sábado, 3 de dezembro de 2011

Domingo II do Advento (ano B) - 4 de dezembro

       1 – Preparar. Esta é a palavra e a atitude fundamental neste segundo domingo de Advento. Tal como se prepara com esmero, com alegria, com generosidade a vinda de alguém que nos é próximo e/ou familiar, fazendo com que a nossa casa seja um lugar acolhedor, em que a visita se sinta em sua própria casa, assim a preparação para recebermos Jesus Cristo, para celebrarmos em festa o Seu nascimento, sinal e expressão da Encarnação de Deus, ou seja, do Amor de Deus por nós, que não apenas Se faz próximo mas entra na história e no tempo, entra na humanidade, entra na nossa vida. 
       Com efeito, são eloquentes as palavras do profeta Isaías: "Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa... Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas... «Eis o vosso Deus. O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso»".
       O anúncio profético é de promessa, mas também de júbilo, de festa, porque o Senhor virá, virá como o pastor que guarda e protege o seu rebanho, cuidando de todos os animais, cordeiros e ovelhas, conduzindo-os em segurança ao seu descanso.
        2 – No Evangelho concretiza-se o anúncio de Isaías. O profeta, na verdade, anuncia o Precursor que prepara o caminho, como anuncia também a chegada do Emanuel, Deus connosco. João Baptista é a voz que antecipa a Palavra de Deus que vai encarnar, para mais à frente nos ajudar a acolher a Palavra feita homem, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
       "Apareceu João Baptista no deserto a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados..."
       O Precursor apresenta-se precisamente como Aquele que vem antes, aquele que cumpre parte da profecia de Isaías, e simultaneamente prepara o cumprimento pleno n'Aquele que está para vir. João refere-o de forma inequívoca na sua pregação: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».
       Como há dois mil anos, estas palavras devem suscitar em nós a mesma atitude de conversão, de preparação para a vinda do Messias de Deus.
       É uma preparação intemporal, para todos os tempos, preparando a celebração festiva do Natal, mas igualmente preparando o nosso encontro definitivo com Deus, como nos é referido pelo Apóstolo São Pedro: "o dia do Senhor virá como um ladrão... Uma vez que todas as coisas serão assim dissolvidas, como deve ser santa a vossa vida e grande a vossa piedade, esperando e apressando a vinda do dia de Deus... Portanto, caríssimos, enquanto esperais tudo isto, empenhai-vos, sem pecado nem motivo algum de censura, para que o Senhor vos encontre na paz".
       A nossa espera não é passiva, mas (pro)activa, comprometida em transformar a nossa vida e o mundo que nos rodeia e pela qual também somos responsáveis.

       3 – No entanto, não estamos abandonados à nossa sorte, e sobretudo nós que vivemos no tempo dos novos céus e da nova terra que Jesus inaugurou. Ele é o Bom Pastor que veio e que desce à nossa vida, que nos guia por caminhos de encontro e de felicidade. Em Jesus cumpre-se a promessa, Deus qual pastor que nos congrega para o banquete da vida.
       O grito de Isaías é um desafio confiante, as trevas da desolação desaparecem com a chegada do Messias.
       Do mesmo modo as palavras de São Pedro, desafiam-nos e sossegam-nos: "um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia. O Senhor não tardará em cumprir a sua promessa, como pensam alguns. Mas usa de paciência para convosco e não quer que ninguém pereça, mas que todos possam arrepender-se". 

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 40,1-5.9-11; 2 Pedro 3,8-14; Mc 1,1-8. 

Sem comentários:

Enviar um comentário