sábado, 30 de junho de 2012

XIII Domingo do tempo Comum (ano B) - 1 de julho

       1 – Deus não é um Deus de mortos, mas de vivos, como claramente o afirma Jesus (cf. Mc 12, 18-27), é Deus de Abraão, de Isaac e Jacob, de Moisés e Elias, de Isaías e Jeremias, é o Deus de nossos pais (cf. Atos 3,13), de João Batista e de Jesus Cristo. É a vida em abundância que Deus quer para aqueles que criou por amor e cuja vinda ao mundo do Seu Filho Jesus Cristo o explicita: Eu vim para que tenham a vida e a vida em abundância (Jo 10,10). É o bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas, que carrega com as mais débeis aos ombros e que as conduz às melhores pastagens.
       A primeira leitura, do livro da Sabedoria, mostra esta certeza inabalável:
"Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele Se alegra com a perdição dos vivos. Pela criação deu o ser a todas as coisas, e o que nasce no mundo destina-se ao bem. Em nada existe o veneno que mata, nem o poder da morte reina sobre a terra, porque a justiça é imortal. Deus criou o homem para ser incorruptível e fê-lo à imagem da sua própria natureza. Foi pela inveja do Diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na aqueles que lhe pertencem".
       Como é que continua a perpassar a ideia que Deus é terrífico, sequioso de vingança, de sacrifício dos homens e das mulheres, que é um vigilante justiceiro, sempre pronto para destruir, para castigar, para exigir?!
       O texto inspirado da Sabedoria não poderia ser mais clarificador. Deus não se alegra com o sofrimento das pessoas. Quantas vezes o dizemos: Ele sofreu, logo temos de sofrer com paciência?! É urgente modificar o paradigma: Ele amou, até ao fim, gastando-Se por inteiro. "Amo, logo existo" (Pe. João André, Da minha janela). De que forma, hoje, aqui e agora (hic et nunc), posso amar melhor? Tudo o que Deus criou e nos confiou destina-se à vida e ao bem. Somos imagem e semelhança de Deus, pertencemos-Lhe. A nossa natureza liga-nos à eternidade, à vida em Deus.

       2 – Compreende-se, portanto, que a missão de Jesus seja salvar, envolver, curar, reabilitar, incluir e inserir na comunidade dos filhos de Deus, promover o bem, a verdade, a justiça, a conciliação entre todos, a solidariedade, a partilha efetiva e concreta de bens materiais e espirituais. A defesa dos mais desfavorecidos não procura desfavorecer os demais mas criar iguais oportunidades para que todos possam viver em abundância, sentindo-se filhos e herdeiros de Deus, irmãos, família, incluídos, parte importante da sociedade atual, responsáveis pelo mundo a que pertencem. Por conseguinte, muitas vezes se refere, no ponto concreto da relação entre pessoas e povos, que só é possível diálogo e concertação entre iguais, e não entre uma pessoa/povo credor e uma pessoa/povo sujeito de ajuda. Aí haverá domínio e imposição!
       Enquadram-se nesta dinâmica as curas narradas no Evangelho de São Marcos:
“Jesus olhou em volta, para ver quem O tinha tocado. A mulher, assustada e a tremer, por saber o que lhe tinha acontecido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe a verdade. Jesus respondeu-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou». Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?». Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; basta que tenhas fé»…
Ao entrar, perguntou-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, levando consigo apenas o pai da menina e os que vinham com Ele, entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talita Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: Levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos”. 
       No primeiro caso, uma mulher há muito afastada do convívio saudável, cujas maleitas físicas não lhe permitiam viver em sociedade, e integrar-se na vivência religiosa. A sua doença é também espiritual e "social". Vê-se obrigada a sobreviver. Jesus cura-a e integra-a. Doravante estará como igual na família e nas relações sociais e religiosas.
       No segundo caso, a certeza que Jesus vem salvar, redimir, devolver-nos a uma vida nova, pré-anunciada na ressurreição desta menina, ao mesmo tempo que dá tempo e vida a esta família. Ele está definitivamente do nosso lado. Caminha connosco. Também está connosco quando sofremos.

       3 – A vocação do cristão é seguir Jesus Cristo, imitá-l'O, acolhendo a vontade de Deus, fazendo com que seja o verdadeiro alimento, prosseguindo para se tornar perfeito e misericordioso como Deus, incluindo, sendo bênção para os outros, em palavras e em gestos, pela boca e pela vida, fazendo o que está ao seu alcance para acudir a todos, dando o melhor de si, comprometendo-se desde logo com as pessoas que Deus colocou à sua beira. Somos cristãos também em casa, ou sobretudo em casa, com a família. Como nos lembrava o Pregador da festa de São João, Pe. Giroto, por vezes somos pouco tolerantes e compreensivos para com aqueles estão mais perto, a família. Mas aí começa o testemunho e a veracidade da nossa fé e o seguimento de Jesus Cristo, prosseguindo para a vizinhança.
       Reflitamos, atenta e demoradamente, nas palavras do apóstolo São Paulo:
"Já que sobressaís em tudo – na fé, na eloquência, na ciência, em toda a espécie de atenções e na caridade que vos ensinámos – deveis também sobressair nesta obra de generosidade. Conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa, para vos enriquecer pela sua pobreza. Não se trata de vos sobrecarregar para aliviar os outros, mas sim de procurar a igualdade. Nas circunstâncias presentes, aliviai com a vossa abundância a sua indigência para que um dia eles aliviem a vossa indigência com a sua abundância. E assim haverá igualdade, como está escrito: «A quem tinha colhido muito não sobrou e a quem tinha colhido pouco não faltou»".
       Mastiguemos bem, ruminemos estas palavras, abrindo-nos para o compromisso sério com os outros. É aqui que podemos e devemos intrometer-nos na vida dos outros. Somos guardas dos nossos irmãos. Somos corresponsáveis pela sua felicidade. A intromissão na vida alheia, para o cristão, vale apenas e quando há um claro empenho por ajudar, sem expor, por promover uma vida condigna e humana. Não podemos ser Abel nem Pilatos, não lavamos as mãos, não nos descartamos dos outros. É com os outros que vamos até ao Céu de Deus.

Textos para a Eucaristia: Sab 1, 13-15; 2, 23-24; 2 Cor 8, 7.9.13-15; Mc 5, 21-43.

Não sou digno de que entres em minha casa

        Ao entrar Jesus em Cafarnaum, aproximou-se d’Ele um centurião, que Lhe suplicou, dizendo: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico e sofre horrivelmente». Disse-lhe Jesus: «Eu irei curá-lo». Mas o centurião respondeu-Lhe: «Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas diz uma só palavra e o meu servo ficará curado. Porque eu, que não passo dum subalterno, tenho soldados sob as minhas ordens: digo a um ‘Vai!’ e ele vai; a outro ‘Vem!’ e ele vem; e ao meu servo ‘Faz isto!’ e ele faz». Ao ouvi-lo, Jesus ficou admirado e disse àqueles que O seguiam: «Em verdade vos digo: Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé» (Mt 8, 5-10).
        Mais um encontro com um estrangeiro. O centurião romano, responsável por cem (centurião) soldados que fazem parte do poder político e militar e que asseguram a ordem em Israel, a favor do imperador. Pelo lugar que ocupam são pessoas odiosas, porque impõem a ordem, por vezes com violência extrema, são estrangeiros, lembram ao povo que são governados a partir do exterior, a partir de Roma, são de uma religião estranha.
       É o próprio centurião que vai ao encontro de Jesus, para lhe pedir a Sua intervenção a favor de um dos seus servos. Sublinhe-se a atitude de humildade e de fé do centurião. Deixa de lado a sua autoridade e confia-se a uma pessoa que é natural do país dominado, deixa de lado qualquer presunção. Daqui concluímos também que a salvação não depende dos genes, da família, do país, da religião, ainda que o ambiente possa favorecer, mas depende da conversão de cada um.
       A sensibilidade deste homem é notória. Para outros, talvez o servo fosse dispensável, mas para o centurião mais que um servo é uma amigo.
       Jesus sublinha a fé deste homem, "não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé", e aponta-o como exemplo de conversão e de fé. A expressão desta fé ficou para sempre ligada à Eucaristia: "Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas diz uma só palavra e o meu servo ficará curado".

sexta-feira, 29 de junho de 2012

PINHEIROS - Festa de finalistas no Jardim Infantil

       Solenidade do martírio dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, enriquecida com a festa de ação de graças dos FINALISTAS do Jardim Infantil de Pinheiros (inclui o lugar de Carrazedo, única paróquia do Arciprestado de Tabuaço que não é freguesia). A Festa teve o condão de contar com a beleza, o encanto e a simplicidade dos quatro finalistas e de outras crianças e adolescentes.
       Oportunidade de abertura à comunidade e à dimensão espiritual da vida, em lógica de solidariedade intergeracional, tão necessário no mundo e no tempo atuais.
       Ficam algumas imagens, outras poderão ver vistas no perfil das Paróquias de PINHEIROS e de CARRAZEDO no facebook.

Papa Bento XVI: 61 anos de sacerdócio

       Bento XVI refere-se ao dia 29 de Junho de 1951 como o dia mais importante da sua vida. Na autobiografia que escreveu quando ainda não era Papa, Ratzinger recorda: “Era um esplêndido dia de verão, um dia que permanece inesquecível, como o momento mais importante da minha vida. Não devemos ser supersticiosos, mas no momento em que o arcebispo impôs as suas mãos sobre mim, um passarinho voou do altar-mor da catedral e entoou alegremente um pequeno canto; para mim foi como se uma voz do alto me dissesse: está bem assim, estás no caminho certo” (La mia vita, pág.63).
       Na mesma obra, Ratzinger recorda com espanto a desproporção entre a pessoa do sacerdote e o poder que ele tem, testemunhando que, no final da sua missa nova, foi acolhido calorosamente por conhecidos e desconhecidos e que isso é “revelador da expectativa que os homens têm dos sacerdotes e da sua bênção que deriva da força do sacramento". "Não se tratava da minha pessoa, nem do meu irmão [foram ordenados no mesmo dia]: o que poderiam significar dois jovens como nós para tanta gente? O que eles viam em nós era pessoas a quem Cristo tinha confiado uma tarefa, a de levar a Sua presença ao meio dos homens.” (ibidem, pág. 64)
       Para explicar o próprio espanto que o sacerdote experimenta diante do seu poder, ninguém melhor do que o Santo Cura d’Ars, referido, aliás, na Carta de Bento XVI para o Ano Sacerdotal:
       “Oh como é grande o padre! (....) Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do Céu e encerra-se numa pequena hóstia”. É pois significativo que o actual Papa tenha centrado na figura do Santo Cura d’Ars toda a iniciativa e celebrações do Ano Sacerdotal, proclamando-o padroeiro de todos os párocos do mundo e modelo de santidade para todos os sacerdotes sem excepção.
       Ainda a propósito do dia 29 de Junho de 1951, o actual Papa fez uma interessante reflexão quando, em Setembro de 2006, visitou a catedral de Freising, onde foi ordenado sacerdote. No encontro que aí teve com um grupo de sacerdotes, Bento XVI revelou o que sentiu enquanto, prostrado no chão, se invocava o Espírito Santo e entoava a ladainha dos santos: “quando estava aqui prostrado por terra e, como que envolvido pela ladainha de todos os santos, pela intercessão de todos os santos, dei-me conta de que, neste caminho, não estamos sozinhos, mas que a grande multidão dos santos caminha connosco e os santos ainda vivos, os fiéis de hoje e de amanha, nos apoiam e nos acompanham.” E acrescentou: “Quando o cardeal bradou: Já não vos chamo servos, mas amigos, então experimentei a ordenação sacerdotal como a iniciação na comunidade dos amigos de Jesus, que são chamados para permanecer com Ele e anunciar a sua mensagem” (discurso 14.09.2006).
        Esta ideia de comunidade de amigos de Jesus viria a ser aprofundada na sua homilia de entronização como Sucessor de Pedro. Por diversas vezes, Bento XVI referiu-se a esta grande companhia de amigos – quer a propósito dos santos (cuja ladainha se entoou por diversas vezes naqueles dias), quer a propósito da comunidade dos fiéis que é a Igreja: “Quem faz entrar Cristo, nada perde, nada absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Pelo contrário, só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentámos o que é belo e o que liberta”. (homilia 24.04.2005)

Aura Miguel, Rádio Renascença.
Veja também a notícia na Agência Ecclesia.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Deus é Deus de todas as horas...

       Quando Jesus diz «Pai-nosso», «Abbá nosso», Jesus quer dizer que Deus é Deus de todas as horas, Aquele em quem se pode confiar, como uma criança confia no pai sem qualquer tipo de reservas, sem qualquer escondimentos, de uma maneira absoluta e total. Deus é Aquele a quem podemos pedir «Preciso da tua mão», «Dá-me a tua mão» e saber que Ele a estende, que Ele cuida, acompanha, protege, faz-se tudo para nós"

Pe. José Tolentino de Mendonça, Pai-nosso que estais na terra.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A Dívida Soberana - 7 Mandamentos...

O pão multiplica-se quando aceita ser repartido.
A gramática da Vida é a condivisão.
       1º - A primeira de todas as dívidas soberanas, e certamente a mais fundamental, é aquela que cada um de nós mantém para com a Vida. Essa dívida nunca a pagaremos, nem ela pretende ser cobrada. Reconhecer isso em todos os momentos, sobretudo naqueles mais exigentes e confusos, é o primeiro dos mandamentos.

       2º - Se a maior de todas as dívidas soberanas é para com um dom sem preço como a vida, cada pessoa nasce (e cresce, e ama, luta, sonha e morre) hipotecada ao infinito e criativo da gratidão. A dívida soberana que a vida é jamais se transforma em ameaça. Ela é, sim, ponto de partida para a descoberta de que viemos do dom e só seremos felizes caminhando para ele. É o segundo mandamento.

       3º - O terceiro mandamento lembra-nos aquilo que cada um sabe já, no fundo da sua alma. Isto de que não somos apenas o recetáculo estático da Vida, mas cúmplices, veículos e protagonistas da sua transmissão.

       4º - O quarto mandamento compromete-nos na construção. Aquilo que une a diversidade das profissões e as amplas modalidades do viver só pode ser o seguinte: sentimo-nos honrados por poder servir a Vida. Que cada um a sirva, então, investindo aí toda a lealdade, toda a capacidade de entrega, toda a energia da sua criatividade.

       5º - A imagem mais poderosa da Vida é uma roda fraterna, e é nela que todos estamos, dadas as nossas mãos. A inclusão representa, por isso, não apenas um valor, mas a condição necessária. O quinto mandamento desafia-nos à consciência e à prática permanente da inclusão.

       6º - As mãos parecem quase florescer quando se abrem. Os braços como que se alongam quando partem para um abraço. O pão multiplica-se quando aceita ser repartido. A gramática da Vida é a condivisão. Esse é o mandamento sexto.

       7º - O sétimo mandamento resume todos os outros, pois lembra-nos o dever (ou melhor, o poder) da esperança. A esperança reanima e revitaliza. A esperança vence o descrédito que se abate sobre o Homem. A esperança insufla de Espírito o presente da história. Só a esperança, e uma Esperança Maior, faz justiça à Vida.

José Tolentino Mendonça, Editorial Agência Ecclesia.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Auroras boreais - espetacularidade!!!

       Vídeo sobre as auroras boreais, com a recolha de imagens durante 3 anos. O autor é Chad Blakley...
       "O fenómeno da aurora boreal acontece quando partículas que vêm do sol (vento solar) interagem com o campo magnético da Terra, provocando a emissão de luz. Próximo do polo norte o fenómeno é conhecido por autora boreal. Próximo do Polo sul aurora austral".

  

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Festa do Município de Tabuaço - São João Batista

       Como muitos municípios (por exemplo São João da Pesqueira, Sernancelhe,...), também Tabuaço tem como Padroeiro São João Batista, oportunidade para atrair muitas pessoas à Vila e ao Concelho. No que à dimensão religiosa diz respeito, o DIA da solenidade do Nascimento de São João Batista, a celebração solene da Eucaristia, com pregação, a cargo do reverendo Pe. António Giroto, Pároco em Leomil, Sever e Alvite, no Arciprestado de Moimenta da Beira (com o Pe. Bráulio), e com a presença do Pe. Luís António, pároco de Sendim, de Paradela e da Granjinha, e a majestosa procissão com os santos padroeiros das paróquias do Arciprestado (excluindo Carrazedo, única paróquia que não freguesia).
        Durante a pregação o ilustre Pregador, partindo da primeira leitura, do profeta Isaías falou no cansaço que humanamente se pode sentir no trabalho profético/pastoral. Será um trabalho fastidioso, cansativo, em vão, se tiver em vista apenas o sucesso imediato, o sucesso humano. Por vezes não se vê o fruto. Contudo, em Isaías, como em São João, o cansaço físico é superável com o compromisso da missão em prosseguir a verdade e o bem, promovendo a justiça, procurando fazer a vontade de Deus. E quando Deus está no centro o sucesso surgirá, sem dúvidas.
       Outras das acentuações, bem visível, o facto de o nome de JOÃO apontar para o futuro. Os familiares querem, como tradicional no filho primogénito, siga com o mesmo nome do Pai, Zacarias. Mas Zacarias e Isabel decidem um nome que assume futuro. É certo que a nossa vida é também fruto da história, mas somos chamados a viver hoje, para diante, no futuro que é Deus.
       Um dado claro em Zacarias é a mudez do anúncio que vai ser pai até ao dia de dar o nome ao seu filho... às vezes também deveríamos ser mudos, pelo menos quando estamos a dizer mal dos outros, e falar quando temos algo de bem e de bom para dizer. Zacarias ultrapassa a mudez para louvar a Deus, do silêncio às palavras, para que estas sejam proveitosas...
       A ALEGRIA é uma dimensão também importante da vida de João Batista, ainda no seio materno já ele rejubila pela proximidade de Jesus Cristo. Perto de Jesus Cristo, de Deus, também os cristãos hão de ser alegres, firmes na esperança que vem de Deus.
       Como João Batista, também os cristãos devem orientar a sua vida por três paradigmas/ddimensões:
  • martirial
  • integradora
  • superadora.
  • Martirial. São João dá testemunho com o próprio sangue, dando a sua vida. É mártir. Nós podemos não ter necessidade testemunhar Jesus Cristo com o sangue, mas podemos e devemos testemunhá-lo com a nossa vida, com suor, trabalho, dedicação.
  • Integradora. Importa, como cristãos, estar com todos, procurar que tudo façam parte do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Ir até aos átrios da Igreja anunciar Jesus Cristo, levar o Evangelho, tornando acessível a todos a palavras de Deus, mas sem impor, respeitando a opção dos outros. Ainda que os outros não acolham, não cessemos de dar testemunho. São livres para entrar ou não. Ao cristão cabe sempre ser testemunha de Jesus, como o foi João a apontar para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
  • Superadora. Os cristãos têm de ser as melhores pessoas. Não se trata de descriminação ou de juízos de valor. Mas se se tem Deus, e se tem consciência que tem Deus dentro de si, então só podem ser as melhores pessoas. Dar Deus aos outros. Dar o melhor. Dizer bem. Fazer bem, e que começa em casa, na família, nos que estão perto... às vezes somos menos delicados e tolerantes para os que estão mais perto e com quem deveríamos amar, proteger, respeitar...
 
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domingo, 24 de junho de 2012

São João Baptista, o Padroeiro do Município

       O Padroeiro do Município de Tabuaço é São João Baptista. Hoje é o dia principal. Na parte que nos diz mais respeito, a Eucaristia, a começar às 16h00, seguindo-se da Procissão, com as imagens dos Padroeiros das paróquias do Arciprestado (à excepção de Carrazedo, única paróquia que não é freguesia...).
       A pregação estará a cargo do Pe. António Giroto, natural de Parada de Ester, em Castro Daire, e pároco de Sever, Alvite e Leomil (em equipa sacerdotal com o Pe. Bráulio). É um dos padres mais jovens e recentes da Diocese de Lamego, foi ordenado há dois anos, a 20 de Junho de 2010, e  já tem estado connosco em outras ocasiões festivas.
       Na Procissão, e tal como em anos anteriores, contará com as imagens dos Padroeiros das freguesias do Concelho.

Padroeiros das Paróquias do Arciprestado de Tabuaço

       Por iniciativa camarária, promotora das festas de São João, padroeiro do Município, os andores da Procissão terão os santos padroeiros das várias freguesias do Concelho. Aqui ficam as freguesias/paróquias e respectivos oragos: 
  • Adorigo: Nossa Senhora Conduzende
  • Arcos: São Silvestre
  • Barcos: Nossa Senhora da Assunção
  • Carrazedo (freguesia de Pinheiros): São Salvador
  • Chavães: São Martinho
  • Desejosa: Santo Antão
  • Granja do Tedo: São Faustino e São Jovita
  • Granjinha: Santo Amaro
  • Longa: São Pelágio
  • Paradela: Divino Espírito Santo
  • Pereiro: São Sebastião, Mártir
  • Pinheiros: Santa Eufémia
  • Santa Leocádia: São Bartolomeu, Apóstolo
  • Sendim: Nossa Senhora do Pranto
  • Tabuaço: Nossa Senhora da Conceição
  • Távora: São João Baptista
  • Vale de Figueira: Nossa Senhora da Apresentação
  • Valença do Douro: São Gonçalo de Amarante

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ano da Fé em reflexão

       Em outubro, por proposta de Bento XVI, iniciar-se-á o ANO da FÉ, 50 anos depois do encerramento do Concílio Vaticano II, e por ocasião do Sínodo para a Nova Evangelização. Neste vídeo, a Editora Paulus propõe-nos uma reflexão sobre a fé, através palavras do Prof. Domingos Terra, sj, a partir do Motu Proprio de Bento XVI, Porta Fidei, (excertos de uma exposição realizada pelo Instituto Diocesano da Formação Cristã do Patriarcado de Lisboa); e a reflexão de D. António Couto, Bispo da nossa Diocese de Lamego e Presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização (excertos de uma entrevista realizada pela Família Cristã):

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Proibido dizer...

Em nome de todas as crianças sem pão
e de todas as crianças com pão a mais,
proibimos a palavra FOME.

Em nome de todos os pobres envergonhados
e de todos os ricos avarentos,
proibimos a palavra INJUSTIÇA.

Em nome de todas as palavras sem corpo
e de todas as almas sem rosto,
proibimos a palavra MENTIRA.

Em nome de todos os velhos sem luz
e de todos os jovens sem verdade,
proibimos a palavra IGNORÂNCIA.

Em nome de todos os pretos
e de todos os brancos,
proibimos a palavra RACISMO.

Em nome de todos os vencidos
e de todas as vitórias mal ganhas
proibimos a palavra VINGANÇA.

Em nome de todos os emigrantes sem voz
e de todos os oportunistas com sorte,
proibimos a palavra DISCRIMINAÇÃO.

Em nome de todos os doentes sem cura
e de todos os médicos sem escrúpulos,
proibimos a palavra INDIFERENÇA.

Em nome de todas as vítimas da violência
e de todos os que proíbem a paz,
proibimos a palavra GUERRA.

Em nome de todos os pais
e de todos os que amam a vida,
proibimos a palavra MORTE
(Frei Manuel Rito Dias, in CJovem)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

C O N F I R M A D O S - Editorial Voz Jovem

Reposição do Editorial do Boletim Voz Jovem, de junho de 2011, tendo como panbo de fundo a celebração do Sacramento da Confirmação...

       1 – Escolhemos para lema pastoral deste ano: “Confirmados na fé, para viver na caridade”. Presidiu a esta escolha o facto de o país e o mundo atravessarem momentos de instabilidade económica-financeira, em que os pobres se estão a tornar mais pobres e muitos, que tinham uma vida desafogada agora, passam privações, sendo necessário efectivar o rosto da Igreja, a CARIDADE.
       Por outro lado, a presença do nosso Bispo, D. Jacinto Botelho, em dois momentos inclusivos e nos quais administrou o Sacramento da Confirmação. Entre os dias 2 e 8 de Dezembro, em Visita Pastoral, visitando doentes, escolas, instituições, encontrando-se com as pessoas mais empenhadas da comunidade no trabalho pastoral, celebrando o Sacramento da Santa Unção, acolhendo os novos acólitos na comunidade e celebrando connosco a solenidade da nossa padroeira, Nossa Senhora da Conceição. No passado dia 19, deste mês de Junho, para a celebração da Confirmação aos que concluíram os 10 anos de catequese.
       2 – Para o cristão, a iniciação completa-se com os sacramentos do Baptismo, da Eucaristia e da Confirmação. Nos primórdios da Igreja, a iniciação cristã realizava-se na mesma celebração, com a presença do Bispo local. Assim, o adulto (catecúmeno) preparava-se durante três anos, pelas catequeses, pelo introdução progressiva na comunidade. Ao fim deste tempo era baptizado, confirmado e comungava pela primeira vez.
       A partir do século quarto, com o cristianismo a assumir-se como religião do estado, deu-se a massificação de conversões – de religião perseguida, depois tolerada, tornou-se a religião obrigatória para o império romano –, e os bispos deixaram de poder estar em todas as celebrações para administrarem o Crisma.
       Por outro lado, passou-se também a acolher crianças ao Baptismo, o que tornava ainda mais difícil a celebração da iniciação cristã. Uma criança não tinha consciência para comungar!!! Pouco a pouco foi-se aumentando a idade para comungar. A prática da comunhão das crianças foi instituída a 8 de agosto de 1910, pelo Papa Pio X, que predispôs para que as crianças pudessem comungar a partir do uso da razão, à volta dos 7 anos de idade. Quanto ao Sacramento da Confirmação durante muito tempo celebrava-se por ocasião da visita do Bispo local às paróquias, podendo ocorrer de cinco em cinco ou de dez em dez anos e eram admitidos ao sacramento crianças, adolescentes, e adultos, os que ainda não tivesse recebido este sacramento. Alguns eram confirmados com 9/10 anos de idade.
       Por questões de pastoral e catequese, actualmente, a Eucaristia celebra-se pelos 8 anos (terceiro ano de catequese) e a celebração da Confirmação no 10.º ano de catequese, nas paróquias onde a catequese está organizada, ou por volta dos 15/16 anos de idade. Quando ao jovem lhe é conferida a Confirmação já tem maturidade para se comprometer! Os pais e padrinhos assumiram o compromisso de educar os filhos e afilhados na fé cristã, agora os Confirmandos afirmam eles mesmos a Sua fé e a sua predisposição diante da comunidade reunida, sob a presidência do Bispo diocesano. Foi o que aconteceu com estes 9 jovens nos passado dia 19: Ana Carolina, Ana Margarida, Ângela Cristina, Ângela Marita, Daniel, Inês Filipa, Flávia Sofia, Leandro Miguel e Márcia Alexandra.

       3 – “Enviai Senhor o Vosso Espírito e renovai a face da terra” (Sl 103). É a nossa oração e o nosso pedido. Só o Espírito de Deus nos liberta do nosso egoísmo e nos revela a verdade que nos vem de Cristo Jesus. É o Espírito Santo que faz com que a Palavra de Deus não seja letra morta e que Cristo esteja vivo em nós e no meio de nós.

Sacramento da Confirmação - há um ano

       No dia 19 de junho de 2011, há um ano e um dia, a celebração do Sacramento da Confirmação, do grupo do 10.º ano de catequese.A fotografia do grupo:
Os Confirmados:
       Leandro, Margarida, Daniel, Flávia, Ângela Cristina, Inês, Ângela Marita, Carolina, Márcia.
As Catequistas:
       Eva la Salette, Graça Ferraz.

       A Igreja Paroquial de Tabuaço encheu-se de alegria para fazer festa, reunindo-se para celebrar Eucaristia, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, a Santíssima Trindade, e acompanhar os 9 jovens do 10.º ano de catequese, que pela imposição das mãos do nosso Bispo, D. Jacinto Botelho, receberam em plenitude o Espírito Santo, Dom de Deus.
       Algumas fotos da preparação e da celebração da Confirmação, com a música "Água Viva", interpretada por Claudine Pinheiro:

terça-feira, 19 de junho de 2012

A ALEGRIA: rosto de Deus no homem!

       "... outro aspecto que caracteriza as testemunhas do Ressuscitado: a alegria e a paz. «Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor» (Jo 20,20; Lc 24, 41). A paz é o dom dado pelo Ressuscitado: «A paz esteja convosco!» (Lc 24, 36; Jo 20, 19.21). Mesmo nos momentos difíceis, aparecem «cheios de alegria, por terem sido considerados dignos de sofrer vexames por causa do Nome de Jesus» (Act 5, 41). É a alegria dos homens e mulheres novos, que conhecem a plenitude final e sabem viver dela. Na Igreja actual há demasiada tristeza. Não se cuida da alegria pascal. Dá a impressão de que a fé consiste em aceitar como verdadeiras e reais coisas que não se podem experimentar vitalmente e com alegria. Para muitos, a alegria é algo de secundário e até supérfulo, da qual não é preciso ocupar-se. E, no entanto, sem alegria não é possível amar, lutar, criar ou viver algo de grandioso. Sem alegria é impossível a celebração cristã. A partir da ressurreição, a alegria é, de alguma maneira, «o rosto de Deus no homem»".

José António PAGOLA, La llamada de Cristo Resucitado a su Iglesia. Idatz. Donostia 2005.

Amai os vossos inimigos e orai por eles...

        Disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 43-48).
       Amar os nossos amigos é tarefa de fácil execução, não custa nada. Agora, amar os inimigos, aqueles de quem não gostamos, que nos fizeram mal ou a quem nós fizemos mal já é uma missão muito pesada, mas, garante Jesus, muito libertadora e que nos dignifica.
       Como é que podemos rezar por alguém que nos fez mal? Como é que podemos amar alguém que disse mal de nós? Como podemos nutrir sentimentos positivos por alguém que não vemos com bons olhos? Não é fácil, mas é o mandamento de Jesus. A referência é Deus Pai. O cristão não se fixa nos mínimos garantidos, mas almeja o máximo, a perfeição de Deus.
       Na imagem que escolhemos para ilustrar o Evangelho proposto para hoje, o encontro de João Paulo II com Ali Agca, o turco que em 13 de maio de 1981 disparou contra o Papa, é ilustrativo. João Paulo II não só perdoa ao seu potencial assassínio como faz questão de o visitar na prisão e falar as sós com ele. Um gesto que concretiza as palavras de Jesus.

       Acrescentamos as palavras, enviadas por email pelo Pe. José Luís Rodrigues, do blogue: O Banquete da Palavra:
"Ao amável toda a gente ama, ao respeitável toda a gente respeita.
Com o encantador toda a gente simpatiza.
Mas, perdoar ao ofensor, calar frente a uma grosseria, ser afectuoso com o insuportável?
Só agarrados a um Jesus Cristo vivo é possíivel engolir em seco, ceder, deixar passar, ter paciência, compreender, perdoar..." (Frei Ignácio Larranaga).

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Encerramento da Catequese Paroquial (2)

       Sábado, 16 de junho de 2012: encerramento da catequese da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço, e que engloba os meninos da paróquia de Santa Eufémia de Pinheiros e paróquia de São Salvador de Carrazedo, com um momento de convívio, no Centro Paroquial, e com a celebração da Eucaristia, que incluiu o batismo da Mariana e um ofertório solene englobando cada ano de catequese, com alusão a festa de catequese proposta nos diversos anos. A música de fundo é uma proposta para o 8.º ano de catequese: Deus precisa de ti, interpretada por João Pedro Neves.

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domingo, 17 de junho de 2012

Encerramento da catequese paroquial - 2011/2012

       15 de junho de 2012, encerramento da Catequese Paroquial de Tabuaço, com um momento descontraído de convívio e lanche, e celebração da Eucaristia, com a apresentação do simbolismo de cada ano de catequese, no ofertório, e a inclusão de um batizado, o da Mariana (Pais: Pedro Nuno e Maria do Carmo)...


 
 
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sábado, 16 de junho de 2012

XI Domingo do Tempo Comum (ano B) - 17 de junho

       1 – Como o ar que respiramos e que nos permite viver, sem cheiro nem cor, nem intensidade, sem o podermos tocar, ou prender, sem o conseguirmos ver ou dispensar, assim Deus na nossa vida, no mundo, no universo inteiro.
       Quantas vezes experimentamos a fragilidade da nossa condição humana, na doença, na incompreensão daqueles que nos rodeiam e em quem confiamos, pela morte de alguém que nos era demasiado próximo, por situações em que a natureza nos abandona e se revolta, pela incapacidade de resolver os problemas com que nos deparamos, pelo sofrimento de tantas pessoas inocentes.
       No evangelho que hoje nos é proposto são-nos apresentadas duas parábolas sobre o reino de Deus, comparável, segundo Jesus Cristo, a uma semente lançada à terra e que cresce dia e noite, silenciosamente, sem se dar por isso, ou a um grão de mostarda que sendo a menor das sementes se converte em frondosa árvore.
Disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer, e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra».
       Numa e noutra parábola, se depreende a presença vital e invisível como Deus na nossa história. Ele agarra-se a nós, desde sempre e para sempre. Vem com a força do Seu Espírito, enformando a nossa vida, mas deixando que seja a nossa vontade a comandar, a acolher ou a rejeitar, em sintonia ou em rutura. Certo é que em momentos de maior dor, temos dificuldade em perceber o Seu amor, a Sua presença. Como Mãe solícita, Deus sofre connosco, caminha connosco, dá-nos o Seu amor maior: Jesus Cristo.
       2 – A história dos homens e das mulheres é feita de momentos de grande transfiguração positiva, de encontro, de descoberta e proximidade, de vida sonhada e partilhada, mas também de situações de aflição e rutura, de conflito, de guerra e violência, de destruição. E nesta nossa história, Deus continua a vir a nós para nos desafiar, para nos conduzir e elevar, para cumprir com as suas promessas de felicidade e para nos garantir o futuro de paz e de justiça, aqui e até à eternidade.
       O povo da aliança fez a experiência dolorosa do exílio, da perseguição, do conflito de poderes, de insegurança. Experimentou o inverno e o desconforto do deserto, a desconfiança, o desencanto, a dúvida. Foram tantas as adversidades e desencontros que muitas vezes Israel gritou pela presença mais palpável, pela intervenção mais ativa e visível de Deus. O povo eleito clamou por justiça e por uma LUZ incandescente, apelando à misericórdia divina, apelando para as maravilhas realizadas no passado a favor de todo o povo.
       O profeta relembra o Deus que vem, vem Ele mesmo. Há que ter esperança, há que abrir o coração e a vida, para que Ele venha e nós O encontremos. As palavras de Deus, segundo Ezequiel:
«Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto. Na excelsa montanha de Israel o plantarei e ele lançará ramos e dará frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. E todas as árvores do campo hão de saber que Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço».
       Um ramo novo, vida nova, anúncio de frutos novos, vida fundeada na esperança, e nas promessas de Deus. Ele é o Senhor, fiel à palavra dada que breve se há de cumprir.

       3 – Os tempos novos que nos são anunciados pelo profeta são-nos concedidos em Jesus Cristo, que nos traz a vida nova, nos traz o próprio Deus. As promessas alcançam-nos na história, no tempo e no espaço humanos. Em Jesus Cristo, Deus concede-nos ser Sua morada para sempre, no Espírito Santo. Com efeito, antes de deixar este mundo, Jesus deixa-nos o memorial da Sua presença, dando-nos a Sua vida, o Seu Corpo e Sangue, devolvidos na Eucaristia. Ascendendo para a eternidade, com Ele, coloca a nossa natureza humana junto do Pai. Com o Pai, envia-nos o Espírito Santo, que nos recorda o Seu mandamento de amor, e a Sua vida feita oração e oblação, atraindo-nos para a Luz e para a Verdade, atraindo-nos para Si, não como afastamento mas como compromisso com o mundo atual e com as pessoas que pûs em nossa presença.
       São expressivas, uma vez mais, as palavras do Apóstolo:
"Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido, enquanto esteve no corpo, quer o bem, quer o mal".
       Vivemos guiados pela luz da fé, de olhar fito em Deus, e enquanto continuamos a habitar em nosso corpo, a missão de Lhe sermos agradáveis, inserindo-nos desde já no Seu reino eterno. Quando chegar a hora do nosso encontro definitivo, a confiança em que vivemos na fé, dará lugar à visão clara do amor de Deus por nós, e em nós, para sempre.

Textos para a Eucaristia (ano B): Ez 17,22-24; 2 Cor 5,6-10; Mc 4,26-34.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Não grites... gritar confunde-nos!

Não grites.
Nenhuma situação exige a gritaria, que confunde e mais perturba.
Se falares em tom adequado, os barulhentos silenciarão para ouvir-te.
Se desejares competir com eles em altura de voz, ficarás rouco e não serás escutado.
A voz caracteriza o comportamento e a emoção das pessoas.
Não nos referimos às técnicas de prosódia, que têm a sua finalidade, porém à tonalidade natural, audível, sem agressividade.
Já te escutaste num gravador, especialmente quando em desequilíbrio? Faz a experiência.
Joanna de Ângelis

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus (ano C)

       A liturgia deste dia convida-nos a contemplar a bondade, a ternura e a misericórdia de Deus pelos homens – por todos os homens, sem excepção. Como imagem privilegiada para exprimir esta realidade, a Palavra de Deus utiliza a figura do Pastor: Deus é o Pastor que, com amor, cuida do seu rebanho.
       A primeira leitura apresenta Deus como um “bom pastor” (contraposto aos líderes de Israel, os “maus pastores” que conduziram o Povo por caminhos de egoísmo e de morte), cuja preocupação fundamental é o bem-estar do seu rebanho; nesse contexto, o profeta anuncia a obra do Pastor/Deus: libertação do rebanho/Povo, o êxodo para a terra da liberdade, a condução do rebanho para “pastagens excelentes” e os cuidados amorosos que o Pastor dispensará a cada uma das suas ovelhas.
        A segunda leitura lembra-nos que o amor de Deus se derrama continuamente sobre os homens. A prova cabal desse imenso amor é Jesus Cristo, o Filho que o Pai enviou ao nosso encontro para nos libertar do egoísmo e do pecado e que deu a própria vida para que o projecto de amor do Pai se concretizasse e atingisse a humanidade inteira.
       O Evangelho retoma a imagem do Deus/Pastor, cujo amor se derrama, de forma especial, sobre as ovelhas feridas e perdidas do rebanho. Dessa forma, sugere-se que o Pastor/Deus não só não exclui ninguém da sua proposta de salvação – nem sequer aqueles que, pelas suas atitudes “politicamente incorrectas” são marginalizados pelos outros homens – mas até tem um “fraco” especial pelos excluídos: são precisamente esses os destinatários privilegiados do amor de Deus".

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Edificar a vida sobre a Palavra de Deus

       "Mais cedo ou mais tarde, o ter, o prazer e o poder manifestam-se incapazes de realizar as aspirações mais profundas do coração do homem. De facto, para edificar a própria vida, ele tem necessidade de alicerces sólidos, que permaneçam mesmo quando falham as certezas humanas. Na realidade, já que «para sempre, Senhor, como os céus, subsiste a vossa palavra» e a fidelidade do Senhor «atravessa as gerações » (Sl 119, 89-90), quem constrói sobre esta palavra, edifica a casa da própria vida sobre a rocha (cf. Mt 7, 24). Que o nosso coração possa dizer a Deus cada dia: «Sois o meu abrigo, o meu escudo, na vossa palavra pus a minha esperança » (Sl 119, 114), e possamos agir cada dia confi ando no Senhor Jesus como São Pedro: « Porque Tu o dizes, lançarei as redes» (L c 5, 5)".

Bento XVI, Verbum Domini, n.º 10.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Catequese Paroquial de Tabuaço - Primeira Comunhão

       Solenidade do Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço é tradicionalmente o dia da Primeira Comunhão. Este ano foram as 17 crianças do 3.º ano de catequese que comungaram pela primeira vez. Depois de algumas fotos para recordar este momento, deixamos agora um pequeno vídeo com mais algumas fotos que juntamos às nossas e cedidas pela Foto Martinho e Pinto. Acompanham as imagens duas canções retiradas do CD "SOMOS +", Edições Salesianas e de apoio ao 8.º ano de catequese...

Para ver fotos de todas as Festas da Catequese 2012,

terça-feira, 12 de junho de 2012

Morrer é só não ser visto...

       O verso certeiro de Fernando Pessoa que diz «Morrer é só não ser visto» ganhou, nos últimos dias, significados que nos deveriam desassossegar. As notícias que dão conta dos idosos que vivem e morrem em total solidão mostram-nos como a frase de Pessoa não é apenas uma alusão simbólica à invisibilidade dos mortos, mas se tornou uma descrição literal do que, entre nós, acontece aos vivos. Num número que ninguém ainda consegue bem quantificar, mas que os poucos indicadores dão como preocupante e crescente, multiplicam-se as situações de isolamento humano, sobretudo na terceira idade, precisamente quando o cuidado e o acompanhamento deveriam ser redobrados.
       Por vezes, no cruzamento apressado das horas, deparamos com um rosto idoso que nos olha por detrás de uma janela, na nesga quase oculta de uma cortina, e fazemos por não pensar muito nisso. Mas que nos dizem esses olhos Que nos dizem esses olhos que nos olham em silêncio, sedentos de proximidade e de palavra; esses olhos para quem tudo é adiado; esses olhos que se sabem deixados para o fim ou nem isso; esses olhos impotentes e, ainda assim, tão doces; esses olhos que tacteiam as coisas e já não estão certos de as reconhecer ou de as poder activar; esses olhos que desistem um milhão de vezes por dia e nenhuma delas sem dor; esses olhos que se deixaram sequestrar pela televisão a tempo inteiro; esses olhos vazios do que não viram, mas que não desistem de esperar; esses olhos atrapalhados na geografia que alteramos sem aviso; esses olhos que não conseguem perceber a literatura incluída de um mundo que, sem o merecerem, lhes é hostil? Sim, que nos dizem os olhos que encontramos regularmente por anos a fio, ou mesmo só por uns meses, que nos habituamos a reconhecer na nossa paisagem anónima e distraída e, de repente, deixamos de ver? «Morrer é só não ser visto». Deveríamos escrever o verso de Pessoa na Constituição da República e no nosso coração.

Pe. José Tolentino Mendonça, Editorial da Agência Ecclesia.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A Palavra de Deus não se contrapõe ao homem

       "Neste diálogo com Deus, compreendemo-nos a nós mesmos e encontramos resposta para as perguntas mais profundas que habitam no nosso coração. De facto, a Palavra de Deus não se contrapõe ao homem, nem mortifica os seus anseios verdadeiros; pelo contrário, ilumina-os, purifica-os e realiza-os. Como é importante, para o nosso tempo, descobrir que só Deus responde à sede que está no coração de cada homem! Infelizmente na nossa época, sobretudo no Ocidente, difundiu-se a ideia de que Deus é alheio à vida e aos problemas do homem; pior ainda, de que a sua presença pode até ser uma ameaça à autonomia humana".

Bento XVI, Verbum Domini, n.º 23.

domingo, 10 de junho de 2012

Festa das Bem-aventuranças 2012

       Sábado, 9 de junho, Eucaristia vespertina, mais uma festa da catequese, desta feita das Bem-aventuranças, dos adolescentes do 7.º ano. Tivemos a ventura de celebrarmos também o Sacramento do Batismo da Constança, filha do Sérgio e da Marlene, paroquianos de Tabuaço. Ficam algumas das imagens desta belíssima festa...
 
 
 
Para mais fotografias visitar:

sábado, 9 de junho de 2012

X Domingo do Tempo Comum (ano B) - 10 de junho

       1 – Respondeu-lhes Jesus «Quem é minha Mãe e meus irmãos?» E, olhando para aqueles que estavam à sua vota, disse: «Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe».
       É de todos conhecida esta reação de Jesus àqueles que O interpelaram sobre a presença de Maria e dos seus familiares mais próximos. Estranha-se esta passagem, até porque Maria e os seus familiares muitas vezes O acompanhavam sem que isso tenha suscitado admiração. Por outro lado, compreende-se numa situação que sugere que Jesus estava a passar das marcas e que alguém tivesse advertido a Sua Mãe e os familiares que poderiam ter alguma influência para levar Jesus para casa, para não provocar mais problemas.
       Aliás o contexto é esse mesmo. Jesus chama as pessoas e fala-lhes em parábolas como resposta a acusações de que estaria possuído por algum espírito demoníaco:
«Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se. E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode aguentar-se. Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido. Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa. Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado eterno».
       Numa e noutra indicação, Jesus deixa um apelo à unidade, desafiando-nos a alargar o conceito de família, para lá das paredes da nossa casa física.
       Tal como um reino, também a família só sobrevive se os seus membros não estiverem permanentemente uns contra os outros. Por outro lado, a família biológica, fundamental ao crescimento da pessoa, há de dar lugar à família dos filhos de Deus. Jesus aponta para uma identidade que quebre fronteiras e nos projete no Coração de Deus.

       2 – A família é a célula primária e fundamental de uma sociedade adulta, democrática, saudável, é essencial na comunicação da vida e dos valores, no cultivo da liberdade e da solidariedade (entre pessoas e entre as diversas gerações), na inserção positiva e estruturação da social.
       Quando a família é descaracterizada, todo o tecido social se ressente. A casa, a família, é o tempo, o lugar e o alfobre da vida em qualidade. Nela cada pessoa aprende a falar, a ler o seu semelhante, a reconhecer a sua identidade, na abertura aos outros e ao Totalmente Outro (expressão de E. Levinas), ou melhor, ao Totalmente Próximo (expressão de Gongalez Faus).
       A urgência e a grandeza da família é para Jesus uma certeza inabalável. Na casa de Nazaré, Jesus descobre-se filho, relaciona-se no seio da vida familiar reconhecendo-se irmão com familiares e vizinhos, aprende a ser pessoa em relação, com os mais próximos mas também com as pessoas que vêm de outros lugares, das pessoas que passam para pedir abrigo, esmola, proteção. A sensibilidade de Jesus resulta da vivência em família, na atenção ao próximo, na riqueza da caridade e na importância do trabalho honesto e dedicado.
       É também da sua casa paterna/materna que Jesus é introduzido na casa de Deus, na religião judaica, com os seus ritmos e com as suas tradições. É por ter da família uma visão por demais positiva que Jesus concebe uma família mais alargada.
       A sua mãe, os seus irmãos, a sua família, são todos aqueles e aquelas que procuram viver em sintonia com Deus, com a Sua vontade. Como em outra passagem, Jesus deixa claro: mais felizes são aqueles que escutam a palavra de Deus e a põem em prática. E não bastam as palavras, não basta dizer "Senhor, Senhor", é preciso traduzir em obras o que se professa com os lábios, para assim integrar o reino de Deus.

       3 – A pessoa é um ser em relação. Das muitas definições que se encontram sobre a pessoa, esta é das mais expressivas para nos dizer da solidariedade específica e inolvidável do ser humano. Obviamente, que não se pode reduzir a vida e a pessoa à sua capacidade de relação, com o grave perigo de suprimir a vida do ser humano a quem não se reconheça capacidade relacional, ainda que a relação exista para lá das aparências biológicas. A pessoa é um ser único e irrepetível, é filho/a de Deus, desde a concepção à morte (natural).
       Desde o início que estamos "condenados" a relacionar-nos com os outros, em família, com o mundo, a natureza, com o mundo espiritual, na nossa vida interior e o apelo em nós inscrito à transcendência. Mais uma vez a valoração da família humana, na qual aprendemos a ser pessoas e a nos relacionarmos saudavelmente com outros, e da família que integramos pela fé. A nossa vida limitada ao tempo e ao mundo terrenos reduziria a nossa esperança a pó, a nada, ao vazio, ao ocaso, fazendo-nos cair em depressão definitiva, ou num cinismo selvagem.
       São Paulo, num texto bem conhecido, ilustra a nossa vocação à transcendência, à vida espiritual, ao sobrenatural:
"Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele... Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia. Porque a ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, em peso eterno de glória. Não olhamos para as coisas visíveis, olhamos para as invisíveis: as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas. Bem sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens".
       Em relação com os outros, na nossa fragilidade e limitação humanas, por vezes desviámo-nos da vontade de Deus, contornámos o caminho que nos levará à morada eterna, obra de Deus. Desde o início, o ser humano se confrontou com a sua liberdade. A falta de solidariedade em família, ou na comunidade, leva à ruína, é o pecado que nos condena à solidão e ao conflito (infernal), e promove a desculpa e a acusação:
Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?» Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi».
       O projeto original é salvo pelo amor, pelo regresso à família de Deus, pela adesão à vontade divina, para que prevaleça em nós a obra de Deus, até à eternidade.

Textos para a Eucaristia (ano B): Gen 3, 9-15; 2 Cor 4, 13 – 5, 1; Mc 3, 20-35.

Proclama a Palavra, insiste...

       "Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina. Tempo virá em que os homens não suportarão mais a sã doutrina: mas, desejosos de ouvir novidades, escolherão para si uma multidão de mestres, ao sabor das suas paixões, e desviarão os ouvidos da verdade, voltando-se para as fábulas. Tu, porém, sê prudente em tudo, suporta os sofrimentos, trabalha no anúncio do Evangelho, cumpre bem o teu ministério. Quanto a mim, já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda". (2 Tim 4, 1-8).
       As recomendações de Paulo a Timóteo são também para toda a comunidade cristã, são também para nós. Há, no nosso tempo, sinais alarmantes em relação às verdades do Evangelho. Se pensarmos que muitas ideias andam ao sabor do vento, das sondagens e do populismo, então a palavra de São Paulo sobre a fidelidade ao Evangelho, mesmo no meio da perseguição, ou como contra-corrente, é mais pertinente e provocadora.
       Por outro lado, Paulo tem consciência de ter cumprido a sua missão com zelo, dedicação, com generosidade.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

As borboletas e o fogo

       Uma noite, as borboletas reuniram-se na ânsia de conhecer a chama.
       Diziam:
       – é preciso que alguém nos dê alguma informação.
       Uma delas aproximou-se de um castelo e, de fora, viu a luz da candeia. Contou as colegas a sua impressão segundo tinha podido entender. Mas a borboleta que presidia à assembleia não ficou satisfeita. E disse:
       – Não sabes nada acerca da chama.
       Partiu uma outra e penetrou no castelo, tocando na candeia, mas ficando longe da chama. Também esta trouxe uma mão cheia de segredos, falando do seu encontro com a candeia. Mas a borboleta sábia disse:
       – Também isso não é uma informação com interesse, minha querida. Precisamos de uma melhor investigação.
       Partiu a terceira e devagarinho, bateu as asas e poisou em cima da chama. Estendeu as patas e abraçou-a, perdendo-se alegremente nela. Envolvida completamente pelo fogo, tornou-se toda vermelha como ele.
       Quando a borboleta sábia a viu de longe a tornar-se uma só coisa com a candeia e a ficar cor da luz, disse:
       – Apenas esta conseguiu. Só ela sabe alguma coisa acerca da chama!
Lenda Árabe

       Em muitas das questões fundamentais, o ser humano precisa de fazer a experiência por si mesmo. Não basta o que ouvimos dizer, é fundamental o que sentimos nesta ou naquela dimensão da vida. Para o crente cristão não basta o que já ouvir dizer de Jesus Cristo, é imperioso que faça a experiência de Jesus na sua vida pessoal e familiar, que leia, medite, reflicta a Palavra de Deus, que concretize a sua fé em gestos concretos de perdão e de caridade, ao jeito de Jesus, para assim saber quem é Jesus,...

Permanece firme no que aprendeste!

       Caríssimo: Tu seguiste-me fielmente no ensino, no modo de vida, nos projectos, na fé, na paciência, na caridade, na constância, nas perseguições e nos sofrimentos que suportei em Antioquia, em Icónio e em Listra. Que perseguições eu não tive de sofrer! Mas de todas me livrou o Senhor. Todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Os homens maus, porém, e os fraudulentos irão de mal a pior, enganando os outros e enganando-se a si mesmos. Mas tu, permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo, sabendo de quem o aprendeste. Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça. Assim o homem de Deus será perfeito, bem preparado para todas as boas obras (2 Tim 3, 10-17).
       Paulo, nesta segunda epístola a Timóteo, exorta de novo o discípulo e agora responsável de comunidades a manter-se firme na fidelidade à palavra de Deus, lembrando que a Bíblia, palavra inspirada por Deus é útil para ensinar, persuadir, corrigir, formar segundo a justiça...