sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Um acordo com o tempo...

Me detive por horas diante de um relógio!
Meus olhos acompanharam o correr de seus ponteiros.
Rezei para que parassem!
Rezei para que o veloz correr dos ponteiros deixasse de ser imperativo.
Chorei...
Chorei o amargor daquilo que não volta e a esperança do que ainda virá.
Chorei minhas auroras...
Chorei a partida do sol.
Mas os ponteiros não se comoveram...
Giraram, giraram e ainda estão girando!
Será que um dia vão parar? Talvez sim, ou não, quem sabe...
Então resolvi fazer um acordo com o tempo...
No correr dos ponteiros, resolvi elaborar a vida... Minha vida!
Resolvi descobrir a beleza de momentos que não voltarão e vivê-los intensamente!
Resolvi Amar intensamente e Viver AFETADO!
Afetado pelos afetos que valem a pena, pelos amores que me constroem.
Vou deixar que o tempo passe...
E na passagem dos dias, reinterpretarei os momentos e resignificarei a dor.
Acho que a felicidade mora nesse acordo!
É assim que vou bem aventurando a vida!
Abraço o que é meu, assumo o que me faz bem!
Estou indo ser feliz e não pretendo voltar!

Bruno Bressani, Fragmentos.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Steve Jobs - o homem que revolucionou que a tecnologia

       Morreu Steve Jobs, fundador e cérebro da Apple, a empresa da maça, que produziu o Macintosh, o iPad, o iPhone, bem como muitas outras invenções no mundo da ciência e da tecnologia...
       Fica aqui um discurso na universidade, em 2005, um ano depois de lhe ser diagnosticado cancro do pâncreas e com a informação que era um cancro raramente curável, com três histórias da sua vida.
...foi dado para adoptar para ter formação académica... foi demitido da companhia que tinha fundado, a Apple, foi uma das lições mais importante da sua vida que o deixou devastado... mas não desistiu... foi o melhor que lhe aconteceu...  que lhe permitiu criar... e casar com a mulher actual... por vezes a vida atira-lhe pedras à cara... "não perca a fé...", desistiu do curso universitário e das aulas obrigatórias, mas não deixou de estudar, de se preparar... a única maneira de ficar satisfeito é amar... continue a procurar... não se acomode...
       ...a terceira história é sobre a morte. 
       Aos 17 anos leu uma frase: "Se viveres cada dia como se fosse o último, algum dia acertará"... todos os dias, ao longo de 33 anos, quando me levanto e olho para o espelho, pergunto-me: se hoje for o último dia de vida, vou querer fazer o que estou prestes a fazer?"... Pensar que logo morrerei é ferramenta mais importante que encontrei para me ajudar a tomar as maiores decisões na vida... porque quase tudo, as expectativas externas, o orgulho, o medo de vergonha ou fracasso, todas desaparecem frente à morte, restando apenas o que é realmente importante... tu não tens nada (e nada a perder), "não existe razão para não seguires o teu coração"...
       Quando foi informado sobre a possibilidade de morrer entre 3 a 6 meses, depois de lhe se diagnosticado o cancro, o médio disse-lhe para colocar os negócios em dia, facilitar a vida à família, o ter que se despedir... mas depois com a cirurgia foi curando... "ninguém quer morrer... nem mesmo os que querem ir para o céu querem morrer para chegar lá. A morte é o destino que todos partilhamos. Nunca ninguém escapou e é assim que deve ser. A morte é muito provavelmente a melhor invenção da vida. É algo que muda a vida. Elimina o velho para dar lugar ao novo"... hoje sois vós o novo, mas um dia não muito distante sereis o velho... "O seu tempo é limitado, portanto não o desperdice vivendo a vida de outro... não deixe a voz dos outros abafar a sua própria voz... tenham coragem de seguir o vosso coração e intuição... sejam famintos, sejam tolos!"

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Justiça de Jonas :: Misericórdia de Deus

       "Jonas ficou muito desgostoso e irritado, quando Deus perdoou aos ninivitas, e orou, dizendo: «Ah, Senhor! Não era isto que eu dizia, quando estava ainda na minha terra? Por isso me apressei a fugir para Társis, por saber que sois um Deus clemente e compassivo, lento para a ira, rico de misericórdia e sempre disposto a desistir do castigo. Mas agora, Senhor, tirai-me a vida, porque para mim é melhor morrer do que ficar vivo»".
 
        Na primeira leitura proposta para a celebração da Eucaristia, neste dia, deparámo-nos como texto que nos fala do perdão de Deus para com o Povo de Nínive. A história (ou estória) de Jonas é conhecida. É chamado por Deus a ir à cidade de Nínive, avisar o povo do que está para acontecer, pois é um povo dividido, alheio ao bem e à solidariedade, distante dos mandamentos de Deus.
       Mas a  misericórdia de Deus é infinita. Ele não desiste de nós, mesmo que nós nos afastemos dos Seus mandamentos e do Seu caminho. Deus não cessa de vir ao nosso encontro e nos desafiar a uma vida nova. E, por conseguinte, chama e envia Jonas. Este, por sua vez, encara esta missão com enfado e má vontade. Afinal ia avisar um povo estrangeiro.
       O povo de Nínive soube responder claramente às palavras de Deus, arrependeu-se do seu mau caminho, penitenciando-se com gestos concretos, na perspectiva de mudarem os seus hábitos, para entrarem no caminho do Senhor.
       E vemos de novo um Jonas contrafeito, para quem esperava que Deus realizasse a promessa inicial de destruir o povo.
         "Então o Senhor Deus fez crescer um rícino, que se elevou por cima de Jonas, para lhe dar sombra à cabeça e o livrar do seu mau humor. Jonas ficou muito contente com o rícino. Mas no dia seguinte, ao romper da manhã, Deus mandou um verme, que roeu as raízes do rícino, e ele secou. Ao nascer do sol, Deus fez soprar do oriente um vento abrasador e o sol bateu em cheio na cabeça de Jonas, fazendo-o desmaiar. E Jonas tornou a pedir a morte...
       O Senhor disse-lhe: «Tu tens pena do rícino, que não te deu qualquer trabalho e não fizeste crescer, que nasceu numa noite e numa noite morreu. E Eu não devia ter pena da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem distinguir a mão direita da esquerda, além de grande número de animais?»" (Jonas 4, 1-11).

        Às vezes somos um pouco como Jonas, como gostaríamos de ver Deus a castigar claramente aqueles que aos nossos olhos são maus! E quando vemos que aqueles que são maus, pelo menos nos nossos critérios, têm uma vida desafogada e feliz, ainda mais nos irritamos.
       Vejam-se exemplos mais notórios, como a mortandade levada a efeito por alguns personagens da história, e o sofrimento das pessoas inocentes (vítimas da fome, da guerra, de doenças incuráveis, da toxicodependência) como nos apetecia tanto ver Deus a castigar os maus e a salvar os bons e os inocentes... e como isso nos revolta...
       Agora se pensarmos que Deus é Pai... que todos somos filhos... mesmo quando nos desviámos dos Seus caminhos... ou quando os outros se desviam do Seu olhar... e como quereríamos a misericórdia e compreensão para nós... como não querê-la também para os outros?!

O monopólio da palavra...

Para abrir os olhos temos de fechar mais os ouvidos.

       Está dito e redito que estamos em crise. Ditas e analisadas estão causas e consequências. Até à exaustão. Como agir, avançar, ultrapassar, parece matéria menos óbvia. Números, cálculos, hipóteses, também abundam. Horizontes nebulosos, dados sobre todas as mesas parecem não faltar. Muitas das explicações, todavia, não passam de conversa de adivinhos que se querem fazer passar por cientistas. Há, em consequência, abundantes palavras simplesmente inúteis. Nem palavras são. Apenas desabafos.
       Mas neste todo a palavra ganha uma dinâmica e uma responsabilidade decisivas. A palavra que se diz, que se grita, que se escreve e se ilustra com imagem. Palavra do cidadão anónimo que está nos pequenos palcos de cada casa, cada empresa e até cada esquina. Palavras sobre tudo e sobre nada, explosões de vencedores e vencidos, governados e governantes, humilhados e ofendidos, escondidos, novos soberanos da economia, da finança, da exploração. Mas também a palavra de homens e mulheres justos que não encontram saídas para os novos becos que a cada esquina se montam, sem se saber bem quem os desenhou na vida de tanta gente.
       Há um anonimato refinado por detrás de muitas decisões que estão a abalar o nosso mundo. Estreitados aqui, pensamos que aqui começa e acaba o mundo. Quase não se fala dos países em carência total, dos refugiados da guerra e da fome, das crianças que morrem de subnutrição, dos sobressaltos que acontecem em África, América Latina ou Ásia.
       Para abrir os olhos temos de fechar mais os ouvidos. A inflação da palavra e da opinião pode minar esperanças e desnortear bússolas. Vagueia na incontinência verbal de técnicos, especialistas, professores, religiosos, vedetas, vips, governantes, profissionais de poder e oposição, críticos embebidos em vinagre. Há sentenças a mais sobre cada acontecimento e cada matéria. Sem pensar no povo que somos, que anda perdido nas suas solidões com tantos saberes, sentenças, dogmas e previsões. Tudo construído sobre a areia movediça da opinião ocasional, da vaidade que não se permite arrumar-se atrás do pano. A torrente de palavras não é a expressão plural dum país que procura caminhos. É uma sinfonia dissonante de quem não pensa no que diz e diz tudo o que mal chegou a pensar. E chega-se a alguma ditadura da palavra com o desrespeito por quem não se consegue fazer ouvir. Não se pede a ninguém que ponha ordem nisto. Mas pede-se e exige-se que seja respeitado quem escuta tanta palavra sem poder sequer replicar de forma a também se fazer ouvir.

António Rego, in Editorial da Agência Ecclesia.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Oficialização do grupo de Guias de Tabuaço

       As Guias e Escuteiros de Europa, de Tabuaço têm como padroeira Santa Teresa do Menino Jesus, padroeira das Missões, e cuja memória se celebra a 1 de Outubro. Um dia depois, 2 de Outubro, Domingo, Dia do Senhor, reuniram-se, com a comunidade paroquial de Tabuaço para a oficialização do Grupo de Tabuaço. Presentes elementos de vários grupos, de Pendilhe, Peso da Régua, da Lapa, de Arcos e, naturalmente, de Tabuaço. O Comissário de Província, Hermínio.
       A Igreja, em dia de Festa, como devem ser todos os DOMINGOS e todas as Eucaristias, encheu-se de alegria, de cor, de canto, de fé, para participar desta oficialização, incentivando a que outras crianças e jovens possam também tornar-se Guias e/ou Escuteiros.

Deus é maior que os problemas

       Fiel até ao último dia... eu não vou morrer na praia... vou alimentar todos os dias a esperança do céu no meu coração... quando não tiver mais forças, eu vou lembrar do Céu, eu vou pensar no Céu... eu não foi desistir... lutando, combatendo, enfrentando o que tiver que enfrentar... o Céu é o meu lugar... eu vou chegar ao final... fiel até ao último dia... não podemos guardar a graça para nós... não podemos economizar no talento que Deus nos deu...

domingo, 2 de outubro de 2011

Jovens de Tabuaço em Alvite, com SDPJ Lamego

       No início do ano pastoral, o SDPJ de Lamego (Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil) preparou e levou a efeito um encontro de oração, reflexão e convívio, em Alvite, no Concelho/Arciprestado de Moimenta da Beira, para envolver os jovens da Diocese para as diversas actividades pastorais. O lema na base da programação pastoral juvenil é: PERMANECEI NO MEU AMOR (Jo 15,9).
       Aqui ficam algumas imagens do encontro:
 
 
 

sábado, 1 de outubro de 2011

XXVII Domingo do Tempo Comum (ano A) - 2 de Outubro

       1 – "Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no".
       Pelo terceiro domingo consecutivo nos é apresentada uma parábola relacionada com a vinha. Jesus recorre a esta imagem para tornar mais visível o significado de Reino de Deus. É como uma vinha, cujo proprietário é o Senhor Deus, que planta, cuida, convoca trabalhadores para a vinha, e recompensa-os ao máximo.
        A parábola de hoje volta a ser muito absorvente. A vinha é cuidada, cercada com uma sebe para não sofrer ataques, ou a violência de quem passe perto. Tem uma torre, para assegurar vigilância e que as ameaças não se efectivem. Como o proprietário confia a vinha assim Deus nos confia o mundo. Cria e coloca em nossas mãos as ferramentas para que possamos cuidar-nos, cuidar uns aos outros e cuidar do mundo em que vivemos. Não é um trabalho passivo. Ele trata, toma a iniciativa, cria. Mas cabe-nos a nós fazer frutificar. Ele aposta em nós, confia. Não desiste. Envia o Seu próprio Filho, para connosco colher os frutos da justiça, da caridade e da concórdia.

        2 – Com efeito, a descrição de Isaías, na primeira Leitura, é inequívoca. Deus faz tudo, dá tudo pela humanidade, pela Sua vinha, que o profeta identifica com o povo eleito, insinuando a abertura para todos os povos.
       O Senhor cuidou até à exaustão da Sua vinha, da Casa de Israel. Enviou diversos mensageiros, alertou, ameaçou, deu sinais, ajudou a interpretar os sinais, através dos profetas. Mas muitas vezes os líderes, como o povo em geral, esqueceram os preceitos do Senhor, e ao invés de constituirem-se como povo, como família de Deus, esqueceram os Mandamentos do Senhor, foram-se distanciando uns dos outros, vivendo cada um por si e para si.
       "Que mais podia fazer à minha vinha que não tivesse feito? Quando eu esperava que viesse a dar uvas, porque é que apenas produziu agraços? Agora vos direi o que vou fazer à minha vinha: vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada".
       Nas palavras de Isaías está um lamento que é também uma provocação. Não é uma ameaça para destruir, mas um aviso para corrigir.
 
       3 – A vinda de Deus até nós, em plenitude, na Encarnação, em Jesus Cristo, dá-nos a certeza de que Deus não nos abandona à nossa sorte, ainda que respeite a nossa liberdade e nos dê a possibilidade de dizer não. Ele está connosco, à distância da nossa vontade. Basta querer.
       A garantia da Revelação é evidente. Diz-nos São Paulo: "Não vos inquieteis com coisa alguma. Mas, em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus".
       Por conseguinte, não temamos os perigos e não noz refugiemos nas dificuldades, pois mesmo aí Deus está presente, mesmo no sofrimento é possível encontrarmo-nos com Ele.
       Com o salmista podemos então suplicar: "Deus dos Exércitos, vinde de novo, olhai dos céus e vede, visitai esta vinha. Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou, o rebento que fortalecestes para Vós". Ele nos criou e n'Ele queremos encontrar-nos, a Ele confiamos a nossa vida.

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 5,1-7; Sl 79 (80); Filip 4,6-9; Mt 21,33-43.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Renascença V+ - nova página e nova plataforma

       A Rádio Renascença - Emissora Católica Portuguesa - está na primeira linha das tecnologias. Também nesta ferramenta da interent o tem feito. Estreou uma nova página, mais agil, mais dinâmica, com mais imagem, mais intuitiva. É uma página arrogada, permitindo uma maior interacção entre a Rádio e os que a visitam através da Internet. Esta no facebook, e agora criou também um novo serviço: Renascença V+, com a possibilidade de visualizar as notícias: Veja-se por exemplo o desenvolvimento das notícias deste dia.

Renascença V+Ver todos os videos
V Mais Informação | 29 Setembro 2011
Dos alertas de Cavaco ao 'novo' Facebook

Rádio RenasceçaMais informação sobre este video

Em tempo de comentários...

Nos últimos meses, mais atentos às medidas de austeridade, mesmo até às políticas incompreensíveis, não somos só invadidos com notícias, mas verdadeiramente bombardeados de comentários
       Deambulando pela vida alheia, descobrindo novidades sem interesse, discutindo tudo e criticando todos, cresce assustadoramente o número daqueles que perdem horas presos a um post ou a uma notícia online. Nos últimos meses, mais atentos às medidas de austeridade, mesmo até às políticas incompreensíveis, não somos só invadidos com notícias, mas verdadeiramente bombardeados de comentários, em que todos opinam, publicam e republicam, partilham e sugerem. 
       Fenómeno que não se resume ao simples ato de “comentar”, muito desejável até, assiste-se antes à vulgarização do livre arbítrio nos meios virtuais, onde, das prudentes análises, depressa se atinge o patamar do ultraje e da ofensa gratuita. Retirando brilho à discussão fecunda, de partilha saudável, perdem-se horas a comentar, a aguardar o impacto dos impropérios ou de uma certa sabedoria, que só naquele palco se exibe. 
       E, bem vistas as coisas, verdadeiramente preocupante é que tudo isto não serve para nada, não tem qualquer objetivo que se possa admitir como minimamente razoável. São horas a fio retiradas ao trabalho, um tempo perdido e ostensivamente exibido. Isso sim, é assustador, a inutilidade, agravada por uma consequente esterilidade. 
       Muito se comenta, mas pouco se faz, no exemplo do dia a dia, nos resultados apresentados, na produtividade que se impõe. Numa época em que a otimização de recursos é por tudo fundamental, convenhamos que não serão essas horas, passadas a ombrear insultos ou a esgrimir críticas, que contribuem para resolver alguma coisa. 
       Há tantas missões possíveis e enriquecedoras, porquê desperdiçar tempo a alimentar aquelas que jamais estarão ao nosso alcance? 

Sandra Costa Saldanha, Editorial da Agência Ecclesia.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Homem da palavra num mundo de imagem

     Num mundo de imagens, de hiperligações, de comunicação vertiginosa, o discurso do Papa germânico aparece como um contraponto tremendo, pensado, feito apenas de palavra, sem adornos, deixando um desafio que só na aparência é simples: ouvir.
       Durante quatro dias, Bento XVI cumpriu na Alemanha um percurso carregado de simbolismo e pleno de intencionalidade, visível na maneira como olhou para o passado do país, para os desafios superados e as conquistas alcançadas, projetando depois, no futuro, a realização plena das aspirações de todos os que lutaram, às vezes à custa da própria vida, pela liberdade.
       Falando na sua terra e na sua língua, o Papa apostou tudo no discurso e abordou vários temas queridos, mormente no que diz respeito ao papel da religião e das comunidades crentes numa sociedade secularizada, que cede ao relativismo e ao individualismo, podendo, por isso, marginalizar essa dimensão espiritual.
       Ao lembrar os dramas provocados pelo nazismo, em toda a Alemanha, e do comunismo, na antiga RDA, o Papa falou de uma “chuva ácida” que se abateu sobre a Igreja e os seus fiéis, deixando marcas que permanecem até hoje. O que ficou claro dos discursos de Bento XVI é que a libertação desses regimes não pode, no entanto, desmobilizar os fiéis, levá-los a acomodarem-se, esquecendo adversidades menos visíveis, mas igualmente poderosas, nas sociedades ocidentais.
       Ainda que nem sempre sob o olhar atento da imprensa, Joseph Ratzinger deixou no seu país uma espécie de testamento para os católicos e, diria mesmo, para o seu sucessor, em matérias como o diálogo com as Igrejas protestantes, a reconstrução de um projeto europeu com a marca do património cristão e, sobretudo, a «desmundanização» da própria Igreja Católica, colocada à margem de guerras políticas e preocupações materiais, despida de uma excessiva institucionalização que a leva a preocupar-se, antes de mais, consigo mesma.
        O próprio Papa apresentou-se como um líder espiritual, sem objetivos políticos ou económicos, como faria outro qualquer chefe de Estado. Palavras que fazem jus ao tema escolhido para a viagem destes dias: «Onde há Deus, há futuro».

Octávio Carmo, Editorial da Agência Ecclesia

terça-feira, 27 de setembro de 2011

I want to tell you about my feelings

QUERO FALAR CONTIGO SOBRE OS MEUS SENTIMENTOS [1]
       Quero falar contigo sobre os meus sentimentos. Foi assim que a comunicação começou.
       Comunicar é como jogar a bola. Eu atiro a bola e tu apanha-la. E outra vez: eu atiro a bola…
       “Eu quero falar contigo sobre os meus sentimentos”. Foi assim que a comunicação começou. Tal como precisamos de lançar a bola de uma lado para o outro para que haja jogo, nós, para comunicar, precisamos de falar de uns para com os outros sobre os nossos sentimentos.
       Se vós estiverdes demasiadamente perto, ou se estiverdes demasiadamente longe um do outro, não é fácil jogar à bola. Se vós estiverdes demasiadamente perto, ou demasiadamente longe, da pessoa a quem amam, ou do vosso amigo, ou do vosso filho, ou dos vossos pais, não é fácil comunicar.
       A comunicação não começa com as duas pessoas a falar ao mesmo tempo. De um lado ou do outro tem de partir o primeiro movimento. Alguém tem de lançar primeiro a bola.
       Mas tu podes não querer ser o primeiro a atirar a bola – talvez queiras esperar que alguém te atire a bola. (Porque quando a atiras e ninguém a apanha, ficas infeliz). Há ocasiões em que, sem o esperares, és rejeitado. Há ocasiões em que, quando atiras a bola, porque queres jogar com outra pessoa, essa pessoa atira-a para outra.
       Desde muito cedo que nos habituámos a ter algumas pessoas que não ouvem o que dizemos. "Agora estou muito ocupado", dizem. "Falamos mais tarde, está bem?" Por isso, acabamos por pensar: "Não tem importância o que eu possa dizer". É por isso que é preciso ter coragem para ser o primeiro a atirar a bola.
       Às vezes ganhaste finalmente coragem para lançar a bola a outra pessoa só para a ver lançá-­la para longe. Alguma vez isto aconteceu contigo? Ou então tu lanças a bola a partir do teu coração, só para que a pessoa a quem a lançaste lhe dê um pontapé... Alguma vez isto aconteceu contigo?
       Ou então tu lanças uma bola com meio metro de diâmetro, mas, quando ela volta para ti, só tem alguns centímetros... Alguma vez isto aconteceu contigo?
       Alguma vez disseste para ti mesmo "Em vez de ser eu a lançar a bola e ser infeliz, é melhor não lançar a bola; espero que alguém me lance a bola"? Mas, e se ninguém te atira a bola…?
       Tu não és o único que foste surpreendentemente rejeitado, que já recebeu uma bola devolvida, que é infeliz. Talvez tu já tenhas dado também alguns pontapés na bola, e feito alguém infeliz, e nem saibas que o estás a fazer. Todos nós queremos que apanhem as nossas bolas. Todos nós queremos que as pessoas ouçam o que temos para dizer. Todos nós queremos que as pessoas percebam que nós existimos.
       Quem é que no mundo vai aceitar todas as pessoas que querem ser aceites?
       Se a pessoa a quem atiraste a bola do coração a apanha, e se tu apanhas a bola que essa pessoa te atirou do coração, então uma fase da comunicação foi preenchida.
       Mas algumas vezes nós sentimos que "Ele não a apanhou da maneira que eu queria!", ou que "Não tenho possibilidade de apanhar a bola que ele me atirou!", Nós temos muitas formas como estas de falta de comunicação.
       Quando se acumulam momentos de falta de comunicação, as nossas emoções ficam instáveis. Nós ficamos aborrecidos, preocupados, zangados, com preconceitos, hostis. De vez em quando, explodimos... Depois, aos poucos e poucos, começamos a não sentir nada... E, mais cedo ou mais tarde, estamos sozinhos.
       Se a pessoa a quem atiraste a bola não a apanhou da maneira que tu querias, não culpes essa pessoa. Talvez ela não seja muito boa a jogar a bola. Talvez ela estivesse nervosa, e a sua mão tenha deslizado. Talvez a tua bola fosse demasiado pesada.
       Se o teu chefe, ou os teus pais, ou o teu companheiro nunca te deixam dizer o que queres, como te sentes? Se houver três ou quatro bolas que são atiradas para ti ao mesmo tempo, como te sentes?
       Medes a tua capacidade de comunicar através da reacção da pessoa com quem estás a tentar comunicar. Mesmo que não o queiras admitir.
       Há uma maneira boa e uma maneira má de comunicar. Trocar comunicação é uma maneira boa de comunicar. Não trocar comunicação é uma maneira má de comunicar. Igualmente má, é trocar alguma coisa que é parecida com comunicação – mas que não é realmente comunicação.
       O que significa ser parecido com comunicação? Só falar do tempo, ou de desporto, ou do sexo oposto, é parecido com comunicação. Só falar do que fases na vida (como alguém mais velho, como professor, como jovem, como marido, como mulher) é parecido com comunicação. Quando trocas alguma coisa parecida com comunicação, não tens de te preocupar por te sentires só, ou sentires dor. Não tens de te preocupar com sentimentos ou argumentos inesperados. Mas também não tens a experiência de uma alegria inesperada – ou a sensação de estar realmente vivo.
       Se o comportamento da pessoa com quem estás a comunicar não muda, isso significa que realmente aí não houve comunicação. Houve apenas conversa social. A verdadeira comunicação leva sempre a novos comportamentos.
       Há uma diferença entre comunicar com as pessoas e simplesmente confirmar a relação com essas pessoas. As relações tornam-se rígidas. A comunicação muda isso.
       Que tipo de relações queres ter?
       Uma das razões para a existência de problemas na comunicação é que, quando dizes ser amigo de alguém, com que estás mesmo preocupado é em mostrar a essa pessoa que és melhor do que ela.
       Que tipo de relação queres ter com outra pessoa? Uma relação unilateral? Queres que se ignorem uma à outra? Ou queres jogar "contra a parede"? Ou queres conservar os teus sentimentos fechados dentro de ti?
       "Se ao menos eu fosse melhor do que aquela pessoa", dizes tu. Sem se perceber, muitas vezes usamos a comunicação como uma forma de competição. Mas, mete isto na tua cabeça: o preenchimento da fase seguinte da comunicação vem daquilo a que se pode chamar aceitação. As pessoas mudam o seu comportamento quando se sentem aceites.
       Gostar de outra pessoa não é necessariamente aceitá-la. Se houver uma pessoa de que tu não gostes, primeiro aceita o "tu" que não gosta dessa pessoa. O grau em que tu aceitas outra pessoa coincide exactamente com o grau com que te aceitas a ti.
       Aceitar é ouvir o que a outra pessoa tem para dizer.
       "Eu quero falar sobre os meus sentimentos", podes dizer, "mas ninguém me ouve". Tu não és a única pessoa que pensa assim muitas vezes. De facto, isto é o que acontece sempre que as pessoas tentam usar a comunicação para competir, em vez de ser para aceitar.
       Enquanto pensares que a tua capacidade de comunicar é a tua capacidade de falar, nunca poderás experimentar a sensação de estar com outra pessoa. A tua capacidade de comunicar depende da tua capacidade de fazer com que a outra pessoa fale – e a tua capacidade de ouvir o que essa pessoa está a dizer. Ouvir só é ouvir quando se escuta tudo o que o outro está a dizer, sem julgar ou negar, ou comparar essa pessoa contigo.
       Se estiveres realmente a ouvir, e se estiveres preparado para aceitar, será fácil para a outra pessoa falar. Mesmo se a bola for difícil de apanhar, ou tiver sido atirada com pouca força, se fizeres o melhor que puderes para a apanhar... tu consegues.
       Não consegues apanhar uma bola se só ficares à espera. Se estás realmente preparado para aceitar, dá um passo em frente. Usa o teu corpo todo. Estica a tua mão e aceita o que está mesmo à tua frente.
       Se achas que aceitar outra pessoa quer dizer concordar com tudo o que ela diz ou faz, a aceitação não será fácil.
       Aceitar significa ouvir tudo o que a outra pessoa tem para dizer e dar-lhe valor.
       Se houver aceitação, pode-se pensar de maneira diferente, ter interesses diferentes, sentimentos diferentes – e mesmo assim estar junto.
       Quando a aceitação acontece, foi preenchido um novo estádio da comunicação. Quando um estádio da comunicação foi preenchido, sentimo-nos aliviados.
       Quando duas pessoas se conhecem, estão as duas ansiosas. O problema não é a ansiedade. O problema surge quando se tenta esconder isso. Estás tão preocupado com a forma como vais atirar a bola que ignoras a preocupação e tentas agir como se não estivesses ansioso. Estás tão preocupado com a forma como apanhas a bola que ignoras a preocupação e ages como se não estivesses ansioso. No momento em que paras de agir como se nada estivesse errado, tu aceitas-te a ti próprio. Só depois de te teres aceitado a ti próprio é que a verdadeira comunicação acontece.
       "Quero falar contigo sobre os meus sentimentos". No momento em que te começas a sentir assim, começas a atirar bolas que são fáceis de apanhar. (É impossível para uma pessoa que não tenha jogado muito a bola apanhar bolas rápidas e curvas, mesmo que ela queira. Se a pessoa com quem estás a jogar não estiver pronta para aceitar, atira a bola de uma maneira suficientemente fácil para que ela a possa apanhar.)
       Nós vivemos através da comunicação. Quando a tua comunicação muda com outra pessoa, a tua relação muda com todas as outras pessoas também. A tua relação com o teu trabalho e as relações na tua vida mudarão também. E a tua relação contigo mudará também.
       "Quero ouvir-te falar sobre os teus sentimentos".
       É assim que a comunicação começa.
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[1] ITOH, MAMORU (1992), I want to tell you about my feelings, translated by Leslie M. Nielsen, William Morrow and Company, Inc., NY. Traduzido do inglês por Helena Gil da Costa (2002).

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

As melhores imagens de Bento XVI na Alemanha

Bento XVI: em que é a Igreja deve mudar?

       Bento XVI na despedida da Visita Oficial à Alemanha, em encontro com os responsáveis pastorais pergunta-Se: "Acaso não deverá mudar a Igreja?" Deve mudar, para cumprir melhor a missão que Jesus Cristo lhe confiou, deve desmundanizar-se, livrar-se da carga material e política que a distancia da sua missão...devolver a Igreja a sua plena identidade...

domingo, 25 de setembro de 2011

A vida cristã é um compromisso com o próximo

       Na Eucaristia de Domingo, a última celebrada na Visita Oficial ao seu país natal, a Alemanha, no aeroporto de Friburgo, Bento XVI, acentuou a necessidade de uma sólida prática religiosa que vá além das opiniões e das palavras, em corações tocados pela graça de Deus... "A vida cristã é uma pró-existência: um ser para o outro, um compromisso humilde com o próximo e com o bem comum"...

Bento XVI aos jovens: tende a ousadia de ser santos

       Em Friburgo, para cerca de 20 mil jovens, o Papa Bento XVI, em Vigília de Oração, disse aos jovens: "Atrevei-vos a colocar os vossos talentos e dons ao serviço do Reino de Deus... tende a ousadia de ser santos brilhantes, em cujos olhos e corações reluz o amor de Cristo, levando assim a luz ao mundo..."

Bento XVI: São os santos que transformam o mundo

sábado, 24 de setembro de 2011

XXVI Domingo do Tempo Comum - 25 de Setembro

       1 – Coerência de vida.
        É, ou deveria ser, o objectivo de todas as pessoas.
       Por maioria de razão, há-de ser uma motivação e um desafio de todo o cristão, para desse modo imitar o seu Mestre e Senhor, Jesus Cristo, reconhecido Alguém que ensina com autoridade. A autoridade dos ensinamentos de Jesus é contraposta à autoridade dos fariseus e dos doutores da lei, em geral, que são considerados (pelo próprio Jesus) hipócritas, pois exigem e não cumprem, defendem preceitos para os outros mas sem intenções de fazer o mais pequeno esforço para também cumprir. Ao olharmos para o nosso tempo vemos como a coerência de vida é cada vez mais urgente em todos os sectores da vida, social, cultural, desportiva, religiosa, política. E como a falta dessa coerência leva à desmobilização, à indiferença, ao conflito, à descredibilização de pessoas e instituições. Certamente não é alheia à incoerência a crise económico-financeira que atravessa o velho continente.
        O Papa Paulo VI referia que um dos pecados maiores do nosso tempo era a falta de consciência do pecado e o divórcio entre a Igreja e a sociedade, entre a fé e a vida, entre o Evangelho e a cultura. A fé e a militância religiosa não marcam o compromisso dos cristãos nos sectores da vida social em que estão presentes. E desse modo, se alarga também aos cristãos a hipocrisia e o cinismo. O nome não corresponde à vida que se leva (que se vive).
       Por outro lado, o Papa João Paulo II, usava muitas vezes as palavras do Seu Predecessor Paulo VI - “O mundo não precisa de mestres, mas de testemunhas”, uma vez que "as palavras movem, mas o exemplo arrasta", sublinhando a importância de os Mestres também serem testemunhas da fé.
       Do mesmo modo, Bento XVI, propondo a sabedoria e o testemunho dos santos, como pessoas que procuraram a fidelidade à Palavra de Deus no compromisso com os outros na caridade, acentua a coerência dos cristãos no quotidiano e no mundo em que se inserem.

       2 – Com outra parábola relacionada com o vinha, Jesus recorda-nos que "não basta dizer 'Senhor, Senhor', para entrar no Reino dos Céus", mas importa fazer a vontade de Seu Pai que está nos Céus. A proclamação da fé concretiza-se na vivência concreta dos mandamentos, na realização da vontade de Deus, procurando viver de acordo com os Seus ensinamentos. A pergunta de Jesus é de sempre: porque Me chamais Senhor e não realizais o que vos mando?
       «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Eles responderam-Lhe: «O primeiro». 
       Quantas vezes nos ficamos pelas intenções! Quantas vezes já nos aconteceu o que Jesus nos apresenta com esta parábola?! Pessoas que na nossa presença se desfaziam em simpatia, respondendo sempre com amabilidade, com a disposição de cumprirem/realizarem o combinado, com alegria e generosidade, mas mal saíram de ao pé de nós, logo alteraram a opinião que tinham sobre nós e a boa vontade demonstrada. Outras pessoas que quando se lhes pede algo colocam sempre condições várias, porque não podem, porque não sabem, porque é muito difícil, não têm jeito ou não têm tempo, e quando vamos a dar conta já cumpriram!
       Ou também, as pessoas que nos contestam, olhos nos olhos, com uma frontalidade que nos desarma, mas estão sempre prontos para nos defender diante dos outros! O ideal é que às nossas palavras correspondesse a nossa vida, que a nossa fé se transformasse em caridade, justiça, solidariedade, em conciliação. Lembremo-nos sempre: não bastam bons propósitos, é preciso realizá-los ou pelo menos tentar.

       3 – Se se nos afigura tão difícil a coerência de vida, peçamos ao Senhor a fortaleza do Seu Espírito, e o discernimento, para que nas mais variadas situações possamos agir com criatividade, com generosidade, com a alegria, promovendo o bem, a paz, a concórdia.
       Se nos afastarmos do Senhor, tenhamos presente a recomendação do profeta: "Quando o justo se afastar da justiça, praticar o mal o vier a morrer, morrerá por causa do mal cometido. Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado, praticar o direito e a justiça, salvará a sua vida". E com o salmista supliquemos: "Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador: em vós espero sempre".
       A santidade não é um estado permanente, ainda que haja muitas pessoas que vivam e testemunhem uma grande e intensa intimidade com Deus, respirando e transpirando paz, alegria, humildade, generosidade. As palavras que proferem revelam uma maturidade que os e nos transcende, apaziguadores, promotores da nossa satisfação e felicidade. Vivem como se em cada pessoa encontrassem Deus.
       A santidade é um caminho para a maioria de nós, ou para todos nós, ainda que haja alguns muito mais perto. Somos limitados e imperfeitos até à eternidade. Mesmo quando a eternidade é experienciada no tempo e na história, ainda não é infinita e definitiva. Podemos sempre vacilar ou até recuar no caminho. O importante, porém, é fazermo-nos à estrada, tornarmo-nos peregrinos da perfeição de Deus.

       4 – No caminho da santificação não estamos sós. Deus acompanha-nos e acompanham-nos todos os que projectam a sua vida para Deus, para a eternidade, para o Infinito. Enquanto caminhamos, muitas pessoas fortalecem as nossas convicções e/ou nos desafiam a ser mais, a ser melhores.
       São Paulo, dá-nos mais uma lição importante como enfrentar as dificuldades e como vivermos como família, para nos sentirmos mutuamente fortalecidos. Diz-nos, nesta sua epístola aos Filipenses, "Se há em Cristo alguma consolação, algum conforto na caridade, se existe alguma consolação nos dons do Espírito Santo, alguns sentimentos de ternura e misericórdia, então, completai a minha alegria, tendo entre vós os mesmos sentimentos e a mesma caridade, numa só alma e num só coração".
       Vale a pena continuar a escutar e mastigar as palavras do Apóstolos:
       "Não façais nada por rivalidade nem por vanglória; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós mesmos, sem olhar cada um aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros. Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus".
       Não se trata de uma opção ou de um capricho, trata-se de imitar Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor: "Ele, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte, e morte de cruz. Por isso, Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem, no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai".

Textos para a Eucaristia (ano A): Ez 18,25-28 ; Sl 24 (25); Filip 2,1-11; Mt 21,28-32.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bento XVI em encontro com os protestantes

       Na primeira Viagem oficial de Bento XVI à Alemanha, Sua terra natal (terceira Viagem do seu pontificado, mas só esta é Visita de estado: Bento XVI deslocou-se à Alemanha na condição de Chefe de Estado do Vaticano), hoje foi dia para visita o convento onde viveu, durante alguns anos Lutero, o fundador do Luteranismo, dando início ao movimento de protestantismo...
       "O importante, mostrar juntos que Jesus é o Deus vivo..."
       "A fé não é algo que negociamos ou acordamos entre nós. É o fundamento sobre o qual vivemos"...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Bento XVI: "Vim à Alemanha para falar de Deus"

       No primeiro discurso de Bento XVI em solo alemão, o Papa, também oriundo deste país, sublinhou o objectivo primeiro da Viagem Apostólica: "Vim para encontrar as pessoas e falar-lhes de Deus"... "A religião é uma questão fundamental para uma convivência plena... Como a religião precisa da liberdade, assim a liberdade precisa da religião

       Veja o notícia completa na página da Rádio Renascença. Acompanhe esta Viagem Papal na Agência Ecclesia, ao minuto...

Bento XVI já está na Alemanha

       Pela terceira vez, como Papa, Bento XVI está na Alemanha, sua terra natal, desta vez em viagem oficial. A primeira, em 2005, na Jornada Mundial da Juventude; depois uma visita à terra/região onde nasceu, e agora em Visita de Estado.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

100 anos - Sr. José Mendes - Pinheiros

       Nasceu há um século, no dia 19 de de Setembro de 1911. 100 anos de vida, para o Sr. José Mendes, viúvo, que teve 8 filhos, dois dos quais morreram em acidentes com a natureza. Um homem paciente, trabalhador, honesto e respeitável.
       A família preparou-lhe uma festa de aniversário completa, 100 anos depois, no dia 19 de Setembro de 2011. Pelas 11h00, a celebração da Eucaristia, no altar de Santa Eufémia, Padroeira de Pinheiros.
        O Pregador convidado foi o mesmo das Festas anuais de Santa Eufémia e Santa Bárbara, Pe. António Jorge Giroto, que partindo do nome do homenageado, em celebração de Acção de Graças (= Eucaristia), para apresentar São José como modelo de vida e exemplo a seguir, pelo silêncio, trabalho, dedicação à família, humildade e descrição.
       Também desta vez usou letras para daí "fixar" palavras, atitudes. No dia de Santa Eufémia tinha sido o C, no dia de Santa Bárbara, o P, neste dia as vogais, A,E,I,O,U.:
A - de AMOR, a Deus e ao próximo. O amor e a amizade são fundamentais para dar sentido à vida;
E - de ESPERANÇA. O cristão tem razões para ser e viver alegre, porque confia, espera em Deus, acredita que Deus não lhe faltará;
I - de IMAGINAÇÃO. Criar, ser imaginativo, não estar à espera que os outros resolvam a sua vida;
O - de ORAÇÃO, como São José, uma oração que dialoga com Deus, não apenas que fala, mas sobretudo que escuta;
U - de UNIDADE, construindo laços de afecto e de amizade, dando sabor à vida, não apenas ~união, o estar juntos, uns ao pé dos outros, mas interagir com os outros, uns nos outros e em Deus.