segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Há dias para fazer o bem?

       Jesus disse-lhes: «Eu pergunto-vos se é permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la». Então olhou para todos à sua volta e disse ao homem: «Estende a mão». Ele assim fez e a mão ficou curada. Os escribas e fariseus ficaram furiosos e começaram a falar entre si do que haviam de fazer a Jesus (Lc 6, 6-11).
        Jesus entra numa sinagoga, lugar de oração, de escuta da Sagrada Escritura, e de reflexão, para os judeus. Aproveita a ocasião para ensinar. Entre os presentes um homem com a mão direita paralítica. Os doutores da lei e os fariseus estão atentos ao ensino de Jesus mas também aos gestos que Ele possa fazer.
       Jesus não se inibe e chama o homem para que ele fique ainda mais visível, pergunta se é permitido fazer bem ou mal em dia de Sábado, o dia sagrado dos judeus... e cura a mão paralítica.
Para Jesus, como para os seus seguidores, todos os dias são bons para fazer bem... e todos os dias sãos ruins para fazer mal

domingo, 4 de setembro de 2011

Se hoje escutardes a voz de Deus...

       O Salmo proposto para a Eucaristia: "Se hoje escutardes a voz do Senhor, não fecheis o vosso coração" - Salmo 94 (95). Uma interpretação possível, a da Canção Nova:

sábado, 3 de setembro de 2011

XXIII Domingo do Tempo Comum - 4 de Setembro

       1 – Ouçamos as doutas palavras de São Paulo: "Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros, pois, quem ama o próximo, cumpre a lei. De facto, os mandamentos que dizem: «Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás», e todos os outros mandamentos, resumem-se nestas palavras: «Amarás ao próximo como a ti mesmo». A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei".
       Num dos diálogos com os doutores da lei, os especialistas da religião judaica, Jesus deixara claro que o maior dos mandamentos é amar a Deus sobre todas as coisas, colocar Deus sempre em primeiro lugar, antes e acima de tudo, e em todas as escolhas, e ao próximo como a si mesmo. Estes dois mandamentos contêm e resumem toda lei e os profetas, todos os preceitos necessários para viver na fidelidade à palavra/vontade de Deus.
       Não é necessário inventar nada. Está tudo nestes dois mandamentos.
       É nesta linha que escutamos o Apóstolo a desafiar-nos para que a nossa única dívida seja o amor, a caridade. Quem ama cumpre toda a lei. Toda a Lei, no que diz respeito à nossa relação com os outros, consiste na caridade, em amar-nos uns aos outros, tendo como referência e modelo o próprio Jesus Cristo.

       2 – A caridade, o amor ao próximo, concretiza-se no perdão, na solidariedade, na partilha, na delicadeza para com aqueles que nos rodeiam.
       Como tantas vezes se acentua, não basta amar os que estão a milhas de distância, ainda que muitas vezes sejamos chamados a solidarizar-nos com ajudas monetárias, mas importa amar os que estão perto de nós, que fazem parte das nossas relações familiares, profissionais, sociais. É aqui que se testa o nosso amor.
       É sempre demasiado fácil amar os que não nos incomodam, os que nos são indiferentes, os que não conhecemos. Amar os que nos podem contrariar e contradizer, os que são diferentes de nós e no entanto convivem connosco, em casa, no trabalho, na comunidade, já se torna mais difícil e sobretudo amar aqueles que nos incomodam, de quem não gostamos tanto. É um desafio permanente para os seguidores de Jesus.
       Diz-nos Jesus: "Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano".
       O mesmo escutamos na primeira Leitura: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte»".
       Não devemos desistir de perdoar, e de tentar conciliar-nos com os irmãos, uma e outra vez, e outra vez. Não demos o caso como perdido à primeira contrariedade. E veremos como é saudável apostarmos positivamente nos outros. Faz-nos bem à saúde.
       3 – Obviamente que a vivência da caridade não é um capricho ou uma escolha acessória para a nossa vida de cristãos, é um compromisso que assenta no seguimento de Jesus Cristo, procurando, em tudo, e em todas as circunstâncias, imitar Aquele que amamos e seguimos, Aquele que nos identifica como comunidade, como Igreja. Somos, cada um a seu modo, parte integrante do Corpo de Jesus Cristo, que é a Igreja. Pertencemos-Lhe, somos cristãos, somos d’Ele, o Cristo. Ele faz parte de nós. É como o sangue que circula nas veias e que nos mantém vivos. Assim há-de circular em nós a vontade de Deus, a postura de Jesus Cristo, a disponibilidade de dar a vida pelos outros. Será isso que nos mantém como pedras vivas.
       Ressoa, destarte, a palavra de Deus que devemos escutar e acolher em nosso coração, na nossa vida. A Palavra de Deus é alimento, é luz que nos guia para Ele, é dinamismo que nos aproxima dos outros e de Deus. "Quem dera ouvísseis hoje a sua voz: «Não endureçais os vossos corações»".
       A escuta da Palavra de Deus conduz-nos à oração, à intimidade com Ele e com os outros. É na oração que nos tornámos comunidade: "Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».
       Daí a insistência na oração, na medida em que nos abre o coração para Deus e para os outros e nos prepara para escutar a palavra de Deus, iluminando-nos para cumprirmos com fidelidade a Sua vontade.

Textos para a Eucaristia (ano A): Ez 33,7-9; Sl 94 (95); Rom 13,8-10; Mt 18,15-20.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Uma catedral em papel e cartão, para 10 anos...

       Mais barata, três milhões e meio de dólares, mais efémera, para 10 anos, mas que criará um espaço para as celebrações religiosas, que se realizavam na Catedral do século XIX:

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Jovens da Diocese de Lamego na JMJ 2011

       Sob o tema: «Enraizados e edificados n’Ele... firmes na fé» (cf. Cl 2, 7), realizaram-se, em Madrid, capital de Espanha, as XXVI Jornadas Mundiais da Juventude. A Diocese de Lamego respondeu ao convite do Santo Padre e, em conjunto com o Sr. D. Jacinto Botelho, Bispo da Diocese, e do Sr. Vigário Geral, Mons. Joaquim Dias Rebelo, marcou presença com 140 jovens, acompanhados por seis sacerdotes. 
       No dia 10 de Agosto, o Sr. Bispo presidiu, na Sé de Lamego, à Eucaristia do envio. Nessa ocasião, 95 jovens da Diocese partiram em direcção a Fuentepelayo, onde foram recebidos por aquela Paróquia da Diocese de Segóvia, onde se realizaram as pré-Jornadas, de 11 a 15 de Agosto. Ao longo desses dias, os jovens, uma parte alojados nas instalações da Paróquia, outra parte alojados em famílias que os acolheram, tiveram a possibilidade de rezar e conhecer aquela Diocese.
       No dia 15 de Agosto, os restantes jovens da Diocese partiram em direcção a Madrid, onde todo o grupo da Diocese de Lamego ficou alojado na Paróquia de Galapagar, a cerca de 30kms do centro da capital espanhola. Nesses dias, ficaram a dormir no Pavilhão Gimnodesportivo daquela localidade. Foram jovens das Paróquias de Almacave, Sé, Cinfães, S. Cristóvão, Tendais, Parada de Ester, Castro Daire, Monteiras, Tarouca, Rabaçal, Penude, Leomil e Tabuaço, acompanhados por vários sacerdotes: P. Bráulio Carvalho (Director do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil da Diocese), P. José Abrunhosa, P. José Alfredo Patrício, P. Miguel Peixoto, P. Tiago Cardoso e P. Manuel João Amaral.
       Apesar das condições de alojamento não serem as ideais, as dificuldades foram sendo superadas com optimismo e bom humor. Notámos, desde o primeiro momento, a boa vontade dos voluntários (em Madrid, eram mais de 30 mil) que procuraram solucionar um sem fim de problemas e contrariedades.
       No dia 16 de Agosto, ao final da tarde, depois de terem visitado o Mosteiro de El Escorial, os jovens participaram na Missa de início das Jornadas, que teve lugar na Plaza Cibeles, e foi presidida pelo Arcebispo de Madrid, Card. Rouco Varela, que, na homilia, deu as boas vindas às centenas de milhares de jovens que, já nesse dia, enchiam as ruas da cidade, com o seu entusiasmo e alegria.
       No dia 17 de Agosto, na Paróquia de Santo Cristo das Vitórias, no centro de Madrid, o Sr. D. Antonino Dias, Bispo de Portalegre-Castelo Branco orientou a catequese em língua portuguesa, na qual participaram também os jovens de Lamego, e na qual participaram jovens do Brasil, de Angola e de Moçambique. Nesse dia à tarde, os vários grupos de jovens de Lamego aproveitaram para conhecer a cidade.
       No dia 18 de Agosto, teve lugar o encontro dos jovens portugueses que participavam nas Jornadas com os Bispos portugueses. O encontro teve lugar no Madrid Arena, um pavilhão multiusos, e nele marcaram presença cerca de 12 mil jovens. Nesse encontro, também marcou presença o Sr. D. Jacinto e o Mons. Joaquim, Vigário Geral da Diocese. Foi um encontro marcado pela catequese proferida pelo Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e pela celebração da Eucaristia. 
       No dia 19 de Agosto, na parte da manhã, os jovens de Lamego participaram activamente na manhã de formação, cabendo ao Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil a orientação da oração da manhã. Seguiu-se a catequese, presidida pelo Sr. D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, no final da qual o Sr. D. Jacinto, que estava presente, também teve uma breve intervenção, muito aplaudida pelos presentes. Na tarde desse dia, e apesar do intenso calor que se fazia sentir, os jovens seguiram novamente para a Plaza Cibeles, ao encontro do Papa, que presidiu à Via Sacra.
       Depois de dormirem a última noite em Galapagar, no sábado de manhã, dia 20, todo o Grupo, depois de uma manhã livre, se foi dirigindo para o Aeródromo de Cuatro Vientos, onde decorreria a Vigília e a Missa final, ambas presididas pelo Santo Padre. A caminhada não foi demasiado longa, como noutras Jornadas anteriores mas, foi com certa decepção, que, ao chegarmos ao aeródromo, o local que nos estava destinado, já estava completamente preenchido. Foi, por isso, necessário encontrarmos outro lugar, onde todo o Grupo de Lamego pudesse ficar em conjunto. Tendo encontrado um local, todos se prepararam para passar a noite. A tarde foi de um calor extremo, mas, a pouco e pouco, as nuvens foram carregando o céu. Pouco depois de ter início a vigília, que se ia acompanhando pelos ecrãs, espalhados pelo recinto, a chuva e o vento fizeram-se sentir durante largos minutos, obrigando o Santo Padre a interromper a vigília. O som e alguns dos ecrãs deixaram de funcionar e isso impediu o Papa de ler o texto que tinha preparado. Durante esse período, os jovens continuaram em oração, ora rezando o terço, ora fazendo a vigília, seguindo o esquema que estava disponível nos livros que foram distribuídos aos peregrinos. Quando o temporal amainou, todos perceberam que o Papa não se tinha ido embora e teve início a adoração eucarística, com a exposição solene do Santíssimo Sacramento. Foi então que um grande silêncio imperou, durante vários minutos, e aquela multidão de jovens se ajoelhou e, seguindo o exemplo do Santo Padre, adorou a Santíssima Eucaristia. Foi um silêncio impressionante, num ambiente que convidava a tudo menos a rezar e que, no entanto, foi um ambiente de oração. Assim que foi dada a bênção com o Santíssimo, aqueles jovens, que já superavam um milhão, deram azo à sua alegria, chamando pelo nome do Papa, em agradecimento pelo facto de o Santo Padre se ter mantido com eles ao longo daqueles momentos difíceis.
       No dia seguinte, amanheceu um dia radioso. Os sacerdotes deslocaram-se para a zona que lhes estava destinada, para poderem concelebrar a Eucaristia. Só com o amanhecer foram visíveis os estragos provocados pela trovoada, que tornou inseguras as Capelas onde estavam os vasos com hóstias que seriam consagradas para a distribuição da comunhão aos jovens. Não sendo possível aceder a esses vasos, também não foi possível distribuir a comunhão, pelo que só os Bispos e sacerdotes tiveram a possibilidade de comungar. Os jovens foram convidados a fazer uma comunhão espiritual e a oferecer esse sacrifício pela pessoa e intenções do Santo Padre.
       No final, ficou a imensa alegria de poder estar presente, de sentir a proximidade do Papa que quer bem aos jovens e de ouvir da boca dele conselhos tão oportunos. O regresso a Lamego fez-se sem dificuldade.
       Todos estão agradecidos ao Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil da Diocese de Lamego pelo árduo trabalho que tiveram na preparação e ao longo de todas as Jornadas, bem como a todos os Párocos que se esforçaram para que os jovens pudessem participar neste evento. Uma palavra de gratidão ao Sr. D. Jacinto e ao Sr. Vigário Geral pelo facto de também terem acompanhado os jovens da Diocese.

in Blogue da Diocese de Lamego

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Um vídeo verdadeiramente inspirador

       Este é mais um momento inspirador. Inspiramo-nos no blogue de Laurinda Alves: A Substância da Vida. Deixe-se guiar pela música...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Confiar em Deus como Jesus confiava

       "O encontro com Jesus não é fruto da investigação histórica nem da reflexão doutrinal. Ele acontece somente através de uma adesão interior e de um seguimento fiel. Começamos a encontrar-nos com Jesus no momento em que começamos a confiar em Deus como Ele confiava, quando cremos no amor como Ele cria, quando nos aproximamos dos que sofrem como Ele aproximava, quando defendermos a vida como Ele a defendia, quando olhamos para as pessoas como Ele olhava, quando enfrentarmos a vida e a morte com a esperança com que Ele a enfrentava, quando contagiarmos a Boa Notícia como Ele a contagiava".

José António PAGOLA, Jesus. Uma abordagem histórica, Gráfica de Coimbra 2: 2008.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Homilia de Bento XVI na JMJ 2011

Homilia do Papa Bento XVI na Eucaristia de Encerramento das Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid, 21 de Agosto de 2011
       Queridos jovens,
       Com a celebração da Eucaristia, chegamos ao momento culminante desta Jornada Mundial da Juventude. Ao ver-vos aqui, vindos em grande número de todas as partes, o meu coração enche-se de alegria, pensando no afecto especial com que Jesus vos olha. Sim, o Senhor vos quer bem e vos chama seus amigos (cf. Jo 15, 15). Ele vem ter convosco e deseja acompanhar-vos no vosso caminho, para vos abrir as portas duma vida plena e tornar-vos participantes da sua relação íntima com o Pai. Pela nossa parte, conscientes da grandeza do seu amor, desejamos corresponder, com toda a generosidade, a esta manifestação de predilecção com o propósito de partilhar também com os demais a alegria que recebemos. Na actualidade, são certamente muitos os que se sentem atraídos pela figura de Cristo e desejam conhecê-Lo melhor. Pressentem que Ele é a resposta a muitas das suas inquietações pessoais. Mas quem é Ele realmente? Como é possível que alguém que viveu na terra há tantos anos tenha algo a ver comigo hoje?
       No evangelho que ouvimos (cf. Mt 16, 13-20), vemos representadas, de certo modo, duas formas diferentes de conhecer Cristo. O primeiro consistiria num conhecimento externo, caracterizado pela opinião corrente. À pergunta de Jesus: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?», os discípulos respondem: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas». Isto é, considera-se Cristo como mais um personagem religioso junto aos que já são conhecidos. Depois, dirigindo-se pessoalmente aos discípulos, Jesus pergunta-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro responde formulando a primeira confissão de fé: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». A fé vai mais longe que os simples dados empíricos ou históricos, e é capaz de apreender o mistério da pessoa de Cristo na sua profundidade.
       A fé, porém, não é fruto do esforço do homem, da sua razão, mas é um dom de Deus: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu». Tem a sua origem na iniciativa de Deus, que nos desvenda a sua intimidade e nos convida a participar da sua própria vida divina. A fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele, a adesão de toda a pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus faz de Si mesmo. Deste modo, a pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?», no fundo está impelindo os discípulos a tomarem uma decisão pessoal em relação a Ele. Fé e seguimento de Cristo estão intimamente relacionados.
       E, dado que supõe seguir o Mestre, a fé tem que se consolidar e crescer, tornar-se mais profunda e madura, à medida que se intensifica e fortalece a relação com Jesus, a intimidade com Ele. Também Pedro e os outros apóstolos tiveram que avançar por este caminho, até que o encontro com o Senhor ressuscitado lhes abriu os olhos para uma fé plena.
        Queridos jovens, Cristo hoje também se dirige a vós com a mesma pergunta que fez aos apóstolos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Respondei-Lhe com generosidade e coragem, como corresponde a um coração jovem como o vosso. Dizei-Lhe: Jesus, eu sei que Tu és o Filho de Deus que deste a tua vida por mim. Quero seguir-Te fielmente e deixar-me guiar pela tua palavra. Tu conheces-me e amas-me. Eu confio em Ti e coloco nas tuas mãos a minha vida inteira. Quero que sejas a força que me sustente, a alegria que nuca me abandone.
       Na sua reposta à confissão de Pedro, Jesus fala da sua Igreja: «Também Eu te digo: Tu é Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja». Que significa isto? Jesus constrói a Igreja sobre a rocha da fé de Pedro, que confessa a divindade de Cristo. Sim, a Igreja não é uma simples instituição humana, como outra qualquer, mas está intimamente unida a Deus. O próprio Cristo Se refere a ela como a «sua» Igreja. Não se pode separar Cristo da Igreja, tal como não se pode separar a cabeça do corpo (cf. 1 Cor 12, 12). A Igreja não vive de si mesma, mas do Senhor. Ele está presente no meio dela e dá-lhe vida, alimento e fortaleza.

       Queridos jovens, permiti que, como Sucessor de Pedro, vos convide a fortalecer esta fé que nos tem sido transmitida desde os apóstolos, a colocar Cristo, Filho de Deus, no centro da vossa vida. Mas permiti também que vos recorde que seguir Jesus na fé é caminhar com Ele na comunhão da Igreja. Não se pode, sozinho, seguir Jesus. Quem cede à tentação de seguir «por conta sua» ou de viver a fé segundo a mentalidade individualista, que predomina na sociedade, corre o risco de nunca encontrar Jesus Cristo, ou de acabar seguindo uma imagem falsa d’Ele.
       Ter fé é apoiar-se na fé dos teus irmãos, e fazer com que a tua fé sirva também de apoio para a fé de outros. Peço-vos, queridos amigos, que ameis a Igreja, que vos gerou na fé, que vos ajudou a conhecer melhor Cristo, que vos fez descobrir a beleza do Seu amor. Para o crescimento da vossa amizade com Cristo é fundamental reconhecer a importância da vossa feliz inserção nas paróquias, comunidades e movimentos, bem como a participação na Eucaristia de cada domingo, a recepção frequente do sacramento do perdão e o cultivo da oração e a meditação da Palavra de Deus.
       E, desta amizade com Jesus, nascerá também o impulso que leva a dar testemunho da fé nos mais diversos ambientes, incluindo nos lugares onde prevalece a rejeição ou a indiferença. É impossível encontrar Cristo, e não O dar a conhecer aos outros. Por isso, não guardeis Cristo para vós mesmos. Comunicai aos outros a alegria da vossa fé. O mundo necessita do testemunho da vossa fé; necessita, sem dúvida, de Deus. Penso que a vossa presença aqui, jovens vindos dos cinco continentes, é uma prova maravilhosa da fecundidade do mandato de Cristo à Igreja: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15). Incumbe sobre vós também a tarefa extraordinária de ser discípulos e missionários de Cristo noutras terras e países onde há multidões de jovens que aspiram a coisas maiores e, vislumbrando em seus corações a possibilidade de valores mais autênticos, não se deixam seduzir pelas falsas promessas dum estilo de vida sem Deus.
       Queridos jovens, rezo por vós com todo o afecto do meu coração. Encomendo-vos à Virgem Maria, para que Ela sempre vos acompanhe com a sua intercessão materna e vos ensine e fidelidade à Palavra de Deus. Peço-vos também que rezeis pelo Papa, para que, como Sucessor de Pedro, possa continuar confirmando na fé os seus irmãos. Que todos na Igreja, pastores e fiéis, nos aproximemos de dia para dia sempre mais do Senhor, para crescermos em santidade de vida e darmos assim um testemunho eficaz de que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho de Deus, o Salvador de todos os homens e a fonte viva da sua esperança. Amen.

sábado, 27 de agosto de 2011

XXII Domingo do Tempo Comum - 28 de Agosto

       1 – A nossa profissão de Fé, audível na resposta de Pedro à pergunta de Jesus – "E vós quem dizeis que Eu sou? –, "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo", levar-nos-á à missão, ao compromisso com aquilo que professamos, ou melhor, ao seguimento d’Aquele que reconhecemos, acolhemos e amamos como Filho de Deus.
       Pedro recebe de imediato a missão de confirmar na fé todos os seus irmãos, no céu e na terra. É uma missão que o implica com Jesus e com o facto d'Ele ser, não um homem entre os homens, mas Filho de Deus vivo, Deus connosco, Deus feito homem. Pedro realizará não o que lhe dá na real gana, o que é mais fácil ou conveniente em cada situação, mas é chamado a realizar, nas suas palavras e gestos, a vontade de Deus, expressa através de Jesus Cristo, no Espírito Santo.
       Com esta Pedro não estava a contar. Diga-se, em abono da verdade, que ele não sabia exactamente o que significava a confissão de fé que faz acerca de Jesus, porque logo confunde tudo...
       "Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!» Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens»".
        Pedro, tal como os outros discípulos ainda esperavam que o reino de Jesus, o reino de Deus, fosse mais humano e terreno, com benesses para os primeiros e principais seguidores. No entanto, se dúvidas havia, ficam desfeitas. O filho do homem vai ser morto. Mas nem assim deixará de cumprir a sua missão, sancionada com a ressurreição. Por ora os discípulos fixam-se apenas na parte negativa, a da morte de Jesus. Se tudo parasse na morte, então sim, tudo estaria perdido para sempre.

       2 – Com efeito, como o nosso próprio nome indica somos cristãos, isto é, somos de Cristo, identificamo-nos com Ele, até pelo nome, mas sobretudo com a nossa vida. Não nos pregamos a nós, mas a Ele, o Filho de Deus. Não O seguimos porque um dia nos apeteceu, é Ele que nos chama, que vem ao nosso encontro, que nos desperta, que abre as portas da eternidade, fazendo-Se homem entre os homens, assumindo a nossa fragilidade e finitude, morrendo como nós, e pela ressurreição reintroduz-nos em Deus, na eternidade divina, eleva-nos aos Céus.
       Como escutávamos no profeta Jeremias: "Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me dominastes e vencestes". Sendo que esta vitória de Deus é para nossa salvação (e não uma derrota nossa).
       Se o chamamento parte de Deus, a missão terá a ver com Deus (que sempre nos inclui), com a realização da Sua vontade. Esse é o propósito da vinda de Jesus até nós e que hoje, uma vez mais, o Evangelho faz eco:
       "Jesus disse então aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Porque, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras»".

       3 – Acreditar em Jesus como Filho de Deus, levar-nos-á a escutar o seu chamamento. Acreditar em Jesus implica que O sigamos. Não é uma opção acessória, secundária. Implica a nossa vida toda. Implica que gastemos tempo e energias, na certeza que seremos compensados no tempo e na história e também para a eternidade de Deus.
       Seguir Jesus implica renunciarmos aos nossos egoísmos, ao comodismo, àquilo que é mais conveniente, para prosseguirmos o bem, a verdade, a justiça, o amor sem limites, precisamente imitando-O em tudo e em toda a parte.
       Como bem Ele nos lembra, de nada nos adianta ganharmos o mundo inteiro se não usufruirmos a beleza da vida, o encanto do amor, a alegria da partilha, a festa de darmos o melhor de nós mesmos e nos descobrirmos e encontrarmos como irmãos, como filhos bem amados do Seu e nosso Pai.
       No fundo e como nos lembra o Apóstolo, seguir Jesus com toda a nossa vida: "Peço-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que vos ofereçais a vós mesmos como vítima santa, viva, agradável a Deus, como culto racional. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, pela renovação espiritual da vossa mente, para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito".
       Não nos é pedido muito, é-nos pedido tudo, a nossa vida, com todas as dimensões, para que mais cedo ou mais tarde seja Ele a viver em nós e através de nós, nas nossas palavras, nos nossos gestos, nas nossas obras, em toda a nossa vida.

Textos para a Eucaristia (ano A): Jer 20,7-9; Rom 12,1-2; Mt 16,21-27.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

As melhores imagens da JMJ 2011

       As melhores imagens da JMJ 2011, em Madrid, e como música de fundo o respctivo hino destas Jornadas:

JMJ 2011: Uma Igreja que não se rende

Quatro dias em Madrid para que Bento XVI apelasse ao compromisso das novas gerações de católicos, ainda que em cenários de hostilidade

       Bento XVI encerrou hoje uma visita de quatro dias a Madrid, durante a qual insistiu na necessidade de uma geração sem “medo” de se assumir católica face à “cultura relativista dominante”, à indiferença e mesmo hostilidade de muitos.
        Os milhões de jovens que terão passado pelas diversas atividades religiosas, lúdicas e culturais da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), na capital espanhola, podem ler em casa uma mensagem que a chuva tirou da boca do Papa, na vigília de sábado: “Que nenhuma dificuldade vos paralise. Não tenhais medo do mundo, nem do futuro”.
       Por mais de uma vez, Bento XVI convidou a nova geração de católicos a não “desanimar com as contrariedades que, de diversos modos, se apresentam nalguns países”.
       Sem qualquer referência aos incidentes de contestação que rodearam a visita a Madrid, consideradas “marginais” pelo Vaticano, o Papa apontou como prioridade dar “testemunho da fé” nos mais diversos ambientes, incluindo nos lugares onde prevalece a “rejeição ou a indiferença”.
       Falando em português, como fez várias vezes, admitiu que os católicos se podem sentir em “contracorrente no meio duma sociedade onde impera a cultura relativista que renuncia a buscar e a possuir a verdade”.
       Por diversas vezes, Bento XVI apelou a uma presença junto dos “menos favorecidos” e defendeu uma compreensão diferente do “sofrimento”, tanto na via-sacra nas ruas de Madrid como valorizando os jovens portadores de deficiência como aqueles que fazem nascer gestos de “ternura”.
       “Por Cristo, sabemos que não estamos a caminhar para o abismo, para o silêncio do nada ou da morte, mas seguindo para a terra prometida”, diria aos seminaristas.
       Num encontro com milhar e meio de religiosas indicou, por outro lado, que “face ao relativismo e à mediocridade, surge a necessidade desta radicalidade que testemunha a consagração como uma pertença a Deus”.
       Aos professores universitários, com quem se encontrou pela primeira vez num contexto de JMJ, falou dos “abusos duma ciência que não reconhece limites para além de si mesma”.
       Foi também uma JMJ com marca portuguesa, com a presença recorde de 12 mil participantes, para lá da assumida candidatura a organizar um evento deste género a médio prazo.
        O encontro entre 17 bispos e os peregrinos lusos deixou diversos apelos a um compromisso em favor do “bem comum”, do esforço urgente e necessário para superar a atual crise - económica, mas também de valores – que atinge o país, no entender dos responsáveis da Igreja Católica.
       No final, a Jornada de Madrid fica como um momento de esperança de uma geração que não se rende perante sinais de desnorte e mesmo descarrilamento social que chegavam dos recentes motins do Reino Unido ou dos atentados da Noruega, para além das pesadas consequências do desgoverno financeiro internacional, sobretudo no aumento da precariedade e do desemprego.
       Apesar do pouco tempo que, em 79 horas, o Papa passou entre os jovens, a nova geração ‘JMJ’ respondeu presente e nem o calor, o pó, o cansaço, a chuva ou o vento conseguiram travá-la, sendo justo, por isso, o que disse Bento XVI após a tempestade da vigília de sábado: “Vivemos uma aventura juntos”.

Octávio Carmo, in Agência ECCLESIA, em Madrid

JMJ 2013: no Rio de Janeiro - Brasil


domingo, 21 de agosto de 2011

Bento XVI aos jovens: não se pode seguir a Cristo sozinho...

Bento XVI e os jovens em missão num mundo de rejeição

       Madrid, 21 ago 2011 (Ecclesia) – Bento XVI apelou hoje aos jovens católicos de todo o mundo para que testemunhem a sua fé publicamente, mesmo em “lugares onde prevalece a rejeição ou a indiferença”.
       O Papa falava na homilia da missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2011, no aeródromo madrileno de Cuatro Vientos, onde se encontram mais de um milhão e meio de jovens.
       Retomando uma ideia já apresentada durante a visita de quatro dias à capital espanhola, iniciada quinta-feira, Bento XVI alertou contra a “mentalidade individualista que predomina na sociedade”, frisando que os jovens correm “o risco de nunca encontrar Jesus Cristo, ou de acabar seguindo uma imagem falsa dele”.
       “São certamente muitos os que se sentem atraídos pela figura de Cristo e desejam conhecê-Lo melhor. Pressentem que Ele é a resposta a muitas das suas inquietações pessoais. Mas quem é Ele realmente? Como é possível que alguém que viveu na terra há tantos anos tenha algo a ver comigo hoje?”, questionou.
       O espaço de Cuatro Vientos, onde João Paulo II esteve em 2003 na sua última viagem a Espanha, foi alargado pela organização do evento, após ter sido completamente lotado este sábado pelos participantes na JMJ, vindos de mais de 130 países.
       Bento XVI, que lembrou o pouco tempo de descanso que os jovens tiveram, nestes dias, disse que “a fé vai mais longe que os simples dados empíricos ou históricos, e é capaz de apreender o mistério da pessoa de Cristo na sua profundidade”, frisando que “a fé não é fruto do esforço do homem, da sua razão, mas é um dom de Deus”.
        O Papa destacou que “a fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele, a adesão de toda a pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus faz de si mesmo”.
        “É impossível encontrar Cristo, e não o dar a conhecer aos outros. Por isso, não guardeis Cristo para vós mesmos. Comunicai aos outros a alegria da vossa fé. O mundo necessita do testemunho da vossa fé; necessita, sem dúvida, de Deus”, declarou.
       Bento XVI aconselhou os jovens a procurarem a “inserção nas paróquias, comunidades e movimentos”, bem como a “participação na Eucaristia de cada domingo, a recepção frequente do sacramento do perdão e o cultivo da oração e a meditação da Palavra de Deus”.
       No final da missa, Bento XVI abençoou e entregou uma pequena cruz, a cinco jovens, ao mesmo tempo que benzeu as de todos os presentes, como sinal de envio missionário.
        O presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, cardeal Stanislaw Rylko, dirigiu ao Papa palavras de agradecimento, sublinhada por uma salva de palmas dos presentes, e disse que os jovens “estão prontos de sair de Madrid para o mundo inteiro”.
       A 26.ª JMJ decorrue entre terça-feira e domingo sob o lema “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé”, com a presença de Bento XVI desde quinta-feira e reunindo mais de um milhão de peregrinos, entre os quais 12 mil portugueses, números que fazem desta iniciativa o maior evento juvenil da Igreja Católica.

Octávio Carmo, enviado da Agência ECCLESIA a Madrid

Bento XVI no aeródromo Cuatro Vientos, JMJ 2011


A chuva, o vento, ... a tempestade na Vigília da JMJ 2011

O Papa regressa, depois da tempestade, para salientar a coragem e a resistência dos jovens:

sábado, 20 de agosto de 2011

XXI Domingo do Tempo Comum - 21 de Agosto

       1 – Entremos no diálogo com Jesus. Caminhemos com Ele, deixemo-nos envolver pelas suas palavras, questionemo-nos com Ele. Hoje, como discípulos para este tempo, é a nós que Jesus nos interroga: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?»
       Com os primeiros discípulos responderemos: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas», uma personagem da História, um homem importante, um revolucionário, cujas palavras e gestos serviram de inspiração para muitos revolucionários, justificaram guerras, mortes, segregações, desculparam compromissos, foram instrumentalizadas por diversas ideologias, ora de direita, ora de esquerda, ora de coisa nenhuma.
       Se fizéssemos de jornalistas e saíssemos à rua a colocar esta questão às pessoas que encontrássemos pelo caminho, muitas e diversas seriam as respostas. Ficaríamos a saber mais acerca de Jesus, ainda que esse facto não nos comprometesse mais com Ele e com as Suas Palavras.
       Então Jesus pergunta de novo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
       Agora é que são elas. Ele já não nos pergunta o que se diz d'Ele, qual a opinião predominante. Não. Agora Ele questiona-nos acerca do que sabemos sobre Ele. Quem é Ele para nós, que significado, que importância tem na nossa vida, que alterações fazemos porque Ele está connosco?
       Quantas vezes já interrogamos pessoas amigas para sabermos o que se diz de nós. Mas no fim o mais importante não são as opiniões alheias, mas a opinião das pessoas que consideramos amigas.

       2 – Descobrimos, neste diálogo com Jesus, o Mestre dos Mestres, que a nossa relação com Ele não se baseia apenas no conhecimento indirecto, naquilo que os outros nos dizem acerca de Jesus. É necessário que nos encontremos com Ele e nos deixemos encontrar por Ele.
       Obviamente que o que outros nos ensinaram, o que escutamos das Suas palavras, o que acolhemos dos Seus gestos, a vivência das comunidades crentes, onde se faz e se renova a experiência de fé, são essenciais. Mas de pouco valem se não fizermos a experiência de encontro pessoal com Ele.
       A experiência de outros pode iluminar a nossa vida espiritual, como o testemunho dos santos e a sua intercessão, dando-nos também a certeza de que não caminhamos sós. Mas cada um tem que Se encontrar com Ele, conhecê-l'O, amá-l'O, acolhê-l'O em sua casa, na sua vida. Não respondemos com palavras alheias. A pergunta é para cada um de nós: e tu quem dizes que Eu sou, quem Sou Eu para Ti?
       Aqui, o conhecimento implica seguimento, compromisso com Aquele que conhecemos, com Aquele que nos questiona, e com as Suas Palavras. Conhecer Jesus há-de levar-nos a viver com Ele e como Ele, colocando Deus antes e acima de toda e qualquer escolha.

       3 – O diálogo continua. Pedro responde em nosso nome. Não responde por nós. Mas nas suas palavras há-de estar a nossa resposta e o nosso compromisso com Jesus, ainda que a missão seja diferente: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».
       Não é uma resposta qualquer. É a primeira Profissão de Fé. É um conhecimento que vai para lá do sensível. Implica a fé. Implica a inspiração de Deus, pelo Espírito Santo. É uma descoberta e uma tomada de consciência. Como que lhe saem automaticamente as palavras da boca, sem ter exactamente consciência do que diz e aquilo a que se compromete.
       É neste entretanto que Jesus Se revela e responde a Pedro: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus».
       A profissão de Fé de Pedro dá lugar à missão, ao envio, ao compromisso: «Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
       Assim com Pedro, assim connosco. A nossa Profissão de Fé leva-nos a comprometer-nos com Jesus Cristo e com o Seu Evangelho de Amor.

       4 – Bento XVI, na missão de Pedro, presidindo à Igreja, Corpo de Cristo, de que somos membros, ajuda-nos a reflectir, desafiando-nos a não marginalizar Deus na nossa vida e na cultura do nosso tempo. Quando isso acontece, espreitam diversos perigos, de egoísmo, de ruptura, de conflito, de despotismo, de relativismo, o perigo de tudo ser igualmente válido, o bem e o mal. Se não há uma referência (instância) última, superior, então tudo é possível. Destruo, mato, maltrato, roubo, engano,.. mas quem é que me julgará, se todos são iguais?
       Na mensagem para a XXVI Jornada Mundial da Juventude, partindo de uma das Epístolas de São Paulo (Colossenses 2, 7), o Papa propõe com o Apóstolo: "Enraizados e edificados em Cristo... firmes na fé".
       Olhando para a Sua juventude, o papa recorda como procuravam, os jovens do seu tempo, algo superior e grande, a vastidão e a beleza, algo que desse sentido a tudo o mais, mesmo à estabilidade da família e do emprego seguro.
O convite sugere três imagens expressivas:
  • a árvore (enraizados), cujas raízes a sustentam, lhe dão força e vigor. Quais são a raízes na nossa vida? A família e a cultura do nosso país. Mas há uma raiz inabalável: a confiança no Senhor.
  • a casa construída sobre rocha firme (e edificados em Cristo). "Porque me chamais 'Senhor, Senhor' e não fazeis o que Eu digo" (Lc 6, 46).
  • o crescimento da força física e moral (firmes na fé), hoje como naquele tempo não nos podemos deixar esmagar pelo pensamento dominante, em que se dá o eclipse e amnésia de Deus. Com outras preocupações esquecemo-nos d'Ele, não temos tempo para O escutar, para O contemplar. As sociedades sem Deus levaram ao inferno, à destruição, à morte. As sociedades com Deus, em que as pessoas procuram com verdade ouvir a Sua voz, constroem a civilização do amor.
       5 – No fundo, não basta a certidão de baptismo para se ser verdadeiramente cristão, como não basta a certidão de nascimento para nos inserirmos na família.
       Quantas famílias, unidas por laços de sangue, pela pertença biológica, vivem aos encontrões, atropelos e indiferentes uns aos outros. Pais que não falam com os filhos. Filhos que não querem saber dos Pais, ou dos irmãos. Por outras palavras, se os laços de sangue são importantes, identificadores, muito mais os laços afectivos, o amor, o diálogo, a compreensão, o apoio nos momentos difíceis e a festa dos momentos de bonança, a solidariedade.
       Do mesmo modo, a certidão de baptismo diz que somos cristãos. Mas, e se nos deixamos arrastar pelas opiniões que estão na moda, como árvores sem raízes, como casas construídas na areia, sem força para viver nos valores que nos identificam como crentes cristãos?
       Que adianta dizer que somos cristãos se mantemos Deus à margem da nossa vida e nos marginalizamos do compromisso comunitário, espaço vital para aprofundar e partilhar, celebrar e amadurecer, confrontar e viver a fé?

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 22,19-23; Rom 11,33-36; Mt 16,13-20.

Amparados pela fé da Igreja para ser testemunhas

       5. Naquele momento Jesus exclama: «Porque Me viste, acreditaste. Bem-aventurados os que, sem terem visto, acreditaram!» (Jo 20, 29). Ele pensa no caminho da Igreja, fundada sobre a fé das testemunhas oculares: os Apóstolos. Compreendemos então que a nossa fé pessoal em Cristo, nascida do diálogo com Ele, está ligada à fé da Igreja: não somos crentes isolados, mas, pelo Baptismo, somos membros desta grande família, e é a fé professada pela Igreja que dá segurança à nossa fé pessoal. O credo que proclamamos na Missa dominical protege-nos precisamente do perigo de crer num Deus que não é o que Jesus nos revelou: «Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sem ser motivado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para guiar os outros na fé» (Catecismo da Igreja Católica, n. 166). Agradeçamos sempre ao Senhor pelo dom da Igreja; ela faz-nos progredir com segurança na fé, que nos dá a vida verdadeira (cf. Jo 20, 31).
       Na história da Igreja, os santos e os mártires hauriram da Cruz gloriosa de Cristo a força para serem fiéis a Deus até à doação de si mesmos; na fé encontraram a força para vencer as próprias debilidades e superar qualquer adversidade. De facto, como diz o apóstolo João, «Quem é que vence o mundo senão aquele que crê que Jesus é Filho de Deus?» (1 Jo 5, 5). E a vitória que nasce da fé é a do amor. Quantos cristãos foram e são um testemunho vivo da força da fé que se exprime na caridade; foram artífices de paz, promotores de justiça, animadores de um mundo mais humano, um mundo segundo Deus; comprometeram-se nos vários âmbitos da vida social, com competência e profissionalidade, contribuindo de modo eficaz para o bem de todos. A caridade que brota da fé levou-os a dar um testemunho muito concreto, nas acções e nas palavras: Cristo não é um bem só para nós próprios, é o bem mais precioso que temos para partilhar com os outros. Na era da globalização, sede testemunhas da esperança cristã em todo o mundo: são muitos os que desejam receber esta esperança! Diante do sepulcro do amigo Lázaro, morto havia quatro dias, Jesus, antes de o chamar de novo à vida, disse à sua irmã Marta: «Se acreditasses, verias a glória de Deus» (cf. Jo 11, 40). Também vós, se acreditardes, se souberdes viver e testemunhar a vossa fé todos os dias, tornar-vos-eis instrumentos para fazer reencontrar a outros jovens como vós o sentido e a alegria da vida, que nasce do encontro com Cristo! 

Crer em Jesus Cristo sem o ver

       4. No Evangelho é-nos descrita a experiência de fé do apóstolo Tomé ao acolher o mistério da Cruz e da Ressurreição de Cristo. Tomé faz parte dos Doze apóstolos; seguiu Jesus; foi testemunha directa das suas curas, dos milagres; ouviu as suas palavras; viveu a desorientação perante a sua morte. Na noite de Páscoa o Senhor apareceu aos discípulos, mas Tomé não estava presente, e quando lhe foi contado que Jesus estava vivo e se mostrou, declarou: «Se eu não vir o sinal dos cravos nas Suas mãos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e não meter a mão no Seu lado, não acreditarei» (Jo 20, 25).
       Também nós gostaríamos de poder ver Jesus, de poder falar com Ele, de sentir ainda mais forte a sua presença. Hoje para muitos, o acesso a Jesus tornou-se difícil. Circulam tantas imagens de Jesus que se fazem passar por científicas e O privam da sua grandeza, da singularidade da Sua pessoa. Portanto, durante longos anos de estudo e meditação, maturou em mim o pensamento de transmitir um pouco do meu encontro pessoal com Jesus num livro: quase para ajudar a ver, a ouvir, a tocar o Senhor, no qual Deus veio ao nosso encontro para se dar a conhecer. De facto, o próprio Jesus aparecendo de novo aos discípulos depois de oito dias, diz a Tomé: «Chega aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no Meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente» (Jo 20, 27). Também nós temos a possibilidade de ter um contacto sensível com Jesus, meter, por assim dizer, a mão nos sinais da sua Paixão, os sinais do seu amor: nos Sacramentos Ele torna-se particularmente próximo de nós, doa-se a nós. Queridos jovens, aprendei a «ver», a «encontrar» Jesus na Eucaristia, onde está presente e próximo até se fazer alimento para o nosso caminho; no Sacramento da Penitência, no qual o Senhor manifesta a sua misericórdia ao oferecer-nos sempre o seu perdão. Reconhecei e servi Jesus também nos pobres, nos doentes, nos irmãos que estão em dificuldade e precisam de ajuda.
       Abri e cultivai um diálogo pessoal com Jesus Cristo, na fé. Conhecei-o mediante a leitura dos Evangelhos e do Catecismo da Igreja Católica; entrai em diálogo com Ele na oração, dai-lhe a vossa confiança: ele nunca a trairá! «Antes de mais, a fé é uma adesão pessoal do homem a Deus. Ao mesmo tempo, e inseparavelmente, é o assentimento livre a toda a verdade revelada por Deus» (Catecismo da Igreja Católica, n. 150). Assim podereis adquirir uma fé madura, sólida, que não estará unicamente fundada num sentimento religioso ou numa vaga recordação da catequese da vossa infância. Podereis conhecer Deus e viver autenticamente d’Ele, como o apóstolo Tomé, quando manifesta com força a sua fé em Jesus: «Meu Senhor e meu Deus!».