sexta-feira, 19 de março de 2010

Um Pai em Nascimento

       Neste dia do Pai, recomendaríamos entre outras a seguinte leitura: Um Pai em Nascimento, de José Eduardo Agualusa. O livro recolhe várias crónicas escritas sobre a temática de ser pai. É prefaciado pela também não menos conhecida Laurinda Alves. Muitas crónicas foram precisamente escritas na revista "Pais & Filhos", a convite da então directora Laurinda Alves. Trata da experiência de ser pai, desde a notícia em que se encontra, com a esposa, grávida, até tomar consciência do seu papel... e por aí adiante. O livro tem a chancela da Editora Objectiva ( Março 2010), e do autor.
É uma leitura interessante, para pais, para educadores, para mães, para filhos. Leve, provocadora, de fácil leitura, divertida, desempoeirada.

Marcas de Vida: dedicada aos pais

       "Marcas de Vida" é o título da canção que se segue, devidamente ilustrada com imagens. Dedicamo-la aos pais. A letra fala-nos certamente de Deus que é Pai, que Se preocupa e Se ocupa de todos em todos os momentos da vida. É assim com os nossos pais. Ou deveria ser ser. Sirva como homenagem a todos os pais que ao jeito de Deus, não desamparam os filhos. Seja um desafio, para os pais que se matêm distantes e desinteressados.

Ama para viveres...

Já percebeste que para seres feliz e andares alegre só tens um caminho: amar?
Já entendeste até ao mais íntimo de ti próprio que a felicidade está mais em dar do que em receber?
Já assumiste com Cristo que o «mandamento novo» é que liberta e faz feliz?

Ama e viverás.
Ama e serás feliz.
Ama e serás santo.

Entra nesse mistério de dar sem esperar recompensa,
de amar sem ser amado,
de saíres de ti na entrega total e generosa.
Faz, age, concretiza o amor.

Esquece-te de ti,
não te centres no teu eu,
no teu problema, na tua doença, na tua «tragédia em copo de água».

Abre-te aos outros.
Abre-te ao amor.
Sê homem ou mulher de coração aberto.

Sentirás cansaço, porventura repugnância,
sentirás medo,
sentirás às vezes quase revolta quando os outros
não sentem o teu dom,
não agradecem, não retribuem.
É aí que tu és cristão ou cristã a sério.
Não desanimes.
Só o amor é caminho de santidade, de felicidade.
E não desistas nunca de amar,
mesmo quando não sentes o fruto concreto desse amor.

Que a tua única resposta,
a tua «vingança» seja amar mais, amar melhor,
lançar-te ainda mais a um amor mais forte.

Dário Pedroso, s.j., em "Sinfonias do amor", in Conhecer e Seguir Jesus.

São José, Esposo da Virgem Santa Maria

Nota biográfica:
       Nos desígnios de Deus, José foi o homem escolhido para ser o pai adoptivo de Jesus. É no seio da sua família modestíssima que se realiza, com efeito, o Ministério da Incarnação do Verbo. Intimamente unido à Virgem-Mãe e ao Salvador, José situa-se num plano muito superior ao dos mais profundos místicos: amando Jesus, amava o Seu Deus; toda a ternura respeitosa, com que envolvia Maria, dirigia-se à Imaculada Mãe de Deus.
      Figura perfeita do «justo» do Antigo Testamento, homem de uma fé a toda a prova, no cumprimento da sua missão, mostrará sempre uma disponibilidade total, mesmo nos acontecimentos mais desconcertantes.
       Protector providencial de Cristo, continua a sê-lo do Seu Corpo Místico. O exemplo da sua vida é sempre actual para todos quantos querem situar a sua vida na âmbito dos desígnios de salvação do Senhor.

Oração:
       Deus todo-poderoso, que na aurora dos novos tempos confiastes a São José a guarda dos mistérios da salvação dos homens, concedei à vossa Igreja, por sua intercessão, a graça de os conservar fielmente e de os realizar até à sua plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo...
 

quinta-feira, 18 de março de 2010

PAIS MAUS!!!!...

“Um dia quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes:
- Eu amei-vos o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.
- Eu amei-vos o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
- Eu amei-vos o suficiente para vos fazer pagar os rebuçados que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e vos fazer dizer ao dono: “Nós tiramos isto ontem e queríamos pagar”.
- Eu amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o vosso quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
- Eu amei-vos o suficiente para vos deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
-Eu amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
-Mais do que tudo, eu amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram).
-Estas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci… Porque no final vocês venceram também! E qualquer dia, quando os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se os seus pais eram maus, os meus filhos vão lhes dizer:
- “Sim, os nossos pais eram maus. Eram os piores do mundo…As outras crianças comiam doces no café e nós só tínhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvetes ao almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. Nossos pais tinham que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles.
- “Insistiam que lhes disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nossos pais insistiam sempre connosco para que lhes disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.
- E quando éramos adolescentes, eles conseguiam até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata”!
-“Nossos pais não deixavam os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para que os nossos pais os conhecessem.
- Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelo menos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aqueles chatos levantavam para saber se a festa foi boa (só para verem como estávamos ao voltar)”.
- “Por causa dos nossos pais, nós perdemos imensas experiências na adolescência.
- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em actos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime”.
- “FOI TUDO POR CAUSA DOS NOSSOS PAIS!”
-“Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o melhor para sermos “PAIS MAUS”, como eles foram.

EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE:

“NÃO HÁ PAIS MAUS SUFICIENTES”!

(Dr. Carlos Hecktheuer, Médico Psiquiatra)

Altar a usar por Bento XVI no Porto

       A estrutura onde vai assentar o altar da missa presidida por Bento XVI no Porto foi inspirada pela Sé, pela composição da diocese e pelo Barroco, um dos estilos mais preponderantes da arquitectura religiosa da cidade.


       O conjunto, de 39 por 12 metros, ficará localizado na Praça General Humberto Delgado, diante do edifício da Câmara Municipal.
       O projecto apresentado hoje em conferência de imprensa transpõe a planta da catedral para o espaço da eucaristia: a nave central equivale à Avenida dos Aliados, ao passo que o transepto (parte que atravessa perpendicularmente a nave) será evocado pela estrutura que receberá o altar, bem como representantes do clero e autoridades civis.
       A cobertura da estrutura será caracterizada por uma clarabóia que permite a entrada de luz e abre a zona do altar para o céu, evocando a cúpula existente na Sé.
       A cadeira do presidente da celebração (cátedra) ficará apoiada numa plataforma constituída por três degraus, em alusão à Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
       Vai ser criado um cenário ao fundo da estrutura com 27 componentes, representando a Diocese, as quatro Regiões Pastorais e as 22 Vigararias.
       A construção em painéis pré-fabricados de madeira permitirá, de acordo com os designers, “uma analogia pictórica com a talha dourada dos altares barrocos” das igrejas da cidade.
       Os espaços para as sacristias e para o clero serão instalados na Autarquia, que ficará ligada à estrutura através de uma das rampas do edifício.

As nossas fraquezas, o nosso olhar

       Como diria o filósofo espanhol, Ortega y Gassete, nós somos nós e as nossas circunstâncias. No entanto, se as circunstâncias são importantes muito mais a nossa atitude diante do mundo e dos outros. A atitude na mais das vezes decide da felicidade ou da amargura.

Uma lâmpada que ardia e brilhava

       "Não é de um homem que Eu recebo testemunho, mas digo-vos isto para que sejais salvos. João era uma lâmpada que ardia e brilhava e vós, por um momento, quisestes alegrar-vos com a sua luz. Mas Eu tenho um testemunho maior que o de João, pois as obras que o Pai Me deu para consumar – as obras que realizo – dão testemunho de que o Pai Me enviou. E o Pai, que Me enviou, também Ele deu testemunho de Mim. Nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua figura e a sua palavra não habita em vós, porque não acreditais n’Aquele que Ele enviou" (Jo 5, 31-47).
       Os frutos mostram a qualidade da árvore.
       Jesus, diante de alguma oposição, atesta o testemunho de que as Suas obras são expressão do poder e do amor de Deus e testemunho maior não há. A condição, por outro lado, para ouvir a voz do Pai, é acreditar n'Aquele que Ele enviou.
       Jesus fala ainda de João Baptista, como que predizendo que o desfecho será muito semelhante. Era uma lâmpada que ardia e brilhava. Muito mais Jesus. Mas os seus conterrâneos não se alegraram com a sua luz. Também assim como Jesus...

quarta-feira, 17 de março de 2010

São Patrício

São Patrício que celebramos neste dia nasceu em 380 na Grã-Bretanha e com apenas dezesseis anos foi preso por piratas irlandeses e vendido como escravo. Patrício já era cristão por isso amigo de Jesus pôde carregar a dura cruz, até que depois de várias que conseguiu escapar e chegar na França. Foi na França que vocacionado ao sacerdócio, São Patrício, formou como padre missionário, chegando em missão até na Inglaterra. Agora impelido pelo Espírito São Patrício foi sagrado bispo e destinado para anunciar o Reino aos Irlandeses; tão bem salvou Almas com Cristo, que São Patrício conseguiu a conversão de todos os da Irlanda, isto do empregado ao Rei. O método que o Santo bispo , não passou pela política, nem sangue dos mártires, mas sim pela construção de tão numerosos mosteiros que a Irlanda ficou conhecida : "Ilha do Mosteiros". São Patrício fez em Deus , muitas obras, já que os mosteiros tendiam a irradiar fé e cultura; além de formar mais o povo desta forma e pela santidade.

Ricardo Araújo Pereira: humor e ateísmo

       A relação do humor com a morte foi um dos aspectos centrais da intervenção de Ricardo Araújo Pereira na primeira sessão do ciclo “Deus: questão para Crentes e não-Crentes”.
       “Eu acredito que quando morrer – tenho mais ou menos a ideia que isso vai acontecer qualquer dia – vou exactamente para o mesmo sítio onde estava antes de ter nascido, ou seja, lugar nenhum. E isso é uma coisa que me transtorna”, referiu o escritor, que pediu desculpa por ser “titubeante” ao falar da “não experiência de Deus”, que classificou de “bastante caótica”.
       "Para nós, ateus, a morte é um sono sem sonhos e nós continuamos com um mau perder em relação a isso. Não é fácil. E por isso, onde é que eu vou buscar conforto? À Bíblia (não sei se já ouviram falar)”, disse o humorista.
       Ao interpretar o livro do Eclesiastes, Ricardo Araújo Pereira concluiu que “o tempo e o acaso acontecem a todos por igual” (“Era uma óptima pessoa – morreu. Era uma péssima pessoa – morreu também)”, ressalvando que “se Deus existir, há uma justificação para a nossa existência”.
       Depois de citar excertos do Antigo e do Novo Testamento para defender a tese de que “Deus não ri”, o humorista mostrou-se convicto de que o riso está relacionado com a percepção da morte.
       Referindo-se à cena de “Hamlet” (Shakespeare) em que o protagonista dialoga com uma caveira, Ricardo Araújo Pereira sublinhou que “o trabalho de humorista é fazer as pessoas rirem-se do facto de, por mais maquilhagem que ponham na cara, é àquele estado que vão chegar”.
       Os vídeos com a intervenção de Ricardo Araújo Pereira na Capela do Rato, a 11 de Março, continuarão a ser publicados durante esta semana no site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Quaresma: Deus ama-nos loucamente

       O Deus que Jesus nos revela, através da parábola do Filho Pródigo, mostra-nos um Pai Misericordioso, que espera por nós em todo o tempo e por todo o tempo, não desiste, nunca, aguarda pacientemente, na plenitude de amor, não nos pede justificações, levanta-nos, perdoa-nos, faz festa no nosso regresso, desafia-nos a saborear a Sua presença alegre. A Quaresma é tempo de tomarmos consicência do amor de Deus para connosco. Ele envia-nos o Seu Filho Unigénito. E como o Pai, o Filho. Também Ele, Deus connosco, nos ama loucamente, até ao derramamento do Seu Sangue, oferece a Sua vida e a Sua morte para nos libertar das trevas, do pecado e da morte.
       Mais um vídeo/diaporama de "Faz-te ao largo", magnífico, ajudando a meditar sobre a Quaresma, partindo da parábola do Pai Misericordioso, e com uma banda sonora envolvente. Leia, medite, viva.

"Meu Pai trabalha incessantemente"

       "De todas as minhas montanhas farei caminhos e as minhas estradas serão niveladas. Ei-los que vêm de longe: uns do Norte e do Poente, outros da terra de Sinim. Rejubilai, ó céus; exulta, ó terra; montes, soltai gritos de alegria, porque o Senhor consola o seu povo e tem compaixão dos seus pobres. Sião dizia: ‘O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim’. Pode a mulher esquecer-se da criança que amamenta e não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Mas ainda que ela o esquecesse, Eu nunca te esquecerei" (Is 49, 8-15).
       "Disse Jesus aos judeus: 'Meu Pai trabalha incessantemente e Eu também trabalho em todo o tempo'. Esta afirmação era mais um motivo para os judeus quererem dar-Lhe a morte: não só por violar o sábado, mas também por chamar a Deus seu Pai, fazendo-Se igual a Deus...
       "Eu não posso fazer nada por Mim próprio: julgo segundo o que oiço e o meu juízo é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou" (Jo 5, 17-30).

      Adensa-se o conflito de Jesus com alguns dos judeus. Em relação ao Sábado: Jesus acentua que o bem não tem hora, deve fazer-se em todo o tempo, em todas as ocasiões e Deus não pode servir de desculpa para se deixar de fazer o BEM. Para praticar o mal nenhum dia e nenhuma hora é favorável, para fazer o bem todos os minutos são generosos.
       Em relação a Deus: Jesus fala de Deus como Pai e sendo assim a conclusão é óbvia, Jesus é Filho de Deus, então é DEUS.
       Por aqui se vê que o desenlace para Jesus não será feliz...

terça-feira, 16 de março de 2010

A vida vista a partir do fim

       "Valeu-me a pena viver? Fui feliz, fui feliz no meu canto, longe da papelada ignóbil. Muitas vezes desejei, confesso-o, a agitação dos traficantes e os seus automóveis, dos políticos e a sua balbúrdia - mas logo me refugiava no meu buraco a sonhar. Agora vou morrer - e eles vão morrer. A diferença é que eles levam um caixão mais rico, mas eu talvez me aproxime mais de Deus. O que invejei - o que invejo profundamente são os que podem ainda trabalhar por muitos anos; são os que começam agora uma longa obra e têm diante de si muito tempo para a concluir. Invejo os que se deitam cismando nos seus livros e se levantam pensando com obstinação nos seus livros. Não é o gozo que eu invejo (não dou um passo para o gozo) - é o pedreiro que passa por aqui logo de manhã com o pico às costas, assobiando baixinho, e já absorto no trabalho da pedra.
       Se vale a pena viver a vida esplêndida - esta fantasmagoria de cores, de grotesco, esta mescla de estrelas e de sonho? ... Só a luz! só a luz vale a vida! A luz interior ou a luz exterior. Doente ou com saúde, triste ou alegre, procuro a luz com avidez. A luz é para mim a felicidade. Vivo de luz. Impregno-me, olho-a com êxtase. Valho o que ela vale. Sinto-me caído quando o dia amanhece baço e turvo. Sonho com ela e de manhã é a luz o meu primeiro pensamento. Qualquer fio me prende, qualquer reflexo me encanta. E agora mais doente, mais perto do túmulo, busco-a com ânsia."

Raul Brandão, in " Se Tivesse de Recomeçar a Vida ". Postado a partir de "O Banquete da Palavra".

Só Cristo nos pode dar a unidade

       Bento XVI, no passado Domingo, 14 de Março, deslocou-se à Igreja luterana, em Roma, repetindo o gesto de João Paulo II que há 27 anos tinha feito o mesmo. Durante a participação, e falando de improviso, o Papa comentou uma passagem do Evangelho de São João, dizendo que só Jesus nos faz entender que a vida não é para nós, não é o receber apenas, mas o doar-se, confiando a vida aos outros, fazendo-se servo dos outros...

QUARESMA: escutar, despertar, aplanar

       Têm-se produzido textos verdadeiramente inspiradores sobre a Quaresma. Um grupo de blogues juntou-se para que em cada dia da Qauresma aparecesse uma reflexão diferente. Encontrámos este texto no 25.º Dia da Quaresma que, sem menosprezo dos demais, valerá a pena ler, meditar com atenção:
       Quaresma é tempo de despertar...escutar...de aplanar o caminho...de avançar em busca da luz de Deus que ilumina e nos ajuda a limar arestas...que nos salva...luz que nos conforta, preenche...e dá aos nossos olhos outrora apagados, uma visão "à luz da fé."
       E à medida que avançamos, a luz de Deus vai chegando aos cantinhos mais recatados da nossa alma, apurando os nossos sentimentos, aflorando em nós o desejo de entrega e de amor para com Deus e para com todos os que nos rodeiam. Além do nosso próprio caminho de conversão, Deus, responsabiliza-nos a intervir na conversão dos nossos irmãos. Somos filhos do mesmo Pai, que nos quer unidos e compactos a caminhar para Ele. E como bom Pai, põe nossos "dons" a render com o único objectivo:
       De que todos alcancemos o Seu Reino de amor.
       Esse plano, como tenho vindo a comprovar, passa muitas vezes pelo nosso recuo. Não um recuo feito de regressão na caminhada, mas um "voltar atrás" para ajudar a aplanar o caminho dos que ficaram: os cansados e oprimidos, os sem esperança, os que caíram num abismo de trevas, os que estão acorrentados e sem força para se libertarem, ou daqueles, que simplesmente não conhecem Jesus.
       Este é um recuo que dói! É um aterrar doloroso numa realidade nebulosa em que cada um está submerso e de onde se torna difícil emergir de novo. Mas, quando Deus nos dá essa missão, capacita-nos com uma força empreendedora e surpreendente, assente na plena confiança de que estamos obedecendo à Sua vontade.
       Quantas foram e são, as vezes em que volto atrás? Inúmeras! Quantas valeram a pena? Muitas! Mas são tantas as que também têm recuado por mim. Quantas vezes, sinto que não avanço nem tenho forças para arrastar para o lado os pedregulhos do meu caminho? E mais à frente, há alguém que Deus faz recuar para me buscar e dar alento, trazendo nas mãos as Suas bênçãos e na boca a Sua palavra. E com essa atitude eu desperto, deixando escorrer a seiva que me restaura e renova, me inunda de luz e ponho de novo meus pés ao caminho aplanado.
       Conclusão:
       Ora somos instrumentos de doação, ora receptores. Esta é a simbiose perfeita dum povo que se deixa conduzir pelo seu Rei.
       «Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz que trás a boa notícia, que anuncia a salvação, que diz a Sião: «O teu Deus reina» (Isaías 52,7).
       Porém, por muita força e perseverança que Deus nos dê, haverá sempre lutas que abraçamos que se tornam infrutíferas, pelo “finca-pé” e resistência demonstrada. Lutas às quais expomos todos os nossos argumentos, mas que se revelam insuficientes e desgastantes...
       Ergue-se um impasse: resistir e continuar, ou desistir?
       Jesus disse aos discípulos:
       «Se alguém não vos receber bem e não escutar a vossa palavra, aos sairdes dessa casa e dessa cidade, sacudi a poeira dos pés» (Mt10,14).
       Será este versículo bem aplicado neste contexto? Será que sempre que sentimos o apelo que carregar alguém é Deus que nos instiga? Não poderá ser apenas fruto da nossa muita vontade? Porque se Deus nos incumbiu de tal, então nós ao desistir, estamos fracassando...
       E como saberemos nós quando devemos baixar os braços? Onde está a linha que nos indica onde e quando parar? Quando devemos nós sacudir o pó das sandálias e seguir em frente?
       Bem sei que mais cedo ou mais tarde, Deus clareará o nosso espírito e nos dará o entendimento, mas não saímos ilesos. Cabisbaixos, depomos armas, deixando para trás os despojos duma missão abortada, mas seguimos tristes e frustrados, embora ávidos de regressar ao ponto de partida para nos banharmos na luz que irá sacudir o pó da nossa jornada...
       Deus nos ajude a ser perseverantes, "prudentes como as serpentes e simples como as pombas" (Mt 10,16).

Jesus cura em dia de Sábado

       Jesus perguntou-lhe: «Queres ser curado?» O enfermo respondeu-Lhe: «Senhor, não tenho ninguém que me introduza na piscina, quando a água é agitada; enquanto eu vou, outro desce antes de mim». Disse-lhe Jesus: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda». No mesmo instante o homem ficou são, tomou a sua enxerga e começou a caminhar. Ora aquele dia era sábado. Diziam os judeus àquele que tinha sido curado: «Hoje é sábado: não podes levar a tua enxerga». Mas ele respondeu-lhes: «Aquele que me curou disse-me: ‘Toma a tua enxerga e anda’». Perguntaram-lhe então: «Quem é que te disse: ‘Toma a tua enxerga e anda’». Mas o homem que tinha sido curado não sabia quem era, porque Jesus tinha-Se afastado da multidão que estava naquele local. Mais tarde, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: «Agora estás são. Não voltes a pecar, para que não te suceda coisa pior». O homem foi então dizer aos judeus que era Jesus quem o tinha curado. Desde então os judeus começaram a perseguir Jesus, por fazer isto num dia de sábado (Jo 5, 1-3a.5-16).
       Junto à psicina de Betsatá, em Jerusalém, um grande número de enfermos. A água tem poderes curativos nos momentos em que é "agitada". Está ali também um paralítico mas que não tem ninguém que o ajude a ir à piscina em primeiro lugar. Jesus vê-o, cura-o. Era Sábado, o dia de descanso dos judeus.
       A contestação a Jesus faz-se abertamente. Para alguns é mais importante o Sábado do que as pessoas, o cumprimento escrupuloso da lei, do que a atenção e cuidados ao semelhante. Jesus diz-lhes com este gesto que o importante é o bem que se faz, independentemente da hora ou do dia... Por outros palavras, o respeito pelo dia de Sábado (ou Domingo) não deve servir de desculpa para se deixar de fazer o bem e atender ao próximo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Oração a S. José


Ó glorioso São José, a quem foi dado o poder de tornar possível as coisas humanamente impossíveis, vinde em nosso auxílio nas dificuldades em que nos achamos.
Tomai sob vossa proteção a causa importante que vos confiamos, para que tenha uma solução favorável.
Ó Pai muito amado, em vós depositamos toda a nossa confiança. Que ninguém possa jamais dizer que vos invocamos em vão. Já que tudo podeis junto a Jesus e Maria, mostrai-nos que vossa bondade é igual ao vosso poder.

São José, a quem Deus confiou o cuidado da mais santa família que jamais houve, sede o pai e protetor da nossa, e impetrai-nos a graça de vivermos e morrermos no amor de Jesus e Maria.

São José, rogai por nós que recorremos a vós.

Nada temo porque a LUZ está comigo

       O vídeo que escolhemos para vídeo da semana é, de novo, da Banda Jota, desta feita, com o título "Nada temo". É uma oração muito oportuna para todos os tempos e também para este da Quaresma. Quando Deus está comigo, caminho com passo firme e decidido, mesmo que nos entretantos existam adversidades. Se Ele, Deus da Vida, está comigo, não estou sozinho, Ele ilumina a minha vida.

domingo, 14 de março de 2010

Use sempre cinto de segurança!!!!...

Aqui fica um belo anúncio de como devemos usar sempre o cinto de segurança ao conduzir o nosso veículo. Simplesmente "a melhor" peça publicitária com foco, simplicidade, qualidade, que transmite a mensagem de forma intuitiva, leve, suave, lúdica, mas atingindo totalmente o objectivo. Parabéns ao publicitário e à agência de publicidade. Merece ser exibido sempre...

Outro Pródigo ou as Janelas douradas

       No manual de EMRC, do 6.º ano de escolaridade, "Nós e o Mundo", na temática sobre a família, é proposto o texto que se segue: "As janelas Douradas". Um menino que todos os dias olha para o horizonte e numa casa distante vê uma casa com janelas douradas e com diamantes. E um dia vai ao encontro dessa casa...

       O menino trabalhava arduamente durante todo o dia, no campo, no estábulo e no armazém, pois os pais eram pobres e não podiam pagar a um ajudante. Mas, quando o sol se punha, o pai deixava-lhe aquela hora só para ele. O menino subia ao alto de um morro e ficava a olhar para um outro morro, distante alguns quilómetros. Nesse morro, via uma casa com janelas de ouro e de diamantes. As janelas brilhavam e reluziam tanto que ele era obrigado a piscar os olhos. Mas, pouco depois, ao que parecia, as pessoas da casa fechavam as janelas por fora, e então a casa ficava igual a qualquer outra casa. O menino achava que faziam isso por ser hora de jantar; então voltava para casa, jantava e ia deitar-se. Um dia, o pai do menino chamou-o e disse-lhe:
       - Tens sido um bom menino e ganhaste um dia livre. Tira esse dia para ti; mas lembra-te: tenta usá-lo para aprenderes alguma coisa boa.
       O menino agradeceu ao pai e beijou a mãe. Em seguida partiu, tomando a direcção da casa das janelas douradas.
       Foi uma caminhada agradável. Os pés descalços deixavam marcas na poeira branca e, quando olhava para trás, parecia que as pegadas o seguiam, fazendo-lhe companhia. A sombra também caminhava ao seu lado, dançando e correndo, tal como ele. Era muito divertido.
       Passado um longo tempo, chegou ao morro verde e alto. Quando subiu ao topo, lá estava a casa. Mas parecia que haviam fechado as janelas, pois ele não viu nada de dourado. Aproximou-se e sentiu vontade de chorar, porque as janelas eram de vidro comum, iguais a qualquer outra, sem nada que fizesse lembrar o ouro.
       Uma mulher chegou à porta e olhou carinhosamente para o menino, perguntando o que ele queria.
       - Vi as janelas de ouro lá do nosso morro - disse ele - e vim de propósito para as ver de perto, mas elas são de vidro!
       A mulher meneou a cabeça e riu-se.
       - Nós somos fazendeiros pobres - disse - e não poderíamos ter janelas de ouro. E o vidro é muito melhor para se ver através dele!
       Convidou o menino a sentar-se no largo degrau de pedra e trouxe-lhe um copo de leite e uma fatia de bolo, dizendo-lhe que descansasse. Chamou então a filha, que era da idade do menino; dirigiu aos dois um aceno afectuoso de cabeça e voltou aos seus afazeres.
       A menina estava descalça como ele e usava um vestido de algodão castanho, mas os cabelos eram dourados como as janelas que ele tinha visto e os olhos eram azuis como o céu ao meio-dia. Passeou com ele pela fazenda e mostrou-lhe o seu bezerro preto com uma estrela branca na testa; ele falou do bezerro que tinha em casa, e que era castanho-avermelhado com as quatro patas brancas. Depois de terem comido juntos uma maçã, e se terem tornado amigos, ele fez-lhe perguntas sobre as janelas douradas. A menina confirmou, dizendo que sabia tudo sobre elas, mas que ele se tinha enganado na casa.
       - Vieste numa direcção completamente errada! - exclamou ela. - Vem comigo, vou-te mostrar a casa de janelas douradas, para ficares a saber onde fica.
       Foram para um outeiro que se erguia atrás da casa, e, no caminho, a menina contou que as janelas de ouro só podiam ser vistas a uma certa hora, perto do pôr-do-sol.
       - Eu sei, é isso mesmo! - confirmou o menino.
       No cimo do outeiro, a menina virou-se e apontou: lá longe, num morro distante, havia uma casa com janelas de ouro e de diamantes, exactamente como ele tinha visto. E quando olhou, o menino viu que era a sua própria casa!
       Apressou-se então a dizer à menina que precisava de se ir embora. Deu-lhe a sua melhor pedrinha, a branca com uma lista vermelha, que trazia há um ano no bolso. Ela deu-lhe três castanhas- da-índia: uma vermelha acetinada, outra pintada e outra branca como leite. Ele deu-lhe um beijo e prometeu voltar, mas não contou o que descobrira. Desceu o morro, enquanto a menina ficava a vê-lo afastar-se, na luz do sol poente.
       O caminho de volta era longo e já estava escuro quando chegou a casa dos pais. Mas o lampião e a lareira luziam através das janelas, tornando-as quase tão brilhantes como as vira do outeiro. Quando abriu a porta, a mãe veio beijá-lo e a irmãzinha correu a pendurar-se-lhe ao pescoço; sentado perto da lareira, o pai levantou os olhos e sorriu.
       - Tiveste um bom dia? - perguntou a mãe.
       - Sim! - o menino passara um dia óptimo.
       - E aprendeste alguma coisa? - perguntou o pai.
       - Sim! - disse o menino. - Aprendi que a nossa casa tem janelas de ouro e de diamantes.

William J. Bennett, O Livro das Virtudes II – O Compasso Moral. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996.

Regresso do Filho Pródigo (em B.D.)

       Mais conhecida como parábola do Filho Pródigo, esta parábola contada por Jesus, e proposta para este IV Domingo da Quaresma, fala-nos de um Pai misericordioso, compassivo, pronto a perdoar, pronto a fazer festa no nosso regresso, sempre pronto a acolher-nos quando fazemos birra e não queremos participar da festa da vida:

sábado, 13 de março de 2010

IV Domingo da Quaresma

Primeira Leitura:
       "Os filhos de Israel acamparam em Gálgala e celebraram a Páscoa, no dia catorze do mês, à tarde, na planície de Jericó. No dia seguinte à Páscoa, comeram dos frutos da terra: pães ázimos e espigas assadas nesse mesmo dia" (Jos 5,9a.10-12).

Segunda Leitura:
       "Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram; tudo foi renovado. Tudo isto vem de Deus, que por Cristo nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. Na verdade, é Deus que em Cristo reconcilia o mundo consigo, não levando em conta as faltas dos homens e confiando-nos a palavra da reconciliação (2 Cor 5,17-21).

Evangelho:
       «Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

Leia a Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço, aqui!

Atitude XIS: Gosto Muito...

       Um dos livros que recomendaríamos: Laurinda Alves, Atitude Xis. Um olhar positivo sobre a vida. Depois de "Xis Ideias para pensar", este é mais um recolha de textos, de reflexões, de pensamentos que voam, de interpelações, de desafios. E uma das formas de recomendar esta leitura é pelo texto que se segue: Gosto Muito.
Gosto muito
da lua cheia
do silêncio puro
da geometria
da minha rua
dos dias compridos
de abraços demorados
de sorrisos no elevador
de pessoas autênticas
de conversas eternas
das janelas todas abertas sobre o rio e a cidade
de luzes baixas e amarelas dentro de casa
e quadros grandes
da cor do fogo
de todas as estrelas do céu
do sol da manhã e da luz do dia
do barulho do mar ao entardecer
da maré vazia ao fim do dia
do vento quando deixa marcas na areia lisa
do rumor vegetal das folhas nas árvores
do manto lilás de folhas de jacarandá que cobre o chão
de coincidências, surpresas e milagres
de ver pessoas felizes
de olhos que riem
de cidades grandes com rio
da voz dos que amo
de estar calada
da casa cheia de amigos
de jantares improvisados
de ouvir tocar piano e violino sempre
de ficar abstracta, às vezes
de livros e de poetas
de acordar tarde
de certas rotinas
de me esquecer das horas
da areia da praia ao meio-dia, quando está a ferver
das vozes descombinadas no ar nas tardes de calor
do rapaz que passa na mota, ao meu lado
de quando sai a correr para a última fotografia com a luz do dia
dele muito mais do que de ninguém
de saber que ele sabe isso
gosto da luz dourada do entardecer reflectida nos seus olhos
gosto da intimidade
da verdade e da cumplicidade
de templos e lugares sagrados
de horizontes líquidos
do azul infinito
de riscos brancos no céu
da cor púrpura do entardecer
de histórias de pessoas
de descobrir umas mãos fortes
de ir mais longe com alguém
dos que rezam comigo
da lua árabe só com uma estrela, no alto do céu
de ficar em casa, embalada nos barulhos da casa
e ainda ter comigo todos os que mais amo
de adormecer e de sonhar acordada
de amar e ser amada
de alguém em especial
do amor dos amigos também
de estar com eles na praia até ser noite
de tantas outras coisas
e da vida, todos os dias.
Laurinda Alves, Atitudes Xis. Um olhar positivo sobre a vida. Oficina do Livro: 2007.

O pão dos outros

       Remi está a conversar com a avó.
       Gosta de a ouvir falar dos seus tempos de menina.
       – Na minha aldeia, na Provença, pelo Ano Novo, no primeiro dia de Janeiro, toda a gente oferecia uma prenda a toda a gente. Vê lá se és capaz de adivinhar o que seria.
       Remi lança palpites:
       – Comprar prendas para a aldeia inteira… É preciso muito dinheiro. Quer dizer que as pessoas eram ricas?
       A avó riu-se:
       – Oh, não! Naquele tempo, tinha-se muito pouco dinheiro e ninguém na aldeia comprava prendas. Nem sequer havia lojas como há hoje.
       – Então faziam as prendas?
       – Não propriamente!
       – Então como é que faziam?
       – Era muito simples. Ora ouve…
       Antigamente, cada família fazia o seu pão. Não havia água corrente nas casas. Então íamos buscá-la à fonte, no largo da aldeia.
       E, no dia um de Janeiro, de manhã muito cedo, a primeira pessoa que saía de casa, colocava um pão fresco no bordo da fonte, enquanto enchia a bilha de água. Quem chegava a seguir pegava no pão e punha outro no mesmo lugar para a pessoa seguinte, e assim por diante…
       Desta forma, em todas as casas, se comia um pão fresco oferecido por outra pessoa. Nem sempre se sabia por quem, mas garanto-te que o pão nos parecia muito bom porque era como se fosse um presente de amizade.
       As pessoas que estavam zangadas pensavam que talvez estivessem a comer o pão do seu inimigo e isso era uma espécie de reconciliação…
       Durante alguns dias, esta história andou a martelar na cabeça de Remi.
       Uma manhã, teve uma ideia.
       Meteu no bolso uma fatia de pão de lavrador. É o pão que se come na casa de Remi.
       E na escola, um pouco antes do recreio, Remi pousou o pão bem à vista, em cima da carteira de Filipe, o seu vizinho.
       Filipe está sempre com fome e repete sem cessar a Remi:
       – Oh! Que fome, que fome eu tenho! Bem comia agora qualquer coisa!
       Quando Filipe viu a fatia de pão, que rica surpresa! Sabia muito bem quem lha tinha dado, mas fingiu que não sabia.
       No recreio, todo contente, comeu o pão sem dizer nada a Remi, mas…
       No dia seguinte, sabem o que é que Remi encontrou em cima da carteira, mesmo antes do recreio? … Um pedaço de cacete!
       Um grande pedaço bem estaladiço! Um verdadeiro regalo!
       Filipe ria-se.
       E assim continuaram a dar um ao outro presentes de pão.
       Na aula, a Carlota e a Sílvia estão sentadas logo atrás de Filipe e de Remi. Rapidamente souberam da história do pão e quiseram também participar nas surpresas.
       No dia seguinte, Sílvia levou uma fatia de cacetinhoe Carlota uma fatia de pão centeio.
       Outras crianças quiseram participar nas prendas de pão.
       Apareceu pão grosseiro, pão de noz, pão de sêmea, pão sem côdea, pão caseiro, pão fino, pão russo, negro e um pouco ácido, que Vladimir levou, pedaços de pão árabe, que a mãe de Ahmed cozera no forno, e ainda muitos outros tipos de pão.
       Desta forma, quase toda a turma se pôs a trocar pedaços de pão durante o recreio.
       A professora apercebeu-se das trocas e perguntou:
       – Mas o que é que vocês estão aí a fazer?
       Carlota e Remi contaram-lhe toda a história do pão dos outros.
       E logo após o recreio, o que é que estava em cima da secretária da professora? …um pedaço de pão!
       Toda a classe tinha os olhos postos na professora. Ela sorriu e comeu o pão.
       E, no domingo seguinte, quando Remi viu a avó, era ele que tinha uma história para lhe contar:
       – Sabes, avó? Olha, na minha turma…

Michèle Lochak, Le pain des autres Paris, Flammarion, 1980. In Contadores de Histórias.

O fariseu e o publicano

       "Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado" (Lc 18, 9-14).

       Diante de Deus o que importa é a abertura do coração, o reconhecimento da nossa fragilidade, a disponibilidade para nos deixarmos "cativar" pela Sua palavra e pelo Seu amor. A nossa oração deve reflectir a humildade de quem se sabe peregrino de Deus. A arrogância, a autosuficência, a vaidade não nos ganham a simpatia de Deus. Aliás, como em outra ocasião nos lembra Jesus, não é a multiplicação de palavras que convencem Deus, mas a sinceridade do coração.