quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Veio ter com Jesus uma grande multidão...

       Veio ter com Jesus uma grande multidão, por ouvir contar tudo o que Ele fazia. Disse então aos seus discípulos que Lhe preparassem uma barca, para que a multidão não O apertasse. Como tinha curado muita gente, todos os que sofriam de algum padecimento corriam para Ele, a fim de Lhe tocarem. Os espíritos impuros, quando viam Jesus, caíam a seus pés e gritavam: «Tu és o Filho de Deus». Ele, porém, proibia-lhes severamente que o dessem a conhecer (Mc 3, 7-12).
       Depois de algumas intervenções milagrosas e da pregação envolvente, Jesus é seguido por numerosa multidão em busca de um sentido novo. Nem todos terão a mesma motivação. Uns por curiosidade, outros à espera de verem milagres, outros a fim de obterem algum benefício próprio, outros porque não têm nada melhor para fazer, outros levados pelos amigos, outros por sentirem que em Jesus encontra a cura física e/ou espiritual.
       Não tenhamos preconceito de fazer parte desta multidão que corre atrás de Jesus. Pelo contrário, sintamo-nos confortáveis ao segui-l'O, ao procurá-l'O...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Porque motivo os teus discípulos não jejuam?!

       «Por que motivo jejuam os discípulos de João e os fariseus e os teus discípulos não jejuam?». Respondeu-lhes Jesus: «Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles? Enquanto têm o noivo consigo, não podem jejuar. Dias virão em que o noivo lhes será tirado; nesses dias jejuarão. Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, porque o remendo novo arranca parte do velho e o rasgão fica maior. E ninguém deita vinho novo em odres velhos, porque o vinho acaba por romper os odres e perdem-se o vinho e os odres. Para vinho novo, odres novos» (Mc 2, 18-22).
       Jesus relembra àqueles que murmuram que para tudo há tempo. Importa viver cada momento, com o máximo empenho. Deixar as preocupações do amanhã para amanhã, avançar em relação às dificuldades superadas do passado, não se fixando obsessivamente nos dias de ontem. Para apreciar com sabedoria e generosidade cada tempo, cada oportunidade, cada encontro. De contrário nada se vive com sentido. O tempo é novo, diz Jesus, há que aproveitar a presença de Deus no meio de nós.
       Dias virão em que não sentiremos a Sua presença, mas a recordação dos tempos felizes, podem servir de lenitivo e de desafio a uma nova procura de Deus. O evangelho levanta um pouco o véu do que irá acontecer com Jesus. Será morto. O noivo ser-lhes-á e ser-nos-á tirado. O jejum, então, será uma forma de nos dispormos a descobrir a presença de Deus, a presença de Jesus, vivo, no meio de nós. Nesses dias jejuaremos de tudo o que tolhe o nosso olhar, a nossa vida, e que nos faz desconfiar e viver inseguros.
       HOJE, aqui e agora, Jesus nos interpela a vivermos o melhor que sabemos e podemos. Com a intensidade, como se fosse uma final, evocando a realidade do futebol. O jogo de amahã ainda está para acontecer. O jogo de ontem, independentemente do resultado, já está. HOJE é novo jogo, entremos com todas as nossas energias, capacidades, talentos.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Senhor, se quiseres, podes curar-me

        Veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte (Mc 1, 40-45).
       Da missão de Jesus fazem parte as palavras da pregação, o acolhimento de todos, preferencialmente daqueles que vivem à margem, na fronteira da vida, os gestos de cura, de libertação, de devolução da dignidade perdida.
       Antes de ir ter com Jesus, o leproso sente-se tocado, impelido por Jesus. Ouviu falar, criou esperança, sedimentou a fé numa vida nova, parte ao encontro d'Ele, na certeza que a sua prece será atendida: Se quiseres, podes curar-se. Despojado da sua vida- os leprosos eram tidos como pessoas odiosas, pecadoras, que viviam afastadas, não se podiam aproximar da aldeia, da cidade, com o risco de serem apedrejados. Este leproso ousa aproximar-se. Mais, ousa falar, pedir, colocar-se nas mãos de Jesus. Dos humildes é o reino de Deus. O desejo de cura poderia esbater com a exposição pública, e com a negação. Confia. Já ouviu falar de Jesus. Se quiseres... deixa nas mãos de Jesus, entrega-lhe a sua vida, confia!
       E nós como estamos de confiança em Deus? Também nos dispomos, na circunstância concreta da nossa vida atual, a confiar a nossa situação a Jesus. Eis, faça-se segundo a Tua santa vontade! Se quiseres, Senhor, podes curar-me. Do meu egoísmo, da inveja que sinto dos outros, do distanciamento que construo para não me comprometer! Cura-me dos meus medos, da incerteza, da dúvida, da desconfiança.
       O encontro com Jesus, há de levar-nos ao testemunho. Logo que partiu começou a dizer a toda a gente o que lhe tinha sucedido. E nós? Como estamos de encontro com Jesus? Que é que Ele suscita em nós? Sentimo-nos curados? Tocados pela Sua graça? Como está o nosso encontro com Jesus? Sentimo-nos libertos? Com que alegria testemunhamos a Sua presença em nós?

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Festa do Batismo do Senhor - 11 de janeiro de 2015

       1 – Os Céus são-nos abertos completamente em Jesus Cristo. Pelo nascimento, que ainda agora celebrámos. Pela Sua vida. A inteira vida de Jesus. Pela Sua paixão. Inteira paixão por nós, pela humanidade inteira. Os Céus estão escancarados pela Ressurreição de onde vem toda a LUZ, intensa, fulgurante, mais penetrante que a espada de dois gumes, é uma LUZ que chega ao mais profundo do nosso coração. A vastidão do Céu – na expressão feliz de Bento XVI – abarca o mundo inteiro.
       Hoje Jesus aproxima-Se de João para ser batizado e logo o Céu desce à terra e a voz do Pai ressoa nos nossos ouvidos, com ressonância indelével nosso coração: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência». Deus reconhece e faz ouvir o amor da Sua eleição. E nós estávamos lá, no Jordão e não podemos ignorar o que ouvimos. Mais tarde, a mesma voz, falará para nós e para nos dizer o que temos de fazer: Este é o Meu filho muito amado. Escutai-O (cf. Lc 9, 35).
       Logo ali, ao presenciarmos a cena e ao escutarmos Aquela voz que vem do alto, que vem do Céu, ficamos a saber que algo de novo começa a surgir, a manifestar-se. Vamos ver mais de perto. João já nos havia precavido: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu batizo na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo».
       E assim aconteceu. Jesus não se fez rogado e quando o tempo amadureceu, veio ter com João ao Jordão. E vimos que ao subir da água, os Céus se rasgaram e o Espírito desceu sobre Ele, e logo aquela voz nos deixou atordoados, sem saber o que dizer e o que fazer, sem saber o que sentir. És o meu Filho muito amado! Dirige-se a Jesus, mas n’Ele se dirige a cada um de nós.
       2 – O profeta Isaías, profeta do Advento, do Natal, da Quaresma, profeta da Paixão que nos traz Deus ao coração, apresenta mais uma bela página de incentivo, de confiança, de desafio. O Senhor Deus faz saber, através de Isaías, que o Seu Ungido está à porta:
«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».
       Página bela e intensa, pura filigrana, como diria o nosso Bispo D. António Couto, em que se visualiza a fonte do amor, o amor primeiro. Deus que nos precede, n'Ele a origem do amor, primeiro e verdadeiro, único e perfeito. Faz repousar o Seu Espírito no Filho que nos dá, a Luz que ofusca no instante inicial mas que logo purifica o nosso olhar. E quando olhamos a vida e os outros com o mesmo Olhar com que Deus nos ama, então ficamos mais próximos uns dos outros, reconhecemo-nos e acolhemo-nos irmãos e amamo-nos como Ele nos ama.
       A caracterização do Messias é visível e confirmada em Jesus. O testemunho dos Céus na hora do batismo é antecipado pelo Profeta. O Ungido não se imporá pelo poder, pela majestade, pela força ou pela violência, mas pela paz, pelo amor, pela persistência no caminho da justiça e do bem. É o Senhor que O modela como luz das nações, libertação dos oprimidos e dos que vivem nas trevas. Ele e nós que n'Ele somos acolhidos, reconhecidos e considerados irmãos. Ele é o Cordeiro que carrega e tira os pecados do mundo. Nós, com Ele, carregamo-nos uns aos outros para nos aliviarmos mutuamente dos fardos que por vezes pesam sobre cada um.
       3 – «O Senhor abençoará o seu povo na paz».
       Também a bela melodia do Salmo faz sinfonia com o Ungido do Senhor, que vem para amar, libertar, para dar a Vida por nós e nos salvar, nos guiar, nos elevar com Ele para junto do Pai. O Deus da Paz nos abençoe e proteja, nos conduza por águas calmas e que no caudal da vida, do tempo e da história, nos faça avançar com os outros, nunca contra eles, com mais amor para construirmos a Sua verdadeira família, que começamos aqui na terra, no tempo que Deus nos dá.

       4 – Depois de tantas vicissitudes, eis o imponente testemunho de São Pedro. A Luz das Nações, o Filho de Deus, revelou-Se em toda a plenitude na Morte e sobretudo na Ressurreição. Essa luz intensa e imensa invade agora o coração e a vida de Pedro e dos apóstolos e dos discípulos e de todos nós. A alegria sobrepõe-se ao medo; a luz afasta as trevas; o amor aproxima-nos esboroando egoísmos; a identificação com Aquele que dá a vida por nós, o Filho Amado do Deus Altíssimo, leva-nos a imitá-l'O, no perdão, no amor e na paz.
       Ponhamo-nos à escuta, no meio da multidão, como havia feito Jesus quando vai ter com João ao Jordão para por ele Se fazer batizar. Não passa à frente ou ao lado, mas está no MEIO do povo, com o Povo e com o Povo caminha até João. Para que a justiça se faça e se efetive a Sua identificação connosco, Ele faz o que nós fazemos, Ele vive connosco, para que depois nós aprendamos a viver como Ele e a fazer como Ele faz.
       No meio da multidão, Pedro toma a palavra, sem medo nem travo na voz, com olhar fundo e terno, e a voz bem colocada e audível, entoada, para que as palavras ecoem em nós. Pedro, aquele que antes, por medo e por vergonha, se tinha recusado a ser associado a Jesus, associa-se agora com todo o coração:
«Na verdade, eu reconheço que Deus não faz aceção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».
       O amor de Deus é para todos. Não escolhe nem idade, nem sexo, nem nacionalidade, não escolhe brancos ou pretos, homens ou mulheres, é para todos. Em Jesus todos somos irmãos. Um povo, uma nação cuja aliança se expande a todo o mundo. Deus não faz aceção de pessoas, como tantas vezes a nós nos acontece ou deixamos acontecer.
       5 – Depois do Batismo, e durante toda a vida, Jesus passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos. Deus estava com Ele. E Ele transparecia Deus, nas palavras, nos gestos, no olhar, nos prodígios realizados, nos silêncios, na oração, a caminhar, e em todos aqueles e aquelas que encontrava no Seu caminho, todos aqueles de quem se aproximava com ternura e compaixão.
       Deus está (sempre) connosco. Com e em Jesus somos batizados. E como passamos? Fazendo o bem? Curando todos os que à nossa volta estão oprimidos? Sentimo-nos ungidos e enviados? Preenchemos os nossos dias com a presença de Deus? O quê ou Quem transparecemos na nossa vida?

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 42, 1-4. 6-7; Sl 28 (29); Atos 10, 34-38; Mc 1, 7-11.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Eu batizo na água, Ele batizar-vos-á no Espírito Santo

       João começou a pregar, dizendo: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo». Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no rio Jordão. Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele. E dos céus ouviu-se uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência» (Mc 1, 7-11)
        O Evangelho de hoje envolve-nos na missão de João Baptista, conduzindo-nos até Jesus. Do anúncio de João faz parte orientar para o Messias que há de vir. Quando O encontra, aponta claramente para Ele. O Baptista é testemunha do que sucede com Jesus no batismo, os céus abrem-se e ouve-se a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado.
       Não se trata, sublinhe-se, de mero conhecimento da identidade de Jesus, trata-se de um desafio. Se Ele é o Filho de Deus nada nos deve desviar de O seguir...

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno

Nota Histórica:
       Basílio nasceu em Cesareia de Capadócia no ano 330, de uma família cristã; homem de grande cultura e virtude, começou por viver vida eremítica, mas no ano 370 foi eleito bispo da sua cidade natal. Combateu os arianos; escreveu excelentes obras e sobretudo regras monásticas, pelas quais ainda hoje se regem muitos mosteiros do Oriente. Foi grande benfeitor dos pobres. Morreu em 379, no dia I de Janeiro.
       Gregório nasceu no mesmo ano que Basílio, perto de Nazianzo, e deslocou-se a várias terras por razões de estudo. Seguiu o seu amigo Basílio na vida eremítica, mas foi depois ordenado presbítero e bispo. No ano 381 foi eleito bispo de Constantinopla, mas devido a divisões existentes naquela Igreja, retirou-se para Nazianzo, onde morreu no dia 25 de Janeiro do ano 389 ou 390. Pela profundidade da sua doutrina e encanto da sua eloquência foi chamado «o teólogo».
(São Basílio , à esquerda; São Gregório Nazianzeno, à direita; ao centro,São Gregório de Nissa)

Oração de coleta:
       Senhor Deus, que iluminastes a vossa Igreja com os ensinamentos e exemplos de São Basílio e de São Gregório Nazianzeno, fazei que procuremos humildemente conhecer a vossa verdade e a vivamos fielmente na caridade. Por Nosso Senhor.
São Basílio Magno, bispo, sobre o Espírito Santo

O Senhor vivifica o seu corpo no Espírito

Diz-se homem espiritual aquele que já não vive segundo a carne mas sob a moção do Espírito de Deus, aquele que se chama filho de Deus e se tornou conforme à imagem do Filho de Deus. E assim como a capacidade de ver só se exerce em olhos saudáveis, também a acção do Espírito só se exerce na alma purificada.
Assim como a palavra, que está no nosso espírito, umas vezes permanece como simples pensamento do coração e outras vezes é proferida pelos nossos lábios, assim também o Espírito Santo, que habita em nós, umas vezes dá testemunho ao nosso espírito e exclama em nossos corações Abba, Pai, e outras vezes fala por meio de nós, conforme ao que foi dito: Não sois vós que falais, mas o Espírito do Pai que fala em vós.
Por outro lado, ao distribuir a todos os seus carismas, o Espírito é o todo que se encontra em cada uma das partes. Todos somos, com efeito, membros uns dos outros, embora com dons diferentes, segundo a graça que Deus nos concede.
Por isso, não podem os olhos dizer à mão: não precisamos de ti, ou a cabeça dizer aos pés: não preciso de vós. Ao contrário, todos os membros reunidos constituem o Corpo de Cristo na unidade do Espírito e prestam uns aos outros a necessária entreajuda, de acordo com os dons recebidos.
Foi Deus quem dispôs os membros no corpo, cada um deles conforme o seu beneplácito divino. Por sua vez, os membros são solidários uns para com os outros, em virtude do amor mútuo, nascido da sua comunhão no mesmo espírito vital. E assim, quando um membro sofre, todos sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos tomam parte na sua alegria.
E assim como as partes estão no todo, também cada um de nós está no Espírito, pois todos nós, que formamos um só corpo, fomos baptizados num só Espírito.
E tal como o Pai se contempla no Filho, também o Filho se contempla no Espírito. Por isso, «adorar no Espírito» quer dizer que a operação do nosso espírito se realiza na luz da verdade, como se pode deduzir das palavras dirigidas à Samaritana. Como ela julgava que se devia adorar a Deus num lugar determinado, segundo o modo errado de pensar do seu povo, o Senhor instruiu-a, dizendo-lhe que Deus devia ser adorado em espírito e verdade, chamando Se deste modo a Si mesmo a verdade.
Nós falamos de uma adoração no Filho, como numa imagem de Deus Pai; também podemos falar de uma adoração no Espírito, uma vez que exprime em Si mesmo a divindade do Senhor.
Por conseguinte, falando com propriedade e congruência, devemos dizer que na iluminação do Espírito contemplamos o esplendor da glória de Deus. Por meio do sinal do Espírito somos conduzidos Àquele de quem o Espírito é sinal e selo autêntico.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Paróquia de Pinheiros - Solenidade de Natal 2017

       No dia 25 de dezembro, como habitualmente, a Igreja Matriz de Santa Eufémia de Pinheiros encheu-se de vida, cor, alegria para a celebrar o Natal, com o próprio Aniversariante, na celebração solene da Eucaristia.
       Como milhentas Igrejas, espalhadas pelo mundo, também a de Pinheiros estava belíssimamente adornada para agrado dos membros do povo que se reuniu mas também para dar o melhor a Jesus Cristo.
       O grupo de acólitos preocupou-se sobretudo com a celebração, com a entrada processional do Centro Paroquial para a Igreja e durante a apresentação dos dons, foram levados ao altar diversos sinais e símbolos: as 4 velas que ao longo dos domingos formaram a coroa do Advento; as alfaias litúrgicas, pão e vinho, cálice e patena, e alguns presentes que se desejam para todos, e caixinhas com o Menino.

O texto preparado para a Apresentação dos Dons:
Vela do primeiro Domingo:
Lembramos que pertencemos à igreja pelo batismo; pela água que recebemos e pelo Espírito Santo tornámo-nos filhos de Deus, e em Jesus, nosso irmão, ganhámos Maria como Mãe nossa e Mãe da Igreja.
Vela do segundo Domingo:
No segundo domingo o profeta Isaías falava-nos do Evangelho em que João Batista ao batizar no rio Jordão dizia «Depois de mim virá aquele de quem não sou digno de desapertar as suas sandálias»
Vela do terceiro Domingo 
Chegou o terceiro domingo e veio Maria, a Senhora do Advento, dizer-nos que o Natal estava a chegar e, por isso, a alegria a manifestar.
Maria ensina-nos a confiar e reconhecer as maravilhas de Deus. 
Vela do quarto Domingo:
«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo, bendita és tu entre as mulheres». O Evangelho diz que devemos ter o coração preparado para acolher tal como Maria acolheu o Anjo enviado pelo Senhor sem pensar duas vezes.
Tocheiros:
Trazemos Senhor, além das velas, mais luz, para que toda a gente tenha a luz interior no seu coração. Recordamos também as vítimas dos incêndios deste ano: que o Senhor esteja presente junto de todos os familiares e que a luz não deixe de brilhar neste Natal apesar de todas as tristezas.
Queremos também com esta luz recordar todos os nossos familiares que gostaríamos que estivessem presentes este Natal, mas que estão junto de Ti a brilhar e pedir por nós.
Água:
Apresentamos-te Senhor a água que nos lembra o batismo e o nosso propósito de sermos cristãos.
Pão e Vinho:
Trazemos ao Teu altar, Senhor, o pão e o vinho que nos deixaste para lembramos o Teu corpo e sangue, a maior herança que nos deixaste através dos discípulos na última ceia.
Cálice e Patena:
Entregamos-te Senhor, o cálice e a patena, símbolos do pão e do vinho do teu corpo e sangue. Que eles sirvam para recordar que cada um de nós é membro do Teu corpo. Dá-nos a força para enfrentar as dificuldades da vida no dia-a-dia.
Telemóvel:
Trazemos, Senhor, ao teu altar o Telemóvel para te respondermos “SIM” à Tua chamada e dizermos que estamos sempre disponíveis para Te atender e irmos ao Teu encontro, e assim estarmos disponíveis para servir a comunidade.
Prendas:
Nós te trazemos Senhor, estas prendas não são ouro ou prata, mirra ou incenso, mas sim aquilo que achamos que é o mais importante aos teus olhos nos dias de hoje.
Paz
Amor
Solidariedade
Saúde
São estas as prendas que te trazemos, e esperamos que todos nós aqui presentes possamos guardar nos nossos corações e levar para o nosso dia-a-dia, e assim será Natal. 
«Sim, por isto queremos rezar nesta Noite Santa. Senhor Jesus Cristo, Vós que nascestes em Belém, vinde a nós! Entrai em mim, na minha alma. Transformai-me. Renovai-me. Fazei que eu e todos nós, de pedra e madeira que somos, nos tornemos pessoas vivas, nas quais se torna presente o vosso amor e o mundo é transformado» (Bento XVI).

domingo, 24 de dezembro de 2017

Natal - celebração do Nascimento de Jesus | 2017

       1 – Celebração do Natal, aniversário natalício de Jesus Cristo, ainda que não se saiba ao certo o dia e o mês em que nasceu, sublinha, com o solstício de Inverno, que Aquele Menino é a verdadeira Luz, o Sol que nasce para nós. Vem de Deus, traz-nos Deus, insere-nos na vida de Deus. Em noite de Natal, o profeta Isaías fala-nos desta luz: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar». E logo o profeta acrescenta o porquê de tanta Luz: «Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros... o seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre» (Is 9, 1-7).
       Quando Mateus relatar o nascimento de Jesus utilizará este texto para nos dizer que em Jesus se cumprem as profecias, mas sobretudo as promessas de Deus. O Deus Menino é verdadeiramente a Luz que irradia para o mundo inteiro (cf. Mt 4, 16).
       2 – O nascimento de Jesus reveste-se de alegria. Sempre que uma criança nasce deveria ser uma alegria sem fim, uma bênção para os pais, para toda a família, para toda a comunidade. E em comunidades em que as crianças "escasseiam", hoje torna-se ainda mais relevante o nascimento de uma criança. No entanto, por vezes, aquela vida nova que está para nascer, ou que nasceu, é vista como estorvo, como incómodo, quase como uma "coisa" que atrapalha o dia-a-dia.
       Ao olharmos para uma criança recém-nascida, na sua inocência e fragilidade, para o mistério do que virá a ser, certamente que o nosso coração deve rejubilar de alegria, pois Deus nos visita, por Jesus, e nos visita por cada pessoa que se cruza na nossa vida.
«Os confins da terra puderam ver a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e cantai". A salvação é-nos revelada em plenitude em Jesus Cristo. "Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa».
       Que excelente motivação para a gratidão e para o louvor. Deus visitou-nos. “Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos, para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade, aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo (Tito 2, 11-14). Como sentencia São Paulo, a presença de Deus no meio de nós leva-nos ao louvor mas também a agir em conformidade com a glória de Deus, que vem salvar-nos.
       3 – Para nós cristãos, o Natal manifesta, antes de tudo, o Amor de Deus para connosco, que nos envolve, que nos redime, que nos insere na comunhão conSigo. O Natal visualiza o mistério da Encarnação, o que estava oculto revela-se com toda a luz, a palavra faz-Se vida, Jesus revela-nos o Rosto do Pai, uma vez que Quem o vê, vê o Pai (cf. Jo 14, 9).
«No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. .... O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem.... E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. ... foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça».
       São João faz-nos recuar à eternidade. O nascimento de Jesus, o Verbo encarnado, pleniza os desígnios de Deus, desde sempre e para sempre. Ele vem como luz, ainda que esta possa ofuscar os que andam nas trevas. Fazemos essa experiência quando da escuridão passamos à claridade da luz e de imediato cerramos os olhos e colocamos as mãos para filtrar a luz, para que esta não nos fira com a sua intensidade.
       Se deixarmos que a Luz ilumine a nossa vida, então tudo se altera. A nossa vida passa a refletir o Deus que nos habita.
       4 – São Lucas relata o nascimento propriamente dito, constatando que Deus não Se impõe pela sumptuosidade ou pelo poder, mas pela simplicidade da ternura e do amor. Só os corações pobres reconhecem que Aquele Menino é Dom de Deus.
       «Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de [Maria] dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria». Certamente já fizemos a experiência de passarmos ao lado do que se vem a revelar importantíssimo. Quantos pormenores nos escapam num primeiro olhar, e logo nos apercebemos do tempo que perdemos em busca de algo que estava mesmo a nossa frente.

"Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados» (Evangelho da Missa da Meia-noite: Lc 2, 1-14).
       Deus é ousado na forma como nos aborda. Respeita-nos porque nos ama. E porque nos ama, dá-Se por inteiro, o melhor de Si mesmo, o Seu amor maior, o Seu próprio Filho. Toma a iniciativa, mas aceita a nossa recusa. Expõe-se. Atrai-nos. Revela-Se. Mas podemos ter o olhar ferido e não O reconhecer. Aqueles pastores reconhecem o Menino como Luz que vem de Deus.
       5 – Deus havia prometido aos nossos Pais. Deus cumpre em Jesus a Sua promessa. Ele vem com poder e majestade, com o poder do amor e com a majestade da Sua misericórdia. Nós vimos a Sua glória. Agora cabe-nos levar mais longe esta alegre notícia:
«Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação... Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque veem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus» (Is 52, 7-10).
Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia:
Missa da Noite: Is 9, 1-6; Sal 95 (96); Tito 2, 11-14; Lc 2, 1-14;
Missa da Aurora: Is 62, 11-12; Sal 96 (97); Tito 3, 4-7; Lc 2, 15-20
Missa de Natal: Is 52, 7-10; Sal 97 (98); Hebr 1, 1-6; Jo 1, 1-18.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Paróquia de Tabuaço | Festa de Natal | 2017

       Festa de Natal da Catequese, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço, realizada no Auditório do Centro de Promoção Social de Tabuaço, no dia 16 de dezembro de 2017. Iniciou com a celebração da Eucaristia, prosseguindo com a intervenção dos diferentes anos da catequese, tendo a participação especial do Grupo Coral adulto. No final, e antes de um cântico conjunto dos meninos da catequese, catequistas e grupo coral, um pequeno presente das catequistas aos seus catequizandos: uma caixinha com o Menino Jesus dentro.
       Neste videoporama, as fotos, com duas belas músicas de Natal.

CRÉDITOS...
       Fotos: Paróquia de Tabuaço - Daniela Rodrigues
       Músicas: Pe. Salvador Cabral - Depressinha
                    Coro de Santo Amaro de Oeiras - Noite Feliz

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A sabedoria foi justificada pelas suas obras

       Eis o que diz o Senhor, o teu redentor, o Santo de Israel: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te ensino o que é para teu bem e te conduzo pelo caminho que deves seguir. Se tivesses atendido às minhas ordens, a tua paz seria como um rio e a tua justiça como as ondas do mar. A tua descendência seria como a areia e como os seus grãos a tua posteridade. Nunca o teu nome seria tirado nem riscado da minha presença» (Is 48, 17-19).
        Disse Jesus à multidão: «A quem poderei comparar esta geração? É como os meninos sentados nas praças, que se interpelam uns aos outros, dizendo: ‘Tocámos flauta e não dançastes; entoámos lamentações e não chorastes’. Veio João Bptista, que não comia nem bebia, e dizem que tinha o demónio com ele. Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizem: ‘É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores’. Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras» (Mt 11, 16-19)

       Dois textos muito sugestivos para esta sexta-feira. Isaías apresenta as palavras do Senhor: Ensino-te o que é para teu bem, conduzo-te pelo caminho a seguir. A Palavra de Deus é uma garantia, seguir os Seus mandamentos traz-nos a paz, a salvação. Com efeito, os ensinamentos de Deus conduzir-se-ão ao bem, à justiça, à verdade.
        No texto do Evangelho, Jesus fala do Seu desalento referindo a missão de João Batista e comparando a não aceitação da Sua mensagem aos meninos que não se deixam envolver nem pelo choro nem pela a alegria. Pior que dizer não, ou dizer sim, é não ter opções, não tomar partido, não decidir, nem quente nem morno.
       Jesus evoca os jogo das crianças, para nos desafiar à comunhão com a Sua mensagem. É uma desilusão alguém tudo fazer por nós e nós, por nossa vez, virarmos as costas, ou ficarmos indiferentes. A criança quando embirra é complicado, quer fazer andar todos ao sabor dos seus caprichos, independentemente do que deseja...

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Paróquia de Tabuaço | Imaculada Conceição | 2017

       Solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira e Rainha de Portugal. Padroeira da Paróquia de Tabuaço. Madrinha dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço.
       Este é um momento muito especial para a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço.
Depois de 9 dias de preparação mais espiritual, com a Novena, o dia da festa, envolvendo a comunidade paroquial, as instituições de Tabuaço e crentes das comunidades vizinhas.
       Autarquia, Bombeiros Voluntários, GNR, Guias e Escuteiros da Europa. Grupos paroquiais: zeladoras, conselhos pastoral e para os assuntos económicos, GJT, Grupo de Acólitos, Grupos corais, mordomas e tanta gente a contribuir e a participar com alegria.

CRÉDITOS:
Fotos: Daniela Rodrigues - Paróquia de Tabuaço
Músicas de fundo: Laetare - Mãe de Deus, Minha Mãe; Grupo Coral de Santa Maria de Almacave - Avé Maria.

Que nenhum dos pequeninos se perca

       Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam. Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos» (Mt 18, 12-14).
       Jesus - Aquele que salva o povo dos seus pecados - vem para todos. Porém, como hoje sublinha, vem sobretudo para os pequeninos, os pobres, os pecadores, ou seja, para aqueles que se abrem à graça de Deus, à Sua presença entre nós, aqueles que reconhecendo a sua pequenez se dispõem a mudar a sua vida, procurando corresponder aos desígnios de Deus.
       Como sabemos, ninguém que se considere santo, perfeito, mais sábio que todos os outros, arrogante, prepotente, poderá acolher o que vem dos outros, ou o que vem de Deus, porque se considera a si mesmo uma referência última, sem necessidade da ajuda, colaboração, ou vida dos outros.
       O convite de Jesus é, antes de mais, um desafio à humildade e à pobreza, à abertura aos outros e a Deus.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Cardeal Luis Antonio Tagle - Aprendi com os últimos

Cardeal LUÍS ANTÓNIO TAGLE (2017). Aprendi com os últimos. A minha vida, as minhas esperanças. Lisboa: Paulus Editoria. 160 páginas.
       No último conclave em que foi eleito o atual Papa, Francisco, então Cardeal Jorge Mario Bergoglio, o Cardeal das Filipas, Tagle, era apontando como um dos possíveis à sucessão do papa Bento XVI. Se já era um Cardeal muito conhecido, pela sua juventude e pela presença nos meios de comunicação e por ser também o responsável da Cáritas Internacional, o que lhe permite viajar um pouco por todo o mundo. Abrindo-se a possibilidade de ser Papa,então a procura da sua biografia, da sua história.
       Este livro em formato de entrevista, conduzida por Gerolamo Fazzini e Lorenzo Fazzini, procura apresentar-nos este jovem Bispo e um dos mais novos Cardeais da Santa Igreja, passando pelo berço e contexto em que nasceu e crescer, a sua vocação e a vida como seminaristas, os primeiros anos como padre e os estudos superiores nos EUA, a escolha para Bispo e posteriormente a ascensão a Cardeal. Pelo meio, a escolha para integrar a Comissão Teológica Internacional, presidida então pelo Cardeal Joseph Ratzinger. Quando este o apresentou ao Papa João Paulo II, em dois momentos lhe perguntou a idade e se já tinha feito a Primeira Comunhão.
       A biografia revela as origens humildes do Cardeal Tagle, da sua ascendência filipina e chinesa, abarcando a cultura das Filipinas, mas a abertura ao mundo chinês e ao mundo ocidental. Os estudos nos EUA deram-lhe outra perspetiva mais universal da cultura, da religião, do cristianismo, mas simultaneamente, como filipino, pode dar um contributo para a vivência cristã, o testemunho de vida num mundo de muitas dificuldades, o diálogo e a combatividade com os as autoridades locais, a teologia da libertação vista a partir das Filipinas, numa libertação sobretudo ideológica. As dificuldades do povo filipino está presente na sua formação, na pastoral de sacerdote e de bispo, alargando-se pelo facto de ter assumido a Presidência da Cáritas Internacional. Está habituado ao contacto com a pobreza e com os pobres, a trabalhar não tanto para eles, mas a trabalhar com eles, já que o próprio partilhou o trabalho para viver com dignidade. Nos EUA teve que ser criativo para conseguir fazer o doutoramento, passando trabalhos a computador, ajudando os párocos, aproveitando as férias não para descansar mas para prover ao necessário para pagar as propinas.
       Hoje é uma referência mundial, mas a humildade, o trato fácil, a afabilidade é visível na entrevista e garantida pelos testemunho dos próprios entrevistadores. É também um homem da comunicação, está presente em diversas redes sociais, interagindo com os diocesanos e com pessoas  de todo o mundo.
       Na despedida "oficial" dos Cardeais ao papa Bento XVI o diálogo entre os dois suscitou o riso, pelo que os outros cardeais quiseram saber que palavras trocaram. Segredo pontíficio! Revelando um grande humor. Foi oicasião para o Cardeal lembrar ao papa Bento XVI que afinal já tinha feito a Primeira Comunhão.

Leitura: ANDREA MONDA - BENDITA HUMILDADE

ANDREA MONDA (2012). Bendita Humildade. O estilo simples de Joseph Ratzinger. Prior Velho: Paulinas Editora. 176 páginas.
       No dia 10 de novembro (2017), desloquei-me com três amigos sacerdotes, o Giroto, o Diamantino e o Diogo à VIII Jornada de Teologia Prática na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, e um dos conferencistas era precisamente o italiano Andrea Monda, testemunhando o anúncio do Evangelho às gerações atuais. O professor Andrea Monda leciona o equivalente a EMRC, tem um programa na TV2000, num formato semelhante a uma aula de 25 minutos, interagindo com a turma.
       Bastava o livro ser referido a Bento XVI / Joseph Ratzinger para me despertar o interesse, mas a conferência de Andrea Monda despertou-me mais o interesse. Mas como digo, bastava ser uma obra sobre Joseph Ratzinger, que já o lia e estudava, para uma ou outra disciplina de Teologia, longe do tempo em que viria a ser eleito Papa. O testemunho da D. Fernanda, que dedicou uma parte importante da sua vida ao Seminário de Lamego, aquando uma missão em Roma, era que àquele Cardeal era muito afável, muito simpático e atencioso, muito simples e muito humano. São características que Andrea Monda também descobrir, sem precisar de muito esforço, bastando o encontro com Bento XVI e os milhentos testemunhos dados por quem conviveu ou convive com o agora Papa Emérito.
       O autor mostra que este Homem de Deus, simples, afável, de fácil trato, que olha as pessoas olhos nos olhos, com um olhar profundo e interpelante, atento aos interlocutores, não foi uma novidade, sempre foi assim, como seminarista, como padre, como Bispo, como professor, como Prefeito da Congregação para a Doutrina na Fé (ex-Santo Ofício). A comunicação social, desde a primeira hora, não lhe concedeu qualquer interregno de simpatia, pois sendo já conhecido, agora era tempo de levantar suspeitas, insinuações, colocando com rótulos, com preconceitos, pelo facto de ser alemão e pelo facto de ter sido durante tantos anos o fiel guardador da fé, da doutrina católica, como se isso fosse um crime.
       Segundo o autor, a HUMILDADE é uma palavra que marca a vida de Joseph Ratzinger / Bento XVI, nas diferentes etapas da vida, como sacerdote, como professor, como Bispo, Cardeal e Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, como Papa. Numa biografia do atual Papa Francisco é sublinha a atenção e o cuidado com que o então Cardeal Ratizinger tratava as pessoas que encontrava, com atenção, colocando-se ao mesmo nível da pessoa. Era um dos poucos cardeais, consta, que não tratava o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio com sobranceria, como um Cardeal das periferias, como fazia outras eminências, mas de igual para igual, com respeito, deferência, respeito e simpatia.
       É uma humildade assente na verdade, sobretudo a Verdade do Evangelho. A fé é antes de mais um encontro com Jesus. Humildade que assenta na transparência, na comunhão com a Igreja, em comunhão com a "maioria" formada pelos santos. Uma humildade caracterizada pela simplicidade. Basta recordar a primeira vez que apareceu na varanda pontifícia como Papa, o simples servidor da vinha do Senhor, com uma camisola preta, normal, debaixo da batina branca. Mais tarde confessará q dificuldade em usar botões de punho.
       Como Prefeito era conhecida a rotina que mantinha, manhã cedo e no final do dia, atravessava a praça de São Pedro, com uma boina na cabeça, sempre disponível para quem se aproximava. Por vezes fazia-se acompanhar por gatos. Sempre cordial e simples. Já como professora passava como segundo ou terceiro coadjutor de uma paróquia de cidade, tal a simplicidade com que interagia com os alunos, nesse caso. Permaneceu sempre assim, simples, cordato e acessível, um sacerdote a caminho, que se move em direção aos outros, colocando-se sempre ao nível dos seus interlecutores.
"Se João Paulo II foi definido como «o pároco do mundo», nesta aceção de simplicidade e humildade, pode-se tranquilamente definir Bento XVI como «coadjutor paroquial do mundo»... Em Bona, Ratzinger podia andar a pé, em Munique, como jovem sacerdote, andava de bicicleta de um lado para o outro, em Tubinga, voltou a recorrer às duas rodas".
       A sua vida é marcada pela renúncia. O autor apresenta essa característica fundamental antes de se sonhar que o Papa bávaro iria renunciar ao pontificado, assumindo-se como simples Padre Bento (terá sido essa a designação que propôs usar depois da renúncia). Humildade obediente. Outros foram conduzindo o seu percurso. Vai numa direção e de repente alguém o desafia para outra missão, sempre com o sentido de obediência aos seus superiores.
       Como teólogo marcante, o próprio confessou que nunca se propôs apresentar/criar uma linha teológica, mas aprofundar a teologia dentro da comunidade, da Igreja, em comunhão com o testemunho dos santos, uma teologia de joelhos.
       A verdadeira grandeza de homem reside na sua humildade". É uma caracterização que lhe assenta bem. Numa das catequeses, ao apresentar a figura do Papa Gregório Magno, quase poderia falar de si mesmo, lembrando como o monge que se tornou Papa "procurou de todos os modos evitar aquela nomeação; mas, no fim, teve de render-se e, tendo deixado pesarosamente o claustro, dedicou-se à comunidade, consciente de cumprir um dever e de ser simples 'servo dos servos de Deus'".
       "Todas as pessoas que de algum modo se encontraram com Joseph-Bento, «ao vivo», puderam constatar a doçura deste homem simples e dialogante, sem traços de altivez nem de afetação... ele é o primeiro a movimentar-se e ir ao encontro dos outros, pondo-se ao seu nível, delicadamente".
       Um dos aspetos relevantes do autor - tendo em conta os 24 anos de Joseph na Congregação responsável por ajudar o Papa e a Igreja a manter-se fiel a Jesus Cristo e ao Evangelho, ao nível dos princípios e das palavras em cada tempo -, o dogma! O dogma é o que nos liberta e nos ajuda a viver em dinâmica de amor. «Se na Igreja existem os dogmas, é para que ninguém se engane sobre o amor. Eles expõem-se à acusação de ideologia: na realidade, têm por efeito impedir que o amor seja transformado em ideologia».

BENTO XVI: «Deus não nos deixa tatear na escuridão. Mostrou-se como homem. Ele é tão grande que pode permitir-se tornar-se pequeníssimo».

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Nono Dia

       O Senhor é a nossa fortaleza, a nossa muralha (cf. Is 26, 1-6). A muralha é para nossa defesa, para nossa proteção. Então, dizer que Deus é a nossa muralha, é dizer que Ele nos quer bem, que quer proteger-nos. Tudo passa, mas Ele permanece. É um Deus forte em Quem podemos confiar a nossa vida.
       O salmo deste dia (117) mantém o mesmo registo. Deus é o nosso refúgio. Sabemos o que é um refúgio e quando precisamos dele. Por exemplo, para nos protegermos da chuva: o refúgio pode ser um guarda-chuva, uma varanda, uma paragem de autocarro. Deus é o nosso refúgio, n'Ele nos refugiamos quando advém as dificuldades, as intempéries, os problemas na nossa vida. Então recorramos a Ele, Ele é verdadeiramente o refúgio.
       No Evangelho (Mt 7, 21.24-27), Jesus fala no homem sensato e no homem insensato. O homem sensato é aquele que constrói sobre rocha firme. Temos estas duas possibilidades, construir sobre a areia, que agora está, mas logo desaparece, com o vento ou com a chuva. Também assim a nossa vida quando a construímos sobre coisas passageiras, que passam. Ou construímos sobre rocha firme, que não desmorona. A rocha firme, a muralha, o nosso refúgio é Deus. "Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha".
       Nossa Senhora constrói a sua casa sobre a rocha firme. Um dia fazem saber a Jesus: Tua Mãe e Teus irmãos estão lá fora... Jesus responde: quem é Minha Mãe e Meus irmãos? Quem escuta a Palavra de Deus e a põe em prática, esse é Minha Mãe, Meu irmão, Minha irmã.
       O desafio para hoje, proposto pelo Pe. Luís Rafael é então confiar no Senhor, a nossa muralha e o nosso refúgio, construir a nossa vida sobre a rocha firme da Sua palavra procurando pô-la em prática, imitando Maria, próxima de Jesus porque é a Sua Mãe, mas também por escutar a Palavra de Deus, concretizando-a na sua vida.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Oitavo Dia

       Temos um Deus que gosta de nós. Um Deus que está próximo e nos ama. Ama e cuida de nós.  Que enxugará as nossas lágrimas (Is 25, 6-10a). Prepara-nos a mesa. Uma refeição. Não um sandes, mas um banquete. Quando vimos à Igreja, tomamos parte neste banquete, temos mesa, temos pão e vinho. Venhamos com alegria.
       No Evangelho (Mt 15, 29-37 ), o cuidado e atenção nos gestos e na postura de Jesus. Não é indiferente. Age. Cura os coxos, os aleijados, dá vista aos cegos, devolve a voz aos mudos. Talvez precisemos que Jesus nos devolva a visão para vermos a realidade, nos dê a voz para denunciarmos as injustiças, nos redime do nosso coxear, do nosso pecado. Este é como uma pedra no sapato, faz-nos andar torcidos...
       O cuidado de Jesus, este Deus que nos quer bem, continua. Aquela multidão está faminta, pois há três dias que O acompanham sem comer. O nosso Deus é um Deus atento. Jesus faz saber aos seus discípulos que é necessário fazer algo por aqueles homens e mulheres. Os apóstolos hesitam, argumentam sobre a falta de meios. Jesus pede-lhes o que têm. Jesus atende-nos e faz-nos milagres, mas contando connosco.
       Maria é bem diferente dos apóstolos, estes só reparam depois de Jesus os chamar a atenção. Maria está atenta, como nas Bodas de Caná, e intervém quando é preciso. Assim devemos ser nós, atentos, observadores, prontos para fazer o que está ao nosso alcance para ajudarmos quem mais precisa.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Sétimo Dia

       Se no dia anterior a alegria esteve no centro da reflexão, foi a alegria o ponto de partida para a pregação deste sétimo dia de novena. As palavras do Evangelho (Lc 10, 21-24) dizem-nos que Jesus exultou de alegria. E qual a motivação desta alegria? A verdade e a salvação que veio revelar à humanidade inteira, mas desvendada, percebida e acolhida pelos mais pequeninos. Com efeito, é a pequenez que nos faz perceber a grandeza de Deus. Por vezes não são aqueles que estudam muitas coisas acerca de Deus que sabem mais de Deus. Pessoas mais simples, muitas vezes, percebem e acolhem mais facilmente os mistérios de Deus. «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos».
       A simplicidade, a pobreza, a pequenez que deixam ver Jesus. Jesus faz-Se tão pequeno que é um de nós. Ele vem para servir, não para ser servido ou para dominar. Ser pequenino é ser parecido com Jesus. Foi assim com Maria. No Magnificat, Maria alegra-se porque na Sua humildade Deus pode ser encontrado, pode ser visto e pode ser louvado. «Ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai, nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar». No rosto de Jesus podemos encontrar o rosto do Pai. Também nós somos provocados a sermos parecidos com Jesus, a sermos cara chapada do mesmo Deus. Se Ele é Pai de todos, todos nós somos filhos, então todos devemos ser parecidos, para que quem nos veja possa ver o Pai.
       Os desafios para este dia: fazer-se pequeno ao jeito de Jesus, contrapondo à tendência do mundo, para o qual os pequeninos são excluídos; procurar ser parecido com Jesus, tal como Ele o é em relação ao Pai, também nós em relação a Jesus, porque irmãos, filhos do mesmo Pai, então todos parecidos com o Pai; então ajamos em atitude de serviço para com os outros imitando Jesus, imitando Nossa Senhora.

Deus enxugará as lágrimas de todas as faces

       Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; Ele destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. A mão do Senhor pousará sobre este monte» (Is 25, 6-10a).
       "Jesus  foi para junto do mar da Galileia e, subindo ao monte, sentou-Se. Veio ter com Ele uma grande multidão, trazendo coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros, que lançavam a seus pés. Ele curou-os, de modo que a multidão ficou admirada, ao ver os mudos a falar, os aleijados a ficar sãos, os coxos a andar e os cegos a ver; e todos davam glória ao Deus de Israel. Então Jesus, chamando a Si os discípulos, disse-lhes: «Tenho pena desta multidão, porque há três dias que estão comigo e não têm que comer. Mas não quero despedi-los em jejum, pois receio que desfaleçam no caminho». Disseram-Lhe os discípulos: «Onde iremos buscar, num deserto, pães suficientes para saciar tão grande multidão?» Jesus perguntou-lhes: «Quantos pães tendes?» Eles responderam-Lhe: «Sete, e alguns peixes pequenos». Jesus ordenou então às pessoas que se sentassem no chão. Depois tomou os sete pães e os peixes e, dando graças, partiu-os e foi-os entregando aos discípulos e os discípulos distribuíram-nos pela multidão. Todos comeram até ficarem saciados. E com os pedaços que sobraram encheram sete cestos" (Mt 15, 29-37).
       O profeta Isaías é, sem dúvida, o que mais claramente anuncia a chegada do Messias de Deus, caracterizando esse tempo de salvação. A vinda de Deus até nós reveste-se de esperança e envolve-nos em salvação. Ele vem salvar, Ele vem para nos reconduzir à abundância da felecidade. A imagem do banquete é sugestiva. Deus sacia-nos na nossa ânsia de viver.
       Jesus Cristo é verdadeiramente o Messias que estava para vir. Vem da parte de Deus, acolhendo e salvando os que andam perdidos, os aleijados, os paraliticos, os pobres, os surdos, os mudos, todos os doentes. N'Ele se revela um Deus compassivo, próximo das pessoas. Ele sente compaixão por aquela multidão, faminta de pão e de um sentido para a vida. Na multiplicação dos pães a certeza que em Jesus Cristo encontramos o alimento que nos salva e que sobeja, chega para todos.
       Pode ver-se aqui a figura da Eucaristia, banquete que nos alimenta até à vida eterna.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Paróquia de Tabuaço | Compromisso de Acólitos | 2017

       Ao longo dos anos, com exceção feita para o ano pastoral anterior, dentro da Novena, na Missa com crianças, sábado, o Compromisso dos Acólitos, com a renovação do compromisso dos acólitos mais velhos. Este ano estiveram presentes a Daniela Rodrigues, o Pedro Lemos e a Mara Longa, que renovaram perante o pároco o seu compromisso com a comunidade, no cuidado ao altar e na resposta a Jesus Cristo. Depois do compromisso, a investidura de novos acólitos: a Cláudia Feição, o Guilherme, a Adriana, o Fábio, o Bernardo, o Jorge e a Rita.

Créditos: Música - Mendigo de Deus | Fotos - Sara Santos

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Sexto Dia

(Seminário de Resende, 5 de junho de 2010)

       Uma senhora muito devota, ia a Missa e levava o neto. Sempre que se aproximava da comunhão assumia uma expressão muito séria e carregada. O neto que a acompanhava muitas vezes olhava para ela, assimilando a postura e as expressões. Ao comungar esta senhora suspirava profundamente, com uns "ais" bem sonoros. O neto, entretanto, aproximava-se da celebração da Primeira Comunhão e um dia perguntou à avó: Vovó, comungar dói muito?
        Uma pequena estória proposta pelo pregador, o Pe. Luís Rafael, para sublinhar a alegria que a fé, a vivência em comunidade, a participação na Eucaristia, na Novena, nas "coisas" da Igreja deve suscitar, ao ponto de outros perguntarem, não se dói, se custa muito, mas como é que é, o que é que vos deixa tão satisfeitos, tão alegres?
       O Evangelho, ponto de partida para a pregação, apresentava-nos o Centurião que vai ter com Jesus para que Ele socorra o seu criado (Mt 8, 5-11). Sublinhe-se que era um estrangeiro, não era judeu, e a acrescentar ainda o facto de estar ao serviço de uma potência estrangeira. Como estrangeiro, não teria direito à intervenção de Deus, à salvação, reservado precisamente aos judeus. Contudo, o Evangelho mostra que Jesus vem para todos e a salvação está acessível a todos, tem mais a ver com a predisposição do coração. O centurião vai até Jesus, acredita e confia em Jesus. E Jesus responde de imediato: irei curá-lo. Vem então a consciência do centurião: «Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas diz uma só palavra e o meu servo ficará curado». A consciência humilde do seu pecado perante a grandeza de Jesus, mas não deixa de se dirigir a Ele. Esta é a humildade com que devemos aproximar-nos de Jesus, conscientes da nossa fragilidade e do nosso pecado, mas certos de que Ele nos cura, nos salva, nos redime.
       E depois a alegria com que vivemos o nosso encontro e a nossa fé. A alegria do centurião ao regressar a casa. A alegria de Nossa Senhora, por exemplo, quando vai apressadamente ao encontro da Sua prima santa Isabel. Vai feliz da vida, sem lamentos nem protestos, simplesmente vai, levando também a alegria no Seu seio, ao encontro de uma grávida, estando grávida do Salvador. Seja essa também a nossa alegria de sermos e vivermos como cristãos.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Quinto Dia

       O 5.º dia da Novena coincidiu com o 1.º Domingo de Advento, tempo de preparação para a celebração do Natal, o nascimento de Jesus. Por ser domingo a dinâmica da Novena alterou-se um pouco, uma vez que a Eucaristia foi celebrada da parte da manhã. Sendo assim, a Eucaristia foi exposta em adoração e diante do Santíssimo Sacramento rezamos com Maria a Jesus, para que no Filho, pelo Espírito Santo sejamos acolhidos pelo Pai.
       Depois da recitação do Rosário, a proclamação do Evangelho deste domingo, em que Jesus nos desafia a estarmos preparados, vigilantes, pois o "dono da casa" virá a horas imprevistas e tendo-nos confiado a casa o expectável é que nos encontre acordados para o receber e com a casa bem arrumada.
       O Pe. Luís Rafael centrou a pregação na necessidade de prepararmos bem a vinda de uma Pessoa importante, de uma Pessoa muito especial, Jesus. Tal como fazemos quando vem uma personalidade importante à nossa terra, por exemplo, o Presidente da República, em que limpamos estradas e caminhos, tapamos buracos, arrancamos as ervas, as urtigas, as silvas, assim também, ao prepararmos a vinda de Jesus, arranquemos as urtigas que existem em nós, sabendo que picam, que picam quem se aproxima de nós. Se recebemos uma visita em casa, arrumamos melhor a casa, mesmo que esteja habitualmente arrumada, fazemos uma comida especial e ansiosamente esperamos, vamos espreitando pela janela a ver se a pessoa está a chegar. Então também com Jesus, vivamos nesta ansiedade pela Sua chegada, preparemo-nos bem para O acolhermos bem.
       Afinal, Ele quer estar connosco, tanto que Se fez um de nós. Tanto que não apenas Se fez um de nós mas Se transformou em Pão. Mais simples e mais acessível. Está ao nosso lado, está na Eucaristia, está exposto como Santíssimo Sacramento. Agora é a nossa vez de O acolhermos, de O acolhermos bem.
       Quando uma mulher está grávida, e muitas mulheres que estão na assembleia já estiverem grávidas, preparam tudo com antecedência para acolher o filho que vai nascer e sabendo quando darão à luz, preparam tudo para levar para o hospital, pijama, roupinha do bebé. Ela preparou-se durante 9 meses. Nós temos um pouco menos de 4 semanas para prepararmos bem, exterior e interiormente a vinda de Jesus. Em vésperas da Solenidade da Imaculada Conceição temos o Sacramento da Reconciliação para dessa forma nos prepararmos interiormente para a celebração festiva do nascimento de Jesus.