terça-feira, 6 de setembro de 2016

GJT no Lar da Santa Casa da Misericórdia

       O Grupo de Jovens da Paróquia de Tabuaço (GJT) tem como matriz a inserção na comunidade paroquial. No primeiro domingo de setembro teve mais uma jornada importante, participando ativamente na Peregrinação Anual ao Recinto de Nossa Senhora da Conceição, na sua terceira edição, ajudando a preparar o espaço para a celebração da Eucaristia, incluindo-se no Grupo Coral e no Grupo de Acólitos.
       Durante a tarde, o GJT deslocou-se ao Lar da Santa Casa de Misericórdia de Tabuaço, presenteando os menos jovens com algumas músicas (cristãs). No final, lanche oferecido pela Santa Casa. Nesse sentido, uma palavra de apreço e agradecimento às da Santa Casa pelo\o "mimo" do lanche que nos brindaram, com um bolo bem apetitoso.
       Algumas fotos desta jornada:

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Peregrinação: Recinto de Nossa Senhora da Conceição

       Pelo terceiro ano consecutivo, a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço viveu a Peregrinação anual ao Recinto com a mesma invocação. Após a celebração dos 25 anos da bênção do monumento (8 de dezembro: 1988-2013), a decisão da comunidade em peregrinar ao recinto/monumento, para aí celebrar a Santa Missa, nas proximidades da Natividade de Nossa Senhora (8 de setembro).
       Este ano, caiu a 4 de setembro. Iniciámos a Peregrinação com Procissão com o andor/imagem de Nossa Senhora da Conceição, dedicando o percurso à recitação do Rosário.
       Os Bombeiros Voluntários de Tabuaço transportaram o andor, prestando-lhe a homenagem pela presença e pela deferência.
       As pessoas com mais dificuldades de mobilidade puderam deslocar-se ao recinto no transporte camarário.
       Chegados ao recinto e num dia bastante quente, as pessoas foram-se acomodando às sombras disponíveis. Seguiu-se a celebração da Eucaristia.
       A Peregrinação, após o regresso em procissão à Igreja Matriz, com a recitação do Angelus, concluindo esta jornada de oração, de fé, de festa, de encontro, dedicada especialmente a Nossa Senhora da Conceição.
         Algumas fotos desta Peregrinação:
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VL - Jesus Cristo é Luz que nos salva


       «Vós sois a luz do mundo. Não se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus» (Mt 5. 13-16) Jesus é esta luz que vem das alturas para iluminar toda a casa, o mundo inteiro.
       Habituados que estamos à eletricidade, quando falha logo ficamos desnorteados e procuramos resolver o problema com uma vela, uma lanterna, com a luz do telemóvel…
       Basta um lampejo de claridade e já nos orientamos. E se cada um de nós for essa pequena luz para os outros? E se juntarmos a nossa à luz do vizinho?
       Jesus é a Luz que elimina as trevas. O tempo do obscurantismo já era com a vinda de Jesus, ainda que muitos recusem esta luz. Luz que radica na verdade, no serviço, no amor. A ignorância, a superstição, o desconhecido, provocam temor. Muitos servem-se do conhecimento para “dominarem” os outros, escravizando-os pela ameaça, pelo medo, diante de forças poderosas, que exigem sacrifícios e subserviência.
       Ao longo da história muitos viveram à custa do medo alheio. Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. A informação também é poder. Daqui também a relevância da educação, da cultura, da aprendizagem. O saber nunca é demais e nunca constitui um mal. Pelo contrário, pessoas bem informadas podem viver mais libertos.
       A preocupação de Jesus é libertar-nos de todos os demónios e espíritos impuros, para vivermos como filhos de um Deus que nos ama tanto ao ponto de nos confiar do Seu Filho amado.
       Perscrutando os sinais dos tempos, verifica-se que a informação, a evolução científica e tecnologia, a globalização do conhecimento, não redundou em mais humanidade. Nas palavras sábias de Bento XVI, a globalização tornou-nos vizinhos mas não irmãos.
       Uma pequena estória. Um jovem da aldeia foi para uma grande cidade. Arranjou trabalho e alugou uma divisão, numa cave. Com o primeiro ordenado mandou colocar eletricidade. Verificou então que as paredes que antes, à luz das velas, pareciam brancas, afinal estavam escurecidas e com algumas manchas! A eletricidade ia permitir arrumar melhor a casa, tirar as nódoas do chão e das paredes e, logo que oportuno, pintar as paredes.
       A luz expôs e tornou visível a sujidade, não a criou…

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4376, de 30 de agosto de 2016

domingo, 4 de setembro de 2016

Homilia de Francisco na Canonização de Madre Teresa

Praça de São Pedro - 4 de setembro de 2016
JUBILEU DOS OPERADORES E DOS VOLUNTÁRIOS DA MISERICÓRDIA


«Qual o homem que conhece os desígnios de Deus?» (Sab 9,13). Esta interrogação do Livro da Sabedoria, que escutamos na primeira leitura, apresenta-nos a nossa vida como um mistério, cuja chave de interpretação não está em nossa posse. Os protagonistas da história são sempre dois: Deus de um lado e os homens do outro. A nossa missão é perceber a chamada de Deus e aceitar a sua vontade. Mas para aceitá-la sem hesitar, perguntemo-nos: qual é a vontade de Deus na minha vida?

No mesmo trecho do texto sapiencial encontramos a resposta: «Os homens foram instruídos no que é do Vosso agrado» (v 18). Para verificar a chamada de Deus, devemos perguntar-nos e entender o que Lhe agrada. Muitas vezes, os profetas anunciam o que é agradável ao Senhor. A sua mensagem encontra uma síntese maravilhosa na expressão: «Misericórdia quero, e não sacrifício» (Os 6,6; Mt 9,13). Para Deus todas as obras de misericórdia são agradáveis, porque no irmão que ajudamos, reconhecemos o rosto de Deus que ninguém pode ver (cf. Jo 1,18). E todas as vezes em que nos inclinamos às necessidades dos irmãos, dêmos de comer e beber a Jesus; vestimos, apoiamos e visitamos o Filho de Deus (cf. Mt 25,40). Em definitiva, tocamos a carne de Cristo.

Estamos chamados a por em prática o que pedimos na oração e professamos na fé. Não existe alternativa para a caridade: quem se põe ao serviço dos irmãos, embora não o saibamos, são aqueles que amam a Deus (cf. 1 Jo 3,16-18; Tg 2,14-18). A vida cristã, no entanto, não é uma simples ajuda oferecida nos momentos de necessidade. Se assim fosse, certamente seria um belo sentimento de solidariedade humana, que provoca um benefício imediato, mas seria estéril, porque careceria de raízes. O compromisso que o Senhor pede, pelo contrário, é o de uma vocação para a caridade com que cada discípulo de Cristo põe ao seu serviço a própria vida, para crescer no amor todos os dias.
Escutamos no Evangelho que «seguiam com Jesus grandes multidões» (Lc 14,25). Hoje, a “grande multidão” é representada pelo vasto mundo do voluntariado, aqui reunido por ocasião do Jubileu da Misericórdia. Sois aquela multidão que segue o Mestre, e que torna visível o seu amor concreto por cada pessoa. Repito-vos as palavras do apóstolo Paulo: «Tive grande alegria e consolação por causa do teu amor fraterno, pois reconfortaste os corações dos santos» (Flm 7). Quantos corações os voluntários confortam! Quantas mãos apoiam; quantas lágrimas enxugam; quanto amor é derramado no serviço escondido, humilde e desinteressado! Este serviço louvável dá voz à fé – dá voz a fé! - e manifesta a misericórdia do Pai que se faz próximo daqueles que passam por necessidade.

Seguir Jesus é um compromisso sério e ao mesmo tempo alegre; exige radicalidade e coragem para reconhecer o divino Mestre no mais pobre e descartado da vida e colocar-se ao seu serviço. Para isso, os voluntários que servem os últimos e necessitados por amor de Jesus não esperam nenhum agradecimento ou gratificação, mas renunciam tudo isso porque encontraram o amor verdadeiro. E cada um pode dizer: “Como o Senhor veio até mim e se inclinou sobre mim na hora da necessidade, assim vou ao seu encontro e me inclino sobre aqueles que perderam a fé ou vivem como se Deus não existisse, sobre os jovens sem valores e ideais, sobre as famílias em crise, sobre os enfermos e os prisioneiros, sobre os refugiados e imigrantes, sobre os fracos e desamparados no corpo e no espírito, sobre os menores abandonados à própria sorte, bem como sobre os idosos deixados sozinhos. Onde quer que haja uma mão estendida pedindo ajuda para levantar-se, ali deve estar a nossa presença e a presença da Igreja, que apoia e dá esperança”. E fazê-lo com a memória viva da mão do Senhor estendida sobre mim quando eu estava por terra.
Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que «quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável». Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes - diante dos crimes!- da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento.

A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres. Hoje entrego a todo o mundo do voluntariado esta figura emblemática de mulher e de consagrada: que ela seja o vosso modelo de santidade! Parece-me que, talvez, teremos um pouco de dificuldade de chamá-la de Santa Teresa: a sua santidade é tão próxima de nós, tão tenra e fecunda, que espontaneamente continuaremos a chamá-la de “Madre Teresa”. Que esta incansável agente de misericórdia nos ajude a entender mais e mais que o nosso único critério de ação é o amor gratuito, livre de qualquer ideologia e de qualquer vínculo e que é derramado sobre todos sem distinção de língua, cultura, raça ou religião. Madre Teresa gostava de dizer: «Talvez não fale a língua deles, mas posso sorrir». Levemos no coração o seu sorriso e o ofereçamos a quem encontremos no nosso caminho, especialmente àqueles que sofrem. Assim abriremos horizontes de alegria e de esperança numa humanidade tão desesperançada e necessitada de compreensão e ternura.

sábado, 3 de setembro de 2016

XXIII Domingo do Tempo Comum - ano C - 4/09/2016

       1 – Preferência e seguimento, humildade e despojamento. A vocação primeira do cristão é seguir Jesus. Segui-l'O amando-O antes e acima de tudo. Quanto mais próximos de Deus mais disponíveis para amarmos e servirmos os irmãos. Quanto menos tempo tivermos para Deus menor a disponibilidade para cuidarmos dos outros, com alegria e prontidão.
       A atualidade deixa-nos ansiosos e preocupados, como Marta, amiga de Jesus. Tantas são as tarefas e tão urgentes que deixamos de ter tempo para o essencial: a vida, os amigos, a família, a qualidade na relação com os outros. Para que os laços se fortaleçam precisamos de convívio, de paciência, de persistência, de tempo. Podemos sempre dizer que mais importante que a duração do tempo é a qualidade do mesmo. De certa maneira. Se temos uma agenda muito preenchida que, pelo menos, estejamos totalmente naqueles instantes que dispomos com os outros. Mas que não seja uma desculpa ou justificação para nos distrairmos da família, dos amigos ou da vida.
       A vivência do domingo, tradicionalmente dia de descanso, era uma belíssima oportunidade para promover o encontro social, cultural, religioso, familiar. O trabalho é muito importante, como realização pessoal-profissional, como ganha-pão, como transformação da sociedade e do mundo, como supressão de carências. Mas o trabalho não é tudo. É um drama para quem não tem acesso a um trabalho digno e uma condigna remuneração. Mas também é dramático quando o trabalho justifica as chatices com a família, o afastamento crónico dos filhos, a indisponibilidade para os amigos. O trabalho é para nos aproximar e nos ajudar a crescer, não é um passatempo para nos distrair das dificuldades ou dos problemas.
       2 – Quando precisares de ajuda, pede a quem está ocupado, porque arranjará sempre tempo. Não peças colaboração a quem não tem nada que fazer (por opção), pois não estará disponível. Neste sentido, também a prioridade dada a Deus não nos indisponibiliza para os outros.
       Há uma grande multidão que segue Jesus. A motivação de cada pessoa poderá ser diferente: curiosidade, à procura de um sentido para a vida, para ver um milagre, por arrastamento... Alguns regressarão a casa transformados, prontos a mudar a vida pessoal, familiar, profissional e a maneira de se relacionarem com Deus – um Amigo e não um Ser Terrível – e com os outros, em quem se pode encontrar Deus.
       O Evangelho é para todos. Se, por vezes, Jesus se dirige especificamente a uma pessoa ou a um grupo, é para que todos ouçamos. Jesus volta-se, também nós, e diz: «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo... quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».
       Optar não é excluir, mas dar preferência ao que realmente importa. Em todo o caso, a vida é feita de escolhas que, por sua vez, implicam renúncias, sacrifícios, gastando prevalentemente as energias e a vida na opção que fizemos. Quando não se escolhe, também se escolhe não escolher ou deixar que outros escolham ou que a vida se encarregue de nos arrastar. Assim sendo, é melhor sermos atores da nossa história que meros espectadores à espera que os outros realizem a vida por nós.
       Se decidimos ser cristãos, ajamos como cristãos, procurando agrafar a nossa vida à vida de Jesus e, como Ele, transparecer a misericórdia do Pai em tudo o que dissermos e fizermos. Não há cristãos a meio tempo ou quando dá jeito. Há cristãos por inteiro, mesmo que por vezes sobrevenha em nós a fragilidade, a limitação e o pecado. Mas maior que o nosso pecado é a misericórdia de Deus.
       3 – Neste domingo, 9 anos depois da sua morte (5 de setembro de 1997), é canonizada a Madre Teresa de Calcutá, cujo testemunho de vida transparece a entrega total a Jesus Cristo, que se refletiu no serviço aos mais pobres dos pobres. A mulher franzina, com uma coragem intrépida na luta pelos desvalidos da sociedade. Nasceu a 26 de agosto de 1910, em Skopje, na Albânia. O nome de batismo é Agnes (Inês) Ganxhe Bojaxhui. Com 18 anos vai para a Irlanda, onde se torna irmã de Loreto, cuja Ordem envia missionárias sobretudo para a Índia. Em 1928 vai finalmente para a Índia, com a missão, como as companheiras, de ensinar (geografia e religião) no colégio de St. Mary, em Entally, Calcutá, de que se tornará Diretora. Em 1946, sente a "vocação dentro da vocação", para sair ao encontro dos mais pobres dos pobres, daqueles que ninguém quer. Cerca de 2 anos depois solicita ao Vaticano a autorização para deixar a Ordem de Loreto e fundar uma nova Congregação, as Irmãs da Caridade. Até à sua morte não cessará de se entregar a Jesus Cristo no cuidado das pessoas mais desfavorecidas. Em 19 de outubro de 2003 foi beatificada por João Paulo II. Já em vida é considerada santa…
       Madre Teresa sintoniza-nos com o Evangelho: "Pela minha missão, pertenço a todo o mundo, mas o meu coração pertence a Jesus Cristo... Quando olhamos para a cruz, compreendemos a grandeza do Seu amor. Quando olhamos para a manjedoira compreendemos a ternura do Seu amor por ti e por mim, pela tua família e por cada família... Nunca estejais tristes. Sorri, pelo menos, cinco vezes por dia. Basta um sorriso, um bom-dia, um gesto de amizade. Fazei pequenas coisas com grande amor... Muitos de vós, antes de partir, vão pedir-me autógrafos. Seria melhor que vos aproximasses de um pobre e, através dele, pudésseis encontrar o autógrafo de Cristo".
       A sua entrega foi total. Não olhou nunca para trás, ainda que com dificuldades e trevas. Na oração e na intimidade com Deus forjou a coragem e a ousadia para servir os enjeitados deste mundo e destes reinos, procurando justiça, aliviando-os nos seus sofrimentos, devolvendo-os à vida, reconhecendo-os como filhos amados de Deus, fazendo-os sentir-se únicos!
       «Reza como se tudo dependesse de Deus e age como se tudo dependesse de ti... A verdadeira santidade consiste em fazer a vontade de Deus com um sorriso... É fácil sorrir às pessoas que estão fora da nossa casa. É fácil cuidar das pessoas que não se conhecem bem. É difícil ser sempre solícito e delicado e sorridente e cheio de amor em casa, com os familiares, dia após dia, especialmente quando estamos cansados e irritados. Todos nós temos momentos como estes e é precisamente então que Cristo vem ter connosco vestido de sofrimento».
       O mundo precisa de Deus. E precisa de nós para levarmos o Deus que nos habita a todos que não O conhecem ou vivem afastados d’Ele. «Eu sou um lápis nas mãos de Deus. Ele usa-me para escrever o que quer... Demo-nos conta que o que fazemos é apenas uma gota no oceano. Mas sem essa gota, faltaria alguma coisa no oceano. Não devemos pensar na quantidade, nos números. Sejamos capazes de amar uma só pessoa de cada vez, de servir uma pessoa de cada vez... Jesus é o meu tudo. A minha plenitude». O mundo inteiro para cuidar é a pessoa que precisa de mim, agora. 
       4 – Seguir e amar Jesus não nos distrai nem da vida nem dos outros, mas dá-lhe um sentido de plenitude, a certeza que a vida não se perde e que os outros são a nossa oportunidade de nos redimirmos e neles encontrarmos o próprio Deus que conta com o nosso sorriso e com a nossa ajuda. Em Cristo, Deus deixa-Se tocar, embalar, amar, perseguir, deixa-Se matar, mas nunca, nunca, nunca deixa que o Seu amor e a Sua misericórdia vacilem. O Seu poder é a Sua misericórdia infinita. A Sua grandeza está em fazer-Se pequeno, ficando do nosso tamanho, escondendo-Se entre nós. Ele vive. Podemos novamente e sempre encontra-l’O, segui-l’O, amá-l’O em cada ser humano.
       Peçamos ao Senhor que nos conceda a sabedoria para discernirmos sobre as escolhas que nos fazem escolhê-l'O, a humildade para acolhermos os Seus desígnios e a fortaleza para os cumprir. "Ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração. Voltai, Senhor! Até quando... Tende piedade dos vossos servos. Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade, para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias. Desça sobre nós a graça do Senhor nosso Deus. Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos".
       O Reino novo está a emergir, desde Cristo. Cabe-nos hoje a nós prosseguir com o Seu projeto de amor e de vida nova, levando a todos a esperança, fazendo com que todos se sintam parte deste sonho, para, entre avanços e recuos, nos tornarmos a Sua família.

       5 – São Paulo encontrou Jesus a caminho de Damasco. Já O perseguia sem saber, perseguindo os cristãos. "Sou Jesus, a Quem tu persegues". Finalmente os seus olhos abrem-se. Deixa tudo. A sua sabedoria, as suas certezas, a sua terra, para seguir Jesus, anunciando-O em toda a parte, em todas as situações e circunstâncias.
       Está prisioneiro por amor de Cristo Jesus, a interceder por um escravo, que quer que seja como um irmão muito querido. Ao dirigir-se e Filémon, Paulo agradece-lhe o cuidado e a atenção, "devolvendo" Onésimo, pedindo-lhe que o trate como se se tratasse do próprio Apóstolo. Em Cristo não há livres ou escravos, homens ou mulheres, mas todos são irmãos e assim devem ser tratados.


Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia (C): Sab 9, 13-19; Sl 89 (90); Flm 9b-10. 12-17; Lc 14, 25-33.