quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Tabuaço: Festa da Padroeira, Festa da Comunidade

       A festa mais importante para a comunidade paroquial é a Festa da Sua Padroeira, Nossa Senhora da Conceição. Na Paróquia de Tabuaço, a solenidade da Imaculada Conceição é precedida por uma novena preparatória. Desde o dia 29 de novembro, até à véspera do dia 8, um tempo de oração, de reflexão, de encontro, sob o olhar da Virgem Imaculada.
       O Pregador da Novena e da Festa foi o Pe. Dimantino Alvaíde, Pároco de Moimenta da Beira e de Cabaços. Ao longo dos dias foi-nos falando das Alegrias de Nossa Senhora: a alegria da chegada; a alegria da partida; a alegria do recebimento; a alegria do dar; a alegria do falar; a alegria do calar; a alegria de estarmos juntos; a alegria de estar sozinhos, e a alegria do perdão. No dia 5 de dezembro, sábado, dentro da Novena o Compromisso dos Acólitos e o início da Construção do Presépio.
       O momento mais importante, como não poderia deixar de ser, foi a celebração solene da Eucaristia, seguindo-se a Procissão por algumas das ruas da Vila/Paróquia de Tabuaço, com a paragem simbólica e expressiva frente ao Quartel dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço, dos quais é a Madrinha.
       Durante a pregação, o Pe. Diamantino Alvaíde, na dinâmica que nos trouxe durante a novena, encerrou com a maior Alegria de Nossa Senhora: dar-nos todas as alegrias. dar-nos Jesus. O seu sim, a Sua vida por inteiro, é acolher Jesus e dá-lo ao mundo inteiro. Essa ha de ser também a maior das nossas alegrias, receber de Maria o Seu Filho e dá-l'O a todos os que encontramos. A quantos mais levarmos Jesus melhor. Numa corrida (de bicicleta), o que chegar primeiro ganha. Como cristãos, a nossa corrida é ao inverso, corremos para que outros cheguem primeiro, vamos a empurrá-los. Quantos mais melhor. É a nossa missão. Empurramo-los para que depois eles nos puxem.
        Na Eucaristia foi distribuído o Boletim com a proposta de Reflexão do Pe. Dimantino, assumindo os dias da Novena: O dever de ser alegre como Nossa Senhora.
       Algumas imagens deste dia:
Outras imagens que temos disponíveis: Paróquia de Tabuaço no Facebook.

O Elias que estava para vir

       Disse Jesus à multidão: «Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o mais pequeno no reino dos Céus é maior do que ele. Desde os dias de João Baptista até agora, o reino dos Céus sofre violência e são os violentos que se apoderam dele. Porque todos os profetas e a Lei profetizaram até João. É ele, se quiserdes compreender, o Elias que estava para vir» (Mt 11, 11-15).
       João Baptista, com Isaías, com Nossa Senhora, com São José, é uma das figuras constantes do Advento. Vem antes de Jesus, como Precursor, como Aquele que prepara os caminhos do Senhor, amacia a chegada do Reino de Deus, a chegada do Messias, que para nós cristãos é Jesus Cristo.
       A proximidade do Reino há-de levar-nos à conversão, à mudança de vida, a uma adesão cada vez mais firme e consciente à Palavra de Deus, para que em nossas vidas se opere a vontade de Deus para nós e para o mundo que habitamos. O Advento é o tempo de graça que nos preparar espiritualmente para o Natal, e João, com o seu anúncio e com a sua vida, predispõe as pessoas (no caso, os judeus) para que recebam o Messias esperado.
       No Evangelho deste dia é Jesus quem dá testemunho de João Baptista. E ao apontar à figura de João, o Mestre dos Mestre convida-nos a dar importância à mensagem do Precursor: com João Baptista preparemo-nos para acolher Jesus que vem.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O dever de ser alegre, como Nossa Senhora

Reflexão preparada e distribuída na Solenidade da Imaculada Conceição 2015:

A sabedoria de quantos – e são tantos – os que souberam fazer das batalhas da vida um trampolim maior para alcançar uma felicidade profunda e duradoura advém, em grande parte, das pequenas alegrias que souberam semear e colher, nas e das diversas situações do seu quotidiano. Um dos exemplos mais evidentes disso mesmo é o da mãe de Jesus, a quem tão carinhosamente invocamos como Senhora da Conceição.

Precisamente desde o momento da conceção de Cristo, no seu seio, que conhecemos a sua vida como um contínuo e constante hino à alegria. A mulher que, de entre todas as do seu tempo, tenha sido talvez a mais incompreendida, a mais criticada e a mais desprezada, tornou-se para uma multidão de pessoas e um sem número de gerações a mulher mais admirada, mais seguida e mais amada. Tudo isto pela força inaudita de uma alegria inesgotável que transcorre do seu sentir e que transparece no seu agir.

Em Maria conseguimos ver refletido o contentamento inédito que nos podem trazer as mais simples realidades do dia-a-dia, que também esteve presente na vida d’Ela, em muito semelhante à quotidianidade da nossa própria vida. Por isso pudemos, até hoje, e podemos, a partir de agora, compreender a incomensurável alegria de chegar a diferentes lugares, ou a tantos corações que precisam da nossa presença, como outrora foi necessária a chegada de Maria à vida de tanta gente, e como hoje continua a ser desejada a Sua visita à vida de cada um de nós. De igual modo, experimenta Ela a alegria de partir, e ensina-nos a fazer o mesmo, e impele-nos a partir para destinos humanos, e desafia-nos a ir, mesmo que o caminho seja de calvário. 

A existência alegre de Maria denota-se também na sua felicidade em receber, tanto aquilo que vem de Deus, e que por Ela toda a humanidade recebeu, como o muito que o mundo e as vicissitudes da sua vida terrena lhe puderam oferecer. É esta alegria que ela nos ensina também a experimentar. E para que muitos recebam é indispensável que outros tantos tenham alegria de dar. Quanto a isso, também Nossa Senhora, com a doação gratuita e generosa de si mesma, nos ensina a maneira quanta felicidade nos chega quando damos e nos damos. 

Também o modo de atuar da Mãe do Céu nos testemunha a necessidade alegre de falar, sobretudo quando se fala de Deus e as nossas palavras respiram Evangelho e exalam o perfume da paz e do amor, do respeito e da compreensão. Esta é a mesma alegria que cada um é convidado a experimentar quando se torna oportuno e necessário calar, porque as palavras não conseguem dizer mais que o silêncio, ou simplesmente porque se impõe o dever e a necessidade de escutar, como tão bem soube fazer Maria de Nazaré.

É ainda Ela, que nos faz interiorizar a alegria de estarmos juntos. É importante que por Ela estejamos reunidos. Mas é sobretudo urgente que através d’Ela estejamos também muito unidos. Esta união, porem, depende substancialmente da alegria de estarmos sozinhos, numa intimidade muito estreita com Deus e numa sintonia bastante perfeita com aquela que nos ensina o valor do recolhimento, da oração e do encontro fecundo com Deus. 

No limiar do jubileu da misericórdia, não conseguimos deixar de olhar para Nossa Senhora como aquela de muito perto experimenta a alegria do perdão. Não porque precisasse de ser perdoada, mas porque nos dá lições de como é grande a alegria e inextinguível a felicidade de quem sabe perdoar sempre e para sempre.

Pe. Diamantino Duarte
Pregador da Novena e da Festa de Nossa Senhora da Conceição, 2015

NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO - 9.º Dia

A Alegria do Perdão.
       Um dos momentos mais extraordinários e de maior provação na vida de Virgem Imaculada é o do processo condenatório do Seu Filho Jesus. O próprio Jesus perdoa àqueles que O condenam e O conduzem à Cruz: Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. Se Jesus perdoa, também Maria os perdoa pelo que fizeram ao Filho.
       Perdoar de todo o coração e não com reservas. Se perdoamos, mas logo acrescentamos, mas não esqueço o que me fizeste, até ao dia em que temos oportunidade para lho atirar à cara, então ficamos presos, ao passado, em casa.
       Se não perdoámos, temos medo de sair à rua e encontrarmos com aquele com quem nos zangámos. Se foi no trabalho, levantamo-nos a pensar como vai ser encontrar aquela pessoa no local de trabalho, ou como vamos encontrar-nos ao pequeno almoço com o pai, a mãe, com o avô. Se não perdoamos, ficámos presos.
       O perdão liberta-nos. É um passo para a liberdade. Sentimo-nos livres, podemos sair, encontrar as pessoas. O perdão abre para a caridade, para a comunhão. Quem não perdoa não está em comunhão consigo mesmo, nem com Deus, nem com os outros. Não perdoar é quebrar essas ligações ou colocá-las em suspenso. Quem não perdoa, quebra a comunhão com Deus que primeiramente nos perdoou.
        Maria sente-se livre. A espada de dor atravessa a sua alma, mas não se insurge, não se revolta contra ninguém, nem contra Deus, nem contra os outros. É livre para amar, para acolher, para continuar a viver.
       Saibamos perdoar, para que Deus nos perdoe.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO - 8.º Dia

A Alegria de estar sozinho.
       O Evangelho deste segundo domingo do Advento falava de João Batista que se retira para o deserto.
       Jesus em muitas situações se afasta para rezar, para estar a sós conSigo só. Quando rezamos é para falarmos com Deus. Se Jesus é Deus, Ele fala e encontra-Se consigo só. É bom estarmos juntos, mas também é bom estarmos sós, sós connosco. Quantas vezes não nos acontece queremos estar longe de nós mesmos. O silêncio, o estarmos sozinhos, o encontro connosco, o encontro com Deus.
       Maria, desde o início, aparece sozinha. Quando o Anjo Lhe aparece ela está sozinha. Talvez em oração, como em muitas ocasiões, em diálogo consigo, com Deus. E em tantos momentos. Jesus e José na carpintaria, a trabalhar. Maria, mais por casa, em muito trabalho doméstico, a falar com os seus botões, a rezar enquanto trabalho.
       A alegria de estarmos sozinhos, a sós connosco, a sós para nos encontrarmos com Deus, para deixarmos que Ele nos fale.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Tabuaço: Construção do Presépio pela catequese

       No passado sábado, 5 de dezembro de 2015, dentro da Novena da Imaculada Conceição, as crianças, adolescentes e jovens da Catequese iniciaram a construção do Presépio, em concreto do cenário onde será colocado.
       Nas duas últimas sessões da catequese, foram produzidas estrelas e decoradas ao gosto de cada um. Uns colocaram o nome, outros dizeres, uns pintaram outros deixaram na cor da cartolina. No momento da ação de graças, cada um dos meninos e meninas, cada um dos jovens adolescentes, ajudados pelas catequistas, colocaram a sua estrela no espaço previamente preparado para o efeito. E fez-se um belo cenário, personalizado, para continuar a construir o Presépio paroquial, envolvendo todos os elementos da catequese paroquial.
       Algumas imagens recolhidas na celebração:
Outras imagens disponíveis: Paróquia de Tabuaço no Facebook.

Tabuaço: Compromisso dos Acólitos 2015

       Na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, o sábado imediatamente anterior à Solenidade da Padroeira, realiza-se o Compromisso dos Acólitos, em que os membros do Grupo renovam os compromissos e entram novos acólitos, precedida da formação teórica e prática, durante as semanas anteriores. Habitualmente, os novos membros frequentam o 7.º Ano de Catequese, isto é, os que celebraram a Profissão de Fé no ano pastoral anterior.
       Este ano, no sábado, dia 5 de dezembro, entraram 7 novos membros: a Leonor, a Carolina, a Mariana de Fátima, a Eva, a Bruna, a Beatriz, a Andreia. Algumas fotos da celebração, dentro da Eucaristia vespertina, com as crianças, adolescentes e jovens da catequese.
       Algumas imagens recolhidas na celebração:

Outras imagens disponíveis: Paróquia de Tabuaço no Facebook.

NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO - 7.º Dia

A alegria de estarmos juntos.
       Com o sábado, com a presença da catequese, com os seus diversos anos, no dia do compromisso dos acólitos e do início do Presépio, o Pe. Diamantino Alvaíde, Padre Pregador, começou por sublinhar que neste dia de novena estávamos muitos mais. E que é bom estarmos juntos.
       Jesus não andava sozinho. Chamou os seus discípulos, apóstolos, os seus amigos. E gostava de estar com eles. E com as multidões.
       Maria não estava sozinha. Vivia numa cidade, Nazaré, onde havia muitas pessoas, tinha pais, tios, avós, primos, vizinhos. Era convidada para festas, ia às festas da Páscoa, e festas familiares. Todos nos lembramos das Bodas de Caná. Maria estava lá, Jesus e os discípulos também.
       Todos gostamos de estar juntos. Faz-nos bem sentirmos que não estamos sós. Contamos uns com os outros. Deus não nos salva sozinhos, mas em povo, em família.
       Vivermos bem juntos, uns com os outros, para que juntos possamos um dia ser recebidos na Glória de Deus.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Domingo II do Advento. Ano C. 6 de dezembro de 2015

       1 – O dia faz-se anunciar pela claridade que desponta no horizonte. Pouco a pouco a luz permite-nos ver mais além e os contornos dos objetos e das pessoas fazem-nos avançar com mais segurança. À noite todos os gatos são pardos e podem agigantar-se as ameaças e facilmente sermos surpreendidos por aqueles que nos roubam o sonho. A luz permite-nos discernir melhor e caminhar mais confiantes. É de LUZ que nos fala o Advento e é LUZ que o Natal nos trará em abundância. Enquanto celebramos a ESPERA, em expectativa vigilante, já experimentamos a alegria do encontro certo com Jesus. Não é uma espera banal, passageira, indiferente. É uma espera prometida e com sinais concretos que se efetivará. É Deus que promete e não promete menos que Ele mesmo no meio de nós, para nos redimir, para nos elevar. Comunga a nossa vida, para que O comunguemos, partilhando da Sua vida.
       Neste segundo domingo do Advento, surge a inevitável figura de João Batista, interpretando e concretizando as palavras de Isaías. João vem antes ANUNCIAR e PREPARAR o caminho para o Messias, o Emanuel, o Deus connosco. Para que Deus não passe despercebido, o ENVIO de João, como Precursor, adocicando o nosso coração para reconhecermos e acolhermos o Filho de Deus. Quando queremos pedir alguma coisa ao Pai, recorremos à Mãe ou a um irmão para que interceda e amacie o coração do Pai, para que nos conceda o que lhe pedimos. João vem abrir, vem rasgar, vem despertar os nossos corações e as nossas vidas, vem inquietar-nos e despertar-nos. São horas de acordar e levantar. Que o DIA não comece a meio ou se inicie sem nós.
       2 – A salvação de Deus está próxima. Tão próxima que até lhe podemos tocar. Não vem descarnada, como aragem que passa sem se fazer sentir, ainda que na leve brisa se possa encontrar Deus. A salvação tem um nome e um rosto: Jesus Cristo, o Filho de Deus. É o Rosto da Misericórdia do Pai. É um tempo novo e um REINO novo, de justiça e verdade, de alegria, de festa e de paz, é um reino sem trono nem coroa nem pompa nem armadura. É um reino de amor, feito de perdão e de serviço.
       João Batista vai mostrando como esse Reino é diferente: não exige qualificações nem se rege pelas aparências, não necessita de força ou de armas. O que precisa mesmo é de corações convertidos, dispostos a amar, a servir com alegria, corações dóceis para visualizar o Amor de Deus; pessoas que abdiquem da opacidade para transparecerem a graça que vem de Deus.
       Há diferentes reinos e cargos revestidos de poder. "No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás...".
       Deus tem hora marcada connosco. Vem a todas as horas e em todo o tempo. Mas marca encontro connosco. Por isso, em Jesus Cristo, torna-Se pessoa, como nós. Deixa-Se ver. Deixa-Se tocar. Deixa-Se encontrar e até matar. Podemos pegar-lhe ao colo. Ou podemos pregá-lo numa Cruz. O poder de Deus é tanto que Se reduz à nossa dimensão, para não estar acima, ou à distância, ou incólume à nossa condição humana. Precisa de um lugar, uma manjedoura, um estábulo, e sobretudo quer precisar de nós. Mendiga o nosso amor.
       A palavra de Deus é dirigida a João, filho de Zacarias e de Isabel. No deserto. Todos os lugares são bons para Deus nos falar, mas por vezes necessitamos do silêncio e que as coisas e as pressas da vida não nos distraiam nem nos deixem confundir outras vozes com a voz de Deus.
       3 – Retenhamos os verbos, disponibilizados por Isaías, daquele que anuncia o VERBO de Deus. Clamar... Preparar... Endireitar... Altear... Abater... Endireitar... Aplanar... e VER. Ver a salvação de Deus. É para este VER que a palavra de Deus nos faz ouvintes. É para este VER que João Batista percorre toda a zona do Jordão, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados.
       «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».
       Não podemos ficar mudos diante das injustiças. É preciso, também hoje, clamar, até que a voz nos doa. Preparemo-nos. Para recebermos bem preparamos o espaço mas sobretudo o coração e a alegria para fazer com que os convidados, aqueles que chegam, se sintam em casa. Endireitar os nossos caminhos e o nosso olhar para reconhecermos nos outros a presença de Cristo e deles cuidarmos como irmãos. Altear a nossa vida quando existem obstáculos que nos impedem de ver os outros, procurando-os e indo ao seu encontro para ajudar. Abater o orgulho, a inveja e os ódios que nos afastam dos outros, ensoberbecendo-nos, isolando-nos, pondo-nos num pedestal que cria distâncias e nos impede de sentir o calor e o odor dos que caminham connosco. Endireitar, aplanar, para que aqueles que querem vir até nós possam alcançar-nos facilmente.
       Os verbos põem-nos em movimento. A vinda de João compromete-nos, mobiliza-nos, faz-nos descruzar os braços e destapar o coração, arejar a mente e faz-nos sair do nosso espaço de conforto. O mais importante da vida, ou pelo menos, aquilo a que damos mais valor, é o que nos custa, nos sai do corpo, e nos faz transpirar. É esta a pregação de João: sair, compor o chão, alisar a terra, investir o melhor de nós, para deixarmos passar Aquele que vem de Deus, e arranjar espaço para que a Palavra tenha lugar em nós e encontre a terra trabalhada e assim a semente possa morrer como semente e nascer como planta, para vir a dar fruto em abundância.
       4 – A oração de coleta faz sinfonia e sintonia com o desafio do Precursor. "Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória".
       A convocação é para enfrentar os obstáculos, as dificuldades, os medos e as hesitações. O tempo que chega é definitivamente tempo de Deus, que nos é dado para nos aproximarmos uns dos outros e em Jesus Cristo edificarmos uma verdadeira fraternidade.
       O profeta faz ecoar as promessas do Deus que vem. É já tempo de deixar a veste de luto e de aflição e revestir o manto da justiça. O nome que Deus nos dá para sempre: «Paz da justiça e glória da piedade».
       O clamor do Profeta diante da cidade: «Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo. É Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis. Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança… Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória, com a misericórdia e a justiça que d’Ele procedem».
       Baruc ajuda-nos a compreender que mais que abatermos os montes e altearmos os vales, é Deus que o fará. Mas conta connosco. O Precursor, João Batista desafia a nossa conversão para reconhecermos e acolhermos o Messias que vai chegar. Preparamo-nos para Ele chegar. Antes, Deus prepara tudo para que nós possamos caminhar em segurança e chegarmos à Sua glória.

       5 – O Advento não é um tempo estático, como víamos, é um tempo de ESPERA ativa. O que lá vem, melhor, Quem vem lá, exige que nos preparemos e trabalhemos o mundo em que vivemos. O Apóstolo Paulo faz da sua missiva à comunidade uma oração que interpela.
        «Peço sempre com alegria por todos vós, recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho, desde o primeiro dia até ao presente. Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus. Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo».
       Deus dá início à obra da salvação. Connosco. Estamos dispostos a deixarmo-nos conduzir por Ele?

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (C): Bar 5, 1-9; Sl 125 (126); Filip 1, 4-6. 8-11; Lc 3, 1-6.

NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO - 6.º Dia

A alegria no calar.
       No evangelho hoje proclamado Jesus manda calar, ainda que surta o efeito contrário: "Jesus advertiu-os, dizendo: «Tende cuidado, para que ninguém o saiba». Mas eles, quando saíram, divulgaram a fama de Jesus por toda aquela terra" (Mt 9, 27-31). A preocupação de Jesus ao pedir discrição sobre o milagre é para evitar qualquer corrida a um fazedor de milagre, um milagreiro que tudo resolva sem esforço, anulando todas as dificuldades da vida. Jesus vem anunciar a salvação, pelo perdão e pela misericórdia, pelo compromisso com os mais pequeninos e pelo esforço na justiça e na paz. Nada se fará sem esforço e dedicação. Um mundo transformado não cai do céu, mas nasce do esforço de cada um, do contributo de todos.
       Há muitas situações da vida que as palavras não conseguem exprimir tudo o que nos vai na alma. Ficam aquém do que queremos dizer. Outras vezes as palavras dizem mais do que realmente deveríamos ter dito. Dizemos e logo percebemos que já não as podemos recolher. A alegria no calar, no fazer silêncio, por vezes é a melhor maneira de demonstrarmos o que sentimos.
       Por outro lado, salientou o Padre Pregador, Pe. Diamantino Alvaíde, quem só fala, corre o sério risco de não dizer nada, pois não escuta, não procura entender o que os outros dizem. Falar só por falar, sem calar, sem fazer silêncio, sem escutar, é contraproducente.
       Maria é a Mulher da escuta. Nela se visualiza a grande alegria em calar, em silenciar. Poucas palavras aparecem no Evangelho. Diz pouco, diz o essencial. Perante o mistério de Deus, silencia, guarda tudo no coração. predispõe-se sobretudo a escutar Deus e a Sua vontade. Por isso nos pode dizer muito. Por isso pode transparecer a Misericórdia de Deus.
       Aprender a silenciar, a escutar, para que depois possamos testemunhar.

A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos

        Naquele tempo, Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades. Ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Depois chamou a Si os seus Doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. Jesus deu-lhes também as seguintes instruções: «Ide às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 9, 35 – 10, 1.6-8).
       O tempo do Advento que nos é dado viver coloca-nos a caminho de Jesus. Com efeito, as leituras que nos vão sendo propostas recordam-nos a urgência da conversão, da transformação da nossa vida, preparando os caminhos para que o Senhor venha. E preparar o Caminho é também fazer-nos caminho para Ele, caminhando levando os outros nesta leva de conversão.
       É a missão de Jesus. Percorre cidades e aldeias, ensinando, levando a Boa Nova, curando as doenças e enfermidades. É a missão dos Seus seguidores, IR, sair, anunciar a Boa Notícia da salvação, ensinando, curando os doentes que encontrarmos.
       O próprio Jesus chama alguns para viverem junto d'Ele, familiarizando-se com o Seu jeito de transparecer o Amor do Pai, na oração, no anúncio do Evangelho, nos prodígios realizados. Hoje é a nós que Jesus chama para nos enviar a todo o mundo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Coroa do Advento | Segundo Domingo do Advento

Coroa do Advento - texto para acompanhar o acender da segunda vela.
Depois da saudação inicial e antes do Ato penitencial.
1.º Leitor:
Bom dia, caríssimos Amigos.
Neste segundo domingo do Advento, surge João Batista. Vem preparar o caminho do Messias. Vem despertar os nossos corações e as nossas vidas. São horas de acordar. Que o dia não comece a meio ou se inicie sem nós. Queremos mais luz; mais luz, mais luz. (acender a Vela)
2.º Leitor:
A salvação de Deus está próxima e tem um rosto: Jesus Cristo. É o Rosto da Misericórdia do Pai. É um tempo novo e um reino novo; um reino sem trono nem coroa. Reino de amor e de perdão. Não exige qualificações nem se rege pelas aparências, e não necessita da força. O que precisa mesmo é de corações dispostos a amar e a servir com alegria.
1.º Leitor:
Deus tem hora marcada connosco. Deixa-Se ver em Jesus. Deixa-Se tocar. Podemos pegar-lhe ao colo ou pregá-lo numa Cruz. O poder de Deus é tanto que Se reduz à nossa dimensão humana. Precisa de um lugar, uma manjedoura, um estábulo, e quer precisar de nós. Mendiga o nosso amor.
A palavra de Deus é dirigida a João, filho de Zacarias e de Isabel. No deserto. Por vezes necessitamos do silêncio para percebermos que Deus nos fala.
2.º Leitor:
Os verbos que vão aparecer no evangelho: Clamar... Preparar... Endireitar... Altear... Abater... Endireitar... Aplanar... Ver a salvação de Deus. É para este VER que a palavra de Deus nos faz ouvintes. É para este VER que João Batista percorre toda a zona do Jordão, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados.
Os verbos põem-nos em movimento. A vinda de João faz-nos descruzar os braços e destapar o coração, arejar a mente e faz-nos sair do nosso conforto. Sair, compor o chão, alisar a terra, investir o melhor de nós, e tornarmo-nos terra trabalhada para a semente nascer, crescer e dar muito fruto.
1.º Leitor:
O Advento é um tempo de ESPERA ativa. Deus dá início à obra da salvação. Connosco. Estamos dispostos a deixarmo-nos conduzir por Ele? Queremos ver o Presépio de fora? Ou queremos fazer parte do Presépio, adorando, com Maria e José, o Deus Menino?

Coroa do Advento | Primeiro Domingo do Advento

Coroa do Advento - texto para acompanhar o acender da primeira vela.
Pode fazer-se como ambientação à Eucaristia, antes do cântico de entrada.

1.º Leitor:
Bom dia, queridos Amigos em Cristo Jesus.
Começa hoje o Advento e um novo ano litúrgico. E tudo o que é novo deve ser encarado com esperança.
Estamos também às portas do Jubileu da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, iniciando a 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição.
São Lucas será o evangelista deste novo ano litúrgico. É o evangelista da misericórdia de Deus.
Neste primeiro domingo do Advento, São Lucas, oferece-nos as palavras de Jesus:
2.º Leitor:
«Hão de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória... Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha... Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».
1.º Leitor:
Vigiai e orai em todo o tempo. Se o tempo é breve, há que valorizar todos os momentos para fazer o bem. O tempo de Advento lembra-nos a proximidade de Deus, que em Jesus vem habitar connosco.
Como nos preparamos para O acolher? Para que Ele nasça em nós? Como poderemos imitar Maria e dá-lo também aos outros?
As aflições do tempo presente levam-nos a desistir ou tornam-nos mais combativos? Investimos as nossas energias no bem e na verdade ou deixamos que outros façam o trabalho?
2.º Leitor:
Erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.
A garantia de Jesus Cristo.
A vida nem sempre nos correrá de feição. Olhamos à nossa volta e vemos que muitos são bem-sucedidos e muitos outros sobrevivem no limiar da tristeza.
E nós? Agradecemos a Deus o que de bom existe na nossa vida ou lamentamo-nos por que os outros têm mais coisas que nós?
Vivemos no medo pelo amanhã ou equilibramos o medo com o compromisso em cuidar dos nossos familiares e amigos?
Jesus aponta a esperança em Deus e desafia-nos a sermos bênção uns para os outros.
Que a luz de Cristo, significada nesta Vela, alumie o nosso coração e a nossa vida e nos guie para fazermos da Casa do Pai, casa de oração e de misericórdia para todos.
1.º Leitor:
Preparemo-nos para participar com alegria na Santa Missa.

NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO - 5.º Dia

A alegria no falar.
       Dia em que se comemora São Francisco Xavier (3 de dezembro), Missionário e Padroeiro das Missões, o Pe. Diamantino propôs-se e propôs-nos a alegria do falar. Quando Jesus está para subir para o Pai fala com os discípulos e diz-lhe para irem por todo o mundo e falarem do Evangelho. Anunciar, falar, levar a Boa Nova. Não se pode conhecer o que não se conhece, e para se conhecer é preciso que alguém fale, dê testemunho.
       É o que fazem os discípulos de Jesus. Vão por todo o mundo para falarem com alegria do que viram e ouvirem. Também Maria. No dia do Pentecostes, também está lá com os discípulos, não se esquiva, recebe o mesmo mandato para falar de Jesus.
       Maria fala o essencial. Não se conhecem muitas falas de Maria que os Evangelhos nos tenham comunicado. Fala o necessário. Na anunciação, não se põe a arranjar desculpas, justificações, faz uma pergunta: como será isso que não conheço homem? E responde: faça-se em Mim segundo a Sua Palavra. Nas Bodas de Caná da Galeileia, diz o que precisa de ser dito - não têm vinho... fazei o que Ele vos disser...
       Para falar temos que saber do que falamos. Devemos falar, mas se não sabemos do que falamos ou não conhecemos, melhor é calar, porque senão sermos como latas de salsichas vazias a rolarem pela rua, só fazem barulho. Se falamos do que desconhecemos, se falamos por falar, como papagaios, é melhor não falar. É bom falar, com todos, de quem gostamos e de quem não gostamos tanto, mas que falemos do que nos aproxima, do que nos faz bem.
       Para falar de Deus, precisamos de O conhecer. Para isso teremos que falar com Ele. Para falarmos d'Ele temos de falar com Ele. É o que faz Jesus, fala com o Pai para falar do Pai. Como Maria, pode falar de Deus, porque fala com Deus. Como os discípulos, como São Francisco Xavier. Como connosco. Falemos com Deus, na oração, para falarmos de Deus àqueles e àquelas que dormem. São Francisco Xavier foi para terras distantes para falar de Deus e fazer novos discípulos para Cristo. Nós precisamos de falar de Jesus aos cristãos que adormeceram na fé, levar-lhes a alegria da Boa Nova da salvação.

São João Damasceno, presbítero e doutor da Igreja

Nota biográfica:
       Nasceu em Damasco na segunda metade do século VII, de uma família cristã. Grande conhecedor da filosofia, entrou no mosteiro de S. Sabas, perto de Jerusalém, e foi ordenado sacerdote. Escreveu numerosas obras teológicas, sobretudo contra os iconoclastas. Morreu em meados do século VIII.
Oração de coleta
       Concedei-nos, Senhor, por intercessão do presbítero São João Damasceno, que a verdadeira fé, de que ele foi mestre eminente, seja sempre a nossa luz e a nossa fortaleza. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Da Exposição de São João Damasceno, presbítero, sobre a fé

Vós me chamastes, Senhor, para servir os vossos discípulos
Vós me formastes, Senhor, do corpo de meu pai; Vós me formastes no ventre de minha mãe; Vós me fizestes sair à luz, menino e nu, porque as leis da natureza seguem sempre os vossos preceitos.
Com a bênção do Espírito Santo preparastes a minha criação e a minha existência, não por vontade do homem, nem por desejo da carne, mas pela vossa graça inefável. Preparastes o meu nascimento com um cuidado superior ao das leis naturais, fizestes-me sair à luz do dia adoptando-me como vosso filho e me contastes entre os filhos da vossa Igreja santa e imaculada.
Vós me alimentastes com o leite espiritual dos vossos divinos ensinamentos. Vós me sustentastes com o vigoroso alimento do Corpo de Cristo, nosso Deus, vosso Filho Unigénito, e me inebriastes com o cálice divino do seu Sangue vivificante, que Ele derramou pela salvação de todo o mundo.
Porque Vós, Senhor, nos amastes e nos destes o vosso único e amado Filho para nossa redenção, que Ele aceitou voluntariamente e livremente; mais ainda, Ele mesmo Se ofereceu em sacrifício como cordeiro inocente, porque sendo Deus Se fez homem e por sua vontade humana Se submeteu, tornando-Se obediente a Vós seu Pai, até à morte e morte de cruz.
E assim, Senhor Jesus Cristo, meu Deus, Vos humilhastes para me levardes aos ombros como ovelha perdida e me apascentastes em verdes pastagens; Vós me alimentastes com as águas da verdadeira doutrina por meio dos vossos pastores, aos quais Vós mesmo alimentais, para que, por sua vez, alimentem a vossa grei, escolhida e nobre.
Agora, Senhor, pela imposição das mãos do vosso sacerdote, Vós me chamastes para servir os vossos discípulos. Não sei por que razão me escolhestes; só Vós o sabeis.
Senhor, tornai mais leve o peso dos meus pecados, com que Vos ofendi tão gravemente; purificai o meu coração e a minha inteligência. Sede para mim como uma lâmpada luminosa que me conduz pelo recto caminho.
Ponde as vossas palavras nos meus lábios; dai-me uma linguagem clara e fácil, mediante a língua de fogo do vosso Espírito, para que a vossa presença sempre me assista.
Apascentai-me, Senhor, e apascentai Vós comigo, para que o meu coração não se desvie nem para a direita nem para a esquerda; que o vosso Espírito me conduza pelo reto caminho e as minhas obras se realizem segundo a vossa vontade até ao último momento.
E Vós, nobre vértice da mais íntegra pureza, ilustre assembleia da Igreja, que esperais a ajuda de Deus, Vós, em quem Deus habita, recebei das nossas mãos a doutrina da fé, que fortifica a Igreja, tal como no-la transmitiram os nossos pais.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO - 4.º Dia

A Alegria em dar.
       O Evangelho deste dia (Mt 15, 29-37) mostra bem a alegria em dar. Todos dão alguma coisa e dão sem puderem retribuir. A multidão dá o que tem, pouco ou muito, dá coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros, para que Jesus os cure. A fama de Jesus já se espalhara e eles confiam que Jesus fará algo por eles. Lançam-lhe as pessoas como se atirassem moedas. Jesus dá o que ninguém Lhe pode retribuir: cura-os. Os coxos andam, os cegos veem, os mudos falam. E, depois dá alimento à multidão. Da multidão, 7 pães e alguns peixes pequenos. Mas o que é pouco, em Cristo torna-se suficiente, e mais que suficiente. Jesus mandam que se distribuam os pães e os peixes, chega para todos e ainda sobra.
       Também os apóstolos dão, distribuindo os pães que Jesus multiplica.
       Há mais alegria em dar do que em receber. A maior das satisfações é quando se dá a quem não tem como retribuir. Maria ensina-nos esta alegria de dar. Dá o seu SIM que parece pouco, mas é muito. Mal poderia ter imaginado que o seu sim, pequeno, nos daria o Salvador do mundo. Dá o seu seio, o seu ventre, a sua vida por inteiro. Com Deus tudo Se torna imensamente grandioso. A alegria de Nossa Senhora em dar e em dar-Se. 
       É esta alegria em dar, pouco ou muito, o que temos, que nos redime. Imitando Maria, demos, demo-nos, sobretudo a quem não nos pode retribuir, pois esse será o maior agradecimento.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Papa Francisco - Catequese sobre a Viagem a África

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nos dias passados, realizei a minha primeira viagem apostólica à África. É bela a África! Dou graças ao Senhor por esse seu grande dom, que me permitiu visitar três países: primeiro o Quénia, depois Uganda e enfim a República Centro-Africana. Exprimo novamente o meu reconhecimento às autoridades civis e aos bispos destas nações por terem me acolhido e agradeço a todos aqueles que de tantos modos colaboraram. Obrigado de coração!

O Quénia é um país que representa bem o desafio global da nossa época: proteger a criação reformando o modelo de desenvolvimento para que seja igualitário, inclusivo e sustentável. Tudo isso se reflete em Nairóbi, a maior cidade da África oriental, onde convivem a riqueza e a miséria: mas isso é um escândalo! Não somente na África: também aqui, em todo lugar. A convivência entre riqueza e miséria é um escândalo, é uma vergonha para a humanidade. Em Nairóbi tem sede o escritório das Nações Unidas para o Ambiente, que visitei. No Quénia, encontrei as autoridades e diplomatas e também os moradores de um bairro popular; encontrei os líderes das diversas confissões cristãs e das outras religiões, os sacerdotes e os consagrados e encontrei os jovens, tantos jovens! Em toda ocasião encorajei a valorizar a grande riqueza daquele país: riqueza natural e espiritual, constituída pelos recursos da terra, das novas gerações e dos valores que formam a sabedoria do povo. Neste contexto tão dramaticamente atual, tive a alegria de levar a palavra de esperança de Jesus: “Sejais fortes na fé, não tenhais medo”. Este era o lema da visita. Uma palavra que é vivida todos os dias por tantas pessoas humildes e simples, com nobre dignidade; uma palavra testemunhada de modo trágico e heróico pelos jovens da Universidade de Garissa, mortos em 2 de abril passado porque eram cristãos. O sangue deles é semente de paz e de fraternidade para o Quénia, para a África e para todo o mundo.

Depois, em Uganda, a minha visita aconteceu na comemoração dos mártires daquele país, a 50 anos da sua histórica canonização pelo beato Paulo VI. Por isso o lema era: “Sereis minhas testemunhas” (At 1,8). Um lema que pressupõe as palavras imediatamente precedentes: “Tereis força do Espírito Santo”, porque o Espírito que anima o coração e as mãos dos discípulos missionários. E toda a visita a Uganda se desenvolveu no fervor do testemunho animado pelo Espírito Santo. Testemunho em sentido explícito é o serviço dos catequistas, a quem agradeci e encorajei pelo seu empenho, que muitas vezes envolve também suas famílias. Testemunho é aquele da caridade, que toquei com a mão na Casa de Nalukolongo, mas que vê empenhadas tantas comunidades e associações no serviço aos mais pobres, aos deficientes, aos doentes. Testemunho é aquele dos jovens que, apesar das dificuldades, protegem o dom da esperança e procuram viver segundo o Evangelho e não segundo o mundo, vão contra corrente. Testemunhas são os sacerdotes, os consagrados e as consagradas que renovam dia após dia o seu “sim” total a Cristo e se dedicam com alegria ao serviço do povo santo de Deus. E há um outro grupo de testemunhas, mas falarei delas depois. Todo esse multiforme testemunho animado pelo mesmo Espírito Santo é fermento para toda a sociedade, como demonstra a obra eficaz realizada em Uganda na luta contra a SIDA e no acolhimento aos refugiados.

A terceira etapa da viagem foi na República Centro-Africana, no coração geográfico do continente: justamente, é o coração da África. Esta visita foi, na verdade, a primeira na minha intenção, porque aquele país está procurando sair de um período muito difícil, de conflitos violentos e tanto sofrimento na população. Por isso quis abrir justamente lá, em Bangui, com uma semana de antecedência, a primeira Porta Santa do Jubileu da Misericórdia, como sinal de fé e de esperança para aquele povo e simbolicamente para todas as populações africanas as mais necessitadas de redenção e de conforto. O convite de Jesus aos discípulos: “Passemos para a outra margem” (Lc 8, 22), era o lema para a República Centro-Africana. “Passar para a outra margem”, em sentido civil, significa deixar para trás a guerra, as divisões, a miséria e escolher a paz, a reconciliação, o desenvolvimento. Mas isso pressupõe uma “passagem” que acontece nas consciências, nas atitudes e nas intenções das pessoas. E neste nível é decisiva a contribuição das comunidades religiosas. Por isso encontrei as comunidades evangélicas e aquela muçulmana, partilhando a oração e o empenho pela paz. Com os sacerdotes e os consagrados, mas também com os jovens, partilhamos a alegria de sentir que o Senhor ressuscitou connosco na barca e é Ele que a guia para a outra margem. E enfim, na última Missa, no estádio de Bangui, na festa do apóstolo André, renovamos o empenho de seguir Jesus, nossa esperança, nossa paz, Face da divina Misericórdia. Aquela última Missa foi maravilhosa: estava cheia de jovens, um estádio de jovens! Mas mais da metade da população na República Centro-Africana são menores, têm menos de 18 anos: uma promessa para seguir adiante!

Gostaria de dizer uma palavra sobre missionários. Homens e mulheres que deixaram a pátria, tudo…Quando jovens foram para lá, conduzindo uma vida de tanto trabalho, às vezes dormindo no chão. Em um certo momento encontrei em Bangui uma irmã, era italiana. Via-se que era idosa. “Quantos anos tem?”, perguntei. “81”. “Mas, não muito, dois a mais que eu”. Esta senhora estava lá desde quando tinha 23, 24 anos: toda a vida! E como ela, tantas. Estava com um uma menina. E a menina, em italiano, lhe dizia: “Vovó”. E a irmã me disse: “Mas eu não sou daqui, do país vizinho, do Congo; mas vim de canoa, com essa menina”. Assim são os missionários: corajosos. “E o que a senhor afaz, irmã?”. “Eu sou enfermeira e depois estudei um pouco e me tornei obstetra e fiz nascer 3280 crianças”. Assim me disse. Toda uma vida pela vida, pela vida dos outros. E como essa irmã, há tantas, tantas: tantas irmãs, tantos padres, tantos religiosos que doam a vida para anunciar Jesus Cristo. É belo ver isso. É belo.

Eu gostaria de dizer uma palavra aos jovens. Mas, há pouco jovens, porque a natalidade é um luxo, parece, na Europa: natalidade zero, natalidade 1%. Mas me dirijo aos jovens: pensem o que fazem da vida de vocês. Pensem nessa irmã e em tantas como ela, que deram a vida e tantas morreram, lá. A missionariedade não é fazer proselitismo: dizia-me essa irmã que as mulheres muçulmanas vão até ela porque sabem que as irmãs são enfermeiras boas que cuidam bem delas e não fazem catequese para convertê-las! Dão testemunho; depois, a quem quer, dão a catequese. Mas o testemunho: essa é a grande missionariedade heróica da Igreja. Anunciar Jesus Cristo com a própria vida! Eu me dirijo aos jovens: pense no que vocês estão fazendo das suas vidas. É o momento de pensar e de pedir ao Senhor que faça vocês sentirem a sua vontade. Mas não excluir, por favor, essa possibilidade de se tornar missionário, para levar o amor, a humanidade, a fé em outros países. Não para fazer proselitismo: não. Isso fazem quantos procuram uma outra coisa. A fé se prega antes com o testemunho e depois com a palavra. Lentamente.

Louvemos juntos ao Senhor por essa peregrinação na terra da África e deixemo-nos guiar pelas suas palavras-chave: “Sejais fortes na fé, não tenhais medo”; “Sereis minhas testemunhas”; “Passemos para a outra margem”.

PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro – Vaticano

NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO - 3.º Dia

A alegria do recebimento.
       Ao terceiro dia da Novena, o Pe. Diamantino focou a nossa atenção na alegria do recebimento. Saber receber, dispor-se a receber bem e com a alegria. No Evangelho hoje proposto (Lc 10, 21-24), a oração com que Jesus louva o Pai por revelar as verdades aos pequeninos, começa por se dizer que Jesus exultou de alegria. É a alegria por receber do Pai os pequeninos para o reino.
       Nossa Senhora experimenta, muitas ocasiões em que recebe. Recebe o Anjo e o anúncio que Lhe traz da parte de Deus. Com assombro, talvez temor, mas ainda assim acolhe o Anjo e responde-lhe. Dispõe-se a receber no seu ventre o Filho de Deus. É recebida, com alegria, em casa de Isabel e no regresso a sua casa. Recebe Jesus nos seus braços. Em duas ocasiões, recebe-O quando o dá à luz, do ventre para os braços, e recebe-O já morto, descido da Cruz.
       Maria recebe os que vêm da parte de Jesus, os seus amigos, os discípulos e também é recebida por eles. É recebida no Egito e em Nazaré, e em Belém. Recebe Jesus Ressuscitado e depois será recebido por Jesus no Reino da Glória, junto do Pai.
       Que também nós saibamos e queiramos receber bem e ser recebidos. Agora, junto de todos, especialmente junto dos mais pequeninos, para que um dia a Virgem Mãe nos receber no Céu como recebeu Jesus nos Seus braços e nos possa conduzir ao Reino da Glória.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Novena da Imaculada Conceição - 2.º Dia

A Alegria da Partida.
       Muitas as partidas. As nossas, as de Maria, as de Jesus.
       Neste segundo dia de Novena, a Festa de Santo André, Apóstolo. Primeiro motivo para a reflexão. Jesus parte. Está sempre a partir, ora a subir a montanha, ora a descer. Parte de uma para outra cidade, de uma para outra aldeia. Convida aqueles que serão seus discípulos, a sair para O Seguir. André e os outros Apóstolos saem das suas vidas, para novas vidas, seguindo-O. Depois da Sua morte e ressurreição, sairão a pregar o Evangelho por toda a parte.
       Também Maria está em partida constante, desprendida. Com o anúncio do Anjo, sai da vida anterior para uma nova vida. Uma nova Maria. Parte de Nazaré para uma cidade da Galileia, para casa de Isabel, e leva-lhe alegria. Parte de casa de Isabel e volta a Nazaré e logo partirá de Nazaré para Belém, onde dará à luz Jesus. Parte para o Egito quando existe a ameaça sobre e Jesus. E parte do Egipto de volta a Israel. Parte muitas vezes, sai de casa, da sua comodidade e do seu espaço, para Jerusalém, pela Páscoa. Meditámos o mistério da perda e encontro de Jesus no Templo, precisamente por ocasião da Páscoa. Há de partir muitas vezes ao encontro de Jesus. Parte para o Calvário do Seu Filho. E depois de Jesus estar morto, Maria parte para testemunhar a ressurreição. Parte para o Céu, de onde nos atrai, intercedendo por nós junto do Pai.
       A partida há de caracterizar a nossa vida como cristãos. O Papa terminou hoje a visita a África. Saiu do Seu Estado, da Sua casa, para levar uma mensagem de paz e de esperança, para levar Jesus. E como costuma dizer, também nós deveremos sair do nosso espaço e da nossa comodidade, e ir às periferias existenciais, ao encontro dos mais pobres, dos que estão marginalizados. Hoje, em dia de nevoeiro e de frio saímos de casa para virmos rezar, para virmos à Igreja. Como Maria, partamos, fisicamente, mas sobretudo espiritualmente para irmos ao encontro dos que mais precisam.