sábado, 21 de junho de 2014

Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo - 22 de junho

       1 – Como seria se não tivéssemos corpo, ou não fôssemos corpo? Como comunicar? Como nos encontrarmos uns com os outros? Não sei se haverá uma resposta satisfatória. Numa perspetiva espiritual, certamente que seria uma comunicação perfeita, plena, mas para nós humanos, muito confusa, uma espécie de seres de luz, anjos, ainda assim com algum tipo de corporeidade. O corpo que somos distingue-nos e aproxima-nos, identifica-nos e permite-nos colocar-nos como um EU frente a um TU. A pele separa-nos dos outros e do mundo, mas permite-nos ver os outros e o mundo, tridimensionalmente. Mesmo um Anjo (ou um ser de luz) assume uma forma que se torna visível.
       Deus para Se comunicar ao mundo, à humanidade, fá-l'O respeitando a nossa gravidade corpórea, através de sinais, de pessoas, de acontecimentos. Podemos ouvir uma voz interior. E a oração convoca-nos para esse santuário onde nos encontramos connosco, com a nossa consciência, com Deus. Assim o que há de mais importante na vida – não tem cor nem forma nem cheiro, não faz barulho nem se deixa ver (com os olhos dos sentidos) – são os sentimentos, o amor, a ternura, a compaixão, a nossa vontade, este querer ser para os outros e diante dos outros, a ligação espiritual e afetiva. Mas também o AMOR assume formas e se exterioriza corporalmente por um carinho, um beijo, um abraço, um presente, ou uma palavra, um olhar, um sorriso.
       Qual a melhor maneira de Deus Se dar a conhecer? Pelo nosso interior? Pela oração? Pela meditação? Certamente, como ponto de partida, como consciência do que somos e da nossa origem. Chegada a plenitude dos tempos, Deus escolhe manifestar-Se ao mundo, a nós, através de um CORPO, assumindo a nossa CARNE, osso dos nossos ossos, sangue do nosso sangue, Um entre nós, Um connosco. No seio da Virgem Mãe, no sim de Maria santíssima, Deus encarna. Jesus, verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem, o Seu Corpo é visível, põe-n'O em contacto com o mundo, pode aproximar-Se sem assustar ninguém ou sem que alguém O julgue fantasma. Anda de dia. Às claras. Pode ver-Se, pode tocar-Se, podemos aproximar-nos d'Ele.
       Com a Sua morte, o Seu corpo desaparecerá para sempre. Com a Ressurreição e as Aparições, a certeza de que continuará num Corpo glorioso, que pode deixar-Se ver e tocar, tem as marcas do Crucificado. Por outro lado, no pão e no vinho, por ação do Espírito Santo, deixa-nos um CORPO, o Seu Corpo, a Sua vida. Torna-Se presente, nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia. Até ao fim dos tempos.
       2 – Durante a última Ceia, Jesus tomou o pão, depois o cálice com vinho, deu graças a Deus, recitou a bênção e disse, alto e bom som: Isto é o Meu corpo, tomai e comei; Este é o Cálice do Meu sangue, tomai e bebei, fazei isto em memória de Mim. Num momento intenso, mas familiar, acolhedor, dentro de casa, com um grupo restrito, com o ambiente a adensar-se, os semblantes a ficarem carregados. As palavras de Jesus são o Seu testamento, a NOVA ALIANÇA. Ele dará a Sua vida, o Seu Corpo por inteiro, até à última gota de sangue. Mas não os deixa, não nos deixa, sós. Ele ficará no MEIO. Sempre que nos reunirmos no Seu nome. Comendo e bebendo o Seu Corpo e o Seu Sangue.
       Será uma PRESENÇA NOVA, que Jesus antecipa na Primeira Ceia, e não Última, como sublinha D. António Couto, a Primeira Ceia do TEMPO NOVO, cuja ação e a vitalidade do Espírito Santo, O tornarão real e sacramentalmente presente. Mas há outros momentos em que Jesus insiste com os discípulos e com as multidões: EU darei a minha Vida por vós. Eu Sou a Carne que haveis de comer, até à eternidade.
       O povo eleito experimentou a presença de Deus também pelo alimento, pelo pão: "Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido".
       Mas agora é o próprio Deus que Se faz Carne e Se dá a comer. Escutemos as palavras de Jesus:
«Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha Carne, que Eu darei pela vida do mundo... Se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».
       Dúvidas? Como pode Ele dar-nos a comer a Sua carne? A pergunta de então, a pergunta que podemos também fazer! Depois destas palavras, alguns discípulos seguem outro caminho. São palavras duras, quem pode escutá-las? Também vós quereis ir embora, pergunta Jesus aos discípulos que ficarem. Responde Pedro por nós: "A quem iremos, só Tu tens palavras de vida eterna". Talvez o Apóstolo estivesse inspirado ou talvez tenham sido palavras de circunstância para aliviar a tensão e a dureza do momento. Como é que podemos comer a Sua Carne?
       3 – O pão e o vinho e o corpo. Trigo, semeado, amadurecido, e colhido, cujos grãos, moídos, dando origem à farinha, que depois de amassada, se torna uma massa compacta, para formar um único pão. Diversidade de grãos, unidade da massa e do pão. Uvas de muitos cachos, pisados, para formarem o mesmo líquido, o mesmo vinho. Corpo com diversos membros, mas um Corpo único em que os membros, tendo funções diversas, formam a harmonia do conjunto.
       Jesus fica presente com o Seu Corpo que é a Igreja, dá-nos o Seu Corpo através do Pão e do Vinho, para que participando d'Ele nos tornemos com Ele, pelo Espírito Santo, Um só Corpo. Ou, como dirá na Oração Sacerdotal, para que todos sejamos UM como Ele e o Pai são Um. Dessa forma, Deus fará a Sua morada em nós, tonando-nos Um com Ele.
       A este propósito, São Paulo recorda-nos o que nos identifica como seguidores de Jesus Cristo:
"Não é o cálice de bênção que abençoamos a comunhão com o Sangue de Cristo? Não é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo? Visto que há um só pão, nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do mesmo pão".
       O corpo que somos delimita-nos diante dos outros, mas também nos aproxima, também permite o encontro, o diálogo, o face a face. Imaginemos a construção de um LEGO. Mais uma imagem similar ao Pão, ao Vinho, ao Corpo: grãos, bagos/uvas, membros. As peças do lego são de várias cores, tamanhos e feitios, e podem até ter uma textura diferenciada, mas no final, na junção das diferentes peças, surge a figura que se quer: uma casa, um animal, um veículo. Se uma peça estiver mal colocada, ou no sítio errado, ou a substituir alguma que falta, o objeto pode não sair como desejado. Assim nós na comunidade cristã. Cada um de nós é fundamental, mas se um de nós não cumprir com a sua parte, se desperdiçar os talentos que Deus lhe dá, todo o conjunto sofrerá.

Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia: Deut 8, 2-3.14b-16a ; 1 Cor 10, 16-17; Jo 6, 51-58.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Tabuaço - Festa da Vida - 8.º ano da Catequese

       Os meses de maio e de junho são especialmente dedicados às festas da Catequese. Neste sábado, 14 de junho, foi a vez dos jovens do 8.º ano fazerem a sua festa, com uma referência muito particular à Vida, acolhida como dom, mas simultaneamente como tarefa a construir, a edificar, com os outros, com a ajuda da comunidade crente, com o compromisso de viver bem, de viver com os outros e para os outros, de deixar que a Fé seja Luz que guia as suas escolhas.
       Algumas imagens desta belíssima celebração:
Para as restantes imagens disponíveis visitar a página da

domingo, 15 de junho de 2014

Christoph Schörborn - CRISTO na EUROPA

CHRISTOPH SCHÖNBORN (2014). Cristo na Europa. Uma fecunda interrogação. Prior Velho: Paulinas Editora. 48 páginas.
       Um texto denso do Cardeal de Viena de Áustria, que foca a relação entre Cristianismo e Europa, com a sua identidade. Por um lado, o cristianismo como fundamento da Europa/Ocidente, mas, ao mesmo tempo, como um corpo estranho, cada vez mais estranho. Os valores da liberdade, da dignidade humana, de igualdade, emergiram com o Cristianismo. Todos filhos de Deus. Dignidade por sermos imagem de Deus, irredutível, pelo que não pode ser destruído. Unidade da espécie humana, na diversidade de pessoas e de culturas. A um momento, o Cristianismo trouxe ao Ocidente valores da vida, da dignidade, da igualdade. Noutro momento parece que a Europa prescinde do cristianismo para se sentir plenamente livre.
       O cristianismo sempre foi estranho ao império, ao poder. É um fundamento bíblico. O próprio Jesus, na Oração Sacerdotal, o acentua, dizendo que os discípulos estão no mundo mas não são do mundo. No entanto, quando o cristianismo assume a sua missão, ser no mundo como o sal na comida, sem estar a fazer concorrência com os poderes estabelecidos, tudo corre bem. Quando se coloca em concorrência com outros poderes, como sucedeu pela Idade Média, é mau para o cristianismo e para a Europa, para o poder.
       Por outro lado, o facto de se verificar, por parte dos poderes do mundo, e da sociedade, rejeitarem ou privatizarem o cristianismo, a fé, a religião, isso não tem significado libertação, pelo contrário, assiste-se ao recrudescer da violência, da destruição, do não reconhecimento da dignidade humana e da própria inviolabilidade da vida humana.
       O cristianismo é fundamento da Europa, do Ocidente. Por outro lado, deve permanecer estranho, para ser fiel a Cristo e um desafio para o mundo do nosso tempo.
       30 páginas para refletir a Europa e a relevância do Cristianismo.

sábado, 14 de junho de 2014

Festa da Santíssima Trindade - 15 de junho de 2014

       1 – “Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”.
       São Paulo, partindo da realidade das comunidades e das tensões próprias de grupos humanos, sabendo que não é fácil conjugar as variadas sensibilidades, remete para a origem e fundamento da fé e da comunidade: o Deus de Jesus Cristo – o amor do Pai, a graça do Filho, Jesus Cristo, e a comunhão do Espírito Santo. Que todos, embora diferentes, procurem viver com os mesmos sentimentos, em dinâmica de paz.
       2 – Somos pouco trinitários, na Igreja e na sociedade. Existem muitas pessoas e grupos que promovem a corresponsabilidade, a participação de todos, procurando as melhores soluções, criando as condições para que todos se sintam em casa. Porém, o ideal "eu quero, posso e mando" está muito vincado e são demasiadas as situações que vem ao de cima a prepotência, o egoísmo, a imposição das próprias ideias pela chantagem, pelo poder, pelo controlo dos instrumentos de decisão.
       São conhecidos os totalitarismos do passado, as ditaduras derrubadas que em muitos países foram substituídas por outras mais sofisticadas, por vezes mudando o extremo. Para já não falar na ditadura do mercado, a economia, a inflação e os lucros em crescendo, muitas vezes à custa de trabalho escravo. Melhorar os objetivos de produção. Novos objetivos. Mais horas de trabalho, secundarizando a família, a saúde, os tempos de descanso e de lazer, os tempos dedicados a outras atividades humanizadoras, cultura, desporto, religião... Há dias ouvi um comentário que me faz refletir. Uma empresa aumenta o lucro, o funcionário faz mais trabalho pelo mesmo ordenado, então é possível dispensar alguns trabalhadores, ou substituí-los por máquinas automáticas, para que o lucro seja maior. A lógica expectável seria: maior lucro para manter os postos de trabalho e eventualmente empregar mais pessoas, melhorando as condições de trabalho e a sustentabilidade da empresa.
       Olhando para as últimas eleições europeias, em que a maioria simplesmente ficou em casa, indiferente ou como protesto, uma das leituras possíveis é o cansaço e a desconfiança das pessoas em relação àqueles que nos governam, prevalecendo minorias que se impõem pelo radicalismo de posições. O descontentamento beneficiou os partidos e ideologias mais fixistas, mais radicais, mais extremistas, onde prevalece o líder como o único a decidir e a pensar e todos os outros seguem atrás, ou diluindo as ideias próprias num projeto impessoal do partido. Reclama-se por uma refundação da democracia, mas o desejo, expresso em votos, é promover alguém que obrigue, imponha, expulse, exclua, vire costas aos que não são da família ou não têm a mesma ideologia ou a mesma nacionalidade. E lembrar-nos que o Hitler foi eleito…

       3 – O papa Francisco, tal como fazia em Buenos Aires, tem insistido na cultura do encontro, na cultura do diálogo. Esta cultura implica dar e receber. Todos temos algo de útil e positivo a dar. Todos temos a ganhar recebendo dos outros. Se parto para um diálogo para impor a minha vontade, decidido a não fazer cedências, esperando que os outros renunciem às suas ideias e convicções, pois as minhas propostas são as melhores que se podem encontrar no mercado, não será possível encontrar-me verdadeiramente com o outro. Em vez de diálogo temos monólogo, em vez de encontro, submissão, em vez de compromisso, imposição.
       Em grupos eclesiais, associações, partidos políticos, clubes desportivos, vem muitas vezes ao de cima a prevalência de uma pessoa, ou de um conjunto de ideias que rejeitam tudo o mais, mesmo antes de escutar e/ou avaliar. Veja-se, por exemplo, uma disputa eleitoral. Aquele que ganha, ilude-se, muitas vezes, pensando que as suas ideias são as melhores do mundo. Ora, o eleito pode vencer por diversos motivos, simpatia, competência reconhecida, capacidade de liderança.
       Na cultura do encontro, o diálogo fala e escuta, acolhe e contribui, interage para melhorar propostas, as relações pessoais, familiares, comunitárias, empresariais, profissionais. Se eu sei tudo e ninguém me pode ensinar, em nenhum aspeto, fecho-me a toda a novidade e a toda a riqueza que outros me tragam, deixo de progredir. Um sonho sonhado sozinho não passa de um sonho, um sonho sonhado com os outros torna-se realidade (frase atribuída a John Lennon).
       A evolução humana, social, política, cultural e religiosa, passa pelo diálogo, pelo encontro, pelo contributo de várias pessoas e povos. Há génios e descobertas extraordinárias. Mas ainda assim contam com os outros, a começar pelos genes, pela vida, e por intuições anteriores. Dessa forma, a humanidade avança. O "criador" humano não parte do nada, do vazio, ou de um início absoluto, avança a partir de alguma coisa, de outros, de outras invenções.

       4 – Viver trinitariamente, assumir na vida quotidiana o que professamos na nossa fé cristã coloca-nos imensos desafios, mas que nos engrandecem, descobrindo o melhor de nós e dos outros. Em Deus, a perfeita comunhão de vida e de amor. Três Pessoas, UM só Deus, como Jesus revela na oração sacerdotal: Eu e o Pai somos UM, para que vós sejais UM. Um só Deus, Trindade de Pessoas.
       Quando nos guiamos só por nós, pela nossa intuição, pelo nosso instinto, não passamos de animais entre animais. Também as outras espécies animais se regulam pelo instinto de sobrevivência e proteção dos da sua espécie. Há, a esse propósito, espécies animais que conseguem ser mais eficazes na entreajuda e na sobrevivência, trabalhando em grupo. A nossa inteligência pode e deve levar-nos mais longe. Celebrar o Pentecostes, celebrar a Santíssima Trindade é assumir que o caudal de Amor que circula em Deus se estende e se ramifica em nós e, através de nós, no mundo.
       A vida humana não se reduz à biologia, mas floresce na vida interior, na vida espiritual, na vontade, na reflexão. Somos um TODO, corpo, alma e espírito. Somos corpo que se situa no tempo e no espaço, somos espírito que se enlaça, afetiva e espiritualmente, nos outros.
       O Evangelho mostra-nos como Jesus vive trinitariamente. Dirige-Se ao Pai, evocando a força do Espírito Santo. Em situações concretas desafia os seus discípulos a acolher a novidade do Espírito e o bem que vem dos outros. Como não lembrar aquela missão em que os discípulos foram enviados a anunciar a Boa Nova, com o poder de curar e de expulsar demónios. Ao regressarem, dizem a Jesus o que viram e ouviram e como proibiram outros de agir do mesmo modo, só porque não faziam parte do grupo. A resposta de Jesus é clarificadora: quem não está contra nós, está por nós. Deixai que eles continuem. Não podem fazer algo em Meu nome e estarem contra Mim. O próprio grupo dos discípulos é heterogéneo, na origem, nos interesses, na maneira de ser. Une-os o mesmo amor ao Mestre, ou o poder que esperavam alcançar.

       5 – A cultura do diálogo e do encontro há de conduzir à civilização do amor, de que falava Paulo VI, tema retomado muitas vezes por João Paulo II. É a o AMOR, o Espírito Santo, que une o Pai e o Filho. O Pai que ama, o Filho que é amado, e o Espírito Santo, o Amor que faz a comunhão. É na Trindade que nasce a Igreja. É por amor, para nos salvar, que, em Jesus, Deus assume a nossa frágil condição humana. É por amor que Jesus vai até ao fim, dando a última gota de sangue. É por amor que Deus faz permanecer Jesus, através do Espírito Santo.
       Diz Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».
       A condenação não é querida por Deus. Resulta da nossa liberdade. Podemos recusar o amor, podemos destruir a esperança. Podemos fechar-nos em oposição aos outros. A vontade de Deus é a vida dos homens, a sua salvação. Moisés faz essa experiência de proximidade: invoca Deus que desce da nuvem e vem ao seu encontro. A oração de Moisés ajuda-nos a colocar-nos diante de Deus: «O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade... Se encontrei, Senhor, aceitação a vossos olhos, digne-Se o Senhor caminhar no meio de nós. É certo que se trata de um povo de dura cerviz, mas Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança».
       Apesar da dureza do caminho, e também por isso, Moisés, em nome de todo o povo, pede que Deus caminhe no meio, perdoando os seus, os nossos, pecados.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia: Ex 34, 4b-6. 8-9; 2 Cor 13, 11-13; Jo 3, 16-18.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

ANSELM GRÜN - Que fiz eu para merecer isto?

ANSELM GRÜN (2007). Que fiz eu para merecer isto? A incompreensível justiça de Deus. Prior Velho: Paulinas Editora. 160 páginas.
       O sofrimento, físico, psíquico, espiritual, o sofrimento auto-infligido, ou consequência dos outros ou da natureza, é um tema por demais delicado. É precisamente aqui que o monge beneditino, alemão, Anselm Grün, reconhecido pelos seus conselhos, em palestras, livros publicados, aconselhamento espiritual, como pároco, apresenta mais uma reflexão que pretende compreender o sofrimento e dar pistas para o enfrentar, para o superar, para o aceitar, sabendo-se que cada pessoa é única e que por vezes as palavras são insuficientes para ajudar ou outras vezes são inúteis para quem passa por situações de tormenta, culpabilizando-se ou culpando os outros.
       Para os crentes há sempre uma pergunta que vem ao de cima: por quê eu? Porque é que Deus me fez isto? Sendo eu uma pessoa de bem, que vivi sempre de forma saudável, respeitando os outros, cuidando da alimentação, fazendo desporto, por que é que Deus permitiu que se manifestasse em mim esta doença?
       Embora com riscos, o autor procura mostrar que não adianta muito procurar culpados, mas vale muito levar até Deus o protesto, como fez Job, como fez Jesus, rezar-lhe as próprias mágoas, protestando contra Ele. No final, o nosso coração ficará mais preparado para aceitar a nossa fragilidade e para aceitarmos que Deus ultrapassa sempre os nossos conceitos humanos. O sofrimento pode ser oportunidade para desfazermos a imagem que temos de Deus e por outro lado para erguermos a nossa casa, a nossa vida, sobre a rocha firme que é Deus. Quando edificamos a nossa vida sobre a saúde, os bem materiais, os amigos, poderemos desembocar na desilusão, no desencanto. Edificar a nossa vida a partir de Deus, mesmo que por vezes O não entendamos, é a garantia que a nossa casa sobrevirá a todas as intempéries.
       Como em outros livros do autor que aqui já recomendámos, como Pai-nosso, uma ajuda para a vida, e A sublime Arte de envelhecer, também este lança pistas, sugestões, coloca perguntas, procura na Bíblia, na Filosofia, na Psicologia, na experiência pessoal e sacerdotal, apresentando casos concretos com os quais se deparou ao longo da vida... Sem dogmatismos, com forte confiança em Deus e na dimensão espiritual da pessoa.
       Pelo índice: respostas teológicas ao sofrimento; explicação do sofrimento pelos místicos; relação com experiências concretas de sofrimento (sofrimento provocado pelas pessoas, morte de pessoas queridas, quando o corpo ou a alma adoecem, preocupações com os filhos - homossexualidade, doença e deficiência, doença psíquica, anorexia, toxicodependência), fracasso no trabalho e nas relações (desemprego, separação e divórcio); sofrimento auto-infligido, a catástrofes naturais.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

XI Festival Diocesano da Canção - Desperta para amar

       Participação do GJT (Grupo de Jovens de Tabuaço) no XI Festival Diocesano da Canção Jovem, organizado e promovido pelo SDPJ de Lamego, no Teatro Ribeiro Conceição, no dia 7 de junho de 2014, ficando em 3.º lugar. É mais uma daquelas participações de excelência. Esta música e respetiva interpretação ficava bem em qualquer Festival de inspiração cristã. Garra, melodia, afinação, empatia com a plateia.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Paróquia de Tabuaço - Profissão de Fé - 2014

       Solenidade de Pentecostes e como em anos anteriores, a celebração da Profissão de Fé, com os adolescentes do 6.º ano de catequese. O Pentecostes remete-nos imediatamente para o Sacramento da Confirmação/Crisma, precisamente o Sacramento em que a profissão de fé, a renovação das promessas batismais, o compromisso cristão, são feito pelos crismandos. A Profissão de Fé, como festa da Catequese, prepara e antecipa o Sacramento do Crisma.
Eduarda Pastor, Liliana, Mafalda Azevedo, Margarida Silva, Marco Eduardo, Virgilio Silva, José Pedro, Gustavo Eduardo,Luciano Santos, Marta, Inês Filipa, com as suas catequistas, Luisa Ferraz Serodio e Sónia Castro. Algumas fotografias da Paróquia de Tabuaço:
Para ver o nosso álbum completo visitar:

domingo, 8 de junho de 2014

Desperta para amar - XI Festival Diocesano da Canção


A nossa música, proposta ao XI Festival Diocesano da Canção.
ENSAIO com o prof Abel Rodrigues, ainda sem alguns elementos e instrumentos. Mas um belíssima amostra da Canção:

Desperta para Amar

Em cada despertar, a história chama por mim
Tanta vida para amar, tanta luta a travar
Um mundo inteiro: sofrimentos sem fim
E eu quase a desistir, quase a vacilar

Jesus me diz, a serenar, não receies, não receies amar
Eu venci o mundo! Não se cansem os braços teus
Olha para o Céu, muito tempo para lá chegar
Agora vai, contigo estarei a semear e a louvar a Deus

Em cada olhar, uma prece, uma súplica
Tantos corações magoados, cansados de amar
Um mundo inteiro e tanta injustiça
Que me desanimam antes de começar.

Em cada nuvem carregada, de lágrimas a verter
Tanto a transformar, não sei p’ra onde me virar
Um mundo inteiro: com problemas a crescer
Tem sentido, a favor dos outros, a minha vida gastar

quinta-feira, 5 de junho de 2014

ANSELM GRÜN - A sublime arte de envelhecer

ANSELM GRÜN (2009). A sublime arte de envelhecer e tornar-se uma bênção para os outros. Prior Velho: Paulinas Editora, 176 páginas.
       Voltámos a sugerir um livro de Anselm Grün, o monge beneditino que é considerado um verdadeiro guia espiritual, através dos seus escritos, das conferências e seminários em que participam, refletindo a vida com as complexidades da morte, do sofrimento, do mal, da fé, da doença.
       A reflexão proposta anteriormente: PAI-NOSSO, uma ajuda para a vida: AQUI.
       Neste volume a reflexão sobre a arte de envelhecer. Embora esteja no horizonte de todas as pessoas ir envelhecendo, é necessário adaptar-se, renunciar, lidar com a perda e o sofrimento, com as limitações físicas e mentais, aprender a conviver com a própria morte e transformá-la numa dádiva de comunhão, como fez Jesus Cristo. Na morte, já nada nos separará dos outros. Somos mais iguais.
       O prefácio está a cargo do Pe. Vítor Feytor Pinto, durante muito tempo ligado diretamente às questões da Vida, toxicodependência, Sida,, cuja experiência e sabedoria lhe permitem fazer uma leitura assertiva sobre a temática presente.
       O autor, Anselm Grün, com 64 anos quando escreveu o texto, fala a partir da experiência de outros, recorrendo à filosofia e à teologia, mas também a outras áreas do saber, como a psicologia. Faz-nos, como se diz no prefácio, conhecer o pensamento de Karl Rahner, Teilhard Chardin, Romano Gurdini, Breemen, Hermann Hesse, e tanto outros. É um excelente livro para os mais velhos, mas também para os mais novos.
       O papa Francisco tem insistido na cultura da inclusão, referindo que os dois extremos, jovens e idosos, são frequentemente esquecidos. No entanto, uma sociedade que esquece o saber, a experiência e a memória dos mais velhos, é uma sociedade condenada a desaparecer.
        É precisamente nesta linha que se desenvolve o pensamento de Grün, sobre o contributo dos mais velhos, mas também, dedicando-lhe muito espaço, com os mais velhos a lidarem com as suas limitações, com a doença, com a falta de forças, renunciando ao poder, renunciando a controlar a vida por inteiro, descobrindo novos afazeres, aprendendo a sublime arte de envelhecer, a paciência, o despojamento.
       Veja-se o índice: O significado da velhice; Aceitação da própria existência (reconciliação com o passado, aceitar os seus limites, aprender a viver com a solidão); Renunciar aos bens materiais, à saúde, renunciar às relações, à sexualidade, ao poder, ao ego; Fertilidade; Envelhecer juntos; Virtudes da velhice - serenidade, paciência, mansidão, liberdade, gratidão, amor; Lidar com os medos e com a depressão; o caminho do silêncio; transcender o ego; treino para a morte.
        É mais um daqueles títulos que até pode ser provocador, mas que se lê com facilidade, pois os exemplos concretos ajudam a entrar dentro dos diversos conteúdos.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Tabuaço: Festa das Bem-aventuranças

       sábado, 31 de maio, Eucaristia vespertina da Ascensão do Senhor, os SETE adolescentes do 7.º ano, a maioria inseridos no Grupo de Acólitos, celebraram a sua festa de catequese, as Bem-aventuranças. Algumas das imagens alusivas a esta festa. No final, a distribuição das Bem-aventuranças a toda a assembleia. Uma celebração muito luminosa, acentuando os laços que nos unem através da vivência das Bem-aventuranças:
Para ver as restantes fotos disponíveis,

domingo, 1 de junho de 2014

Msg do Papa Francisco: Dia das Comunicações Sociais

XLVIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS - 2014

«Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro»

[Domingo, 1 de Junho de 2014]

Queridos irmãos e irmãs,
       Hoje vivemos num mundo que está a tornar-se cada vez menor, parecendo, por isso mesmo, que deveria ser mais fácil fazer-se próximo uns dos outros. Os progressos dos transportes e das tecnologias de comunicação deixam-nos mais próximo, interligando-nos sempre mais, e a globalização faz-nos mais interdependentes. Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões, e às vezes muito acentuadas. A nível global, vemos a distância escandalosa que existe entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres. Frequentemente, basta passar pelas estradas duma cidade para ver o contraste entre os que vivem nos passeios e as luzes brilhantes das lojas. Estamos já tão habituados a tudo isso que nem nos impressiona. O mundo sofre de múltiplas formas de exclusão, marginalização e pobreza, como também de conflitos para os quais convergem causas económicas, políticas, ideológicas e até mesmo, infelizmente, religiosas.
       Neste mundo, os mass-media podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos. Os muros que nos dividem só podem ser superados, se estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros. Precisamos de harmonizar as diferenças por meio de formas de diálogo, que nos permitam crescer na compreensão e no respeito. A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os mass-media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus.

       No entanto, existem aspectos problemáticos: a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correcta de si mesmo. A variedade das opiniões expressas pode ser sentida como riqueza, mas é possível também fechar-se numa esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias, ou mesmo a determinados interesses políticos e económicos. O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos. O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa que, pelas mais diversas razões, não tem acesso aos meios de comunicação social corre o risco de ser excluído.

       Estes limites são reais, mas não justificam uma rejeição dos mass-media; antes, recordam-nos que, em última análise, a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica. Portanto haverá alguma coisa, no ambiente digital, que nos ajuda a crescer em humanidade e na compreensão recíproca? Devemos, por exemplo, recuperar um certo sentido de pausa e calma. Isto requer tempo e capacidade de fazer silêncio para escutar. Temos necessidade também de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que são diferentes de nós: uma pessoa expressa-se plenamente a si mesma, não quando é simplesmente tolerada, mas quando sabe que é verdadeiramente acolhida. Se estamos verdadeiramente desejosos de escutar os outros, então aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e a apreciar a experiência humana tal como se manifesta nas várias culturas e tradições. Entretanto saberemos apreciar melhor também os grandes valores inspirados pelo Cristianismo, como, por exemplo, a visão do ser humano como pessoa, o matrimónio e a família, a distinção entre esfera religiosa e esfera política, os princípios de solidariedade e subsidiariedade, entre outros.
       Então, como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? E – para nós, discípulos do Senhor – que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como é possível, apesar de todas as nossas limitações e pecados, ser verdadeiramente próximo aos outros? Estas perguntas resumem-se naquela que, um dia, um escriba – isto é, um comunicador – pôs a Jesus: «E quem é o meu próximo?» (Lc 10, 29). Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunicação em termos de proximidade. Poderíamos traduzi-la assim: Como se manifesta a «proximidade» no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro. Por isso, comunicar significa tomar consciência de que somos humanos, filhos de Deus. Apraz-me definir este poder da comunicação como «proximidade».
       Quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a que sofreu o homem espancado pelos assaltantes e abandonado na estrada, como lemos na parábola. Naquele homem, o levita e o sacerdote não vêem um seu próximo, mas um estranho de quem era melhor manter a distância. Naquele tempo, eram condicionados pelas regras da pureza ritual. Hoje, corremos o risco de que alguns mass-media nos condicionem até ao ponto de fazer-nos ignorar o nosso próximo real.

       Não basta circular pelas «estradas» digitais, isto é, simplesmente estar conectados: é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro. Não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos. Precisamos de amar e ser amados. Precisamos de ternura. Não são as estratégias comunicativas que garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação. O próprio mundo dos mass-media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas. A neutralidade dos mass-media é só aparente: só pode constituir um ponto de referimento quem comunica colocando-se a si mesmo em jogo. O envolvimento pessoal é a própria raiz da fiabilidade dum comunicador. É por isso mesmo que o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais.

       Tenho-o repetido já diversas vezes: entre uma Igreja acidentada que sai pela estrada e uma Igreja doente de auto-referencialidade, não hesito em preferir a primeira. E quando falo de estrada penso nas estradas do mundo onde as pessoas vivem: é lá que as podemos, efectiva e afectivamente, alcançar. Entre estas estradas estão também as digitais, congestionadas de humanidade, muitas vezes ferida: homens e mulheres que procuram uma salvação ou uma esperança. Também graças à rede, pode a mensagem cristã viajar «até aos confins do mundo» (Act 1, 8). Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condição de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos. Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos. Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja assim? A comunicação concorre para dar forma à vocação missionária de toda a Igreja, e as redes sociais são, hoje, um dos lugares onde viver esta vocação de redescobrir a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo. Inclusive no contexto da comunicação, é precisa uma Igreja que consiga levar calor, inflamar o coração.

       O testemunho cristão não se faz com o bombardeio de mensagens religiosas, mas com a vontade de se doar aos outros «através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana» (Bento XVI, Mensagem para o XLVII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013). Pensemos no episódio dos discípulos de Emaús. É preciso saber-se inserir no diálogo com os homens e mulheres de hoje, para compreender os seus anseios, dúvidas, esperanças, e oferecer-lhes o Evangelho, isto é, Jesus Cristo, Deus feito homem, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e da morte. O desafio requer profundidade, atenção à vida, sensibilidade espiritual. Dialogar significa estar convencido de que o outro tem algo de bom para dizer, dar espaço ao seu ponto de vista, às suas propostas. Dialogar não significa renunciar às próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam únicas e absolutas.

       Possa servir-nos de guia o ícone do bom samaritano, que liga as feridas do homem espancado, deitando nelas azeite e vinho. A nossa comunicação seja azeite perfumado pela dor e vinho bom pela alegria. A nossa luminosidade não derive de truques ou efeitos especiais, mas de nos fazermos próximo, com amor, com ternura, de quem encontramos ferido pelo caminho. Não tenhais medo de vos fazerdes cidadãos do ambiente digital. É importante a atenção e a presença da Igreja no mundo da comunicação, para dialogar com o homem de hoje e levá-lo ao encontro com Cristo: uma Igreja companheira de estrada sabe pôr-se a caminho com todos. Neste contexto, a revolução nos meios de comunicação e de informação são um grande e apaixonante desafio que requer energias frescas e uma imaginação nova para transmitir aos outros a beleza de Deus.

Vaticano, 24 de Janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano 2014.
Franciscus

quinta-feira, 29 de maio de 2014

ANSELM GRÜN - O Pai-Nosso, uma ajuda para a vida

ANSELM GRÜN (2009). O Pai-Nosso. Uma ajuda para a vida autêntica. Prior Velho: Paulinas Editora. 128 páginas
       Monge beneditino, formado em economia e teologia, alemão, Anselm Grün, através dos seus livros, conferências, procura testemunhar os tesouros da vida. É por muitos considerado um guia espiritual, reunindo grandes audiências. Este pequeno livro é mais um desses tesouros que nos dá vontade de o recomendar vivamente e de ler outros escritos deste autor, já temos mais dois títulos entre mãos.
       Grün percorre os diversos pedidos do Pai-nosso, baseando predominantemente no Evangelho de São Mateus, cuja versão desta oração a Igreja privilegiou. O autor interpreta o Pai-nosso a partir, ou enquadrando as 8 Bem-aventuranças. Estas, segundo ele, são a autêntica interpretação da Oração. A interpretação e a vivência de Jesus.
       Rezar o Pai-nosso implica reconhecer-nos filhos do mesmo Pai, do mesmo Deus, aproximando-nos de Jesus, porque rezamos como Ele rezou, com os mesmos sentimentos. Rezar juntos implica uma novo comportamento. A Oração aproxima-nos de Deus, que por sua vez, nos implica a procurar sentir, pensar, e agir como Ele. As Bem-aventuranças desafiam-nos ao despojamento diante dos bens materiais, numa grande confiança em Deus, mas simultaneamente a trabalhar pelo pão de cada dia, sabendo que Deus caminha connosco e nos apoia na luta contra o mal. Por outro lado, a oração leva-nos a imitar Jesus. Uma vez que a sua opção pelos mais frágeis foi o seu estilo, será também o nosso.
       Na parte final, Grün apresenta o Pai-nosso na versão de são Lucas, cuja oração ocupa o centro do Evangelho mas também o livro dos Atos dos Apóstolos. De uma forme acessível, o autor mostra como a oração é eficaz, no caminho que nos torna solidários uns com os outros, nos prepara para as adversidades e nos leva ao encontro do nosso íntimo, onde podemos ouvir a voz de Deus.
       A leitura desta profunda, mas clara, reflexão, vai por certo ajudar-nos a rezar melhor a sublime oração do Pai-nosso, tomando consciência da riqueza espiritual, mas também do compromisso inegável com os outros, que reconhecemos como irmãos desde logo quando reconhecemos que Deus é Pai Nosso, isto é, Pai de todos.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Paróquia de Tabuaço - Entrega do Credo 2014

       O CREDO é o nosso Bilhete de Identidade, ou o nosso Cartão de Cristão (CC), professamos a fé no mesmo Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, na Vida eterna, para agirmos em conformidade com a nossa identidade de irmãos, filhos do mesmo Pai, batizados no mesmo Espírito. O 5.º ano da Catequese preparou-se para receber em festa o CREDO, no sábado, 24 de maio de 2014. É-lhes entregue para o professar com os lábios, o acolher com o coração e para o viver no compromisso com os outros, em Igreja e em sociedade.
       Algumas imagens da Eucaristia com a Entrega do Credo.
       Para mais imagens visitar a página da Paróquia de Tabuaço no Facebook.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

PAGOLA - Pai-nosso. Orar com o Espírito de Jesus

JOSÉ ANTONIO PAGOLA (2012). Pai-nosso. Orar com o Espírito de Jesus. Petrópolis: Editora Vozes, 144 páginas.
       José Antonio PAGOLA é já nossa conhecido destas andanças. Recomendaram-no-lo e agora recomendamo-lo em outras tantas leituras. Sacerdote católico. Professor catedrático. Teólogo, dedicando-se sobretudo à Pessoa de Jesus Cristo.
       Este é um livrinho sobre o Pai-nosso. Sendo a oração mais importante dos discípulos, pois é original. A única oração criada e ensinada por Jesus. Simples. Contém o essencial da Mensagem de Cristo. É um Evangelho breve e simples. Tem o essencial. Há muitos estudos, reflexões, propostas sobre esta oração. E cada livrinho nos pode trazer coisas novas, ainda que o ponto de partida seja Cristo, seja a Sua ligação com o Pai, ligação na qual nos enxerta.
       Pagola reflete, numa primeira parte, nos três pedidos iniciais do Pai-nosso: "Santificado seja", "venha o Teu Reino", "Seja feita a Tua vontade", e nas quatro súplicas: "Dá-nos o Pão", "Perdoa-nos a nossas ofensas", "Não nos deixes cair em tentação", "Livra-nos do mal". Para cada uma das preces, o autor enriquece as suas reflexões com outras passagens do da Sagrada Escritura, mormente com palavras de Jesus Cristo, do Evangelho, com a recorrência dos Salmos, orações também usadas amiúde por Jesus.
       A segunda parte, subdividindo, pelas 7 preces (pedidos e súplicas), num convite à oração do Pai-nosso, com o recurso aos Salmos. Enquanto na primeira parte se valoriza a reflexão, nesta segunda, o convite à oração. Para cada uma das expressões do Pai-nosso, a sugestão de vários Salmos, com os quais nos permite rezar e também perceber melhor a riqueza inesgotável do Pai-nosso.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

João César das Neves - LÚCIA DE FÁTIMA e os seus primos

JOÃO CÉSAR DAS NEVES (2014). Lúcia de Fátima e os seus primos. Lisboa: Paulus Editora. 168 páginas.
       João César das Neves é um conhecido economista, e um reconhecido católico, com intervenções oportunas em diversas áreas, com o pano de fundo da mensagem do Evangelho. Mais um original contributo de um tema incontornável para os católicos (portugueses), o acontecimento de Fátima e as Aparições aos três Pastorinhos, dois deles já beatificados, em 2000, pelo Papa João Paulo II, que se deslocou a Fátima com esse propósito, no dia mais importante, 13 de maio, altura em que foi também revelada a terceira parte do segredo. A Irmã Lúcia viria a falecer cinco anos depois, a 13 de fevereiro de 2005, uns meses antes do Papa João Paulo II, que faleceu a 2 de abril de 2005. Três anos depois, Bento XVI dispensou do prazo para se iniciar o processo de beatificação, que são cinco anos, mas que passados três anos se iniciou o processo.
       O título, desde logo, nos centra no papel preponderante de Lúcia, pela extensão de vida, grande parte dos quais como mensageira da Senhora de Fátima. É do seu testemunho, respondendo aos diversos processos paroquiais, diocesanos, ou em resposta ao Vaticano, seja pelos escritos e pelas respostas que vão dando. O centro de toda a mensagem é DEUS. Outra protagonista é Nossa Senhora. E no serviço de divulgar o amor e a misericórdia de Deus, através da veneração do Imaculado Coração de Jesus e de Maria, os Pastorinhos.
       Se o título nos aponta imediatamente para a irmão Lúcia, o autor não deixa de contextualizar os acontecimentos de Fátima, com o lugar e o ambiente do interior de Portugal, aquela época, a proximidade à primeira guerra mundial, os erros espalhados pela Rússia, os costumes da época, o que envolveu a auscultação dos factos e a evolução dos acontecimentos.
       Antes de Lúcia, os dois primos: Francisco - reservado, decidido, disposto a tudo fazer para consolar Nosso Senhor, sério, não se importando de perder nos jogos. Jacinta - a mais nova. Determinada. Emotiva. A que colhe mais simpatia por parte das pessoas. A primeira a revelar a aparição de Nossa Senhora. Oferece os seus sacrifícios pela conversão dos pecadores, para consolar o Imaculado Coração de Jesus e de Maria, e pelo Santo Padre, a quem vê em grande sofrimento. Sensível, mas ao mesmo tempo corajosa, permanecendo dócil a Nossa Senhora, mas guardando para si o que é necessário guardar. Com a pneumónica sabe que não há nada a fazer, revelação de Nossa Senhora, mas aguenta todos os tratamentos para a conversão dos pecadores e pelo Santo Padre. Morre sozinha.
       Certamente que as Memórias da Irmã Lúcia são imprescindíveis para compreender o acontecimento de Fátima e o desenvolvimento de devoções e da consagração do mundo a Nossa Senhora, o carácter dos seus primos, e o desenrolar das investigações, e os padecimentos a que estiveram sujeitos. No entanto, tem surgido um enorme volume de textos, reflexões, e outras devoções decorrentes da Mensagem de Fátima. João César das Neves apresenta aqui um belíssimo testemunho sobre Fátima, com as PESSOAS incontornáveis nesta Mensagem vinda do Céu, que concorre com Lúcia, Jacinta e Francisco, para fazer chegar o Evangelho mais longe.
        É uma leitura leve, no sentido que é acessível a todos. Em pouco texto diz muito, leva-nos ao essencial. É um daqueles livros sobre o qual não existe dificuldade em recomendar, e que nos permite perceber um acontecimento sobrenatural.