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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Heitor e as 23 lições da felicidade...

Lições sobre a felicidade, sugeridas por Heitor, em "Heitor e a procura da felicidade":
Lição n.º 1: Uma boa maneira de estragar a felicidade é fazer comparações.
Lição n.º 2: A felicidade surge muitas vezes de surpresa.
Lição n.º 3: Muita gente só perpetiva a sua felicidade no futuro.
Lição n.º 4: Muita gente pensa que a felicidade é ser mais rico ou mais importante.
Lição n.º 5: Às vezes a felicidade é não compreender.
Lição n.º 6: A felicidade é uma boa caminhada no meio de belas montanhas desconhecidas.
Lição n.º 7: O erro é acreditar que o objetivo final é a felicidade (explicar melhor).
Lição n.º 8: A felicidade é estar com as pessoas que amamos.
Lição n.º 8 bis: A infelicidade é estar separado daqueles que amamos.
Lição n.º 9: A felicidade é não faltar nada à família.
Lição n.º 10: A felicidade é ter uma ocupação de que se gosta.
Lição n.º 11: A felicidade é ter uma casa e um jardim.
Lição n.º 12: A felicidade é mais difícil feliz num país governado por pessoas más.
Lição n.º 13: A felicidade é sentir-se útil aos outros.
Lição n.º 14: A felicidade é ser-se amado por aquilo que se é.
          Nota: as pessoas são mais simpáticas com uma criança que sorri (muito importante).
Lição n.º 15: A felicidade é sentir-se completamente vivo.
Lição n.º 16: A felicidade é festejar.
          Pergunta: Será a felicidade apenas uma reação química do cérebro?
Lição n.º 17: A felicidade é pensar na felicidade daqueles que amamos.
          Lição n.º 18: A felicidade seria poder amar várias mulheres ao mesmo tempo. (Riscado, as mulheres não estariam pelos ajustes. Para substituir a
Lição n.º 18: A felicidade é não dar demasiada importância à opinião dos outros.
Lição n.º 19: O sol e o mar são a felicidade para todas as pessoas.
Lição n.º 20: A felicidade é uma maneira de ver as coisas.
Lição n.º 21: A rivalidade é um poderoso veneno da felicidade.
Lição n.º 22: As mulheres são mais atentas que os homens à felicidade dos outros.
Lição n.º 23: A felicidade é ocuparmo-nos da felicidade dos outros?
As três lições que o monge lhe sugere:
Lição n.º 20: A felicidade é uma maneira de ver as coisas.
Lição n.º 13: A felicidade é sentir-se útil aos outros.
Lição n.º10: A felicidade é ter uma ocupação de que se gosta.
 in François LELORD, As viagens de Heitor. Heitor e a procura da felicidade. Lua de Papel (Leya), Alfragide 2011.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A nossa cura está dentro de nós!

        Hoje uma vez mais escutamos no Evangelho quotidiano o poder dado por Jesus aos seus discípulos de expulsar espíritos impuros e de curar doenças e enfermidades. O mesmo poder que Jesus possuir dá-o aos seus discípulos. Quer isto dizer, grosso modo, que também nós, como discípulos de Jesus para este tempo, recebemos o poder de expulsar espíritos demoníacos e de curar doenças e enfermidades, nossas e dos outros.
       O poder curativo é próprio do ser humano. Mas não só, outros animais "auto curam-se" e/ou auto medicam-se.
       Fisicamente, o nosso corpo tem organismos de defesa, de protecção, de reacção a corpos estranhos, ou a vírus, micróbios, bactérias, doenças. Possui alarmes. Avisa-nos, através de diferentes reacções, quando não está a funcionar bem. Por vezes contornamos ou adiamos o problema precisamente convencidos que o organismo corrigir-se-á por si mesmo. Em parte é verdade. O único senão, por vezes precisa de ser ajudado, ou pela nossa mente, ou por mecanismos externos, medicamentos...
       Por exemplo, uma ferida exposta, não se cura com as aplicações de produtos medicamentosos, mas através das propriedades do sangue. Quando se tapa a ferida, não é para que cure, mas para evitar que entre elementos que danifiquem os tecidos e adulterem o fluxo sanguíneo. As aplicações medicamentosas visam potenciar os poderes curativos existentes no nosso organismo.
       Mesmo em doenças crónicas e/ou doenças graves, o auxílio médico e a medicação visam preparar o organismo para que este possa ganhar a batalha da cura contra a doença. Por vezes, o estado gravoso pode levar a uma intervenção mais profunda, substituindo elementos naturais por mecanismos artificiais, mas mesmo desta forma tenta-se enganar o organismo, para que ele não detecte intromissão nos seus mecanismos. As drogas ingeridas ou introduzidas, em forma de medicamentos, procuram interferir, escondendo, enganando, adulterando o organismo. De contrário, este rejeitaria tudo o que lhe é estranho. Por vezes, mesmo com medidas drásticas, o organismo rejeita enxertos, ou órgãos alheios e/ou artificiais. A cura está dentro de nós. O médico e o medicamento potenciam o organismo para que este cure. Às vezes levam muito tempo. Ingerem-se medicamentos e só passadas semanas, meses, ou até anos é que a cura advém, quando o organismo assimilou e fez seu e o que era alheio.
       Psicologicamente, o mecanismo é semelhante. Mesmo em estados de grande ansiedade e depressão, a cura é interior. Por vezes é necessário forçar o organismo, para que este descanse, retempere forças. Os medicamentos utilizados na psiquiatria não visam a cura, mas anestesiar a pessoa, ou prepará-la para que descubra e assuma as ferramentas da sua própria cura, ou simplesmente para que o processo auto-destrutivo não seja completo ao ponto de não permitir o retorno e a cura.
       Os milagres, do mesmo modo, são uma potenciação das nossas capacidades curativas. Jesus exige sempre a fé. A cura não é um passe de mágica que, utilizando objectos, palavras e elementos da natureza, se obtenha espectacularmente. As palavras como os gestos, quando acontecem, visam que a pessoa desperte e se deixe tocar pela graça.
       O grande milagre de Jesus, e que é pedido aos seus discípulos e à humanidade, é a conversão interior, a mudança de mentalidades, o encontrar as marcas do verdadeiramente humano, e do divino e agir para curar, para salvar, para dar vida. Quantas palavras escutamos a Jesus que são sintomáticas: a cura exige a fé, "a tua fé te salvou", "vai e não tornes a pecar", "os teus pecados estão perdoados", "levantas-te e anda". As expressões são claramente um desafio à cura interior, à conversão, à mudança de vida. Nos casos, em que Jesus procura provocar a fé, haverá simultaneidade, isto é, provoca a cura, provocando a fé, ou provocando fé, provoca também a cura.
       Obviamente, os médicos e a medicina são essenciais à humanidade e á qualidade de vida. Há doenças que exigem a intervenção de clínicos especialistas no corpo e na mente. É meritório o trabalho realizado. São louváveis os esforços técnicos e científicos. Mas a lógica continua a ser a de potenciar o organismo para que o mesmo reaja. Quantas doenças físicas que não são curadas porque a mente, a força de vontade, a defesa da vida e da saúde, estão também em desequilibro e impedem a cura. Hoje, cada vez mais, os médicos sabem como o optimismo, a força de vontade, a ajuda das pessoas queridas, são essenciais, para que se obtenha sucesso contra as doenças, físicas e/ou mentais.
       Pode curar-se uma pessoa contra a sua própria vontade? Muito dificilmente. Por vezes as próprias pessoas, mais consciente ou inconscientemente auto-infligem-se doenças... algumas bem graves, físicas e mentais...
       Como é que nós podemos ser agentes curativos?
       Somo-lo em relação a nós, mas também o podemos ser na relação com os outros.
       Jesus envia-nos para curar. Quantas vezes uma pessoa ficou melhor só porque recebeu uma palavra de conforto? Quantas vezes uma criança ficou saudável do estômago porque foi acarinhada pela mãe? Quantas situações desastrosas foram evitadas com uma palavra de simpatia?
       Vale a pena reflectir!

       Leia o Evangelho. Jesus ajuda-nos a descobri o que há de melhor em nós. Introduz-nos na capacidade de amar, de perdoar, de dar, de receber dando a vida, de olhar parta o outro como pessoa, ...
       Já agora, algum livro de Augusto Cury, conhecido psiquiatra e cientista, que nos invita a sermos protagonistas da nossa vida e não espectadores... e Antoine Saint-Exupéry, com o Principezinho que busca em outros lugares o que possui no seu mundo, ainda que pequeno e com poucas coisas... e Paulo Coelho... a felicidade não está longe, no exterior, mas perto de nós, no interior... ou o livro de David Servan-Schreiber, CURAR o stressm a ansiedade e a depressão sem medicamentos nem psicanálise, Dom Quixote, Lisboa: 2004.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Monge e a Prostituta

       Vivia um monge nas proximidades do templo de Shiva. Na casa em frente, morava uma prostituta. Observando a quantidade de homens que a visitavam, o monge resolveu chamá-la. 
       – Você é uma grande pecadora – repreendeu-a. – Desrespeita Deus todos os dias e todas as noites. Será que não consegue parar e reflectir sobre a vida depois da morte? 
       A pobre mulher ficou muito abalada com as palavras do monge; com sincero arrependimento, orou a Deus, implorando perdão. Pediu também que o todo-poderoso a fizesse encontrar uma nova maneira de ganhar o seu sustento. Mas não encontrou nenhum trabalho diferente. E, após uma semana a passar fome, voltou a prostituir-se. Mas cada vez que entregava o corpo a um estranho, rezava ao Senhor e pedia perdão. 
       O monge irritado porque o seu conselho não produzira nenhum efeito, pensou consigo mesmo: – a partir de agora vou contar quantos homens entram naquela casa, até ao dia da morte daquela pecadora. 
       Desde esse dia, ele não fazia outra coisa a não ser vigiar a rotina da prostituta: a cada homem que entrava, colocava uma pedra num monte.
       Passado algum tempo, o monge tornou a chamar a prostituta e disse-lhe: 
       – Vê este monte? Cada pedra destas representa um dos pecados mortais que você cometeu, mesmo depois das minhas advertências. Agora, torno a dizer: cuidado com as más acções!
       A mulher começou a tremer, percebendo como se avolumavam: ir os seus pecados. Ao voltar para casa, derramou lágrimas de sincero arrependimento, orando:
       – Ó Senhor, quando é que a Vossa misericórdia irá livrar-me desta miserável vida que levo?
       A sua prece foi ouvida. Naquele mesmo dia, o anjo da morte passou por sua casa e levou-a. Por vontade de Deus, o anjo atravessou a rua e também carregou o monge consigo.
       A alma da prostituta subiu imediatamente aos Céus, enquanto os demónios levaram o monge ao Inferno. Ao cruzarem-se no meio do caminho, o monge viu o que estava a acontecer, e clamou:
       – Senhor, esta é, a Tua justiça? Eu, que passei a minha vida em devoção e pobreza, agora sou levado ao Inferno, enquanto esta prostituta, que viveu em constante pecado, está a subir ao Céu!
       Ouvindo isto, um dos anjos respondeu:
       – São sempre justos os desígnios de Deus. Você achava que o amor de Deus se resumia a julgar o comportamento do próximo.
       Enquanto você enchia o seu coração com a impureza do pecado alheio, esta mulher orava fervorosamente dia e noite. A alma dela ficou tão leve depois de chorar, que podemos levá-la até ao Paraíso. A sua alma ficou tão carregada de pedras, que não conseguimos fazê-la subir ao alto.

Paulo Coelho, in Lux, 15 de Novembro de 2004

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um bonito conto de Paulo Coelho

Um homem, o seu cavalo e o seu cão iam por um caminho.
Quando passavam perto de uma árvore enorme, caiu um raio e os três morreram fulminados.
Mas o homem não se deu conta de que já tinha abandonado este mundo, e prosseguiu o seu caminho com os seus dois animais (às vezes os mortos andam um certo tempo antes de tomarem consciência da sua nova condição…)

O caminho era muito comprido e, colina acima, o Sol estava muito intenso; eles estavam suados e sedentos.
Numa curva do caminho viram um magnífico portal de mármore, que conduzia a uma praça pavimentada com portais de ouro.
O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada e travou com ele o seguinte diálogo:
- Bons dias.
- Bons dias – respondeu o guardião.
- Como se chama este lugar tão bonito?
- Aqui é o Céu.
- Que bom termos chegado ao Céu, porque estamos sedentos!
- Você pode entrar e beber quanta água queira. E o guardião apontou a fonte.
- Mas o meu cavalo e o meu cão também têm sede...
- Sinto muito – disse o guardião – mas aqui não é permitida a entrada de animais.
O homem levantou-se com grande desgosto, visto que tinha muitíssima sede, mas não pensava em beber sozinho.
Agradeceu ao guardião e seguiu adiante.
Depois de caminhar um bom pedaço de tempo encosta acima, já exaustos os três, chegaram a um outro sítio, cuja entrada estava assinalada por uma porta velha que dava para um caminho de terra ladeado por árvores...
À sombra de uma das árvores estava deitado um homem, com a cabeça tapada por um chapéu. Dormia, provavelmente.

- Bons dias – disse o caminhante.
O homem respondeu com um aceno.
- Temos muita sede, o meu cavalo, o meu cão e eu.
- Há uma fonte no meio daquelas rochas – disse o homem apontando o lugar.
- Podeis beber toda a água que quiserdes.
O homem, o cavalo e o cão foram até à fonte e mataram a sua sede.
O caminhante voltou atrás, para agradecer ao homem.
- Podeis voltar sempre que quiserdes – respondeu este.
- A propósito, como se chama este lugar? – perguntou o caminhante.
- CÉU.
- O Céu? Mas, o guardião do portão de mármore disse-me que ali é que era o Céu!
- Ali não é o Céu, é o inferno – contradisse o guardião.
O caminhante ficou perplexo.
- Deverias proibir que utilizem o vosso nome! Essa informação falsa deve provocar grandes confusões! – advertiu o caminhante.
- De modo nenhum! – respondeu o guardião – na realidade, fazem-nos um grande favor, porque ficam ali todos os que são capazes de abandonar os seus melhores amigos…

Paulo Coelho.

Jamais abandones os teus verdadeiros Amigos, ainda que isso te traga inconvenientes pessoais.Se eles vêm dar o seu amor e companhia, ficas em dívida para com eles:
Fazer um Amigo é uma Graça.
Ter um Amigo é um Dom.
Conservar um Amigo é uma Virtude.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

As palavras transformam

"As palavras transformam" - Paulo Coelho

«Diz o mestre:
A palavra é poder. As palavras transformam o mundo e o homem.
Todos nós já escutamos dizer: “Não se deve falar das coisas boas que nos acontecem, pois a inveja alheia destruirá nossa alegria”.
Nada disso. Os vencedores falam com orgulho dos milagres de suas vidas. Se você coloca energia positiva no ar, ela atrai mais energia positiva - e alegra aqueles que realmente lhe querem bem.
Quanto aos invejosos, aos derrotados - estes só poderão causar-lhe algum dano se você lhes der este poder.
Não tema. Fale das coisas boas da sua vida para todos que quiserem ouvir. A Alma do Mundo precisa muito de sua alegria.»
PAULO COELHO