segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Távora | Festa da Apresentação do Senhor | 2017

       A Festa da Apresentação do Senhor no Templo, celebra-se cada ano a 2 de fevereiro, mas para facilitar uma participação mais alargada, adiámos os gestos para a celebração da Eucaristia de Domingo, 5 de fevereiro, com as crianças da catequese.
       A celebração iniciou com a bênção das Velas. Durante a Eucaristia, a valorização de alguns momentos, como o Ofertório, com alguns gestos: a vela, o pão, o sal, a Bíblia, e a apresentação do Santo Missionário para fevereiro, São João da Cruz... O Pai-nosso, com a sua introdução, Junto ao Mar, teve os gestos das crianças.... No momento de acção de graças, a bênção das crianças, geral e uma a uma, a bênção e distribuição do pão pelas pessoas presentes.
       Algumas imagens desta celebração:

Para as outras fotos disponíveis, visitar a Paróquia de Távora no Facebook.

Tabuaço | Festa da Apresentação do Senhor | 2017

       Este ano, os gestos da Festa da Apresentação do Senhor no Templo, foram adiados para sábado. A comunidade paroquial, com as crianças e adolescentes da catequese, reuniram-se no Centro Paroquial, no final da catequese, encaminharam-se, em procissão, para a Igreja Matriz. Tendo em conta as condições atmosféricas, a bênção das velas realizou-se dentro da Igreja, prosseguindo com a celebração da Santa Missa. Durante da Eucaristia, a valorização do Ofertório, com símbolos e gestos, relacionados com a Festa da Apresentação. No momento de Ação de graças, bênção de duas grávidas, a Mónica e a Nathalie e Mónica Aleixo, uma criança ao colo dos pais, a filha do Tiago e da Vanessa, as crianças e adolescentes da catequese. Bênção geral e bênção na fronte de cada um das Grávidas, da Mãe e das crianças. No final, a bênção do pão e a distribuição pelos presentes...
       Algumas fotos ilustrativas:

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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Domingo V do Tempo Comum - ano A - 5 de fevereiro

        1 – Por certo já nos aconteceu começarmos a comer e darmo-nos conta que a comida está insossa. É desagradável! Por mais que a refeição tenha sido cuidadosa e carinhosamente confecionada, faltando-lhe o sal, não nos vai saber bem, a não ser para aqueles que tenham necessidade de comida com pouco ou nenhum sal. Se for em excesso, do mesmo jeito, a comida vai saber mais a sal do que a comida saudável e gostosa. Como sói dizer-se, o sal deve temperar a comida com conta, peso e medida, de tal forma que não seja percetível no sabor. O sal sublinha os ingredientes, é o elemento pobre e humilde que não se afirma por si, mas salienta os alimentos cozinhados.
       Por certo, em alguma ocasião, faltou a luz (elétrica) em nossas casas e, repentinamente, deixamos de saber o que fazer, para onde nos dirigirmos, com medo de embater em algum móvel e aleijar-nos. Se um compartimento está com pouca claridade ou acendemos a luz ou arredamos as cortinas. Se anoitece, logo acendemos as luzes. Mas também neste caso a luz não vale tanto por si mesma mas porque nos alumia, nos mostra o que nos rodeia, dando-nos segurança quando nos deslocamos e permitindo-nos encontrar as coisas e objetos que precisamos. Quase despercebida, damos pela sua falta quando uma lâmpada se funde, ou quando se dá algum apagão.
       2 – No cimo do monte, diante dos discípulos e da multidão, Jesus continua a ensinar. O Sermão da Montanha, que inicia com as Bem-aventuranças, como escutávamos na semana passada, continua com este desafio de Jesus. Como o sal na comida, com o seu tempero e a sua força! Como a luz que se acende e pela qual se vela para que ilumine toda a casa e a vida toda.
       O sal tem uma missão importante: salgar, temperar, transparecer o sabor dos alimentos.
       A luz tem uma missão essencial: iluminar, guiar, mostrar o caminho e os seus obstáculos.
       Aproximemo-nos. Não fiquemos à distância. Há uma multidão que se junta a Jesus, no alto da montanha. À frente estão os discípulos. Jesus fala sobretudo para os discípulos, os que estão mais perto. Imaginamos que não havendo qualquer sistema de som (portátil) a voz de Jesus se perca à medida do distanciamento das pessoas. Quem está à frente não perde pitada do que Ele diz. Escutemos com atenção, é para nós que o Mestre da Docilidade está a falar: «Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».
       Mas podemos perguntar: como poderemos ser sal da terra e luz do mundo? A resposta é dada por Jesus: praticar boas obras. Fazendo o bem, promovendo a paz, lutando pela justiça, comprometendo-nos solidariamente com os outros, cuidando dos mais frágeis, incluindo os distantes, saciando os famintos e os sedentos, devolvendo a alegria aos que andam cansados e abatidos, libertando os oprimidos, dando guarida aos peregrinos, aos estrangeiros, aos que se sentem estranhos. Numa palavra, agindo do mesmo jeito de Jesus que veio como Aquele que serve, gastando a Sua vida para que nós tenhamos vida abundante.
        3 – Isaías, na primeira leitura, mostra-nos como podemos fazer brilhar a luz que há em nós, revelando-nos a vontade de Deus: «Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante. Então a tua luz despontará como a aurora e as tuas feridas não tardarão a sarar... Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia».
       Belíssima a imagem usada pelo profeta, desafiando a iluminar as trevas pela prática do bem, pela vivência das obras de misericórdia. O Jubileu Extraordinário encerrou, mas não a Misericórdia de Deus nem o nosso compromisso de Lhe correspondermos, concretizando a nossa resposta através das obras de misericórdia, corporais e espirituais.
       A nossa noite transformar-se-á em meio-dia. Está aqui uma provocação oportuna. Ainda que vivamos um tempo de trevas, em que a nossa vida e a nossa fé passem por dificuldades, provações, noite, não desistamos de amar e de cuidar, de servir e gastar a vida e o tempo a favor dos outros. A noite da fé de Santa Teresinha do Menino Jesus, em que tudo lhe parecia ter ficado sem sentido, em que o silêncio de Deus parecia aterrador, leva-a a reafirmar a sua vocação: a amar. Ainda que falte a fé não nos falte o amor e a capacidade de nos darmos aos outros. E então a nossa luz far-se-á ver, o dia e a vida terão ainda sentido, ainda que tenhamos de atravessar as trevas mais densas!
        A palavra de Deus sanciona a felicidade daqueles que usam de compaixão, repartem com largueza pelos pobres, dispõem das suas coisas com justiça… a sua generosidade perdura para sempre. Ficarão eternamente na memória de Deus (Salmo). Serão conduzidos à Sua presença. As boas obras iluminam a vida que partilhamos com os outros e franqueiam as portas da eternidade.

        4 – Decididamente o apóstolo Paulo mantém, ao longo do tempo, um espírito combativo, que perpassa nos gestos e nas palavras. Esse carácter vincado, disponível para a luta, para confrontar-se em privado ou em público, na defesa dos seus ideais, fazem dele um combatente. A conversão a Jesus Cristo, a adesão ao Evangelho, não anulam o seu fervor e a sua impulsividade. A partir de então torna-se "soldado" de Cristo, enfrentando Reis e governadores, tempestades e marés. Irá até ao fim do mundo para anunciar Jesus Cristo, para espalhar a Boa Nova.
       Continuamos a ler a sua carta à comunidade de Corinto. Quenose, abaixamento, esvaziamento de si para transparecer e testemunhar Jesus Cristo. Tudo por Cristo. Tudo para Cristo. Vinca bem os seus intentos: anunciar Jesus. Um pouco como Jesus. Faz-se tudo para todos, Entranha-se nas comunidades. Não se apresenta pelo prestígio, pela sabedoria, pelo poder, pela importância social-religiosa. Mas está dentro, no meio, imerso na comunidade. Como um deles. «Apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor e a tremer deveras... Pensei que, entre vós, não devia saber nada senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado». Não se anuncia. Anuncia Cristo e Cristo crucificado com a preocupação de a todos conduzir, pela fé, a Deus Pai, pelo poder do Espírito Santo.

Pe. Manuel Gonçalves

Textos para a Eucaristia (A): Is 58, 7-10; Sl 111 (112); 1 Cor 2, 1-5; Mt 5, 13-16.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Um profeta só é desprezado na sua terra...

       Jesus dirigiu-Se à sua terra e os discípulos acompanharam-n’O. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos? Não é Ele o carpinteiro, Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?». E ficavam perplexos a seu respeito. Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa». E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente. E percorria as aldeias dos arredores, ensinando (Mc 6, 1-6).
       Jesus, o Messias de Deus, vai à terra em que cresceu, onde foi criado. Certamente, e num plano humano, que Jesus se sente em casa, com pessoas que o conhecem pelo nome, sabem da sua família, o viram crescer e de criança tornar-se homem. Mas estranhamente surpreendem-se: não é Ele o filho do carpinteiro? Em que se transformou, como é que alguém que eles conhecem pode falar daquela maneira e ser conhecido por fazer milagres?!
       Por um lado, a constatação de que Aquele Messias tem família, casa, terra, amigos, vizinhos. Ou seja, Deus faz-Se vizinho da humanidade, mora ao lado, em nossa casa, no nosso bairro, na nossa aldeia. É da família, conhecemo-l'O, não nos é estranho.
       Por outro lado, e como acontece em muitas situações reais e concretas, o facto de ser conhecido a surpresa funciona em sentido adverso. Quantas vezes escutamos melhor os de fora que os de casa? Com as mesmas palavras e os mesmos conselhos, mas se é da família ou amigo, é suspeito, é porque nos conhece que fala assim; se é estranho ou um conhecido mas sem um vínculo estreito (um médico, um amigo recente, alguém que encontramos por acaso), o que nos diz é válido, pois não temos nada para duvidar, e mesmo que não concordemos com tudo damos-lhe o benefício da dúvida.
       Sabendo que somos assim, optemos por ser mais tolerantes e mais ouvintes a quem está perto de nós.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

GJT na Oração pela Unidade dos Cristãos - 2017

       O Grupo de Jovens da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço marcou presença, mais uma vez, no momento de oração, proposto pelos jovens da Paróquia de Santa Maria de Almacave, e sob o patrocínio do Departamento Diocesano da Pastoral dos, em concordância com o Serviço Diocesano do Diálogo Ecuménico e Inter-Religioso, no passado dia 21 de janeiro, em plena Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
       Num formato habitual, ao jeito da comunidade de Taizé, com textos, orações, silêncios, gestos, para conjuntamente rezarmos e refletirmos, procurando a harmonia e a unidade, não apenas entre Igrejas cristãs, mas dentro da Igreja católica, nas comunidades e nos grupos.

       Algumas fotos desta iniciativa:
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Haverá dias para fazer o bem?

       Jesus entrou de novo na sinagoga, onde estava um homem com uma das mãos atrofiada. Os fariseus observavam Jesus para verem se Ele ia curá-lo ao sábado e poderem assim acusá-l’O. Jesus disse ao homem que tinha a mão atrofiada: «Levanta-te e vem aqui para o meio». Depois perguntou-lhes: «Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?». Mas eles ficaram calados. Então, olhando-os com indignação e entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão». Ele estendeu-a e a mão ficou curada. Os fariseus, porém, logo que saíram dali, reuniram-se com os herodianos para deliberarem como haviam de acabar com Ele (Mc 3, 1-6).
Para fazer o bem todos os dias são bons. Para fazer o mal nenhum dia deveria ser utilizado.
Esta é a mensagem de Jesus, ontem como hoje. Para os fariseus e outros que mais, o mais importante é garantir o cumprimento escrupuloso da lei. A lei, e neste concreto a Lei de Moisés, não pode ser usada para impedir o bem, para o não-compromisso. Antes da Lei e para lá da Lei estão as pessoas que Deus ama. Para Jesus, o fundamental é atender à pessoa, estar ao seu serviço e fazer o que está ao seu alcance para proporcionar bem-estar, paz, e saúde. Jesus testemunha a atenção de Deus às pessoas de carne e osso e neste gesto a certeza que Deus continua a agir no mundo. No sinal da cura, a certeza que Deus nos ama e nos quer bem.Assim com Jesus. Assim há de ser connosco.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Domingo III do Tempo Comum - ano A - 22 de janeiro

       1 – O ser humano aspira a ser cada vez melhor, a possuir cada vez mais, a ter um controlo maior sobre a sua vida! "O homem ultrapassa infinitamente o homem" (Blaise Pascal). Está inscrito no coração de cada homem a adaptação à realidade que o circunda, desde que nasce, e a superar as dificuldades que o tolhem, a não estacionar numa fase da vida, a procurar superar-se a si mesmo, aprendendo mais, procurando novas ferramentas para facilitar a sua vida e a daqueles que lhe são próximos. Subentende-se a generosidade intrínseca do ser humano. O ser humano é naturalmente bom, a sociedade é que o corrompe (Jean-Jacques Rousseau). Sublinhe-se que esta é só meia verdade, já que a sociedade influi na pessoa e a pessoa influencia a sociedade em cada tempo.
       Este superar-se e procurar ultrapassar os limites, criando, inovando, desenvolvendo, de maneira a que nem o corpo nem o espírito paralisem este desejo, esta vontade de transformar o mundo, de superar os condicionamentos do tempo e do espaço, para viver mais tempo, para estar em todo o lado, acompanha-nos durante toda a vida.
       A conversão, recorrente no Evangelho, traduz este anseio do ser humano em ultrapassar as dificuldades, sem as contornar, mas assumindo-as, carregando-as, não como fardo, mas como experiência motivadora que nos fortalece e enriquece. O arrependimento, para crer no Evangelho, é o vínculo à humanização da sociedade. Não basta querer mais. É urgente que o mais que se quer seja partilha, que o trabalho e o génio sejam dom e tarefa, acolhendo o amor de Deus e espalhando-o por todos, em tudo o que se diz e em tudo o que se faz. E, desta forma, esta vontade em “ser mais” deverá ser sobretudo da ordem do ser e menos da ordem do ter. É o SER que nos humaniza, é o ser que nos coloca em relação com os outros. Antes, o SER de Deus vem até nós e Se relaciona connosco, remetendo a nossa relação com os outros para esta relação primeira e fontal (Deus é a fonte, é Ele que toma a iniciativa de nos criar e de nos salvar), purificando-a de qualquer instrumentalização ou idolatria.
       2 – O ministério de Jesus e de João Batista não se contrapõe nem se justapõe. A mensagem de Jesus não recusa nem anula a mensagem de João, mas também não é sequencial. Entrelaçam-se. João prepara, dulcifica as mentes e os corações, adverte, desafia à conversão e à mudança de vida, para que um olhar renovado possa ver e reconhecer Aquele que há de vir da parte de Deus. Se o olhar é turvo, embaciado, não perceberá a presença de Deus no mundo e na história.
       Jesus é novidade, pois é MAIS que o Messias esperado, o Rei prometido ou um qualquer Profeta. É o próprio filho de Deus, Deus connosco. Irrompe no tempo, para ser Um de nós. Vêm de Deus, é Filho de Deus, para nascer e crescer como filho do Homem e para caminhar connosco, confundindo-Se, propondo a Sua mensagem de amor e de perdão, convocando-nos, pelas palavras e pelos gestos, a vivermos como Ele, com compaixão e ternura, em lógica de serviço para gastarmos a vida inteira a favor dos outros.
       Jesus não faz tudo sozinho! Deus é Pai e Filho e Espírito Santo. É comunidade de vida e de amor, em Quem não há divisão nem contraposição nem confusão, em Quem o amor circula como a seiva pelas vides ou o sangue pelas veias. É esta comunidade que Jesus vem inaugurar na terra. N'Ele enxerta-se uma vida nova, novos céus e nova terra. D'Ele dimana, como rios de água a brotar da fonte, uma vida nova, de verdade e bênção, de alegria e justiça, de amor misericordioso. A vida divina que chega a nós, por Jesus Cristo, é um projeto que nos impele à imitação, a vivermos do mesmo jeito, deixando que seja o amor a circular nas nossas veias, no nosso olhar, no nosso coração, na nossa vida. Mais, a vida divina, em Jesus Cristo, já está entrelaçada na vida humana. A comunidade que somos chamados a formar já tem vida onde se agarrar, para crescer, já tem onde afundar as suas raízes.
       3 – Ao ser batizado por João no rio Jordão, como víamos na semana passada, Jesus assume publicamente a Sua missão de anunciar o Evangelho. Porém, segundo nos revela São Marcos, só depois da prisão de João Batista é que Jesus altera em definitivo e mais claramente a sua ação, retirando-Se para a Galileia. Deixa Nazaré e vai viver em Cafarnaum, terra à beira-mar. Se por um lado, a missão de Jesus não se sobrepõe à de João Batista, por outro lado, insere-se na mesma história da salvação. O elemento novo, que marca uma rutura de qualidade, é o facto de Jesus ser o Profeta por excelência, o próprio Filho do Deus Altíssimo, levando à plenitude o tempo e a história, inaugurando, em definitivo, um reino para Deus. «O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou».
       Estas palavras ainda cheiram a Natal. «Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor».
       Jesus é a luz que nos liberta de tudo o que nos oprime, inunda as trevas com a Sua presença, revitaliza os ossos ressequidos e potencia os sonhos de um mundo melhor, mais humano, mais fraterno.
       Conta comigo e contigo. Conta connosco. Não faz nada sozinho. Não Se impõe a partir do alto. Não emite uma ordem mantendo-Se à distância. Não há n'Ele traços de sobranceria. Abaixa-Se. Coloca-Se ao meu nível, ao teu nível. Faz-Se do nosso tamanho. E, por conseguinte, nos chama, nos desafia e nos envia. «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens».
       Simão Pedro e André, João e Tiago escutam o Seu chamamento e deixam as redes, deixam o que estavam a fazer para se tornarem, com Ele, pescadores de homens. Logo O seguem no anúncio do Evangelho, pela Galileia, proclamando a salvação, curando as enfermidades e as doenças entre o povo.
       E nós, como respondemos ao chamamento de Jesus? Largamos as redes e as amarras que nos prendem aos preconceitos, ao conforto, ao nosso cantinho? Ou tornamo-nos discípulos missionários, acolhendo Jesus em todas as circunstâncias e levando-O a todos?

       4 – João Batista deixa-nos como herança a humildade e o apontar para Jesus. Como Precursor toma consciência que prepara o caminho do Senhor. Ganhou fama, arrastou centenas de pessoas ao deserto e ao Jordão, batizou o próprio Jesus, mas no final soube que a (sua) Voz tinha que dar lugar à Palavra (Jesus), e o deserto (onde prega) convida a entrar na Terra prometida (que para nós é Jesus): A sua missão cumpre-se ao mostrar o Messias de Deus. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Sobre Ele desceu o Espírito Santo, Ele é mais forte do que eu, Ele batiza no fogo e no Espírito Santo. Os próprios discípulos de João compreendem este testemunho e seguem Jesus.
       O Apóstolo São Paulo, dirigindo-se à comunidade de Corinto, sublinha a primazia de Jesus Cristo. Uma primazia totalizante. Vem primeiro. É o fundador. Mas é também a referência e a meta de toda a evangelização. Poderá haver no meio de vós, diz o Apóstolo, alguns mais afetos a Pedro, a Apolo, a Paulo ou a Cristo, mas há um só Deus, que é Pai e que Se manifesta em plenitude no Seu Filho, Jesus Cristo, pelo Espírito Santo. Se a fé é a mesma, se o batismo é o mesmo, se Deus é Pai de todos, e todos somos irmãos em Cristo Jesus, não faz sentido haver contendas e ruturas. «Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir». Todos recebeste o mesmo batismo de Jesus.
       Como João batista, como São Paulo, o cristão é discípulo missionário de Jesus, acolhendo-O, vivendo-O, testemunhando-O e anunciando o Seu Evangelho a toda a criatura, em toda a parte, em todo o tempo.


Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (A): Is 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4); Sl 26 (27); 1 Cor 1, 10-13. 17; Mt 4, 12-23.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Aniversário da Ordenação Episcopal de D. Jacinto

       D. Jacinto Tomaz de Carvalho Botelho, natural de Moimenta da Beira (Prados de Cima - Vila da Rua), nasceu em 11 de Setembro de 1935.
       Entrou para o Seminário de Resende em 1946 e foi ordenado, no dia 15 de agosto de 1958, ano em que morreu o Papa Pio XII. Celebrou os 50 anos de Sacerdócio no dia 15 de agosto de 2008. Depois da Ordenação foi estudar para Roma.
       Concluídos os estudos em História da Igreja, regressou à Diocese de Lamego, concretamente ao Seminário Maior, sendo professor e integrando-se na Equipa Formadora, vindo a assumir a responsabilidade do Seminário. Entretanto, assumiu outras missões, como Vigário Geral Adjunto e Vigário Geral da Diocese. Durante algum tempo foi pároco de Sande (Lamego).
       Foi nomeado Bispo Auxiliar de Braga e a sua ordenação Episcopal, na Sé Catedral de Lamego, foi no dia 20 de janeiro de 1996, dia de São Sebastião, Padroeiro de Lamego.
       Depois da morte de D. Américo Couto de Oliveira, Bispo antecessor, viria a assumir a responsabilidade da Diocese, tomando posse no dia 19 de março de 2000. No dia 8 de julho de 2000, seria ordenado o primeiro padre, na Diocese, pelas suas mãos, e que é o Pároco de Tabuaço, Pe. Manuel Gonçalves.
       Atualmente a residir na cidade de Lamego, é Bispo Emérito deste nossa Diocese, desde o dia 29 de janeiro de 012, dia da tomada de posse de D. António Couto, como Bispo de Lamego.
       Parabéns D. Jacinto e que a Senhora dos Remédios, a Senhora da Lapa, a Senhora da Conceição, a Senhora da Assunção, a Mãe de Jesus Cristo, continue a velar pelo seu ministério sacerdotal e episcopal.