sábado, 14 de maio de 2016

Bento XVI no Porto: tudo se define a partir de Cristo

       No dia 14 de maio de 2010, Bento XVI, na Viagem Apostólica a Portugal, Festa de São Matias...


       "...pelo mesmo amor que criou o mundo, a novidade do Reino surgiu como pequena semente que germina na terra, como centelha de luz que irrompe nas trevas, como aurora de um dia sem ocaso: É Cristo ressuscitado. E apareceu aos seus amigos, mostrando-lhes a necessidade da cruz para chegar à ressurreição.


       "Meus irmãos e irmãs, é necessário que vos torneis comigo testemunhas da ressurreição de Jesus. Na realidade, se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar? O cristão é, na Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado ao mundo. Esta é a missão inadiável de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que todas as situações de definhamento e morte se transformem, pelo Espírito, em ocasiões de crescimento e vida. Para isso, em cada celebração eucarística, ouviremos mais atentamente a Palavra de Cristo e saborearemos assiduamente o Pão da sua presença.


       "Nada impomos, mas sempre propomos, como Pedro nos recomenda...

       "...hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos.


       "Sim! Somos chamados a servir a humanidade do nosso tempo, confiando unicamente em Jesus, deixando-nos iluminar pela sua Palavra...

       "Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da missão: a missão recebemo-la sempre de Cristo, que nos deu a conhecer o que ouviu a seu Pai, e somos nela investidos por meio do Espírito na Igreja. Como a própria Igreja, obra de Cristo e do seu Espírito, trata-se de renovar a face da terra a partir de Deus, sempre e só de Deus!
       Queridos irmãos e amigos do Porto, levantai os olhos para Aquela que escolhestes como padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição...

Homilia de Bento XVI, na cidade do Porto: BentoXVIemPortugal.

Salmo 112 - Missa com Bento XVI, no Porto

       Estivemos lá.
       14 de maio de 2010, Eucaristia presidida pelo Papa Bento XVI, no Porto, no âmbito da Viagem Pastoral a Portugal. Magnífica interpretação do Salmo 112, na Festa de São Matias. Apesar do som menos conseguido, derivado à captação, vale a pena escutar...

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Dolores Aleixandre: Contar a Jesús

DOLORES ALEIXANDRE, rscj (2003). Contar a Jesús. Lectura Orante de 24 textos del Evangelio. Madrid: Editorial CCS. 288 páginas.
       Dolores Aleixandre, religiosa do Sagrado Coração, teóloga e licenciada em filologia bíblica. Com 20 anos, ingressou na Congregação do Sagrado Coração de Jesus. Foi mestra de noviças, responsável pela pastoral nos colégios, participando nas associações de mulheres... Em 1986 assumiu, como professora, a cadeira Bíblica "Profetas",  na Universidade de Comillas, onde permaneceu mais de 20 anos. Tem diversos livros escritos. Alguns deles em português. Um dos títulos mais conhecidos: "Olhos fixos em Jesus", em conjunto com José Antonio Pagola e Juan Martín Velasco.
Neste livro que sugerimos, a autora parte de 24 textos do evangelho, situando-os no contexto da Sagrada Escritura, refletindo o que o texto diz e em que ambiente Jesus viveu determinado acontecimento, encontro, cura, perdão, em que situações atuais são verificáveis as palavras de Jesus e a Sua forma de agir, em que realidade podemos intervir para imitar Jesus.
       É, como refere Dolores Aleixandre, uma leitura orante, a reflexão há de levar-nos ao assentimento, à conversão, assumindo a docilidade e proximidade com Jesus, de tal que nos faça também rezar, agradecer, louvar, meditar a palavra de Deus.
Vejamos algumas expressões do texto:
"Esta é a verdadeira definição de Deus que anunciam os profetas: a sua santidade consiste no seu amor e por isso não é algo que nos afaste d'Ele, mas, pelo contrário, que nos persegue, como o amor. A sua grandeza não consiste tanto no seu poder, mas na sua misericórdia, no seu perdão e na sua fidelidade. A paciência humana conhece limites, a de Deus não: essa é a diferença entre Ele e nós" p 53)

"Quando nos sentimos divididos entre o medo e a confiança, depende sempre de nós a decisão de olhar a realidade somente como ameaça, ouvindo somente o bramido da tormenta, ou dar crédito à fé que nos garante que Alguém está ao nosso lado para nos sustentar no meio dos embates da vida. Conforme for a nossa resposta, nos afundaremos ou nos sentiremos acompanhados por Aquele que pode fazer-nos passar a salvo à outra margem. Isto é a fé" (p 56).
"Deus dá-Se a conhecer, não como 'aquele que faz morrer no Egito', mas como que está sempre a favor da vida do Seu povo, libertando-o da escravidão, cuidando e alimentando-o no deserto, como uma Mãe a seus filhos. Dá a conhecer a Sua glória com esse gesto de possibilitar e conceder a vida; é o mesmo gesto que Jesus dará na multiplicação do pães e no dom da Eucaristia" (p 97)
"Jesus não foi só o Bom Pastor que cuidou do seu rebanho, mas também o defendeu da ameaça do lobo ao longo da sua vida" (p 203)
Unção da Betânia (Mc 14, 1-9)
"O anonimato da mulher permite o leitor identificar-se com ela. O seu gesto inscreve-se dentro do que se espera de um verdadeiro discípulo:

  • No meio da cegueira dos que rodeiam Jesus, ela soube reconhecer o momento decisivo para se aproximar e obedeceu ao mandato de permanecer vigilante (Mc 13, 33).
  • Não veio pedir nada, mas oferecer gratuitamente, obedecendo à Palavra de Jesus: «A medida que usardes com os outras, será usada convosco» (Mc 4, 24).
  • Jesus dirá: «Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Notícia a toda a humanidade» (Mc 16, 15). Ela antecipou-se a esse mandato.
  • Jesus tinha perguntado: «Quem dizem os homens que é o filho do homem?» (Mc 8, 27). Ela deu-lhe a resposta sem pronunciar uma palavra e com a unção proclama-O Rei e Messias.
  • O seu gesto de desperdício e de esvaziamento colocam-na no caminho da perda que, segundo, Jesus, conduz à vitória (Mc 8, 35)
  • Ao contrário do jovem rico (Mc 10, 21), ela parece ter concentrado todo o seu possuir no perfume de alto preço e deu-o ao Pobre por excelência, Àquele que só possui umas poucas horas de vida.
  • Como discípula do Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir (Mc 10, 45), ela assume o caminho do serviço e com o seu gesto de derramar o perfume está a antecipar-se ao de Jesus na Última Ceia: «Este é o Meu sangue derramado por muitos» (Mc 14, 24), cumprindo o primeiro mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas (Mc 12, 29)
  • Tal como a viúva pobre que para Jesus deu «tudo o que possuía» (Mc 12, 44), ela faz, segundo Jesus, «o que podia».
  • Seguindo a recomendação de Jesus, «não vos preocupeis com a vossa defesa» (Mc 13, 11), deixa que seja o próprio Jesus a tomar partido por ela diante as críticas dos comensais.
       Os seus gestos mantêm-se vivos na memória da comunidade cristã, juntamente com todos aqueles homens e mulheres que tomaram, em algum momento da sua vida,, a decisão do seguimento" (p 216).

MARIA, MÃE DE MISERICÓRDIA

«O nosso pensamento volta-se agora para a Mãe da Misericórdia»
(Papa Francisco, MV 24)

Jesus é rosto da misericórdia do Pai; mas foi Maria quem deu o rosto a Jesus.
E foi olhando no rosto do Filho que Ela aprendeu a moldar o rosto de Mãe:
quando deu à luz o Filho que encarnou a misericórdia de Deus,
quando acolheu e amparou nos braços a ternura de Deus humano,
quando alimentou Aquele que veio para ser o pão da vida,
quando vestiu o corpo que se ofereceu despido à misericórdia do Pai,
quando conduziu ao templo o próprio Templo,
quando ensinou a andar aquele que era o Caminho para todos,
quando apresentou aos cegos o que veio como Luz do mundo,
quando levou à sinagoga Aquele que era a Verdade contida na Torá,
quando encontrou entre os mestres o Mestre de todos.
Ali, Ela compreendeu como Jesus passou à frente
e, a partir de então, a Mãe devia seguir o Filho.
Com Ele percorreu os caminhos da Palestina
para anunciar o Reino da Misericórdia:
entrou na casa de Zaqueu, da Madalena e de Mateus,
intercedeu a favor dos noivos em Caná,
ouviu as palavras e as parábolas da misericórdia,
guardou «todas estas coisas meditando-as em seu coração» (Lc 2, 19),
esteve presente no regresso da ovelha perdida,
viu nos olhos de Pedro as lágrimas de todos os redimidos,
seguiu o rasto da cruz pela montanha dos condenados,
recebeu o testamento do Filho para A aceitarmos por Mãe,
ficou de pé, em silencia, quando a terra tremeu no alto do Calvário.
Na manhã de Páscoa «atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos» (MV 24).
Ela é a verdade Porta Santa
Por onde agora entramos «no santuário da misericórdia divina» (MV 24).
Para a invocarmos como
Saúde dos Enfermos,
Auxílio dos Cristãos,
Consoladora dos Aflitos,
Refúgio dos pecadores.
Frei Manuel Rito Dias, in revista Bíblica, n.º 364, maio-junho, 2016

Paróquia de Tabuaço - Procissão das Velas 2016

       O mês de maio é o mês de Maria. Todo o mês Lhe é dedicado. A devoção e o carinho para com Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, e que se revelou em Fátima trazendo-nos a Misericórdia de Deus, continua a mover e comover um inumerável multidão de pessoas. Na paróquia de Tabuaço, a Procissão das Velas, 12 de maio, é um dos momentos que mobiliza espontaneamente mais pessoas. Algumas fotos da Procissão:

Para outras fotos disponíveis visitar a Paróquia de Tabuaço no Facebook.

Nossa Senhora de Fátima

       No ano 1917, quando o mundo se debatia ainda nas violências e atrocidades da guerra, a Virgem Maria apareceu seis vezes em Fátima a três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco. Por meio deles, a Santa Mãe de Deus recomendou insistentemente aos homens a firmeza da fé e o espírito de oração, penitência e reparação. O culto de Nossa Senhora de Fátima, depois de ter sido aprovado pelo Bispo da diocese e mais tarde confirmado pela Autoridade Apostólica, foi especialmente honrado com a peregrinação do beato Paulo VI ao local das aparições no ano 1967; com São João Paulo II nos anos 1982, 1991 e 2000, pelo Papa Emérito, Bento XVI, em 2010, e tem viagem marcada o Papa Francisco para o ano de 2017, centenário das Aparições.
      Hoje, no Vaticano, diante de uma Imagem de Nossa Senhora de Fátima, o Papa associar-se-á a mais uma aniversário das Aparições. Uma das Imagens peregrinas, vais percorrer Itália durante 5 meses. Em Fátima, inicia-se hoje a passagem da Imagem Peregrina pelas Dioceses de Portugal.

Enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Mas Jesus respondeu: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11, 27-28).
Oração
       Deus de infinita bondade, que nos destes a Mãe do vosso Filho como nossa Mãe, concedei-nos que, seguindo os seus ensinamentos e com espírito de verdadeira penitência e oração, trabalhemos generosamente pela salvação do mundo e pela dilatação do reino de Cristo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Encontros que (nos) salvam…

       Encontros. Nem todos têm a mesma profundidade. Cada encontro deveria ser único, provocando mudança. Quando nos encontramos, a nossa vida enriquece-se.
       Encontrar o outro não é tarefa fácil. O encontro implica-nos, compromete-nos, responsabiliza-nos. No Principezinho mostra-se essa clarividência: somos responsáveis pelas pessoas que cativamos. O outro, quando deixo que me encontre, quando o quero encontrar, torna-se especial, torna-se único, muda a minha vida para sempre e muda a qualidade do meu relacionamento com todos os outros.
       Fazemos esta experiência todos os dias: quando amuámos com alguém, a expressão do nosso rosto muda para todas as pessoas. Quando descobrimos a alegria e a paz com esta ou com aqueloutra pessoa, o nosso rosto adquire luz para todas as pessoas que encontrarmos durante o dia.
Quem se encontra com Jesus Cristo descobre um sentido novo para a sua vida:
A Samaritana (Jo 4, 1-42). Um diálogo de descoberta. Jesus interpela-a na sua vida pessoal mas também na sua maneira de se colocar diante de Deus. A Samaritana é desafiada a descobrir a verdade. Converte-se a Jesus e anuncia-O.
A mulher adúltera (Jo 8, 1-11). Vai e não voltes a pecar.
Zaqueu (Lc 19, 1-11). O cobrador de impostos, ao serviço do império romano, traidor para os judeus. Jesus encontra-O e Ele muda: compensa os que roubou e dá aos pobres, com generosidade.
A mulher que toca no manto de Jesus (Mt 9, 20-22). No meio de uma multidão, a mulher encontra-se. Basta-nos o olhar de Jesus e deixarmo-nos envolver pela luz que brota do Seu rosto.
Apóstolos. Jesus cruza-se com eles, no meio da multidão, nos seus postos de trabalho. Interpela-os. Vinde e vereis. Tornam-se discípulos missionários.
João Batista (Lc 1, 39-45). Ainda no seio materno encontra Jesus e rejubila!
Também o Jovem rico (Lc 18, 18-27) não fica indiferente à figura de Jesus, mas naquele momento não está preparado para O seguir.
       Ao longo da História da Igreja os exemplos multiplicam-se.
Paulo de Tarso (Atos 9,1-30), depara-se com a figura de Jesus (cai do cavalo) e a sua vida dá uma volta de 180 graus. De Perseguidor a Apóstolo.
Santo Agostinho. O encontro com Jesus transforma-o. A sua vida doravante é dedicada ao estudo, à oração, à reflexão, à pregação da Palavra de Deus.
Francisco de Assis. Da riqueza material à pobreza, à simplicidade, para que o Evangelho passe pela sua vida, em todos os seus gestos.
Inácio de Loyola, Francisco Xavier, Madre Teresa de Calcutá, João Paulo II, Padre Américo e tantos homens e mulheres.

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4360 , de 26 de abril de 2016

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A fidelidade no tempo é o nome do amor

       Feliz expressão de Bento XVI, no dia 12 de maio de 2010, na Basílica da Santíssima Trindade, em Fátima: "Permiti abrir-vos o coração para vos dizer que a principal preocupação de todo o cristão... há de ser a fidelidade, a lealdade à própria vocação, como discípulo que quer seguir o Senhor. A fidelidade no tempo é o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo a Cristo Sacerdote".
       O amor é a fidelidade no tempo. Não é um sentimento passageiro, mas uma opção de vida, que nos faz aprofundar os laços que nos unem, com gestos de afeto, de ternura, de cuidado. Jesus não passa pelas pessoas. Jesus permanece. Para. Olha. Fala. Envolve. Cura. Desafia. Chama. Envia. "Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos" (Mt 28,20). Não estará num momento, mas em todo o tempo. Deus é amor. Quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele (cf. 1 Jo 4, 7-19).
       O amor é a fidelidade no tempo. Não é um instante, ainda que se alimente de instantes e se renove constantemente. Traduz-se em obras, gestos e atitudes. "Nem todo aquele que diz 'Senhor, Senhor' entrará no reino dos Céus, mas somente aquele que fizer a vontade de Meu Pai" (Mt 7, 21). O que os lábios professam, a vida transparece. Pedro havia professado Jesus, garantindo que estaria com Ele em todas as horas. É audível a repreensão de Pedro a Jesus (cf. Mt 16, 22). Mas, como Jesus previra, Pedro, na hora de maior desgaste, nega-se e nega Jesus (cf. Jo 18, 12-27).
       O tempo de Páscoa sublinha a insistência de Jesus em solidificar a fé. Ele está de regresso, vivo, ressuscitado, mas contando ainda mais connosco, discípulos missionários para este tempo.
       Apareceu aos discípulos, na tarde daquele primeiro dia, e encontrou-os encolhidos com medo dos judeus. Oito dias depois voltou a aparecer-lhes, com Tomé também presente. O entusiasmo toma conta deles, mas parece ser sol de pouca dura. Que fazer? Esperar que Jesus Ressuscitado restaure em definitivo o Reino de Deus?
       Nas margens do mar de Tiberíades (cf. Jo 21, 1-19), terceira aparição aos discípulos, Jesus questiona Pedro sobre a sua fidelidade: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Pedro, titubeando responde afirmativamente. Jesus insiste com Pedro. Na terceira e última resposta, quase a sussurrar, Pedro reconhece-se humildemente: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo».
       Esta é a única condição para O seguirmos: amá-l’O!

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4358, de 12 de abril de 2016

Dizer bem de uns sem dizer mal dos outros

       Durante a Sua vida pública, Jesus vai, anuncia, cura, expulsa os demónios, aproxima-Se das pessoas, especialmente daquelas que se encontram em situações de exclusão ou com a vida hipotecada, pobres, doentes, publicanos, crianças, mulheres, pessoas do campo, pecadores, ou deixa que se aproximem, para O escutarem, para beneficiarem da Sua bênção e, por vezes, para Lhe armarem ciladas.
       Os discípulos estão por perto. Escutam-n’O, fazem perguntas, ouvem explicações mais detalhadas. São também destinatários das Suas palavras, com chamadas de atenção, reprimendas (sobretudo quando discutem lugares de poder), desafios. Vivem com Ele, veem a Sua postura, a forma como Se dá por inteiro, como fala, a Sua docilidade, a facilidade com que Se relaciona com as pessoas de todos os estratos sociais e a Sua opção preferencial pelos mais “pequenos”: os excluídos dos reinos deste mundo, a quem convida para a Sua mesa e a quem primeiro abre as portas do Reino de Deus.
       Há de chegar o dia em que Ele já não estará fisicamente entre os Seus discípulos. Estará para sempre presente pela Palavra proclamada e vivida, no Seu Corpo mistérico que é a Igreja, do qual somos membros, pelos sacramentos, mas também através de nós e da nossa capacidade de O transparecermos. É o que Ele diz aos Seus discípulos daquele tempo histórico. Estagiam com Ele. Envia-os dois a dois, com o poder de curar e expulsar demónios, anunciando a proximidade do Reino dos Céus. Como viram Jesus fazer, devem reproduzir criativamente a Sua mensagem e o Seu poder misericordioso.
       Um dia, ao regressaram, contam a Jesus que viram alguém a expulsar demónios em Seu nome e quiseram impedi-lo por não fazer parte do grupo. São surpreendidos, e nós também, pelo Mestre da Docilidade: «Não o impeçais, porque não há ninguém que faça um milagre em meu nome e vá logo dizer mal de mim. Quem não é contra nós é por nós» (Mc 9, 39-40).
       É possível dizer bem de alguém sem necessidade de dizer mal dos outros. É possível gostar e dizer bem do Papa Francisco, gostando e dizendo bem do Seu Predecessor, Bento XVI. Infelizmente, muitos precisam de dizer mal de um para mostrarem que gostam mais do outro. Assim também em muitas dimensões da vida, na política, no desporto, com aqueles que pertencem aos mesmos grupos que nós, mesmo intraeclesiais.
       Ainda estamos longe de transparecer Jesus e o Seu Evangelho da Delicadeza. Podemos lá chegar, ponhamo-nos a caminho!

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4359, de 19 de abril de 2016

terça-feira, 10 de maio de 2016

A Páscoa e a Misericórdia de Deus

       A plenitude da misericórdia divina é visualizável no mistério da Encarnação, Deus cabe na palma da mão, cabe no meu e no teu coração. Em Jesus Cristo, Deus faz-Se Caminho para nós e entra nos caminhos da nossa vida. A Páscoa condensa e evidencia em definitivo a misericórdia de Deus que Se ajusta à nossa fragilidade. O coração de Deus compadece-se da nossa miséria e envolve-nos no Seu amor.
       Com a Páscoa, uma enxurrada de vida nova. A morte não tem mais a última palavra. Esta é de Deus, é da vida, é do Amor. Jesus regressa trazendo-nos, na expressão feliz de Bento XVI, a vastidão do Céu. Um vislumbre de luz que incendiou o mundo, comunicando-se, alastrando. À minha luz, a luz do outro. O encontro com Jesus ressuscitado, a experiência da misericórdia de Deus na nossa vida, impele-nos a sermos luz uns para os outros.
       A Páscoa é o expoente máximo da compaixão de Deus pela humanidade. Em Jesus, Deus abaixa-Se para nos elevar, como a Mãe que se agacha para pegar o seu filho ao colo! 
       Em tempo oportuno, no ano 2000, o Papa João Paulo II renomeou o segundo domingo de Páscoa como Domingo da Divina Misericórdia. A Misericórdia há de ser um compromisso permanente. É uma característica essencial do Deus que Se deixa ver em Jesus Cristo. Não há outra forma de os cristãos e a Igreja viverem a fé.
       Como tem acentuado o Papa Francisco, a misericórdia dá trabalho, porque nos leva a lutar pela justiça, todos os dias, optando pelos mais frágeis, por aqueles que vão sendo deserdados da vida e dos bens da criação, numa crescente cultura do descarte, globalizando a indiferença. A misericórdia passa por gestos concretos na vida diária, um sorriso, um abraço, a visita a um doente, o abrir a porta a alguém que se apressa para entrar.
       Na véspera do Domingo da Misericórdia, 2 de abril, 11 anos depois da morte de João Paulo II, o Papa Francisco voltou a insistir que “a misericórdia é, antes de mais nada, a proximidade de Deus ao seu povo. Uma proximidade que se manifesta principalmente como ajuda e proteção”, e que nos leva a “olhar cada pessoa nos olhos” porque cada pessoa é única, concluindo que “uma fé que não é capaz de ser misericórdia, como são sinal de misericórdia as chagas do Senhor, não é fé: é ideia, é ideologia”.

publicado na Voz de Lamego, n.º 4357, de 5 de abril de 2016

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Participação do GJT no Fátima Jovem 2016

       No primeiro fim-de-semama de maio realiza-se o encontro nacional de jovens (cristãos), em Fátima. Como em anos anteriores, a Paróquia de Tabuaço esteve presente mais uma vez com o Grupo de Jovens (GJT), nos dias 7 e 8 de maio.
       É um encontro preenchido de muitos momentos: convívio, música, oração, encontro, partilha, festa, cansaço... O clima esteve mais adverso, com muita chuva e muito frio, mas nada que assustasse as nossas jovens.
       Algumas imagens deste dia, bem com um vídeo com três momentos do Fátima Jovem.
Para outras fotos, visitar a Paróquia de Tabuaço no Facebook

Claudine Pinheiro - Até quando? (Sl 13)

sábado, 7 de maio de 2016

Solenidade da Ascensão do Senhor - C - 8.maio.2016

       1 – "Deus omnipotente, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial ação de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo".
        A oração de coleta convida-nos à alegria não tanto pela partida de Jesus, mas porque essa partida significa que a nossa vida se encontra na glória de Deus com Jesus Cristo. Ele precede-nos e para aí nos atrai. A promessa orante de Jesus não nos retira do mundo mas impele-nos para o bem. Os novos Céus e a nova terra enxertam-se no tempo e na história. Não podemos imaginar uma árvore de fruto que não tenha raízes que se adentram pela terra. Também os frutos que nos projetam para a vida eterna se enraízam aqui e agora, não nascem do ar, nascem e crescem connosco na medida em que nos deixamos enformar pelo Espírito que Jesus nos dá.
       As últimas palavras de Jesus são de despedida, de promessa e de esperança. E não apenas isso. Sintetizam o mistério pascal, comprometendo os discípulos. Doravante não poderão calar o que viram e ouviram: «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas disso. Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto».
       Ao longo de três anos – a vida pública de Jesus –, os apóstolos foram testemunhas de um sonho, um projeto de vida, um desafio envolvente. O reino de Deus a emergir na pessoa de Jesus Cristo, nas Suas palavras e nos Seus gestos de compaixão e de proximidade, de delicadeza e de acolhimento. Uma mesa posta para todos. Um banquete para incluir, a começar pelos excluídos. Um reino de portas abertas, integrador, em que ninguém está a mais. Por conseguinte é fácil ver que Jesus leva conSigo o cheiro das ovelhas. Acompanham-n'O camponeses, pedintes, doentes, maltrapilhos. Mais que um estilo (exterior) é um jeito de ser, um compromisso. A santidade de Jesus mistura-se com o (nosso) pecado, a água dissolve a lama, a divindade abaixa-Se para caminhar connosco e nos elevar.
       Se assim procedeu Jesus, como hão de proceder os seus seguidores?
       2 – A Ascensão de Jesus ao Céu leva-nos a sério. Não somos mais crianças para levar pela mão. O tempo de aprendizagem perdura a vida toda mas há um momento em que as aprendizagens e os instrumentos nos responsabilizam e nos passam a bola. As papas são para os bebés, ou para quando nos encontramos em situação mais frágil. Pouco a pouco os alimentos tornam-se sólidos. Os dentes aparecem e começamos a trincar e mastigar. Dão-nos a comida à boca, mas com o tempo pegamos com as mãos e depois com os talheres. Os pais continuam por perto, mas só deitam a mão quando veem o perigo eminente. De contrário, nunca cresceríamos, nunca andaríamos.
       Jesus leva os discípulos para todo o lado. Explica-lhes mais detalhadamente a Sua mensagem e o conteúdo dos gestos e das parábolas. Uma e outra vez os envia para que vão e anunciem a proximidade do Reino de Deus e curem doentes e endemoninhados. Prepara-os não para O substituírem – Ele estará presente até ao fim do mundo –, mas para serem as Suas mãos, a Sua voz, o Seu abraço, no mundo das pessoas.
       São Lucas, no Evangelho e no livro dos Atos, apresenta-nos a Ascensão de Jesus como responsabilização dos discípulos. Não significa abandono mas uma nova forma de Jesus Se fazer presente, pelo Espírito Santo. Percebemos isso na relação com os nossos pais. Deixam de nos carregar ao colo mas nunca deixam de estar presentes, nos nossos caracteres genéticos e na assunção de valores e referências que prosseguimos a partir deles, nos conselhos, nos abraços, sempre prontos para se sacrificar um pouco mais para ficarmos bem!
       "Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus". A bênção marca a partida de Jesus para o Céu. Mas aparentemente pouco se altera, apesar da alegria com que regressam a Jerusalém e ao Templo.
       3 – Os Apóstolos levam algum tempo a perceber por inteiro a missão a assumir com a morte e a ressurreição do Mestre da docilidade. No livro dos Atos dos Apóstolos, Lucas mostra a urgência em não ficarem a olhar para o Céu como se de lá viessem não só as respostas mas todas as soluções.
       Depois da Sua paixão, diz-nos São Lucas, Jesus apareceu vivo aos Seus discípulos, durante 40 dias (tempo necessário para iniciar e cimentar uma nova forma de se relacionarem com o Mestre), falando-lhes ainda e sempre do reino de Deus. Os discípulos continuam a interrogar-se e a interrogá-l'O. Jesus provoca-os: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra».
        Está dado o tiro de partida. Os discípulos viram e ouviram, não podem calar, não podem esconder. São testemunhas da vida e da missão de Jesus. O que Ele disse há de chegar aos confins da terra e as obras que realizou hão de ser partilhadas e multiplicadas, para que todos possam aceder e entrar no reino de Deus.
       À vista dos seus discípulos, Jesus elevou-Se ao Céu e "uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».
       Não apenas eles. Também nós. Quantas vezes ficamos à espera? De sinais! De respostas! De soluções! Por vezes deixamos o tempo passar a ver se tudo se resolve! Ou deixamos para ver se outros resolvem! Então do Céu a mesma voz: Jesus, o milagre para a vossa vida, encontra-se entre vós! Por que esperais? Parti. Lutai. Não desistais. Ele está convosco e através de vós continua a agir no mundo. Não resolverá em vossa vez, mas não faltará a Sua presença e o Seu amor. Até ao fim!
       4 – Nem sempre precisamos de ajuda, a maioria das vezes precisamos de apoio, da presença, de uma palavra de estímulo e de confiança, um gesto de ternura, um olhar dócil que nos levanta das trevas e das dúvidas, da tristeza e da angústia, de um abraço que nos erga e desperte em nós a coragem que se esconde e se dissolve diante das intempéries. E dos silêncios compreensivos que toleram as nossas falhas e nos absolvem das nossas misérias, que não condenam, mas desafiam a corrigir o caminho. Mais do que "magia" dos outros, precisamos da sua companhia e da sua amizade.
       Confiantes, façamos nossa a oração de São Paulo, para que o Deus de Jesus Cristo nos conceda a sabedoria do coração para conhecermos e compreendermos a esperança a que fomos chamados, na certeza do grande poder de Deus Pai que ressuscitou Jesus "dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos".
       Nada nos pode separar do amor de Deus, manifestado em plenitude em Jesus Cristo, na Sua Morte, Ressurreição e Ascensão ao Céu. Ele esbanja a Sua misericórdia por nós, para nossa salvação, para nos ofertar o reino de Deus e através de nós levar o Seu reino a toda a terra. Vede: «dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também» (Jo 13, 15).
Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (C): Atos 1, 1-11; Sl 46 (47); Ef 1, 17-23; Lc 24, 46-53.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Paróquia de Tabuaço: Caminhadas Marianas 2016

        Maio é o mês de Maria. As comunidades cristãs encontram diferentes formas de valorizar este mês.
        Na Paróquia de Tabuaço, além da recitação do terço, todos os dias na Igreja Paroquial (segunda a sexta-feira - 21h00; sábados - 16h30), e a bênção do Santíssimo; aos domingos, o terço é rezado a caminhar até um local de referência religiosa: recinto de Nossa Senhora da Conceição (1 de maio), Capela de São Plácido (8 de maio), Capela de São Vicente (15 de maio), Capela de Santa Bárbara (22 de maio), Lar da Santa Casa de Misericórdia (29 de maio).
Algumas imagens da primeira caminhada mariana: