A terceira Carta Encíclica de Bento XVI empresta o título a este blogue. A Caridade na Verdade. Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas só esta entra na eternidade com Deus. Espaço pastoral de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo, de portas abertas para a Igreja e para o mundo...
sábado, 13 de setembro de 2014
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
terça-feira, 9 de setembro de 2014
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
BENTO XVI - A Oração Cristã
BENTO XVI (2012). A Oração Cristã. Braga: Editorial Franciscana. 128 páginas.
Ao longo do ano de 2011, o papa Bento XVI dedicou as catequeses das Audiências Gerais, das quartas-feiras, à oração: "Depois das catequeses sobres os Padres da Igreja, sobre os grandes teólogos da Idade Média, sobre as grandes mulheres, escolhemos um tema muito querido a todos nós: é o tema da oração, de modo específico da cristã, ou seja, a prece que Jesus nos ensinou e que a Igreja continua a ensinar-nos. Com efeito, é em Jesus que o homem se torna capaz de se aproximar de Deus com a profundidade e a intimidade da relação da paternidade e filiação... é preciso aprender a rezar, quase adquirindo esta arte sempre de novo; mesmo aqueles que são muito avançados na vida espiritual sentem a necessidade de se pôr na escola de Jesus para aprender a rezar autenticamente".
A Sagrada Escritura exemplifica como os grandes líderes são também homens orantes: Abraão, Jacob, Moisés, David, Jesus Cristo. Sem esquecer a Mãe de Jesus. Com efeito, a oração de Jesus reassume o Fiat de Maria. Conhecer o Pai, implica identificar-Se com Ele, fazer a Sua vontade.
- As diferentes catequeses:
- A oração dos Antigos
- Oração e sentido religioso
- A intercessão de Abraão por Sodoma
- Luta noturna e encontro com Deus (Jacob-Israel)
- A intercessão de Moisés pelo povo
- Profetas e orações em confronto
- O povo de Deus que reza: os Salmos
- A meditação
- Arte e Oração
- "Levanta-te, Senhor, e salva-me!" Salmo 3
- "Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?" Salmo 22 (21)
- "O Senhor é meu Pastor, nada me faltará" Salmo 23
- "Grandes coisas fez por mim o Senhor" Salmo 126
- O "Grande Hallel" Salmo 136 (135)
- O grande cântico da Lei. Salmo 119 (118)
- O Rei Messias. Salmo 110 (109)
- A oração atravessa toda a vida de Jesus
- A jóia do Hino de Júbilo
- A oração diante da ação benéfica e curadora de Deus.
Em cada uma das catequeses, o papa Bento XVI faz-nos sentir próximos de Jesus, mostrando nas diversas formas de oração, como elas nos podem identificar com Jesus. Por sua vez, Jesus é o grande oração, cuja oração nunca é interrompida, aproximando-O das pessoas. A oração mostra a intimidade com o Pai e a força que n'Ele se manifesta. É uma oração curativa. Nos momentos mais importantes e significativos da vida de Jesus, a oração estende-se pela noite.
Jesus ensina-nos a rezar, para que a vontade do Pai se realize em nós e através de nós.
Bento XVI, de forma simples e didática convoca-nos à oração: dos salmos, leitura e meditação da Palavra de Deus, nomeadamente dos Evangelhos, meditação > ruminação. Como em outros momentos, o recurso a exemplos, no diálogo com a contemporaneidade, mas fazendo memória da cultura, da arte, da civilização.
sábado, 6 de setembro de 2014
XXIII Domingo do Tempo Comum - ano A - 7 de setembro
1 – "Antes quebrar que torcer". Este popular provérbio, de origem desconhecida, usado numa das cartas de Sá de Miranda (1481-1558), tem, como outras máximas, um sentido positivo e um sentido negativo. Pode revelar uma teimosia inútil e infantil, recolhendo-se na própria ignorância, na inabalável certeza de se ser dono da verdade, numa ambição desmedida e egoísta que tem em conta apenas as próprias ideias e interesses. Por outro lado, poderá significar a força de vontade perante as adversidades e contratempos. Não desistir da vida. Não desistir de procurar uma vida melhor, com justiça e verdade, lutando pelos próprios direitos e pelos direitos dos outros. Ir à procura de soluções e de respostas sem baixar os braços e mesmo no meio da intempérie ser capaz de ver o sol para lá das nuvens.
A mentalidade atual inclina-se perigosamente para um sentido negativo: a nossa vida sem os outros. Quando os outros não estão por nós, há que colocar um travão. O muro de Berlim caiu, mas levantaram-se muitos outros muros, como o de Jerusalém, muitas barreiras culturais, religiosas, políticas, sexistas, ideológicas, que nos afastam e fazem que em vez de irmãos sejamos efetivamente inimigos.
Nas relações pessoais, familiares, na relação patrão-empregado (e vice-versa), num grupo ou associação, quando chegam as primeiras arrelias vai cada um para seu lado. Obviamente que não é de hoje. Ao longo da história da humanidade e, concretamente, na vida da Igreja, essas cisões acontecerem, pese embora os esforços em sentido contrário.
Jesus Cristo convida-nos a um sentido positivo, inclusivo, acentuando a caridade e o perdão. Devemos combater o pecado, mas procurar, sempre, salvar o pecador, pois este é Filho de Deus. Certo será que como os pais, Deus tudo fará para reconciliar todos os que andam desavindos. E com Ele também nós temos esta tarefa.
2 – Vejamos o texto do Evangelho:
«Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano… Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».
Desistimos de muitas coisas, por preguiça ou por cansaço. Desistimos facilmente das pessoas. Chateiam-nos? Então que sigam outro caminho. Nós seguiremos tranquilamente o nosso caminho, procurando que os espinhos não manchem a harmonia da nossa vida. Como se isso fosse possível! Com efeito, as pedras que encontramos no caminho podem ajudar-nos a ir mais longe, a subir mais alto, se as utilizarmos como degraus e não como tropeço. “Se encontrares um caminho sem obstáculos, provavelmente não leva a nenhum lugar” (Frank A. Clark).
A REDENÇÃO só é possível pela CARIDADE traduzível e concretizável no PERDÃO.
Não se pode desistir do outro só porque nos ofendeu, ou porque não vamos com a sua cara. Não é cristão. Ser cristão é seguir as pegadas de Jesus, o seu jeito de DIZER e de FAZER. As Sua palavras são autoritárias pois realizam o que prometem. Brotam do coração. São a Sua vida. Os seus gestos trazem a autenticidade do Seu amor por nós. Há de ir tão longe quanto possível. Até à última gota de sangue. Mesmo nos momentos finais, de angústia, Ele tem o discernimento e a força para perdoar – Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem –; a grandeza para nos confiar Maria por Mãe, e a benevolência para nos entregar com Ele ao Pai.
Perdoar não é esquecer o mal feito, é aceitar o outro com as suas fragilidades e reconhecer que também nós somos barro e, mesmo que não seja intencional, podemos magoar os outros.
Há que esgotar todas as possibilidades de reconciliação, na certeza que a rutura ainda que seja entre duas pessoas envolve toda a comunidade, pois destrói o tecido que nos une a todos como irmãos.
Quando dois ou três se reunirem em nome de Jesus, Ele estará no meio deles. A Oração torna-nos irmãos, une-nos a Deus. Em Deus somos irmãos. A oração dispõe-nos ao perdão, deixando-nos transformar pelo amor, autorizando que Deus nos resgate de toda a divisão, de todo o mal.
3 – Somos RESPONSÁVEIS PELOS OUTROS no bem e no mal (Ezequiel):
Eis o que diz o Senhor: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte. Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte. Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida».
Se Jesus refere a necessidade de não desistir da pessoa que nos ofendeu, também Ezequiel visualiza a responsabilidade que temos para com aquele que se transviou dos caminhos do Senhor. Deus pedir-nos-á conta se lavamos as mãos, como Pilatos. Já no Génesis, Deus, bom e compassivo, perdoa e resgata Caim, mas responsabiliza-o pela morte do irmão.
Quando Deus pergunta a Caim pelo irmão Abel, a contra pergunta é sintomática: «Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). Quantas vezes também nós fizemos ou fazemos esta pergunta? Serei responsável pelas asneiras dos outros? Terei que pagar pelos seus pecados? Se ele está no erro, por que é que me hei de estar a chatear?
As palavras de Deus são inequívocas: pedir-te-ei contas! A nossa missão não é obrigar o outro, mas mostrar, em palavras e com a vida, o caminho que leva à felicidade, ao bem, a Deus.
4 – A nossa responsabilidade pelos outros deriva da CARIDADE que nos vem de Jesus. Seguindo-O, a nossa vida terá que se caracterizar pela compaixão, misericórdia, perdão, pela procura da justiça e da verdade, pelo compromisso com a dignidade de cada pessoa. Sou responsável pelo meu irmão, especialmente pelo irmão desprotegido, desventurado.
Vejamos a belíssima página de São Paulo:
Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros, pois, quem ama o próximo, cumpre a lei. De facto, os mandamentos que dizem: «Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás», e todos os outros mandamentos, resumem-se nestas palavras: «Amarás ao próximo como a ti mesmo». A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei.
Que mais acrescentar? Caridade. Caridade. Caridade. Como bem resumiu Santo Agostinho: Ama e faz o que quiseres. O amor aperfeiçoa todas as leis que abençoam e protegem.
Pe. Manuel Gonçalves
Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Gianfranco RAVASI - Quem és TU Senhor?
GIANFRANCO RAVASI (2013). Quem és TU Senhor? Encontros e desencontros com o Homem que mudou a História. Prior Velho: Paulinas Editora. 144 páginas.
Belíssima leitura do Cardeal Gianfranco Ravasi, centrando-se em Jesus Cristo. Os encontros e desencontros com o Crucificado Ressuscitado. A identidade de Jesus. O ambiente que que nasceu e cresceu. A linguagem utilizada no anúncio da Boa Nova. Anúncio de uma grande Alegria.
Na primeira parte, as Aparições da Páscoa; o encontro com os discípulos de Emaús e como os olhos se abrem; o Cordeiro imolado; o encontro/desencontro com o Cônsul Pilatos, governador da Judeia. Na segunda parte, a identidade de Jesus, segundo São Lucas; as duas genealogias de Jesus e as preocupações que estão na sua base; a intrução de Jesus, saberia ler e escrever - numa terra de quatro línguas (latim, grego, hebraico e aramaico - o mais provável é que Jesus fosse bilingue (hebraico e aramaico); Jesus como Messias, aceite por novos movimentos, que o consideram Messias mas não filho de Deus, pelo que partilham o património comum até ao Concílio de Niceia; o celibato de Jesus como vocação. Na terceira parte, o Anunciador da Alegria, com o seu perfil de comunicador, acentuando-se as parábolas, os milagres, o diálogo/discussão alguns grupos de judeus, palavras envolventes que desafiam, interpelam, provocam, abençoam, curam, expulsam demónios. A concluir, o envio dos discípulos "obrigados" a tornar visível a fé, o Evangelho, em palavras e em obras, testemunhando. O testemunho não é uma qualquer publicitação egoísta, mas luz que há de transparecer para o mundo.
A leitura abre o nosso horizonte, permitindo-nos não apenas conhecer uma pessoa, um acontecimento, mas enriquecendo o nosso vocabulário, para mais facilmente percebermos os outros e para melhor nos fazermos compreender. No caso concreto, para melhor conhecermos Jesus Cristo, como viveu e como as comunidades O experimentaram, e como na atualidade Jesus Cristo (e o Cristianimo) continua a ser uma Pessoa que desafia, provoca, renova, converte, nos faz ter vontade de O imitar, com coragem e humildade.
De forma simples, quase poética, o autor leva-nos ao encontro de Jesus, para que n'Ele descubramos a nossa condição de filhos de Deus e nos comprometamos como irmãos. Um dos temas também presentes é a relevância de Cristo e do cristianismo nesta Europa descristianizada, mas cujos elementos estruturantes, e identificação da Europa se encontram muito vincados, além das divisões políticas e económicas e pese embora alguns estados se manifestarem contra os sinais que evocam a nossa origem, a nossa cultura, comum, e nos aproximam como irmãos.
Sobre o tema do Cristianismo na Europa vale a pena ler também: CHRISTOPH SCHÖNBORN (2014). Cristo na Europa. Uma fecunda interrogação.
Do mesmo autor também recomendámos: O que é o Homem? Sentimentos e laços humanos na Bíblia.
A leitura abre o nosso horizonte, permitindo-nos não apenas conhecer uma pessoa, um acontecimento, mas enriquecendo o nosso vocabulário, para mais facilmente percebermos os outros e para melhor nos fazermos compreender. No caso concreto, para melhor conhecermos Jesus Cristo, como viveu e como as comunidades O experimentaram, e como na atualidade Jesus Cristo (e o Cristianimo) continua a ser uma Pessoa que desafia, provoca, renova, converte, nos faz ter vontade de O imitar, com coragem e humildade.
De forma simples, quase poética, o autor leva-nos ao encontro de Jesus, para que n'Ele descubramos a nossa condição de filhos de Deus e nos comprometamos como irmãos. Um dos temas também presentes é a relevância de Cristo e do cristianismo nesta Europa descristianizada, mas cujos elementos estruturantes, e identificação da Europa se encontram muito vincados, além das divisões políticas e económicas e pese embora alguns estados se manifestarem contra os sinais que evocam a nossa origem, a nossa cultura, comum, e nos aproximam como irmãos.
Sobre o tema do Cristianismo na Europa vale a pena ler também: CHRISTOPH SCHÖNBORN (2014). Cristo na Europa. Uma fecunda interrogação.
Do mesmo autor também recomendámos: O que é o Homem? Sentimentos e laços humanos na Bíblia.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
EVA SCHOLOSS - A Rapariga de AUSCHWITZ
EVA SCHOLOSS, com Karen Bartlett (2014). A Rapariga de Auschwitz. Barcarena: Marcador Editora. 282 páginas.
Meia-irmã póstuma de Anne Frank, a autora desta história de vida, Eva Schloss, conta, a partir da sua experiência pessoal e da sua família, a experiência terrível dos campos de concentração, os antecedentes e como a vida, com as marcas do sofrimento e da perda de familiares e amigos, se foi refazendo aos poucos. Os acontecimentos marcantes da infância e da juventude e a militância por uma causa, para que no presente e no futuro, a descriminação por motivos de pele, de nacionalidade, de religião, de opção de vida, não se torne no tormento que foi a guerra liderada por Hitler e pelo regime nazi, cuja Solução Final era eliminar os judeus da face da terra. Pouco a pouco os campos de concentração levaram à morte milhares de pessoas inocentes, mulheres, homens e crianças, escolhidos (quase) aleatoriamente para morrerem primeiro, ou por que eram muito novos ou muito doentes para trabalhar, ou por que levantaram a cabeça ou ousaram perguntar alguma coisa. O motivo principal e único: ser judeu.
Eva Schloss (que viria a casar com Zvi Schloss, de quem adoptou o apelido), encontrou-se com Anne Frank em Amesterdão, na Holanda, depois de ter saído da Áustria, sua terra natal, com a família, já sob a perseguição e ameaça nazi. Viviam perto da família de Anne Frank. Não eram amigas especiais, mas encontraram-se com idades muito próximas, 15 anos, sendo a Anne um mês mais velha, embora esta, reconhece a autora, parecesse mais senhora do seu nariz. Tinham amigos comuns. As famílias viviam com a mesma esperança de viverem num jardim que os protegeria das investidas nazis. Mas a Holanda não aguentou a invasão. Escondendo-se em casa de amigos, mas uma e outra família foram traídas e entregues às autoridades.
Anne Frank viria a morrer em Auscwitz-Birkenau, juntamente com a irmã, poucos dias antes da libertação. A mãe de Anne Frank morreu um pouco antes. Sobreviveu-lhes o pai, Otto Frank. Da parte da família de Eva, o pai e o irmão morreram, também pouco antes da libertação.
Entretanto chega a hora a libertação, Eva cruza-se com Otto Frank, muito reservado e abatido pela morte das suas filhas. No regresso a Amesterdão voltam a encontrar-se e pouco a pouco Otto passa a ser uma visita habitual da casa. O pai de Anne Frank e a mãe de Eva compreendem-se, reconfortam-se na dor e na perda dos seus familiares. Mutti - a mãe de Eva - vai estar muito envolvida na publicação e divulgação do Diário de Anne Frank, colaborando com Otto, com quem se casa pouco depois da filha Eva se casar.
Como apontamento da capa deste livro, a Rapariga de Austchwitz começa onde o Diário de Anne Frank termina, pois aqui a história e as vidas continuam. A autora herda a máquina fotográfica Leica com a qual Otto tirava fotos às filhas. Por um momento da sua vida dedicar-se-á à fotografia, depois às antiguidades, e finalmente, o que mudou a sua vida, dedica-se à causa de Anne Frank, contando a sua própria experiência, não tanto para desenterrar o passado mas para deste ajudar no presente e no futuro a eliminar a intolerância, as injustiças, a descriminação.
É uma leitura envolvente desde logo por nos colocar dentro dos acontecimentos que feriram os judeus, diretamente, mas toda a civilização ocidental.
(Anne Frank; Eva Geiringer; Eva ao colo da mãe e com o irmão)
«Filhos, prometo-vos isto», disse o meu pai: «Tudo o que fazem deixa algo para trás; nada se perde. Todo o bem que praticarem continuará nas vidas das pessoas que tocaram. Fará a diferença para alguém, em algum lugar, algum dia, e os vossos atos serão continuados. Tudo está ligado como uma corrente que não pode ser quebrada» (p 13)
"Há sempre esperança... as circunstâncias da vida mudarão sempre - às vezes para melhor, outras para pior. Nada se mantém na mesma..." (p 163)
"Viver a vida num mundo ao qual todos podem «pertencer» não é um ideal altruísta aos meus olhos - tem sido sempre uma das maiores e mais perturbadoras questões da minha vida...
Comecei a minha vida na Áustria, tornei-me uma refugiada apátria, e depois vi-me reduzida a um número, dolorosamente tatuado no antebraço. Depois da guerra, os Aliados decidiram que os judeus não deveriam ser tratados como um grupo separado e que deveriam ser de novo designados como «austríacos» (curiosamente, fomos agrupados com os mesmos nazis que nos tinham perseguido e considerados «inimigos estrangeiros»). Nunca obtive a cidadania holandesa e, alguns anos mais tarde, acabei por morar em Inglaterra, onde jamais imaginei que me casaria e teria uma família...
Este livro contou-vos algumas das minhas memórias dessa época, mas as recordações deveriam ocupar um lugar menor no mundo, pois o importante é mudar as coisas para melhor" (p. 276)
Paróquia de Tabuaço | Catequese Paroquial | 2013-2014
A catequese é um dos movimentos mais constantes e mais expressivo na vida da comunidade paroquial de Nossa Senhora da Conceição, com as diversas celebrações, atividades pastorais, envolvência de pais, e outros familiares, avós, tios, padrinhos, irmãos, crianças, adolescentes e jovens, catequistas.
Quando nos encontramos a alguma distância temporal do início de novo ano catequético, relembramos o ano anterior com uma seleção de imagens com as festas da catequese e/ou litúrgicas em que a catequese esteve diretamente empenhada, sem esquecer a participação na Semana Santa ou a Festa da Imaculada Conceição, que têm os seus vídeos próprios e os seus álbuns.
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sábado, 30 de agosto de 2014
XXII Domingo do Tempo Comum - ano A - 31 de agosto
1 – E vós que dizeis que Eu sou? Pergunta essencial que Jesus nos faz sobre o testemunho que estamos dispostos a dar, identificando-nos com Ele e permitindo que Ele transpareça em nós, através de nós, diante de todas as pessoas que encontramos.
Pedro, como víamos, responde também por nós. Tu és o Messias, o Filho de Deus. Isto é, não és um dos profetas, és o Messias de Deus, és único para mim. Seguir-Te-ei por onde fores.
Tu és Pedro, pedra, sobre ti edificarei a minha Igreja. Recordava o nosso Bispo, D. António Couto, que aquela pedra, que é Pedro, é frágil, esburacada, alcofa, berço, para nele e através dele, e também em nós e através de nós, Cristo possa agir no mundo.
A profissão de fé de Pedro é reveladora. Mas a consciência do que acaba de dizer parece não ter ainda a consistência do seguimento, a luz da fé que brotará com toda a força na Ressurreição de Jesus Cristo.
O Mestre vai prevenindo os seus discípulos para que não se deixam iludir por facilidades. Ele é o Messias, o Enviado de Deus, mas não dispensa ninguém de trabalhar, de fazer o seu próprio caminho. Ele é Guia, mas não nos substitui os pés, a vontade. Teremos que viver a nossa vida, enfrentando os dias bons e os dias nebulosos. Ele estará sempre connosco. Sempre de mão estendida para não nos deixar afundar. Esta confiança que nos vem da fé ajuda-nos a encarar as intempéries que advirão pelo caminho.
O Filho do Homem, que é também o Filho de Deus, vai sofrer. Vai passar as passas do Algarve, vai ser entregue às autoridades e será morto. No entanto, não há que se deixar afugentar pela morte, pois a ressurreição, três dias depois, trará a vitória do amor, da entrega, a vitória de Deus sobre o mal, a injustiça, o sofrimento.
2 – Quando nos dão uma má notícia deixamos de ter disponibilidade para boas notícias. Os discípulos já não ouvem Jesus a falar de ressurreição e logo Pedro O contesta, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há de acontecer!».
Jesus volta-Se para Pedro e diz-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens». E logo para todos os discípulos, que hoje somos nós: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? O Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras».
Aí estão as linhas de orientação para sermos verdadeiramente discípulos, seguidores de Jesus. Seguir atrás do Mestre. Quando queremos ir à frente, ou sem Jesus Cristo e o Seu Evangelho de amor e de perdão, corremos o risco de perder a vida em vão. É preciso sermos aquela pedra frágil cuja força nos vem do alto, de Jesus Cristo, pelo Espírito Santo. Precisamos de não impedir que Deus trabalhe em nós e através de nós. Podemos ter o mundo inteiro nas mãos, mas se nos faltar a caridade, faltar-nos-á a própria vida, como dom partilhável. Precisamos de GASTAR a vida a favor dos outros, a exemplo de Jesus que dá a vida pela humanidade inteira.
3 – Há tantos caminhos quantas as pessoas. Resposta do então Cardeal Joseph Ratzinger, em Sal da Terra (1996), quando lhe perguntaram quantos caminhos havia para Jesus Cristo, lembrando que a própria Igreja é definida como caminho de Cristo. Ou Jesus, como único caminho que nos conduz ao Pai.
Dito isto, facilmente se conclui que cada um é chamado a fazer o seu próprio caminho. Mas não estamos sós. A reprimenda dada a Pedro surge neste contexto. Se queremos passar à frente de Jesus ou prosseguir sem Ele, estaremos sob o domínio de Satanás, diabolizando a nossa ligação com os outros. Há que avançar seguindo Jesus, procurando orientar-nos pelas suas pegadas.
No campo ou na cidade, os pais levam a criança pela mão. Ou, vão à frente (na vida), dando o exemplo pela palavra e pela postura. A criança larga a mão dos pais e pode perder-se se avança demasiado ou se se atrasa e deixa de os ver. Seguimos por um trilho, por entre giestas, arvoredo, e procuramos que os nossos pés pisem onde outros pisaram, ainda que as nossas pegadas sejam nossas. Será mais seguro, pois sabemos que aqueles que nos precederam trilharam caminhos que nos dão segurança, sem nos iludirmos no arvoredo, com o perigo de tropeçarmos numa pedra, ou cairmos em algum buraco, ou irmos diretos a uma ribanceira. Ainda que possamos retomar a caminhada.
Cai neve que cobre por completo o chão que pisamos. Se alguém já passou, nós vamos prosseguindo sabendo onde podemos pisar com segurança. Deslocámo-nos por um caminho que desconhecemos. Nada melhor que uma bússola ou o GPS. Isto mesmo diz Jesus a Pedro. Afasta-te de Mim. Passa para trás. Eu Sou o alfa e o ómega, o Teu Norte. Vem por Mim e serás salvo. A minha Palavra é bússola para o teu peregrinar, o meu Evangelho é o melhor GPS para saberes para onde vais. Chega mais depressa não quem corre mais mas quem sabe para onde ir. Quem se mete em atalhos pode muito bem meter-se numa carga de trabalhos. Seguir no encalço de Jesus dá-nos a confiança para prosseguirmos com alegria, criatividade, segurança, sabendo que encontraremos dificuldades, mas sabendo também que o nosso olhar não se despegará do de Jesus.
Por outro lado, o testemunho dos santos, ou de pessoas luminosas que vamos encontrando nas nossas comunidades, cuja vivência de compromisso com os irmãos, nos leva, ainda hoje, a descobri mais facilmente as pegadas de Jesus. Voltando ao exemplo anterior, seguindo um trilho, se outros forem decalcando as pegadas que encontram, tornam-se mais visíveis para nós.
4 – São Paulo admoesta, ao jeito de Jesus, para que não nos conformemos com o tempo presente, com este mundo, com os nossos interesses, mas em tudo procuremos "o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito", discernindo segundo a vontade de Deus.
Se nos preocuparmos apenas connosco e com o nosso umbigo, conformar-nos-emos com o mundo, deixando-nos transformar por ele. Mas, seguindo Jesus, deveremos gastar a nossa vida para transformar o mundo, oferecendo-nos a nós "mesmos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, como culto espiritual", sob o domínio da misericórdia de Deus. Vivamos à sombra das Suas asas (Salmo)!
Esta é a nossa vocação: fazer com que o nosso caminho, seguindo a vontade de Deus, nos aproxime do caminho que é Jesus Cristo. Se nos faltarem as forças, não temamos pois a nossa vida está unida a Deus, cuja mão nos serve de amparo (Salmo).
Jeremias sente, como Pedro, como Paulo, e como nós, o chamamento de Deus ao qual não pode virar costas, ou fazer de conta. O profeta reconhece as dificuldades do caminhos, mas sabe que não lhe cabe desistir: "Em todo o tempo sou objeto de escárnio, toda a gente se ri de mim; porque sempre que falo é para gritar e proclamar: «Violência e ruína!». E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia".
Por vezes pode ser mais fácil deixar andar, ao sabor do vento. Mas se Ele verdadeiramente nos seduziu, a Sua voz há de ressoar dentro de nós até ao Infinito. Mas também a Sua Mão nos guiará.
Pe. Manuel Gonçalves
Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014
APONTAMENTOS na Voz de Lamego: CONTRA TUDO
O meu bisavô era contrabandista. O meu avô contra-mestre. O meu pai, contrabaixo. Seguindo a tradição também eu teria que ser contra. Sou contra tudo. O que disserem e fizeram eu sou contra.
Pequeno episódio contada por um amigo paroquiano e que se referia a um colega cuja opinião, em todas as matérias, era contra, mesmo antes de explicarem, mesmo que posteriormente até participasse com gosto em tais propostas.
Há pessoas assim, cujo ponto de partida é ser (do) contra. Um pouco como algumas crianças: dizemos sim e elas dizem não, nós dizemos não e elas dizem sim. Como adultos devemos ser como as crianças na sua espontaneidade, mas não infantis. “Ser contra tudo”, por princípio, só por que vem do outro, parece-me um absurdo que nos encerra na estupidez. “Só os estúpidos e os sábios não mudam”, diz um ditado oriental. Sábios talvez ainda não sejamos, não queiramos morrer burros. Estamos cá, neste mundo, para aprender alguma coisa. E contribuirmos para um mundo melhor. De contrário seremos apenas parasitas. Também como cristãos.
Jesus era inclusivo. Para Ele não importa a origem ou a condição da pessoa, homem ou mulher, judeu ou pagão, samaritano ou grego, pobre ou rico. Importante mesmo é que cada pessoa descubra a sua dignidade de filho de Deus e aja como irmão de todos. Jesus vem para nos redimir, para nos reintroduzir na comunhão de Deus, construindo a fraternidade baseada nos laços fortes do amor e da compaixão.
A determinada altura, os discípulos proíbem alguns homens que faziam o bem em nome de Jesus, pois não faziam parte do grupo. Jesus diz-lhes claramente que não é importante o grupo a que pertencem mas o bem que fazem.
Preconceituosamente, muitas vezes para lermos um livro, valorizarmos um projeto, acolhermos uma ideia, perguntamos de quem vem. Queria ler um outro autor, por ser conhecido e muitas vezes referido como possível candidato a Prémio Nobel. A obra escolhida será interessante, mas para mim foi intragável avançar além das 10 a 20 páginas.
A atitude do cristão, mas também de todo bom cidadão, deverá ser de inclusão, generosidade em relação aos outros, humildade em causa própria. Ao jeito de Jesus. O bem que vem dos outros não nos diminui. Numa discussão, que promova a escuta, o respeito, a caridade, é possível enriquecermo-nos mutuamente. Argumentar com alguém não é um mal em si mesmo. Só deixa de ser benéfico quando só nos ouvimos a nós, tornando-nos surdos aos outros. Em vez de pensarmos no que vamos responder, seria de todo interessante ouvirmos com atenção o que o outro tem para dizer, pois por vezes está exatamente a dizer o que diríamos a seguir.
publicado originalmente na Voz de Lamego, n.º 4276, de 19 de agosto de 2014.
Não entrais nem deixais entrar...
"A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. Devemos dar contínuas graças a Deus por vós, irmãos, como é justo, porque a vossa fé faz grandes progressos e o amor de uns pelos outros vai aumentando em todos vós. Assim nós mesmos nos gloriamos de vós nas Igrejas de Deus, por causa da vossa perseverança e da vossa fé, no meio de todas as perseguições e tribulações que suportais" (2 Tes 1, 1-5.11b-12).

Disse Jesus: «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque fechais
aos homens o reino dos Céus: vós não entrais nem deixais entrar os que o
desejam. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque dais volta
ao mar e à terra, para fazerdes um convertido, mas, tendo-o conseguido,
fazeis dele um merecedor da Geena, duas vezes mais do que vós. Ai de
vós, guias cegos, que dizeis: ‘Quem jurar pelo santuário a nada se
obriga; mas quem jurar pelo ouro do santuário tem de cumprir’.
Insensatos e cegos! Que vale mais: o ouro ou o santuário que santifica o
ouro? Dizeis também: ‘Quem jurar pelo altar a nada se obriga; mas quem
jurar pela oferenda que está sobre o altar tem de cumprir’. Cegos! Que
vale mais: a oferenda ou o altar que santifica a oferenda? Na verdade,
quem jura pelo altar jura por tudo o que está sobre ele. E quem jura
pelo Santuário jura por ele e por Aquele que o habita. E quem jura pelo
Céu jura pelo trono de Deus e por Aquele que nele está sentado» ( Mt 23, 13-22).
Optámos, hoje, por colocar dois textos: o primeiro da 2.ª Epístola de São Paulo aos Tessalonissenses e o segundo do Evangelho de São Mateus. São Paulo alegra-se pelos progressos da comunidade. É motivo de louvor e de agradecimento. Apesar das tribulações, a fé aumentou.
No Evangelho, Jesus adverte os fariseus (e naturalmente todos, em algumas situações, poderemos viver em atitude farisaica) para as contradições da vida, o que fazem e o que exigem aos outros. Jesus sublinha o facto de se fecharem à graça de Deus e impedirem que outros usufruam da bondade divina...
sábado, 23 de agosto de 2014
XXI Domingo do Tempo Comum - ano A - 24 de agosto
– Sabes, ouvi uns comentários a teu respeito que me deixaram confuso e aborrecido.
– Ai sim, e são assim tão maus?!
– Preferia não ter ouvido e que não te chegasse aos ouvidos. Mas quero que ouças por mim, antes que alguém distorça ainda mais o que ouvi.
– Mas achas que é importante o que ouviste? A quem é que ouvistes?
– A umas pessoas! Ouvi ao povo!
– Ao povo ou a algumas pessoas?
– Na verdade ouvi a fulano X.
– E achas que é de confiança, dás crédito ao que ele te disse?
– Sim, ele ouviu dizer. Eu acredito nele. É de confiança. Não me ia mentir.
– Então não ouviste em primeira mão?
– Não, mas como mo venderam assim to vendo. E confio em quem me contou.
– E quem lhe contou a ele? Será de confiança? Quem disse isso afinal?
– Não sei, mas sei que quem mo disse merece a minha confiança. Quem lhe disse a ele não sei porque ele não quis dizer. Penso que não iria inventar!
1 – Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Mas poderia acontecer. Querermos saber o que outros dizem de nós, ou por autorrecriação virem dizer-nos mesmo sem querermos saber. Jesus faz esta pergunta aos discípulos: quem dizem os homens que é o filho do homem? O que tendes ouvido dizer?
Facilmente poderemos concluir que os discípulos, próximos de Jesus, interessados no Seu sucesso, na primeira linha para beneficiarem dessa ligação, estão atentos a tudo o que diz respeito ao Mestre. Quando pergunta, Jesus sabe o que perturba e incomoda os seus discípulos. Eles estão inquietos com o que se diz. Não pomos em causa a amizade que Lhe têm, ainda que misturada com outros sentimentos e desejos.
Então Jesus avança um pouco mais. E vós, vós quem dizeis que Eu sou?
Já não é tempo para a opinião dos outros, mas de reafirmar a amizade, os laços que nos unem a Jesus. Quem és Tu para nós, Senhor? Que lugar Te damos na nossa vida? Que aspetos da nossa vida se identificam com a Tua Mensagem de perdão e de amor? Quantas escolhas fazemos perguntando-nos o que farias Tu no nosso lugar?
Voltando à conversa dos dois amigos...
– E que é que tu pensas? Isso que ouviste é também a tua opinião?
– Tu sabes que não. Nunca diria tal coisa. Sou teu amigo. E se te digo isto é para te avisar. Quem te avisa teu amigo é!
– Sim, mas isso não me interessa. Eu quero saber se tu és meu amigo, com todos os defeitos que eu possa ter. Opiniões que não sei de onde vêm, não me interessam muito, não me fazem perder o sono…
2 – Adentremo-nos um pouco mais no Evangelho.
Jesus continua a Sua missão, deslocando-se entre povoações. Entretanto pergunta aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». Seria diferente se fossem os próprios a dizerem a Jesus o que iam ouvindo acerca d'Ele. Certamente que não se atreveriam a revelar algumas afirmações! Respondem-lhe: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas».
Temos amigos que fazem questão em nos dizer o que não queremos saber. Umas vezes, por amizade, dizem por alto o que ouviram. Outras vezes, dizem-no com todas as letras. E outras vezes, dizendo-nos muito ou pouco, pouco ou nada tem a ver com o que ouviram mas com o que sentem em relação a nós. Diria que os nossos melhores amigos nos poupam a ditos e mexericos, a não ser que o solicitemos, ou com o fito de nos prevenirem. No caso pessoal, prefiro que não me digam mal de ninguém e não me digam quem possa dizer ou querer-me mal. O fundamental é saber e sentir que as pessoas amigas são amigas, e que podemos confiar nelas porque confiam em nós.
Jesus não valoriza muito a opinião pública.
Nos dias em que transcorre a nossa vida bem sabemos como a opinião pública é incontornável. Num debate entre políticos, como exemplo, pouco importa o debate em si mesmo, ou a entrevista, mas o que vai contar é a opinião pública, ou melhor, a opinião dos "fazedores de opinião", os comentadores afetos aos próprios, defendendo-os, ou dos pretensamente imparciais.
3 – Vem a pergunta mais importante: «E vós, quem dizeis que Eu sou?».
Pedro responde, em nome próprio, mas também assumindo a primazia entre os discípulos, e respondendo por nós, como discípulos deste tempo: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».
Quem é Jesus para mim? Que importância tem na minha vida? Que influência tem nas minhas escolhas? Sou o mesmo por ser cristão? Em que é que sou diferente daqueles que não são cristãos? Ou daqueles que não são praticantes? Vivo como se Deus não existisse? Ou Deus tem um papel fundamental em tudo o que faço e em tudo o que digo?
Para mim, Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus que me revela a minha identidade e me desafia a ser irmão dos outros? Ou é um personagem interessante, que falava bem e que tinha gestos originais, mas que morreu e faz parte do passado? Será Alguém que revolucionou ideias e formas de vida, mas não Deus?
A nossa ligação a Jesus terá de ser "em primeira mão". Se for um carro, talvez fique mais barato em segunda mão, ainda que a garantia possa não ser tão fiável ou por tanto tempo. O que se diz, como víamos, é diferente se for em primeira, em segunda, ou terceira mão. Em absoluto, só poderemos pôr a mão no fogo quando o que transmitimos vem de nós. A nossa fé e a nossa adesão a Jesus Cristo faz-se, primeiramente, pelo que os nossos pais, familiares, comunidade, nos legou. Há uma altura da nossa vida, no amadurecimento da nossa fé, que teremos de ser nós a encontrar-nos com Jesus. Seguimo-l'O em primeira mão. Porque é nosso amigo. Porque nos faz bem. Porque a nossa vida é diferente tendo-O em nós, fazendo parte das nossas principais escolhas.
A resposta que dermos implica-nos. Se Ele é Deus, então a nossa identidade com Ele deve levar-nos a agir com a mesma disponibilidade e com o mesmo amor, servindo e dando a vida a favor dos irmãos.
4 – O diálogo com Pedro continua. Jesus assegura-lhe uma missão especial: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
Corresponderá à promessa de Isaías: «…porei aos seus ombros a chave da casa de David: há de abrir, sem que ninguém possa fechar; há de fechar, sem que ninguém possa abrir. Fixá-lo-ei como uma estaca em lugar firme e ele será um trono de glória para a casa de seu pai».
Ainda que a profecia se refira ao Messias, para nós a Jesus Cristo, será realizada historicamente. A Igreja é o Corpo de Cristo, com uma configuração sociológica e temporal. Nasce e vive e orienta-se para a Trindade, mas conta com a nossa frágil condição humana, e como tal precisa de guias que, em nome de Jesus, possam iluminar os caminhos deste mundo, como irmãos mais velhos no seguimento do Mestre. Jesus confia em Pedro. E nos Apóstolos. E em nós. Somos responsáveis uns pelos outros, somos irmãos, somos herdeiros de Jesus. Ajudamos os outros a ligar-se ao Céu ou contribuímos para que outros esteja desligados.
É grande o nosso encargo: ligarmo-nos com os outros ao Céu. Mas é grande a misericórdia de Deus que nos sossega com o Seu Espírito em nós, fortalecendo-nos com a Sua presença.
Pe. Manuel Gonçalves
Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
LEITURAS: Walter Kasper - o EVANGELHO da FAMÍLIA
WALTER KASPAER (2014). O Evangelho da Família. Prior Velho: Paulinas Editora. 72 páginas.
No dia 17 de março de 2013, o Papa Francisco, na oração do ANGELUS, a primeira aparição na varanda do Palácio Apostólico, referiu que a leitura de um livro de Walter Kasper, sobre a misericórdia de Deus, lhe tinha feito muito bem. Menos de um ano depois, Walter Kasper recebeu o convite do Papa para refletir sobre a problemática da família, tendo em conta o Sínodo Extraordinário dos Bispos, no outono de 2014, e o Sínodo ordinário dos Bispos, em 2015, que terão como pano de fundo os "Desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização".
Com efeito, foi enviado às Dioceses, paróquias, comunidades eclesiais, e disponibilizados em diferentes plataformas um extenso questionário procurando abranger os vários temas relacionados com a Família, dificuldades e potencialidades, a família e a Igreja, a família e a sociedade, novas formas de entender ou viver a família.
Com efeito, foi enviado às Dioceses, paróquias, comunidades eclesiais, e disponibilizados em diferentes plataformas um extenso questionário procurando abranger os vários temas relacionados com a Família, dificuldades e potencialidades, a família e a Igreja, a família e a sociedade, novas formas de entender ou viver a família.
No Consistório extraordinário dos Cardeais, 20 e 21 de fevereiro de 2014, coube a Walter Kasper a reflexão sobre a família, não antecipando conclusões do Sínodo, mas deixando pistas de reflexão, partindo da dinâmica bíblica, contextos, evoluções, conjugando a estrutura do matrimónio e da família com o anúncio do Reino de Deus, acentuando a misericórdia de Deus com a fidelidade às promessas feitas.
Uma das problemática afloradas nesta apresentação, agora em livro, é a dos divorciados recasados, com a sugestão de uma prática pastoral de acolhimento, procurando dar respostas novas e acolhendo o contributo daqueles que vivem essas situações difíceis, para que a solução, o caminho encontrado, sob a sintonia do Papa, possa brotar dos anseios e preocupações das pessoas.
Com grande sentido e abertura, o Cardeal avança com algumas hipóteses, para que a verdade esteja revestida da misericórdia de Deus, procurando que as respostas vão de encontro às sugestões das comunidades eclesiais de todo o mundo. A unidade a encontrar na reflexão não será fácil, mas como em outros momentos da história da Igreja, há que procurar um caminho comum, comprometendo-nos com a vivência do reino de Deus. É uma obrigação. Um compromisso. Um desafio, para que não se percam as gerações seguintes, dos filhos e dos netos.
O livrinho, além da exposição feita aos Cardeais, apresenta alguns anexos explicativos das propostas apresentadas, entre as quais a sugestão do então professor Joseph Ratzinger (depois Papa Bento XVI) para se retomar de um modo novo a posição de Basílio, também partilhada pelo próprio Walter Kasper.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
JOSÉ ANTONIO PAGOLA - Volver a Jesús
JOSÉ ANTONIO PAGOLA(2014). Volver a Jesús. Hacia la renovación de las parroquias e comunidades. Madrid: PPC. 128 páginas.
O teólogo espanhol é já nosso conhecido nestas andanças de livros, textos e sugestões. Tem-se dedicado a refletir sobre Jesus e sobre os Evangelhos, contextualizando a época em que Jesus viveu e procurando que a Mensagem seja significativa neste tempo.
Neste pequeno livro, Pagola desafia precisamente a regressar a Jesus, à Sua mensagem, à Sua vida, gestos, postura, procurando ver como Jesus fazia, abrindo caminhos para viver ao Seu jeito nos dias em que nos é dado viver a nossa vida.
Mergulhar no Evangelho. Reportar-nos ao essencial: amor, perdão, acolhimento, proximidade, grande intimidade com o Pai, opção pelos pobres, denúncia do mal, do pecado, da hipocrisia, dos poderosos que usam os pobres.
O ponto de partilha é a Exortação Apostólica do Papa Francisco, a Alegria do Evangelho, que convoca os cristãos, todos os cristãos, a viverem com alegria a sua fé, como pessoas corajosas, sem medo de falar, de mostrar Jesus Cristo, saindo ao encontro de todos, mas primeiramente dos pobres, dos mais pobres. Agindo ao jeito de Jesus.
O texto é também uma proposta pastoral, para formar os Grupos de Jesus, para a escuta do Evangelho, em que o centro seja Jesus, cujos encontros podem ser em casas particulares, sem rigidez quanto ao número de pessoas, em que a escuta e meditação do Evangelho sejam a referência. Obviamente estes grupos deverão estar atentos e poderão cooperar ativamente me dinâmicas pastorais e paroquiais. O Objetivo primeiro é escutar Jesus, deixar-se converter pela Sua Palavra, com ligação ao compromisso social.
Ter a coragem de colocar fim a estruturas que já não convertem, não mobilizam, não libertam a pessoa.
Esta leitura pode ser muito interessante para os Conselhos Pastorais: mostrando o que realmente vale a pena resgatar, viver, anunciar. No final só uma conclusão: só Jesus Cristo, só Deus é definitivo. Converter-se de todo o coração a Jesus. As estruturas e as tradições hão de estar ao serviço do reino de Deus, como a Igreja, como os cristãos. Anunciar Jesus. Sair dos lugares de conforto, espevitar a fé, promover os dons de cada um em benefício de todos.
O castelhano é de fácil e acessível leitura, mas esperando um pouco logo estará disponível em português. O autor como o livro foi-nos recomendado, informando que a tradução para português está pronta, faltando a publicação. Aguardemos.
Para quem não tenha lido a Exortação Apostólica de Francisco, a Alegria do Evangelho, seria oportuno ler agora, por exemplo, enquanto se aguarda a publicação deste livro em português. Perceber-se-á melhor o contexto, o ambiente desta proposta de Pagola.
Segue a apresentação do livro pelo próprio José Antonio Pagola:
Sobre os grupos de Jesus: visitar a página Vida Nueva: AQUI
domingo, 17 de agosto de 2014
TIMOTHY RADCLIFFE - Imersos na Vida de Deus
TIMOTHY RADCLIFFE (2013). Imersos na Vida de Deus. Viver o Batismo e a Confirmação. Prior Velho: Paulinas Editora. 334 páginas.
Segundo D. José Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda, "Timothy Radcliffe, um teólogo brilhante, partilha aqui o dizer indizível da vida de Deus em nós. Na sequência de tantos livros atraentes sobre a questão vital do Cristinianismo, oferece-nos agora um rasgado horizonte da narrativa dos sacramentos do Batismo e da Confirmação. Emerge aqui a fascinante aventura da vida de Deus" (contracapa).
Dominicano, Radcliffe conduz-nos através dos diversos momentos do Batismo, como celebração, alargando à história, à cultura circundante, à literatura, citando autores bem conhecidos, mas também cheio de histórias do dia a dia, na família e no convento, com pessoas de diferentes origens. A redescoberta do Batismo como sacramento que nos faz imergir na vida de Jesus Cristo e nos compromete com as pessoas que nos rodeia, com a família, com os colegas de trabalho. Ser cristãos não é uma capa que se veste, cedendo a tradições ou ritualismos, mas algo que nos identifica com Jesus, nos faz viver com alegria. Ser cristão, fazer o que Ele faz, assumir uma postura de proximidade e de vida nova, abençoados pela presença de Deus em nós.
Ser batizado é deixar-se transformar pelo Espírito de Deus. É um acontecimento único, de vida nova, que nos compromete com os outros e com a transformação do mundo, modificando em nós os que nos afasta dos outros. O cristianismo é antes de mais um encontro pessoal com Jesus Cristo, que nos assume como irmãos. É uma história de amor, de Deus por nós, que nos quer bem, que nos quer livres e felizes. Ser cristão não é algo triste ou melancólico. Faz-nos sentir livres, úteis, filhos amados de Deus. E como Jesus, o compromisso do serviço e da proximidade, do diálogo. Não deveremos ter o ensejo do pensamento único, mas com humildade vivermos criativamente em cultura de diálogo, de encontro. Há sempre dons e talentos que podemos descobrir noutros que também são filhos de Deus.
O Batismo liberta-nos do mal, e filia-nos em Deus. O autor parte de diversas situações quotidianos. Em todas as idades precisamos de nos convertermos, de abrirmos o nosso coração e a nossa mente, deixando que Deus possa ser visto através de nós. Ser filhos de Deus também nos faz encarar o sofrimento e a morte na sua relatividade, como oportunidades para nos aproximarmos mais dos outros ou os deixarmos aproximar.
A opção comprometida com os mais pobres é uma exigência própria dos batizados. Seguir Jesus Cristo leva-nos ao encontro dos mais desvalidos para ajudarmos, para promovermos a dignidade da pessoa humana, mesmo que a aparência nos repugne. Jesus, diante da mulher apanhada em flagrante adultério, homem para ela como mulher e não tanto para o seu pecado, ainda que o convite a ela, como a nós, seja um caminho novo de libertação, de vida nova. Ele reabilita-nos para saborearmos a vida em abundância.
Se não nos tornarmos como crianças não entraremos no Reino do Deus. Ao sermos batizados somos assumidos como crianças diante de Deus, que é Pai. Mas, e olhando para o Sacramento da Confirmação, o coração de crianças mas em cristãos corajosos, cuja maturidade da fé um desafio permanente.
Ser batizado é deixar-se transformar pelo Espírito de Deus. É um acontecimento único, de vida nova, que nos compromete com os outros e com a transformação do mundo, modificando em nós os que nos afasta dos outros. O cristianismo é antes de mais um encontro pessoal com Jesus Cristo, que nos assume como irmãos. É uma história de amor, de Deus por nós, que nos quer bem, que nos quer livres e felizes. Ser cristão não é algo triste ou melancólico. Faz-nos sentir livres, úteis, filhos amados de Deus. E como Jesus, o compromisso do serviço e da proximidade, do diálogo. Não deveremos ter o ensejo do pensamento único, mas com humildade vivermos criativamente em cultura de diálogo, de encontro. Há sempre dons e talentos que podemos descobrir noutros que também são filhos de Deus.
O Batismo liberta-nos do mal, e filia-nos em Deus. O autor parte de diversas situações quotidianos. Em todas as idades precisamos de nos convertermos, de abrirmos o nosso coração e a nossa mente, deixando que Deus possa ser visto através de nós. Ser filhos de Deus também nos faz encarar o sofrimento e a morte na sua relatividade, como oportunidades para nos aproximarmos mais dos outros ou os deixarmos aproximar.
A opção comprometida com os mais pobres é uma exigência própria dos batizados. Seguir Jesus Cristo leva-nos ao encontro dos mais desvalidos para ajudarmos, para promovermos a dignidade da pessoa humana, mesmo que a aparência nos repugne. Jesus, diante da mulher apanhada em flagrante adultério, homem para ela como mulher e não tanto para o seu pecado, ainda que o convite a ela, como a nós, seja um caminho novo de libertação, de vida nova. Ele reabilita-nos para saborearmos a vida em abundância.
Se não nos tornarmos como crianças não entraremos no Reino do Deus. Ao sermos batizados somos assumidos como crianças diante de Deus, que é Pai. Mas, e olhando para o Sacramento da Confirmação, o coração de crianças mas em cristãos corajosos, cuja maturidade da fé um desafio permanente.
»» Vale a pena ler a recensão feita pela Livraria FUNDAMENTOS: AQUI.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Quem é o maior no reino dos Céus?
Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe: «Quem é o maior
no reino dos Céus?». Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e
disse-lhes: «Em verdade vos digo: Se não vos converterdes e não vos
tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus. Quem for
humilde como esta criança, esse será o maior no reino dos Céus. E quem
acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim. Vede bem.
Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus Anjos
vêem constantemente o rosto de meu Pai que está nos Céus». Jesus disse
ainda: «Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se
tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a
que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que
se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se
tresmalharam. Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos
Céus que se perca um só destes pequeninos» (Mt 18, 1-5.10.12-14).
A pergunta dos discípulos mostra a imaturidade da sua fé. Num primeiro momento, os discípulos seguem Jesus por motivos que pouco têm a ver com o reino de Deus proposto e vivido por Jesus. Ele sabe disso. Quando os chama tem a consciência do caminho a percorrer e dos riscos inerentes. Como refere Augusto Cury, ao debruçar-se sobre a inteligência de Jesus, o discípulo mais capaz, talvez o único a ser contratado pelo departamento de pessoal de qualquer empresa seria mesmo Judas Iscariostes e que viria a traí-l'O. Jesus chama. Acredita no ser humano e na sua capacidade de conversão.
Como tantos judeus, os discípulos aguardavam o Messias para restaurar Israel, um Messias político, revolucionário, poderoso, que substituísse o poder instalado e assumisse o poder. Quem O seguisse teria a sorte de assumir com Ele um lugar de chefia, de poder. Jesus vai esclarecendo, anunciando o caminho da Cruz, consequência do amor, e apresenta o serviço como única forma de poder para estar no Reino de Deus. Quem quiser ser o maior será o servo de todos.
Jesus chama uma criança e simplifica. O reino de Deus é para aqueles que se tornarem como crianças, dóceis, disponíveis para acolher, para dar, para amar. E na mesma onda, o desafia para cuidar sobretudo dos mais frágeis, as crianças, os idosos, como muitas vezes referem o Papa Francisco, os extremos da sociedade, e todas as outras pessoas que estão vulneráveis por questões de saúde, de trabalho ou falta dele, pela exclusão sócio-cultural e económica.
Mas há mais. O discípulo de Cristo tem que ir em busca de toda a ovelha que anda tresmalhada. Não se trata de esperar e de ter as portas abertas, mas de sair e ir ao encontro já não da ovelha mas talvez das noventa e nove que agora estão tresmalhadas, como tem vindo a acentuar o Papa Francisco. A Igreja tem como referência Jesus Cristo e o Seu pastoreio, não pode ser autorreferencial, tem de sair ao encontro das ovelhas que vivem sem pastor...
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
E vós, quem dizeis que Eu sou?
Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus» (Mt 16, 13-23).
"O saber não ocupa lugar". Neste ditado popular uma verdade muito simples que convida a saber e a descobrir sempre mais, pois é algo que não nos prejudica, não estorva, e pode ajudar-nos a ver a vida de outra maneira.
O episódio do Evangelho desta quinta-feira diz-nos que a nossa relação com Jesus Cristo não é de mero conhecimento. Não basta saber muitas coisas sobre Jesus, mas saber quem é para nós, que implicações tem na nossa vida, como pode modificar as nossas opções?
Diz-se, por exemplo, que ninguém conhece tão bem a Deus como o Diabo e nem por isso ele é crente ou seguidor da verdade que vem de Deus. Por outras palavras, o conhecer é importante, mas quando nos envolve e compromete com o seguimento.
"O saber não ocupa lugar". Neste ditado popular uma verdade muito simples que convida a saber e a descobrir sempre mais, pois é algo que não nos prejudica, não estorva, e pode ajudar-nos a ver a vida de outra maneira.
O episódio do Evangelho desta quinta-feira diz-nos que a nossa relação com Jesus Cristo não é de mero conhecimento. Não basta saber muitas coisas sobre Jesus, mas saber quem é para nós, que implicações tem na nossa vida, como pode modificar as nossas opções?
Diz-se, por exemplo, que ninguém conhece tão bem a Deus como o Diabo e nem por isso ele é crente ou seguidor da verdade que vem de Deus. Por outras palavras, o conhecer é importante, mas quando nos envolve e compromete com o seguimento.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Transfiguração do Senhor (Ano A)
Nota Histórica:
A festa da Transfiguração, celebrada no Oriente desde o século V e no Ocidente a partir de 1457, faz-nos reviver um acontecimento importante da vida de Jesus, com reflexos na nossa vida.
Situada antes do anúncio da Paixão e da Morte, a Transfiguração foi uma manifestação da vida divina, que está em Jesus. A luz do Tabor é, porém, uma antecipação do esplendor, que encherá a noite da Páscoa. Por isso, os Apóstolos, contemplando a glória divina na Pessoa de Jesus, ficaram preparados para os dolorosos acontecimentos, que iriam pôr à prova a sua fé. Vendo Jesus na Sua condição de servo, já não poderão esquecer a Sua condição divina.
Anúncio da Páscoa, a Transfiguração encerra também uma promessa – a da nossa transfiguração. Jesus, com efeito, fez transparecer na Sua Humanidade a glória de que resplandecerá o seu Corpo Místico, a Igreja, na Sua vinda final.
A nossa vida cristã é, pois, um processo de lenta transformação em Cristo. Iniciado no nosso Baptismo, completa-se na Eucaristia, «penhor da futura glória», que opera a nossa transformação, até atingirmos a imagem de Cristo glorioso.

Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais». Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos» (Ano A: Mt 17, 1-9).
A transfiguração é como um "rebuçado" dado por Jesus aos Apóstolos, para enfrentarem os momentos de dificuldade que se aproximam, quando o Mestre for perseguido, preso e levado à Cruz. Esta antecipação mostra a divindade de Jesus, para de novo assumir a nossa humanidade com toda a crueza que a limitação e a finitude podem envolver.
Importa, em todas as situações, escutar a Sua voz. É a voz do Pai de entre as nuvens que ressoa por todo o universo.
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