A terceira Carta Encíclica de Bento XVI empresta o título a este blogue. A Caridade na Verdade. Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas só esta entra na eternidade com Deus. Espaço pastoral de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo, de portas abertas para a Igreja e para o mundo...
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quinta-feira, 23 de outubro de 2025
sábado, 17 de fevereiro de 2024
sábado, 14 de maio de 2016
Salmo 112 - Missa com Bento XVI, no Porto
Estivemos lá.
14 de maio de 2010, Eucaristia presidida pelo Papa Bento XVI, no Porto, no âmbito da Viagem Pastoral a Portugal. Magnífica interpretação do Salmo 112, na Festa de São Matias. Apesar do som menos conseguido, derivado à captação, vale a pena escutar...
segunda-feira, 9 de maio de 2016
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
D. ANTÓNIO COUTO - O LIVRO DOS SALMOS
D. ANTÓNIO COUTO (2015). O Livro dos Salmos. Cucujães: Editorial Missões. 120 páginas.
D. António José da Rocha Couto é um reconhecido estudioso da Bíblia. O Bispo de Lamego não deixa de ler, meditar, estudar, interessar-se por temáticas teológicas e concretamente bíblicas.
Cada semana é possível acompanhar a reflexão/estudo de D. António às Leituras de cada domingo, especialmente do Evangelho, no seu blogue MESA DE PALAVRAS. Por outro lado, a publicação em livro destas pistas de reflexão aprofundada da palavra de Deus para o ciclo de três anos (até ao momento publicados os Domingos do ano A e do Ano B; aguarda-se a publicação do ano C; em simultâneo e como complemento, a introdução ao Evangelho de São Mateus e ao Evangelho de São Marcos, aguardando-se o estudo/introdução a São Lucas.
Entretanto, D. António Couto coloca em nossas mãos este estudo sobre o Livro dos 150 Salmos. Sabendo-se que o conjunto dos Salmos já formaria um livro e daria para vários estudos, D. António entendeu fixar-se em alguns Salmos mais significativos.
Os Salmos são a resposta que o Homem dá a Deus. De Deus nos vem a Palavra e a Sabedoria, a Graça e a Salvação. Respondemos com louvor e com súplica, reconhecendo a grandeza de Deus e a nossa pequenez, a misericórdia de Deus e o nosso pecado. Ainda que as nossas palavras sejam grito e protesto, encontram um olhar, um coração que escuta, que envolve, que ama, que perdoa e nos redime.
"Os Salmos - diz D. António - são para cantar com toda a intensidade, ao som de instrumentos musicais, para entregarmos a Deus a nossa alegria, mas também o ódio que nos habita. Rezar é entregar tudo a Deus. As coisas belas, claro. Mas também o lixo, o mato e as silvas que nos habitam. A oração dos Salmos, recitada com toda a intensidade, depura e decanta a nossa vida, de Deus recebida e a Deus oferecida, por Deus agraciada e transformada, transfigurada".
Mais à frente, D. António reforça a ideia: "Dizer «Salmos» ou «Saltério» é dizer intensidade, vida, energia, canto, música, alegria, prazer, festa e ainda que, por vezes, dorida".
Um pequena história recolhida por D. António Couto, sobre o mistério do homem:
A história do insensato do Rabbi Hanoch: «Era uma vez um homem insensato e, por isso, era chamado golem. Quando se levantava de manhã tinha de se haver com o difícil problema de encontrar as roupas para vestir, de tal modo que à noite, só de pensar nisso, já tinha medo de se deitar. Mas uma noite encheu-se de coragem, pegou num lápis e numa folha de papel, e, enquanto se despia, tomou nota do lugar onde poisava cada peça de roupa. Na manhã seguinte, levantou-se todo contente e pegou na sua lista: o barrete ali, e enfiou.o na cabeça, as calças acolá, e vestiu-as; a assim por diante até ter vestido tudo. "Sim, mas eu, onde estou eu?", perguntou-se a si mesmo, "onde estou eu?". Em vão procurou e voltou a procurar. Não conseguiu encontrar-se. E assim sucede também connosco, concluiu o Rabbi».
E, conclui D. António: "Só sabemos onde estamos quando é Deus a formular a pergunta e a fazer-nos encontrar a resposta".
Nesta obra de D. António Couto, O Livro dos Salmos, é possível perceber um pouco mais sobre os Salmos, a sua origem, significado, e rezá-los com mais intensidade. É um trabalho a utilizar por estudantes e por especialistas, mas também percep´tivel para quem quiser aprofundar os seus conhecimentos dobre a Sagrada Escritura, sempre com o propósito de rezar melhor e comprometer-se com a oração, fazendo que o Bem que recebemos de Deus, se multiplique na partilha com os irmãos.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Domingo I da Quaresma - ano B - 22 . fevereiro . 2015
1 – "O Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
O primeiro Domingo da Quaresma traz-nos o episódio das Tentações de Jesus. As versões lucana (Lc 4, 1-13, ano C) e mateana (Mt 4, 1-11, ano A) desdobram-se em três tentações distintas: usar o milagre para se impor; utilizar o poder em benefício próprio; dobrar-se diante do poder para dominar o mundo. Facilidade, egoísmo, fama. As tentações a que Jesus está sujeito são as mesmas tentações do povo de Deus ao longo do deserto. O povo cedeu. Jesus ajuda a superar as tentações em entrega confiante a Deus.
São Marcos, o evangelista da primeira hora, mais simples, mais direto, narra apenas as tentações sem especificar quais. Diz-nos, no entanto, o essencial acerca das mesmas, o contexto e o significado. Jesus, verdadeiro homem, é tentado como qualquer um de nós. As nossas tentações são visualizáveis em Jesus, porque em tudo Se identificou connosco. Os desertos da nossa existência podem tornar-se tempo de dúvida, de provação, de amadurecimento, de purificação dos nossos propósitos e compromissos. Quarenta anos: a Quaresma do povo da Primeira Aliança para entrar na Terra da Promessa. Jesus é a Promessa que se cumpre para nós. Quarenta dias em que Se prepara para Se dar totalmente a nós, sem reservas, sem medos e sem hesitação.
O alimento de Jesus é a realização da vontade do Pai. Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade. Não quisestes sacrifícios, mas fizeste-me um corpo (cf. Heb 10, 1-10). A tentação acompanhá-l'O-á ao longo da vida, como a nós. Mas há em Jesus uma força maior: a presença de Deus. Com efeito, é o Espírito Santo que O conduz ao deserto. É o mesmo Espírito que Se manifesta no Batismo. O tentador é forte, mas Deus assiste Jesus com os Seus santos Anjos.
2 – Deus assiste-nos do mesmo jeito que a Jesus: próximo, Pai, benevolente, respeitando as nossas opções, desafiando-nos a dar o melhor de nós e a acolher os outros como irmãos. É Deus Quem nos guia, assim o queiramos nós. É possível que as tentações nos acerquem. É possível seguir Jesus, fazer como Ele, deixar-se conduzir pelo Espírito de Deus.
Se o Seu alimento – a vontade do Pai – o livra do mal e das manifestações diabólicas, também a nós nos dará a força e a caridade para, em cada dia, encontrarmos razões que nos atraiam para o bem e para a verdade, pois Ele é o nosso Caminho e a nossa Vida.
Vale a pena reler algumas palavras do Papa Francisco na sua Mensagem para esta Quaresma, e das quais faz eco D. António Couto, Bispo de Lamego, ao dirigir-se à Diocese, convocando-nos a marcar a diferença num mundo em que a indiferença pelos outros se globaliza.
Diz o Papa: "Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar. A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra".
E continua Francisco, avivando as condições para superarmos as tentações: "Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos. Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta Encíclica Deus caritas est, 31)".
3 – Outro Papa, o primeiro, São Pedro, recorda-nos o mistério de amor, de entrega, de oblação de Jesus em nosso favor: «Cristo morreu uma só vez pelos pecados – o Justo pelos injustos – para vos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito».
Com efeito, a vinda de Jesus marca um tempo novo, de graça e de salvação, em que a Aliança de Deus com o Seu povo é finalizada, levada à plenitude. Como nos diz São Pedro, já "nos dias de Noé, Deus esperava com paciência, enquanto se construía a arca, na qual poucas pessoas, oito apenas, se salvaram através da água". Agora, na água do Batismo, Deus nos "salva pela ressurreição de Jesus Cristo, que subiu ao Céu e está à direita de Deus, tendo sob o seu domínio os Anjos, as Dominações e as Potestades".
Deus faz Aliança com o Seu Povo. É uma Aliança unilateral. Deus compromete-Se com a humanidade e não faz depender a Aliança da resposta que possamos dar-Lhe. Vislumbra-se a Sua paternidade. Ama-nos primeiro. Precede-nos. O Seu amor é gratuito, sem condições. Se acolhermos este amor primeiro tornarmo-nos com-criadores, instrumentos da salvação e de esperança para outros.
Eis a Palavra de Deus dirigida a Noé: «Estabelecerei a minha aliança convosco, com a vossa descendência e com todos os seres vivos que vos acompanham: as aves, os animais domésticos, os animais selvagens que estão convosco, todos quantos saíram da arca e agora vivem na terra. Estabelecerei convosco a minha aliança: de hoje em diante nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio e nunca mais um dilúvio devastará a terra».
A água não mais servirá para o extermínio, mas, pelo Batismo, conduzir-nos-á ao Corpo de Cristo, que é a Igreja, a última Arca da Aliança, onde Jesus Se dá até à eternidade, na Palavra, proclamada, na vivência dos Sacramentos, especialmente na Eucaristia, e na prática do bem, construindo a família de Deus, solidários com todos os nossos irmãos, feridos pelo pecado, pelo sofrimento e/ou pela fragilidade. Podemos fazer a diferença, se não nos tornarmos insensíveis e indiferentes uns aos outros.
4 – As tentações estarão sempre à espreita. As tentações acompanham Jesus até à Cruz. Mais forte que o tentador, a presença de Deus e a vontade de em tudo viver e transparecer os desígnios de Deus.
Por conseguinte, peçamos ao Senhor que o Seu Espírito nos alerte constantemente e, com o salmista rezemos: «Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, / ensinai-me as vossas veredas. / Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, / porque Vós sois Deus, meu Salvador».
Pe. Manuel Gonçalves
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
BENTO XVI - A Oração Cristã
BENTO XVI (2012). A Oração Cristã. Braga: Editorial Franciscana. 128 páginas.
Ao longo do ano de 2011, o papa Bento XVI dedicou as catequeses das Audiências Gerais, das quartas-feiras, à oração: "Depois das catequeses sobres os Padres da Igreja, sobre os grandes teólogos da Idade Média, sobre as grandes mulheres, escolhemos um tema muito querido a todos nós: é o tema da oração, de modo específico da cristã, ou seja, a prece que Jesus nos ensinou e que a Igreja continua a ensinar-nos. Com efeito, é em Jesus que o homem se torna capaz de se aproximar de Deus com a profundidade e a intimidade da relação da paternidade e filiação... é preciso aprender a rezar, quase adquirindo esta arte sempre de novo; mesmo aqueles que são muito avançados na vida espiritual sentem a necessidade de se pôr na escola de Jesus para aprender a rezar autenticamente".
A Sagrada Escritura exemplifica como os grandes líderes são também homens orantes: Abraão, Jacob, Moisés, David, Jesus Cristo. Sem esquecer a Mãe de Jesus. Com efeito, a oração de Jesus reassume o Fiat de Maria. Conhecer o Pai, implica identificar-Se com Ele, fazer a Sua vontade.
- As diferentes catequeses:
- A oração dos Antigos
- Oração e sentido religioso
- A intercessão de Abraão por Sodoma
- Luta noturna e encontro com Deus (Jacob-Israel)
- A intercessão de Moisés pelo povo
- Profetas e orações em confronto
- O povo de Deus que reza: os Salmos
- A meditação
- Arte e Oração
- "Levanta-te, Senhor, e salva-me!" Salmo 3
- "Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?" Salmo 22 (21)
- "O Senhor é meu Pastor, nada me faltará" Salmo 23
- "Grandes coisas fez por mim o Senhor" Salmo 126
- O "Grande Hallel" Salmo 136 (135)
- O grande cântico da Lei. Salmo 119 (118)
- O Rei Messias. Salmo 110 (109)
- A oração atravessa toda a vida de Jesus
- A jóia do Hino de Júbilo
- A oração diante da ação benéfica e curadora de Deus.
Em cada uma das catequeses, o papa Bento XVI faz-nos sentir próximos de Jesus, mostrando nas diversas formas de oração, como elas nos podem identificar com Jesus. Por sua vez, Jesus é o grande oração, cuja oração nunca é interrompida, aproximando-O das pessoas. A oração mostra a intimidade com o Pai e a força que n'Ele se manifesta. É uma oração curativa. Nos momentos mais importantes e significativos da vida de Jesus, a oração estende-se pela noite.
Jesus ensina-nos a rezar, para que a vontade do Pai se realize em nós e através de nós.
Bento XVI, de forma simples e didática convoca-nos à oração: dos salmos, leitura e meditação da Palavra de Deus, nomeadamente dos Evangelhos, meditação > ruminação. Como em outros momentos, o recurso a exemplos, no diálogo com a contemporaneidade, mas fazendo memória da cultura, da arte, da civilização.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
PAGOLA - Pai-nosso. Orar com o Espírito de Jesus
JOSÉ ANTONIO PAGOLA (2012). Pai-nosso. Orar com o Espírito de Jesus. Petrópolis: Editora Vozes, 144 páginas.
José Antonio PAGOLA é já nossa conhecido destas andanças. Recomendaram-no-lo e agora recomendamo-lo em outras tantas leituras. Sacerdote católico. Professor catedrático. Teólogo, dedicando-se sobretudo à Pessoa de Jesus Cristo.
Este é um livrinho sobre o Pai-nosso. Sendo a oração mais importante dos discípulos, pois é original. A única oração criada e ensinada por Jesus. Simples. Contém o essencial da Mensagem de Cristo. É um Evangelho breve e simples. Tem o essencial. Há muitos estudos, reflexões, propostas sobre esta oração. E cada livrinho nos pode trazer coisas novas, ainda que o ponto de partida seja Cristo, seja a Sua ligação com o Pai, ligação na qual nos enxerta.
Pagola reflete, numa primeira parte, nos três pedidos iniciais do Pai-nosso: "Santificado seja", "venha o Teu Reino", "Seja feita a Tua vontade", e nas quatro súplicas: "Dá-nos o Pão", "Perdoa-nos a nossas ofensas", "Não nos deixes cair em tentação", "Livra-nos do mal". Para cada uma das preces, o autor enriquece as suas reflexões com outras passagens do da Sagrada Escritura, mormente com palavras de Jesus Cristo, do Evangelho, com a recorrência dos Salmos, orações também usadas amiúde por Jesus.
A segunda parte, subdividindo, pelas 7 preces (pedidos e súplicas), num convite à oração do Pai-nosso, com o recurso aos Salmos. Enquanto na primeira parte se valoriza a reflexão, nesta segunda, o convite à oração. Para cada uma das expressões do Pai-nosso, a sugestão de vários Salmos, com os quais nos permite rezar e também perceber melhor a riqueza inesgotável do Pai-nosso.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Pelos prados e campinas... É o Senhor que me leva
Proposta como cântico na Eucaristia Dominical, na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço. Autoria do Pe. Zezinho:
1. Pelos prados e campinas verdejantes eu vou,
é o Senhor que me leva a descansar.
Junto às fontes de águas puras repousantes eu vou,
minhas forças o Senhor vai animar.
Tu és Senhor, o meu pastor:
por isso, nada na minha vida faltará. (2x)
2. Nos caminhos mais seguros junto d’Ele eu vou,
e para sempre o Seu nome eu honrarei.
Se eu encontro mil abismos nos caminhos eu vou,
segurança sempre tenho em Suas mãos.
3. Ao banquete em Sua casa muito alegre eu vou,
um lugar na Sua mesa me preparou.
Ele unge minha fronte e me faz ser feliz,
e transborda a minha taça em Seu amor.
4. Com alegria e esperança caminhando eu vou,
minha vida está sempre em Suas mãos.
E na casa do Senhor eu irei habitar,
e este canto para sempre irei cantar.
sábado, 19 de outubro de 2013
XXIX Domingo do Tempo Comum - ano C - 20 de outubro
1 – Deus não dorme. Se assim fora, na natural rotação da terra, alguém ficaria prejudicado. Por vezes, perante os sofrimentos pessoais e o mal que se espalha como cancro em algumas partes do mundo, poderemos interrogar-nos como o salmista: “Levanto os olhos para os montes: de onde me virá o auxílio?” Quantas situações da vida em que nos sentimos perdidos, a naufragar! É nessas horas que a esperança em Deus se torna mais necessária.
Rezava Santa Teresa de Jesus, que celebrámos no dia 15 de outubro, com humildade e confiança: “Nada te turbe, nada te espante. Tudo passa. Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem nada lhe falta. Só Deus basta”.
Quando tudo se volatiza em águas revoltas, Deus permanece fiel. “O meu auxílio vem do Senhor que fez o céu e a terra. Ele não deixará que vacilem os teus pés; aquele que te guarda, não dormirá. Pois não há de dormir nem dormitar, aquele que guarda Israel. O Senhor é quem te guarda e está a teu lado. O Senhor protege-te nas tuas idas e vindas, agora e para sempre”.
A fé em Deus, que é Pai, há de ser a música de fundo que orienta, envolve e sustenta, a minha, a tua, a nossa vida. As grandes inquietações da vida: quem sou? Que ando cá a fazer? Que sentido tem a minha vida? O que há depois da morte? Quem é Deus? Onde está Deus no sofrimento? Se tudo acaba no cemitério, valerá a pena lutar pela justiça, pela verdade, pelo bem?
Também aqui assenta a nossa fé, garantia de que Deus virá, Deus está, Deus vem ao nosso encontro. Se porventura nos faltar a paciência e o discernimento, ainda assim, Deus não deixará de ouvir o nosso clamor e atender à nossa prece. Com efeito, Jesus Cristo revela-nos, em plenitude, o AMOR de Deus que permanece, agora e eternamente. Ele é o ROSTO e a presença de Deus no meio de nós, pelo Espírito Santo. Encarnou. Viveu como UM de NÓS. Morreu, ressuscitou. Deu-nos o Espírito Santo, que renova a vida da Igreja, nos inspira e torna presente a Sua morte e Ressurreição, assumindo-nos como irmãos.
2 – A fé é sobretudo LUZ que ilumina o nosso peregrinar. Na sua primeira Encíclica, A Luz da Fé, o Papa Francisco sublinha que “a fé não é luz que dissipa todas as trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho”.
Ressoam em nós a palavras de Jesus, convidando-nos à oração, sem desistir nunca. Para melhor ilustrar o seu desafio, Jesus conta a parábola de uma viúva que sistematicamente vai à presença do juiz da cidade para que lhe faça justiça. O juiz não a atende por achar justo fazê-lo mas pela insistência e pelo incómodo: «Embora eu não tema a Deus nem respeite os homens, contudo, já que esta viúva me incomoda, vou fazer-lhe justiça, para que me deixe de vez e não volte a importunar-me».
No prosseguimento da parábola, Jesus contrapõe: «Reparai no que diz este juiz iníquo. E Deus não fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite, e há de fazê-los esperar? Eu vos digo que lhes vai fazer justiça prontamente. Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?»
Jesus garante a resposta de Deus, mas interroga-se sobre a nossa fidelidade e constância. Saberemos alimentar a esperança em Deus e a certeza que Ele nos ama, mesmo nas dificuldades mais intensas? Manteremos viva a chama da fé?
3 – A história de Israel, do Povo eleito, revela-nos a presença atuante de Deus, ainda que pelo meio sobrevenham momentos de conflito dentro das famílias, entre tribos e entre povos, infidelidades, privações e provações, tempos de grande adversidade, guerras, carestia. A fé é como o amor, e como os amigos, nos apertos testa-se e, na perseverança, fortalece-se.
Não faltam ocasiões em que a oração do Povo é mais insistente, e Deus não deixará de responder. É significativo o episódio relatado na primeira leitura. Josué comanda o exército israelita e logo Moisés, o grande líder, lhe garante o apoio pela oração: «Amanhã eu permanecerei firme no cimo da colina e terei a vara de Deus na minha mão».
Josué confia e parte para a batalha contra Amalec. Refere o texto que “enquanto Moisés tinha as mãos levantadas, era Israel o mais forte; mas quando descansava as mãos, o mais forte era Amalec”. Percebendo que é a oração de Moisés que fortalece os combatentes israelitas, e lhes faz ganhar vantagem, decidem apoiá-lo na oração: “Pegaram então numa pedra e puseram-na debaixo dele, e ele sentou-se sobre ela. Aarão e Hur sustentavam as mãos dele, um de um lado e outro do outro. E assim as mãos dele permaneceram firmes até ao pôr-do-sol”.
A fé tem uma dimensão pessoal, Deus desafia cada um. Mas amadurece em comunidade, Aliás, é na comunidade que aprendemos a ser irmãos. Vale o mesmo para a oração. Moisés reza a Deus, mas a sua oração, e a sua fé, apoia-se em Aarão e Hur, ou seja, no povo de Deus.
4 – A oração une-nos à comunidade e reforça os laços fraternos que nos unem, alarga o nosso coração pequeno e limitado, para que possamos amar todo o mundo com o coração de Deus. Assim, citando o Santo Cura d’Ars, o lembrava Bento XVI na convocação do Ano Sacerdotal (2008/2009).
Dom de Deus, a fé precisa de ser alimentada pela oração, pela escuta e meditação da palavra de Deus, pela participação ativa e alegre nos sacramentos, principalmente na Eucaristia, no qual Jesus Cristo, pelo Espírito Santo, Se dá e nos dá a Deus Pai, e nos constitui novo Povo de Deus, e nos reenvia à prática do bem e ao testemunho/propagação da Palavra de Deus.
A alegria da fé contagia-nos e faz-nos testemunhas do amor de Deus. Não basta responder ao amor de Deus com acolhimento e com amor, é preciso comunicá-lo aos sete ventos. Em Dia Mundial das Missões, são bem ilustrativas as palavras de São Paulo a Timóteo e à comunidade crente:
«Tu, porém, permanece firme naquilo que aprendeste… Toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e esteja preparado para toda a obra boa… Proclama a palavra, insiste em tempo propício e fora dele, convence, repreende, exorta com toda a compreensão…»
Oportuna e inoportunamente, cada cristão – e toda a Igreja – está comprometido com o anúncio da Palavra de Deus, deixando-se evangelizar e evangelizando, convertendo-se e propondo a conversão aos outros. “Ai de mim se não evangelizar?"
Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
sábado, 3 de agosto de 2013
XVIII Domingo do Tempo Comum - ano C - 4 de agosto
1 – “Saciai-nos desde a manhã com a Vossa bondade para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias. Desça sobre nós a graça do Senhor nosso Deus. Confirmai, Senhor, a obra das Vossas mãos”.
Invocamos a bênção de Deus para que os nossos dias não sejam em vão e para que o nosso tempo tenha sentido, na abertura solidária aos outros, na busca do olhar de Deus sobre nós. Tão atarefados andamos que a vida se escapa entre as mãos, ora o tempo passa depressa de mais, ora demasiado lento. Só em Deus tornamos os nossos dias abençoados. Como popularmente se diz, vale mais quem Deus ajuda do que quem madruga.
Procuremos Jesus em toda a parte e sobretudo nos irmãos, comprometidos na transformação do mundo, com o coração impelido para as alturas. A nossa pátria é junto de Deus. Vivamos nesta sadia tensão: alavancados pelo amor eterno de Deus, peregrinos com os outros, testemunhando a salvação pela qual Jesus nos introduz na vida de Deus.
“Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Fazei morrer o que em vós é terreno... Não mintais uns aos outros, vós que vos revestistes do homem novo, que se vai renovando à imagem do seu Criador. Aí não há grego ou judeu, escravo ou livre; o que há é Cristo, que é tudo e está em todos”.A Ressurreição de Jesus não é apenas a antecipação da nossa, mas um processo que nos envolve, numa relação cósmica com todo o universo. Vivemos renovados pela redenção operada em Cristo. Com a Sua oferenda ao Pai, oferece também a nossa vida. Ele está em todos. A nossa vida está agora escondida com Cristo em Deus. Procuremo-l’O para O encontrarmos em nós, nos outros, no mundo.
2 – “Vaidade das vaidades – diz Qohélet – vaidade das vaidades: tudo é vaidade. Quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito, tem de deixar tudo a outro que nada fez. Também isto é vaidade e grande desgraça. Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol? Na verdade, todos os seus dias são cheios de dores e os seus trabalhos cheios de cuidados e preocupações; e nem de noite o seu coração descansa. Também isto é vaidade”.
Aparentemente Qohélet faz uma confissão de desencanto, de desilusão. Tudo é igual, todos os dias se repetem constantemente. Não há nada de novo debaixo do Céu. Trabalho e canseiras, cuidados e preocupações, tudo é em vão. Nem de noite o coração descansa. Tanta vida que depois tem que se deixar a outros. A experiência não permite grandes voos, pelo contrário, provoca ansiedade. Bons e maus têm o mesmo destino. Por vezes, parece que os que praticam o mal são abençoados, e os que praticam o bem são amaldiçoados.
O autor, tal como Job, coloca em causa a sabedoria tradicional, onde sobrevinha uma correlação direta entre a bênção e a justiça, os bons eram recompensados e os maus castigados. Job e Qohélet concluem que há homens justos cujos padecimentos são injustificados.
Começa uma intuição luminosa, a mão invisível de Deus vai agindo na pessoa e no mundo. “Todas as coisas que Deus fez, são boas a seu tempo. Até a eternidade colocou no coração deles, sem que nenhum ser humano possa compreender a obra divina do princípio ao fim” (3,11). Sanciona a solidariedade: “É melhor dois do que um só: tirarão melhor proveito do seu esforço. Se caírem, um ergue o seu companheiro. Mas ai do solitário que cai: não tem outro para o levantar!” (4, 9-10). Aproxima-te de Deus para O escutares, não sejas insensato.
3 – Jesus liberta-nos do ciclo de violência e de pecado, de sofrimento e de morte, colocando a nossa natureza humana à direita do Pai, atraindo-nos da eternidade, do futuro de Deus. N'Ele descansa verdadeiramente a nossa alma. Se com Ele ressuscitámos, com Ele instauremos o reino de paz, de justiça e de amor.
Em Cristo a LUZ de Deus ilumina toda a treva, cimentando a nossa esperança. Aquilo que os sábios Qohélet e Job intuíam em luz difusa, Jesus clarifica na abundância do Seu amor, com a Sua vida, e sobretudo no mistério da Sua morte e ressurreição, com a vastidão de Deus a chegar a toda a parte, tudo em todos. A ressurreição não deixa nada nem ninguém de fora. Na fragilidade dos nossos dias advém a certeza que Deus nos guia e levanta o nosso olhar. Se nos abrimos à Sua ternura e companhia, não ficaremos náufragos do pecado, do egoísmo e da morte. Ele ilumina tudo, os nossos medos e sofrimentos, as nossas dúvidas e hesitações, a nossa insuficiência.
4 – Um homem aproxima-se de Jesus para que Ele resolva uma contenda de irmãos. Jesus questiona: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?» E logo alerta: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». A avareza brota do coração, da inveja descontrolada, do ciúme. Trata-se de uma atitude e não tem correlação direta com os bens que se possuem. Há pobres e ricos avarentos.
Por outro lado, não peçamos a Deus que resolva o que está ao nosso alcance resolver, quando muito peçamos para nos dar o discernimento para escolhermos o melhor bem, para aceitarmos as nossas limitações e a capacidade generosa de trabalharmos pela justiça e pela paz.
Como o têm sublinhado a Doutrina Social da Igreja, os bens materiais e a riqueza deverão atender à justiça e à dignidade das pessoas e das famílias, não as sujeitando a jogos de interesses e a um capitalismo selvagem que não leve em conta a pessoa como fim. O que acontece, muitas vezes, é que as pessoas contam como números e enquanto geram riqueza, e riqueza da qual não beneficiam.
Quem trabalha merece ser compensado com justiça e equidade, ainda que o trabalho também deva gerar capital e investimento, assegurando dessa forma a criação de riqueza e de mais emprego para que muitos mais tenham acesso aos recursos da terra e a oportunidade de viverem com o fruto do trabalho, realizando-se como pessoas. Numa perspetiva cristã, mais se acentua a dignificação da pessoa e do trabalho como forma de cooperar na obra criadora de Deus.
Importa, desde logo, não descartar a relevância da caridade, da partilha solidária, com quem não tem ou não pode ter, ou que pelas circunstâncias atuais, do ambiente em que nasceu, ou por limitações pessoais ou outras, não pode trabalhar ou simplesmente não tem acesso ao trabalho, ou o trabalho não lhe permite viver com a devida dignidade, e assim à respetiva família.
5 – Para uns e outros, Jesus reafirma: «Guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens...». Importa tornar-se rico aos olhos de Deus. O que acumula apenas para si acabará por se perder. Tarde, por vezes, nos damos conta que dependemos uns dos outros, no bem e no mal. Beneficiamos do bem alheio e somos atingidos pelo mal dos outros.
Socorramo-nos novamente de Qohélet, noutras passagens: “Aquele que ama o dinheiro nunca se saciará do dinheiro, e aquele que ama a riqueza, a riqueza não virá ao seu encontro... Doce é o sono do trabalhador, quer tenha comido pouco ou muito; mas a abundância do rico não o deixa dormir descansado... Assim como saiu nu do ventre de sua mãe, de novo nu partirá como veio” (5, 9.14). “Então o pó voltará à terra de onde saiu e o espírito voltará para Deus que o concedeu... Deus pedirá contas, no dia de juízo, de tudo o que está oculto, quer seja bom, quer seja mau” (12, 7, 14).
Aspirando às coisas do alto, o dever do discípulo de Cristo é para com o mundo e para com os outros. De novo e sempre o duplo mandamento do amor. Amamos a Deus, amemos também os irmãos. Lembremo-nos sempre que no final seremos julgados pelo amor, pela prática do bem, pela assunção da caridade, e não pela acumulação de bens e de riqueza.
O Pão nosso de cada dia nos dai hoje, Senhor. Mas dai-nos também a alegria e a coragem da partilha solidária, valorizando o fruto do nosso trabalho e tornando-o dom. “Ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração”. Que as preocupações do tempo presente não nos façam esquecer a nossa origem e o nosso fim comum: em Deus, para Deus, com os outros.
Textos para a Eucaristia (ano C): Co (Ecle) 1, 2; 2, 21-23; Sl 89 (90); Col 3, 1-5.9-11; Lc 12, 13-21.
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domingo, 21 de julho de 2013
Frei Rito Dias - Salmo 56
O Deus da Bíblia nunca diz quem é, mas onde está.
Sempre que a alegria bate à porta,Tu contaste os passos do meu peregrinar (v 9a)
Deus manda entrar.
Sempre que a paz quer falar,
Deus escuta.
Sempre que a tristeza chega,
Deus manda esperar.
Sempre que o futuro é duvidoso,
Deus tem a certeza.
Sempre que a amizade atraiçoa,
Deus é fiel.
Sempre que o medo nos assusta,
Deus dá a mão.
Sempre que a cobiça pisa o inocente,
Deus reclama.
Sempre que a inveja mata o amor,
Deus ama.
Sempre que a dor oculta Deus,
Deus aparece.
Sempre que as promessas humanas faltam,
Deus cumpre.
Sempre que a liberdade propõe,
Deus é escolha.
Sempre que o homem foge de Deus,
Deus vai com ele.
Sempre que a esperrança vai embora,
Deus Fica.
Frei Manuel Rito Dias, in Bíblica, n.º 347, junho-agosto 2013
sábado, 15 de setembro de 2012
XXIV Domingo do Tempo Comum - ano B - 16 de setembro
1 – A Epístola de São Tiago, segunda leitura, lavra a ligação íntima e fundamental entre a fé e a vida. O apóstolo exemplifica com situações concretas, reais e exequíveis.
A religião e a fé em Cristo Jesus compromete-nos com as pessoas que vivem à nossa beira. Assim, o serviço aos mais desfavorecidos (aos órfãos e às viúvas) é inevitável na vivência autêntica da fé, assim como a “não aceção” de pessoas. Hoje, o apóstolo remete para mais uma situação clarificadora. Vale a pena ler atentamente:
“De que serve a alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Poderá essa fé obter-lhe a salvação? Se um irmão ou uma irmã não tiverem que vestir e lhes faltar o alimento de cada dia, e um de vós lhe disser: «Ide em paz. Aquecei-vos bem e saciai-vos», sem lhes dar o necessário para o corpo, de que lhes servem as vossas palavras? Assim também a fé sem obras está completamente morta. Mas dirá alguém: «Tu tens a fé e eu tenho as obras». Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé”.A fé autêntica, a que recebemos de Jesus Cristo, conduz-nos aos outros. Todos somos irmãos. Somos todos filhos de Deus. Quando mais estivermos vinculados a Deus, na oração, na escuta e reflexão da palavra de Deus, tanto mais estaremos ligados e comprometidos com aqueles que Deus colocou na nossa vida, para os servirmos como irmãos, para os acolhermos como presença de Deus.
2 – Tudo começa n'Ele. A nossa vida. A nossa fé. A nossa conversão. Em Jesus Cristo, Deus vem ao nosso encontro, entra na nossa história, abre-nos as portas do Céu, reconcilia-nos com Ele, com os outros, com o mundo. Jesus clarifica o CAMINHO para Deus, precisamente com o serviço caritativo aos outros. Não vamos sós. Não estamos sós. Não nos salvamos sozinhos. Ele precede-nos. Dá o exemplo. Vive connosco no meio de nós. Atrai-nos com as palavras e com o pão, com a voz e com a Sua vida feita oração ao Pai e oferenda à humanidade.
Não há compromisso social puro, autêntico, libertador, se antes não se der um encontro transformador com Jesus Cristo. A fé é DOM recebido, acolhido e aprofundado na partilha. A fé há de levar-nos a imitá-l'O, pelo que nos compromete nas obras, como expressão, visualização, e comprovação da nossa adesão firme a Jesus e ao Seu Evangelho de caridade.
Tudo se inicia em Jesus. Ele desce de Deus e traz-nos Deus. Mas não Se impõe. Cabe-nos acolher a nossa vocação, o Seu chamamento. Cabe-nos escolher o caminho que nos guia ao CAMINHO. Cabe-nos, livremente, aceitar a salvação que Ele nos dá, deixarmos que a nossa vida se transforme por inteiro, interior e exteriormente, e sermos portadores desta boa notícia em nós, pelas palavras, pela profissão de fé, pela vida, pelas obras que resultam da nossa conversão a Jesus e do amor que nos habita, pelo Seu Santo Espírito.
Não há compromisso social puro, autêntico, libertador, se antes não se der um encontro transformador com Jesus Cristo. A fé é DOM recebido, acolhido e aprofundado na partilha. A fé há de levar-nos a imitá-l'O, pelo que nos compromete nas obras, como expressão, visualização, e comprovação da nossa adesão firme a Jesus e ao Seu Evangelho de caridade.
Tudo se inicia em Jesus. Ele desce de Deus e traz-nos Deus. Mas não Se impõe. Cabe-nos acolher a nossa vocação, o Seu chamamento. Cabe-nos escolher o caminho que nos guia ao CAMINHO. Cabe-nos, livremente, aceitar a salvação que Ele nos dá, deixarmos que a nossa vida se transforme por inteiro, interior e exteriormente, e sermos portadores desta boa notícia em nós, pelas palavras, pela profissão de fé, pela vida, pelas obras que resultam da nossa conversão a Jesus e do amor que nos habita, pelo Seu Santo Espírito.
3 – É nesta lógica que Jesus exige de nós uma clara decisão. Não Se impõe mas propõe um caminho. Confronta-nos com a nossa escolha. Ainda que sejamos peregrinos, em conversão permanente, somos impelidos a responder por nós e com a nossa vida.
Pergunta-nos Jesus, como o fez aos discípulos daquele tempo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
Não basta a opinião dos outros. Não vale responder com o que ouvimos dizer, ou com a opinião corrente. Jesus pergunta-lhes e pergunta-nos: «Quem dizem os homens que Eu sou?» As respostas podem ser variadas: João Baptista; Elias; um dos profetas…
Mas chega um momento em que se tornam insuficientes as respostas dos outros, precisamos de responder por nós. Quem é Jesus para mim? Que importância tem na minha vida? De que forma influencia as minhas escolhas na minha relação com os outros, com o mundo e comigo mesmo? Toca a minha alma? Mobiliza-me para a comunhão e para a comunidade? Posso dizer com Pedro: «Tu és o Messias», o enviado de Deus? És Deus para mim? És a minha salvação, a minha vida, o meu conforto e o meu descanso? És a minha bússola, o meu norte?
É a nós que Jesus interroga – E vós quem dizeis que Eu sou? –. Que resposta dar? Não assobiemos para o lado como se não fosse nada connosco. É connosco que Jesus está a falar.
“Deixai fazer, deixai ir, deixar passar” (laissez faire, laissez aller, laissez passer), pode valer para a economia de mercado, na não (ou na pouca) intervenção do Estado, e que pelos vistos não está a ter grande sucesso, mas definitivamente não vale na economia da Salvação. Deus age, vem, coloca-Se à nossa disposição e pede-nos uma resposta ao Seu projeto de salvação, conta connosco.
Pergunta-nos Jesus, como o fez aos discípulos daquele tempo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
Não basta a opinião dos outros. Não vale responder com o que ouvimos dizer, ou com a opinião corrente. Jesus pergunta-lhes e pergunta-nos: «Quem dizem os homens que Eu sou?» As respostas podem ser variadas: João Baptista; Elias; um dos profetas…
Mas chega um momento em que se tornam insuficientes as respostas dos outros, precisamos de responder por nós. Quem é Jesus para mim? Que importância tem na minha vida? De que forma influencia as minhas escolhas na minha relação com os outros, com o mundo e comigo mesmo? Toca a minha alma? Mobiliza-me para a comunhão e para a comunidade? Posso dizer com Pedro: «Tu és o Messias», o enviado de Deus? És Deus para mim? És a minha salvação, a minha vida, o meu conforto e o meu descanso? És a minha bússola, o meu norte?
É a nós que Jesus interroga – E vós quem dizeis que Eu sou? –. Que resposta dar? Não assobiemos para o lado como se não fosse nada connosco. É connosco que Jesus está a falar.
“Deixai fazer, deixai ir, deixar passar” (laissez faire, laissez aller, laissez passer), pode valer para a economia de mercado, na não (ou na pouca) intervenção do Estado, e que pelos vistos não está a ter grande sucesso, mas definitivamente não vale na economia da Salvação. Deus age, vem, coloca-Se à nossa disposição e pede-nos uma resposta ao Seu projeto de salvação, conta connosco.
4 – Jesus conta connosco mas não contemos com a vida facilitada. Aliás, sublinhe-se desde logo, quem segue um caminho de honestidade e de trabalho cedo descobrirá escolhos e inimigos. Não se pode agradar a toda a gente. «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».
Jesus anuncia tempos conturbados: o Filho do homem terá sofrer muito, será rejeitado pelos anciãos, pelos sumos-sacerdotes e pelos escribas; será morto e ressuscitará três dias depois. O sucesso da Sua missão não se vê claramente. Com clareza vê-se que o prosseguimento da Sua missão, do Seu amor, O levará muito rapidamente à morte.
A contestação de Pedro é expressiva. Depois da sua confissão de fé, não entende que o desfecho não seja de todo positivo e atraente. É o fim das expetativas dos discípulos. E eles que pensavam que o reino de Deus seria imposto sem baixas e sem sofrimento, sem custo e sem esforço! E afinal vai custar pelo menos a vida do Mestre.
E para que não restem dúvidas, as palavras de Jesus a Pedro são clarificadoras: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens»...
5 – Perante as palavras de Jesus, não cabem respostas evasivas. Importa responder com a nossa vida. O caminho pode apresentar dificuldades, mas Ele está do nosso lado. E se está por nós, ninguém nos poderá separar do Seu amor. No sofrimento, na doença, na fragilidade, o que precisamos, muitas vezes, não é que sofram por nós ou nos tirem todas as dores, ou anulem a nossa sensibilidade, mas que possamos contar com um olhar confiante e confidente e nos garantam que não estamos sós, que não nos abandonam, que nos compreendem e que sabem da nossa vulnerabilidade e a aceitam como caminho.
A Palavra de Deus não promete vida fácil, mas promete a presença permanente de Deus. O Seu olhar não se desviará do nosso, como na Cruz não se desprendeu da Mãe e não se desprendeu do Pai e não se desprendeu de nós. Por isso Ele nos dá Maria por Mãe, para que no seu olhar maternal descubramos e encontremos o olhar confiante e confidente de Deus e a certeza que nem a morte destruirá a nossa vida. Como rezamos com o salmo: “Livrou da morte a minha alma, das lágrimas os meus olhos, da queda os meus pés. Andarei na presença do Senhor, sobre a terra dos vivos... O Senhor guarda os simples: estava sem forças e o Senhor salvou-me”.
Ou como visualiza o profeta Isaías:
Jesus anuncia tempos conturbados: o Filho do homem terá sofrer muito, será rejeitado pelos anciãos, pelos sumos-sacerdotes e pelos escribas; será morto e ressuscitará três dias depois. O sucesso da Sua missão não se vê claramente. Com clareza vê-se que o prosseguimento da Sua missão, do Seu amor, O levará muito rapidamente à morte.
A contestação de Pedro é expressiva. Depois da sua confissão de fé, não entende que o desfecho não seja de todo positivo e atraente. É o fim das expetativas dos discípulos. E eles que pensavam que o reino de Deus seria imposto sem baixas e sem sofrimento, sem custo e sem esforço! E afinal vai custar pelo menos a vida do Mestre.
E para que não restem dúvidas, as palavras de Jesus a Pedro são clarificadoras: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens»...
5 – Perante as palavras de Jesus, não cabem respostas evasivas. Importa responder com a nossa vida. O caminho pode apresentar dificuldades, mas Ele está do nosso lado. E se está por nós, ninguém nos poderá separar do Seu amor. No sofrimento, na doença, na fragilidade, o que precisamos, muitas vezes, não é que sofram por nós ou nos tirem todas as dores, ou anulem a nossa sensibilidade, mas que possamos contar com um olhar confiante e confidente e nos garantam que não estamos sós, que não nos abandonam, que nos compreendem e que sabem da nossa vulnerabilidade e a aceitam como caminho.
A Palavra de Deus não promete vida fácil, mas promete a presença permanente de Deus. O Seu olhar não se desviará do nosso, como na Cruz não se desprendeu da Mãe e não se desprendeu do Pai e não se desprendeu de nós. Por isso Ele nos dá Maria por Mãe, para que no seu olhar maternal descubramos e encontremos o olhar confiante e confidente de Deus e a certeza que nem a morte destruirá a nossa vida. Como rezamos com o salmo: “Livrou da morte a minha alma, das lágrimas os meus olhos, da queda os meus pés. Andarei na presença do Senhor, sobre a terra dos vivos... O Senhor guarda os simples: estava sem forças e o Senhor salvou-me”.
Ou como visualiza o profeta Isaías:
“O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio e por isso não fiquei envergonhado… O meu advogado está perto de mim. Pretende alguém instaurar-me um processo? Compareçamos juntos. Quem é o meu adversário? Que se apresente! O Senhor Deus vem em meu auxílio. Quem ousará condenar-me?”A certeza que Deus vem salvar-nos, anima-nos a caminhar, conforta-nos, atrai-nos, puxa-nos para a frente e para cima. Compromete-nos. Abre-nos a Céu. Ilumina o nosso esforço e o nosso olhar. Não nos deixa desistir.
Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
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sábado, 18 de agosto de 2012
XX Domingo do Tempo Comum - B - 19 de agosto
1 – O maior DOM de Deus à humanidade é JESUS CRISTO. Deus faz-Se homem no seio da Virgem Imaculada, pela graça do Espírito Santo, e assume a nossa humanidade, no tempo e prepara-nos para a eternidade.
Ele é o pão que desce do Céu. E o pão que Ele nos dá é a Sua carne, o Seu Corpo, a Sua vida por inteiro. Retomando o Salmo 40, a epístola aos Hebreus ilumina o DOM que é o Corpo de Jesus. “Tu não quiseste sacrifício nem oferenda, mas preparaste-me um corpo. Não te agradaram holocaustos nem sacrifícios pelos pecados. Então, Eu disse: Eis que venho... para fazer, ó Deus, a tua vontade... Suprime, assim, o primeiro culto, para instaurar o segundo. E foi por essa vontade que nós fomos santificados, pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre” (Heb 10, 1-10).
O cordeiro pascal agora é Jesus Cristo, que Se sacrifica pela humanidade inteira e de uma vez para sempre. Não mais holocaustos ou sacrifícios de animais, mas CRISTO.
Adensa-se o clima.
2 – A primeira leitura convida ao alimento, que é corporal, mas que aponta para o mundo espiritual, um pão que sacia a fome e que anima o espírito para caminhar.
O alimento que Deus nos dá há de orientar-nos para o bem, dando sentido às nossas escolhas, fundamentando a nossa esperança, cuidando do nosso peregrinar.
Nos domingos anteriores, as primeiras leituras, retiradas do Antigo Testamento, apresentavam o alimento como dom de Deus, que dá o pão e o ânimo (alma). Eliseu, reza sobre os pães e distribuiu-os pelos presentes, e do pouco pão se multiplica para muitos, relembrando a passagem do Evangelho da multiplicação dos pães. O povo que caminha pelo deserto é atendido nas suas murmurações, e Deus dá-lhe alimento, o maná e as codornizes, o pão descido do céu. O povo, na certeza que Deus o escuta, caminha doravante mais confiante. Elias, que vagueia pelo deserto, desanimado, pedindo a morte a Deus, é surpreendido pela presença do Anjo do Senhor, que o desperta, lhe oferece o alimento e o desafia a caminhar.
3 – Nestes domingos que temos vindo a escutar o quarto evangelho, Jesus apresenta-Se despudoradamente como o PÃO da VIDA, o verdadeiro alimento que vem de Deus. É a água que sacia. É o Pastor que guarda, protege e guia. É o pão descido do Céu. E o pão que nos dá é a Sua carne, o Seu sangue, o Seu corpo, a Sua vida por inteiro.
E se verdadeiramente O acolhemos como alimento, todo o nosso ser se abrirá à Sua graça infinita. Não estamos sós. Nunca mais. Ele está connosco. Do nosso lado. Veio para ficar. Deixa-nos o Seu corpo, a Sua vida. Não Se divide em dois, nem no tempo nem na eternidade. Não se reparte em metades, uma junto de Deus e outra junto de nós. Ele está realmente nos Sacramentos e especialmente no Sacramento da Caridade, na Eucaristia, neste memorial de vida eterna.
Uma comparação entre a presença de Cristo na cruz e na Eucaristia, que nos foi relembrada numa recente pregação, pode ajudar-nos a compreender o grande mistério do Pão que se nos dá como Corpo de Cristo. Nos crucifixos vemos Jesus Cristo mas Ele não está (o crucifixo é apenas uma imagem). Na Eucaristia não Se vê mas Ele está realmente presente, como o está nos outros Sacramentos, pela força do Espírito Santo.
4 – Se verdadeiramente acolhemos Jesus Cristo como o verdadeiro Pão que Deus nos dá, ALIMENTO de salvação, então a nossa vida muda. Muda como quando gostamos de alguém e queremos ser-lhe agradáveis, fazendo muitas vezes não o que mais gostamos e nos é mais fácil, mas o que sabemos ser do agrado da pessoa amada, que queremos fazer feliz. É isso que define e autentica o amor. Não amo o outro para ele me fazer feliz, mas quando amo o outro tudo faço para que ele seja feliz.
A Palavra de Deus faz-nos passar rapidamente do alimento para o compromisso. Comemos para trabalhar. Alimentamo-nos para vivermos, para caminharmos. Em sentido espiritual, o alimento que é Cristo há de levar-nos a agir como Ele agiu, a amar como Ele amou, a sermos parte do Seu Corpo, a darmo-nos como Ele Se nos deu.
“Guarda do mal a tua língua e da mentira os teus lábios. Evita o mal e faz o bem, procura a paz e segue os seus passos”. Como no Salmo, saboreamos a presença de Deus em nós e, por conseguinte, evitamos todo o mal e perseguimos todo o bem.
Do mesmo jeito, o apóstolo São Paulo, mostra-nos como nos configurarmos ao Corpo de Cristo, que é a Igreja e do qual somos membros:
Ele é o pão que desce do Céu. E o pão que Ele nos dá é a Sua carne, o Seu Corpo, a Sua vida por inteiro. Retomando o Salmo 40, a epístola aos Hebreus ilumina o DOM que é o Corpo de Jesus. “Tu não quiseste sacrifício nem oferenda, mas preparaste-me um corpo. Não te agradaram holocaustos nem sacrifícios pelos pecados. Então, Eu disse: Eis que venho... para fazer, ó Deus, a tua vontade... Suprime, assim, o primeiro culto, para instaurar o segundo. E foi por essa vontade que nós fomos santificados, pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre” (Heb 10, 1-10).
O cordeiro pascal agora é Jesus Cristo, que Se sacrifica pela humanidade inteira e de uma vez para sempre. Não mais holocaustos ou sacrifícios de animais, mas CRISTO.
Adensa-se o clima.
“Os judeus discutiam entre si: «Como pode ele dar-nos a sua carne a comer?»… «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós… A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e eu nele... Este é o pão que desceu do Céu; não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram: quem comer deste pão viverá eternamente»”.Ele dá-nos o Seu corpo, a Sua vida, para nossa salvação, para que tenhamos a vida em abundância, até à vida eterna.
2 – A primeira leitura convida ao alimento, que é corporal, mas que aponta para o mundo espiritual, um pão que sacia a fome e que anima o espírito para caminhar.
Atente-se na clareza do texto: o pão (e o vinho), símbolo de todo o alimento, não é apenas pão, é mais que pão. Releia-se: Vinde comer... deixai a insensatez e vivereis, segui o caminho da prudência!“A Sabedoria edificou a sua casa e levantou sete colunas. Abateu os seus animais, preparou o vinho e pôs a mesa. Enviou as suas servas a proclamar nos pontos mais altos da cidade: «Quem é inexperiente venha por aqui». E aos insensatos ela diz: «Vinde comer do meu pão e beber do vinho que vos preparei. Deixai a insensatez e vivereis; segui o caminho da prudência»”.
O alimento que Deus nos dá há de orientar-nos para o bem, dando sentido às nossas escolhas, fundamentando a nossa esperança, cuidando do nosso peregrinar.
Nos domingos anteriores, as primeiras leituras, retiradas do Antigo Testamento, apresentavam o alimento como dom de Deus, que dá o pão e o ânimo (alma). Eliseu, reza sobre os pães e distribuiu-os pelos presentes, e do pouco pão se multiplica para muitos, relembrando a passagem do Evangelho da multiplicação dos pães. O povo que caminha pelo deserto é atendido nas suas murmurações, e Deus dá-lhe alimento, o maná e as codornizes, o pão descido do céu. O povo, na certeza que Deus o escuta, caminha doravante mais confiante. Elias, que vagueia pelo deserto, desanimado, pedindo a morte a Deus, é surpreendido pela presença do Anjo do Senhor, que o desperta, lhe oferece o alimento e o desafia a caminhar.
3 – Nestes domingos que temos vindo a escutar o quarto evangelho, Jesus apresenta-Se despudoradamente como o PÃO da VIDA, o verdadeiro alimento que vem de Deus. É a água que sacia. É o Pastor que guarda, protege e guia. É o pão descido do Céu. E o pão que nos dá é a Sua carne, o Seu sangue, o Seu corpo, a Sua vida por inteiro.
E se verdadeiramente O acolhemos como alimento, todo o nosso ser se abrirá à Sua graça infinita. Não estamos sós. Nunca mais. Ele está connosco. Do nosso lado. Veio para ficar. Deixa-nos o Seu corpo, a Sua vida. Não Se divide em dois, nem no tempo nem na eternidade. Não se reparte em metades, uma junto de Deus e outra junto de nós. Ele está realmente nos Sacramentos e especialmente no Sacramento da Caridade, na Eucaristia, neste memorial de vida eterna.
Uma comparação entre a presença de Cristo na cruz e na Eucaristia, que nos foi relembrada numa recente pregação, pode ajudar-nos a compreender o grande mistério do Pão que se nos dá como Corpo de Cristo. Nos crucifixos vemos Jesus Cristo mas Ele não está (o crucifixo é apenas uma imagem). Na Eucaristia não Se vê mas Ele está realmente presente, como o está nos outros Sacramentos, pela força do Espírito Santo.
4 – Se verdadeiramente acolhemos Jesus Cristo como o verdadeiro Pão que Deus nos dá, ALIMENTO de salvação, então a nossa vida muda. Muda como quando gostamos de alguém e queremos ser-lhe agradáveis, fazendo muitas vezes não o que mais gostamos e nos é mais fácil, mas o que sabemos ser do agrado da pessoa amada, que queremos fazer feliz. É isso que define e autentica o amor. Não amo o outro para ele me fazer feliz, mas quando amo o outro tudo faço para que ele seja feliz.
A Palavra de Deus faz-nos passar rapidamente do alimento para o compromisso. Comemos para trabalhar. Alimentamo-nos para vivermos, para caminharmos. Em sentido espiritual, o alimento que é Cristo há de levar-nos a agir como Ele agiu, a amar como Ele amou, a sermos parte do Seu Corpo, a darmo-nos como Ele Se nos deu.
“Guarda do mal a tua língua e da mentira os teus lábios. Evita o mal e faz o bem, procura a paz e segue os seus passos”. Como no Salmo, saboreamos a presença de Deus em nós e, por conseguinte, evitamos todo o mal e perseguimos todo o bem.
Do mesmo jeito, o apóstolo São Paulo, mostra-nos como nos configurarmos ao Corpo de Cristo, que é a Igreja e do qual somos membros:
“Não vivais como insensatos, mas como pessoas inteligentes. Aproveitai bem o tempo, porque os dias que correm são maus… procurai compreender qual é a vontade do Senhor. Não vos embriagueis… mas enchei-vos do Espírito Santo,… dando graças, por tudo e em todo o tempo, a Deus Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”.O alimento corporal é essencial, mas essencial é também a vida, a graça de Deus, a sabedoria, a companhia, a beleza, a presença dos irmãos, sentirmo-nos parte de algo maior e mais duradouro. Como é bom e belo e agradável sermos Corpo de Cristo.
Textos para a Eucaristia (ano B): Prov 9,1-6; Sl 33 (34); Ef 5,15-20; Jo 6,51-58.
Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço
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