sábado, 13 de fevereiro de 2016

Paróquia de Pinheiros | Natal | ano pastoral 2015-206

       O ano litúrgico é cadenciado pelos dois grandes acontecimentos na vida de Jesus: o Natal, celebração do Seu nascimento, expressão da Encarnação de Deus na história e no tempo, e Páscoa, mistério da vida nova, oferecida e retomada.
       As comunidades cristãs vivem de forma mais intensa cada um destes momentos. Obviamente que todo o ano litúrgico é importante, pois em todo o tempo se celebra o mistério pascal de Jesus. Mas tal como nas nossas vidas há os tempos dedicados às festas e o tempo ferial, de trabalho e de rotina. Para valorizarmos uns precisamos dos outros. Que sentido tem a festa quando estamos sempre em festa? Cansa! Que sentido têm os dias se são todos iguais, ao longo de todo o ano? Cansa. Não saberíamos apreciar a festa se ela não viesse depois do trabalho, perder-nos-íamos se ao trabalho só se acrescentasse trabalho.
       A paróquia de Santa Eufémia, seguindo o ciclo litúrgico, tem na Páscoa e no Natal, com os tempos preparatórios, dois picos celebrativos, com outro momento importante na Festa de Santa Eufémia, sua Padroeira.
       Advento, Natal e Epifania. No videoporama que se segue, imagens do Avento, com a construção progressiva da coroa do Advento, a solenidade do Natal, com a encenação de vários quadros relacionados com o nascimento de Jesus, e a solenidade da Epifania do Senhor, com a encenação da Adoração dos Magos.
       Vale a pena escutar o música que acompanha o vídeo - No Senhor pus a minha confiança:

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

WALDEMAR TUREK - A Quaresma com Santo Agostinho

WALDEMAR TUREK (2015). História de uma conversão. A Quaresma com Santo Agostinho. Lisboa: Paulus Editora. 128 páginas.

       Há livros que procuramos, pelo conteúdo, pelo autor, por uma sugestão. Há livros que encontramos sem procurar, mas que saltam à vista por algum motivo: o título, a capa, o tema, a referência a um autor. É o caso deste livro. A Gráfica de Lamego, livraria da Diocese de Lamego, procura diversificar nos livros e nos autores, acolhendo também as sugestões das Editoras (sobretudo cristãs). Semana a semana, ou conforme vamos passando, a verificação se há novidades. A capa não chamou à atenção, mas a referência a Santo Agostinho saltou logo à vista, por se um dos teólogos mais brilhantes do cristianismo.
       Ainda hesitamos, o tema era interessante, a Quaresma, com reflexões para todos os dias, da Quarta-feira de Cinzas até Sexta-feira Santa, e a reflexão dos Domingos, seguindo os três ciclos A, B e C; a referência a Santo Agostinho e às suas Confissões, eram sugestivas, mas o autor desconhecido. Quando um autor se vale de alguém do estatuto de Santo Agostinho, poderá ter o propósito de vender bem. Obviamente que ninguém escreve e publica um livro para ficar apenas exposto em prateleiras.
       Folheando o livro percebemos, na nossa opinião, que é um livro agradável, com reflexões muitos sugestivas para todos os dias da Quaresma, e as referências a Santo Agostinho fazem-nos entrar na sua busca espiritual, na sua conversão, na preocupação constante de conhecer e acolher Deus.
       Para quem leu as Confissões, tem aqui um prestimosa ajuda para relembrar alguns dos momentos comoventes na vida de Santo Agostinho. Para quem não leu esta importantíssima obra do Bispo de Hipona, aqui está uma ajuda e um incentivo.
       A vida de Santo Agostinho mostra como é possível passar da presunção de que se atinge a verdade pelo esforço pessoal, pelo estudo, pela filosofia, para a humildade de quem se aceita nas suas limitações, confiando na misericórdia de Deus.
       Nestes dias em que o Papa Francisco anunciou o Jubileu da Misericórdia (a iniciar no dia 8 de dezembro de 2015 e a encerrar no dia 20 de novembro de 2016), a leitura deste livro far-nos-á perceber melhor a misericórdia de Deus, numa reflexão agostiniana tão atual, hoje como nos seus dias terrenos. A misericórdia de Deus é transversal a todas as reflexões, e às Confissões do Santo de Tagaste. 

Veja a sugestão pelos olhos do

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos!

       «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete...» (Joel 2, 12-18).

       "Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus... Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação" (2 Cor 5, 20 - 6, 2).

Disse Jesus aos seus discípulos: «Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a ecompensa. Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».
       És pó da terra e à terra hás-de voltar.
       É a condição de todos os seres humanos. O início da Quaresma relembra-nos a nossa condição igual. Donde vimos e para onde vamos. Mas diz-nos muito mais. Numa perspectiva mais científica é hoje afirmado que no início do Universo haveria apenas "poeira". E desta "poeira" nasceu o Universo. Neste sentido, a Bíblia é explicitada pelos dados da ciência. Numa palavra, temos todos a mesma origem: vida vegetal, animal, vida humana. Para nós crentes, vimos todos de Deus. Esta solidariedade na origem há-de catapultar-nos para a solidariedade no caminho, para que no fim nos reencontremos todos em Deus.
       A expressão que se sublinha neste dia, lembra-nos a nossa fragilidade. A miséria do ser humano, mas que é também a sua grandeza. Não fomos criados para vivermos sozinhos, ou uns contra os outros, ou independentemente dos outros. Fomos criados para vivermos como família, em Deus. De novo, recordemos a nossa origem comum. Por outro lado, o saber que não estamos cá para sempre, deve levar-nos a aproveitar bem o tempo que Deus nos dá para sermos felizes, para fazermos alguém feliz, para deixarmos o mundo melhor que o encontramos.
       Quaresma é este tempo favorável, como nos diz São Paulo, para a conversão, para a mudança de vida. Não uma mudança qualquer, mas mudarmos as nossas atitudes e o nosso comportamento para seguirmos imitando o Mestre dos Mestres, reconciliando-nos com Deus.
       Neste tempo santo, a Igreja recomenda diversas práticas: o jejum, a conversão, a confissão, a abstinência, a leitura mais frequente da Sagrada Escritura, a participação mais activa na Eucaristia, a partilha mais efetiva com os mais necessitados. Hão-de ser expressão da conversão interior. O gesto da imposição da cinzas, nesta Quarta-feira de Cinzas, mais não é que um fortíssimo sinal do nosso despojamento interior, que deverá significar adesão firme a Deus. Importa "rasgar o nosso coração"... os gestos exteriores só vale se nos mobilizarem interiormente...

Participação na Jornada Arciprestal de Catequistas

       No passado dia 6 de fevereiro, no Centro Paroquial de Moimenta da Beira, o Arciprestado que inclui as Zonas Pastorais de Moimenta, Sernancelhe e Tabuaço, viveu a Primeira Jornada Arciprestal de Catequistas, voltada sobretudo para a formação.
       Os momentos foram variados, sobre a identidade e missão do Catequista, oração, caminhada para entrar na Porta Jubilar da Igreja Matriz de Moimenta da Beira, testemunho do compromisso com a catequese da D. Natália e, da parte de tarde, com a professora Amélia, de Trancoso, numa componente mais prática, debruçando-se sobre o catecismo do 4.º Ano.
       O encontro encerrou com a celebração da Santa Missa.
       Da Zona Pastoral de Tabuaço, participaram catequistas de Tabuaço e de Barcos, no total de 9 catequistas. Algumas das fotos desta Jornada:

Para outras fotos disponíveis:

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Poder curativo de Jesus

       Quando saíram do barco, as pessoas reconheceram logo Jesus; então percorreram toda aquela região e começaram a trazer os doentes nos catres, para onde ouviam dizer que Ele estava. Nas aldeias, cidades ou casais onde Jesus entrasse, colocavam os enfermos nas praças públicas e pediam que os deixasse tocar-Lhe ao menos na orla do manto. E todos os que O tocavam ficavam curados (Mc 6, 53-56).
       A multidão segue Jesus, à procura de cura. Levam-Lhe todos os doentes. Pedem que ao menos lhes deixe tocar na orla do manto.
       Também nós não deveremos ter medo de ir ao encontro, à procura de Jesus, e pedir-lhe que nos cure.
       Também nós devemos apostar no nosso poder curativo, com as nossas palavras, com os nossos gestos, criar em nós as condições, como dizia Madre Teresa de Calcutá, para que as pessoas quando saírem da nossa presença vão mais felizes do que quando chegaram.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Domingo V do Tempo Comum - ano C - 7 de fevereiro

       1 – «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». Com Jesus a pesca será abundante.
       Ontem, Pedro e os Onze, e os 72 discípulos. HOJE cada um de nós é chamado à pescaria, com Ele, seguindo-O, pois só nessa condição a pesca será generosa.
       Depois das dificuldades encontradas em Nazaré, "Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho", fazendo-Se Caminho para nós, o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 6). É para nos salvar que Jesus vem ao mundo e se faz à estrada. Não é um capricho de um deus poderoso que se diverte a ver-nos destruir-nos uns aos outros, ou a controlar-nos como se fôramos marionetas, ou submetendo-nos por entre medos e hesitações e superstições. Ele vem e entrega-Se para nos libertar, para nos aliviar a carga. Respeita-nos na nossa liberdade e, por conseguinte, podemos até negá-l'O, afastá-l’O ou matá-l'O para sermos totalmente independentes, sem regras nem ligações. E, depois, ficará o vazio e a solidão.
       Em Jesus, Deus propõe-Se e expõe-Se, definitivamente, tornando-Se mendigo do nosso amor. Por amor. Por que nos quer bem. Porque nos quer filhos. Porque, sabendo o que nos salva, nos envolve no seu projeto de amor e de perdão e de vida nova.
       Como Pai, Deus não Se mantém longe. Nem longe de nós nem de fora ou à parte. Nem indiferente. Nem juiz. Não se alheia da nossa história. Depois de nos enviar os Profetas, os Juízes, os Patriarcas, envia-nos o Seu próprio Filho, encarnando, assumindo a nossa pele e a nossa carne por inteiro. Sujeita-Se, porque assim foi do Seu agrado, às nossas escolhas.
       2 – A multidão segue Jesus para ouvir a palavra de Deus. Nem só de pão vive o homem. Também vive e precisa do alimento corporal, todos os dias, mas a vida de uma pessoa não se esgota no que come, no que veste ou no que tem. A vida realiza-se no encontro com os outros, na amizade e na ternura que nos envolve como irmãos, apesar e além das limitações, dos pecados e das fragilidades de cada um. A vida realiza-se na ligação ao mundo que nos rodeia e na abertura ao Transcendente, donde, em definitivo, nos vem a esperança e a certeza de que a nossa vida nos ultrapassa no tempo e no espaço. A vida não nos mata. Pode destruir-nos. Pode despedaçar-nos. Mas não nos mata, porque no final se encontra o Pai, Deus de Misericórdia. A garantia é-nos dada pelo Filho. Podemos já experimentar esta Presença amorosa, apesar de todo o sofrimento que possamos atravessar.
       A Palavra de Deus alimenta a nossa esperança, sanciona a nossa fé, dá força à nossa caridade.
       Para melhor Se fazer ouvir, Jesus sobe para o barco de Simão, pedindo-lhe que se afaste um pouco da terra, para continuar a ensinar a multidão.
       Logo depois, diz a Simão Pedro: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca».
       Pedro hesita. São pescadores experientes. Andaram na faina toda a noite e não foram bem-sucedidos. A noite não correu bem. Já lavam as redes para outra jornada. «Mas, já que o dizes, lançarei as redes». Por vezes é necessário lançar-nos, confiando. Se te estás a afogar, melhor do que esbracejar pode ser "boiar", tranquilizar-se e deixar-se guiar pela água ou por quem te deita a mão. Já que é Jesus que nos desafia, então, só por isso, só por Ele, já vale a pena lançar as redes e lançar-nos à pesca. E a pesca é abundante. Naquele mar da Galileia, mas em todos os mares da nossa vida. A quantidade é tanta que as redes começam a dar-se e é necessário pedir ajuda aos companheiros do outro barco.
       A pesca acontece por iniciativa de Jesus. Mas conta connosco. Com o nosso barco. Com a nossa fé. Com o nosso trabalho. Precisamos de lançar as redes. Precisamos de contar uns com os outros. Todos não somos demais. Venham os do outro barco. O mal é quando queremos fazer tudo sozinhos, sem Deus e sem os outros. Então o nosso barco não sairá do ancoradouro, as nossas redes não servirão para nada e se se romperem perderemos todo o peixe, puxamos de um lado e o peixe sai do outro.
       3 – Diante da Santidade de Deus pode advir o medo, o receio que o nosso pecado não seja digno da grandeza e da beleza de Deus. Logo ficamos a saber que a santidade de Deus não é estática nem distância, nem afastamento ou separação. O nosso pecado não contamina a santidade de Deus! Pelo contrário, a santidade de Deus assume e purifica o nosso pecado. Se mais nada tivermos a dar a Deus, demos-lhes o nosso pecado, para que passe para Deus e em nós sobrevenha a Sua misericórdia.
       Como amiúde nos tem lembrado o Papa Francisco, e com maior insistência no Jubileu da Misericórdia, Deus não Se cansa de nós, não se cansa de nos perdoar e de nos assumir como filhos. A Sua vingança é a misericórdia. Perdoa-nos e acaricia-nos. Podemos cansar-nos de Lhe pedir perdão, Ele não Se cansa de nos amar, de Se lançar ao nosso encontro, não Se cansa de esperar por nós.
       Pedro visualiza a santidade de Jesus: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador».
       A santidade de Deus é para nossa salvação. Jesus, Rosto da Misericórdia, vem contagiar o mundo com a Sua graça santificante. «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens».
      Pedro e os discípulos conduzem o barco para terra, deixam tudo e seguem Jesus.
       Isaías sente o mesmo assombro, em sonhos contempla a fímbria do manto do Senhor, que enche todo o templo, e o canto dos Serafins: «Santo, santo, santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra!». O profeta sente-se esmagado com a magnificência de Deus e com a Sua santidade: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo».
       Deus faz-lhe saber, através de um dos serafins, que lhe toca com um carvão ardente: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». Vem a proposta em jeito de interpelação: «Quem enviarei? Quem irá por nós?». E logo a resposta pronta: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».
       Sabemos como respondeu Isaías e como responderem os apóstolos.
       Também a nós Deus nos chama com as nossas fragilidades, com os nossos medos e com o nosso pecado, mas chama-nos como filhos. Qual a resposta que damos?

       4 – Paulo foi um dos que deixou tudo para seguir Jesus. O seu percurso é luminoso. Fariseu zeloso, cumpridor da Lei mosaica. Persegue os cristãos, levando ao excesso a sua fé judaica, pensando que dessa forma prestaria um serviço a Deus! Jesus mete-se no seu caminho, faz-Se Caminho para Paulo, e deixa que este O siga em novos caminhos.
       Continuamos a escutar o amor de Paulo às comunidades cristãs, nomeadamente a Corinto, lembrando-nos que não se anuncia a si mesmo mas a Cristo Jesus: «Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram. Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. Em último lugar, apareceu-me também a mim...».
       Como Isaías, como Pedro, também Paulo se sente indigno de ser alcançado pela misericórdia de Deus. «Não sou digno de ser chamado Apóstolo... Mas pela graça de Deus sou aquilo que sou e a graça que Ele me deu não foi inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo».
       Façamo-nos ao largo, lancemos as redes para a pesca, façamo-nos Casa de Oração e de Misericórdia para todos. Porque Ele segue connosco, pois nós O seguimos. Ele é o nosso Caminho!

Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia (ano C): Is 6, 1-2a. 3-8; Sl 137 (138); 1 Cor 15, 1-11; Lc 5, 1-11.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Apresentação do Senhor | Bênção das Crianças | 2016

     Decorridos 40 dias da celebração festiva do Natal, comemoração do nascimento de Jesus, a celebração da Apresentação no Templo, a 2 de fevereiro. Segundo a Lei de Moisés, o primeiro filho varão, deveria ser consagrado ao Senhor, subindo ao Templo e oferecendo um par de rolas ou de pombas. Na bênção do mais velho, a bênção da geração vindoura. Por outro lado, e como meditamos no quarto mistério do Rosário, nos mistérios Gozosos, a Purificação de Nossa Senhora. A mulher que dava à luz e os que tivessem contacto com ela ficam impuros. Trata-se não de uma impureza moral, mas cultual. A partir da Purificação, as mulheres-mães poderiam novamente entrar no Templo e participar nas orações públicas.
       No templo as figuras de Simeão e de Ana, que revelam a Luz e a Graça que irradia d'Aquele menino.
Na Paróquia de Tabuaço, como em muitas paróquias, neste dia celebra-se também a Bênção das Crianças.  Este ano, a celebração iniciou no Centro Paroquial, com a bênção das Velas. Tradicionalmente este é o Dia das Candeias ou da Senhora das Candeias. Seguimos, em procissão, para a Igreja Paroquial, onde celebrámos a Eucaristia. O Evangelho, da Apresentação de Jesus no Templo, foi encenado pelo Grupo de Jovens (GJT).
       No momento da ação de graças, a bênção conjunta e individual das crianças presentes na celebração, seguindo-se a bênção e distribuição do pão, para que nunca falte às nossas mesas e para sabermos partilhá-lo com quem o não tem.
       Algumas imagens desta celebração:
Para as outras fotos que temos disponíveis:

sábado, 30 de janeiro de 2016

Domingo IV do Tempo Comum - ano C - 31 de janeiro

       1 – As pessoas que nos são mais próximas são, ainda assim, as que mais nos surpreendem. Positiva e negativamente. O tempo vai-nos dizendo que as conhecemos de ginjeira, sabemos o que pensam, de que forma reagem, adivinhamos a sua disposição, mesmo que possam tentar disfarçar, sabemos do que são e do que não são capazes. Basta um gesto para as compreendermos e para que nos compreendam. Não precisam de terminar a frase para sabermos o que vão dizer.
       Chega um dia e a pessoa faz algo que nos escapa, que não estava no nosso pensamento. Pelo contrário, sempre tivemos a certeza que não faria o que fez, não diria o que disse, não seria capaz de tamanha façanha. Balizamos aqueles que nos são próximos de tal forma que neles não há mistério ou possibilidade de surpresas. Nada mais enganados! A pessoa é sempre um mistério, que nos escapa, que está para além do conhecimento e do sentimento. A pessoa é única. Irrepetível. Bem podemos dizer que conhecemos bem, mas a pessoa do outro nunca é totalmente abarcável ou decifrável.
       Por outro lado, a proximidade física e emocional pode toldar-nos a forma como vemos o outro, protegendo-o ou desconfiando que possa ultrapassar-nos seja no que for. Está encaixado na família, no povo, sabemos com o que podemos contar.
       Jesus encontra-se na sinagoga de Nazaré, pequena cidade onde cresceu. Entre a assembleia estão conhecidos, familiares, amigos. Conhecem-n'O: «Não é este o filho de José?». Mas é um conhecimento aparente, exterior. A fama de Jesus já os tinha surpreendido. Agora querem ver, não tanto o Jesus que conhecem, mas um fazedor de milagres.
       2 – «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». Assim terminava a homilia de Jesus sobre o trecho de Isaías proclamado no domingo passado: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor».
       Os olhos estão fitos em Jesus. Na continuação deste relato começa a advinhar-se que doravante Jesus não terá uma vida facilitada. A discussão, contudo não é linear. "Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca". A admiração dos seus conterrâneos não é de fácil leitura. Aparentemente sobrevém uma visão positiva acerca de Jesus mas rapidamente azeda. Jesus lê nas entrelinhas. «Não é este o filho de José?». Perguntavam, ao que Jesus responde: «Por certo Me citareis o ditado: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’. Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum... Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra». Ficou célebre esta expressão. Jesus veio para o que era seu e os seus não O receberam (Jo 1, 11). A fama precedera-O. Eles conheciam-n'O, mas como filho de José e não como Messias. Como é possível? Não pode ser. Como é que um simples carpinteiro virou mestre? Como é que Alguém tão “nosso” arrasta com tanta gente?
       Jesus relembra-lhes situações da Sagrada Escritura em que os profetas foram desprezados, perseguidos, expulsos da sua pátria, e alguns foram mortos. Evoca Elias, perseguido, em fuga, é acolhido pela viúva de Serepta, estrangeira, e Eliseu que curou o Naamã, leproso, o estrangeiro sírio.
       Habituados à assertividade de Jesus e a uma diplomacia inclusiva, esta provocação parece destoar. Ficamos a saber com Quem contamos e ao que vem. Pior do que alguém que discorda de nós, é alguém que não tem opinião acerca de nada, tanto se lhe dá como se lhe deu! Jesus compra esta discussão, não se fica pelos "nins", assim-assim, nem sim nem sopas. Por vezes precisamos de alguém que nos diga o que tem de ser dito e ponha os pontos nos "is". É o que faz Jesus. A réplica de Jesus não colhe. Os que estão na sinagoga ficam furiosos com Ele, levantam-se e expulsam-n’O da cidade, levam-n’O ao alto da colina para o precipitarem dali abaixo, “mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho".
       3 – Nada nos deve impedir ou condicionar de fazer o bem.
       Por vezes é necessário muita resiliência para levar a bom porto os projetos que nos animam. Se o fazemos por nós, talvez até possamos descansar, se é para o bem dos outros, somos impelidos a insistir, insistir, insistir até conseguirmos. Seja como for, temos de estar preparados para encontrar vendavais que podem lançar-nos por terra. Importa não desistir nunca. Deus não desiste de nós. Nunca. Caímos, voltamos a levantar-nos, uma e outra vez e quantas vezes forem necessárias para seguirmos o nosso caminho.
       Jesus segue o caminho traçado: ser bênção e anúncio e vida nova para Israel e para todos os povos. Faz-Se CAMINHO por nós e para nós. Vem e procura-nos, encontra-nos e conduz-nos a Deus. Pelo caminho da história e do tempo encontra adversidades, mas que não O impedem de prosseguir. Querem matá-l'O mas ainda não chegou a Sua hora! É tempo de anunciar a Boa Nova aos pobres e a libertação aos cativos.
       Na primeira Leitura é o próprio Senhor que desafia Jeremias, um dos profetas maiores: «Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi… te consagrei e te constituí profeta entre as nações. Cinge os teus rins e levanta-te, para ires dizer tudo o que Eu te ordenar. Não temas diante deles… Hoje faço de ti uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e uma muralha de bronze, diante de todo este país… Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te, porque Eu estou contigo».
       São palavras fortes e elucidativas: "Não temas, faço de ti uma cidade fortificada, uma coluna de ferro, uma muralha de bronze... se recuares serei Eu que te farei temer". Venha quem vier, o anúncio da Mensagem de Deus tem prioridade. O profeta foi chamado desde sempre para essa missão de pregar a palavra de Deus e não tem como se esquivar. Pode ver-se aqui um pré-anúncio do Profeta por excelência, Jesus Cristo, que não recua um passo, segue caminho, irrompe por entre aqueles que O ameaçam em Nazaré, na Galileia, em Jerusalém, na Judeia!
       4 – Jesus não está sozinho, segue confiante, sabe que o Pai está com Ele e O guia até que o tempo seja cumprido em plenitude. Jeremias é chamado por Deus e, por conseguinte, em todos os momentos Deus o acompanhará – Eu estou contigo para te salvar!
       O salmo responsorial, com o qual respondemos (com a Palavra de Deus) à Palavra de Deus, faz-nos rezar para que Deus nos defenda e nos proteja, e nos faça perceber que Ele é verdadeiramente a rocha firme em Quem podemos confiar: "Sede para mim um refúgio seguro, / a fortaleza da minha salvação. / Vós sois a minha defesa e o meu refúgio: / meu Deus, salvai-me do pecador. / Sois Vós, Senhor, a minha esperança, / a minha confiança desde a juventude. / Desde o nascimento Vós me sustentais, / desde o seio materno sois o meu protetor".

       5 – Como segunda leitura tem-nos sido servida a primeira Epístola de São Paulo à comunidade de Corinto. A preocupação do Apóstolo é sublinhar o que de importante e positivo a comunidade vai realizando, alertando para os perigos de se desviar do Evangelho.
       A comunidade de Corinto é geradora de muitas inquietações. É uma comunidade bastante grande. Com muitas pessoas fiéis a Jesus e ao Evangelho, sequiosas de aprender mais e mais. Mas como em todas as sociedades, formadas por pessoas, está sujeita a intrigas, invejas, ódios, ciúmes, abusos, aproveitamentos egoístas.
       Já escutámos o Apóstolo a lembrar que a Igreja é Corpo de Cristo, e como o corpo tem muitos membros, todos importantes, também a Igreja é formada por diferentes membros, com ministérios diferentes, no entanto, é Deus que atua em todos e a todos dá dons para o bem comum.
       Hoje lembra-nos o essencial para nos mantermos no CAMINHO que é Cristo Senhor: "A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta... a caridade não acaba nunca. Quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil. Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade".
       Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Mandamento novo, amor sem limites. A caridade leva-nos ao Céu. A caridade que nos vem de Jesus e nos atravessa, converte-nos e compromete-nos com os outros, para sempre, até à eternidade.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano C): Jer 1, 4-5. 17-19; Sl 70 (71); 1 Cor 12, 31 – 13, 13; Lc 4, 21-30.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Leituras: MICHELLE KNIGHT - DEPOIS DO INFERNO

MICHELLE KNIGHT, com Michelle Burford (2014). Depois do Inferno. Alfragide: Casa das Letras. 276 páginas.
       A realidade ultrapassa a ficção. A imaginação cria cenários de extraordinária beleza, recria e inventa histórias que ultrapassam qualquer situação do nosso dia a dia. Novelas, séries, filmes que nos envolvem, positiva e negativamente. Como nas notícias, assim também nos trabalhos ficcionados, cada vez é maior a violência, a degradação, os crimes, bem pensados e executados. A este propósito poderíamos concluir que a ficção evolui com a realidade. Preferível que a ficção fosse apenas ficção, para distrair e descomprimir. Porém, o que é ficcionado muitas vezes não chega ao sofrimento real e a situações que estaríamos longe de imaginar.
       Este é um livro, um relato real, que deixa transparecer a violência, a degradação e a depravação, a malvadez. Certamente que nunca conseguiremos entrar totalmente na mente ou no coração de Michelle Knight. Mas ficamos aterrados com a enormidade dos sofrimentos e dos maus tratos que lhe foram infligidos.
       Nunca teve uma vida feliz. Vivia numa carrinha, roubavam para comer. Depois morou numa casa em que de dia para dia apareciam mais familiares para com eles viverem. Durante anos foi violada por um familiar. Até que resolveu sair de casa, tornando-se sem.abrigo e traficante. Ficou grávida. Voltou a casa, depois do traficante de droga que mandava ter sido preso. Depois do nascimento do filho, os abusos continuaram. Um dia, o homem que a violava, agrediu com violência o seu filho Joey, pelo que a Segurança Social lhe retirou a guarda, apesar de não ser diretamente culpada. Tem de andar vários quilómetros para ir às audiências para tentar reaver o filho. Muda-se para casa de uma prima, Lisa. Começa a procurar emprego/trabalho, todos os dias.
       No dia 23 de agosto de 2003, é o dia agendado para a audiência nos serviços sociais. Recusa do transporte assegurado pela segurança social porque um familiar se disponibiliza para a levar, mas chegado o dia não está disponível. Procura todas as formas pro se dirigir para a audiência, mas não sabe onde fica, caminha por muito tempo, pergunta mas ninguém sabe onde fica o local. Regressa ao seu bairro, continua a perguntar, na Loja da Family Dollar, mas sem sucesso. Aparece então Ariel Castro - o animal - que lhe diz que a pode levar, pois sabe onde fica. Como é pai de Emily, amiga de Michelle, esta, ainda que renitente, aceita a boleia e acabará por entrar na casa do "animal", para só sair sair 11 anos depois.
       Entretanto, Ariel Castro rapta mais duas jovens. São tratadas como animais, escravas sexuais, recorrendo à violência, e com pouco alimento. Além das condições inundas, dos maus tratos, da violência, ainda a fome. Ao longo dos anos, sempre com uma réstia de esperança sob as ameaças constantes, vão sofrendo o que há de mais atroz. Michelle engravida, durante o rapto, 4 vezes. Os fetos são abortados pela violência exercida sobre ela. É a mais odiada e por isso a mais violentada. Gina, a jovem raptada algum tempo depois tornar-se-á uma amiga importante para a animar nos momentos mais negros. A fé é outro ingrediente que a alimenta. As duas são as mais sacrificadas, ainda que Gina tenha sido mais preservada. Amanda, por sua vez, é "favorecida" porque o "animal" a considera esposa. Engravida e como a considera esposa deixa que a filha nasça. Depois do nascimento, leva a filha a passear de carro.
       6 de maio de 2013, 11 anos depois, Ariel de Castro saiu de casa e Amanda aproveitou para pedir ajuda. Foram libertadas, Ariel castro viria a ser preso, tendo sido posteriormente condenado a prisão perpétua. Enforcou-se pouco tempo depois. Cada uma à sua maneira, as três vítimas de rapto tentam refazer a vida. Michelle mantém-se afastada da família e também do filho que foi adoptado aos 4 anos de idade, pelo que para preservar a vida do filho se tem mantido afastada.
       É um testemunho arrepiante, mas de algum modo terapêutico para a autora. Ao mesmo tempo uma chamada de atenção para um número considerável de raptos. Os EUA nesta matéria são muito flagelados. É um desafio para que as mães cujos filhos foram raptados não percam a esperança e não deixem de procurá-los e também para que as pessoas quando virem algo suspeito, por menor que sejam, contactem as autoridades de imediato.
"Só através do perdão poderei recuperar a minha vida. Se não o perdoar, será como ficar presa duas vezes: primeiro, enquanto ele me sequestrou na sua casa e, agora, mesmo depois de ele ter morrido. Estou a deixar que o meu ódio por ele se vá esfumando para que eu possa verdadeiramente ter a minha vida de volta".
Outra história semelhante, o rapto e a luta pela dignidade:

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Papa Francisco - O NOME DE DEUS É A MISERICÓRDIA

FRANCISCO (2016). O Nome de Deus é e Misericórdia. Lisboa: Planeta. 160 páginas
        Vivemos o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, e cujas motivações se encontram na Bula de Proclamação deste Ano Santo: Misericordiae Vultus (O Rosto da Misericórdia), dada ao mundo no dia 11 de abril de 2015, em Roma, véspera do II Domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia. A Bula vem anexada nesta publicação que ora recomendámos.
       Andrea Tornielli é um conhecido e reconhecido vaticanista (jornalista acreditado pela Santa Sé e que acompanha de perto o Papa, quer no Vaticano, quer nas suas viagens apostólicas), e que ao longo do tempo tem escrito sobre os Papas.
       Numa das primeiras Missas do Papa Francisco, na Igreja de Sant'Ana, no Vaticano, Andrea estava presente e ouviu as palavras do Papa Francisco: «A mensagem de Jesus é a misericórdia. Para mim, digo-o humildemente, é a mensagem mais importante do Senhor... O Senhor nunca se cansa de perdoar: jamais! Somos nós que nos cansamos de Lhe pedir perdão. Então, temos de dar graças por não nos cansarmos de pedir perdão, porque Ele jamais se cansa de perdoar».
       Mais tarde numa das Homilias do Papa Francisco na Casa de Santa Marta: "Deus condena não com um decreto, mas com uma carícia... Jesus vai além da lei e perdoa, acariciando as feridas do nosso pecado".
       Ou então: "A misericórdia é difícil de perceber: não apaga os pecados... o que apaga os pecados é o perdão de Deus... a misericórdia é a forma com que Deus perdoa... como o Céu: olhamos para o céu com muitas estrelas, mas quando nasce o Sol, com tantas luz, as estrelas não se veem. Assim a misericórdia de Deus: uma grande luz de amor, de ternura, porque Deus não perdoa por decreto, mas com uma carícia... acariciando as nossas feridas do pecado, porque Ele é o supremo perdão, a nossa salvação... É grande a misericórdia de Deus, é grande a misericórdia de Jesus: perdoa-nos e acaricia-nos"...
       A partir daqui nasceu o propósito de entrevistar o Papa sobre a misericórdia, por maioria de razão após a convocação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. É este diálogo que nos é apresentado em livro e que explicita, ou sublinhada, os propósitos do Magistério do Papa Francisco e do Jubileu da Misericórdia.

Algumas citações:
"A misericórdia divina contagia a humanidade. Jesus era Deus, mas também era um homem, e na sua pessoa também encontramos a misericórdia humana... A misericórdia será sempre maior que qualquer pecado, ninguém pode impor um limite ao amor de Deus que perdoa... Ele é misericórdia, e porque a misericórdia é o primeiro atributo de Deus. É o nome de Deus".
"Misericórdia é a atitude divina que abraça, é o dom de Deus que acolhe, que perdoa. Jesus disse que não veio para os justos, mas para os pecadores... a misericórdia é o bilhete de identidade do nosso Deus... a misericórdia está profundamente ligada à lealdade de Deus".
"Falta a experiência concreta da misericórdia. A fragilidade dos tempos em que vivemos é também esta: acreditar que não existe a possibilidade da redenção, uma mão que te levanta, que te inunda de amor infinito, paciente, indulgente, que te volta a pôr no caminho certo".
APOSTOLADO DO OUVIDO:
"Tenho de dizer aos confessores: falem, ouçam pacientemente e acima de tudo digam às pessoas que Deus quer o seu bem. E se o confessor não pode absolver, que explique porquê, mas que não deixe de dar uma bênção, mesmo sem absolvição sacramental. O amor de Deus também existe para quem não está disponível para receber o sacramento: também aquele homem e aquela mulher, aquele rapaz e aquela rapariga são amados por Deus, desejosos de bênção. Sejam afetuosos com estas pessoas. Não as afastem. As pessoas sofrem. Ser confessor é uma grande responsabilidade. Os confessores têm à frente as ovelhas tresmalhadas que Deus tanto ama, se não lhes demonstrarmos o amor e a misericórdia de Deus, afastam-se e talvez nunca mais voltem. Por isso, abracem-nos e sejam misericordiosos, mesmo que não os possam absolver. Deem-lhes uma bênção..."
Citação do Papa Bento XVI:
«A misericórdia é na realidade o núcleo central da mensagem evangélica, é o nome de Deus, o rosto com que Ele se revelou na antiga Aliança e plenamente em Jesus Cristo, encarnação do amor criador e redentor. Este amor de misericórdia também ilumina o rosto da Igreja e se manifesta quer através dos sacramentos, especialmente o da reconciliação, quer com as obras de caridade, comunitárias e individuais. Tudo o que a Igreja diz e faz é a manifestação da misericórdia que Deus nutre pelo homem».
Citação do Papa João XXIII, na abertura solene do Concílio Vaticano II:
"A esposa de Cristo [a Igreja] prefere usar o medicamento da misericórdia em vez de abraçar as armas do rigor".