terça-feira, 23 de maio de 2017

Agora vou para Aquele que Me enviou

       Disse Jesus aos seus discípulos: «Agora vou para Aquele que Me enviou e nenhum de vós Me pergunta: ‘Para onde vais?’. Mas por Eu vos ter dito estas coisas, o vosso coração encheu-se de tristeza. No entanto, Eu digo-vos a verdade: É do vosso interesse que Eu vá. Se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, Eu vo-l’O enviarei. Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do julgamento: do pecado, porque não acreditam em Mim; da justiça, porque vou para o Pai e não Me vereis mais; do julgamento, porque o príncipe deste mundo já está condenado» (Jo 16, 5-11).
       Aproximamo-nos da celebração litúrgica da ASCENSÃO de Jesus ao Céu e, por conseguinte, o Evangelho mostra Jesus a preparar os seus discípulos para os tempos futuros, para a Sua "ausência" física, dando dicas concretas para que a ausência seja PRESENÇA até ao fim dos tempos.
       A partida de alguém, também a de Jesus, para os amigos e familiares, reveste-se sempre de alguma tristeza e apreensão. Se for por um tempo limitado, procura-se mitigar a dor pela brevidade do tempo e por outras formas de presença. telefonando, conectando-se pela internet, nestes meios modernos que também servem para aproximar pessoas. Se a separação é para sempre, é muito mais dolorosa. Não voltaremos a ver àquela pessoa nesta vida terrena e finita.
       Jesus vai ascender para Deus. Porquanto, está com os seus discípulos, anda a pregar, ainda nem sequer chegou ao momento da morte, mas intuindo o futuro, prepara os seus discípulos para tempos mais difíceis, para quando morrer, para quando ressuscitar/ascender aos Céus. Fica a promessa: o envio do Espírito. Jesus permanecerá com os Seus, permanecerá vivo, através do Espírito Santo que recordará toda a verdade anunciada e, mistericamente, permitirá a presença real de Jesus nos Sacramentos.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Espírito da verdade dará testemunho de Mim

       Disse Jesus aos seus discípulos: «Quando vier o Paráclito, que Eu vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim. E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio. Disse-vos estas palavras para não sucumbirdes. Hão-de expulsar-vos das sinagogas; e mais ainda, aproxima-se a hora em que todo aquele que vos matar julgará que presta culto a Deus. Procederão assim por não terem conhecido o Pai, nem Me terem conhecido a Mim. Mas Eu disse-vos isto, para que, ao chegar a hora, vos lembreis de que vo-lo tinha dito» (Jo 15, 26 - 16, 4a).
         O Evangelho continua a apresentar-nos a "catequese" de Jesus sobre o Espírito Santo.
        Ele vai partir, mas não nos deixa órfãos, envia-nos, de junto de Deus Pai, o Espírito Santo.
       O Espírito Santo procede do Pai, e por isso, tal como Pai, também o Espírito dará testemunho de Jesus. É o Paráclito, o Defensor, o Espírito da verdade. Vem para iluminar, para esclarecer, para revelar o que já antes Jesus comunicara. Nesse sentido Jesus dirá aos Seus discípulos que não têm de temer, Ele estará presente pelo Espírito Santo, nem precisarão de se preocupar com o que hão-de dizer, quando forem levados à presença das autoridades, o Espírito falará neles e por eles. Esta certeza renova a esperança dos discípulos.
       Mas também os discípulos são chamados a testemunhar Jesus Cristo...

sábado, 20 de maio de 2017

Domingo VI da Páscoa - ano A - 21 de maio de 2017

– Dizes que gostas de mim e fazes o que eu te digo?
– Sim, mas eu procuro escutar-te com atenção e fazer tudo o que me pedes, mas por vezes dá-me a preguiça, outras vezes esqueço-me, outras vezes procuro fazer o que acho que te vai fazer feliz.
– Mas se realmente me amas, faz o que te peço! Não peço mais nada. Agora, dizes que és meu amigo, mas parece que fazes as coisas para me arreliar, fazes o contrário do que te peço para fazer.
– Olha que não. Quando isso acontece não é por mal. Eu gosto muito de ti. Tu és a minha vida, a minha a alegria, o brilho dos meus olhos, o palpitar do meu coração. Deves compreender, nem sempre é fácil fazer o que me pedes. Como te disse umas vezes por preguiça outras por esquecimento e outras porque nem sei se o que me pedes é o queres mesmo!
– Caramba. Não é preciso explicar tim-tim por tim-tim. Há tanto tempo que me conheces como podes desconhecer o que eu quero? Nem preciso de to explicar, basta que prestes atenção. É o mínimo que te posso pedir...

       1 – «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos... . Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele».
       Jesus vai partir. Antes da partida, o Seu testamento. Amar, servir, dar a vida, permanecer. Ele não nos deixará órfãos. Permanecerá connosco, se permanecermos n'Ele. Vai partir, vai ser morto, mas ao terceiro dia ressuscitará. Irá para a Casa do Pai, para onde nos levará também. Vai preparar-nos um lugar, pois na Casa do Pai há muitas moradas. Precede-nos no tempo, preceder-nos-á na eternidade. Mas enquanto não vamos para a casa paterna, enquanto caminhamos como peregrinos, como discípulos missionários, temos em nós o Espírito Santo Paráclito que o Pai nos envia em nome de Jesus. Ele estará connosco até ao fim dos tempos.
       O que há de mais importante na vida não se vê. A inteligência, os afetos, o amor, o que nos liga aos outros. É algo de intangível. Sabemos que amamos e somos amados, mas não vemos e, na maioria das vezes, não conseguimos explicar porquê, por que amamos esta pessoa e odiamos aqueloutra, por que alguém nos ama e aqueloutra nos odeia.
       O Espírito que o Pai nos dá, através de Jesus Cristo, é Espírito de verdade. O mundo não O conhece, nem O vê. Mas nós, discípulos do Senhor, já O conhecemos. Como? Porquê? Porque Ele nos habita. Voltamos à dinâmica do amor: podemos não saber explicar, mas sabemos que esta pessoa nos ama, sabemos que amamos aquela pessoa!
       Por outro lado, a separação física de alguém não implica de todo o fim da ligação! Também o sabemos por experiência. Quando alguém se ausenta para trabalhar, quando os filhos vão para a universidade, quando o pai vai para o outro lado do mundo, a ligação acentua-se e a necessidade de comunicar é mais premente, utilizando-se hoje as redes sociais que permitem um contacto diário, pela voz e pela imagem. Jesus não Se serve das tecnologias de comunicação, mas do Espírito Santo. Jesus permanecerá e ve-l'O-emos, porque Ele vive, pois estando no Pai está com todo aquele que O acolher, pelo Espírito Santo.

       2 – A pessoa não é divisível. É corpo, alma e espírito. Dizemos que a pessoa é mais do que aquilo que come ou que veste, é mais do que aquilo que diz ou que faz. Por certo. Mas o que veste e sobretudo o que diz e o que faz revelam o seu carácter e, por maioria de razão, se o que diz e o que faz são uma constante. Claro que não podemos julgar a pessoa por uma palavra ou por um gesto, pois a pessoa está (sempre) a crescer, a amadurecer, a progredir, a peregrinar. Vai limando as imperfeições, procurando superar as limitações, com a consciência que pode falhar, mas com a coragem de prosseguir, porque só dessa forma realiza a vida.
       A consistência da vida Jesus visualiza-se e concretiza-se no Seu dizer e no Seu fazer. O que diz e o que faz revelam-n'O como pessoa dócil e bondosa, preocupada com todos, empenhada em curar os que andam abatidos pelo cansaço, pela doença e pelo pecado. Há, como víamos na semana passada, continuidade entre o Filho e o Pai. Jesus, em tudo e em todos os momentos, procura transparecer, mostrar e realizar a vontade do Pai. Os discípulos devem agir da mesma forma. A ligação é possível pelo cumprimento dos mandamentos, pela vivência das obras da misericórdia. Se fizerdes o que vos mando, permanecereis em Mim e Eu em vós, como Eu permaneço no Pai e o Pai em Mim. É também esse o melhor testemunho. As palavras que proferimos, as obras que realizamos, confirmam se amamos ou não amamos Jesus. Ainda que falhemos. Não podemos, contudo, dizer que amamos e nem nos preocupamos em sintonizar com a Sua santíssima vontade.

       3 – Jesus morreu e ressuscitou. Ele vive e está no meio de nós, está connosco. Continua a agir na história, de um modo novo, através do Espírito Santo e com a nossa cooperação. Os discípulos completam a sua identidade ao tornarem-se também missionários, transparecendo a presença de Jesus.
       A primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, continua a mostrar-nos como os discípulos da primeira hora e as primeiras comunidades acolhem e vivem Jesus e como O dão aos outros. Filipe, um dos Doze, em terras da Samaria, prega a Palavra de Deus e realiza prodígios em nome de Jesus Cristo. «De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados. E houve muita alegria naquela cidade». As palavras de Filipe são sancionadas pelos milagres que Deus continua a operar através dele, como Jesus lhes tinha prometido, «fareis obras maiores do que estas».

       4 – Nem o Evangelho nem a Fé são de uso privado, como se cada um a seu gosto fizesse o que lhe dá na real gana, isso não é fé, é fanatismo, mesmo que com muita tolerância. A Fé não é minha, não é tua, não é nossa, é dom de Deus que nos desafia, nos envia, nos congrega. A fé faz-nos pertença. É como o amor, não amamos para nos isolarmos e escondermos, amamos para nos darmos. Ou, dito de outra forma, o amor impele-nos para aqueles que amamos. A fé no Pai compromete-nos com os irmãos, com todos os Seus filhos. Pedro e João são enviados pela comunidade de Jerusalém para confirmarem na fé os samaritanos que aderiram ao Evangelho. "Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles: só estavam batizados em nome do Senhor Jesus. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo".
       É visível a sacramentalidade da Igreja, dispensadora dos bens de Deus. Filipe pregou. Os que acreditaram foram batizados e, depois, Pedro e João, confirmam/crismam, rezando e impondo-lhes as mãos, para que recebam o Espírito Santo.

       5 – São Pedro serve-nos a sua epístola e recorda-nos como Jesus, o Justo, dá a vida por nós, os pecadores, para nos conduzir a Deus. Por conseguinte, como discípulos, devemos proceder do mesmo modo, dando testemunho d'Ele em toda a parte e em todas as situações, com brandura e respeito, dando razões da nossa esperança.
       Sabendo as provações a que estamos sujeitos, o Apóstolo anima-nos a não vacilar, a manter-nos fiéis à vontade Deus. Mesmo padecendo, mais vale fazer o bem que o mal.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A): Atos 8, 5-8. 14-17; Sl 65 (66); 1 Pedro 3, 15-18; Jo 14, 15-21.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei

       A nossa referência, o nosso centro, Pastor e Guia, é Jesus Cristo. Em continuidade com os dias anteriores, diz-nos claramente quais as condições para o seguirmos: servindo amando, amando servindo.
Disse Jesus aos seus discípulos: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros» (Jo 15, 12-17).

       Simples e claro, o mandamento de Jesus: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Não é uma cartilha com muitas palavras, com muitas regras ou exigências, é um Mandamento que engloba o essencial. Será Seu discípulo todo aquele que viver este mandamento.
       A medida, porém, vai pelo máximo e não pelos mínimos garantidos. O amor de Jesus por nós tem a medida da vida, é um amor sem medida, sem limites. "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos".
       Ele escolhe-nos para nos amar. Nesta escolha, a Sua vida pela nossa, a Sua entrega até à Cruz para nossa salvação.
       Nos Atos dos Apóstolos, são-nos mostrados os progressos da evangelização.  Mas também as dificuldades, dentro e fora da comunidade. Os primeiros cristãos são originários do judaísmo e num primeiro momento quase se confundem, uma vez que judeus e cristãos frequentam os mesmos locais de culto e citam a mesma Escritura Sagrada, seguem as mesmas tradições. As conversões de gentios, de pagãos, estranhos ao judaísmo, exigem novas respostas, enquadramentos, pois não será necessário seguir práticas específicas do judaísmo quando o essencial é Jesus Cristo e o Seu Evangelho.

Os Apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a Igreja de Jerusalém, resolveram escolher alguns irmãos, para os mandarem a Antioquia com Barnabé e Paulo: eram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens de autoridade entre os irmãos. Mandaram por eles esta carta: «Os Apóstolos e os anciãos, irmãos vossos, saúdam os irmãos de origem pagã, residentes em Antioquia, na Síria e na Cilícia. Tendo sabido que, sem nossa autorização, alguns dos nossos vos foram inquietar, perturbando as vossas almas com as suas palavras, resolvemos de comum acordo escolher delegados para vo-los enviarmos, juntamente com os nossos queridos Barnabé e Paulo, homens que expuseram a vida pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso vos mandamos Judas e Silas, que vos transmitirão de viva voz as nossas decisões. O Espírito Santo e nós decidimos não vos impor outras obrigações, além destas que são indispensáveis: abster-vos das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das relações imorais. Procedereis bem, evitando tudo isto. Adeus». Feitas as despedidas, os delegados desceram a Antioquia, onde reuniram a assembleia e entregaram a carta. Quando a leram, todos ficaram contentes com aquelas palavras de estímulo (Atos 15, 22-31).

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Permanecei no meu amor


       A expansão do Evangelho encontra, aqui e além, externa e internamente, algumas dificuldades. Paulo e Barnabé sobem a Jerusalém para se encontrarem com a comunidade original, com o grupo dos Apóstolos e com os Anciãos. A polémica incide sobre se os cristãos vindos do paganismo têm de cumprir as prescrições judaicas, se têm de manter as tradições próprias da Lei mosaica. Segundo os cristãos vindos do judaísmo, os cristãos vindos do paganismo têm de ser circuncidados e cumprir com outros requisitos judaicos. Depois de refletirem em comunidade, inspirados pelo Espírito Santo, os Apóstolos, em comunidade, respondem.
       Por aqui se vê como a comunidade é também um espaço de reflexão, de diálogo, de oração, de compreensão. Vê-se também a estrutura hierárquica. Tiago, o Bispo de Jerusalém, tem a última palavra sobre o assunto.
       O essencial não são as tradições mas a fidelidade a Jesus Cristo. Em todo o caso há algumas recomendações para que não haja confusão com a idolatria e para apaziguar a relação entre todos os cristãos.
Pedro: «Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu do meio de vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do Evangelho e abraçassem a fé. Deus, que conhece os corações, deu testemunho a favor deles, ao conceder-lhes o Espírito Santo como a nós; não fez qualquer distinção entre nós e eles, porque purificou os seus corações pela fé... toda a assembleia ficou em silêncio e começou a ouvir Barnabé e Paulo descrever os milagres e prodígios que Deus realizara por seu intermédio entre os gentios. Quando eles acabaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: «Irmãos, escutai-me. Simão contou como Deus, ao princípio, Se dignou intervir, para formar de entre os gentios um povo consagrado ao seu nome. Isto concorda com as palavras dos Profetas, como está escrito: ‘Depois disto, virei para reconstruir a tenda de David, que estava caída; reconstruirei as suas ruínas e erguê-las-ei de novo, para que o resto dos homens procurem o Senhor, com todas as nações consagradas ao meu nome. Assim fala o Senhor, que desde sempre dá a conhecer estas coisas’. Por isso, sou de opinião de que não se devem importunar os gentios convertidos a Deus. Digam-lhes apenas que se abstenham de tudo o que foi contaminado pela idolatria, das relações imorais, das carnes sufocadas e do sangue. Desde os tempos antigos, Moisés tem em cada cidade os seus pregadores e é lido todos os sábados nas sinagogas» (Atos 15, 7-21).
       No Evangelho encontramos a resposta dada pela comunidade de Jerusalém. Jesus diz o que é essencial para os Seus seguidores: amar como Ele nos amou. Deus é fonte de todo o amor. Deus ama o Filho. O Filho, Jesus Cristo, ama-nos com o mesmo amor que recebeu do Pai. O cristão, seguidor de Cristo, deverá amar do mesmo jeito. Dessa forma saberemos que permanecemos em Deus. Amar como Jesus, leva-nos a cumprir as Suas palavras. A finalidade: para que a Sua alegria esteja em nós.

«Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa» (Jo 15, 9-11).

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Centenário das Aparições na Paróquia de Tabuaço

       Na Paróquia da Tabuaço assinalámos o Centenário das Aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos de Fátima com uma das Caminhadas Marianas, no dia 13 de maio, à Santa Casa da Misericórdia de Tabuaço.
       No dia 12 de maio, a tradicional Procissão das Velas por algumas ruas da nossa paróquia, com uma significativa participação. Para o dia 13 reservámos a celebração da Santa Missa na Santa Casa. Iniciámos a celebração com a Procissão, com o andor de Nossa Senhora de Fátima, rezando o terço e cantando. No Lar, a celebração da Santa Missa, com as crianças da catequese, com os idosos, com a comunidade paroquial. No momento de ação de graças, a oração, em conjunto, do Papa Francisco na Capelinha das Aparições. Depois da Eucaristia, o regresso, em Procissão, à Igreja Matriz.
       Algumas fotos da Procissão das Velas e da Caminhada Mariana e celebração na Santa Casa da Misericórdia:

Eu sou a videira, vós sois os ramos

       Disse Jesus aos seus discípulos: «Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto. Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem. Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos» (Jo 15, 1-8)
      A comparação/imagem utilizada por Jesus para é extraordinária. Obviamente, que os ramos separados da videira não produzem. Não produzem. Secam. Morrem. Ao invés, todo o ramo que estiver unido à videira dará fruto. Ainda assim, precisa de cuidados. Que o digam as pessoas que têm vinhas ao seu encargo. A cada tempo é necessário aparar, endireitar, limpar as folhas a mais, podar. Se o ramo crescer sem cuidados, por si só acabará por não produzir em qualidade. Por exemplo, se a folhagem for demasiada, as uvas não amadurecerão, pois não terão o sol suficiente. Como diz Jesus, como ramos da videira, temos de cuidar para darmos fruto.
       Como é que podemos ser preparados? Como é que podemos saber que estamos ligados à videira que é Cristo? Responde-nos Jesus: permanecendo n'Ele no cumprimento da Sua palavra. E assim daremos fruto em abundância.

       Nos Atos dos Apóstolos, temos vindo a acompanhar as primeiras comunidades crentes, com a pregação dos apóstolos, com a formação de novas comunidades, com o confronto entre sensibilidades distintas, pois distintas são as pessoas e os locais em que vivem.
       Grande impulso missionário da Igreja primitiva, mas onde não faltam dissenções, discussões, ruturas, conflitos, perseguição, ameaças.
Alguns homens que desceram da Judeia começaram a ensinar aos irmãos de Antioquia: «Se não receberdes a circuncisão, segundo a lei de Moisés, não podereis salvar-vos». Isto provocou um conflito e uma discussão intensa que Paulo e Barnabé tiveram com eles. Então decidiram que Paulo e Barnabé e mais alguns discípulos subissem a Jerusalém para tratarem desta questão com os Apóstolos e os anciãos. Despedidos afavelmente pela Igreja, atravessaram a Fenícia e a Samaria, onde narravam a conversão dos gentios, causando grande contentamento a todos os irmãos. Ao chegarem a Jerusalém, foram recebidos pela Igreja, pelos Apóstolos e pelos anciãos, e contaram tudo o que Deus tinha feito por seu intermédio. Ergueram-se alguns homens do partido dos fariseus que tinham abraçado a fé, para dizerem que era preciso circuncidar os gentios e impor-lhes a observância da Lei de Moisés. Então os Apóstolos e os anciãos reuniram-se para examinar o assunto (Atos 15, 1-6)
As dificuldades não vêm somente do exterior, vêm do interior da própria Igreja, É preciso que a comunidade se reúna, reze, e procure a inspiração do Espírito Santo, para melhor traduzir a vontade de Jesus Cristo e o Mandamento do Amor.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Deixo-vos a minha paz, dou-vos a minha paz...

       Paulo e Barnabé continuam em grande atividade missionária. Passam de uma a outra terra anunciando o Evangelho de Jesus Cristo, testemunhando-O com palavras mas também com gestos. Simultaneamente as dificuldades e as provações. Ora perseguidos, ora apedrejados, ora expulsos da cidade. O importante é perseverar em nome de Jesus Cristo, na certeza que Ele nos conduz à vida nova do Reino de Deus, não apenas no futuro mas desde já. O encontro com Jesus ressuscitado provoca alegria e conduz ao testemunho firme. A fé, como o amor, quanto mais se partilha mais se aprofunda, se esclarece, amadurece. Um fé fechada, triste, vivida no isolamento, é uma fé condenada a morrer. A fé em Jesus Cristo leva ao encontro dos outros, transbordando em alegria o testemunho do encontro com o Mestre dos Mestres. Desde a conversão, São Paulo nunca mais cessou de testemunhar Jesus Cristo, independentemente das condições serem ou não favoráveis.

     "Chegaram uns judeus de Antioquia e de Icónio, que aliciaram a multidão, apedrejaram Paulo e arrastaram-no para fora da cidade, dando-o por morto. Mas, tendo-se reunido os discípulos à sua volta, ele ergueu-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu com Barnabé para Derbe. Depois de terem anunciado a boa nova a esta cidade e de terem feito numerosos discípulos, Paulo e Barnabé voltaram a Listra, a Icónio e a Antioquia. Iam fortalecendo as almas dos discípulos e exortavam-nos a permanecerem firmes na fé, «porque – diziam eles – temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no reino de Deus». Estabeleceram anciãos em cada Igreja, depois de terem feito orações acompanhadas de jejum, e encomendaram-nos ao Senhor em quem tinham acreditado. Atravessaram então a Pisídia e chegaram à Panfília. Depois anunciaram a palavra em Perga e desceram até Atalia. De lá navegaram para Antioquia, de onde tinham partido, confiados na graça de Deus, para a obra que acabavam de realizar. À chegada, convocaram a Igreja, contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. Demoraram-se ali bastante tempo com os discípulos" (Atos 14, 19-28).
       No Evangelho, as palavras de Jesus preparam-nos para o tempo em que Ele não estará nem Se fará sentir fisicamente:
Disse Jesus aos seus discípulos:
«Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis. Já não falarei muito convosco, porque vai chegar o príncipe deste mundo. Ele nada pode contra Mim, mas é para que o mundo saiba que amo o Pai e faço como o Pai Me ordenou» (Jo 14, 27-31a).

       A paz, como muitas vezes se refere, não é apenas, ou não há de ser apenas, a ausência de guerra, ainda que seja um objectivo. A paz brota do interior, de um coração em paz consigo, com os outros, com o mundo, em Deus. É esta a paz que Jesus vem trazer, uma paz comprometida com o outro, com a transformação do mundo. Um paz que se funda na caridade, que brota do amor, que conduz a Deus.
       Neste sentido, paz não é mero deixar andar (“Laissez faire, laissez passer, lê monde va de lui même”- em tradução livre: deixa fazer, deixa passar, o mundo avança de qualquer jeito). A paz que Jesus nos dá é pro-ativa, exige de nós, compromete-nos, leva-nos à ação, a procurar o bem, a justiça, a verdade. Brota do amor. E o amor traduz-se em gestos concretos, em compromissos efetivos. Não precisamos de transformar o mundo inteiro, precisamos de harmonizar a nossa vida, com o amor de Deus, fazendo com que as nossas palavras e obras revelem alegria, esperança, amor, perdão, vida nova.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Quem Me ama guardará a minha palavra...

       A liturgia da Palavra, proposta para esta segunda-feira da 5.º Semana da Páscoa, mostra-nos, como temos vindo a acompanhar, a evolução das primeiras comunidades cristãs. Jerusalém, como ponto de irradiação e logo as comunidades que vão nascendo na Diáspora dos judeus. Por um lado, os judeus que se deslocam a Jerusalém, nas festividades, e que quando regressam a suas casas e às terras onde vivem, levam as novidades, entre as quais a dinâmica do cristianismo. Por outro lado, a perseguição à Igreja que obriga os crentes cristãos a fugir, a refugiar-se, a deslocar-se para outras terras, levando consigo a fé em Jesus Cristo e dando testemunho, as razões porque foram expulsos e porque aderiram à mensagem de Cristo.
       Na segunda parte dos Atos dos Apóstolos acompanhamos sobretudo São Paulo. A sua conversão a Jesus começa a dar bom fruto na pregação, mas também a perseguição:
Surgiu em Icónio um movimento, da parte dos pagãos e dos judeus, com os seus chefes, para maltratar e apedrejar Barnabé e Paulo. Conscientes da situação, estes refugiaram-se nas cidades da Licaónia, Listra, Derbe e seus arredores, onde começaram a anunciar a boa nova. Havia em Listra um homem inválido dos pés, coxo de nascença, que nunca tinha podido andar. Um dia em que escutava as palavras de Paulo, este fixou nele os olhos e, vendo que tinha fé para ser curado, disse-lhe com voz forte: «Levanta-te e põe-te direito sobre os pés». Ele levantou-se e começou a andar. Ao ver o que Paulo tinha feito, a multidão exclamou em licaónico: «Os deuses tomaram forma humana e desceram até nós». A Barnabé chamavam Zeus e a Paulo Hermes, porque era este que falava. Então o sacerdote do templo de Zeus, que estava à entrada da cidade, trouxe touros e grinaldas para as portas do templo e, juntamente com a multidão, pretendia oferecer-lhes um sacrifício. Quando souberam isto, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as túnicas e precipitaram-se para a multidão, clamando: «Amigos, que fazeis? Nós somos homens como vós e vimos anunciar-vos que deveis abandonar estes ídolos e voltar-vos para o Deus vivo, que fez o céu, a terra e o mar e tudo o que neles existe. Nas gerações passadas, permitiu que todas as nações seguissem os seus caminhos. Mas nem por isso deixou de dar testemunho da sua generosidade, concedendo-vos do céu as chuvas e estações férteis, para saciar de alimento e felicidade os vossos corações». Com estas palavras, a custo impediram a multidão de lhes oferecer um sacrifício (Atos 14, 5-18).
       Neste relato vemos como a fé precisa de amadurecer: Paulo e Barnabé são instrumentos ao serviço do Evangelho. Não são deuses. Permanecem firmes a Jesus Cristo.
       No Evangelho, Jesus desafia a permanecermos fiéis ao Seu mandato de amor. Amar Jesus Cristo equivale a guardar os Seus mandamentos. Guardar os Seus mandamentos, conduz-nos aos outros e ao compromisso com o mundo que é o nosso.
Disse Jesus aos seus discípulos: «Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele». Disse-Lhe Judas, não o Iscariotes: «Senhor, como é que Te vais manifestar a nós e não ao mundo?» Jesus respondeu-lhe: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse- vos estas coisas, enquanto estava convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse» (Jo 14, 21-26).

sábado, 13 de maio de 2017

Domingo V da Páscoa - ano A - 14 de maio de 2017

       1 – No melhor do pano cai a nódoa! Pensamos que conhecemos alguém de ginjeira e quando vamos a dar conta somos surpreendidos, negativa ou positivamente. Por um lado, cada pessoa é um mistério, para si mesmo e muito mais para os outros. Por outro lado, a proximidade, a habituação, o conhecimento pode levar-nos a dar os outros como adquiridos, na amizade, no namoro, no casamento, no trabalho. Mantendo-nos embora os mesmos ao longo do tempo, vamos deixando de ser o que éramos para nos tornarmos o que somos. A vida está em constante ebulição. Se assim connosco, assim com os outros. Pelo que a atenção, a abertura ao bem que o outro nos traz, questionando sempre o que o outro sente, pensa e deseja, permite caminhar com mais confiança.

       2 – O Evangelho que hoje nos é proposto leva-nos aos momentos finais da vida histórica de Jesus, mas com a certeza que o futuro emergirá seguro, pois o que agora se prepara é garantido pelo Pai. O Filho não é uma invenção, uma promessa adiada, um sonho, não é uma ilusão. Quem O vê, vê o Pai. Como quem diz: este não engana, é a cara chapada do Pai. A cara e a vida toda de Jesus assoma e transparece a vida do Pai, nas palavras, nos gestos, nas obras. Jesus vem para fazer o que viu fazer ao Pai, dizer o que ouviu ao Pai, fazer as obras que o Pai lhe dá para fazer.
       Jesus vai partir. Em dois sentidos: vai ser morto e ascenderá à Casa do Pai. Prevenindo os efeitos devastadores de um e de outro momento, Jesus alerta os seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho».
       Ao longo dos três anos da Sua vida pública Jesus faz seminário com os seus discípulos. Prepara-os para que assumam a missão de levar a paz e a esperança ao mundo inteiro, para que sejam construtores da fraternidade. Agora que o fim se vislumbra, Jesus garante-lhes que permanecerá sempre, até ao fim dos tempo, acompanhá-los-á no seu caminho, guiando-os para o Pai. Assim foi antes, assim será no futuro.
       «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai». Tomé e Filipe são hoje os interlocutores de Jesus. Interrogam-n'O. Para onde vai e qual o caminho? Responde-lhes Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim». A continuidade está assegurada. Como se verá depois com as aparições: as marcas da paixão, do Crucificado, estão bem visíveis no Ressuscitado. É certo que a pessoa é um mistério incontornável. Mas se há margem para a surpresa, também há margem para a confiança.

       3 – O mistério da salvação ultrapassa qualquer racionalização fria e calculista, ainda que precisemos de refletir, ponderar, para que acolhamos Deus que vem e irrompe na nossa vida não como ilusão, mas como Pessoa que Se relaciona connosco e que em Jesus Se torna visível. Há, neste mistério, apesar da novidade, continuação da missão do Pai para o Filho, do Filho para os discípulos. «Quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai».
       Esta continuidade assenta na confiança. Quem vê Jesus, vê o Pai e, sendo assim, podemos confiar, pois Jesus é fiável. Ele deixou marcas de bem e de serviço, de delicadeza e bondade, perdoando, acolhendo, incluindo, convivendo com todos, priorizando a Sua ligação aos pecadores e aos pobres, aos doentes e às crianças, às mulheres e aos publicanos. Não há que enganar. Muitas vezes ficamos com o pé atrás em relação a algumas pessoas e sobretudo quando já tivemos experiências negativas e quem sabe destrutivas. Poderemos ficar de pé atrás em relação a Jesus?
       Jesus não Se impõe de forma evidente ao ponto de rasgar a nossa liberdade, mas propõe-Se com a Sua doçura e prontidão para o serviço, apontando sempre para Deus Pai, Seu alimento e fonte de todo o bem. Como o Pai Me enviou também Eu vos envio a vós.

       4 – Vivemos o Centenário das Aparições de Fátima, com a peregrinação do Papa Francisco e com a canonização de Francisco e Jacinta. Nestes dias muito se tem refletido sobre Fátima, a Mensagem comunicada por Nossa Senhora aos Pastorinhos, sobre as vivências e os riscos da devoção mariana. Alguns dos critérios para validar as Aparições e a Mensagem são conhecidos, como a continuidade com o Evangelho. Outro critério está nos frutos. Fátima converte? Leva as pessoas a mudar de vida, positivamente falando? Compromete com os outros? Compromete com a com Igreja? Faz-nos mais atentos às necessidades dos irmãos? Amadurece a nossa fé em Deus?
       Um aparte. Dizia um amigo sacerdote que alguns são tão devotos de Fátima que facilmente vão a Fátima, mas depois ficam tão cansados, tão cansados, que não conseguem andar 5 metros para ir à Igreja Paroquial e participar na Eucaristia!
       A maturidade da fé não é igual para todos, mas se a fé é autêntica conduzir-nos-á à comunidade. A fé não é minha, não é tua. Não é nossa. É a fé com que Jesus nos abre o coração para o Pai e para a eternidade. A fé insere-nos no Seu Corpo, que é a Igreja, da qual Ele é a cabeça e nós os membros.
       Deus não está longe de quantos O invocam de todo o coração. Não está longe de Jacinta, de Francisco, de Lúcia; não está longe de nós. Deixa-Se ver de forma privilegiada em Jesus Cristo, mas também em todos aqueles que em Seu nome procuram ser fiéis ao mandato de amor que Ele corporiza.
       A Virgem Maria é a primeira discípula e como discípula de Jesus, aponta-nos para Ele, sempre: Fazei tudo o que Ele vos disser. Por outro lado, foi vontade de Jesus que Maria assumisse na nossa vida um papel preponderante, o de Mãe. Nos Seus últimos desejos, nas Suas palavras finais, Jesus dá-nos Maria por Mãe e faz-nos reconhecer que somos filhos d'Ela, pelo que Ela há ser Casa para nós, há de preencher de graça e de confiança o nosso coração e a nossa vida. Também com Ela a continuidade é lógica: Ela faz-nos sentir em Casa, dulcificando a nossa vida para melhor acolhermos o Seu Filho. Quem meus filhos beija, minha boca adoça.
       Maria, porém, não é um para-raios que nos defende da maldade de Deus, como uma mãe que se interpõe entre o pai e os filhos para que estes não sejam agredidos, com o risco de levar em vez dos filhos. Pelo contrário, Deus é fonte de todo o bem, o Seu maior atributo é a Misericórdia. Como Mãe, Ela pega-nos na nossa mão e leva-nos a Jesus. Ela ajuda-nos a perceber e a familiarizar-nos com o Amor de Deus. Cheia de Graça, gera Jesus, para que também nós, frutifiquemos na graça e na bênção de Deus.

       5 – Os primeiros cristãos e as primeiras comunidades cristãs procuram ser fiéis aos ensinamentos de Jesus e merecedores da Sua morte e ressurreição. Ser fiéis não significa ficar parados no tempo, no passado, cristalizando as situações e os momentos. Pelo contrário, a fidelidade exige criatividade e inovação, procurando no momento atual responder às necessidades e urgências das pessoas.
       De dia para dia aumenta o número dos discípulos. Acentuam-se as dificuldades em atender a todas as pessoas. A comunidade reúne-se, reza ao Senhor, deixa-se iluminar pelo Espírito Santo e decide. A prioridade do anúncio não pode e não deve descurar a atenção à caridade. A caridade começa com a pregação, mas não pára aí, exprime-se e concretiza-se no serviço às pessoas mais fragilizadas.
       A missão primeira de Jesus é anunciar o Evangelho, não de forma genérica, mas em conformidade com as pessoas que encontra. Por vezes é preciso alimentar primeiro o corpo, é preciso parar para que outros possam beneficiar da Sua presença e do Seu amor. Mesmo quando os discípulos tentam afastar as pessoas, como as crianças, Jesus dá-lhes toda a atenção e todo o tempo do mundo. Não vale passar à frente, há que ajudar quem está à minha frente, ao meu lado, quem vem atrás de mim. 
       É desta forma que nos tornamos pedras vivas e entramos na construção deste templo espiritual, agregando-nos de tal forma que Jesus seja para nós a pedra angular que nos sustenta e solidifica como comunidade de irmãos. A dimensão espiritual da Igreja e dos discípulos de Cristo impede a instrumentalização dos outros e a idolatria, pois só a Deus é devido a honra, o louvor e a glória, que passa pela oração e pela vida orante, procurando servir cada um como a Cristo Senhor.

       6 – Que a oração nos predisponha para o serviço. «Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adotivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna».
       Como pedia o Papa Francisco, em vésperas de se tornar Peregrino de Fátima, a oração dilata o nosso coração para estarmos e nos sentirmos unidos em Cristo Jesus e, juntos, comprometidos com a paz e a esperança que nos cabe semear e espalhar por todo o mundo, a toda a criatura.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A): Atos 6, 1-7; Sl 33 (34); 1 Pedro 2, 4-9; Jo 14, 1-12.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida

Disse Jesus aos seus discípulos:
       «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?» Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim» (Jo 14, 1-6).
       As palavras de Jesus desafiam, em todas as circunstâncias, à confiança em Deus. Não temais. Eu venci o mundo. Eu estarei convosco até ao fim dos tempos. Tende coragem. Não se perturbe o vosso coração. Acreditai.
       Jesus antevê momentos de dificuldade, de dúvida, de dispersão, e enquanto é tempo prepara o coração, a mente, as emoções, dos seus discípulos. Eu vou, mas à frente. Vou preparar-vos um lugar. Se agora estais COMIGO, Eu quero que continue a ser desta forma. Onde Eu estiver aí estareis. Estarei sempre convosco. Vou para o Pai. Em CASA de meu Pai há muitas moradas. Sabeis o caminho. Eu Sou o CAMINHO. Vinde por MIM.

Na primeira Leitura, as palavra de Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia:
«Irmãos, descendentes de Abraão e todos vós que temeis a Deus, a nós foi dirigida esta palavra da salvação. Na verdade, os habitantes de Jerusalém e os seus chefes não quiseram reconhecer Jesus, mas, condenando-O, cumpriram as palavras dos Profetas que se lêem cada sábado. Embora não tivessem encontrado nada que merecesse a morte, pediram a Pilatos que O mandasse matar. Cumprindo tudo o que estava escrito acerca d’Ele, desceram-no da cruz e depuseram-n’O no sepulcro. Mas Deus ressuscitou-O dos mortos e Ele apareceu durante muitos dias àqueles que tinham subido com Ele da Galileia a Jerusalém e são agora suas testemunhas diante do povo. Nós vos anunciamos a boa nova de que a promessa feita a nossos pais, Deus a cumpriu para nós, seus filhos, ressuscitando Jesus, como está escrito no salmo segundo: ‘Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei’» (Atos 13, 26-33).
       O Livro dos Atos dos Apóstolos, depois de narrar diversos feitos que envolvem todos os apóstolos, mas sobretudo a liderança de São Pedro, centra-se agora na figura ímpar de São Paulo. Os discípulos, com as perseguições à Igreja, espalhavam, com mais fervor no anúncio do Evangelho.
       Em Antioquia, dirigindo-se ainda aos judeus, Paulo mostra como em Jesus se cumprem as promessas de Deus a Israel. Os Profetas lidos em cada Sábado na sinagoga veem confirmados as suas palavras na vinda de Jesus, como Messias e Senhor. Mas, os judeus de Jerusalém, sobretudo os chefes, não O reconheceram, condenaram-n'O à morte... mas Deus ressuscitou-O dos mortos e Ele apareceu aos discípulos.
       Com a Ressurreição e com as aparições do Ressuscitado, a missão dos Apóstolos de anunciarem a boa notícia de que Deus cumpriu as promessas em Jesus Cristo. Também São Paulo é testemunha privilegiada de Jesus Cristo.

Mc 16, 15 e Mendigo de Deus em Tabuaço

       No dia 6 de maio de 2017, Mendigo de Deus e Mc 16, 15, dois grupos de música de inspiração cristã, juntaram-se em Tabuaço, para um concerto orante, na Igreja Matriz. Neste videoporama, algumas fotos deste evento com uma das músicas de Mendigo de Deus a acompanhar a respetica visualização:



Disponíveis outras fotos: Paróquia de Tabuaço no Facebook

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O servo não é maior do que o seu Senhor

       A Páscoa que se estende por 50 dias, até à solenidade do Pentecostes, dá-nos nota da ação missionária da Igreja. O Livro dos Atos dos Apóstolos acompanha a formação das primeiras comunidades cristãs, a atualização e encarnação do Evangelho nas realidades novas que vão surgindo. Num primeiro momento faz-nos integrar a missão de Pedro, incluído no grupo dos Doze. Num segundo momento, o filme desenrola-se à volta do Apóstolo dos gentios, São Paulo. Víamos como a comunidade de Jerusalém teve algum receio em acolhê-lo, como foi importante Barnabé, garantindo-o junto da comunidade e, como depois, salvaguardando-o e à comunidade, o fizeram seguir para outras comunidades incipientes.
       Hoje vemo-lo em Antioquia da Pisídia e como dá testemunho na sinagoga acerca de Jesus:

Paulo e os seus companheiros largaram de Pafos e dirigiram-se a Perga da Panfília. Mas João Marcos separou-se deles para voltar a Jerusalém. Eles prosseguiram de Perga e chegaram a Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. Depois da leitura da Lei e dos Profetas, os chefes da sinagoga mandaram-lhes dizer: «Irmãos, se tendes alguma exortação a fazer ao povo, falai». Paulo levantou-se, fez sinal com a mão e disse: «Homens de Israel e vós que temeis a Deus, escutai: O Deus deste povo de Israel escolheu os nossos pais e fez deles um grande povo, quando viviam como estrangeiros na terra do Egipto. Com seu braço poderoso tirou-os de lá e durante quarenta anos sustentou-os no deserto e, depois de exterminadas sete nações na terra de Canaã, deu essas terras como herança ao seu povo. Tudo isto durou cerca de quatrocentos e cinquenta anos. Em seguida, deu-lhes juízes até ao profeta Samuel. Então o povo pediu um rei e Deus concedeu-lhes Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim, que reinou durante quarenta anos. Depois, tendo-o rejeitado, suscitou-lhes David como rei, de quem deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará sempre a minha vontade’. Da sua descendência, como prometera, Deus fez nascer Jesus, o Salvador de Israel. João tinha proclamado, antes da sua vinda, um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés’». (Atos 13, 13-25).
       O Evangelho mostra as consequências ou exigências do discipulado, partindo do gesto significativo do Lava-pés. A Quinta-feira Santa doa-nos a Eucaristia, Sacramento da Caridade divina, mas que não está, de todo, separada do compromisso com os outros. Jesus dá o exemplo. E justifica. Eu que Eu vos fiz, fazei-o uns aos outros. O servo não é maior do que o seu Senhor. Sereis felizes se o puserdes em prática: serviço. E conclui, dizendo: «Quem recebe aquele que Eu enviar, a Mim recebe; e quem Me recebe a Mim, recebe Aquele que Me enviou», incentivando-nos a receber bem aqueles que vêm em nome de Jesus...

Quando Jesus acabou de lavar os pés aos seus discípulos, disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: O servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. Sabendo isto, sereis felizes se o puserdes em prática. Não falo de todos vós: Eu conheço aqueles que escolhi; mas tem de cumprir-se a Escritura, que diz: ‘Quem come do meu pão levantou contra Mim o calcanhar’. Desde já vo-lo digo antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que Eu Sou. Em verdade, em verdade vos digo: Quem recebe aquele que Eu enviar, a Mim recebe; e quem Me recebe a Mim, recebe Aquele que Me enviou» (Jo 13, 16-20).

Como Maria, diz o teu sim a Deus

Hino da XXXII Jornada Diocesana da Juventude, da Diocese de Lamego, que se vai realizar a 20 de maiod e 2017, na Paróquia de Nespereira, na Zona Pastoral de Cinfães. No concerto orante, realizado na Paróquia de Tabuaço, no dia 6 de maio, com os grupos Mc 16, 15 e Mendigo de Deus, fomos brindados com o Hino para este ano:

Fotos disponíveis: Paróquia de Tabuaço no Facebook.

2 ª Jornada Arciprestal de Acólitos | 2017


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Eu vim ao mundo como luz...

Disse Jesus em alta voz:
       «Quem acredita em Mim não é em Mim que acredita, mas n’Aquele que Me enviou; e quem Me vê, vê Aquele que Me enviou. Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que acredita em Mim não fique nas trevas. Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, não sou Eu que o julgo, porque não vim para julgar o mundo, mas para o salvar. Quem Me rejeita e não acolhe as minhas palavras tem quem o julgue: a palavra que anunciei o julgará no último dia. Porque Eu não falei por Mim próprio: o Pai, que Me enviou, é que determinou o que havia de dizer e anunciar. E Eu sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, as palavras que Eu digo, digo-as como o Pai Mas disse a Mim» (Jo 12, 44-50).
       Se estivermos num compartimento sem luz, ou com uma luz difusa, não nos aperceberemos do aspeto que envolve o espaço, pode estar limpo ou estar com lixo espalhado, pó aqui, uma parede escura acolá, um ponto de humidade, um tapete com uma nódoa.
       A luz que incide sobre o espaço não o torna mais sujo ou mais limpo, mas ilumina, expõe. Se o lugar está limpo e arrumado dá gosto estar ali. Se o espaço está desarrumado, sujo, cria asco, com vontade de sair dali ou de fazer uma limpeza mais completa. Ao fim e ao cabo não foi a luz que tornou o habitáculo sujo, apenas pôs em evidência.
       Jesus vem como LUZ para iluminar, para nos guiar ao bem e à beleza, para nos ajudar a ver o que nos afasta dos outros e de Deus. Ele vem para salvar, nunca para condenar ou destruir ou aniquilar. Quem escuta a Sua Palavra e a põe em prática entra no caminho da Luz.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Paróquia de Tabuaço - Caminhadas Marianas 2017

       Primeira das Caminhadas Marianas, 7 de maio, primeiro domingo de maio, Dia da Mãe, ao recinto de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira da Paróquia de Tabuaço. A ideia, vinda de anos anteriores, é sair, caminhar, indo (simbolicamente) aos braços ou extremos da paróquia, respeitando os locais com conotação religiosa e devocional, Recinto de Nossa Senhora da Conceição, Capela de São Plácido, Capela de São Vicente e Capela de Santa Bárbara. Outro dos locais, o Lar da Santa Casa da Misericórdia, onde este ano, Centenário das Aparições, nos deslocaremos, com o andor de Nossa Senhora de Fátima, no dia 13 e aí celebraremos a Santa Missa.
       A primeira caminhada está cumprida, com uma boa moldura humana, a caminhar, rezando.
Para as pessoas com mais dificuldade de mobilidade o transporte camarário, permitindo estar no recinto e/ou regressar a casa com maior facilidade. O percurso, como em anos anteriores, contou com a generosa e simpática participação da GNR de Tabuaço, sinalizando a presença e promovendo a segurança dos peregrinos e dos automobilistas.
       Algumas fotos desta primeira caminhada:

Outras fotos disponíveis: Paróquia de Tabuaço no Facebook.

Paróquia de Tabuaço - Dia da Mãe 2017

       O primeiro Domingo do mês de maio, este ano a 7 de maio, traz consigo um dia muito especial: o Dia da Mãe. Mais do que a multiplicação das palavras, gestos simples mas comoventes, este ano inseridos também na dinâmica da Caminhada da Quaresma-Páscoa 2017.
       No momento de ação de graça, um momento dedicado às Mães e a entrega de um pequeno vaso com uma semente, relacionando com o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, com a Vida, com a sementes da vocação, da vida que se gera, se cuida e faz crescer...
       Algumas fotos da celebração da Eucaristia em Dia da Mãe:

Disponíveis outras fotos: Paróquia de Tabuaço no Facebook.