segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Paróquia de Tabuaço | Magusto da Catequese | 2015

       No âmbito da catequese paroquial, o Magusto, no sábado seguinte ao dia de São Martinho (11 de novembro), aberto a toda a comunidade. Este ano caiu no dia 14 de novembro. De uma forma simples, oportunidade para estreitar os laços de amizade.
       Como habitualmente, a celebração da Eucaristia, à volta da mesa da palavra e do altar, para prosseguirmos à volta das mesas preenchidas com castanhas, sumos, e demais iguarias apetecíveis aos mais novos, bolos, pizzas, batatas-fritas.
       Algumas fotos deste momento de confraternização paroquial:

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sábado, 14 de novembro de 2015

XXXIII Domingo do Tempo Comum - ano B - 15.11.2015

       1 – Olhamos a vida, habitualmente, em função do hoje e do amanhã. O passado pode bloquear-nos, retirando-nos a confiança ou permitindo enfrentar o futuro com esperança. O convite da palavra de Deus é para acolher a vida como dom a viver todos os dias e com o olhar fito no nosso encontro definitivo com Deus.
       As contas fazem-nos no fim, mas podemos ir organizando a contabilidade para que no final batam certo, sem precisarmos de medidas extraordinárias. Se vivermos despreocupadamente, sem ligarmos, poderemos aperceber-nos tardiamente que não vivemos com aquela qualidade de vida que nos colocaria em sintonia com a eternidade de Deus e com aqueles que Deus nos deu para cuidar. Viver cada dia (carpe diem) com as suas preocupações e com a confiança em Deus, não nos dispensa do empenho na transformação do mundo, pelo contrário, quanto mais perto de Deus e mais certos do Seu amor por nós mais implicados uns com os outros. Somos filhos de Deus e, tendo Deus por Pai, somos irmãos.
       Quem vai para o mar prepara-se em terra. Quando sabemos ao que vamos torna-se mais fácil lidar com os imprevistos.
       «Depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu». Apesar de todas as contrariedades e contradições que tenhamos de enfrentar, a certeza da salvação.
       Jesus previne os seus discípulos para que sejam ousados e criativos, para que não fiquem pasmados à espera que o Céu lhes caia em cima, mas operem com as qualidades que possuem, com a força do Espírito, pondo os dons a render. «Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».
       Cabe-nos trabalhar para que os tempos se tornem favoráveis a todos.
       2 – Prosseguindo, Jesus utiliza uma imagem da natureza: «Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão».
       Em alguns momentos da história, grupos de pessoas, que aumentaram nos finais de século e milénio, viveram atormentados por estas mensagens apocalípticas (revelações). O que desperta e prende mais a nossa atenção são as más notícias ou revelações catastróficas. Certamente nos lembramos das ocasiões em que Jesus anuncia a sua morte e logo anuncia também a sua ressurreição! Os discípulos fixam-se no anúncio da morte, e daí a tristeza que sentem e as negociatas de lugares que encetam para o tempo após e sem Jesus. Ora também nessas ocasiões, Jesus os prepara, e a nós também, para um tempo novo, assegurando que nunca lhes faltará, mesmo que em alguns momentos pareça que tudo está perdido.
       Hão de ver o Filho do Homem, com grande poder e glória, com os Seus Anjos, a recolherá os eleitos, da extremidade da terra à extremidade do céus, dos quatro pontos cardeais. Eleitos pelo batismo, precisamos de permanecer eleitos, deixando que a Misericórdia de Deus nos molde e nos implique na caridade com todos.
       3 – A primeira leitura apresenta a mesma linguagem apocalíptica. Entenda-se REVELAÇÃO: Deus vem salvar-nos. Não será uma salvação a prazo ou às prestações, mas integral, extensível a todos, vivos e defuntos.
«Surgirá Miguel, o grande chefe dos Anjos, que protege os filhos do teu povo. Será um tempo de angústia, como não terá havido... Mas nesse tempo, virá a salvação para o teu povo, para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus. Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o horror eterno. Os sábios resplandecerão como a luz do firmamento e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão como estrelas por toda a eternidade».
       O texto de Daniel faz emergir, tal como vimos no Evangelho, a mesma dicotomia: por um lado, tempos conturbados, limitados no tempo, e, por outro lado, a salvação de Deus, definitiva. A angústia do tempo presente em nada é comparável com a alegria e a glória de Deus. Poderíamos de novo usar a imagem da mulher que está para ser mãe: as dores do parto darão lugar à alegria e satisfação pelo nascimento do filho. A toma de medicamentos é mais fácil quando há a certeza que vamos melhorar.
       São palavras de conforto e de esperança, para não nos perdermos nas dificuldades, para não cairmos no desencanto e no vazio, para não nos deixarmos abater, por maiores que sejam os tormentos que tenhamos que enfrentar.
       4 – A salvação chega até nós, em plenitude, com Jesus Cristo, Deus que Se assume como Um de nós, em carne e osso, Deus feito homem. Criou-nos por amor e por amor nos salva. Deus envolve-nos com sinais e com bênçãos, com mensageiros e com o próprio Filho.
        Jesus caminha entre nós, em tudo igual a nós, exceto no pecado. Faz-Se "pecado", descendo até às profundezas dos abismos, para nos elevar, redimindo-nos, e nos colocar à direita do Pai.
       A Epístola aos Hebreus acentua a mediação sacerdotal de Jesus. Ele não oferece sacrifícios pelos nossos pecados, como fazem os sacerdotes do Templo, muitas e repetidas vezes. Ele oferece-Se a Si mesmo, de uma vez para sempre e a todos redime do pecado e da morte, torna-nos filhos libertos para caminharmos à clara LUZ de um novo dia, de um novo tempo de graça e de salvação.
«Todo o sacerdote da antiga aliança se apresenta cada dia para exercer o seu ministério e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca poderão perdoar os pecados. Cristo, ao contrário, tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício, sentou-Se para sempre à direita de Deus... com uma única oblação, tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica. Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado».
       Estamos salvos porque Ele nos salvou. O que nos pesava foi aniquilado pela morte e ressurreição de Jesus. Agora é tempo de viver em santidade, procurando transparecer o que somos pelo batismo, filhos amados de Deus, que no Filho Jesus Cristo se identificam como irmãos, procurando viver do mesmo jeito.

       5 – Entreguemos (confiando) a nossa vida a Deus, em cada dia, em todas as situações. Ele far-Se-á presente também nas tempestades e angústias que nos afligem. Deus é Pai e Mãe e como tal não nos substitui na nossa vida mas também não cessa de velar por nós e nos querer bem, aqui na terra, cuja temporalidade e humanidade nos sujeita às limitações e contrariedades, e no Céu de onde nos atrai e onde já se encontra, em Cristo, a nossa natureza humana.
       "Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, está nas vossas mãos o meu destino. O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida, alegria plena em vossa presença, delícias eternas à vossa direita" (Salmo).
       A oração reforça a nossa confiança em Deus, a descoberta do Seu amor infinito, e compromete-nos com a história presente. Peçamos-Lhe: "Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de encontrar sempre a alegria no vosso serviço, porque é uma felicidade duradoira e profunda ser fiel ao autor de todos os bens" (Oração de Coleta).
       Ainda que nos falhem as forças, Deus dar-nos-á o alento para prosseguir...

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (B): Dan 12, 1-3; Sl 15 (16); Hebr 10, 11-14. 18; Mc 13, 24-32.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Quadras a São Martinho - Chavães

       No Arciprestado de Tabuaço, o São Martinho celebra-se em Chavães, sendo o Padroeiro, e no lugar de São Martinho, em Adorigo. Convidado pelo Rev. Pároco, Pe. Ildo, ali me desloquei para participar na festa religiosa. Durante a procissão fomos cantando, com as quadras que se seguem, em honra de São Martinho. As quadras assumem a sua vida, desde o nascimento à morte.

Coro – Ao Céu ergamos hinos de alegria
E connosco os cristãos do Algarve ao Minho
Festejamos o Grande São Martinho
Padroeiro da nossa freguesia

1 – São Martinho é de Chavães
Ele é nosso Protector
Ele nos guia e guarda
No caminho do Senhor

2 – São Martinho, São Martinho
Teu povo em Ti tem fé
Para honramos Teu nome
Nos mantém sempre em pé

3 – São Martinho é nosso guia
Pela vida toda em frente
Ele mitiga as saudades
A todos os Emigrantes

4 – Se quiserdes ir ao céu
Imitai a são Martinho
Partiu sua capa ao meio
E deu-a ao pobrezinho

5 – Em coro a Deus louvemos
Com o nosso Padroeiro
E ele nos guarde do p'rigo
No caminho verdadeiro

6 – São Martinho está contente
De nos vir acompanhar
E mostra a toda a gente
Que nos vai abençoar

7 – Obrigado, Tabuaço
Por nos terdes convidado
Com o nosso são Martinho
Iremos a todo o lado

8 – São Martinho, São Martinho
Por Chavães foste escolhido
Sendo sempre Teus vassalos
O céu temos garantido

(Goretti)

1 – Nasceu em terras da Hungria
Duma família pagã
Mas decidiu aos dez anos
Abraçar a fé cristã

2 – Feito soldado do Império
Ingressa em cavalaria
Os perigos da milícia
Supera com valentia

3 – Surge-lhe em manhã de Inverno
Um mendigo a tiritar
Logo corta a sua capa
Para metade lhe dar

4 – Apar'ceu-lhe, com mil anjos
Jesus, no dia seguinte:
Deu-me esta capa Martinho
Quando me fiz de pedinte

5 – Findo o catecumenato
O Baptismo recebeu
Com o bispo Santo Hilário
Sua virtude cresceu

6 – Regressou de novo à pátria
P’ra converter sua mãe
Na luta contra os hereges
Sofreu e venceu também

7 – Taumaturgo do seu tempo
Bispo de Tours sem querer
Em milagres e virtudes
Sempre mais irá crescer

8 – Todo zelo e caridade
Cheio de paz e alegria
Para bem da sua Igreja
Até o céu adiaria

9 – Deitado em cinzas e cilício
Desfeitos os seus em dor
Olhos no céu a sorrir
A alma entrega ao Senhor

(P. Linhares)

domingo, 8 de novembro de 2015

Paróquia de Tabuaço: Festa do Acolhimento | 2015

       Sábado, 7 de novembro, cerca de um mês depois do início da catequese paroquial, a Festa do Acolhimento.
       Esta é a primeira festa da catequese. Visa ACOLHER aqueles que entram pela primeira vez para a catequese. A preocupação que os meninos se sintam acolhidos pelos mais velhos e pela comunidade paroquial. Uma festa simples, mas uma excelente oportunidade para os nossos mais pequeninos saberem que são muito importantes e que a comunidade se alegra com a sua presença, com o seu sorriso, com a vida que trazem à celebração.
       É um momento também essencial para a família das crianças se integrar e se envolver ainda mais na visa da comunidade paroquial.

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sábado, 7 de novembro de 2015

XXXII Domingo do Tempo Comum - ano B - 8.11.2015

       1 – Quando o pouco é tudo e quando o muito é insignificante!
       A vida não é quantificável pela quantidade, mas qualificável pela qualidade, pela intensidade, pelos momentos que fazem a história de uma pessoa, de uma família, de uma comunidade. Há vidas cronologicamente longas que se resumem a muito pouco, sem marcas relevantes na história; há vidas cronologicamente curtas em que são precisas muitas páginas e muitas vidas para absorver tudo o que foi vivido e cuja herança humana perdura para lá do tempo presente.
       Do mesmo jeito a generosidade. Não é comensurável em cálculos matemáticos, mas visualizável no envolvimento da pessoa naquilo que dá: está totalmente comprometida com o que dá e a quem dá? Ou é apenas um descargo de consciência? Ou um gesto mecânico de tradição?
       Jesus – segundo São Marcos – colocou-se em frente da arca do tesouro e observa que muito ricos deitam com ostentação avultadas quantias. Aproxima-se uma viúva (pobre) e deita duas pequenas moedas. Antes Jesus alertava-nos: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas».
       Aqueles que tinham a obrigação moral de zelar por todos e sobretudo pelos mais pobres, entre os quais se contavam viúvas e os órfãos, ocupam os lugares para se servirem e usarem de diversas artimanhas para explorar as pessoas mais simples.
       Atento ao gesto daquela viúva pobre, Jesus diz aos seus discípulos: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».
       O próprio Jesus explica por que é que aquela mulher dando tão pouco deu tanto, deu muito mais que outros. Dizia a Madre Teresa de Calcutá, que "o amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque... o importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá”. De forma semelhante relembrava o Papa Francisco: "Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói" (Mensagem para a Quaresma, 2014).
       2 – Elias, um dos profetas mais ilustres do povo eleito, experimenta a generosidade e a grande fé de um pobre viúva, que na míngua de bens, se prepara, juntamente com o filho, para se entregar à morte.
       Seguindo a Palavra de Deus, Elias afasta-se de Israel, povo ao qual pertence e que se encontra sujeito a um tempo de provação e purificação por se ter afastado de Deus. Elias refugia-se em Sarepta, cidade da Fenícia, onde será acolhido por uma viúva, que sobrevive à custa das esmolas, cada vez mais escassas em tempo de fome, pelo que lhe soa estranho o pedido de Elias: «Por favor, traz-me uma bilha de água para eu beber... Por favor, traz-me também um pedaço de pão».
       Começa a desenhar-se um tempo novo em que a confiança em Deus prevalece além das dificuldades atuais. Responde-lhe a mulher: «Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus, eu não tenho pão cozido, mas somente um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na almotolia. Vim apanhar dois cavacos de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho. Depois comeremos e esperaremos a morte».
       Certo da promessa de Deus, Elias replica: «Não temas; volta e faz como disseste. Mas primeiro coze um pãozinho e traz-mo aqui. Depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Não se esgotará a panela da farinha, nem se esvaziará a almotolia do azeite, até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’».
       Genericamente sabemos que contamos sobretudo com a generosidade daqueles e daquelas que passaram ou passam privações, pois sabem melhor o que custa a vida. Refira-se, obviamente, que a pobreza (espiritual) autêntica é, antes de mais, a abertura a Deus e a disponibilidade para cuidar do outro, usando a vida, os dons e os bens, como instrumento beneficente de todos.
       3 – A Deus não escapa o mais pequeno gesto de amor. Nem um copo de água dado em Seu nome ficará sem recompensa (cf. Mt 10, 42).
       Aquela viúva fez conforme Elias lhe pediu. Sentaram-se juntos para comer a mãe e o filho e o profeta. O profeta comprova a promessa de Deus através daquela família que o acolhe, o guarda, protege e o alimenta. E por sua vez, a viúva de Sarepta, com o seu filho, pode comprovar a fidelidade de Deus que não lhe faltará em tempos de carestia. Desde que Elias chegou que não se esgotou nem a farinha nem o azeite.
       Deus não falta àqueles que n'Ele põem a sua confiança.
       A vida, porém, coloca-nos diante de tantas encruzilhadas que em alguns momentos não percebemos de que forma Deus nos manifesta o Seu amor. Na dúvida, prossigamos com o nosso compromisso com os outros. Reconhecendo a nossa pobreza (espiritual), abramo-nos à graça de Deus, deixemos que através de nós Deus chegue a todos e especialmente aos mais frágeis.
       O Salmo com que respondemos à Palavra de Deus fala-nos da atenção que merecem os mais desfavorecidos. O proceder de Deus há de conduzir-nos a agir do mesmo jeito, com o mesmo amor, a mesma delicadeza, a mesma misericórdia. «O Senhor faz justiça aos oprimidos, dá pão aos que têm fome e a liberdade aos cativos. O Senhor ilumina os olhos do cego, levanta os abatidos, ama os justos. O Senhor protege os peregrinos, ampara o órfão e a viúva e entrava o caminho aos pecadores».
       "Eu bem vi a opressão do meu povo... e ouvi o seu clamor... conheço os seus sofrimentos" (Ex 3, 7). "Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o e liberta-o das suas angústias" (Sl 34, 7). Deus desce ao Egipto para libertar o povo da opressão e fá-lo por intermédio de Moisés. Deus age na história atual e faz-Se presente aos mais pobres contando connosco: o que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmão a Mim o fareis (cf. Mt 25, 40).

       4 – Jesus Cristo, sendo rico, fez-Se pobre para nos enriquecer com a Sua pobreza (cf. 2 Cor 8,9). Aquela viúva, que na sua penúria, deu tudo quanto tinha, para que o Templo continuasse a ser lugar de encontro com Deus. A viuvez feminina era habitualmente acompanhada com a pobreza, a não ser que tivesse filhos homens, um segundo casamento, ou a família fosse generosa e a acolhesse. Uma e outra viúva confiam em Deus. Pobres, dão o que têm. A viúva depende das esmolas e ainda assim dá do que recebe. E quem dá do que lhe dão é amigo de coração.
       Ora Deus dá-nos o melhor que tem para nos dar, o Seu próprio filho.
       Em Cristo, Deus faz-Se um de nós e oferece-Se por nós. Vem do Céu, vem de Deus, «Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor».
       Como Sumo-sacerdote, Jesus oferece-Se de uma vez para sempre. Chegada a plenitude dos tempos, destrói o pecado, sacrificando-Se a Si mesmo. Não oferece sacrifícios, oferece-Se, tomando sobre Si os pecados da multidão para a todos nos salvar. Esta é a fonte de toda a caridade e de todo o bem. Como seus seguidores, iluminados pela viúva de Sarepta e pela viúva do Evangelho, a certeza que não basta darmos, será sempre inevitável darmo-nos, entregarmo-nos, colocarmos o melhor de nós mesmos na atenção e no cuidado aos outros.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (B): 1 Reis 17, 10-16; Sl 145 (146); Hebr 9, 24-28; Mc 12, 38-44.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

ÓSCAR ROMERO - A IGREJA NÃO PODE CALAR-SE

ÓSCAR ROMERO (2015). A Igreja não pode calar-se. Escritos inéditos 1977-1980. Prior Velho: Paulinas Editora. 144 páginas
       D. Óscar Romero nasceu a 15 de agosto de 1917, na Cidade de Barrios. Aos 13 anos entrou no Seminário. Foi ordenado sacerdote a 4 de abril de 1942, em Roma, onde se encontrava a efetuar estudos na Universidade Gregoriana.
       Em 1970, foi sagrado Bispo. Tinha 53 anos.
       Em 15 de outubro de 1974, torna-se Bispo de Santiago de Maria.
       Em 3 de fevereiro de 1977, foi escolhido para Arcebispo de São Salvador, assumindo a Arquidiocese a 22 de fevereiro.
       É assassinado por um profissional, com um só disparo, uma bala de fragmentação no peito, a 24 de março de 1980, enquanto celebrava Missa. Tinha 62 anos de idade.
       Esta breve biografia permite-nos situar no tempo e no espaço o Bispo que ofereceu a vida pelo povo de Salvador. Como sacerdote procurou manter-se íntegro, na fidelidade ao Evangelho e à Igreja, mormente na unidade com o magistério papal.
       Um homem decidido. Quando foi necessário ir mais longe para defender os mais pobres não hesitou em usar os meios que tinha ao alcance para exigir justiça social, ordenados justos, atenção aos mais desfavorecidos. A oração e o Evangelho como ponto de partida e de chaga. A conversão a Jesus. A sociedade só se transformará com a conversão. Não adianta transformar as estruturas se os corações não mudarem.
       Em 10 de março de 1977, pouco tempo depois de tomar posse da Arquidiocese, foi assassinado o padre Rutilio Grande, juntamente com ele, dois camponeses, um idoso e um rapaz. A partir de então, as intervenções de D. Óscar Romero, no púlpito, na rádio, nos jornais, nos encontros com diversas pessoas, serão ocasião para reafirmar o Evangelho da caridade e do serviço, da liberdade e da dignidade humanas. Nas homilias eram relatados os casos que se iam sucedendo de perseguição àqueles que se opunham ao regime. D. Óscar Romero coloca-se ao lado dos mais pobres, mas além das facções de esquerda ou de direita. É acusado por uns e por outros. As suas palavras e os seus gestos visam a libertação integral de todos, de cada pessoa. Pede oração e Evangelho.
       Neste livro são recolhidos textos de cartas, mensagens, em que se vê a coerência das intervenções. O que diz em público defende-o também em privado. Conselhos, pensamentos, selecionados e comentados por Jesús Delgado, um dos seus primeiros biógrafos.
       Quase sempre pede à pessoa que lhe escreve que reze, que reflita, que leia o Evangelho. Por vezes refere os capítulos específicos que deve rezar aquele/a que lhe escreve. Elucida sobre a mensagem cristã, aponta caminhos, sugere ponderação, que passa inevitavelmente pela oração. Pede que rezem pelos perseguidores, pelos soldados, por aqueles que recorrem à violência.
       Numa das cartas, recomenda ao seu interlocutor, que faz questão em ouvir pela rádio  as suas homilias, que é preferível que vá à Missa, ou arranjar um horário para conciliar.
       O compromisso pela conversão é extraordinariamente explícito, mas firme na denúncia e na procura de ajudar os que se encontram em situações desesperantes.
       Já aqui recomendámos a Biografia D. Oscar Romero, de Roberto della Rocca, onde se encontram alguns trechos de homilias e/ou intervenções. Estes escritos inéditos poderão comprovar o quanto se disse na biografia e ao mesmo tempo permitem ler os textos do próprio, percebendo-se a sua sensibilidade e o amor a Jesus Cristo e à Igreja, no compromisso pelos outros, rementendo-nos para o capítulo 25 de São Mateus: o que fizerdes a um dos meus irmãos mais pequeninos a Mim o fazeis!

domingo, 1 de novembro de 2015

Roberto della Rocca - OSCAR ROMERO - A biografia

ROBERTO MOROZZO DELLA ROCCA (2015). Oscar Romero. A biografia. Braga: Editorial A.O., 232 páginas.
       No dia 3 de fevereiro de 2015, o Papa Francisco aprovou o decreto de beatificação D. Óscar Romero (1917-1980). Alguns dias depois, a 23 de maio de 2015, na Praça do Divino Salvador do Mundo, em São Salvador, foi proclamado Beato, em celebração presidida pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.
       D. Óscar Romero nasceu a 15 de agosto de 1917, na Cidade de Barrios. Aos 13 anos entrou no Seminário. Foi ordenado sacerdote a 4 de abril de 1942, em Roma, onde se encontrava a efetuar estudos na Universidade Gregoriana. A estadia em Roma moldou o amor ao Papa, a fidelidade à Igreja, a devoção a São Pedro e a São Paulo. Em plena Segunda Guerra Mundial, Romero saiu de Roma para voltar a Salvador, fixando-se em São Miguel como pároco e logo como secretário do Bispo local. Segundo o biógrafo, Romero era amado e respeitado, pois conhecia e interpretava o sentir do povo. Alguns acusavam-no de comunismo. Por inveja. Romero não fugia aos conflitos. Não gostava da controvérsia, mas acabava por ser um jornalista combativo e polémico, não deixando de criticar abertamente o comunismo que procurava "desenraizar do homem qualquer sentimento religioso". Procurava a sintonia ao Papa, nomeadamente a João XXIII, colocando-se numa atitude de diálogo prudente e sincero para construir o mundo comum a todos. Também o estado liberal é criticável, tal como a influência maçónica.
       Em 1964, Romero foi acusado de ingerência em questões políticas e ameaçado com o tribunal.
       Em 1965, Romero era o padre mais ativo, mais culto, mais prestigiado de São Miguel. Tinha boas relações com o núncio apostólico, mas as relações com o clero não eram as melhores. Foi nomeado um Bispo auxiliar, norte-americano, quatro anos mais novo que Romero.
       Em 8 de junho de 1967 é nomeado como Secretário da Conferência Episcopal de El Salvador (CEDES). A notícia espalhou-se na diocese de São Miguel que protestou junto do núncio para que Romero regressasse. A gente simples estava com Romero. Romero convidou os diocesanos de São Miguel à obediência ao Bispo titular. Como secretário da CEDES, aproximou-se de Monsenhor Chávez, Arcebispo de São Salvador, que lhe pedia trabalhos pastorais na arquidiocese. A partir de maio de 1968, tornou-se secretário da SEDAC (Secretariado Episcopal da América Latina).
       Em 1970, foi sagrado Bispo. Tinha 53 anos. Em 15 de outubro de 1974, torna-se Bispo de Santiago de Maria.
       Fiel ao magistério (sobretudo) papal, tinha palavras duras para os teólogos da libertação, que não compreendiam que a verdadeira libertação era do pecado, vinha da cruz de Jesus e não apenas da militância política. Sintonizava com o Bispo Eduardo Pironio, sublinhando que este expressava com sabedoria e equilíbrio a teologia da libertação, e que sobressaia pela humildade, cultura e humildade.
       Em 3 de fevereiro de 1977 foi escolhido para Arcebispo de São Salvador, assumindo a Arquidiocese a 22 de fevereiro.
       Não teve tempo para descansar na missão que assumia. Depois de várias tomadas de posição, conjuntamente com outros Bispos, e com o pulsar da Igreja, mostrando como a repressão não era a solução, mas a justiça social, a partilha, a atenção aos pobres, a distribuição da riqueza, em 10 de março de 1977, foi assassinado o padre Rutilio Grande, juntamente com ele, dois camponeses, um idoso e um rapaz. D. Óscar Romero, muito amigo de Rutilio, ficou muito perturbado. Foi a partir de então que se dá o que o inimigos ou oportunistas chamam de "conversão", mas que o próprio refere como "Fortaleza", dom do Espírito Santo.
       A intervenção de D. Romero será mais concreta, permanente, do púlpito, pela rádio, pela impressa da Arquidiocese, me reuniões oficiais e privadas, intervindo a libertar sacerdotes ou famílias, distanciando-se e a Igreja de qualquer ideologia ou compromisso político, A Igreja defende o bem, venha de onde vier e condena o mal, seja da esquerda seja da direita. Ao longo do seu magistério, na Arquidiocese e em todo o país, a Igreja é perseguida, sacerdotes e agentes da pastoral, presos, torturados, mortos e, os estrangeiros, expulsos.
       Em relação à Teologia da Libertação, alerta para o risco de se tornar uma vertente do marxismo, fixando-se apenas na vertente temporal. Oscar Romero perfilha a opção preferencial pelos mais pobres, mas sempre em lógica de libertação integral, na abertura ao transcendente. Não se podem mudar as estruturas sem a conversão, sem mudar os corações. Prefere a Teologia da Salvação. Cristo, pela Sua cruz, redime o homem todo. Ligação permanente ao Evangelho, ao magistério dos Papas, às conferências de Medellin e Puebla. De algum modo, Romero antecipa aquela que será a posição da Santa Sé, nomeadamente da Congregação da Doutrina da Fé, presidida pelo então Cardeal Ratzinger: a opção preferencial pelos mais pobres é cristológica. Cristo veio para libertar o Homem todo: o que fizerdes ao mais pequenino dos irmãos a Mim o fazeis. Romero não se opõe à Teologia da Libertação, mas purifica-a com a cristologia. Só há libertação autêntica com a cruz redentora de Jesus Cristo. | Em relação à Teologia da Libertação vale a pena ler o que escreveu sobre Romero aquele que é considerado o Pai da Teologia da Libertação, Gustavo Gutiérrez: ROMERO, o BISPO QUE MORREU PELO POVO. Poderia sublinhar-se que a acentuação de Romero acerca da Teologia da Libertação se enquadra nas reflexões de Gustavo Gutiérrez.
       As relações com a Santa Sé também não foram fáceis, sobretudo quando intermediadas com os núncios ou com enviados papais. Os encontros com o Papa Paulo VI e com João Paulo II transmitiram-lhe confiança, solidariedade, coragem para combater as injustiças, anunciar o Evangelho, testemunhar pelo serviço e pelo compromisso com os mais pobres.
       As ameaças foram aumentando de tom, como os atentados contra a Igreja. Ora a esquerda ora a direita. Qualquer intervenção de D. Romero tinha uma leitura "política", ainda que ele sublinhasse a equidistância do Evangelho e da fé em relação a qualquer facção. A Igreja seria uma terceira via.
       Outros dos aspetos vincados, é a inveja, o ódio, vindo de dentro, dos seus colegas de episcopado, mormente do Bispo Auxiliar, que faziam queixas ao núncio ou à Congregação dos Bispos. A sua ascensão a Arcebispo de São Salvador não agradou a muitos, mais velhos, com pretensões a tão elevada dignidade, mas também o sucesso que Romero tinha nas suas intervenções que era lidas e/ou ouvidas, comentadas e seguidas pelo clero de outras dioceses. Onde chegavam era cercado por crentes e pelos jornalistas. Foram várias as tentativas para o depôr. O autor sugere que a sua morte foi precipitada aquando da certeza que não seria substituído. A única forma de o calar foi matá-lo.
       Ainda lhe sugeriram seguranças, ou a retirada, por exemplo, para Roma. A decisão foi a fé, o testemunho. Se os cristãos de São Salvador não têm proteção também o seu Bispo não a pode ter. Se os cristãos são mortos sem razão, o Pastor tem que se manter no seu posto, testemunhando a fé, dando coragem a todos. "Seria um contratestemunho pastoral se pudesse mover-me seguro, enquanto o meu povo vive no perigo... o meu dever obriga-me a andar com o meu povo; não seria justo dar um testemunho de medo. Se a morte vier, será o momento de morrer como Deus quis".
       É assassinado por um profissional, com um só disparo, uma bala de fragmentação no peito, a 24 de março de 1980, enquanto celebrava Missa. Tinha 62 anos de idade. O funeral foi a 30 de março, Domingo de Ramos, na Plaza de Barrios e não chegou ao fim. Uma explosão colocou em perigo uma imensa multidão, cujo pânico provocou dezenas de mortes.
       Foi uma morte por ódio à fé. E essa é a razão para ser reconhecido como mártir pelo Papa Francisco. Porquê uma demora tão grande? Explica Bento XVI: "Monsenhor Romero foi certamente um grande testemunho da fé, um homem de grande virtude cristã que se empenhou pela paz e contra a ditadura e que foi morto durante a celebração da Missa. Portanto, uma morte verdadeiramente credível, de testemunho de fé. Havia o problema de uma facção política o querer assumir como bandeira, como figura emblemática, injustamente. Como fazer vir à luz verdadeiramente a sua figura, purificando-a destas tentativas de instrumentalização? Este é o problema. Não duvido que a sua pessoa merece a beatificação" (9 de maio de 2007). Bento XVI reavivou o processo que conduziu à beatificação de D. Óscar Romero.

sábado, 31 de outubro de 2015

Solenidade de Todos os Santos - 1.novembro.2015

       1 – A santidade não passa de moda.
       A expressão de Bento XVI dá título a um livro da Editorial Franciscana que recolhe as suas reflexões: "A santidade não passa de moda, por isso, com o decorrer do tempo, resplandece de forma luminosa e manifesta a tensão perene do homem em relação a Deus".
       O Vaticano II relembra a vocação universal à santidade: "Todos os cristãos, de qualquer condição ou estado, são chamados pelo Senhor a procurarem, cada um por seu caminho, a perfeição daquela santidade pela qual o Pai celeste é perfeito" (LG 11).
       O mandato original é de Jesus Cristo: «sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está no céu» (Mt 5, 48). Jesus revela-nos a santidade de Deus, traduzindo-a na Sua vida como oferenda plena a favor da humanidade, com a expressão perfeita na Sua paixão redentora, mas visualizável na Sua conduta, na proximidade com os mais frágeis, doentes, pecadores, publicanos, mulheres de vida complicada, crianças, estrangeiros; sem excluir ninguém mas na opção preferencial pelos mais pobres.
       São João XXIII desafia-nos a traduzir a fé em obras, como o apóstolo São Tiago: "as palavras movem; os exemplos arrastam". O seu Sucessor, Beato Paulo VI, acentua a mesma necessidade: «O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas que os mestres ou então se escuta os mestres, é porque são testemunhas». Belíssima expressão de São João Paulo II: "Onde passam os santos, Deus passa com eles". E também a Beata Teresa de Calcutá: "A santidade não é qualquer coisa de extraordinário, não é um luxo para alguns eleitos. A santidade é para cada um de nós um simples dever".
       No dia 18 de outubro, o Papa Francisco canonizou os Pais de Santa Teresa do Menino Jesus, São Louis Martin (1823-1894) e Santa Zélie Guérin Martin, pondo em evidência que a santidade é para todos e em diferentes situações. Em 2001, João Paulo II tinha beatificado um casal italiano, Luís e Maria Quatrochi, pelo seu amor e serviço à família e à vida.
       2 – A solenidade de Todos os Santos sintoniza-nos com a eternidade de Deus, junto de Quem se encontram multidões de crentes. Na linguagem simbólica do Apocalipse, "cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel". É, com efeito "uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas".
       O número mil significa multidão! 144 mil são multidões de pessoas, originárias de todos os povos, línguas e nações. A santidade, como a salvação, não é um privilégio de uma elite, de uma qualquer classe, não é exclusivo de um grupo de puros. Está ao alcance de todos, em toda a parte, em todo o tempo. Só Deus é santo. É esta santidade que recebemos no batismo. A graça de Deus abre-nos as portas da eternidade. A morte de Jesus pleniza a Sua entrega a favor da humanidade; a Sua ressurreição mostra a validade do Seu projeto de amor, no tempo e na abertura à eternidade.
       É o amor de Deus que nos santifica, assumindo-nos como filhos no Filho: «Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro».
       3 – A multidão dos Anjos e dos Santos que estão diante do Cordeio de Deus são esperança e desafio. A nossa fé compromete-nos com a eternidade. Em Jesus Cristo, Deus vem morar comigo e contigo, faz em nós a Sua morada. Cristo mostra-nos o caminho da vida eterna.
        Não corremos às apalpadelas ou ziguezagues. Ele segue connosco. Fez-Se um de nós, assumindo-nos na inteireza da nossa carne, da nossa fragilidade e da nossa finitude. Quando o Seu tempo cronológico no meio de nós se esgotou, não nos abandonou à nossa sorte, confiou-nos a Palavra, os Sacramentos, assegurou a Sua presença, pelo Espírito Santo. Ficou também nos pobres, nos mais frágeis de entre nós, onde O podemos encontrar.
       O caminho para O encontrarmos, imitando-O, está contido nas Bem-aventuranças:
«Bem-aventurados os pobres em espírito... os humildes... os que choram... os que têm fome e sede de justiça... os misericordiosos... os puros de coração... os que promovem a paz... os que sofrem perseguição por amor da justiça... Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».
       Diz-nos o Beato Óscar Romero: "A opção da Igreja é este texto de Cristo: as Bem-aventuranças... Que quero mais? Esta é a riqueza do coração daquele que é pobre e humilde e fundamenta a sua felicidade, não nas coisas transitórias, que acabam com a morte e o tempo leva embora, mas naquilo que é consistente, como é a sabedoria de Cristo, a Sua justiça, a Sua santificação, a Sua redenção". Os pobres são bem-aventurados porque põem a sua riqueza n'Aquele que sendo rico Se faz pobre para nos enriquecer com a Sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9).
       As Bem-aventuranças agrafam-nos ao Caminho de Jesus, estrada aberta para a eternidade. Deus santifica-nos para que transpiremos a santidade na nossa vida e a comuniquemos aos outros.
       4 – As circunstâncias foram mudando, como as pessoas, as estruturas, a modernização de vias de comunicações, a aproximação entre pessoas, entre povos, as descobertas que facilitaram muito a vida. Nunca como antes, as distâncias se encurtaram. Apesar de tantos ganhos científicos e tecnológicos, o anúncio do Evangelho, a vivência das Bem-aventuranças, a promoção dos valores da dignidade humana, da verdade e do bem, a vida humana como um dom de Deus e não como estorvo, são tarefa inadiável para todos os cristãos.
       Não há cristãos descomprometidos com a santidade. Nas primeiras comunidades, os seguidores de Jesus Cristo eram chamados santos ou eleitos. Posteriormente passaram a ser chamados de cristãos. Mas o conteúdo é o mesmo. O cristão é de Cristo, há de transparecer Cristo. Se Ele é santo e respira a santidade do Pai, o cristão há transparecê-l’O santamente.
       Somos mártires do Evangelho, da fé cristã. Talvez não tenhamos necessidade de dar a vida, mas também a damos na medida que praticamos a caridade, o cuidado para com os mais desfavorecidos. «Dar a vida não significa apenas sermos mortos; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto das obrigações; é dar a vida pouco a pouco, no silêncio da vida quotidiana, como a dá a mãe que, sem medo, com a simplicidade do martírio materno, dá à luz, faz crescer e acode com afeto o seu filho» (Beato Óscar Romero).

       5 – O livro do Apocalipse, diante das dificuldades e das perseguições à Igreja, preconiza a esperança no Deus de Jesus Cristo, que já venceu as trevas. Os que estão diante do trono aclamando a salvação de Deus «são os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».
       A perseguição à Igreja é uma constante. Os últimos anos têm sido terríveis. Milhares de cristãos são mortos. A mais recente carnificina tem um remetente bem conhecido: o estado islâmico. Ir à Missa, ter uma Bíblia em casa, apresentar-se como cristão é como colocar a cabeça debaixo da guilhotina.
       Mas também nos nossos meios precisamos de ser mártires. Não podemos simplesmente ir com as aragens do tempo e da moda que passa. A militância na vida cultural, política, social deve ser injetada com a alegria e a verdade do Evangelho. Cada lei contrária à vida é um atentado à fé, melhor, é um atentado à humanidade e à civilização do amor. Com facilidade se levantam vozes contra aqueles que defendem a vida. Com sentido de missão temos de testemunhar a vida. Não se trata de perseguir ou atacar pessoas ou organizações, mas de defender os mais frágeis e que, ontem como hoje, continuam a ser sacrificados no altar dos direitos e das liberdades pessoais e lobistas.

       6 – Tudo nos vem de Deus. Quando nos faltar o ânimo, a luz, a coragem, quando nos desviarmos do caminho e nos perdermos, quando o sofrimento nos toldar o olhar e a confiança, saibamos que Deus é Pai. Falemos com Ele: "Deus eterno e omnipotente, que nos concedeis a graça de honrar numa única solenidade os méritos de Todos os Santos, dignai-Vos derramar sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia".

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (B): Ap 7, 2-4. 9-14; Sl 23 (24); 1 Jo 3, 1-3; Mt 5, 1-12a.

Quem se humilha será exaltado...

       Disse-lhes Jesus: "Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado" (Lc 14, 1.7-11).
       Jesus vai a casa de um dos principais fariseus, em dia de Sábado, tomar uma refeição. Como em muitas outras ocasiões aproveita a oportunidade para pôr os fariseus e os discípulos a reflectir sobre a fama e o serviço. A opção de Jesus é o serviço na caridade.
       Alguns escolhem o primeiro lugar. Com a ocasião, Jesus contextualiza mais um ensinamento importante para os crentes, contando uma parábola, que pode muito bem ter acontecido muitas vezes, para nos dizer claramente que só a humildade nos abre verdadeiramente o coração de Deus mas também o coração dos outros.
       Se nos colocarmos numa situação de prepotência e arrogância só afastamos as pessoas. Do mesmo modo em relação a Deus.
      A primeira lição é muito prática: quando se é convidado, não se ocupa o primeiro lugar, mas um dos últimos ou aguarda-se que venha aquele que convidou e indique o lugar. Neste caso não haverá o risco de se se preterido para um lugar secundário.
       Mas a mensagem vai mais longe. Em vez de esperar ser servido, colocar-se ao serviço. Em vez de aguardar a fama, usar de caridade. Não se trata aqui de um propósito de se infligir a humilhação, pela humilhação, com o objetivo que alguém repare e possa exaltar. Neste caso é uma falsa humildade. Trata-se sim de optar pela caridade, como um bem que nos faz bem ao coração e à vida, não esperando aplausos em troca, mas tão somente a alegria de se saber amado por Deus e de saber que se prossegue a vontade do Senhor.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

É lícito ou não curar ao sábado?

       Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus, para tomar uma refeição. Todos O observavam. Diante d’Ele encontrava-se um hidrópico. Jesus tomou a palavra e disse aos doutores da lei e aos fariseus: «É lícito ou não curar ao sábado?». Mas eles ficaram calados. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e mandou-o embora. Depois disse-lhes: «Se um filho vosso ou um boi cair num poço, qual de vós não irá logo retirá-lo em dia de sábado?». E eles não puderam replicar a estas palavras (Lc 14, 1-6).
       Toda a lei deve partir da caridade e conduzir ao bem da pessoa ou das pessoas. Pode haver leis que, no geral, até sejam justas e defensáveis, mas que no concreto pode prejudicar a pessoa e acentuar injustiças. É óbvio que quando uma lei, civil ou religiosa é "promulgada", o obejctivo é servir o maior número de pessoas. Não quer dizer, contudo, que seja favorável a todas as pessoas.
      No Evangelho de hoje aparece uma lei - o respeito pelo dia do Sábado -, e a interpretação concreta num caso específico, mas do qual se poderão inferir outras situações. Para os fariseus, à primeira vista, no Sábado não se pode fazer nada, nem mesmo curar uma pessoa. Para Jesus, o respeito pelo Sábado não impede ninguém de fazer o bem e de prestar auxílio a quem necessita. Mais, Jesus aponta também as coerências de quem se coloca numa atitude dogmática: e "se um filho vosso ou um boi cair num poço?"

sábado, 24 de outubro de 2015

XXX Domingo do Tempo Comum - ano B - 25.10.2015

       1 – O CAMINHO de Jesus não é estático. Constrói-se em movimento. São Marcos mostra como Jesus avança, progredindo na Mensagem, aprofundando as temáticas, exigindo cada vez mais e de forma mais clarividente. Poderíamos dizer que vai ganhando CONFIANÇA, que Lhe vem de Deus, mas que testa no encontro com as multidões e com os discípulos. As diferentes experiências e encontros dão-lhe uma vitalidade desconcertante.
       O Evangelho de Marcos possibilita a reflexão à volta do segredo messiânico. Jesus realiza prodígios, revela pouco a pouco a Sua identidade, mas pede "segredo" – não digais nada a ninguém. É, segundo os estudiosos, uma criação literária do evangelista para nos envolver na revelação (progressiva) de Jesus como Filho de Deus, o que só acontecerá plenamente na Ressurreição, cuja luz eliminará as dúvidas e as trevas, mas que se desvela em diferentes momentos. Jesus deixa-Se ver, deixa-Se tocar, deixa-Se acolher. Podemos segui-l’O.
       O encontro com Bartimeu é por demais sugestivo. Jesus segue o Seu CAMINHO a caminhar. À beira do caminho está um cego a pedir esmola. Um mal nunca vem só. Não basta ser cego ainda é pobre pedinte. À beira continuam muitos cegos, refugiados, doentes, idosos, pobres. Estão à beira, quase fora, alheados, excluídos. Não estão no caminho, porque se afastaram ou foram impedidos de entrar nele. O texto mostra as diferentes possibilidades.
       A voz do cego faz-se ouvir: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Certamente que já tinha ouvido falar de Jesus. O "segredo" da missianidade de Jesus estava a espalhar-se. Pedir segredo a algumas pessoas é a melhor maneira de espalhar o que supostamente seria um segredo bem guardado.
       Veja-se a dualidade da multidão. Por um lado, espalhou o "segredo" sobre Jesus. Por outro, afasta aquele homem, silencia-o. Não todos, mas muitos tentam que aquele homem se cale, como se pudesse incomodar Jesus. “Não nos incomodes com os teus problemas!”
       2 – Adentremo-nos no CAMINHO de Jesus. Onde é que nos situamos? Somos o cego, pobre, pedinte, que reconhece a sua limitação e insuficiência e que suplica a Jesus pela cura? Somos a multidão que divulga os feitos do Messias? Ou, a multidão que afasta os outros de chegarem perto de Jesus? Damos testemunho ou tornamos opaca a presença de Deus na nossa vida?
       Jesus mostra a delicadeza que devemos usar uns com os outros. A multidão, por mais ruído que possa fazer, não abafa a voz de Bartimeu. Jesus está atento a quem se abeira ou a quem está fora ou na margem do caminho. Se é necessário uma paragem ou um desvio, Jesus não hesita. É agora que Ele é necessário. Há quem precise d'Ele neste momento. Tudo o mais se torna relativo.
       Manda chamar Bartimeu. Mais uma parábola para o nosso compromisso cristão. Também a nós Jesus nos diz: «Chamai-o». Ide e anunciai. Espalhai o Evangelho. Fazei discípulos de todas as nações. Ide à procura da ovelha perdida.
       A multidão responde ao desafio de Jesus e anima-o: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». Por vezes é necessário um pequeno impulso e depois tudo se facilita. É preciso que alguém inverta a tendência negativa, a demissão ou a corrente destrutiva. Jesus dá um passo, a multidão dá o seguinte.
       E logo, "o cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus". A cura já começara no momento em que este cego ouviu falar de Jesus. Quando soube que Jesus estava por perto fez tudo para se encontrar com Ele, o que lhe era possível, contando com a ajuda dos outros. Jesus, que já o atraíra a Si, pergunta-lhe: «Que queres que Eu te faça?».
       Para sermos curados precisamos, primeiramente, de ter consciência que estamos doentes e depois querermos ser curados. E o pedido é óbvio: «Mestre, que eu veja».
       3 – «Vai: a tua fé te salvou». O cego – como bem lê o nosso Bispo, D. António Couto – pede para ver e Jesus envia-o: vai. Estaríamos à espera que Jesus lhe dissesse: vê. Mas para ver precisa de andar, de caminhar, de se colocar em movimento, de sair do seu canto e partir ao encontro de Jesus. Como se costuma dizer, também nós somos cegos quando não queremos ver, quando não caminhamos em direção aos outros, quando nos fechamos, ensoberbecendo-nos.
        A Diocese de Lamego, sob pastoreio de D. António Couto, tem insisto ao longo dos últimos anos, como no presente ano pastoral, na dinâmica missionária da Igreja. Foi o pedido primeiro do Papa Francisco, enxertado no ministério episcopal em Buenos Aires: uma Igreja em saída, que não se enrole sobre si mesma. Quando a Igreja é autorreferencial, atrofia, pois a Sua referência é Jesus, o Bom Pastor que sai à procura da ovelha perdida. Palavras do Cardeal Bergoglio, um pouco antes de ser eleito Papa, prefiro uma Igreja acidentada por sair do que doente, a cheirar a mofo, por se centrar em si mesma.
       Esta passagem ilustra a atitude dos discípulos de Jesus. Antes, víamos os apóstolos a quererem um lugar ao lado de Jesus, sentados. Agora um cego, que está sentado, como sublinha D. António Couto, sentado e a pedir esmola, e que se LEVANTA para encontrar Jesus. A posição do discípulo é seguir Jesus, levantar-se, libertar-se de si e do que lhe pesa. Bartimeu deita fora a capa e corre ao encontro de Jesus. O encontro com Jesus transforma-o. Recuperada a vista, segue Jesus pelo caminho. Seguindo Jesus somos curados da nossa cegueira.

       4 – A salvação mobiliza-nos para a transformação do mundo, a começar pelo nosso mundo, a nossa vida. O mundo inteiro dentro de nós. Aí começa a verdadeira mudança. Aquele homem cego levanta-se, salta, lança fora o que lhe pesa e com alegria fica frente a Jesus. Uma vez curado não volta à vida anterior, não volta a sentar-se nem a recuperar a capa, segue Jesus pelo caminho.
        A mesma interpelação nos chega de Jeremias: «Soltai brados de alegria por causa de Jacob... Fazei ouvir os vossos louvores e proclamai: ‘O Senhor salvou o seu povo’… Vou trazê-los das terras do Norte e reuni-los dos confins do mundo. Entre eles vêm o cego e o coxo, a mulher que vai ser mãe e a que já deu à luz. É uma grande multidão que regressa. Eles partiram com lágrimas nos olhos e Eu vou trazê-los no meio de consolações. Levá-los-ei às águas correntes, por caminho plano em que não tropecem. Porque Eu sou um Pai para Israel».
       Página extraordinária do profeta que nos envolve na salvação de Deus. Se a experimentamos, então não podemos calar o que vimos, ouvimos e vivemos. Cabe-nos anunciar ao mundo inteiro. O desencanto, o desânimo e a desesperança afastam-nos e dissolvem-nos. A salvação faz-nos regressar com alegria para bebermos da água viva que Deus nos dá em abundância.

       5 – Eu sou o Caminho, a Verdade e Vida. O próprio Jesus Se apresenta como o CAMINHO que nos leva a Deus. Só por Ele chegamos ao Pai (cf. Jo 14, 6-7, e também 1, 18). No Evangelho vemos como Jesus Se faz caminho para quem quer ver e quem quer caminhar, para quem quer transformar positivamente a sua vida.
       Ele é o Sumo-sacerdote que ousou entregar a Sua vida por inteiro a favor da humanidade.
       A Epístola aos Hebreus lembra-nos que o Sumo-sacerdote é escolhido de entre iguais, está revestido da mesma fraqueza pelo que pode interceder pelos outros. Oferece sacrifícios pelos próprios pecados e do povo. Assim Jesus. Igual a nós, revestido da nossa fragilidade, ainda que sem pecado, para oferecer já não sacrifícios, mas ser o SACRIFÍCIO a favor de todos. Ele é o Escolhido do Pai: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei... Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec».
       Jesus é constituído Sumo-sacerdote para, em definitivo e em plenitude, nos colocar à direita do Pai, de onde nos vêm todas as bênçãos. Porquanto, vamos caminhando com Ele, abrindo o Seu caminho para que outros O possam encontrar, acolher e segui-l’O.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (B): Jer 31, 7-9; Sl 125 (126); Hebr 5, 1-6; Mc 10, 46-52.

domingo, 18 de outubro de 2015

Ambientação | entrega de diplomas | Crisma 2015

       Dia Mundial das Missões, na Paróquia de Tabuaço, a entrega de diplomas aos jovens e adultos que celebraram o Crisma no passado dia 4 de julho.
       Para ambientação litúrgica a seguinte introdução:
Neste domingo, 29.º do Tempo Comum, penúltimo de outubro, celebramos o Dia Mundial das Missões. Uma jornada para nos lembrarmos que a Igreja é essencialmente missionária. Por outras palavras, a Igreja, e os cristãos que a compõem, vive para anunciar Jesus Cristo, para O viver e O testemunhar em todas as situações da vida.
A Igreja é um organismo vivo, é o Corpo de Cristo, do qual nós somos membros. E se somos membros…
… para que o Corpo se mantenha vivo, belo e saudável, precisa de ser cuidado pela oração, rejuvenescido pela escuta e meditação da palavra, e curado pelo anúncio do Evangelho, para que outros tenham possibilidade de conhecer e amar Jesus, e assim o Corpo que é Cristo, e que somos nós, possa desenvolver-se frutificando.
Os biólogos definem a vida com três características: capacidade de usar energia, de incorporar matéria e de eliminar desperdícios, mas sobretudo, a capacidade de reprodução. Assim, ou “produzimos” mais cristãos e cristãos mais convictos, ou morremos como Igreja, ficámos uma Igreja doente, raquítica, estagnada!
Lembra-nos o Papa Francisco, na Mensagem para este dia, que “a missão faz parte da «gramática» da fé, é algo de imprescindível para quem se coloca à escuta da voz do Espírito, que sussurra «vem» e «vai». Quem segue Cristo não pode deixar de tornar-se missionário, e sabe que Jesus «caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária».
No passado dia 4 de julho, celebramos o Sacramento do Crisma, com a presença de D. António Couto, Bispo da Diocese de Lamego, à qual pertencemos. O Crisma, dom o Espírito Santo em nós, confirma-nos no amor e no compromisso com Jesus e com a Igreja. A nossa vida missionária começa pela nossa pertença e pelo empenho na comunidade, para que no dia-a-dia, em casa, na família, na escola, possamos transparecer Jesus, na Sua postura de serviço, de proximidade, de ousadia, de sonho, de provocação. Para com Ele construirmos uma sociedade mais humana, mais fraterna, mais saudável.
Que neste domingo em que alguns de nós vão receber o seu diploma de Crisma, o Espírito Santo nos dê a coragem, a garra, a lucidez para acolhermos Jesus, na comunidade e O levarmos connosco para todas a parte.
Como somos frágeis, invoquemos a Misericórdia e a bondade de Deus...
FOTOS disponíveis na página da Paróquia de Tabuaço no Facebook: AQUI.

Paróquia de Tabuaço | Início da Catequese | 2015

       No dia 10 de outubro de 2015, arrancou mais um ano de catequese, como habitualmente no Centro Paroquial, encontro dos diversos anos de catequese, catequistas, jovens, de uma forma mais descontraída, seguindo-se a celebração da Santa Missa, na Igreja Paroquial.
       A Catequese Paroquial continua a ser, na nossa comunidade, uma excelente oportunidade de construir comunidade, aproximando gerações, os filhos e os pais, os avós e outros familiares, as famílias. Os pais têm um papel preponderante, ao inscreverem e ao acompanharem os filhos à catequese e a Eucaristia. E, obviamente, tarefa meritória para as catequistas, de diferentes idades, com com o mesmo propósito, ajudar as crianças e os adolescentes a descobrirem Jesus, a amá-l'O e a vivê-l'O.
        Algumas fotos deste primeiro dia de catequese.
Para as fotos que disponibilizamos, consultar: