domingo, 23 de fevereiro de 2014

Papa Francisco, Bento XVI e os novos Cardeais

       No dia da Festa da Cadeira de São Pedro, com o Consitório para a criação de 19 Cardeais, o Papa Francisco acolheu alegremente a presença do Seu Predecessor, o Papa Emérito, Bento XVI. Eis algumas imagens:

Creio em Deus Pai, Filho e Espírito Santo

        "O Pai é o amor originário, a fonte de todo o amor. Ele começa o amor. «Só Ele começa a amar sem motivos; mais é Ele quem, desde sempre, começou a amar (Eberhard Jüngel). O Pai ama desde sempre e para sempre, sem ser obrigado nem motivado a partir de fora. É o «Eterno amante». Ama e continuará a amar sempre. Nunca nos reinará o Seu amor e fidelidade. D'Ele só brota amor. Consequência: criados à Sua imagem, estamos feitos para amar. Só amando acertamos na existência.
       O ser Filho consiste em receber o amor do Pai. Ele é o «Amado eternamente», antes da criação do mundo. O Filho é o amor que acolhe, a resposta eterna do amor do Pai. O mistério de Deus consiste, pois, em dar e também em receber amor. Em Deus, deixar-se amar não é menos que amar. Receber é também divino! Consequência: criados à imagem de Deus estamos feitos não só para amar, mas também para ser amados.
       O Espírito Santo é a comunhão do Pai e do Filho. Ele é o AMOR eterno entre o Pai amante e o Filho amado, é Ele que revela que o amor divino não é possessão ciumenta do Pai nem apropriação egoística do Filho. O amor verdadeiro é sempre abertura, dom, comunicação transbordante. Por isso, o amor de Deus não se fica em si mesmo, mas comunica-se e estende-se às Suas criaturas. «O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rom 5,5). Consequência: criados à imagem de Deus, estamos feitos para amar, sem nos apropriarmos, nem nos encerrarmos em amores fictícios e egoístas".

José ANTONIO PAGOLA, O Caminho aberto por Jesus: Mateus.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Domingo VII do Tempo Comum - ano A - 23 de fevereiro

       1 – Quem julgas que és? Estás a ameaçar-me? Livra-te, vou chamar o meu irmão mais velho! / E eu vou chamar os meus amigos. / Eu trago os meus amigos e os meus irmãos, e todos sabem que os meus irmãos são os mais fortes da escola! / Não tenho medo, trazes os teus amigos e irmãos e eu trago o meu professor de Karaté…
       Esta é uma pequena estória semelhante a tantas outras. Em primeiro lugar, é uma contenda entre crianças e também elas pouco a pouco deverão aprender que os problemas se resolvem melhor, mais duradoiramente, a conversar. Por outro lado, meterem-se adultos ao barulho, como pais, compreende-se e em algumas situações torna-se imperioso, mas muitas vezes tem efeitos perversos, pois os filhos voltam a ser amigos e os pais tornam-se inimigos para sempre. Porém, esta pequena estória tem hoje um contexto diferente. Ao olharmos o nosso tempo, e apesar da evolução cultural e social, continuam a repetir-se situações idênticas. E assim, por vezes, a educação dos filhos: Chamou-te nomes? Chama também. Bateu-te? Bate-lhe também. Tens medo? Leva uma colega mais velho contigo.
       O meu vizinho deitou um ramo do castanheiro para o meu quintal... E tu não fizeste nada? Claro que fiz: voltei a deitar-lhe o ramo e o lixo que tinha do meu lado. E aprendeu a lição? Achas? Aparou o castanheiro e deitou os ramos para o que é meu. E tu que fizeste? Se fosse eu ou chamava a polícia ou ia lá a casa e só se não pudesse senão partia-lhe as fuças. Não te preocupes, eu fiz melhor, cortei a lenha aos bocados e tenho-a aproveitado para a lareira, bem jeito me faz. Além do mais, já vai para duas semanas e se me vê recolhe-se em casa. Estou em crer que um dia destes ainda me vai pedir para se aquecer em minha casa…
       Há histórias semelhantes que acabam no hospital, na cadeia e na morgue... Infelizmente multiplicam-se situações destrutivas entre vizinhos e por vezes dentro das famílias.
        2 – Ao ver a multidão, Jesus subiu para o monte. Os discípulos aproximam-se d'Ele. Jesus sentou-se e começou a ensiná-los (Mt 5, 1-2). É desta forma que São Mateus nos introduz no Sermão da Montanha. Bem-aventuranças. Ser sal da terra e luz do mundo. Plenitude da Lei de Moisés em dinâmica de perdão e de amor. Amor ao inimigo em contraponto à lei de talião. Jesus refere-a aos antigos, mas na atualidade continua a ter muitos seguidores: "Olho por olho e dente por dente".
       A violência, como facilmente se pode verificar, gera violência, multiplicando-a. Os bons propósitos das Nações Unidas (ONU) de impor a paz pelo exercício da força, quando não é possível o diálogo, a diplomacia, os acordos de paz, tem abafado a agressão fácil a países com menos recursos, mas gera novos ódios e desejos de vingança. Países que evoluíram para democracias, cujo chão ainda respira sangue e morte, continuam demasiado vulneráveis e ao mínimo podem vir ao de cima os ódios e as vinganças.
       Como víamos na semana passada, Jesus não vem para anular a Lei mas para a levar à plenitude e, por conseguinte, contrapõe: «Eu, porém, digo-vos: Não resistais ao homem mau. Mas se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda. Se alguém quiser levar-te ao tribunal, para ficar com a tua túnica, deixa-lhe também o manto. Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, acompanha-o durante duas. Dá a quem te pedir e não voltes as costas a quem te pede emprestado. Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos?»
       A referência é Deus: «Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito». Amar os outros como a nós mesmos indica claramente o caminho. Mas nem sempre o amor-próprio ou a autoestima serão critérios saudáveis para cuidar dos outros. Jesus dá o mote: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Sede misericordiosos como o Vosso Pai é misericordioso.
       3 – A primeira leitura traz-nos o desafio de Deus, através de Moisés, a uma convivência sadia entre pessoas e grupos: «Não odiarás do íntimo do coração os teus irmãos, mas corrigirás o teu próximo, para não incorreres em falta por causa dele. Não te vingarás, nem guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor». E de novo a referência a ter em conta é o próprio Deus: «Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo».
       Na mesma corrente, o salmista mostra o quanto Deus nos ama e como age com benevolência para connosco, para que também nós sejamos generosos no perdão e na caridade: «Ele perdoa todos os teus pecados e cura as tuas enfermidades; salva da morte a tua vida e coroa-te de graça e misericórdia. O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade; não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos castigou segundo as nossas culpas».
       Se Deus age tão misericordiosamente connosco, como não nos sentirmos impelidos a agir como Ele? Se O amamos vamos querer agir em conformidade com a Sua vontade!

      4 - Mas há mais. São Paulo mostra-nos, novamente, o nosso bilhete de identidade: pertencemos a Deus, somos criados à Sua imagem e semelhança, Ele assume-nos como filhos, como Sua morada. A resposta ao amor de Deus, como Pai/Mãe, levar-nos-á a amar a Deus, no compromisso com os outros, pois a todos Deus ama em perfeição. "Amor com a amor se paga" (São João da Cruz). Se Deus nos habita, a nossa casa tem de transpirar amor para O sentirmos em nós, para O revelarmos com a nossa vida.
       Diz o apóstolo: «Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é santo, e vós sois esse templo. Ninguém deve gloriar-se nos homens. Tudo é vosso: Paulo, Apolo e Pedro, o mundo, a vida e a morte, as coisas presentes e as futuras. Tudo é vosso; mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus».
       Se somos de Cristo, há de ser Ele agir em nós e através de nós continuar a viver e a atuar no mundo, nos outros.

Textos para a Eucaristia (ano A): Lev 19, 1-2.17-18; Sl 102 (103); 1Cor 3, 16-23; Mt 5, 38-48.

Há um ano: Bento XVI sobre a festa Cátedra de São Pedro

 
       "A «cátedra» é a cadeira reservada ao Bispo, da qual deriva o nome «catedral», atribuído à igreja em que, precisamente, o Bispo preside à liturgia e ensina ao povo. A Cátedra de São Pedro, representada na abside da Basílica do Vaticano por uma escultura monumental de Bernini, é símbolo da missão especial de Pedro e dos seus sucessores de apascentar o rebanho de Cristo mantendo-o unido na fé e na caridade. Já no início do século II santo Inácio de Antioquia atribuía à Igreja que está em Roma um primado singular, saudando-a na sua carta aos Romanos, como aquela que «preside na caridade». Esta tarefa especial de serviço deriva para a Comunidade romana e para o seu Bispo do facto de que nesta Cidade derramaram o seu sangue os Apóstolos Pedro e Paulo, além de numerosos outros Mártires. Assim, voltamos ao testemunho do sangue e da caridade. Portanto, a Cátedra de Pedro é sim sinal de autoridade, mas de Cristo, fundamentada na fé e no amor".

(Papa Bento XVI, Solenidade da Cátedra de São Pedro, Domingo, 19 de fevereiro de 2012)

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Paróquia de Tabuaço - À volta do Presépio

       Três momentos festivos realcionados entre si, com a envolvância da comunidade, do grupo de jovens (GJT), da catequese: Festa de Natal da Catequese, a 21 de dezembro de 2013; Missa do Galo, na passagem do dia 24 para 25 de dezembro de 2013, e Apresentação de Jesus, no dia 2 de fevereiro de 2014, com a bênção das Velas, bênção do pão, bênção das Crianças. A música de fundo é a belíssima melodia do Pe. Zézinho, qua apresentamos abaixo.
       Vídeo-diaporama com algumas fotos dos três momentos à volta do Presépio:
1. Se ouvires a voz do vento, chamando sem cessar,
se ouvires a voz do tempo, mandando esperar:

A decisão é tua, a decisão é tua.
São muitos os convidados, são muitos os convidados.
Quase ninguém tem tempo. Quase ninguém tem tempo.


2. Se ouvires a voz de Deus chamando sem cessar,
se ouvires a voz do mundo querendo-te enganar:

3. O trigo já se perdeu, cresceu ninguém colheu.
O mundo passando fome, passando fome de Deus.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Audiência Geral de Bento XVI...


Palavras de Bento XVI na Audiência Geral

Na habitual Audiência Geral das quartas-feiras, hoje, Quarta-feira de Cinzas, 13 de fevereiro, Bento XVI voltou a explicar as razões da resignação:
"Caros irmãos e irmãs,
Como sabeis, decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou a 19 de abril de 2005. Fi-lo em plena liberdade, para o bem da Igreja, depois de ter rezado longamente e de ter examinado diante de Deus a minha consciência, bem consciente da gravidade desse ato, mas também consciente de já não estou em condições de prosseguir o ministério petrino com aquela força que ele exige. Sustenta-me e ilumina-me a certeza de que a Igreja é de Cristo, O qual nunca fará faltar a sua guia e o seu cuidado. Agradeço a todos pelo amor e pela oração com que me tendes acompanhado. Obrigado, senti quase fisicamente nestes dias nada fáceis para mim, a força da oração que o amor da Igreja, a vossa oração, me traz. Continuai a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro Papa. O Senhor o guiará".
 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Limites que aproximam 2

       Diante do sofrimento e do mal haverá lugar para a esperança? Ouvirá Deus a minha prece? Onde Se esconde Deus quando preciso d’Ele?
       Job e Qohélet chegam à conclusão que o sofrimento não é resultado do bem ou do mal, pois há pessoas boas a sofrer muito e pessoas más a terem uma vida regalada. Os dois textos chegam quase a um beco sem saída. Se não houver uma justiça maior do que aquela que vivemos no tempo presente a nossa busca não teria sentido, tudo seria em vão. Se bem que essa constatação nos pudesse levar a desfrutar melhor da vida, positiva ou negativamente, o vazio seria sempre o destino dos nossos atos, e os nossos fracassos seriam sempre avassaladores.
       Tudo é vaidade (tudo é em vão), a não ser que nos salve o olhar de Deus. "O resumo do discurso, de tudo o que se ouviu, é este: teme a Deus e guarda os seus preceitos, porque este é o dever de todo o homem. Deus pedirá contas, no dia do juí­zo, de tudo o que está oculto, quer seja bom, quer seja mau".
       Job da mesma forma disponibiliza-se com humildade para reconhecer e aceitar a justiça de Deus que ultrapassa toda a justiça humana, ainda que nosso espírito ainda não esteja capacitado para ver.
       Voltando ao ponto de partida, importa fazer de todas as nossas experiências uma oportunidade para nos tornarmos mais fortes, para aprendermos a viver melhor, mais confiantes, disponíveis para acolher o que o tempo nos pode trazer e sobretudo as pessoas e o mistério de Deus nos podem dar.
       Parafraseando São Paulo, quando sou fraco é que sou forte. As minhas fraquezas e insuficiências podem efetivar a decisão firme de me abrir ao semelhante e me disponibilizar para aprender, para crescer. Os fracassos de hoje podem ser janelas abertas que me trazem o vento fresco, o sol que inunda de luz a minha casa, possibilitando que veja para lá das dificuldades do tempo presente.
       O tempo presente não se compara ao que há de vir, onde veremos Deus face a face – São João sublinha que o que somos é uma pequena amostra do que seremos (1Jo 3,2) –, porquanto o nosso compromisso é com o tempo, com o mundo, com a história. É a nossa missão maior, que nos coloca a caminho – São Paulo (Fil 1, 19-26): vivo para ser útil para os meus irmãos.

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4249, de 28 de janeiro de 2014

Limites que aproximam

       Faça das suas insuficiências oportunidade de partilha, de comunhão, de enriquecimento espiritual, de fortalecimento psicológico, numa palavra, faça com que os seus limites sejam uma porta aberta para a saúde (física e espiritual) e para a felicidade.
       Numa série de desenhos animados, Naruto, uma das personagens, dá-nos uma lição extraordinária, e onde se intuem palavras da Bíblia. Jiraiya Sam, um dos três ninjas lendários, da aldeia oculta na folhagem, depara-se com o momento da morte e como numa crónica da sua vida deixa este testamento:
       "Os fracassos são distrações, são testes que aperfeiçoam as nossas qualidades. Vivi a acreditar nisso e em troca jurei cumprir uma missão tão importante que me fizesse esquecer os meus fracassos, assim morreria como um grande ninja... no final também falhei nessa escolha... que história mais inútil... o mais importante é a capacidade de nunca desistir, nunca faltar à palavra, e principalmente nunca desistir, aconteça o que acontecer... Nunca desistir, era essa a verdadeira escolha que tinha de fazer...".
       Encontramos esta riqueza de linguagem no livro de Eclesiastes e no livro de Job, que integram a literatura sapiencial, fazem parte do conjunto de livros do Antigo Testamento, que nos falam da sabedoria, ensinamentos, máximas do povo de Israel, lições de vida deixadas de pais para filhos, de mestres para discípulos.
       Diz Qohélet (Eclesiastes) – vaidade das vaidades, tudo é vaidade… não há nada de novo debaixo do sol, tudo o que o homem faz é vaidade, não passa de um sopro que logo desaparece.
       “Aquilo que foi é aquilo que será; aquilo que foi feito, há de voltar a fazer-se: e nada há de novo debaixo do Sol!... apliquei o meu espírito a estudar e a ex­plorar… Apli­quei, igualmente, o meu co­ra­ção a conhecer a sabedoria, a lou­cura e a insensatez; e reconheci que também isto é correr atrás do vento. Por­que na muita sabe­do­ria há mui­­ta arrelia, e o que au­men­ta o co­nhe­ci­mento, aumenta o sofri­mento” (Ecl 1, 17-18).
       Em Job encontramos o mesmo lamento. O mal seria consequência/castigo do pecado. Job descobre que a sua vida corre mal, o que é uma tremenda injustiça. Sempre se dedicou a fazer o bem, a viver segundo a justiça, a praticar boas obras, a usar de misericórdia. No final, de nada lhe adiantou ser bom e justo, o mundo desabou sobre ele.
       Haverá lugar para a esperança? Ouvirá Deus a minha prece? Onde Se esconde Deus quando preciso d’Ele?

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4248, de 21 de janeiro de 2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Resignação de Bento XVI como Papa

Caríssimos Irmãos,
        convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

Bento XVI - Um humilde trabalhador da vinha






HUMILDADE: a última encíclica de BENTO XVI

       Bento XVI não publicará a encíclica sobre a fé – embora em fase avançada – que devia apresentar na primavera. Já não tem tempo. E nenhum sucessor é obrigado a retomar uma encíclica incompleta do próprio predecessor. Mas existe outra encíclica de Bento XVI, escondida no seu coração, uma encíclica não escrita. Ou melhor, escrita não pela sua pena mas pelo gesto do seu pontificado. Esta encíclica não é um texto, mas uma realidade: a humildade.
       A 19 de abril de 2005 um homem que pertence à raça das águias intelectuais, temido pelos seus adversários, admirado pelos seus estudantes, respeitado por todos devido à acutilância das suas análises sobre a Igreja e o mundo, apresenta-se, recém-eleito Papa, como um cordeiro levado para o sacrifício. Utilizará até a terrível palavra «guilhotina» para descrever o sentimento que o invadiu no momento em que os seus irmãos cardeais, na Capela Sistina, ainda fechada para o mundo, se viraram para ele, eleito entre todos, para o aplaudir. Nas imagens da época, a sua figura curvada e o seu rosto surpreendido testemunham-no.
       Depois teve que aprender o mister de Papa. Extirpou, como raízes arraigadas sob o húmus da terra, o eterno tímido, lúcido na mente mas desajeitado no corpo, para o projetar perante o mundo. Foi um choque para ambas as partes. Não conseguia assumir a desenvoltura do saudoso João Paulo II. O mundo compreendia mal aquele Papa sem efeito. Bento XVI nem teve os cem dias de "estado de graça" que se atribuem aos presidentes profanos. Teve, sem dúvida, a graça divina, fina mas pouco mundana. Contudo teve, ainda e sempre, a humildade de aprender sob os olhares de todos.
       Foram sete anos terríveis de pontificado. Nunca um Papa teve, num certo sentido, tão pouco "sucesso". Passou de polémica em polémica: crise com o Islão depois do seu discurso de Ratisbona, onde evocou a violência religiosa; deformação das suas palavras sobre a Sida durante a primeira viagem à África, que suscitou um protesto mundial; vergonha sofrida pelo explodir da questão dos sacerdotes pedófilos, por ele enfrentada; o caso Williamson, onde o seu gesto de generosidade em relação aos quatro bispos ordenados por D. Lefebvre (o Papa revogou as excomunhões) se transformou numa reprovação mundial contra Bento XVI, porque não tinha sido informado sobre os discursos negacionistas da Shoah feitos por um deles; incompreensões e dificuldades de pôr em ação o seu desejo de transparência quanto às finanças do Vaticano; traição de uma parte do seu grupo mais próximo no caso Vatileaks, com o seu mordomo que subtraiu cartas confidenciais para as publicar...
       Não teve nem sequer um ano de trégua. Nada lhe foi poupado. Às violentas provações físicas do pontificado de João Paulo II, ao atentado e ao mal de Parkinson, parecem corresponder as provações morais de rara violência desta litania de contradições sofrida por Bento XVI.
       Ao renunciar, o Papa eclipsa-se. À própria imagem do seu pontificado. Mas só Deus conhece o poder e a fecundidade da humildade.

Jean-Marie Guénois, in Le Figaro Magazine, 15-16.2.2013. Transcrição: L'Osservatore Romano © SNPC | 25.02.13.

Pontificado do Papa Bento XV


Bento XVI: Pontificado do silêncio


Bento XVI - O Senhor me chama à montanha...



Momentos divertidos com Bento XVI


Grandes momentos do pontificado de Bento XVI


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Dia Mundial do Doente - MSG do Papa Francisco

FÉ E CARIDADE:

«Também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos»

(1 Jo 3, 16)
Amados irmãos e irmãs!

       1. Por ocasião do XXII Dia Mundial do Doente [11 de fevereiro de 2014], que este ano tem como tema Fé e caridade: «também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16), dirijo-me de modo particular às pessoas doentes e a quantos lhes prestam assistência e cura. A Igreja reconhece em vós, queridos doentes, uma presença especial de Cristo sofredor. É assim: ao lado, aliás, dentro do nosso sofrimento está o de Jesus, que carrega connosco o seu peso e revela o seu sentido. Quando o Filho de Deus subiu à cruz destruiu a solidão do sofrimento e iluminou a sua escuridão. Desta forma somos postos diante do mistério do amor de Deus por nós, que nos infunde esperança e coragem: esperança, porque no desígnio de amor de Deus também a noite do sofrimento se abre à luz pascal; e coragem, para enfrentar qualquer adversidade em sua companhia, unidos a Ele.

       2. O Filho de Deus feito homem não privou a experiência humana da doença e do sofrimento mas, assumindo-os em si, transformou-os e reduziu-os. Reduzidas porque já não têm a última palavra, que é ao contrário a vida nova em plenitude; transformados, porque em união com Cristo, de negativas podem tornar-se positivas. Jesus é o caminho, e com o seu Espírito podemos segui-lo. Como o Pai doou o Filho por amor, e o Filho se doou a si mesmo pelo mesmo amor, também nós podemos amar os outros como Deus nos amou, dando a vida pelos irmãos. A fé no Deus bom torna-se bondade, a fé em Cristo Crucificado torna-se força para amar até ao fim também os inimigos. A prova da fé autêntica em Cristo é o dom de si, o difundir-se do amor ao próximo, sobretudo por quem não o merece, por quantos sofrem, por quem é marginalizado.

       3. Em virtude do Baptismo e da Confirmação somos chamados a conformar-nos com Cristo, Bom Samaritano de todos os sofredores. «Nisto conhecemos o amor: no facto de que Ele deu a sua vida por nós; portanto, também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16). Quando nos aproximamos com ternura daqueles que precisam de cura, levamos a esperança e o sorriso de Deus às contradições do mundo. Quando a dedicação generosa aos demais se torna estilo das nossas acções, damos lugar ao Coração de Cristo e por Ele somos aquecidos, oferecendo assim a nossa contribuição para o advento do Reino de Deus.

       4. Para crescer na ternura, na caridade respeitadora e delicada, temos um modelo cristão para o qual dirigir o olhar com segurança. É a Mãe de Jesus e nossa Mãe, atenta à voz de Deus e às necessidades e dificuldades dos seus filhos. Maria, estimulada pela misericórdia divina que nela se faz carne, esquece-se de si mesma e encaminha-se à pressa da Galileia para a Judeia a fim de encontrar e ajudar a sua prima Isabel; intercede junto do seu Filho nas bodas de Caná, quando falta o vinho da festa; leva no seu coração, ao longo da peregrinação da vida, as palavras do velho Simeão que lhe prenunciam uma espada que trespassará a sua alma, e com fortaleza permanece aos pés da Cruz de Jesus. Ela sabe como se percorre este caminho e por isso é a Mãe de todos os doentes e sofredores. A ela podemos recorrer confiantes com devoção filial, certos de que nos assistirá e não nos abandonará. É a Mãe do Crucificado Ressuscitado: permanece ao lado das nossas cruzes e acompanha-nos no caminho rumo à ressurreição e à vida plena.

       5. São João, o discípulo que estava com Maria aos pés da Cruz, faz-nos ir às nascentes da fé e da caridade, ao coração de Deus que «é amor» (1 Jo 4, 8.16), e recorda-nos que não podemos amar a Deus se não amarmos os irmãos. Quem está aos pés da Cruz com Maria, aprende a amar como Jesus. A Cruz «é a certeza do amor fiel de Deus por nós. Um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos confere a força para o carregar, entra também na morte para a vencer e nos salvar... A Cruz de Cristo convida-nos também a deixar-nos contagiar por este amor, ensina-nos a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo para quem sofre, para quem tem necessidade de ajuda» (Via-Sacra com os jovens, Rio de Janeiro, 26 de Julho de 2013).

       Confio este XXII Dia Mundial do Doente à intercessão de Maria, para que ajude as pessoas doentes a viver o próprio sofrimento em comunhão com Jesus Cristo, e ampare quantos deles se ocupam. A todos, doentes, agentes no campo da saúde e voluntários, concedo de coração a Bênção Apostólica.

Vaticano, 6 de Dezembro de 2013.
FRANCISCO

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Pinheiros - Apresentação de Jesus - 2014

       No dia 2 de fevereiro, conhecido como o Dia das Candeias, a Igreja celebra a Apresentação de Jesus. Também na Paróquia de Santa Eufémia de Pinheiros se assinalou este dia, na forma habitual de benzer as Velas,gesto que nos relembra do Batismo, iniciando com este rito a Eucaristia. O Evangelho do dia foi ilustrado pelas crianças e jovens adolescentes. Ficam algumas imagens deste momento de festa.
Para ver todas as fotos disponíveis visitar:

Tabuaço - Apresentação de Jesus - 2014

       Festa da Apresentação de Jesus no Templo, conhecido também como o dia das Candeias, e por isso a bênção das velas, que recorda o batismo, cuja LUZ é Jesus Cristo, dia dedicado especialmente às crianças, e como Ele no templo assim a bênção das crianças. Ao templo era levadas as primícias da família e da terra. O primeiro filho varão é de Deus e assim também os primeiros frutos da terra. Neste sentido, a bênção do pão (e nalgumas localidades a bênção dos campos), que nos alimenta e nos deve comprometer com a partilha solidária. Ficam imagens desta celebração, com a encenação do Evangelho da Apresentação de Jesus.
Para ver todas as fotos disponíveis visitar:

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Fernanda Serrano - Também há finais felizes

FERNANDA SERRANO. Também há finais felizes. Oficina do Livro. Alfragide 2013, 3.ª edição, 246 páginas.
       Partindo do título que nos é proposto, constatações imediatas: perante situações aflitivas é possível que haja esperança, pois a prática mostra que há situações que nos levam a bom porto, apesar do percurso atribulado e das tempestades que têm de se enfrentar.
       Esta é uma história de vida que poderia ter um fim trágico e que pelo meio poderia ter deixado sequelas de desgaste e destruição nunca recuperáveis. A conhecida atriz, do teatro e da televisão, e também manequim, tinha uma vida que muitos desejaria, sucesso, visibilidade, uma família unida, pais, marido, e com o segundo filho, uma menina, pareceria uma família completa. Mas a vida dá muitas voltas, e nem sempre apanhamos o comboio.
       Nasce a filha e quase por acaso a atriz descobre um caroço na mama direita. Como mulher e mãe procura manter-se tranquila, mas com uma inquietação crescente. O obstreta tranquiliza-a. A Mãe insiste para que por uma vez tire a limpo o que poderá ser aquele caroço. Dar de mamar à filha tornou-se cada vez mais doloroso, amamentando progressivamente apenas do peito esquerdo, tal o desconforto. Depois de alguma insistência, o obstreta lá lhe recomenda um exame específico, e o que temia aconteceu: tinha um nódulo maligno na mama direita. Há que secar o leite e preparar-se para retirar o peito ou pelo menos em parte. A família está em pânico. Ela, o marido, os pais e alguns amigos chegados. Enquanto pode mantém este segredo em família e no círculo mais chegado, só depois da operação o dará a conhecer ao país.
       Com a operação marcada para retirar a mama do lado direito, consulta outro médica que aconselha mais positivamente a retirar apenas parte pois o temor ainda está circunscrito. Operada tudo corre pelo melhor. Volta a fazer uma vida quase normal, preparando-se para voltar ao teatro e à televisão. está tudo a correr bem. Consulta de novo o seu obstreta a fim de precaver alguma gravidez que tem de evitar a custo, pelo menos nos 2 anos subsequentes à operação. Entretanto coloca o DIU pelo facto de não lhe ser aconselhado a tomar pílula. Durante três anos estará descansada quanto a gravidezes. Durante a quimioterapia não haveria o risco de engravidar.
       Pratica desporto, tem uma alimentação muito regrada, prepara-se em definitivo para fazer uma vida normal, como mãe, como esposa, como atriz. Vai emagrecendo. Menos a barriga. Até que decide fazer um teste de gravidez e outro e outro e está mesmo grávida, de 17 semanas. Quanto colocou o DIU já estava grávida. Correria para médicos. Drama. Indefinição. Corre sério risco de vida. A recomendação mais importante que lhe tinha sido dada era precisamente não engravidar. Está em risco a sua vida. Tem dois filhos para criar. Tem de decidir rapidamente. Em Portugal já não é possível fazer um aborto, a não ser que tivesse sido violada. Ainda assim os médicos dizem-lhe que tem de decidir rapidamente pois corre o sério risco de deixar órfãos os seus filhos.
        Pede um sinal a Nossa Senhora de Fátima. "Sempre fui católica, mas nunca praticante. Era raro ir à missa ou rezar, não ligava nada a essas coisas. Quando passamos por situações delicadas agarramo-nos a tudo. Pode ser egoísmo - só nos lembrarmos nos momentos de aperto e de susto - mas, por outro lado, também é humano. Durante o meu processo clínico tornei-me muito mais crente. Muito mais... Orar, para mim, era uma conversa. Ainda hoje é. Dava graças a Deus pelo que tinha de bom, pedia que tudo se mantivesse bem, para mim e para as pessoas de quem gosto".
       Uma das suas amigas diz-lhe: "Pede uma resposta a Nossa Senhora e acredita que dentro de três dias vais tê-la". Entretanto decide-se a ligar para um especialista em medicina tradicional que a acompanha na recuperação e que lhe diz que a gravidez não acrescenta risco, pois o cancro não decorria de alterações hormonais e o feto em princípio ter-se-ia mantido protegia da intoxicação da quimioterapia. Consulta outro especialista, que lhe diz que a doença está controlada, que o cancro não era hormona-dependente e que a gravidez não acrescenta riscos para este cancro. A decisão desenha-se noutro sentido.
       "Nessa noite tive um sonho lindo, lindo. Sonhei com crianças, com bebés, coma amigas minhas que haviam sido mães há pouco tempo... já não sobravam dúvidas sobre nada. Aquela menina ia nascer. A resposta que tanto procurava, e que pedira a Nossa Senhora na noite de ano novo, chegara mesmo no prazo de três dias".
       Esta é uma leitura que vai valer a pena. Nem todas as histórias são iguais, pois as pessoas e as circunstâncias são diferentes. A história de Fernanda Serrano é comovente, mas é também um AVISO sério às mulheres e aos médicos que as tratam, para que não adiem, para que não façam de conta quando detetam alguma sinal de alarme. É uma história motivadora, de alguém que nunca desistiu, mesmo e apesar de horas bem negras e absolutamente sobre humanas. É uma história de fé, através da qual sempre sentiu sinais de Deus através de Nossa Senhora. É uma história de família. Esta foi um esteio, de apoio, de refúgio, de suporte físico e emocional, de bênção. É uma história de generosidade, e competência. Há muitos erros e alguns são fatais. Há, em contrapartida, pessoas extraordinariamente atentas, disponíveis, competentes, delicadas.
       Não deixe de ler e recomendar. A todas as mulheres. Mas também a todos os familiares, todos temos irmãs, mãe, pessoas amigas.

Plano Pastoral 2013.2014 - IDE e fazei discípulos

«Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos»
(Mt 28, 19-20).
        Após a Ressurreição, Jesus aparece aos seus discípulos e envia-os. Envia-nos.

Ide e fazei discípulos.

       Nunca deixamos de ser discípulos, alunos, aprendizes de Jesus Cristo. Simultaneamente, a missão de comunicar a alegria que recebemos. Ilustrativo o encontro de Maria com Isabel: “Logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio” (Lc 1, 44). Quem recebe a Boa Notícia, não pode fazer outra coisa senão passá-la ao próximo.
http://www.tbcparoquia.com/dlds/calendario_2013-2014.pdf

Ide e fazei discípulos.

       É uma tarefa de sempre. Como os discípulos da primeira hora, temos de viver Jesus, deixando que Ele nos fale e atue em nós, pelo Espírito Santo. Logo nos tornamos mensageiros do Seu amor, da Boa Notícia da salvação.
       Refere São Paulo: “se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!” (1Cor 9,16).
       O Papa Francisco, em vésperas da Sua eleição, já convocava a Igreja para sair a levar esta boa notícia a todos os recantos: “Evangelizar supõe na Igreja a "parresia" [coragem, entusiasmo] de sair de si mesma. A Igreja está chamada a sair de si mesma e ir para às periferias, não só as geográficas, mas também as periferias existenciais: as do mistério do pecado, as da dor, as da injustiça, as da ignorância e da indiferença religiosa, as do pensamento, as de toda a miséria… Quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se autorreferencial e então adoece… A Igreja, quando é autorreferencial, sem se aperceber, julga que tem luz própria, deixa de ser o mysterium lunae [mistério da lua]… [que o próximo Papa] …ajude a Igreja a sair de si para as periferias existenciais, que a ajude a ser a mãe fecunda que vive da “doce e reconfortante alegria de evangelizar”.
       O nosso Bispo, D. António Couto, na Carta Pastoral que enforma o ano pastoral e o lema que enquadra a vivência da fé neste chão da Diocese de Lamego, sublinha algumas prioridades, algumas delas constantes: primado da graça; vida de oração; proximidade; amor; Igreja como casa aberta a todos, dando também continuidade ao lema pastoral do ano anterior, "Vamos juntos construir a Casa da Fé e do Evangelho"; missão evangelizadora/missionária da Igreja; acolhimento do Evangelho com alegria, para o comunicar por palavras e com a vida; formação de cristãos conscientes e empenhados.
“Santa Maria, Mãe da Igreja e nossa Mãe, Senhora dos Remédios e de Fátima, [Virgem da Conceição], ícone do primado da graça e da oração, do serviço humilde que gera laços de comunhão e de missão, sê nossa companheira nos caminhos que agora nos propomos percorrer para sabermos melhor levar Cristo aos nossos irmãos e os nossos irmãos a Cristo.
Que Deus nos abençoe e nos guarde,
Que nos acompanhe, nos acorde e nos incomode,
Que os nossos pés calcorreiem as montanhas,
Cheios de amor e de alegria,
Que a tua Palavra nos arda nas entranhas,
E nos ponha no caminho de Maria”.
          (D. António Couto, Carta Pastoral, 24.11.2014)

       O IDE pressupõe o estar com Jesus, alimentar-se d’Ele, escutando a Sua Palavra, acolhendo a Sua mensagem, procurando imitá-l’O nas Suas obras. Deixemo-nos atrair por Jesus, identificando-nos com a Sua vontade e o Seu projeto de conciliação e amor, para depois nos deixarmos fazer ENVIADOS, na expressão do Papa Francisco, sermos verdadeira e simultaneamente discípulos missionários. IDE E FAZEI DISCÍPULOS…

       Pode fazer o download da calendarização pastoral da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição: