ABRIR E SEMEAR SULCOS DE PAZ E DE ESPERANÇA
A terceira Carta Encíclica de Bento XVI empresta o título a este blogue. A Caridade na Verdade. Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas só esta entra na eternidade com Deus. Espaço pastoral de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo, de portas abertas para a Igreja e para o mundo...
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sábado, 26 de setembro de 2020
terça-feira, 3 de outubro de 2017
domingo, 2 de outubro de 2016
Carta Pastoral de D. António Couto | 2016-2017

IDE POR TODO O MUNDO
E ANUNCIAI O EVANGELHO A TODA A CRIATURA
«A Igreja não
cresce por proselitismo, mas por atração: por atração maternal, por esta oferta
de maternidade; cresce por ternura, por maternidade, pelo testemunho que gera
sempre novos filhos» (Papa Francisco)[1].
Não animador ou
monitor, mas transparência ou testemunha fiel de Jesus Cristo
1. Todo o discípulo missionário, enquanto
testemunha e anunciador do Evangelho, não pode ser um simples animador ou monitor, mas transparência ou
testemunha fiel da presença viva e operante do próprio Senhor no meio da
comunidade. O discípulo missionário só tem autoridade na medida em que é fiel a
Cristo e como Ele obediente, nada dizendo ou fazendo por sua conta e risco ou a
seu-bel-prazer. A vida do discípulo missionário não é da ordem da criatividade,
mas da fidelidade. Só pode dizer e fazer aquilo que, por graça, lhe foi dado
ouvir, aquilo que, por graça, lhe foi dado ver fazer. O discípulo missionário é
então também um contemplativo. É aqui que voltamos outra vez à configuração do
discípulo missionário com Cristo e à sua transfiguração em Cristo e por Cristo.
O discípulo missionário não é, portanto, aquele que vai apenas, com o relógio,
o mapa e a caixa de primeiros socorros na mão, em auxílio de alguém. O
discípulo missionário tem de passar do tempo do relógio e do mero auxílio para
o dom total de si. A tempo inteiro e corpo inteiro. Missionário é aquele que,
como Jesus e à maneira de Jesus, põe em jogo a própria vida, e não simplesmente
as coisas ou os adereços. Tudo, e não apenas o supérfluo. Sempre, e não apenas
um segmento de tempo. Em toda a parte, e não apenas na sua rua.
Missão
«total»: todos, tudo, sempre, em toda a parte
2. Vale a pena começar por receber um
extrato do chamado «segundo final» de Marcos, onde aparece inserida a frase que
nos indica o caminho para o ano pastoral de 2016-2017:
«16,14Em último lugar fez-se
ver aos Onze, enquanto estavam à mesa, e reprovou
a sua incredulidade e dureza de coração, porque não acreditaram naqueles que o tinham
visto ressuscitado. 15E disse-lhes: “Indo por todo o mundo, anunciai
o Evangelho a toda a criatura”. 16Quem
acreditar e for batizado, será salvo, mas quem não acreditar, será condenado. 17São
estes os sinais que acompanharão os que acreditarem: no meu nome, expulsarão demónios, falarão línguas novas, 18e,
se pegarem em cobras nas mãos e beberem veneno mortal, não lhes fará mal;
imporão as mãos aos doentes, e ficarão bem.
19O Senhor Jesus, depois de ter falado com
eles, foi elevado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. 20Eles,
então, tendo saído, anunciaram o
Evangelho por toda a parte, enquanto
o Senhor cooperava e confirmava a Palavra com os sinais que a
acompanhavam» (Marcos 16,14-20).
3. Trata-se da última página do Evangelho de Marcos, certamente
tardia, talvez do séc. II, mas grandiosa e imponente, e cheia de referências
significativas para a vida cristã de qualquer tempo e lugar. Esta página fecha
o Evangelho de Marcos, condensa-o e encerra-o numa grande inclusão literária e
teológica através dos termos «anunciar», «acreditar» e «Evangelho», usados a
abrir o Evangelho (1,14-15) e a fechar o Evangelho (16,15-16). Mas o anúncio do
Evangelho a toda a criatura (16,15) reclama também o início da Escritura, a
página da Criação, com o ser humano a receber de Deus o mandato de dominar a
criação inteira (Génesis 1,26 e 28). É ainda nesse sentido de inclusão
literária e teológica com a Criação, que as cobras, uma das quais dominou então
o ser humano (Génesis 3,1-5), são agora dominadas (16,18), do mesmo modo que é o
bem (kalôs), em vez da cura, que
agora se estabelece sobre os doentes (16,18). Outra vez o eco intertextual da
Criação, onde, no texto grego dos LXX, o bem,
bom e belo (kalós) impregna por
completo a Criação inteira, atravessando-a por oito vezes (Génesis
1,4.8.10.12.18.21.25.31 LXX). No texto hebraico, é por sete vezes que soa esta
nota com o termo tôb, que passa o
mesmo significado de bem, bom e belo (Génesis 1,4.10.12.18.21.25.31). O «Senhor Jesus» (16,19), única menção em todos os Evangelhos, enche a
cena, quer para recriminar a nossa incredulidade e dureza de coração (16,14),
quer para continuar a manifestar a sua confiança em nós, dado que, não obstante
a nossa incredulidade, e, talvez por isso mesmo, insiste em enviar-nos e
acompanhar-nos na missão «total» do Evangelho que agora nos confia (16,15 e
20). Cai aqui por terra uma certa retórica de santidade, que falsamente defende
que só os santos são idóneos para a missão de anunciar o Evangelho! E ganham
espaço os que fracassaram, como os Onze e nós com eles e como eles, que
anunciam a Ressurreição de Jesus, que continua vivo e atuante no meio de nós, e
a prova somos nós, pois Ele mudou a nossa vida de fracassados e desistentes
para testemunhas fiéis e transparentes! E esta mudança operada em nós tem de
fazer parte do relato que fazemos do Evangelho.
4. Cinco temas enchem a página, o pátio, o átrio sempre
entreaberto do Evangelho: 1) a autoridade soberana e nova de Jesus assente, não
na distância e tirania, mas na proximidade e familiaridade; 2) a missão total a
nós confiada; 3) o mundo novo e bom, sadio e otimizado que brota da prática do
Evangelho; 4) o envolvimento de todos; 5) a Presença nova e sempre ativa e
comprometida do Ressuscitado connosco.
4.1. A soberania nova, próxima e familiar de Jesus fica
registada no facto de toda a operação ser realizada no «nome de Jesus» (16,17),
mediante envio seu (16,15), com a sua Presença cooperante (synergéô) (16,20) e confirmante (bebaióô) (16,20), o mesmo verbo da Confirmação sacramental (bebaíôsis). Etimologicamente, deriva do
verbo baínô, que significa «caminhar»,
e supõe terreno firme e sólido (bébaios)
sobre o qual se pode caminhar com destreza e segurança. É esta destreza e solidez
que a Confirmação confere aos confirmados. Sem esquecer nunca que firmeza e
solidez, em chão bíblico, remetem sempre para fidelidade e confiança no domínio
interpessoal. A não esquecer também, neste contexto, que só um verdadeiro
soberano confia a sua história e a sua missão a gente como nós, que só deu até
agora sinais de fraqueza e de pouca ou nula fiabilidade. Um grande tema bíblico
desde a Criação: a omnipotência de Deus como que limitada pela nossa liberdade,
concedendo-nos aqui a imensa dignidade de partilhar connosco a sua autoridade,
deixando também nas nossas mãos a capacidade de fazer surgir um mundo novo,
cheio de bem, de bondade e de beleza.
4.2. Esta missão total, que deve envolver «todos, tudo e
sempre» (Bento XVI, Mensagem para o 85.º Dia Missionário Mundial 2011), é retratada com tinta excecional em Marcos, ao usar as
expressões «indo por todo o mundo»
(16,15), «anunciai o Evangelho a toda a
criatura» (16,15), e «tendo saído, anunciaram por toda a parte» (16,20). É a missão total, e não por etapas. Jesus
não recomenda: «a começar pela rua tal, ou pela cidade tal…». Portanto, esta
missão total também não é para levar a cabo ao sabor das emergências (ver a
decisão de Jesus em Marcos 1,38-39; Lucas 4,42-43). A ventania do Pentecostes
ou o vento suavíssimo do Espírito deve levar alento a toda a criatura, da mesma
forma que a semente do Evangelho é para ser lançada por toda a parte, em todo o
tipo de terreno, como na parábola do semeador, sem qualquer estudo prévio de
rentabilidade.
Pensar, querer, ver,
falar, fazer bem, belo e bom
4.3. Mundo novo e bom, salvo, sadio e saudável, otimizado,
sem forças demoníacas e sem ponta de veneno. Esta ligação e eco intertextual das
narrativas da Criação faz ver a missão como nova criação, em que o homem, finalmente
transparência do Deus criador e senhor, sem raivas nem ódios, ciúmes e
violências, «domina» a terra e os animais, isto é, estabelece a mansidão, a
doçura da palavra e a harmonia sobre a terra (Génesis 1,26-31). Até a cobra
perde a astúcia e o veneno mortal que ostenta em Génesis 3,1-5, e mostra-se
mansa e sujeita ao domínio das mãos do homem. À luz da missão salutar e salvadora,
nenhuma criatura é portadora de veneno (cf. Sabedoria 1,14), e a doença é
vencida pela bênção que sai das mãos e do coração do missionário, outra vez à
imagem de Deus, que enche este mundo de bem
(kalôs LXX) (16,18), que é uma nota
que atravessa o texto da Criação, vincando ainda mais a inclusão literária e
teológica já atrás acenada. Note-se que, em vez da presença do bem, em situação de doença, seria de
esperar, não o advérbio bem (kalôs), mas o verbo curar, que se usa habitualmente em situações idênticas, dito com o
verbo therapeúô (cf. Mateus 4,24; 8,16;
10,1.8; Marcos 1,34; 3,10; 6,13; Lucas 4,40; 6,18b; 9,1.6) ou iáomai (Marcos 5,29; Lucas 6,18a.19; 9,2).
De notar que a nossa Eucaristia, que é com certeza a mais alta forma de oração,
catequese e evangelização, assenta as suas raízes mais fundas na bênção e em bendizer, sendo a sua expressão mais antiga «O cálice da bênção que bendizemos» (1 Coríntios 10,16). Celebrar a Eucaristia é, pois,
sempre um grande exercício de «bendizer», isto é, de dizer bem, e não mal, e
implica mudar a nossa vida toda da clave do mal para a clave do bem. O mal
divide. O bem une. Levar uma comunidade a celebrar a Eucaristia é sempre transmitir
aos seus membros uma nova cultura. Não de maledicência, mas de aprendermos a pensar, querer, ver, falar e fazer bem, belo e bom,
que é a fonte da comunhão.
4.4. Nós já sabemos, são
muitos os documentos a dizê-lo, que esta missão do anúncio do Evangelho de
Jesus compete a todos. É por natureza que
a Igreja é missionária, diz-nos a Decreto Conciliar Ad gentes, n.º 2, e «evangelizar constitui, de facto, a graça e a
vocação própria da Igreja, a sua identidade mais profunda», insiste Paulo VI,
na feliz Exortação Apostólica Evangelii
nuntiandi [1975], n.º 14. Por isso, «a pregação do Evangelho não é para a
Igreja um contributo facultativo, mas um dever que lhe incumbe» (Paulo VI, Evangelii nuntiandi, n.º 5; Bento XVI, Mensagem para o Dia Missionário Mundial,
2012. É a maneira de ser da Igreja, e é a nossa maneira de ser, dado que é a
sua e a nossa identidade, vocação e graça. Mas de
entre todos os Evangelhos, só esta página seleta de Marcos diz expressamente que
os belos e maravilhosos «sinais» que acompanham o anúncio do Evangelho são
realizados por todos os que acreditam (Marcos 16,17-18). Esta extraordinária
«democratização» das maravilhas operadas por Deus por intermédio de todos os que
acreditam serve para datar este texto do século II. No século I, estes
prodígios estavam confinados aos Apóstolos, e, a partir do século III, será o
clero o seu proprietário. Magnífico texto este, que põe todo o povo de Deus a
realizar maravilhas! Portanto, queridos irmãos e irmãs, sede o que sois, sempre
e em toda a parte, e não deixeis por mãos e corações alheios, as maravilhas do
Evangelho que Deus vos dá para vós realizardes! É este o combustível do
«Evangelho da alegria», que Deus deposita largamente no coração de todos os seus
filhos e filhas, para consolação nossa e de todos os nossos irmãos e irmãs.
4.5. Chegados aqui, à última página do Evangelho de Marcos,
ainda podemos verificar dois gestos opostos e significativos. Jesus terminou o
seu caminho, é elevado ao céu, e senta-se à direita de Deus (16,19), sinal de
preeminência e de bênção. E os discípulos de Jesus, que têm agora o mundo
inteiro pela frente, levantam-se, saem, e anunciam o Evangelho (16,20). «Sair»,
hebraico yatsa՚, é o verbo clássico
do êxodo, mas é também, de forma muito significativa, o verbo do nascimento.
«Sair de si» é um dos dinamismos mais poderosos do Evangelho, que o Papa
Francisco lembrou e pediu à Igreja (Evangelii
gaudium [2013], n.os 20.23.27.97.259.261. A Evangelização, que implica este dinamismo, continua a
ser a tarefa central e sempre nova dos discípulos de Jesus de todos os tempos. «A
Igreja existe para evangelizar» (Evangelii
nuntiandi [1975], n.º 14). Fica ainda claro que a Ascensão de Jesus não o
retira do nosso convívio, pois Ele continua connosco, cooperando e confirmando
a missão da Evangelização que nos confiou.
Encontrar Jesus: sem
Ele, todos os caminhos estão fechados
5. Aquando da escolha de Matias para «a diaconia
(ou serviço) do apostolado» abandonada por Judas (Atos 1,25), Pedro pronuncia
estas palavras indicativas:
«1,21É necessário, pois, que, dos homens que vieram
connosco durante todo o tempo em que entrou e saiu à nossa frente o Senhor
Jesus, 22tendo começado desde o Batismo de João até ao dia em que
Ele foi arrebatado diante de nós, um destes se torne connosco testemunha da sua
Ressurreição» (Atos 1,21-22).
Nas palavras de Pedro, «o serviço do apostolado»,
que consiste em tornar-se testemunha transparente e credível da Ressurreição do
Senhor Jesus, requer, de todos aqueles que a ele se venham a dedicar, três
condições fundamentais: 1) ter feito todo o caminho connosco, e sempre atrás do
Senhor Jesus; 2) atrás do Senhor Jesus traduz a atitude do discípulo: sempre
com o Mestre; nunca, porém, à frente do Mestre, mas seguindo-O sempre de perto
no caminho; 3) o caminho tem um começo e um termo assinalados, sempre com
referência ao Senhor Jesus: desde o Batismo até ao dia da Ascensão diante de
nós. Bem assimiladas estas palavras de Pedro, é fácil compreender que é a
familiaridade com Jesus que faz dos discípulos de ontem e de hoje mensageiros
autênticos. Portanto, também hoje, os verdadeiros mensageiros do Evangelho serão
aqueles a quem foi dada a graça de construir uma verdadeira familiaridade com
Jesus, que chama aqueles que Ele quer, que os faz (verbo de criação), para
estarem com Ele, e os enviar a anunciar o Evangelho (cf. Marcos 3,13-14).
6. Bem nos recordou o Papa Bento XVI, em
missão Apostólica entre nós em maio de 2010, na homilia proferida no Porto (14
de maio): «Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da
missão». E deixou este desabafo: «Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado,
por inadvertência deste ponto!». Uma vez encontrados por Cristo, não nos
podemos mais desencontrar, pois é Ele que as pessoas nos pedem (cf. João
12,21), e, sem Ele, nada podemos fazer (cf. João 15,5). Temos mesmo de o
procurar até o encontrar (cf. Lucas 2,44-46). Mas também Ele vem à nossa
procura junto ao poço de Jacob (cf. João 4,1-42), ou nos caminhos de Emaús (cf.
Lucas 24,13-35), ou de Damasco (Atos 9,1-19; 22,1-21;
26,2-23; Filipenses
3,12), ou quando estamos descrentes e acomodados (cf. Marcos 16,14-20). Recolhendo
outra vez o bom ensinamento de Bento XVI, secundado por Francisco, é necessário
compreender bem, compreender até ao coração, que «no início do ser cristão, não
há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento,
com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo»
(Deus caritas est [2005], n.º 1; Evangelii gaudium [2013], n.º 7). Mas é
preciso compreender também que este lume novo aceso por Jesus sobre a praia
(cf. João 21,9), não é para o deixarmos apagar e reduzir a cinzas. É para
transportar com carinho no coração ou na concha da mão, vivendo diariamente com
este lume dentro, hitlahabut, como dizem os hebreus, com uma chama dentro. E
depois, é preciso apegar a outros este lume. Ou, lembrando os bons ensinamentos
de São João Paulo II: «Quem
verdadeiramente encontrou Cristo, não pode guardá-l’O para si; tem de O
anunciar» (Novo millennio ineunte [2001],
n.º 40). E o Sínodo sobre a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã,
realizado em outubro de 2012, veio reafirmar que a fé não se decide com a
invenção, uso e divulgação de novas estratégias, mas «na relação que
instauramos com a pessoa de Jesus» (cf. Lineamenta,
n.º 2; Instrumentum laboris, n.º 39).
Uma comunidade que seja capaz de mostrar o quanto se alimenta e é transformada
pelo encontro com o Senhor Ressuscitado é o melhor lugar para comunicar a fé.
Saber Jesus com
«um coração que vê»
7. São Paulo, que Bento XVI apontou como «o maior
missionário de todos os tempos» (Mensagem para o 46.º Dia Mundial de Oração
pelas Vocações, 2008), e Paulo VI propôs como «modelo de cada Evangelizador» (Evangelii nuntiandi [1975], n.º 79),
confessa que, no início da sua vida nova de seguidor de Jesus Cristo, está o
facto imprevisível e irresistível de ter sido agarrado (katelêmphthên) por Jesus Cristo (Filipenses 3,12). Foi assim, nesta
luta desigual (katelêmphthên, aor.
pass. de katalambáno, supõe uma luta),
que Paulo chegou ao sublime conhecimento de Jesus Cristo, seu Senhor, e do que
vale a pena fazer e desfazer na vida (Filipenses, 3,8). Dada a excelência do
conhecimento novo que o tomou de assalto e o levou a mudar tudo na sua vida,
Paulo confessa com convicção e ousadia: «Decidi não outra coisa saber (eidénai) entre vós senão Jesus Cristo, e este crucificado (estaurôménon: part. perf. pass. de stauróô)» (1 Cor 2,2). Em termos
gramaticais, eidénai é o infinito
perfeito do verbo oîda, raiz id-, que, pelo seu uso semântico, também
significa «ver», o que implica que só se conhece ou sabe bem o que se vê. Trata-se,
todavia, de um conhecimento novo e de uma visão nova. Não se trata tanto
daquele trabalhoso processo de conhecimento, que é próprio da filosofia, e que
o verbo ginôskô ilustra, mas
tão-pouco deriva da simples visão ocular. Na verdade, não se vê apenas com os
olhos. «Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os
olhos», escreveu Saint-Exupéry. Há um conhecimento,
um saber e uma visão mais profunda que envolve e impregna a pessoa toda e a
vida toda. Corresponde talvez à expressão feliz «um coração que vê», usada por Bento
XVI na Carta Encíclica Deus
caritas est [2005], n.º 31, e deixa entender, à maneira do Papa Francisco,
que «a fé não olha só para Jesus, mas leva-nos a ver do ponto de vista de
Jesus, com os seus olhos: é uma participação na sua maneira de ver» (Carta
Encíclica Lumen fidei [2013], n.º
18). Francisco volta a esta temática de «O olhar de Jesus», que tudo enche de
beleza, na sua Carta Encíclica Laudato
Si’ [2015], n.os 96-100.
8.
Não se sabe, aprende e ensina Jesus, estabelecendo e cumprindo programas mais
ou menos de cariz escolar. Não se aprende Jesus pelo caminho do «amor da
sabedoria», mas pelo caminho da «sabedoria do amor». A ciência de Jesus é a
sabedoria de um «amor crucificado», que mostra que, na base da minha existência
nova, está Jesus que morreu por mim por amor, sem levar em conta os meus
méritos, que os não tenho. Nem eu nem tu nem ninguém. Por isso é que, para
Paulo, saber Jesus é saber Jesus crucificado por amor, isto é, na ação de dar a
vida por amor, para sempre e para todos. Em Jesus, Paulo vê um amor novo, não
apenas devido a um pequeno grupo de amigos, mas a todos, bons e maus, também
aos inimigos. Este «amor crucificado», a todos devotado, é uma forma nova de
viver, e rebenta as paredes dos nossos pequenos grupos de amigos, em que tantas
vezes vivemos entrincheirados. A paróquia, que deve revestir-se desta nova
fisionomia do amor, tem de ser uma comunidade acolhedora e aberta, «em saída». Vislumbra-se
daqui a imagem da Igreja e da paróquia que o Papa João Paulo II belamente
desenhou na preparação do Grande Jubileu do ano 2000, e que Bento XVI evocou em
2005: «Paróquia, procura-te a ti mesma e encontra-te
a ti mesma fora de ti mesma». E o Papa Francisco não se cansa de repetir que
«há duas imagens de Igreja: a Igreja evangelizadora, que sai de si mesma, e a
Igreja mundana e autorreferencial, que vive em si, de si e para si».
Anunciar Jesus:
uma necessidade que se me impõe
9. «Evangelizar
não é para mim um título de glória, mas uma necessidade
que se me impõe desde fora. Ai de mim se não Evangelizar!» (1 Coríntios 9,16).
Portanto, no próprio dizer de Paulo, anunciar o Evangelho impõe-se-lhe, mais do
que como uma paixão, como uma necessidade.
Paulo anuncia convictamente a notícia da Ressurreição, e diz que o faz como se
de uma necessidade se tratasse. E
ilustra-o com o relato da sua vida. Mas porque é que este anúncio há de ser,
para Paulo, uma necessidade? É uma necessidade porque Paulo considera o
acontecimento da Páscoa de Jesus Cristo como único, singular e universal, que o
afetou radicalmente na sua maneira de ser homem. A prova é que Paulo mudou tudo
na sua vida. Mudou, ou foi mudado. É por isso que Paulo anuncia convictamente a
força (dýnamis) de Cristo Crucificado e Ressuscitado (cf. Filipenses
3,10). Mas é ainda uma necessidade
porque Paulo pressente que, se não anunciar o Evangelho, a sua vida se
desmorona ou arruína, porque está construída sobre a areia e será facilmente
arrastada por qualquer vendaval (cf. Mateus 7,26-27). É
por isso que Paulo, quando contempla a riqueza de Cristo e do Evangelho,
considera tudo o resto como lixo (Filipenses 3,8).
10. Já sabemos que a cultura
de hoje não transmite a fé, mas a liberdade religiosa. Se há umas décadas atrás
não se podia não ser cristão, hoje pode vir-se a sê-lo, mas ser cristão hoje já
não é visto como necessário para
alguém viver humanamente bem a sua vida. É por isso que voltamos às coordenadas
de São Paulo, e precisamos urgentemente de passar de uma fé de mera convenção
para uma fé de entranhada convicção, assente em pessoas e comunidades que
sintam a necessidade de encontrar,
saber e anunciar Jesus Cristo. Pessoas radicalmente afetadas por Jesus Cristo. Pessoas
e comunidades que sintam Jesus Cristo desde as entranhas. No sentido deste único necessário, impõe-se que renovemos
todas as coisas. Diz bem o Documento de
Aparecida [2007] que «uma paróquia renovada multiplica as pessoas que
realizam serviços e acrescenta os ministérios» (n.º 202), para que todos se
sintam «fraternalmente acolhidos, valorizados, visíveis e eclesialmente
incluídos», «membros de uma comunidade eclesial e corresponsáveis pelo seu
desenvolvimento» (n.º 226), podendo dizer com alegria: «A Igreja é a nossa casa!
Esta é a nossa casa!» (n.º 246).
11. Quer isto dizer, amados
irmãos e irmãs, que, nas nossas paróquias, não pode haver cristãos, tipo «tanto
se lhes dá como se lhes deu». Eu sei que há nas nossas paróquias catequistas,
grupos corais, acólitos, leitores, grupos de jovens, ministros da comunhão,
grupos sócio caritativos, zeladoras, sacristães, irmandades, associações
diversas, movimentos diversos, conselhos para os assuntos económicos, conselhos
pastorais... A todos deixo a minha gratidão. Mas também sei que há ainda muitos
cristãos de convenção, ainda não radicalmente afetados por Jesus Cristo.
12. A listagem que fiz não
pode servir para nos deixar descansados, porque já estamos inseridos em alguma
missão. Nunca nos podemos esquecer de que, de acordo com o apelo do Papa
Francisco, na Evangelii gaudium, «o objetivo destes
processos participativos não há de ser principalmente a organização eclesial,
mas o sonho missionário de chegar a todos» (n.º 31). A primeira palavra do lema
da nossa Diocese para este Ano pastoral continua a ser: «IDE!».
Transforming
Mission
13. Para isso, é preciso dar
um colorido novo a tudo o que já existe. E é preciso que todos os que se dizem discípulos
de Jesus Cristo, e que já frequentam as nossas paróquias, sejam transformados
em verdadeiros Evangelizadores. É necessário que os grupos já existentes
aumentem em quantidade e qualidade. É urgente fazer surgir novos grupos. Por
exemplo, grupos de Evangelização, de acolhimento, de escuta, de oração, de
visitação, de leitura, de estudo e reflexão, de caridade, escolas ou
laboratórios de vivência e transmissão da fé.
14. A
Evangelização é o nosso verdadeiro gerador de alegria e de energia. Ninguém pode
ser apenas mero espectador ou recipiente do Evangelho. Esta atitude gera
cansaço e desistência, falência a curto ou médio prazo. O Papa Francisco está
outra vez cheio de razão quando escreve, na Exortação Apostólica Evangelii gaudium [2013] que é
necessário «avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não
pode deixar as coisas como estão», e pede à Igreja que se coloque em «estado
permanente de missão em todas as regiões da Terra» (n.º 25). E confia a cada
um, um TPC, esclarecendo que «Há uma forma de pregação que nos compete a todos
como tarefa diária: é cada um levar o Evangelho às pessoas com quem se
encontra» (n.º 127). O
anúncio do Evangelho, o anúncio essencial, o mais belo, o mais importante e o
mais necessário (n.º 35), que soa
«Este Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado, é o único Salvador» (cf. Atos
2,23-24.32.36; 3,15-16; 4,10; 5,30-31; 10,39-40; 13,28-30; 17,31; 25,19), é «a primeira caridade» para o mundo (n.º
199; Novo millennio ineunte [2001],
n.º 50), e nunca nos devemos esquecer que só «a caridade das obras garante uma
força inequívoca à caridade das palavras» (Novo
millennio ineunte, n.º 50). Se estamos perante o fundamental, então é
necessário, como refere o Documento de
Aparecida, que «Nenhuma comunidade se deve considerar isenta de entrar
decididamente, com todas as forças, nos processos constantes de renovação
missionária e de abandonar as estruturas ultrapassadas que já não favoreçam a
transmissão da fé» (n.º 365).
15. Para esta experiência viva de missão,
de oração e de alegria, convoco todos os diocesanos da nossa Diocese de Lamego:
sacerdotes, diáconos, consagrados, consagradas, fiéis leigos, pais, mães, avôs,
avós, famílias, jovens, crianças, catequistas, acólitos, leitores, agentes
envolvidos na pastoral, membros dos movimentos de apostolado. A todos peço a
graça de promoverem mais encontros de oração, reflexão, formação, perdão,
partilha e amizade. Mais. Mais. Mais. A todos peço a dádiva de uma mão de mais
amor a todos os irmãos e irmãs que experimentam dificuldades e tristezas, e
também àqueles que junto de nós vierem procurar a esmola do refúgio. Mais.
Mais. Mais. A todos peço que experimentemos a alegria de sairmos mais de nós ao
encontro de todos, para juntos celebrarmos o grande amor que Deus tem por nós e
sentirmos a alegria da sua misericórdia. Que cada um de nós sinta como sua
primeira riqueza e dignidade a de ser filho de Deus com muitos irmãos à sua
volta. E para todos imploro de Deus a sua bênção, e de Maria, no centenário das
suas aparições em Fátima, a sua proteção carinhosa e maternal.
Dois mil e dezassete,
Ano da Graça, da Misericórdia e da Alegria,
Em que todos os caminhos vão dar a Fátima,
À Cova da Iria,
A Maria.
Titubeantes ou firmes,
À chuva e ao frio,
Vão os teus filhos,
Desfiando o rosário,
Como se fosse o abecedário
Das suas vidas doridas.
Vão ter contigo, Mãe,
Alívio das suas dores,
Atiram-te flores
Com gestos de ternura.
Sabem que acolhes com doçura
As suas preces tecidas de lã pura,
À mistura
Com uma lágrima de amor
Na despedida.
Abençoa, Senhora e Mãe querida,
Estes teus filhos e filhas,
E recolhe-os no manto
Branco
Das tuas maravilhas.
Lamego, 1 de outubro de 2016
+ António, vosso bispo e irmão
[1] Una Chiesa accogliente con le porte aperte. Discurso de abertura no Congresso pastoral da Diocese de Roma, in Avvenire, 18 de Junho de 2014, p. 16.
sábado, 28 de novembro de 2015
Escola da Fé - Obras de Misericórdia - 27 de novembro
"Sepultar os mortos e reza a Deus pelos vivos e pelos mortos".
No dia 23 de outubro iniciámos as sessões da Escola da Fé para este ano pastoral de 2015-2016.
Com a proximidade do Ano Santo Extraordinário - Jubileu da Misericórdia -, convocado pelo Papa Francisco, para iniciar a 8 de dezembro, do corrrente ano, solenidade da Imaculada Conceição e encerrar no dia 20 de novembro de 2016, solenidade de Cristo Rei, a misericórdia de Deus para connosco, e com a qual deveremos contagiar todos os que se cruzam connosco, estará sempre como referência à reflexão e à vivência cristã, comprometidos com o mundo atual. Desta feita, e com conformidade com a Bula "O Rosto da Misericórdia", as Obras de Misericórdia corporais e espirituais serão um desafio que nos envolve e nos desafia. Igualmente o juízo Final segundo São Mateus (25, 31-46): "Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes".
Nesta segunda sessão da Escola da Fé, a proposta era refletir sobre uma obra de misericórdia corporal e uma espiritual: "SEPULTAR OS MORTOS E REZAR A DEUS POR VIVOS E DEFUNTOS". Este connosco o Pe. Diamantino Alvaíde, Pároco de Moimenta da Beira e de Cabaços, e que será o pregador da Novena da Imaculada Conceição.
O Pe. Diamantino partiu do texto de São Lucas (9, 57, 60), sobre as exigências do seguimento. "Segue-me... deixa que primeiro vá sepultar o meu Pai... (resposta de Jesus:) Deixa que os mortos sepultem os seus mortos..." É uma expressão que, à primeira vista, pode suscitar espanto. Afinal Jesus conhece a Sagrada Escritura e sabe o respeito com que os mortos devem ser tratados... O antigo Testamento tem várias passagens em que lembra a justiça e a justeza de sepultar os mortos e igualmente de rezar, intercedendo, pelos vivos e pelos defuntos.
Parte do tempo, o Pe. Diamantino dedicou à reflexão sobre o luto, nas suas formas, motivos, tempos; a resposta dada e a dar pela Igreja. Houve oportunidade para troca de impressões, tornando mais viva mais esta escola da fé.
Algumas imagens:
Para outras FOTOS visitar a página da Paróquia de Tabuaço no Facebook.
sábado, 3 de outubro de 2015
Carta Pastoral de D. António Couto | 2015-2016

IDE E FAZEI DA CASA DE MEU PAI CASA DE ORAÇÃO E DE MISERICÓRDIA
«Tudo faço por causa do Evangelho» (1 Coríntios 9,23)
«A minha Casa será chamada Casa de oração para todos os povos» (Isaías 56,7; Marcos 11,17)
«Não se ponha o sol sobre a vossa ira» (Efésios 4,26)
«Quando me perguntam por que entrei na Igreja romana, a minha resposta é sempre esta: para me libertar dos meus pecados; porque não há outra religião que afirme verdadeiramente o perdão dos pecados dos homens… Um católico que se confessa, entra, no verdadeiro sentido da palavra, na manhã clara da sua infância» (Chesterton).
Tudo por causa do Evangelho
1. «Vamos juntos construir a casa da fé e do Evangelho» (2012-2013), «Ide e fazei discípulos» (2013-2014), «Ide e construí com mais amor a família de Deus» (2014-2015), eis o itinerário temático e vivencial que nos propusemos seguir nos últimos três anos pastorais, acompanhando de perto os indicadores do Ano da Fé, da JMJ e da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium [= EG], do(s) Sínodo(s) da Família. «Vamos», «Ide», «Ide». Salta à vista que o verbo «ir» esteve sempre a sinalizar os nossos caminhos, expressando a vinculação da nossa vivência pastoral à missão ordenada por Jesus aos seus discípulos de todos os tempos, espaços e modos, e que deve mobilizar, no belo dizer de Bento XVI, «todos, tudo e sempre» (Mensagem para o Dia Missionário Mundial, 2011). Faz-nos bem, a este propósito, passar os olhos pela agenda do Apóstolo Paulo:
«Fiz-me a mim mesmo servo de todos, para o maior número ganhar. E tornei-me com os judeus como judeu, a fim de os judeus ganhar; com os que estão sujeitos à lei, como sujeito à lei […], a fim de os sujeitos à lei ganhar; com os sem lei, como sem lei, para ganhar os sem lei; tornei-me com os fracos, fraco, a fim de os fracos ganhar; tornei-me tudo para todos, para, por todos os meios, salvar alguns. Tudo faço por causa do Evangelho» (1 Coríntios 9,19-23).
2. Salta à vista o total empenhamento do Apóstolo, anunciando o Evangelho «oportuna e inoportunamente» (2 Timóteo 4,2), expondo o Evangelho com a vida, a vida com o Evangelho (1 Tessalonicenses 2,8), a tempo inteiro e coração inteiro, sem tréguas nem compromissos. Todo preenchido pelo anúncio do Evangelho, entregando-se todo e de todas as maneiras, ele foi declarado, com toda a justeza, «o maior missionário de todos os tempos» (Bento XVI) e «modelo de cada evangelizador» (Paulo VI).
3. Não é, pois, de admirar que, no umbral da porta do novo ano pastoral 2015-2016 em que agora entramos, lá esteja outra vez, a abrir, o verbo «ir», para nos indicar que anunciar o Evangelho continua a ser sempre a tarefa primária da Igreja e de cada discípulo de Jesus, como nos lembra o Papa Francisco (EG, n.º 15). Mas não é de frases feitas que vamos viver. Tem de ser de novas atitudes, novos modos e estilos de vida. E, se anunciar o Evangelho é o nosso modo de ser, o nosso modo de vida, então temos de abandonar velhos vícios de acomodação e conforto, de simples manutenção, conservação e gestão, do «cómodo critério pastoral: “fez-se sempre assim”» (EG, n.º 33), do género meias-tintas, do sim, mas devagar, e de adotar novas práticas que nos levem, de forma decidida e incisiva, a «avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão» (EG, n.º 25), e passar da «simples administração» para um «estado permanente de missão em todas as regiões da Terra» (EG, n.º 25). Neste sentido, nenhuma comunidade pode continuar a cantar a capella, como se tivesse direitos adquiridos sobre o próprio Jesus ou sobre o Evangelho, e todos devemos entrar, decididamente e com todas as forças, sem desperdício algum, naquele dinamismo do «saiamos, saiamos» (EG, n.º 49) com que o Papa Francisco projeta e sonha a nossa Igreja «em saída» pelos caminhos belos da Evangelização (EG, n.os 33-35). E deixamos já a janela aberta para o ano pastoral 2016-2017, que obedecerá ao lema «Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura» (Marcos 16,15).
Casa e escola de oração para todos
4. Transponhamos, pois, amados irmãos e irmãs, o limiar da porta. Entremos em Casa. Aproximemo-nos de Deus. Sentemo-nos à Mesa. Deixemo-nos hospedar na Casa de Deus. Aquela Casa que o próprio Deus apresenta assim: «A minha Casa será chamada Casa de oração para todos os povos». Este dizer forte e tranquilo é de Isaías 56,7. O Evangelista Marcos foi o único a recolhê-lo na sua inteireza (11,17). Mateus 21,13 e Lucas 19,46 recolheram apenas a primeira parte («A minha casa será chamada casa de oração»), deixando de fora «todos os povos». A Igreja e a paróquia devem ser então a Casa onde todos devem ser fraternalmente acolhidos, e se devem sentir valorizados, visíveis e eclesialmente incluídos (Documento de Aparecida, n.º 226). Sonhemos, pois, amados irmãos e irmãs, fazer da Igreja e da paróquia um novo lugar, um novo espaço relacional, onde todos, pastores e fiéis leigos, possam dizer com alegria, de acordo com o convite de Bento XVI, no Santuário de Aparecida, em 12 de maio de 2007: «A Igreja é a nossa casa! Esta é a nossa casa!» (Documento de Aparecida, n.º 246). O Papa Francisco quis inserir este jubiloso grito na mensagem que dirigiu aos bispos de Portugal na recente Visita ad Limina Apostolorum (07.09.2015). Entremos, pois, jubilosamente em Casa, conduzidos por Jesus:
«E estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. E encontrou no Templo (hierón) os vendedores de bois e ovelhas e pombas, e os cambistas sentados. E, tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do Templo (hierón), as ovelhas e os bois, bem como os cambistas, espalhou as moedas, derrubou as mesas, e disse aos que vendiam as pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da Casa (oíkos) do meu Pai Casa (oíkos) de comércio”» (João 2,13-16).
5. O episódio aparece situado e datado. O lugar é Jerusalém e o seu Templo. O tempo é a Festa da Páscoa. Ora, uma Festa é, na tradição bíblica, um encontro marcado. Um encontro marcado com Deus e com os outros. Sendo um encontro marcado com Deus e com os outros, então é sempre um espaço de alegria, de filialidade e de fraternidade. E se a Festa é de peregrinação, como é a Páscoa, aqui referida [as outras duas são as Semanas ou Pentecostes e as Tendas], então a alegria, a filialidade e a fraternidade são ainda mais intensas, dado que Festa de peregrinação se diz, na língua hebraica, hag. E o nome hag remete para o verbo hag [= dançar] e deriva de hûg, que significa círculo, e, portanto, família, lareira, encontro, alegria, música, roda, dança, vida.
6. Encontro, filialidade, fraternidade: marcas acentuadas por Jesus que, em vez de Templo de pedra (hierón), diz Casa (oíkos) – com particular afeto, Casa do meu Pai –, sendo a Casa paterna o lugar do encontro e da intimidade, e não das coisas, da superficialidade, da banalidade, do consumismo, do mercado. Nos paralelos de Mateus, Marcos e Lucas, citando Isaías 56,7, Jesus fala do Templo usando a expressão forte «A minha Casa» (ho oîkós mou) (Mateus 21,13; Marcos 11,17; Lucas 19,46). É neste sentido que o Livro dos Atos dos Apóstolos nos mostra a comunidade-mãe de Jerusalém a frequentar assiduamente o Templo, salientando, no entanto, que a sua maneira de prestar culto a Deus acontecia nas Casas. Do Templo para as Casas (Atos 2,46). Não, não se trata de uma simples mudança de lugar, mas de uma diferente conceção do espaço: não se trata de um espaço local, mas relacional. O novo espaço cultual é a comunidade que vive filial e fraternalmente, verdadeira transparência de Jesus. A extensão deste espaço chama-se comunhão e comunidade. É a comunidade jovem, leve e bela, bem assente em quatro colunas: o ensino dos Apóstolos (1), a comunhão fraterna (2), a fração do pão (3) e a oração (4). Com a boca [= «uma só boca» (en henì stómati: Rm 15,6)] cheia de louvor, os olhos de graça, as mãos de paz e de pão, as entranhas de misericórdia, a comunidade bela crescia, crescia, crescia. Não admira. Era uma comunidade jovem, leve e bela, tão jovem, leve e bela, que as pessoas lutavam por entrar nela!
7. Sintomático é que, postos estes pressupostos, o texto refira, não que Jesus encontrou filhos e irmãos, mas que encontrou vendedores, banqueiros e comerciantes, contra a profecia de Zacarias 14,21, que refere que «Não haverá mais vendedor na Casa do Senhor dos exércitos naquele dia». «A Casa do meu Pai», «A minha Casa», por um lado, e o Mercado, por outro lado, são lugares incompatíveis. São maneiras diferentes de conceber e ocupar o espaço. É, pois, necessário, caríssimos irmãos e irmãs, descobrir e abrir caminhos novos, que nos levem outra vez a cantar com emoção: «Que alegria quando me disseram: “Vamos para a Casa do Senhor!”» (Salmo 122,1). E não nos esqueçamos nunca de acentuar a importância da oração, pois é ela o verdadeiro alicerce da nossa fé, conforme o velho e sempre novo aforismo dos Padres da Igreja antiga: lex orandi lex credendi (est), isto é, como se reza, assim se crê, e não o contrário. Peço às crianças e aos jovens que, em casa, partilhem o seu modo de rezar com os seus pais e avós. Peço aos pais e aos avós que, em casa, partilhem o seu modo de rezar com os seus filhos e netos. Assim, sentir-nos-emos todos mais visivelmente filhos e irmãos, e nascerá no nosso coração filial um mundo muito mais belo e fraterno.
8. Jesus ensinou-nos a rezar com verdade, simplicidade, ternura e confiança. A colocar-nos como criancinhas diante de Deus, como diante do seu papá ou da sua mamã, em quem abandonam a sua existência. Jesus ensinou-nos, por isso, a chamar a Deus com o nome familiar de Pai. Mas não o pai que impõe respeito, distância e autoridade. Por isso, não nos ensinou a chamar a Deus com o nome de Pai, hebraico ʼab, como era usual tratar Deus no Antigo Testamento e nas orações judaicas do tempo de Jesus. Ensinou-nos a ser pequeninos, criancinhas cheias de simplicidade, ternura e confiança, que, com linguagem infantil, chamam a Deus, não ʼab, mas ʼabbaʼ, ʼab-baʼ, não pai, mas pap-pá, como quando as criancinhas experimentam dizer as primeiras palavras, soletrando e repetindo sílabas e sons. Dizer Pai nosso é então entrar de cabeça no mundo da ternura e da confiança. Mas é ainda perceber que este Pai não é apenas meu, mas nosso, o que quer dizer que só como irmãos, só sendo todos irmãos, podemos rezar com verdade. E pedir o pão nosso é saber que o pão que está sobre a minha mesa não é meu, mas é de todos. É para partilhar. Rezar assim, como Jesus nos ensinou, faz-nos entrar num mundo novo de ternura, de verdade e humildade, e leva-nos também a perceber bem que temos de viver como filhos e irmãos, carinhosamente atentos uns aos outros, até ao ponto sem retorno de já não sabermos viver senão repartindo o pão e o coração.
9. Notemos bem que a oração do Pai nosso não é nossa, não brota de nós. Foi-nos ensinada por Jesus, que nos transmite o segredo mais profunda da sua vida: o Pai, e leva-nos a compreender que Ele é também o nosso Pai carinhoso que cuida de nós, e que nós somos todos irmãos, e só como irmãos podemos pronunciar, sem mentir, as palavras desta oração. O Pai nosso, isto é, rezar de verdade, reclama, de nós a fraternidade, que é um valor que a sociedade laica começa a compreender que não pode produzir por si própria. Se olharmos para a tríade dos valores republicanos franceses, reparamos que a liberdade e a igualdade podem ser, ainda que com reservas, garantidas a nível público. Mas a fraternidade não, porque a fraternidade pressupõe Deus como Pai, que a sociedade laica iluminista não reconhece. Isto significa que nos sistemas fundados sobre os três valores franceses há uma contradição interna, dado que os dois primeiros não podem garantir o terceiro (excelente reflexão do filósofo francês Jean-Luc Marion, in L’Avvenire, 09.02.2012). Por isso mesmo, a nós, cristãos, compete rezar bem e levar e mostrar a este mundo este Deus Pai, que faz de nós irmãos. Não se luta para obter o título de irmão. Irmão nasce-se, e o título de irmão recebe-se. Está aqui uma lição importante que nos compete receber, viver e transmitir a este mundo que vive na orfandade.
Atravessar a porta santa da misericórdia
10. Com a Bula O rosto da misericórdia [= RM], de 11 de Abril do corrente ano da Graça de 2015, o Papa Francisco proclamou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que abrirá no próximo dia 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição, e encerrará em 20 de Novembro de 2016, Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. O Papa Francisco deseja ardentemente que todos experimentem verdadeiramente a ação da misericórdia que há em Deus. A Porta Santa da Misericórdia de Deus será aberta na nossa Igreja de Lamego, como em todas as Igrejas particulares, por vontade do Papa Francisco, no Domingo III do Advento, dia 13 de dezembro (RM, n.º 3). Atravessar a Porta Santa da Misericórdia implica peregrinação, emoção e encontro com a misericórdia do Pai (RM, n.º 14). Do mesmo modo que, nos dias 4 e 5 de Março de 2016, sexta-feira e sábado antes do Domingo IV da Quaresma, celebraremos também em todas as Igrejas da nossa Diocese as «24 horas para o Senhor», também em resposta ao apelo do Papa Francisco (RM, n.º 17). Em suma, amados irmãos e irmãs, o ano pastoral em que agora entramos apresenta-se repleto da bondade e da riqueza do nosso Deus. Mas o essencial será sempre acolher e experimentar na vida a misericórdia de Deus, e deixarmo-nos transformar por ela. Neste sentido, vale a pena começar por ver Jesus em ação de misericórdia, percorrendo um episódio do Evangelho. E confrontar com a sua forma de fazer os nossos comportamentos. O desempenho dos discípulos pode ajudar-nos a ver melhor as sombras em que muitas vezes nos enredamos:
«E reúnem-se os apóstolos junto de Jesus e contam-lhe todas as coisas que tinham feito e ensinado. Ele diz-lhes: “Vinde vós, à parte, para um lugar deserto, e descansai um pouco”. Eram, na verdade, muitos os que vinham e partiam, e nem sequer para comer tinham tempo. E partiram numa barca para um lugar deserto, à parte. Viram-nos, porém, partir, e sabendo, muitos, a pé, de todas as cidades, correram e chegaram antes deles. E tendo saído da barca, viu uma grande multidão e TEVE MISERICÓRDIA (esplagchnístê) deles, porque eram como ovelhas sem pastor (cf. Isaías 53,6).
E COMEÇOU A ENSINAR-LHES (êrxato didáskein) muitas coisas. E tendo a hora adiantado muito, aproximaram-se d’Ele os discípulos d’Ele e diziam: “O lugar é deserto e a hora adiantada. MANDA-OS EMBORA, para que, partindo para os campos e aldeias à volta, COMPREM de comer PARA SI MESMOS (heautoîs)”. Então Ele, respondendo, disse-lhes: “DAI-LHES vós de comer”» (Marcos 6,30-37).
11. O episódio que acabámos de referir, retirado do Evangelho de Marcos, é conhecido como a «primeira “multiplicação dos pães”», realizada, neste caso, em mundo judaico. Mas vê-se bem que o título de «multiplicação» é inadequado, pois o que está aqui em causa não é, na verdade, uma multiplicação, mas uma divisão ou partilha. Salta à vista, na passagem estreita que nos foi dado atravessar, o comportamento misericordioso e compassivo, acolhedor, inclusivo e de partilha de Jesus, em confronto com o comportamento insensível, não-acolhedor, exclusivista, frio, mercantilista, consumista, egoísta, egocêntrico e autorreferencial dos seus discípulos, que propõem a Jesus que mande as pessoas embora, para que cada um compre de comer para si mesmo (Marcos 6,36). O diagrama a seguir mostra os dois desempenhos em confronto:
12. A Escritura mostra à exaustão que o perigo espreita sempre que se quebra o círculo da fraternidade, e alguém passa a viver, a comprar, a acumular para si mesmo, ou a querer salvar-se a si mesmo (heautô) (Ezequiel 34,2; Lucas 12,21; 23,35.37.39; Romanos 14,7; 2 Coríntios 5,15):
«Filho do Homem, profetiza contra os pastores de Israel. Profetiza e diz-lhes: “Contra os pastores, assim diz o Senhor YHWH: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos (ro‘îm ’ôtam TM; poiménes heautoús LXX)”» (Ezequiel 34,2; cf. 34,8.10).
«Assim acontece àquele que entesoura para si mesmo (heautô), e não é rico para Deus» (Lucas 12,21).«Também os chefes faziam pouco dele, dizendo: “Salvou outros; que se salve a si mesmo (heautón)» (Lucas 23,35).«Também os soldados faziam pouco dele, e, aproximando-se, ofereciam-lhe azeite, 37 e diziam: se tu és o Rei dos judeus, salva-te a ti mesmo (seautón)”» (Lucas 23,36-37).«Um dos malfeitores suspensos blasfemava, dizendo-lhe: “Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo (seautón) e a nós”» (Lucas 23,39).«Nenhum de nós para si mesmo (heautô) vive e nenhum para si mesmo (heautô) morre; se vivemos, é para o Senhor (tô Kyríô) que vivemos; se morremos, para o Senhor (tô Kyríô) morremos» (Romanos 14,7).«E por todos (Cristo) morreu, para que os vivos não vivam para si mesmos (heautoîs), mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou» (2 Coríntios 5,15).
A lógica individualista e exclusivista do «para si mesmo» (heautô) é errada. A lógica de Jesus, que parte do amor entranhado das vísceras misericordiosas (esplagchnístê) (Marcos 6,34a), é uma lógica de comunhão, de doação, de partilha, de condivisão, de conjunção. Esta lógica nova obedece a outro «para si mesmo»: tomar a Cruz «para si mesmo» (heautô) (João 19,17), dar aos outros, por amor, a própria vida. Por isso, verdadeiramente, Jesus é aquele que «está fora de si» (exéstê), descentrado, sempre em êxodo total ao encontro de Deus e dos irmãos (Marcos 3,21).
13. Sempre neste sentido, o inédito da Cruz é «obsceno», no sentido etimológico do termo: fica fora da cena do nosso imaginário. Diz muito bem Silvano Fausti: «Um sistema de violência acaba sempre por repousar sobre uma alternativa: matar ou ser morto. Nós escolhemos preventivamente a primeira: cada um de nós faz o mal que pode, como profissão principal, de maneira a ser bem sucedido: o ladrão ou o banqueiro, o comerciante ou o operário, o médico ou o barbeiro, o patrão ou o criado, o padre ou o assaltante, o benfeitor ou o delinquente. Cada um, com os meios que tem, pensa primeiro em si». Na verdade, se cada um é inimigo do outro por definição, e se, para cada um, prioritária é a salvaguarda da ameaça do outro, as possibilidades do eu são vencer ou sucumbir, e, em caso extremo, matar ou ser morto.
14. O que estes malfeitores, que somos nós, não sabemos, e, por causa deste nosso não saber, fazemos o mal, é que existe um Pai, a quem compete cuidar dos seus filhos. E se temos um Pai que cuida de nós, não nos compete ser inimigos, mas irmãos. E se somos filhos e irmãos, também não compete a cada um prover-se e salvar-se a si mesmo, pois é o nosso Pai que nos alimenta, que nos veste, que cuida de nós, que nos ama e nos salva (Mateus 6,26-34).
15. Aí está outra vez bem à vista o inédito da Cruz: Jesus não se salva a si mesmo, porque salvar-se a si mesmo é mau. Na verdade, é para se salvarem a si mesmos que os homens se odeiam e fazem guerra. Ora, Jesus quer salvar-nos a nós. E, para nos salvar a nós, perde-se a si mesmo. Exactamente o contrário do que fazemos nós, que perdemos os outros pensando que assim nos salvamos a nós mesmos.
16. Caríssimos irmãos e irmãs, permiti que a todos lembre que a missão da evangelização que deve sempre nortear a nossa vida de discípulos de Jesus tem de ser alimentada na oração e na graça que nos vem de Deus. Não nos esqueçamos de celebrar e valorizar o Domingo, Dia do Senhor, e de frequentar com alegria os Sacramentos, sobretudo a Eucaristia e a Reconciliação. Este ano pastoral deve ter a mesa da Eucaristia sempre posta e a porta da misericórdia sempre aberta. Experimentemos a alegria de perdoar aqueles que nos ofendem. Valorizemos bem a experiência das Confissões Quaresmais. Valorizemos também o exercício bem arreigado na nossa Diocese das 40 horas e jubileus das almas. Façamos tudo para retomar a vivência do Laus perene, para mantermos a nossa Diocese, com todas as suas 223 Paróquias, em permanente Louvor ao nosso Deus e Pai. Relembro as palavras certeiras do escritor inglês Chesterton (1874-1936) sobre a beleza da religião católica: «Não há outra religião que afirme verdadeiramente o perdão dos pecados dos homens… Um católico que se confessa, entra, no verdadeiro sentido da palavra, na manhã clara da sua infância».
17. Caminhos práticos e direitos para curar a tibieza e a indiferença dos nossos corações e das nossas comunidades:
- À imagem e imitação de Jesus, os nossos pastores devem ser verdadeiros apóstolos, totalmente dedicados à oração e à pregação, pela Palavra e pelo testemunho (Atos dos Apóstolos 6,4).
- As nossas paróquias devem ser Casas acolhedoras onde todos os fiéis se sintam filhos de Deus, e experimentem nisso e por isso, a alegria de sermos irmãos. Também devemos abrir as portas do nosso coração aos nossos irmãos oriundos de outras proveniências que procurarem refúgio junto de nós. Será, com certeza, uma experiência de verdadeira fraternidade e alegria, que virá sempre enriquecer a nossa vida em Cristo.
- As nossas paróquias devem ser Casas e escolas de oração e de vivência da fé em permanência, em que todos se sintam envolvidos, ensaiando novos estilos de vida. Retomemos com alegria a experiência do Laus perene. Assim saberemos e sentiremos que a nossa Diocese, nas suas 223 Paróquias, atravessa os dias do ano da graça que Deus nos concede, sentindo sempre o calor e a ternura da mão de Deus no nosso rosto e no nosso coração.
- Neste Ano jubilar da Misericórdia, que «o sol nunca se ponha sobre a nossa ira» (Efésios 4,26). Permaneçamos atentos e vigilantes. Aprendamos a ser mais tolerantes e compreensivos. Façamos mais vezes a experiência do perdão, e recorramos mais vezes ao Sacramento da Reconciliação.
- As nossas paróquias devem investir séria e sabiamente na iniciação à vivência e transmissão da fé, envolvendo neste esforço todas as pessoas.
- As nossas paróquias devem ser evangelizadoras. Sejamos ousados. «Saiamos, saiamos!». Jovens, relançai a bela experiência das avalanches da fé. Ide ao encontro da alegria. Servi a alegria.
18. Para esta experiência viva de missão, de oração e de misericórdia, convoco todos os diocesanos da nossa Diocese de Lamego: sacerdotes, diáconos, consagrados, consagradas, fiéis leigos, pais, mães, avôs, avós, famílias, jovens, crianças, catequistas, acólitos, leitores, agentes envolvidos na pastoral, membros dos movimentos de apostolado. A todos peço a graça de promoverem mais encontros de oração, reflexão, formação, perdão, partilha e amizade. Mais. Mais. Mais. A todos peço a dádiva de uma mão de mais amor a todos os irmãos e irmãs que experimentam dificuldades e tristezas, e também àqueles que junto de nós vierem procurar a esmola do refúgio. Mais. Mais. Mais. A todos peço que experimentemos a alegria de sairmos mais de nós ao encontro de todos, para juntos celebrarmos o grande amor que Deus tem por nós e sentirmos a alegria da sua misericórdia. Que cada um de nós sinta como sua primeira riqueza e dignidade a de ser filho de Deus com muitos irmãos à sua volta. E para todos imploro de Deus a sua bênção, e de Maria a sua proteção carinhosa e maternal.
Lamego, 03 de outubro de 2015
+ António, vosso bispo e irmão
terça-feira, 4 de agosto de 2015
A vida do Santo Cura d'Ars
Estamos a viver o ano sacerdotal. convocado pelo papa Bento XVI, por ocasião dos 150 anos da morte de João Maria Vianney, apresentando-o como exemplo para todos os sacerdotes, mas também para cada cristão, na sua dedicação permanente à vivência do Evangelho, à intimidade com Jesus Cristo, na proximidade com os mais pobres e os mais pecadores, para a todos levar ao bom Deus.
De entre outros trabalhos, fica aqui esta breve biografia do Santo Cuira d'Ars, em formato de Banda Desenhada...
sábado, 20 de junho de 2015
Tabuaço | Festa das Bem-aventuranças | 2015
A chegar ao final do ano catequético, a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição viveu mais uma festa da catequese, desta feita sublinhando as Bem-aventuranças, na Eucaristia de sábado, 20 de junho de 2015, com os adolescentes jovens do 7.º Ano de Catequese.
Depois da introdução à Eucaristia e à Festa das Bem-aventuranças, feita pela catequista, o grupo deu destaque ao ofertório, com sinais e símbolos, o pão e o vinho, a bússola, a flor, a vela e a luz, a cruz. No momento de ação de graças uma flor para Nossa Senhora e uma oração.
Oração a Nossa Senhora das bem-aventuranças
Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa
Bem-aventuranda és Tu
porque acredistaste em tudo o que Te foi dito da parte de Deus.
Os teus dias não foram todos iguais:
Houve dias de dor e de aflição
Dias de alegria e conformação
Dias cizentos e de lágrimas
Dias de festa e de graças
Os teus dias não foram todos iguais!
Igual sempre a Tua confiança e abandono nas mãos do Pai.
Felizes seremos se em Deus colocarmos, como Tu, ó Mãe
a nossa confiança e a nossa vida.
Se, com humildade, soubermos acolher o que vem de Deus:
Faça-me em Mim segundo a Tua vontade...
Se com coragem escutarmos o que Tu nos dizes:
“Fazei tudo o que Ele vos disser”...
Certos que o que Jesus nos quer nos aproxima uns dos outros
Certos que o que Jesus nos pede, nada nos retira, ou nos castiga
Mas faz-nos ser bem-aventurados, felizes,
por nos gastarmos no melhor de nós
e darmos sentido aos dons e aos talentos que recebemos.
Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa
Que nos teus braços de Mãe, nos sintamos amados
e, como Tu, ó Mãe, nos demos por inteiro
para que também nós sejamos bem-aventurados!
Obrigado, Maria, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja,
porque no Teu olhar nos encontramos como irmãos de Jesus
e nos assumimos como filhos Teus…
Avé-Maria...
Fotos que registam e fixam esta celebração na vivência comunitária da fé:
Para ver a totalidade das fotos disponíveis,
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terça-feira, 9 de junho de 2015
Tabuaço: Primeira Comunhão | Corpo de Deus | 2015
Na solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda ao domingo, a 7 de junho de 2015, 9 crianças, do 3.º Ano de Catequese, comungaram pela primeira vez. Deste grupo, mais três crianças, da Paróquia de Santa Eufémia de Pinheiros, que farão a sua 1.ª Comunhão na paróquia nativa.
Ao longo de 3 anos, as catequistas, Margarida Costa e Carolina Canelas, prepararam estes meninos para que neste dia estivessem mais conscientes do Sacramento da Eucaristia que celebraram. Nas últimas semanas, a colaboração do grupo de catequistas numa preparação mais imediata e intensiva.
O dia da Primeira Comunhão é sempre um dia de grande Festa para os familiares e amigos dos meninos que celebram a sua Primeira Comunhão mas também para a Comunidade Paroquial que renova o seu compromisso em ser Corpo de Cristo, família de Deus.
Dois momentos complementares, a solene Eucaristia e a Procissão do Santíssimo Sacramento por algumas das ruas da nossa paróquia e vila de Tabuaço.
Algumas imagens deste dia solene:
Primeira Comunhão de (por ordem alfabética):
Ana Beatriz; António Pedro; Artur António; Carolina Martins; Eva Beatriz; Filipa Isabel; Gonçalo André; João Pedro; Pedro Miguel, e as catequistas Carolina Canelas e Margarida Costa.
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segunda-feira, 1 de junho de 2015
Paróquia de Tabuaço | Festa da Palavra | 31.5.2015
Último dia de maio, DOMINGO, dia do Senhor, na Eucaristia comunitária, a Festa da Palavra, com os meninos do 4.º Ano de Catequese. A catequese de infância vai introduzindo as crianças na vida da comunidade paroquial, sabendo que agora já estão mais conscientes do que significa viver a fé, celebrá-la e procurar imitar Jesus, como um AMIGO a quem se quer bem e que nos quer bem.
A Festa da Palavra convida-nos à escuta, à estarmos em rede, ligados pela oração, pela escuta e meditação da Palavra de Deus. A sensibilidade para escutar Deus, através dos pais, catequistas, pelos membros da comunidade, está agora mais apurada.
O grupo de catequese que celebrou a Festa da Palavra, no passado dia de 31 de maio de 2015:
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