terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Filho, vai hoje trabalhar na vinha

       Disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele» (Mt 21, 28-32).
       A fé sem obras é morta (cf. Tg 2, 17ss). Di-lo de forma clara e inequívoca o apóstolo São Tiago. Os discípulos perceberam que seguir Jesus Cristo não é o mesmo que seguir um Mestre, um filósofo, um sábio, para aprender a discursar, a argumentar, a contrapor. Seguir Jesus Cristo implicaria sempre acolhê-l'O, amá-l'O, viver do Seu jeito, assumir a Sua postura, a Sua delicadeza, a Sua prioridade em fazer-Se irmão dos mais desvalidos, concretizar as intenções e os propósitos. Se há algo em Jesus que O torna combativo é contra a atitude hipócrita daqueles que exigem em nome de Deus, defendem, debatem, argumentam, para que os outros façam, mas os próprios ficando-se apenas pelos conselhos ou pelas exigências feitas aos outros.
       Nesta parábola é explícita a mensagem de Jesus: as intenções só valem se se concretizarem. É sempre preferível concretizar o bem, mesmo que antes as intenções pudessem não ser as melhores. Por outro lado, Jesus diz-nos que estamos sempre a tempo de corrigir, "emendar a mão", mudando o proceder, acolhendo a vontade do Pai.
       Nesta como noutras intervenções de Jesus, uma leitura imediata pode levar-nos a separar os bons dos maus, os que falam e não fazem e aqueles que respondem com a vida. Porém, a Palavra de Deus deve ser lida e acolhida em nós, pois é para nós que Jesus fala. Sob este prisma importa que cada um de nós reflita, tomando consciência dos momentos em que escuta a Palavra de Deus, reza com devoção, mas depois esta não gera vida, e aquelas vezes em que a prática ultrapassa os propósitos iniciais. Como se poderá concluir, na escuta das palavras de Jesus, refletindo-as, há que procurar traduzir a fé em gestos concretos.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Domingo III do Advento - ano C - 13 de dezembro

       1 – O terceiro Domingo do Advento é conhecido como da Alegria (Gaudete), tal é a LUZ que vem do Natal e que se anuncia cada vez com mais intensidade. A alegria tem muitas cores e muitas motivações, ainda que as expressões sejam idênticas: exuberância, sorriso, apaziguamento, conversação, proximidade, contágio. Como nos lembra Toltoi, as famílias alegres são todas iguais, mas cada uma sofre à sua maneira. A alegria gera comunicação e comunidade; a tristeza, sem mais, afasta, isola, atrofia, por culpa própria, por cansaço dos outros ou pelo desgaste do tempo.
       A alegria é possível para quem encontrou a paz, um sentido para vida, uma luz interior que não se apaga por maior que sejam as tempestades. Falta mais um domingo para o Natal. A proximidade espiritual (também cronológica) já não deixa margem para a dúvida: Deus está a chegar à minha e à tua vida. Deus vai nascer. Deus vai querer estar connosco. Ele vai querer para nós todo o bem. Ele está a chegar, porque sempre vem, porque sempre Se aproxima, porque sempre nos ama com amor de Mãe e de Pai, porque sempre Se dá, total e absolutamente, sem reservas nem condições. É Deus de Misericórdia, cujo ROSTO é Jesus, o Deus que Se faz Menino e que Se deixa embalar, tocando-nos com a Sua fragilidade de Menino, ternura de uma criança que acaba de nascer. As Mães ensinam-nos /dizem-nos a beleza dos filhos acabados de nascer. Já não há tempo a perder, não há tempo para nos distrairmos com outras coisas. Ele faz-Se anunciar. Já vem lá, arrumemos a casa, abramos as portas, arejemos os espaços, perfumemo-nos de alegria. O nosso coração já se dilata, queremos apressar a Sua chegada.
       Preparemo-nos para a festa. Ponhamos o melhor sorriso para O receber. Vistamo-nos de esperança. Quando um amigo, um familiar regressa, para uma ocasião festiva, logo começamos a imaginar a alegria que vamos experimentar, e já vivemos nesta antecipação, pois já estamos a viver com esta chegada certa.
       2 – Enquanto nos preparamos para escutar o Evangelho, as leituras que o procedem falam-nos desta ALEGRIA no Senhor que vem, em Deus que nos ama, na salvação iminente.
       A profecia de Sofonias dá como certa a salvação e, por conseguinte, desafia todo o povo: «Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém... O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa».
       Deus alegra-Se connosco e por nós. Vem salvar-nos e a Sua alegria envolve-nos e compromete-nos. Pela mesma razão podemos e deveremos exultar de alegria porque Ele já está no meio de nós. E se Ele está connosco, e está por nós, nada nos poderá separar da felicidade que não tem fim. Estamos a caminho e experimentaremos a fragilidade da nossa existência. Mas se Deus é a garantia da nossa felicidade definitiva, se Ele segue connosco, os nossos caminhos são mais seguros e sabemos que, com maior ou menor esforço, sacrifício e dedicação, haveremos de chegar à meta prometida.
       Do mesmo jeito, São Paulo nos convoca: «Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e ações de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus».
       A alegria advém do amor de Deus e da certeza inabalável que Ele está por perto. Por isso Lhe poderemos suplicar, agradecer e colocar-nos diante d'Ele com o que somos, com as nossas alegrias e os nossos sonhos, com os nossos pecados e com todo o bem que deixamos passar através da nossa voz e da nossa vida.
       3 – Como insinua São Paulo, a alegria que experimentamos em Cristo não é passageira, superficial, fingida ou para nos disfarçarmos diante dos outros. A alegria é indelével, vem de Deus, não está a prazo, não é acessória. É definitiva. É uma alegria que nos solidariza no bem, na verdade e na justiça. A alegria requer a partilha. Ninguém faz festa sozinho. Ninguém é feliz na solidão. A alegria também se constrói. É dom de Deus que nos obriga a condividir, a partilhar. Todo o dom só faz sentido e só é dom multiplicando-se pelos outros.
       O Evangelho aponta-nos o caminho a percorrer para alcançarmos a alegria que a salvação vem trazer-nos. Deus salva-nos contando com a nossa liberdade e a nossa cooperação. Como nos recorda Santo Agostinho: Deus criou-nos sem nós mas não nos salva sem nós. Não força, não Se impõe. Propõe-Se e expõe-Se. Em Jesus Cristo, Deus deixa-se embalar, deixa-Se amar. Mas também podemos fazer-Lhe mal, persegui-l'O, condená-l'O, pregá-l'O numa cruz. E sempre que o fizermos a um dos irmãos mais pequenos a Ele o faremos. Se tocamos as feridas de alguém, é de Cristo que cuidamos. Se agredimos alguém, é a Cristo que recusamos.
       As multidões seguem João Batista e mastigam as suas palavras. O Precursor faz saber que o Messias está a chegar e portanto é tempo de conversão e de mudança de vida. Pessoas de várias condições manifestam a vontade de se preparar: que devemos fazer?
       As respostas de João Batista são concretas: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo... Não exijais nada além do que vos foi prescrito... Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo».
        Há mais alegria em dar do que em receber. A alegria também se deve procurar, deve ser uma opção de vida, ainda que por vezes a vida seja madrasta. Todas as pessoas e todos os grupos podem participar da alegria que nos vem de Deus, comprometendo-se a construir um mundo mais solidário, mais humano.
       4 – São João Batista, que nos acompanha de perto, não se deixa confundir pelos elogios e aponta para Jesus, a verdadeira Alegria, o Messias de Deus: «Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga».
       A proximidade do Deus que vem salvar-nos convoca-nos ao júbilo mas também ao compromisso. É bom que façamos frutificar a semente em nós plantada pela Palavra de Deus e demos fruto em abundância... A palha sem fruto só dará para queimar. O aviso de João Batista não é uma ameaça. Ele responsabiliza-nos. Não somos mais crianças irresponsáveis, ainda que devamos manter a mesma lisura, mas adultos envolvidos na transformação do mundo. Antecipamos a chegada de Deus pelo bem que promovemos. "Deus é o meu Salvador, tenho confiança e nada temo. O Senhor é a minha força e o meu louvor. Ele é a minha salvação... Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas, anunciai-as em toda a terra. Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel".
       Não estamos sozinhos. E isso é fonte de alegria. Ele segue connosco e faz-Se presente por todos os que nos acompanham no caminho. E isso apazigua-nos e dá-nos vitalidade para continuarmos a trabalhar por um mundo melhor e onde nos reconheçamos como irmãos.

Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia (C): Sof 3, 14-18a; Sl Is 12, 2-3. 4bcd. 5-6; Filip 4, 4-7; Lc 3, 10-18.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Coroa do Advento: Terceiro Domingo do Advento

Coroa do Advento - texto para acompanhar o acender da terceira vela.
Depois da saudação inicial e antes do Ato penitencial.

1.º Leitor:
Bom dia, caríssimos Amigos.
Estamos no terceiro Domingo do Advento, é o Domingo da Alegria.
Alegria porque estamos às portas do Natal. Já não há como voltar atrás.
Deus está a chegar à minha e à tua vida. Deus vai nascer. Deus vai querer estar connosco. Ele está a chegar, porque sempre vem, porque sempre Se aproxima, porque sempre nos ama com amor de Mãe e de Pai, porque sempre Se dá, total e absolutamente, sem reservas nem condições. Em Jesus, Deus faz-Se Menino, deixa-Se embalar, tocando-nos com a Sua fragilidade de Menino.
2.º Leitor:
Já não há tempo a perder, não há tempo para nos distrairmos com outras coisas. Ele faz-Se anunciar. Já vem lá, arrumemos a casa, abramos as portas, arejemos os espaços, perfumemo-nos de alegria.
Preparemo-nos para a festa. Ponhamos o melhor sorriso para O receber. Vistamo-nos de esperança. É um amigo, um familiar que está a chegar. Já sentimos no coração a sua proximidade.
Acendamos todas as luzes (acender as 3 velas), para que melhor O vejamos e para nos deixarmos encontrar por Ele.
1.º Leitor:
«Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade». São Paulo liga a alegria à bondade.
A alegria requer a partilha. Ninguém faz festa sozinho. Ninguém é feliz na solidão. A alegria também se constrói. É dom de Deus que nos obriga a condividir, a partilhar. Todo o dom só faz sentido e só é dom multiplicando-se pelos outros.
Deus salva-nos contando com a nossa colaboração. Se tocamos as feridas de alguém, é de Cristo que cuidamos. Se agredimos alguém, é a Cristo que recusamos.
As multidões perguntam a João Batista: que devemos fazer? Que devemos fazer para preparar a vinda do Messias?
2.º Leitor:
«Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo... Não exijais nada além do que vos foi prescrito... Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo».

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Tabuaço: Festa da Padroeira, Festa da Comunidade

       A festa mais importante para a comunidade paroquial é a Festa da Sua Padroeira, Nossa Senhora da Conceição. Na Paróquia de Tabuaço, a solenidade da Imaculada Conceição é precedida por uma novena preparatória. Desde o dia 29 de novembro, até à véspera do dia 8, um tempo de oração, de reflexão, de encontro, sob o olhar da Virgem Imaculada.
       O Pregador da Novena e da Festa foi o Pe. Dimantino Alvaíde, Pároco de Moimenta da Beira e de Cabaços. Ao longo dos dias foi-nos falando das Alegrias de Nossa Senhora: a alegria da chegada; a alegria da partida; a alegria do recebimento; a alegria do dar; a alegria do falar; a alegria do calar; a alegria de estarmos juntos; a alegria de estar sozinhos, e a alegria do perdão. No dia 5 de dezembro, sábado, dentro da Novena o Compromisso dos Acólitos e o início da Construção do Presépio.
       O momento mais importante, como não poderia deixar de ser, foi a celebração solene da Eucaristia, seguindo-se a Procissão por algumas das ruas da Vila/Paróquia de Tabuaço, com a paragem simbólica e expressiva frente ao Quartel dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço, dos quais é a Madrinha.
       Durante a pregação, o Pe. Diamantino Alvaíde, na dinâmica que nos trouxe durante a novena, encerrou com a maior Alegria de Nossa Senhora: dar-nos todas as alegrias. dar-nos Jesus. O seu sim, a Sua vida por inteiro, é acolher Jesus e dá-lo ao mundo inteiro. Essa ha de ser também a maior das nossas alegrias, receber de Maria o Seu Filho e dá-l'O a todos os que encontramos. A quantos mais levarmos Jesus melhor. Numa corrida (de bicicleta), o que chegar primeiro ganha. Como cristãos, a nossa corrida é ao inverso, corremos para que outros cheguem primeiro, vamos a empurrá-los. Quantos mais melhor. É a nossa missão. Empurramo-los para que depois eles nos puxem.
        Na Eucaristia foi distribuído o Boletim com a proposta de Reflexão do Pe. Dimantino, assumindo os dias da Novena: O dever de ser alegre como Nossa Senhora.
       Algumas imagens deste dia:
Outras imagens que temos disponíveis: Paróquia de Tabuaço no Facebook.

O Elias que estava para vir

       Disse Jesus à multidão: «Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o mais pequeno no reino dos Céus é maior do que ele. Desde os dias de João Baptista até agora, o reino dos Céus sofre violência e são os violentos que se apoderam dele. Porque todos os profetas e a Lei profetizaram até João. É ele, se quiserdes compreender, o Elias que estava para vir» (Mt 11, 11-15).
       João Baptista, com Isaías, com Nossa Senhora, com São José, é uma das figuras constantes do Advento. Vem antes de Jesus, como Precursor, como Aquele que prepara os caminhos do Senhor, amacia a chegada do Reino de Deus, a chegada do Messias, que para nós cristãos é Jesus Cristo.
       A proximidade do Reino há-de levar-nos à conversão, à mudança de vida, a uma adesão cada vez mais firme e consciente à Palavra de Deus, para que em nossas vidas se opere a vontade de Deus para nós e para o mundo que habitamos. O Advento é o tempo de graça que nos preparar espiritualmente para o Natal, e João, com o seu anúncio e com a sua vida, predispõe as pessoas (no caso, os judeus) para que recebam o Messias esperado.
       No Evangelho deste dia é Jesus quem dá testemunho de João Baptista. E ao apontar à figura de João, o Mestre dos Mestre convida-nos a dar importância à mensagem do Precursor: com João Baptista preparemo-nos para acolher Jesus que vem.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O dever de ser alegre, como Nossa Senhora

Reflexão preparada e distribuída na Solenidade da Imaculada Conceição 2015:

A sabedoria de quantos – e são tantos – os que souberam fazer das batalhas da vida um trampolim maior para alcançar uma felicidade profunda e duradoura advém, em grande parte, das pequenas alegrias que souberam semear e colher, nas e das diversas situações do seu quotidiano. Um dos exemplos mais evidentes disso mesmo é o da mãe de Jesus, a quem tão carinhosamente invocamos como Senhora da Conceição.

Precisamente desde o momento da conceção de Cristo, no seu seio, que conhecemos a sua vida como um contínuo e constante hino à alegria. A mulher que, de entre todas as do seu tempo, tenha sido talvez a mais incompreendida, a mais criticada e a mais desprezada, tornou-se para uma multidão de pessoas e um sem número de gerações a mulher mais admirada, mais seguida e mais amada. Tudo isto pela força inaudita de uma alegria inesgotável que transcorre do seu sentir e que transparece no seu agir.

Em Maria conseguimos ver refletido o contentamento inédito que nos podem trazer as mais simples realidades do dia-a-dia, que também esteve presente na vida d’Ela, em muito semelhante à quotidianidade da nossa própria vida. Por isso pudemos, até hoje, e podemos, a partir de agora, compreender a incomensurável alegria de chegar a diferentes lugares, ou a tantos corações que precisam da nossa presença, como outrora foi necessária a chegada de Maria à vida de tanta gente, e como hoje continua a ser desejada a Sua visita à vida de cada um de nós. De igual modo, experimenta Ela a alegria de partir, e ensina-nos a fazer o mesmo, e impele-nos a partir para destinos humanos, e desafia-nos a ir, mesmo que o caminho seja de calvário. 

A existência alegre de Maria denota-se também na sua felicidade em receber, tanto aquilo que vem de Deus, e que por Ela toda a humanidade recebeu, como o muito que o mundo e as vicissitudes da sua vida terrena lhe puderam oferecer. É esta alegria que ela nos ensina também a experimentar. E para que muitos recebam é indispensável que outros tantos tenham alegria de dar. Quanto a isso, também Nossa Senhora, com a doação gratuita e generosa de si mesma, nos ensina a maneira quanta felicidade nos chega quando damos e nos damos. 

Também o modo de atuar da Mãe do Céu nos testemunha a necessidade alegre de falar, sobretudo quando se fala de Deus e as nossas palavras respiram Evangelho e exalam o perfume da paz e do amor, do respeito e da compreensão. Esta é a mesma alegria que cada um é convidado a experimentar quando se torna oportuno e necessário calar, porque as palavras não conseguem dizer mais que o silêncio, ou simplesmente porque se impõe o dever e a necessidade de escutar, como tão bem soube fazer Maria de Nazaré.

É ainda Ela, que nos faz interiorizar a alegria de estarmos juntos. É importante que por Ela estejamos reunidos. Mas é sobretudo urgente que através d’Ela estejamos também muito unidos. Esta união, porem, depende substancialmente da alegria de estarmos sozinhos, numa intimidade muito estreita com Deus e numa sintonia bastante perfeita com aquela que nos ensina o valor do recolhimento, da oração e do encontro fecundo com Deus. 

No limiar do jubileu da misericórdia, não conseguimos deixar de olhar para Nossa Senhora como aquela de muito perto experimenta a alegria do perdão. Não porque precisasse de ser perdoada, mas porque nos dá lições de como é grande a alegria e inextinguível a felicidade de quem sabe perdoar sempre e para sempre.

Pe. Diamantino Duarte
Pregador da Novena e da Festa de Nossa Senhora da Conceição, 2015

NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO - 9.º Dia

A Alegria do Perdão.
       Um dos momentos mais extraordinários e de maior provação na vida de Virgem Imaculada é o do processo condenatório do Seu Filho Jesus. O próprio Jesus perdoa àqueles que O condenam e O conduzem à Cruz: Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. Se Jesus perdoa, também Maria os perdoa pelo que fizeram ao Filho.
       Perdoar de todo o coração e não com reservas. Se perdoamos, mas logo acrescentamos, mas não esqueço o que me fizeste, até ao dia em que temos oportunidade para lho atirar à cara, então ficamos presos, ao passado, em casa.
       Se não perdoámos, temos medo de sair à rua e encontrarmos com aquele com quem nos zangámos. Se foi no trabalho, levantamo-nos a pensar como vai ser encontrar aquela pessoa no local de trabalho, ou como vamos encontrar-nos ao pequeno almoço com o pai, a mãe, com o avô. Se não perdoamos, ficámos presos.
       O perdão liberta-nos. É um passo para a liberdade. Sentimo-nos livres, podemos sair, encontrar as pessoas. O perdão abre para a caridade, para a comunhão. Quem não perdoa não está em comunhão consigo mesmo, nem com Deus, nem com os outros. Não perdoar é quebrar essas ligações ou colocá-las em suspenso. Quem não perdoa, quebra a comunhão com Deus que primeiramente nos perdoou.
        Maria sente-se livre. A espada de dor atravessa a sua alma, mas não se insurge, não se revolta contra ninguém, nem contra Deus, nem contra os outros. É livre para amar, para acolher, para continuar a viver.
       Saibamos perdoar, para que Deus nos perdoe.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO - 8.º Dia

A Alegria de estar sozinho.
       O Evangelho deste segundo domingo do Advento falava de João Batista que se retira para o deserto.
       Jesus em muitas situações se afasta para rezar, para estar a sós conSigo só. Quando rezamos é para falarmos com Deus. Se Jesus é Deus, Ele fala e encontra-Se consigo só. É bom estarmos juntos, mas também é bom estarmos sós, sós connosco. Quantas vezes não nos acontece queremos estar longe de nós mesmos. O silêncio, o estarmos sozinhos, o encontro connosco, o encontro com Deus.
       Maria, desde o início, aparece sozinha. Quando o Anjo Lhe aparece ela está sozinha. Talvez em oração, como em muitas ocasiões, em diálogo consigo, com Deus. E em tantos momentos. Jesus e José na carpintaria, a trabalhar. Maria, mais por casa, em muito trabalho doméstico, a falar com os seus botões, a rezar enquanto trabalho.
       A alegria de estarmos sozinhos, a sós connosco, a sós para nos encontrarmos com Deus, para deixarmos que Ele nos fale.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Tabuaço: Construção do Presépio pela catequese

       No passado sábado, 5 de dezembro de 2015, dentro da Novena da Imaculada Conceição, as crianças, adolescentes e jovens da Catequese iniciaram a construção do Presépio, em concreto do cenário onde será colocado.
       Nas duas últimas sessões da catequese, foram produzidas estrelas e decoradas ao gosto de cada um. Uns colocaram o nome, outros dizeres, uns pintaram outros deixaram na cor da cartolina. No momento da ação de graças, cada um dos meninos e meninas, cada um dos jovens adolescentes, ajudados pelas catequistas, colocaram a sua estrela no espaço previamente preparado para o efeito. E fez-se um belo cenário, personalizado, para continuar a construir o Presépio paroquial, envolvendo todos os elementos da catequese paroquial.
       Algumas imagens recolhidas na celebração:
Outras imagens disponíveis: Paróquia de Tabuaço no Facebook.

Tabuaço: Compromisso dos Acólitos 2015

       Na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, o sábado imediatamente anterior à Solenidade da Padroeira, realiza-se o Compromisso dos Acólitos, em que os membros do Grupo renovam os compromissos e entram novos acólitos, precedida da formação teórica e prática, durante as semanas anteriores. Habitualmente, os novos membros frequentam o 7.º Ano de Catequese, isto é, os que celebraram a Profissão de Fé no ano pastoral anterior.
       Este ano, no sábado, dia 5 de dezembro, entraram 7 novos membros: a Leonor, a Carolina, a Mariana de Fátima, a Eva, a Bruna, a Beatriz, a Andreia. Algumas fotos da celebração, dentro da Eucaristia vespertina, com as crianças, adolescentes e jovens da catequese.
       Algumas imagens recolhidas na celebração:

Outras imagens disponíveis: Paróquia de Tabuaço no Facebook.