luz. Quanto mais o cristão penetrar no círculo aberto pela luz de Cristo, tanto mais será capaz de compreender e acompanhar o caminho de cada homem para Deus...
Quem se põe a caminho para praticar o bem, já se aproxima de Deus, já está sustentado pela sua ajuda, porque é próprio da dinâmica da luz divina iluminar os nossos olhos, quando caminhamos para a plenitude do amor.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Lumen Fidei - fé, razão, amor, verdade
A luz do amor, própria da fé, pode iluminar as perguntas do nosso tempo acerca da verdade. Muitas vezes, hoje, a verdade é reduzida a autenticidade subjectiva do indivíduo, válida apenas para a vida individual. Uma verdade comum mete-nos medo, porque a identificamos - como dissemos atrás - com a imposição intransigente dos totalitarismos; mas, se ela é a verdade do amor, se é a verdade que se mostra no encontro pessoal com o Outro e com os outros, então fica livre da reclusão no indivíduo e pode fazer parte do bem comum. Sendo a verdade de um amor, não é verdade que se impõe pela violência, não é verdade que esmaga o indivíduo; nascendo do amor pode chegar ao coração, ao centro pessoal de cada homem; daqui resulta claramente que a fé não é intransigente, mas cresce na convivência que respeita o outro. O crente não é arrogante; pelo contrário, a verdade torna-o humilde, sabendo que, mais do que possuirmo-la nós, é ela que nos abraça e possui. Longe de nos endurecer, a segurança da fé põe-nos a caminho e torna possível o testemunho e o diálogo com todos.
Por outro lado, enquanto unida à verdade do amor, a luz da fé não é alheia ao mundo material, porque o amor vive-se sempre com corpo e alma; a luz da fé é luz encarnada, que dimana da vida luminosa de Jesus. A fé ilumina também a matéria, confia na sua ordem, sabe que nela se abre um caminho cada vez mais amplo de harmonia e compreensão. Deste modo, o olhar da ciência tira benefício da fé: esta convida o cientista a permanecer aberto à realidade, em toda a sua riqueza inesgotável. A fé desperta o sentido crítico, enquanto impede a pesquisa de se deter, satisfeita, nas suas fórmulas e ajuda-a a compreender que a natureza sempre as ultrapassa. Convidando a maravilhar-se diante do mistério da criação, a fé alarga os horizontes da razão para iluminar melhor o mundo que se abre aos estudos da ciência.
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 34)
domingo, 25 de agosto de 2013
Lumen Fidei - escuta da fé, ver e amar
A conexão entre o ver e o ouvir, como órgãos do conhecimento da fé, aparece com a máxima clareza no Evangelho de João, onde acreditar é simultaneamente ouvir e ver. A escuta da fé verifica-se segundo a forma de conhecimento própria do amor: é uma escuta pessoal, que distingue e reconhece a voz do Bom Pastor (cf. Jo 10, 3-5); uma escuta que requer o seguimento, como acontece com os primeiros discípulos que, «ouvindo [João Baptista] falar desta maneira, seguiram Jesus» (Jo 1, 37). Por outro lado, a fé está ligada também com a visão: umas vezes, a visão dos sinais de Jesus precede a fé, como sucede com os judeus que, depois da ressurreição de Lázaro, «ao verem o que Jesus fez, creram n’Ele» (Jo 11, 45); outras vezes, é a fé que leva a uma visão mais profunda: «Se acreditares, verás a glória de Deus» (Jo 11, 40). Por fim, acreditar e ver cruzam-se: «Quem crê em Mim (...) crê n’Aquele que Me enviou; e quem Me vê a Mim, vê Aquele que me enviou» (Jo 12, 44-45). O ver, graças à sua união com o ouvir, torna-se seguimento de Cristo; e a fé aparece como um caminho do olhar em que os olhos se habituam a ver em profundidade. E assim, na manhã de Páscoa, de João - que, ainda na escuridão perante o túmulo vazio, «viu e começou a crer» (Jo 20, 8) - passa-se a Maria Madalena - que já vê Jesus (cf. Jo 20, 14) e quer retê-Lo, mas é convidada a contemplá-Lo no seu caminho para o Pai - até à plena confissão da própria Madalena diante dos discípulos: «Vi o Senhor!» (Jo 20, 18).
Como se chega a esta síntese entre o ouvir e o ver? A partir da pessoa concreta de Jesus, que Se vê e escuta. Ele é a Palavra que Se fez carne e cuja glória contemplámos (cf. Jo 1, 14). A luz da fé é a luz de um Rosto, no qual se vê o Pai. De facto, no quarto Evangelho, a verdade que a fé apreende é a manifestação do Pai no Filho, na sua carne e nas suas obras terrenas; verdade essa, que se pode definir como a «vida luminosa» de Jesus. Isto significa que o conhecimento da fé não nos convida a olhar uma verdade puramente interior; a verdade que a fé nos descerra é uma verdade centrada no encontro com Cristo, na contemplação da sua vida, na percepção da sua presença. Neste sentido e a propósito da visão corpórea do Ressuscitado, São Tomás de Aquino fala de oculata fides (uma fé que vê) dos Apóstolos: viram Jesus ressuscitado com os seus olhos e acreditaram, isto é, puderam penetrar na profundidade daquilo que viam para confessar o Filho de Deus, sentado à direita do Pai.
Só assim, através da encarnação, através da partilha da nossa humanidade, podia chegar à plenitude o conhecimento próprio do amor. De facto, a luz do amor nasce quando somos tocados no coração, recebendo assim, em nós, a presença interior do amado, que nos permite reconhecer o seu mistério. Compreendemos agora por que motivo, para João, a fé seja, juntamente com o escutar e o ver, um tocar, como nos diz na sua Primeira Carta: «O que ouvimos, o que vimos (…) e as nossas mãos tocaram relativamente ao Verbo da Vida…» (1 Jo 1, 1). Por meio da sua encarnação, com a sua vinda entre nós, Jesus tocou-nos e, através dos sacramentos, ainda hoje nos toca; desta forma, transformando o nosso coração, permitiu-nos - e permite-nos - reconhecê-Lo e confessá-Lo como Filho de Deus. Pela fé, podemos tocá-Lo e receber a força da sua graça. Santo Agostinho, comentando a passagem da hemorroíssa que toca Jesus para ser curada (cf. Lc 8, 45-46), afirma: «Tocar com o coração, isto é crer». A multidão comprime-se ao redor de Jesus, mas não O alcança com aquele toque pessoal da fé que reconhece o seu mistério, o seu ser Filho que manifesta o Pai. Só quando somos configurados com Jesus é que recebemos o olhar adequado para O ver.
Lumen Fidei - fé como escuta e visão
O conhecimento associado à palavra é sempre conhecimento pessoal, que reconhece a voz, se lhe abre livremente e a segue obedientemente. Por isso, São Paulo falou da «obediência da fé» (cf. Rm 1, 5; 16, 26).23 Além disso, a fé é conhecimento ligado ao transcorrer do tempo que a palavra necessita para ser explicitada: é conhecimento que só se aprende num percurso de seguimento. A escuta ajuda a identificar bem o nexo entre conhecimento e amor...
Se a luz, por um lado, oferece a contemplação da totalidade a que o homem sempre aspirou, por outro, parece não deixar espaço à liberdade, pois desce do céu e chega directamente à vista, sem lhe pedir que responda. Além disso, parece convidar a uma contemplação estática, separada do tempo concreto em que o homem goza e sofre. Segundo esta concepção, haveria oposição entre a abordagem bíblica do conhecimento e a grega, a qual, na sua busca duma compreensão completa da realidade, teria associado o conhecimento com a visão...
O ouvido atesta não só a chamada pessoal e a obediência, mas também que a verdade se revela no tempo; a vista, por sua vez, oferece a visão plena de todo o percurso, permitindo situar-nos no grande projecto de Deus; sem tal visão, disporíamos apenas de fragmentos isolados de um todo desconhecido.
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 29)
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Lumen Fidei - a fé, a verdade e o amor
A fé transforma a pessoa inteira, precisamente na medida em que ela se abre ao amor; é neste entrelaçamento da fé com o amor que se compreende a forma de conhecimento própria da fé, a sua força de convicção, a sua capacidade de iluminar os nossos passos. A fé conhece na medida em que está ligada ao amor, já que o próprio amor traz uma luz. A compreensão da fé é aquela que nasce quando recebemos o grande amor de Deus, que nos transforma interiormente e nos dá olhos novos para ver a realidade...
De facto, aos olhos do homem moderno, parece que a questão do amor não teria nada a ver com a verdade; o amor surge, hoje, como uma experiência ligada, não à verdade, mas ao mundo inconstante dos sentimentos...
Na realidade, o amor não se pode reduzir a um sentimento que vai e vem. É verdade que o amor tem a ver com a nossa afectividade, mas para a abrir à pessoa amada, e assim iniciar um caminho que faz sair da reclusão no próprio eu e dirigir-se para a outra pessoa, a fim de construir uma relação duradoura; o amor visa a união com a pessoa amada. E aqui se manifesta em que sentido o amor tem necessidade da verdade: apenas na medida em que o amor estiver fundado na verdade é que pode perdurar no tempo, superar o instante efémero e permanecer firme para sustentar um caminho comum. Se o amor não tivesse relação com a verdade, estaria sujeito à alteração dos sentimentos e não superaria a prova do tempo. Diversamente, o amor verdadeiro unifica todos os elementos da nossa personalidade e torna-se uma luz nova que aponta para uma vida grande e plena. Sem a verdade, o amor não pode oferecer um vínculo sólido, não consegue arrancar o «eu» para fora do seu isolamento, nem libertá-lo do instante fugidio para edificar a vida e produzir fruto.
Se o amor tem necessidade da verdade, também a verdade precisa do amor; amor e verdade não se podem separar.
Sem o amor, a verdade torna-se fria, impessoal, gravosa para a vida concreta da pessoa. A verdade que buscamos, a verdade que dá significado aos nossos passos, ilumina-nos quando somos tocados pelo amor. Quem ama, compreende que o amor é experiência da verdade, compreende que é precisamente ele que abre os nossos olhos para verem a realidade inteira, de maneira nova, em união com a pessoa amada. Neste sentido, escreveu São Gregório Magno que o próprio amor é um conhecimento, traz consigo uma lógica nova. Trata-se de um modo relacional de olhar o mundo, que se torna conhecimento partilhado, visão na visão do outro e visão comum sobre todas as coisas. Na Idade Média, Guilherme de Saint Thierry adopta esta tradição, ao comentar um versículo do Cântico dos Cânticos no qual o amado diz à amada: «Como são lindos os teus olhos de pomba!» (Ct 1, 15). Estes dois olhos — explica Saint Thierry — são a razão crente e o amor, que se tornam um único olhar para chegar à contemplação de Deus, quando a inteligência se faz «entendimento de um amor iluminado».
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 26-27)
Etiquetas:
Ano da Fé,
Bento XVI,
Caridade,
Deus Pai,
Encíclica,
Esperança,
Espírito Santo,
Francisco,
Jesus Cristo,
Lumen Fidei,
Mensagem,
Verdade
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















