quinta-feira, 7 de junho de 2012

Deus comunica-Se hoje...

       "A Igreja vive na certeza de que o seu Senhor, tendo falado outrora, não cessa de comunicar hoje a sua Palavra na Tradição viva da Igreja e na Sagrada Escritura. De facto, a Palavra de Deus dá-se a nós na Sagrada Escritura, enquanto testemunho inspirado da revelação, que, juntamente com a Tradição viva da Igreja, constitui a regra suprema da fé".

Bento XVI, Verbum Domini, n.º 18.

Julgamento

Não julgues...

Habitas num recanto mínimo desta terra.
Os teus olhos chegam
Até onde alcançam muito pouco...
Ao pouco que ouves
Acrescentas a tua própria voz.
Mantém o bem e o mal, o branco e o negro,
Cuidadosamente separados.
Em vão traças uma linha
Para estabelecer um limite.

Se houver uma melodia escondida no teu interior,
Desperta-a quando percorreres o caminho.
Na canção não há argumento,
Nem o apelo do trabalho...
A quem lhe agradar responderá,
A quem lhe agradar não ficará impassível.

Que importa que uns homens sejam bons
E outros não o sejam?
São viajantes do mesmo caminho.

Não julgues,
Ah, o tempo voa
E toda a discussão é inútil.
Olha, as flores florescem à beira do bosque,
Trazendo uma mensagem do céu,
Porque é um amigo da terra;
Com as chuvas de Julho
A erva inunda a terra de verde,
e enche a sua taça até à borda.
Esquecendo a identidade,
Enche o teu coração de simples alegria.
Viajante,
Disperso ao longo do caminho,
O tesouro amontoa-se à medida que caminhas.

Rabindranath Tagore, Abrigo dos Sábios.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Deus da Bíblia que encurta o passo à medida do nosso

       Não queiramos fazer escalada até ao Céu. A fé assegura-nos que é Deus quem desce. A escalada ao Céu é uma ilusão perigosa. Conduz à desagregação de Babel, à tragédia de Prometeu, à catástrofe de todos os fundamentalismos, à teoria desastrosa da perfeição possível aqui na terra.
       É o Deus da Bíblia que encurta o passo à medida do nosso, no pó dos nossos carreiros.
       ...
       Os dias da dor deixam cicatrizes no íntimo. A cruz queima o coração. Até o Ressuscitado regressará com as chagas abertas, como que exibidas pelo dedo e pela mão de Tomé.
       A ressurreição não paga as feridas do Crucificado. delas, porém, já não brota sangue, mas luz.

ERMES RONCHI, As casas de Maria

Nâo te envergonhes de dar testemunho...

       Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação. Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro; mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus. Ele salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça. Esta graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade, manifestou-se agora pelo aparecimento de Cristo Jesus... (2 Tim 1, 1-3.6-12).
       São Paulo, nesta carta a Timóteo, exorta o seu discípulo e companheiro a dar testemunho de Jesus Cristo, sem temor. Deus salvou-nos e chamou-nos à santidade. A graça que em Cristo Jesus nos foi dada torna-nos fortes na caridade para com todos.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Catequese Paroquial de Tabuaço - Profissão de Fé 2012

       Na grande solenidade do PENTECOSTES a celebração da Profissão de Fé, cujas imagens já apresentamos, deixando agora um vídeo com as fotos disponibilizadas pela paróquia e por Foto Martinho e Pinto, com a belíssimo melodia - O Senhor é meu pastor - interpretada por Isabel Cardoso...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Príncipe e os prisioneiros

       Depois de ter vencido a batalha, os conselheiros disseram ao princípe:
        - Todos os prisioneiros devem ser mortos, porque era assim que fazia o teu pai.
       O príncipe convocou os prisioneiros à sua presença. Chamou o primeiro e disse-lhe:
       - Amas alguém?
       Ele respondeu:
       - Sim, amo a minha esposa.
       O príncipe sentenciou:
       - Então estás salvo, pois o amor tem direito à vida.
       E assim foi interrogando, um a um, todos os prisioneiros, e todos amavam alguém. Tinham, por isso, direito a viver.
       Apareceu, contudo, um que não amava ninguém e odiava toda a gente. O princípe disse-lhe:
       - Tu também te podes ir embora, pois não existes! És como se estivesses morto. Só existe verdadeiramente quem sabe amar.

in Juvenil, n.º 537. Maio 2010.

Homilia de Bento XVI no encontro mundial das famílias




Postado a partir do blogue "POVO"

domingo, 3 de junho de 2012

Catequese Paroquial de Tabuaço - Festa do Envio

       A segunda festa da Catequese deste fim de semana da Santíssima Trindade, na Missa Dominical, foi a festa do envio, do 10.º ano de catequese. Ficam algumas imagens, registando este momento de desafio em comunidade:

Catequese Paroquial de Tabuaço - Festa da Vida 2012

       Para este fim de semana, celebração da Festa da Santíssima Trindade, reservamos duas festas da catequese, do 8.º e 10.º anos. Sábado, Missa vespertina - Festa da Vida - 8.º ano de catequese. Aqui ficam algumas imagens, onde se salienta o grupo, e os elementos da vida: água, vinho, cruz - a vida que Deus no dá em Jesus Cristo, o pão, a cor...

sábado, 2 de junho de 2012

Festa da Santíssima Trindade - 3 de junho

       1 – O mundo é um oceano de mil e uma cores, mais, muito mais colorido que possamos imaginar. A experiência mais básica mostra-nos uma imensa variedade de formas e de vida (biodiversidade – pássaros, peixes, animais, plantas). Tudo é diferente, multicolor. E quando nos referimos ao ser humano, maior a complexidade. Cada pessoa é única e irrepetível. Conhecemos bem uma pessoa e de repente, sem contarmos ela surpreende-nos, em absoluto, negativa ou positivamente. Somos mistério. Um manancial de surpresas. Não abarcamos toda a realidade e muito menos a vida humana. Como as doenças: não há doenças, há doentes e o mesmo remédio não atua em de igual forma.
       Num primário instinto de sobrevivência opomo-nos à pluralidade, procurando uniformizar. Juntamos o que é parecido, em partidos, movimentos, associações, tentamos anular as diferenças:
  • na família – os filhos hão de seguir as pisadas dos pais, o marido e a mulher têm de se submeter ao que o outro pensa, o elo mais fraco é por vezes sacrificado para haver harmonia; na escola – queremos que as turmas sejam muito iguais, se alguém aparece diferente (positiva e negativamente) é muito difícil aceitá-lo sem resistência, sem conflito;
  • na política – encerrar todos no mesmo partido, ou dentro do partido nas mesmas ideias, as do chefe, só ele pensa, só ele deve falar, ou todos dizem o que ele diz, no governo e/ou na oposição;
  • no desporto – os treinadores e os jogadores só podem falar para secundarizar a opinião do presidente;
  • na cultura – só vale o que arrasta multidões, é necessário obrigar as pessoas a ser cultas, para isso elas têm que gostar daquele pintor, daquela tela, deste monumento e daquele grupo musical;
  • na economia – manda quem tem mais dinheiro ou mais riqueza, obedece e cala-se quem tem menos, se quer garantir o futuro;
  • na vida sindical – só o chefe argumenta contra patrões e contra o governo, e todos têm que alinhar dizendo mal;
  • na religião – que promove as diferenças e é voz dos que não têm voz, por vezes lida-se mal com as discordâncias, ao ponto de ostracizar aqueles que destoam.
       Obviamente que em todos os grupos sociais – constituídos por pessoas –, têm de existir regras e orientações, até para validar as pertenças e a identidade.
       Há uma enormíssima dificuldade em trabalhar em grupo, pois cada um quer impor-se e impor a sua visão. Os que discordam, estão errados, são intolerantes, não querem colaborar... E nós?! Cada um de nós precisa de se afirmar ou ser reconhecido pelos demais. Mas os caminhos podem aproximar-nos ou distanciar-nos. Podemos ser reconhecidos pelo bem, apostando precisamente no desenvolver das nossas capacidades, como um meio para nos realizarmos. Ou podemos impor-nos destruindo os outros, colocando-os como meio, como instrumento, e o fim é o reconhecimento – é preferível que falem mal de mim do que não digam nada.
       É neste quadro (que não é negro) que a celebração da Santíssima Trindade adquire uma importância colossal. Deus é Um e é Trino. Três Pessoas, uma Natureza (divina), Um só Deus. Coexiste a diferença e a unidade, sem confusão nem atropelo. Qual o segredo: o AMOR. Deus é amor. O amor acolhe, compreende, gera vida, cria e recria o mundo, reconcilia, envolve.

       2 – Na celebração solene do Pentecostes víamos como a linguagem do amor é acessível para todos. Se estendemos a mão, se oferecemos um sorriso, se damos uma flor, mesmo falando línguas estranhas uns aos outros, entendemo-nos na perfeição.
       A vida humana é multifacetada. Não é monotonia, mas sinfonia (Pe. João André, Da minha Janela). Celebramos hoje a festa da sinfonia, a Santíssima Trindade, onde a vida circula, criando e recriando. A Igreja nasce, sustenta-se e deve desembocar na Trindade. Há de configurar-se, identificar-se, imiscuir-se no mesmo projeto de amor e de vida nova. Batalhar pela unidade que respeita a diferença, que acolhe o estranho, que promove cada tonalidade do ser humano.
       Somos de uma riqueza incomensurável. Mesmo quando não aceitamos os outros e as suas opiniões, dependemos mais ainda deles, para lhes fazermos ver, ou para sermos reconhecidos. Ainda que nos julguemos perfeitos, o que dizemos e fazemos é muito em função dos outros. A aceitação da nossa fragilidade, das nossas imperfeições, da possibilidade de estarmos errados, ajudaria a dialogar, a crescer, a criar laços duradouros e fraternos, à inclusão/integração do diferente, sem imposição ou submissão da nossa parte, sem humilhações, mas na descoberta da beleza e da grandeza do ser humano que nos visita, que entra na nossa história, pessoal, familiar, social, profissional.
       Perdemos tanto tempo a impor-nos, a discutir para saber qual dos dois ou do grupo é melhor, quem tem mais seguidores, quem colhe mais simpatias, quem é o mais atraente da turma, ou o mais popular da escola, e por vezes, demasiadas vezes, esquemo-nos de viver, de apreciar os outros e a sua originalidade. Quantas vezes nos irritamos ao ver que o outro é o centro, como quereríamos anulá-lo e colocar-nos no seu lugar. (O mesmo e alteridade). Para quê reduzir o outro, quando podemos caminhar juntos, olhar na mesma direção, apreciando o horizonte e apoiando-nos nas dificuldades? Importa colher a presença de Deus em cada diferente... Também aqui Jesus é o Mestre dos Mestres. O seu grupo é heterogéneo. De tal maneira que por vezes tem de refrear a crítica ou os desejos incontroláveis de alguns.
       Na primeira leitura, os mandamentos de Deus são-nos propostos como aposta nos outros, na tolerância e na mútua aceitação. Diz-nos Moisés, "considera hoje e medita em teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro. Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e tenhas longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre". É o trilho da descoberta e do encontro, da vida e da felicidade, sem endeusamento. Só Deus é Deus.

       3 – A nossa fragilidade é estrada de encontro na fragilidade dos outros. Se estamos "cheios" de nós, voltados para o nosso umbigo, a abarrotar, não há espaço nem para a alteridade nem para a transcendência, isto é, não há lugar nem para outros e nem para Deus.
       Reconhecermos a nossa pobreza é o primeiro passo para valorizarmos a riqueza que nos vem de Deus através dos outros. Reconhecer em nós a presença de Deus, é o primeiro passo para fazermos com que a nossa riqueza nos abra à generosidade, à partilha e à comunhão.
       São Paulo mostra-nos como a nossa origem, a nossa identidade, a abertura para o Espírito nos deve guiar como filhos de Deus. "Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adoção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus. Se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo; se sofrermos com Ele, também com Ele seremos glorificados".
       Por sua vez, o Evangelho envia-nos em nome da Santíssima Trindade, para levarmos o melhor de nós, levarmos Deus a toda a parte, e acolhermos, potenciando, o que os outros nos dão da parte de Deus.
       "Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos»".
       Cumprindo o que Ele nos manda, viveremos como filhos e como irmãos, como herdeiros e imitadores de Jesus Cristo, procurando espelhar em nós a vida nova que recebemos quando n’Ele fomos enxertados, pelo Espírito Santo, no sacramento do batismo.

       4 – Deitar-nos-emos na cama que fizermos. O que escolhemos fazer hoje, vivemo-lo amanhã, como bem canta Sara Tavares, em “Escolhas”, baseado no dilema de São Paulo, sei que posso fazer tudo, mas nem tudo me convém.
       Centrando-nos no mistério da Santíssima Trindade, o desafio é integrar o diferente, em dinâmica de amor oblativo e disponibilizando aos outros os dons que Deus nos dá.
       A escolha faz-se entre compreender (incluir, acolher, respeitar, amar) e julgar (catalogar, condenar, recriminar, destruir). Quando julgamos fazemo-lo (quase) sempre da nossa janela, a partir de nós, das nossas referências e (pre)conceitos, da nossa forma de ver o mundo, em tentação de reduzir o outro ao que sou e à ideia que tenho da vida. Em Deus, Pai e Filho e Espírito Santo, predomina a relação amorosa e dialogante. 

Textos para a Eucaristia: Deut 4, 32-34.39-40; Rom 8, 14-17; Mt 28, 16-20.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

De Maria sabemos duas coisas: tem um amor e uma casa

       De Maria sabemos duas coisas: tem um amor e uma casa. Podemos prescindir de muitas coisas, mas não de uma casa nem de uma família. Podemos ser pobres de tudo; mas, para viver, precisamos de um amor ou, ainda mais, «muito amor para viver bem» (J. Maritaisn).
       ...
       A casa é o lugar onde o dono recebe o seu hóspede. Estar «na sua casa», recolhida em si, é também para Maria o modo mais adequado para receber o grande Hóspede.
       A casa é o lugar onde se faz unidade entre o que está dentro e o que está fora, através do acolhimento e da hospitalidade. O eu existe recolhendo-se e não dispersando-se. Maria começa por existir no Evangelho como recolhida em sua casa.

       O recolhimento é afastar-se das coisas de fora, para dar mais atenção a si mesmo e para demorar junto de alguém. A casa que recolhe liberta a atenção do coração da cena do mundo em ordem à proximidade, a uma familiaridade, a uma intimidade com alguém. Habitar a sua casa significa viver uma atenção liberta, que se abre a uma intimidade e a um acolhimento. De facto, Maria acolhe: o anjo, a Palavra, o Espírito, o filho.
       ... Atenta e acolhedora, a rapariga de Nazaré é virgem e será mãe.
       Recolhida e hospitaleira, com as duas características de cada casa, Maria será a casa de Deus.

ERMES RONCHI, As casas de Maria.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Nós somos católicos

Tantos “dias de” onde é possível – e preciso - reclamar a afirmação “Nós somos católicos” e exigir a presença, a participação, o compromisso!

       A mobilização virtual em torno de um slogan foi imediata: um vídeo espalhado pelas redes sociais, partilhado repetidamente e recomendado entre amigos fez de uma certeza – “Nós somos católicos” – uma sintonia global entre os que concretizam a experiência do cristianismo numa família, a da Igreja Católica.
       A afirmação é traduzida por muitas imagens, pela poesia, pela evocação do empreendedorismo de pessoas e organizações, a inovação humanizante em cada época na saúde, na educação, na assistência. Tudo à escala global e a cada passo comprovada pelas referências constantes, em ruas e cidades, a figuras maiores desta família.
       Em dois minutos, o filme percorre mais de 2000 mil anos de História, evoca grandes feitos e criações e provoca convergências espontâneas entre povos de qualquer canto do mundo para uma certeza: todos estamos unidos a uma Pessoa, Jesus Cristo.
       Diante de qualquer caos, é essa convicção que permite a permanência: a da Igreja e a de muitos nessa família. Existe entre todos um denominador comum que permite somar ou subtrair, acrescentar ou tirar, mas nunca dividir.
       A memória deste vídeo (reveja o vídeo no final do texto) que qualquer motor de pesquisa traz ao ecrã, acontece no contexto de iniciativas que, em todos os tempos e com particular incidência nestes dias, ocorre no nosso “jardim à beira mar plantado” e que reclamam, dos que pertencem a esta grande família, a afirmação clara e convicta de que “Nós somos católicos”.
       Abundam as oportunidades para o fazer, nas dioceses que se reorganizam ou nos projetos que inovam. Basta seguir as propostas que fazem convergir núcleos desta família para um “Dia da Diocese”, “Dia da Juventude”, “Dia da Família”, “Dia das Comunicações Sociais”… Tantos “dias de” onde é possível – e preciso - reclamar a afirmação “Nós somos católicos” e exigir a presença, a participação, o compromisso!
       Não menor é o desafio que recai sobre os promotores de qualquer convocatória. Num contexto social cruzado de eventos e convites é urgente a reformulação de propostas e a qualificação de todos os projetos, mesmo os que acontecem em família.
       Só dessa forma será possível dizer não apenas “Nós somos católicos”, mas acrescentar com confiança e a todas as pessoas “Bem-vindo à tua casa!”


terça-feira, 29 de maio de 2012

Homilia de Bento XVI no Pentecostes - 27 de maio

Queridos irmãos e irmãs!
       Sinto-me feliz por celebrar esta Santa Missa convosco, também animada hoje pelo Coro da Academia de Santa Cecília e pela Orquestra da Juventude – que agradeço -, na Solenidade de Pentecostes.

       Este mistério é o batismo da Igreja, é um evento que lhe tem dado, por assim dizer, a forma inicial e o impulso para a sua missão. E essa "forma" e este "empurrão" são sempre válidos, sempre atuais, e se renovam de uma maneira especial através das ações litúrgicas. Esta manhã quero destacar um aspecto essencial do mistério de Pentecostes, que nos nossos dias mantém toda a sua importância. Pentecostes é a festa da unidade, da compreensão e da comunhão humana. Todos podemos constatar como no nosso mundo, ainda que estejamos sempre mais próximos uns dos outros com o desenvolvimento dos meios de comunicação, e as distâncias geográficas parecerem desaparecer, a compreensão e a comunhão entre as pessoas é, muitas vezes superficial e difícil. Permanecem desequilíbrios que muitas vezes levam a conflitos; o diálogo entre as gerações torna-se difícil e as vezes prevalece a contraposição; assistimos a fatos quotidianos que nos fazem pensar que os homens estão se tornando mais agressivos e mais conflituosos; entender-se parece algo muito trabalhoso e prefere-se permanecer no próprio ego, nos próprios interesses. Nesta situação, podemos encontrar realmente e viver aquela unidade da qual temos necessidade?

       A narração de Pentecostes nos Atos dos Apóstolos, que ouvimos na primeira leitura (cf. At 2,1-11), contém no fundo de uma das últimas grandes alegorias que encontramos no início do Antigo Testamento: a antiga história da construção da Torre de Babel (cf. Gn 11, 1-9). Mas o que é Babel? É a descrição de um reino em que os homens acumularam tanto poder ao ponto de não fazerem mais referência a um Deus distante e de serem tão fortes ao ponto de construírem sozinhos uma estrada que levasse até o céu para abrir as portas e colocar-se no lugar de Deus. Mas é precisamente nesta situação que ocorre algo estranho e especial. Enquanto os homens estavam trabalhando juntos para construir a torre, de repente, perceberam que estavam construindo um contra o outro. Enquanto tentavam ser como Deus, corriam o perigo de não serem nem sequer homens, porque tinham perdido um elemento fundamental do ser pessoa humana: a capacidade de entender-se, de compreender-se, e de trabalhar juntos.
       Esta história bíblica tem a sua verdade perene; podemos vê-la ao longo da história, mas também em nosso mundo. Com o avanço da ciência e da tecnologia temos chegado ao poder de dominar as forças da natureza, de manipular os elementos, de fabricar seres vivos, chegando até mesmo quase ao ser humano. Nesta situação, orar a Deus parece algo ultrapassado, inútil, porque nós mesmos podemos construir e realizar tudo o que quisermos. Mas não nos damos conta de que estamos revivendo a mesma experiência de Babel. É verdade, multiplicamos as nossas possibilidades de comunicação, de ter informações, de transmitir notícias, mas podemos dizer que cresceu a capacidade de compreender-nos ou talvez, paradoxalmente, nos compreendemos cada vez menos? Entre os homens não parece serpentear talvez um sentimento de desconfiança, de suspeita, de medo um do outro, até se tornar até mesmo perigoso um para o outro? Retornemos agora à pergunta inicial: pode existir realmente unidade, concórdia? E como?

       Encontramos a resposta na Sagrada Escritura: A unidade só pode existir com o dom do Espírito de Deus, que nos dará um coração novo e uma lingua nova, uma nova capacidade de comunicar. E é isso o que ocorreu no dia de Pentecostes. Naquela manhã, cinqüenta dias depois da Páscoa, um forte vento soprou sobre Jerusalém e a chama do Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos, pousou sobre cada um deles e acendeu neles o fogo divino, um fogo de amor capaz de transformar. O medo desapareceu, o coração sentiu uma nova força, as línguas se soltaram e começaram a falar com franqueza, de modo que todos pudessem entender o anúncio de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Em Pentecostes, onde havia divisão e desconfiança, nasceram a unidade e o entendimento. Mas olhemos para o Evangelho de hoje, no qual Jesus afirma: " Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16, 13). Aqui, Jesus, falando do Espírito Santo, nos explica o que é a Igreja e como essa deva viver para ser ela mesma, para ser o lugar da unidade e da comunhão na Verdade; nos diz que agir como cristãos significa não estar fechados no próprio “eu”, mas orientar-se para o todo; significa acolher em si mesmo a toda a Igreja ou, ainda melhor, deixar interiormente que ela nos acolha. Então, quando eu falo, penso, ajo como cristão, não o faço fechando-me no meu eu, mas o faço sempre no todo e a partir do todo: assim o Espírito Santo, Espírito de unidade e de verdade, pode continuar a ressoar nos nossos corações e nas mentes dos homens e empurrá-los a encontrar-se e acolher-se mutuamente. O Espírito, justamente porque age assim, nos introduz em toda a verdade, que é Jesus, nos orienta no aprofundá-la, no compreendê-la: nós não crescemos no conhecimento fechando-nos no nosso eu, mas somente tornando-nos capazes de escutar e de compartilhar, somente no “nós” da Igreja, com uma atitude de profunda humildade interior. E assim torna-se mais claro porque Babel é Babel e Pentecostes é Pentecostes. Onde os homens querem fazer-se Deus, só podem chegar fazer-se um contra o outro. Onde se colocam na verdade do Senhor, abrem-se à ação do seu Espírito que lhes sustenta e lhes une.

       O contraste entre Babel e Pentecostes ecoa também na segunda leitura, onde o Apóstolo diz: "Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne.” (Gl 5,16). São Paulo nos explica que a nossa vida pessoal está marcada por um conflito interior, por uma divisão, entre os impulsos que provém da carne e aqueles que provém do Espírito; e não podemos seguir a todos. Não podemos, de fato, ser ao mesmo tempo egoístas e generosas, seguir a tendência a dominar os outros e provar a alegria do serviço desinteressado. Devemos sempre escolher qual impulso seguir e o possamos fazer de modo autêntico somente com a ajuda do Espírito de Cristo. São Paulo elenca – como escutamos – as obras da carne, são os pecados de egoísmo e de violência, como inimizade, discórdia, inveja, discórdias; são pensamentos e ações que não fazem viver de modo verdadeiramente humano e cristão, no amor. É uma direção que leva a perder a própria vida. Em vez disso, o Espírito Santo nos guia para as alturas de Deus, porque podemos viver já nesta terra o germe de vida divina que está em nós. Afirma, de fato, São Paulo: "O fruto do Espírito é amor, alegria, paz" (Gal 5,22). E percebe-se que o Apóstolo usa o plural para descrever as obras da carne, que provocam a dispersão do ser humano, enquanto usa o singular para definir a ação do Espírito, fala de “fruto”, como na dispersão de Babel opõe-se à unidade de Pentecostes. Caros amigos, devemos viver segundo o Espírito de unidade e de verdade, e por isso devemos orar para que o Espírito nos ilumine e nos guie para vencer o encanto de seguir nossas verdades, e a acolher a verdade de Cristo transmitida na Igreja. A narração lucana de Pentecostes nos diz que Jesus antes de subir ao céu pediu aos Apóstolos para permanecerem juntos e se preparassem para receber o dom do Espírito Santo. E eles se uniram em oração com Maria no Cenáculo à espera do evento prometido (cf. At 1,14). Recolhida com Maria, como no seu nascimento, a Igreja também hoje reza: "Veni Sancte Spiritus! - Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor ". Ámen.

A santidade é a normalidade do bem...

       O que salva o mundo é a santidade: ela dá flexibilidade à dureza, torna uno o dividido, dá liberdade ao aprisionado, põe esperança nos corações abatidos, esconde o pão no regaço dos famintos, abraça-se à dor dos que choram e dança, com outros, a sua alegria. A santidade é um sulco invisível, mas torna tudo nítido em seu redor. A santidade é anónima e sem alarde. A santidade não é heróica: expressa-se no pequeno, no quotidiano, no usual. O pecado é a banalidade do mal. A santidade é a normalidade do bem.

Pe. José Tolentino de Mendonça, Pai-nosso que estais na terra.

Sede santos, porque EU sou santo

       É essa mensagem que agora vos anunciam aqueles que, movidos pelo Espírito Santo enviado do Céu, vos pregam o Evangelho, o qual os próprios Anjos desejam contemplar. Por isso, tende o vosso espírito alerta e sede vigilantes; ponde toda a vossa esperança na graça que vos será concedida, quando Jesus Cristo Se manifestar. Como filhos obedientes, não vos conformeis com os desejos de outrora, quando vivíeis na ignorância. Mas, à semelhança do Deus santo que vos chamou, sede santos, vós também, em todas as vossas acções, como está escrito: «Sede santos, porque Eu sou santo». (1 Pedro 1, 10-16).
       O caminho da perfeição é uma constante na nossa vida. Ou deve sê-lo. A referência é o próprio Deus. Não devemos desistir, conformarmo-nos ao tempo presente, seguindo o rasto da moda, da corrente, do que é mais fácil e conveniente, mas em tudo deveremos, como seguidores/imitadores de Jesus Cristo, viver na peugada do Evangelho da caridade. A santidade, como nos relembra o Concílio Vaticano II, é uma vocação universal, isto é, todo o cristão é chamado a identificar-se na santidade com Jesus Cristo.
       O alerta é uma constante, estar vigilantes, pondo toda a nossa esperança em Jesus Cristo, para que em todas as situações e circunstâncias O vejamos e O sigamos...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Irmãos: Jacob e Isaú - Génesis 32

       À medida que regressava a Canaã, Jacob ficou preocupado. Ele não era de modo algum popular entre os parentes que agora deixava para trás. À sua frente encontrava-se o país onde Esaú vivia… o irmão que tinha jurado matá-lo. “Lembrai-Vos da Vossa promessa – rezou a Deus –, salvai-me do meu irmão.” 
       Embora rezasse com determinação, não se sentia confiante. “Talvez consiga cair nas suas graças oferecendo-lhe presentes” – pensou ele. “Farei uma seleção de entre os animais dos meus rebanhos. Então, poderei enviar os meus servos à frente com os animais para ver se Esaú se compadece.”
       Nessa noite, um homem chegou e lutou com Jacob. Ambos lutaram sem parar – mas o forasteiro não conseguia vencer. Assim que a alvorada começou a romper, o forasteiro dirigiu-se ao seu opositor. 
       “Irei dar-vos um novo nome. Lutastes com Deus e com os homens e conseguistes vencer. O vosso nome será Israel: aquele que luta com Deus.”
       No crepúsculo, Jacob teve a certeza que o forasteiro não podia ser outro senão Deus.
       Então o sol subiu no céu. Jacob viu Esaú a aproximar-se com os seus guerreiros. Jacob sentiu arrepios de medo. Com a boca seca, começou a dar ordens: “Rápido, os servos e seus filhos devem ir primeiro, depois Lia e os seus filhos, depois Raquel e por fim, José. Quando o encontrares, curvai-vos: curvai-vos muito, mesmo muito.”
       Jacob liderou a comitiva. Esaú avistou-o. Primeiro parou… depois correu na direção do seu irmão e abraçou-o. “Ora então aqui estás” – gritou calorosamente.
       “Finalmente encontrei-te. Quem são estas pessoas? É a tua família? Que surpresa! Então, o que significava todo aquele desfile de animais que acabei de ver?”
       “São presentes para ti, irmão.” – respondeu Jacob, de forma pouco percetível.
       “Eu não preciso disso – riu Esaú –, sou suficientemente rico.”
       No final, Esaú acabou por aceitar os presentes apenas para agradar a Jacob. O passado ficou esquecido. Jacob e Esaú voltaram a ser irmãos.

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, maio 2012.

Jacob e os seus filhos - Génesis 30, 1-43

       Jacob trabalhou para Labão durante muitos anos. Durante esse tempo, Lia deu-lhe seis filhos. Como era então costume, ele teve também filhos das escravas das suas mulheres: dois da escrava de Lia e dois da escrava de Raquel.
       Durante muito tempo, Raquel não teve filhos. Até que por fim teve um filho. Ela chamou-lhe José.
       O nascimento assinalou um ponto de viragem para Jacob. Ele foi procurar Labão. “Servi-vos bem” – disse ele. “Agora gostaria de levar a minha família e regressar ao país onde nasci.”
       “Hmm” – disse Labão. “Suponho que te devo deixar ir. O que te devo pagar para saldar as nossas contas?”
       “Oh, eu pensei numa proposta simples” – disse Jacob. “Ajudei a aumentar os vossos rebanhos de ovelhas e cabras. Quando eu partir, deixa-me levar aquelas que forem pretas ou malhadas.”
       Labão deu uma gargalhada. “De acordo” – disse ele.
       Ambos os homens entendiam da criação de ovelhas e de cabras. Agora o acordo estava assente e levaria a melhor quem fosse mais esperto. Para consternação de Labão, Jacob havia delineado a forma exata como acasalar os carneiros e as ovelhas, os bodes e as cabras. Labão e os seus filhos foram ficando furiosos: na medida exata em que Jacob acumulava enormes rebanhos, os seus iam diminuindo.
       A questão transformou-se numa enorme discussão familiar. Após muito amargor, Labão e Jacob concordaram em seguir caminhos separados.

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, abril 2012.

Enganado - Gn 29, 15-30

       Jacob acordou na manhã seguinte junto da sua nova esposa. A luz da manhã brilhava por entre as cortinas. Ele virou-se para olhar para ela. O que viu fê-lo gritar de raiva. Vestiu à pressa as suas roupas e tempestuosamente partiu para encontrar Labão. “Onde está a Raquel?” – gritou. “Eu trabalhei sete anos para casar com ela. Trouxeste-me a irmã dela! Seu enganador sem escrúpulos.”
       Labão não pareceu minimamente surpreendido com a explosão, nem muito preocupado. Fez sinal aos seus criados para continuarem com os seus deveres: como pai da noiva, era seu dever oferecer à comunidade celebrações que durassem uma semana e não ia desapontá-la. Depois voltou-se para Jacob com um sorriso calmo.
       “Costume local, meu rapaz” – disse ele. “É preciso respeitar estas coisas. A Lia é a mais velha. Temos de cumprir a tradição de ser ela a casar primeiro.”
       “Mas a Lia é tão feia…”
       “Acalma-te, meu rapaz. Todos dizem que a minha filha mais velha tem olhos ternos. Aguarda até que terminem os dias de banquete. Nessa altura terás também a Raquel.”
       Labão fez uma pequena pausa para beber um pouco da sua bebida: “Claro que terás de trabalhar depois mais sete anos, para concluir o acordo de forma adequada, mas pelo menos terás a Raquel.”
       Jacob ficou sem margem para negociar. Atirou um olhar furioso ao seu tio, mas Labão, simplesmente, voltou-lhe as costas e regressou aos festejos do dia.
         Jacob observou-o furioso, mas em silêncio. “Muito bem” – disse por fim.

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, março 2012.

Profissão de Fé 2012

       Solenidade do Pentecostes, oportunidade de celebrar mais um festa da catequese, desta feita, a Profissão de Fé. Com efeito, nos últimos anos, e para sublinhar o carácter solene do Pentecostes, temos aproveitado a ocasião para uma das festas da catequese a que continua a dar-se um relevo muito peculiar. Este ano, curiosamente, duas festas da catequese, em Pentecostes, a do Credo, na Missa vespertina, e da Profissão de Fé, na Missa dominical.
       Ficam algumas das imagens:


Para ver outras fotos visitar no perfil da Paróquia de Tabuaço:

Renascemos pela ressurreição de Jesus Cristo

       Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem desaparece. Esta herança está reservada nos Céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos. Isto vos enche de alegria, embora vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas provações, para que a prova a que é submetida a vossa fé – muito mais preciosa que o ouro perecível, que se prova pelo fogo – seja digna de louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo Se manifestar. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais n’Ele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas (1 Pedro 1, 3-9).
       Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». Ao ouvir estas palavras, o homem ficou abatido e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!». Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível» (Mc 10, 17-27).
 
       Retomamos o TEMPO COMUM, depois do tempo pascal.
       Dois textos muito significativos para hoje, segunda-feira da VIII Semana do Tempo Comum. Na primeira Leitura, tirada da Epístola de São Pedro, fala-se da Salvação que Cristo adquiriu para nós. Renascemos na Sua ressurreição. No entanto, as provações do tempo presente são inivitáveis, mas não uma fatalidade, é um processo de maturação.
       No Evangelho, encontramos o encontro e o diálogo entre Jesus e o jovem rico, que embora bem intencionado ainda não está preparado para um seguimento mais radical. Os muitos bens materiais que possui não o deixam arriscar uma vida nova.

domingo, 27 de maio de 2012

Festa do Credo 2012

       À grande solenidade do Pentecostes, juntámos, na paróquia de Nossa Senhora da Conceição, as festas da catequese do Credo e da Profissão de fé. A Festa do Credo, na Missa vespertina, e a da Profissão de Fé, na Dominical.
       Mais uma vez, com gestos simples e significativas, a expressividade da fé cristã, centrada na Santíssima Trindade, vivida em Igreja. Aqui ficam algumas imagens:

Para ver outras fotos visitar no perfil da Paróquia de Tabuaço:

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Editorial Voz Jovem - maio 2012

       A comunidade de Jerusalém é modelar, ainda hoje, ou sobretudo hoje, para as comunidades cristãs. “Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações… Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum… Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração” (Atos 2, 42-47).
       A descrição dá-nos uma ideia da vivacidade dos crentes e das relações solidárias e fraternas entre todos. Funcionam a um só coração, voltados para Jesus Cristo e para a Sua postura de amor, de entrega, de inclusão.
       A partir desta descrição, nestes meses de maio e de junho, mas solidificando o que deve ser sempre a comunidade dos cristãos, sublinhamos três realidades essenciais na vivência da nossa fé e no compromisso com os outros.
       A oração é o ponto de partida e de chegada da nossa fé. Há de ser o nosso alimento. O paradigma é Jesus Cristo. Sempre que se aproximam ocasiões decisivas, Ele afasta-Se para rezar, para escutar a Deus, Seu e nosso Pai. Este afastamento é físico mas não espiritual, pois pela oração tornamo-nos mais próximos uns dos outros. Se todos estamos unidos a Deus nem a realidade espácio-temporal inibe a nossa cumplicidade, a nossa comunhão.
       Por outro lado, há de ser na oração que descobrimos a alegria de sermos cristãos, filhos amados de Deus, abrindo a nossa mente e o nosso coração para acolhermos o Espírito Santo na força da Sua luz e da Sua graça santificante.
       Como fácil se conclui, a oração não nos isola, não nos desliga do mundo das pessoas. Ao invés, a oração une-nos mais radicalmente aos outros e ao mundo. A oração reenvia-nos na missão de testemunharmos a todos e em toda a parte o amor de Deus que experimentamos em nossas vidas, ainda que em momentos de sofrimento, de solidão e de doença, tenhamos mais dificuldade em expressar a alegria e a confiança no Deus da Vida e do Amor, do Encontro e da Festa. 
       Em Jesus, Deus faz-nos para sempre partícipes da Sua vida. Somos filhos no Filho. Somos herdeiros da vida eterna. Somos raça de Deus, portamos em nós as marcas do amor divino. No código de barras, que é cada um de nós, pode ler-se a pertença a Deus, a nossa origem, o nosso chão seguro, a casa do nosso conforto, da nossa confiança. É o amor maior. Somos habitação de Deus. Jesus, o rosto do Pai, e nós, o rosto de Cristo, que nos mostra os sinais da Sua paixão, as marcas do amor que nos devota. O amor que O leva a estender os braços na Cruz, é o mesmo Amor que se desprende da Cruz e nos abraça, terna e longamente. Da Sua à nossa Ressurreição. Até à eternidade.
       Se cada um é filho de Deus, somos todos irmãos. Comunidade. Família. Não são já os laços de sangue que nos identificam com os outros, mas os laços do amor de Deus em nós. A oração provoca-nos para a missão, com o fito de estreitarmos a comunhão entre todos, coração a coração, como repetidamente nos diz o nosso Bispo.
       Não bastam espaços físicos de encontro, é imperioso que nos encontremos nos sentimentos, nas emoções, nas alegrias e nas tristezas, fazendo da Igreja casa de todos e fazendo com que em cada casa brilhe a luz do Evangelho e da fé em Cristo Jesus. Como no princípio, na comunidade de Jerusalém, bata em nós o coração de Jesus.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um estranho perto de minha casa

       Um velho camponês observava, descontente, um jovem que construía uma cabana perto do seu arrozal.
       - Pergunto-me de onde veio - disse à mulher, nessa mesma noite. - Não é daqui da terra. A julgar pelas roupas, é originário das montanhas. Que vem fazer para aqui? Isto não me agrada nada. Isto não me agrada mesmo nada...
       - Porque não vais cumprimentá-lo amanhã? - Aconselhou a mulher.
       - Dá-lhe as boas vindas. De certeza que não conhece ninguém por estes lados.
       - Nem penses nisso - ripostou o camponês. - Não sabes que os habitantes das montanhas são todos uns ladrões? Ignoremo-lo; com sorte, talvez até se vá embora.
       Todos os dias, o camponês trabalhava no arrozal. Com a água pela barriga das pernas, arrancava as ervas daninhas e punha-as num balde. Uma manhã, descobriu que o balde não estava no sítio do costume.
       - Eu sabia. - Vociferava, enquanto levantava a cama e espreitava por detrás do armário. - Eu sabia. O homem roubou-me. Roubou o meu balde!
       A mulher perguntou-lhe:
       - Quem te roubou o balde?
       - Ora quem! - Sussurrou o homem - O montanhês!
       - Ninguém te roubou nada - assegurou a mulher. - Sabes muito bem que passas a vida a perder tudo. Procura bem o balde e acabarás por encontrá-lo!
       Mas o camponês não lhe deu ouvidos. Saiu de casa à socapa e foi espiar o vizinho. O jovem estrangeiro cuidava tranquilamente das suas tarefas, mas o camponês achou que ele tinha um ar suspeito.
       - Não há dúvida - disse para consigo, semicerrando os olhos enquanto observava o montanhês. - Tem ar de ladrão de baldes, anda como um ladrão de baldes: é um ladrão de baldes!
       - Bom-dia, vizinho - saudou-o o jovem, ao aperceber-se de que o camponês o espreitava por detrás de uma árvore.
       O velho fugiu a correr. Quando chegou junto da mulher, disse-lhe, esbaforido:
       - Estás a ver, até me cumprimenta para que não desconfie dele. É mesmo arrogante! Desafia-me! Ri-se de mim!
       O camponês barricou-se em casa com a mulher, as dez galinhas e os três porcos.
       - Meu pobre amigo - disse-lhe a mulher, abrindo a porta. - Perdeste mesmo a cabeça!
       - Mas - gemeu o camponês - Agora que tem o meu balde, vai querer tudo o que eu tenho. E ainda não te disse tudo - acrescentou o homem, batendo os dentes. - Quando não são ladrões, os montanheses são assassinos!
       A mulher encolheu os ombros e foi dedicar-se às tarefas do dia.
       Ao cair da tarde, o camponês saiu de casa para beber água do poço. E o que viu ele, pousado no parapeito do poço? O seu balde! Lembrava-se agora que tinha ido buscar água para dar de beber aos animais. Tinha-se esquecido completamente de pôr o balde no lugar.
       - Mas - repetia para si mesmo, envergonhado - O montanhês tinha mesmo ar de ladrão...

Johanna Marin Coles & Lydia Maria Marin Ross. O balde. Retirado de Caminhos de Encontro, Manual de EMRC, 5.º Ano

Procissão das Velas 2012

       Uma das tradições bem entranhadas nas comunidades católicas portuguesas, a Procissão das Velas, numa ligação muito espiritual ao Santuário de Nossa Senhora da Fátima. Imagens da celebração nas paróquias de Santa Eufémia, Pinheiros; Nossa Senhora da Conceição, Tabuaço, e São João Batista, Távora. Magnífico cântico da Irmã franciscana hospitaleira Maria Amélia da Costa.