segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Solenidade da ASSUNÇÃO de NOSSA SENHORA

       1 – «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?" A saudação de Isabel a Nossa Senhora insinua o privilégio de Maria, antecipando-se Nela os frutos da CRUZ redentora de Jesus. Maria é salva, como todos nós mas por antecipação, pelos méritos da morte e ressurreição de Seu Filho.
       Concebida e preservada sem mácula, concebe pelo Espírito Santo, conserva a integridade, física e moral, deixando transparecer a intervenção divina, para que estando no mundo, acolhendo o Filho do Altíssimo, possa abarcar a divindade no tempo e na história.
       Depois da Sua morte, os cristãos sempre acreditaram que Ela também tinha sido preservada incorruptível e elevada ao Céu em corpo e alma. Preservada em vida e preservada para a eternidade com Deus.
       A segunda Leitura, da Epístola de São Paulo aos Coríntios, recorda-nos que a morte e ressurreição de Jesus antecipa também o nosso fim. "Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida".
       Nossa Senhora, criatura humana como nós, testemunha a salvação em Cristo. Morre e ressuscita, antecipando-Se para Ela o encontro definitivo com Deus nosso Pai.

       2 – No SIM de Maria, Deus vem ao nosso encontro, faz-Se um de nós. Jesus Cristo, por sua vez, abre a nossa história, a nossa humanidade e a nossa finitude à eternidade; dando-lhe um sentido de plenitude, coloca-nos para sempre à direita de Deus Pai, onde Ele já Se encontra.
       "Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido» (Primeira Leitura).
       Por Maria é-nos dado um Salvador. Pelo Salvador é-nos concedida a eternidade, a começar por Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa, que Ele nos dá no alto da CRUZ.

       3 – O fim tem um começo. Maria diz "SIM", para acolher Jesus Cristo, um sim que se faz vida, no serviço, na intercessão, na atenção aos outros, como nos mostra o Evangelho deste domingo. Maria vai apressadamente para a montanha, em auxílio de Isabel. Não vai como privilegiada, vai como serva.
       A sua oração é reveladora: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome".
       É Deus que opera maravilhas Nela, mas a favor da humanidade. É um privilégio inclusivo, para beneficiar a todos. Em Maria vislumbramos a nossa salvação.
       Em Maria, a nossa fé há-de levar-nos, como Ela, a viver na procura de realizar a vontade de Deus, acolhendo Cristo e mostrando-O ao mundo pela voz e pela vida.
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Textos para a Eucaristia: Ap 11,19;12,1-6.10; 1 Cor 15,20-27; Lc 1,39-56

Reflexão Dominical, na Página da Paróquia de Tabuaço.
(Reposição da Reflexão de 15 de Agosto de 2010)

sábado, 13 de agosto de 2011

XX Domingo do Tempo Comum - 14 de Agosto

       1 – A eficácia da oração, a universalidade da salvação e a justiça humana e divina (esta como garantia última e como referência para a justiça terrena) centram a temática da liturgia da Palavra para este domingo, dia do Senhor.
       Como cristãos, inseridos nas diversas comunidades paroquiais, congregamo-nos em Igreja para escutar, reflectir, acolher, assumir e viver a Palavra de Deus, preparando-nos para comungar o pão da vida, Jesus Cristo, e, consequentemente, para estarmos em comunhão com toda a Igreja, em comunhão com Cristo e com o Seu Evangelho.
       2 – "Uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então Jesus respondeu-lhe: "Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada".

       3 – A salvação que nos é trazida em Jesus é universal e não elitista. Jesus vem para todos, judeus e gregos, escravos e livres, homens e mulheres, idosos e crianças.
       No Evangelho proposto para este dia vemos a hesitação dos judeus, manifesta no diálogo entre Jesus e a cananeia. Nas palavras de Jesus, a ideia dos judeus em geral e dos discípulos em particular, pensando que o Messias viria apenas para libertar Israel, esquecendo que a eleição do Povo da Aliança é instrumental, isto é, foi sempre na perspectiva de ser instrumento de salvação e de bênção para todos os povos. Nas palavras da cananeia e dos discípulos, a visão de Jesus. Ele vem para todos. O diálogo está claramente invertido. Jesus vai levar algum tempo a fazer compreender aos seus discípulos que a salvação não é exclusiva (não exclui ninguém) mas é inclusiva (inclui toda a humanidade, basta a fé, como ponto de partida).
       Neste episódio, vê-se claramente, que a salvação não é uma conquista ou um direito de uma raça ou de uma religião, mas resulta da adesão firme ao Evangelho, da fé que se professa. Ela (mulher cananeia) é salva porque acredita. Isso mesmo lhe diz Jesus: faça-se como desejas. É a abertura do coração, a nossa fé que nos leva a Jesus, para n'Ele nos encontrarmos na salvação de Deus.
       O segredo está na humildade, na abertura ao mistério que vem de Jesus. Como a mulher cananeia não tenhamos medo de suplicar: «Socorre-me, Senhor».
       A oração predispõe-nos para acolher a vontade de Deus.

       4 – Na perspectiva do Apóstolo, a Sua própria missão é levar o Evangelho de Jesus Cristo a toda a parte, para que a salvação esteja ao alcance de todo o mundo, judeus e gregos, crentes e pagãos.
       Diz-nos São Paulo: "Enquanto eu for Apóstolo dos gentios, procurarei prestigiar o meu ministério a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos? Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis. Vós fostes outrora desobedientes a Deus e agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência dos judeus. Assim também eles desobedecem agora, de modo que, devido à misericórdia obtida por vós, também eles agora alcancem misericórdia. Efectivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos".
       Também aqui se vê claramente que Jesus Cristo não veio apenas para os judeus, para um grupo determinado, para o povo eleito, mas para todos. Com efeito, a própria eleição do povo é instrumental, para levar a salvação a todas as nações. Para que no povo da aliança sejam abençoados todos os povos.

       5 – O profeta Isaías faz ressonância da benevolência divina e como a Palavra de Deus se estende também aos estrangeiros. Por um lado, diante do Senhor o que conta não é a origem, a religião, a certidão de nascimento, mas a atitude e os comportamentos: a justiça, o direito, o bem.
       Por outro lado, a casa do Senhor é casa de oração para todos os povos. Todos podem aceder ao santuário do Senhor, ao seu monte santo, à Sua aliança.
       «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, hei-de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada 'casa de oração para todos os povos'».

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 56, 1.6-7; Rom 11, 13-15.29-32; Mt 15, 21-28.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Quantas vezes!...

Quantas vezes nós pensamos em desistir, deixar de lado, o ideal e os sonhos.
Quantas vezes batemos em retirada, com o coração amargurado pela injustiça.
Quantas vezes sentimos o peso da responsabilidade, sem ter com que dividir.
Quantas vezes falamos, sem sermos notados.
Quantas vezes lutamos por uma causa perdida.
Quantas vezes voltamos para a casa com a sensação de derrota.
Quantas vezes aquela lágrima teima em cair, justamente na hora em que precisamos parecer fortes.
Quantas vezes pedimos a Deus um pouco de força e de luz.
E a resposta vem, seja lá como for, num sorriso, num olhar cúmplice, num cartãozinho, num bilhete, ou num cartão de amor. E a gente insiste.
Insiste em prosseguir,em acreditar, em transformar, em dividir, em estar, em ser.
E Deus insiste em nos abençoar, em nos mostrar o caminho, aquele mais difícil, mais complicado, mais bonito.
E a gente insiste em seguir, por ter uma missão:
SER FELIZ !

JMJ Madrid 2011 - também vamos...

       No plano espiritual, todos  nos ligamos em Jesus Cristo. Onde está Cristo está toda a Igreja. Nós somos Igreja. Vamos na pessoa do Papa, Bento XVI. Onde está o Papa está a Igreja e os católicos de todo o mundo. Vamos com o nosso Bispo. D. Jacinto. Onde está o Bispo está toda a Diocese (representada). Vamos com os jovens da nossa Diocese. Vamos com os jovens da nossa comunidade paroquial de Tabuaço, com a Margarida, com a Márcia e com a Carolina. Ainda há pouco, juntamente com os colegas de ano (10.º de catequese) celebravam o Sacramento da Confirmação.
       Vão incluídos no Grupo de Jovens da Sé de Lamego. Nos dias 1, 2 e 3 de Agosto, realizaram um pequeno retiro no Santuário de Fátima. Pode ver algumas das imagens do encontro/retiro:
        Ontem, juntamente com todos os jovens da Diocese de Lamego que vão à XXVI Jornada Mundial da Juventude, foram "enviados" pelo Sr. Bispo, D. Jacinto Botelho, que presidiu à Vigília de Preparação e Envio para a JMJ 2011. Os nossos jovens foram acompanhados pelas respectivas famílias e pelas catequistas.
       No final da Vigília, os jovens partiram ao encontro dos outros jovens, vindos de todo o mundo, para acolherem o Papa Bento XVI, e fortalecerem a sua fé e o compromisso em Igreja.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Primeira lição de Madrid - JMJ 2011

Jovens cristãos devem evitar euforias e perceber que a sua missão é cada vez mais complicada

       A próxima visita de Bento XVI a Madrid vai ser antecedida por anunciadas (e previsíveis) manifestações de protesto, um gesto que se vai repetindo e gastando em contradições que, muitas vezes, retiram os fundamentos que legitimam as discordâncias, numa sociedade plural e democrática.
       De facto, custa a entender que, em nome dessa democracia e da liberdade, se queira impedir a entrada do Papa em qualquer país ou se queira evitar a manifestação pública de milhares ou mesmo milhões de pessoas que, unidas numa mesma convicção – do foro individual, mas com necessárias consequências públicas -, se unem ao seu líder espiritual.
       Os muito aclamados «indignados» de Madrid, que no início do Movimento 15 de Maio (15M) se declaravam abertos a qualquer ideologia e crença, acabaram por ceder a uma clara corrente anticatólica que, sustentada numa presunção de superioridade intelectual (para dizer o mínimo), cai num erro muitas vezes visto: a tolerância é só para os que pensam como eles. Os “ignorantes” que se professam religiosos são cidadãos de segunda.
       A lição destes dias preparatórios para a Jornada Mundial da Juventude passa por perceber algo que mesmo a presença de mais de um milhão de jovens num evento deste género não pode esconder: eles, os da geração JMJ, são uma minoria.
       Por isso mesmo, apesar de estes encontros de massa poderem provocar a ilusão de um “mundo católico”, os jovens cristãos devem evitar euforias e perceber que a sua missão é cada vez mais complicada: mais e mais pessoas são completamente alheias/hostis à religião, ignoram as orientações da Igreja e pedem-lhe apenas gestos grandiosos, deslumbrantes, mediatizados, longe da simplicidade diária e comprometida a que o Evangelho chama.
       A festa de Madrid, que vai durar seis dias, não pode ser um mero fogo de artifício, vazio e efémero. Há muito trabalho a fazer…

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Alegra-te e dança

       «Um sábio anotou que as pessoas, em geral, são sensatas. Poucas, no entanto, seriam sensíveis. A sensibilidade é qualidade do coração que agasalha com ternura os relacionamentos humanos.
       Pessoas sensatas são lógicas e corretas, mas duras e cobradoras. Julgam sem piedade e não perdoam facilmente. Trabalham bem, mas não são boa companhia. Podem até ser heróicas e dignas de aplausos, mas falta-lhes alegria espiritual e não sabem dançar. São zelosas, mas com pouco carinho pela vida.»

Pe. Neylor J. Tonin, in Abrigo dos Sábios.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Festas populares: Carrazedo e Távora

       No passado Sábado, Festa da Transfiguração de Jesus, é o dia do Padroeiro da Paróquia de Carrazedo, São Salvador. Este ano, a tradicional festa popular, no último Domingo de Agosto, não se realizará. Por conseguinte valorizou-se a Festa do Padroeiro, com a presença do Sr. Bispo, D. Jacinto Botelho. Durante a Eucaristia, o João Pedro e o Ricardo Correia, celebraram o Sacramento da Confirmação.
       Em Távora, a festa em honra de Santa Bárbara, realizou-se no Domingo, dia 7 de Agosto. Este ano mais simples, mas ainda assim com a mesma acentuação religiosa, com a Procissão em honra de Santa Bárbara e com a celebração da Eucaristia no recinto da Capela de Santa Bárbara.

sábado, 6 de agosto de 2011

XIX Domingo do Tempo Comum - 7 de Agosto

       1 - Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
       2 - Quantas vezes já nos sentimos a perder o pé, sem saber o que dizer ou o que fazer? Em que situações  sentimos que a nossa vida se está a afundar e não encontramos motivos para sorrir? Em que momentos nos sentimos despedaçados sem vislumbrarmos soluções satisfatórias para as nossas dúvidas e inquietações?
       No palco da fé, como queríamos que Deus Se manifestasse de forma estrondosa, perceptível, espectacularmente, sem margem para dúvidas? Mas como nos diz o profeta, a descoberta de Deus acontece no silêncio, no amor, na tranquilidade, na paz, e não no ruído, na confusão, no barulho.
       "Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta".
       Pedro experimenta Jesus, mas é a sua fé que é colocada à prova e definitivamente ainda não está preparado e maduro o suficiente para ser Apóstolo e muito menos chefe dos Doze. É mais uma oportunidade para Jesus mostrar a prioridade da fé. Só a fé os torna verdadeiros discípulos. Só a fé os levará a ser Apóstolos, isto é, anunciadores destemidos do Evangelho.
       Para Pedro e para os demais, o ideal era que Deus Se manifestasse espectacularmente, nos milagres, nos estrondos, com uma evidência tal que não houvesse margem para dúvidas. Mas então já não seria fé, mas a constatação de uma realidade. Como experimenta Elias, Deus encontra-Se na quietude, no silêncio, na brisa da tarde, e conta connosco para Se manifestar no mundo.

       3 - Por um lado, descobrimos também, com o gesto de Cristo, que Deus está sempre pronto para nos estender a mão, sobretudo nos momentos mais frágeis da nossa vida. É Ele que nos carrega aos homens quando nos sentimos sós, quando sentimos que não temos pé, quando a vida nos foge como a areia por entre os dedos da mão.
       Por outro lado, e para nossa tranquilidade, mas também como desafio, a certeza que só em Deus a nossa confiança é absoluta, só Ele garante que em nenhuma circunstância nos afundamos, por mais difíceis que sejam as situações com que lidarmos no dia a dia.

       4 - O Apóstolo Paulo, tal como os Doze, teve que fazer um percurso interior intenso, de procura, de descoberta, de encontro, com Deus, com a verdade, com Jesus Cristo. E tal como aconteceu com os outros Apóstolos, também com Paulo, o encontro com Jesus Cristo altera tudo, e para sempre a sua vida será diferente. Depois da conversão, do encontro com Jesus, Paulo nunca mais deixará de referir a sua vida ao tempo anterior e posterior a Cristo. Não deixará de testemunhar, em palavras, pregando e escrevendo às comunidades, e em gestos, o Evangelho de Jesus Cristo.
       À comunidade de Roma, Paulo apontará os caminhos de Jesus Cristo, a graça e a fé como oportunidades de encontro com Deus. Dá testemunho com os vários momentos que preencheram a sua vida como Apóstolo, andando de terra em terra, preso, perseguido, mas superando tudo em nome do mesmo Jesus Cristo.
       Hoje de novo, Paulo atesta este testemunho: "Em Cristo digo a verdade, não minto, e disso me dá testemunho a consciência no Espírito Santo: Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração. Quisera eu próprio ser anátema, separado de Cristo para bem dos meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu, que são israelitas, a quem pertencem a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas, a quem pertencem os Patriarcas e de quem procede Cristo segundo a carne, Ele que está acima de todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos. Amen".
       A vontade do Apóstolo é que todos descobrissem a beleza da Palavra de Deus e a urgência de Jesus Cristo como presente e futuro que Deus oferece a todos.

Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Reis 19, 9a.11-13a; Rom 9, 1-5; Mt 14, 22-33.

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
Reflexão do Evangelho na Terça-feira, 2 de Agosto de 2011.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sabe o que é de verdade o mal?

       "Sabe o que na verdade é o mal? ...É a incapacidade de nos pormos lugar dos outros... O mal é a incapacidade de imaginar os sentimentos do outro e de os sentir como se fôssemos nós... O bem é pormo-nos no lugar do outro. E actuar em conformidade, claro.

José Rodrigues dos Santos, O Anjo Branco, Gradiva: Lisboa 2010. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Ele está agora junto de nós!

       "Na súplica cristã pelo regresso de Jesus está sempre contida também a experiência da sua presença. Esta súplica nunca aparece referida apenas ao futuro. Aqui se aplica precisamente aquilo que disse o Ressuscitado: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Ele está agora junto de nós, de forma particularmente densa na presença eucarística. Mas, em sentido inverso, a experiência da presença traz consigo também a tensão para o futuro, para a presença definitivamente realizada: a presença não é completa, impele para além de si mesmo, põe-nos a caminho do definitivo.

Joseph Ratzinger/Bento XVI, Jesus de Nazaré,  pp 234.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O regresso de Cristo: enxugará todas as lágrimas

       "A fé no regresso de Cristo é o segundo pilar da profissão de fé cristã. Ele, que Se fez carne e agora permanece Homem para sempre, que para sempre inaugurou em Deus a esfera do ser humano, chama todo o mundo a entrar nos braços aberto de Deus para que, no fim, Deus Se torne tudo em todos e o Filho possa entregar ao Pai o mundo inteiro congregado n'Ele (cf. 1 Cor 15, 20-28). Isto implica a certeza na esperança de que Deus enxugará todas as lágrimas, não ficará nada que seja sem sentido, toda a injustiça será superada e será estabelecida a justiça. A vitória do amor será a última palavra da história do mundo.
       Durante o «tempo intermédio», requer-se dos cristãos, como atitude fundamental, a vigilância. Esta significa que o homem não se feche no momento presente entregando-se às coisas sensíveis, mas erga o seu olhar para além do momentâneo e da sua urgência. O que conta é manter livre a visão sobre Deus, para d'Ele receber o critério e a capacidade de agir de modo justo".

Joseph Ratzinger/Bento XVI, Jesus de Nazaré,  pp 232.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ressurreição: Cristo na vastidão de Deus

       "A ressurreição de Jesus foi a evasão para um género de vida totalmente novo, para uma vida já não sujeita à lei do morrer e do transformar-se, mas situado além disso - uma vida que inaugurou uma nova dimensão de ser homem. Por isso, a ressurreição de Jesus não é um acontecimento singular que possamos menosprezar e que pertença apenas ao passado, mas sim uma espécie de «mutação decisiva» (...), um salto de qualidade. Na ressurreição de Jesus, foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo género de futuro para todos os homens...
       A ressurreição de Cristo ou é um acontecimento universal, ou não existe, diz-nos São Paulo. E somente se a entendermos como acontecimento universal, como inauguração de uma nova dimensão da existência humana, é que estaremos no caminho de uma interpretação justa do testemunho sobre a ressurreição presente no Novo Testamento...

Ele saiu para uma vida diversa, nova: saiu para a vastidão de Deus e é a partir dela que Se manifesta aos seus...

Joseph Ratzinger/Bento XVI, Jesus de Nazaré,  pp 199-200.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Semeador de Estrelas

Esta estátua está localizada em Kaunas, na Lituânia. De dia não parece fazer muito sentido, mas à noite tudo fica claro!

Na verdade, as estrelas são um grafitti, arte urbana. A estátua originalmente chama-se apenas O Semeador, e retrata um fazendeiro.

O artista planejou o que iria desenhar para compor algo interessante com a sombra da estátua. Vale a pena visitar o blog do artista, Morfai, que conta com arte de rua, arte convencional, wallpaper e muita coisa criativa.

Ecce Homo - Eis o Homem!

       "N'Ele se manifesta a miséria de todos os prejudicados e arruinados. Na sua miséria, reflecte-se a desumanidade do poder humano, que assim esmaga o impotente. N'Ele se reflecte aquilo que chamamos «pecado»: aquilo em que se torna o homem quando vira as costas a Deus e, autonomamente, toma nas suas mãos o governo do mundo...
       N'Ele continua presente o Deus escondido. Também o homem açoitado e humilhado permanece imagem de Deus. Desde que Jesus Se deixou açoitar, são precisamente os feridos e os açoitados a imagem de Deus, que quis sofrer por nós. Assim, Jesus, no meio da Sua Paixão, é imagem de esperança: Deus está do lado dos que sofrem".

Joseph Ratzinger/Bento XVI, Jesus de Nazaré,  p 164.

sábado, 30 de julho de 2011

XVIII Domingo do Tempo Comum - 31 de Julho

       1 - A nossa vida é uma busca constante, busca de felicidade, de realização em diferentes níveis, pessoal, familiar, profissional. E mesmo quando surgem situações de mal, de destruição, de egoísmo, são outras tantas formas de afirmação pessoal, de realização invertida, ainda que por vezes resulte não da vontade decidida e consciente mas pela influência do grupo ou de algum distúrbio psíquico. Mas a regra mantém-se: todos queremos ser felizes; a maneira de o conseguir, ou o grau de realização, é que é diferente de pessoa para pessoa.
       Encontramos pessoas que em pequenas coisas se sentem felizes e outras em que por mais razões que tenham para sorrir andam sempre de cara à banda, indispostas com a vida, com os outros, com o mundo. Existem pessoas que vivem só para este mundo e aparentam ser felizes, mas sempre com um vazio interior, porque as suas vidas fecham-se num tempo limitado e finito. E existem pessoas de fé que são verdadeiramente felizes. Nelas não existe o vazio da escuridão. É certo, como já referia Santo Agostinho, também elas procuram como quem encontra e encontram como quem procura. Por outras palavras, o sentido que encontra na fé e pela fé é motivação para aprofundarem a vivência espiritual, comprometendo-se mais e mais com a transformação deste mundo, para também aqui e agora trazerem razões para esperança.

       2 - Com efeito, a verdadeira resposta às nossas procuras interiores, à nossa sede de sentido, só tem uma resposta plenamente satisfatória em Deus, pois só Ele nos garante e à nossa vida, não apenas hoje, amanhã, mas definitivamente. Todos nós ansiamos por mais. Esta ânsia de sermos felizes é também uma ânsia de eternidade. E neste propósito só Deus assegura definitividade. Só Ele dá um sentido coerente e final que não se corrói com o tempo nem termina quando acaba a pessoa.
       A nossa memória pessoal e humana ficaria para sempre morta, no passado, sem promessas cumpridas, apenas com sonhos desfeitos. Por outro lado, Deus é a certeza que no fim vencerá o Bem, a Verdade, a Justiça, a Beleza. Este Vale de Lágrimas que atravessámos, sem fé, não teria qualquer sentido, pelo contrário acentuaria um vazio permanente, obscuro, destrutivo. E que dizer do sofrimento? Do sofrimento inocente? Já agora é tão difícil perceber. E se não houvesse futuro, se não houvesse Deus, se não houvesse Alguém que garantisse a justiça definitiva.
       É certo que Deus respeita as nossas escolhas. Como é certo que muitas das escolhas que uns e outros fazemos são fonte de injustiças e de sofrimento. Mas no fim, sabemos que Ele lá está, não como o castigador, mas como Amor que Se dá e Se entrega para que todos tenhamos a vida em abundância. Como nos lembra o Apóstolo: "...eu estou certo de que nem a morte nem a vida, nem os Anjos nem os Principados, nem o presente nem o futuro, nem as Potestades nem a altura nem a profundidade nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus, Nosso Senhor".

       3 - O Profeta Isaías, mensageiro de Deus, mostra-nos como em Deus podemos encontrar o alimento que dá sentido e sabor às nossas inquietações mais profundas, às nossas buscas interiores.
       «Eis o que diz o Senhor: 'Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Prestai-Me atenção e vinde a Mim; escutai e a vossa alma viverá. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David'».
       E o alimento que Deus nos dá é gratuito. Acentua-se também aqui que o verdadeiro alimento que não se esgota provém da escuta da Palavra de Deus.
       Do mesmo jeito o Evangelho realça que a multidão vai em busca de um sentido, vai ouvir Jesus, esperando d'Ele palavras de conforto ou, como um dia dirá São Pedro, Palavras de vida eterna. Por vezes, também a curiosidade e o desejo de ver milagres. Mas os evangelhos são expressivos, mostram como a compaixão de Jesus pela multidão O leva a ensinar-lhes muitas coisas, dá-lhes um alimento espiritual. E as multidões seguem-n'O para O ouvir.
       O milagre da multiplicação foi sempre visto como antecipação do mistério maior da nossa fé, a Eucaristia, na qual, nos elementos do pão e do vinho, Jesus nos havia de dar o Seu corpo e sangue como alimento abundante até à eternidade.
       «Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados». Neles todos somos (ou podemos ser) saciados.

       4 - A dimensão vertical (que nos liga a Deus) não dispensa a dimensão horizontal (que nos liga aos outros), antes o exigem. Viver a fé com autenticidade implica o compromisso com o nosso semelhante e com a transformação do mundo presente. Somos enviados por Jesus para, em Seu nome, inundarmos o mundo das pessoas com o Seu amor, com a Sua Paixão, com o Seu perdão, com a Sua vida.
       Aos discípulos Ele não pedirá menos que não sejam serem promotores do bem. Não lhes dá milagres para realizar, mas dá-lhes uma tarefa concreta, de fazerem como Ele fez.
       «Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: 'Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento'. Mas Jesus respondeu-lhes: 'Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer'».
       E não vale a pena adiar os problemas e as dificuldades, ou esconder-se. As palavras são também para nós, discípulos deste tempo: "Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer". Agora é connosco. Jesus Cristo conta com cada um de nós e com todos nós.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 55,1-3; Rom 8,35.37-39; Mt 14,13-21

segunda-feira, 25 de julho de 2011

São Tiago, Apóstolo

Nota biográfica:
       Nasceu em Betsaida; era filho de Zebedeu e irmão do apóstolo João. Esteve presente nos principais milagres do Senhor. Foi morto por Herodes cerca do ano 42. É venerado com culto especial em Compostela (Espanha), onde se ergue a célebre basílica a ele dedicada, que atrai desde o século IX inumeráveis peregrinos de toda a cristandade.

Oração:
       Vós quisestes, Deus omnipotente, que São Tiago fosse o primeiro dos Apóstolos a dar a vida pelo Evangelho: concedei à vossa Igreja a graça de encontrar força no seu testemunho e auxílio na sua protecção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

domingo, 24 de julho de 2011

A Ostra e a Pérola

Você sabia..
Que uma ostra que não foi ferida não produz pérolas?
As pérolas são uma ferida curada.
Pérolas são produto da dor, resultado da
entrada de uma substância estranha ou
indesejável no interior da ostra,
como um parasita ou um grão de areia.
A parte interna da concha de uma ostra
é uma substância lustrosa chamada nácar.

Quando um grão de areia penetra, as
células do nácar começam a trabalhar e
cobrem o grão de areia com camadas e mais
camadas para proteger o corpo indefeso da
ostra. Como resultado, uma linda pérola é formada.
Uma ostra que não foi ferida, de algum modo,
não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada:

Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de um amigo?
Já foi acusado de ter dito coisas que não disse?
Suas idéias já foram rejeitadas?

Então produza uma pérola… cubra suas mágoas
e as rejeições sofridas com camadas e camadas de amor.

Infelizmente, são poucas as pessoas que se interessam por esse tipo de movimento.
A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos, mágoas, deixando as feridas abertas e alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos e, portanto, não permitindo que cicatrizem.
Assim, na prática, o que vemos são muitas “Ostras Vazias”, não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor.
Um sorriso, um olhar, um gesto, na maioria das vezes, vale mais do que mil palavras...

Autor Desconhecido


sábado, 23 de julho de 2011

XVII Domingo do Tempo Comum - 24 de Julho

       1 – Para escutar, compreender e acolher a palavra de Deus é necessário, antes de mais, uma atitude de humildade, de abertura de coração e de mente, de disponibilidade para se deixar tocar/envolver pela graça de Deus, e prontidão para se deixar transformar pela força do Espírito.
       No contexto das parábolas, os discípulos perguntam a Jesus qual a razão para Ele falar em parábolas. Jesus vai respondendo que fala dessa forma para que as pessoas não compreendam. Mas acrescenta um dado muito importante: não compreendem porque os seus corações se tornaram duros. Daqui se conclui com facilidade que a “não compreensão” não assenta na dificuldade da mensagem, ou na pouca erudição da população, mas na dureza do coração, no orgulho, na prepotência, na tradição ignorante, na arrogância, na sobranceria.
       Para escutar, compreender e acolher a palavra de Deus é preciso a humildade de coração. Só um coração humilde é capaz de escutar e compreender. Com efeito, as parábolas contadas por Jesus facilitam a compreensão do que nos quer comunicar.
       Ora, vejamos mais três parábolas sobre o reino dos Céus:
  • “O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo”.
  • “O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola”.
  • “O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente".
       2 – As diversas parábolas ajudam-nos a compreender o mistério do reino dos Céus e o que nos é "exigido" para fazermos parte dos eleitos do Senhor. Não esqueçamos que a condição primeira é a disponibilidade de coração, a humildade diante d'Aquele que vem, que chega até nós e nos impulsiona para o Céu, para a vida divina, a vida na graça santificante.
       Partimos da humildade de coração para a necessidade e urgência de conversão. Só predispondo-nos a mudar o nosso coração, a nossa vida, deixando-nos cativar pelo Espírito Santo que Jesus nos dá, nos preparamos para compreender a Palavra que pode alterar para sempre a nossa vida.
       Jesus explicita a Sua missão no mundo, no meio da humanidade, e a abrangência do reino de Deus, que se estende até aos confins do mundo e ao fim dos tempos. Todavia, desde logo, salta para a liça a prioridade do reino de Deus diante de todas as coisas, de todos os compromissos, de todos os projectos. Todos os projectos só têm um sentido absoluto, definitivo e garantido para o futuro, no Reino de Deus. Este é a pérola mais preciosa, é o tesouro escondido em nós, no campo da nossa vida e que com a vida deveremos preservar. Primeiro o reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais virá por acréscimo.
       3 – Por outro lado, o reino de Deus destina-se a todos.
       Na última das parábolas Jesus compara o reino dos céus a uma rede que lançada ao mar recolhe todo o tipo de peixes, grandes e pequenos, brancos, verdes e vermelhos, azuis e laranjas, pretos e multicolores. Há peixes bons e peixes intragáveis. Mas, tal como na parábola do trigo e do joio (mas também do Semeador que saiu a semear, ou como a parábola do vinhateiro que sai de manhã, ao meio-dia, a meio da tarde, ao entardecer e chama todos os que encontra para a sua vinha, para a todos compensar do mesmo jeito), todos são chamados e todos têm as mesmas possibilidades (de serem pescados), bons e maus, com muitas ou com poucas capacidades. O importante, lembremo-lo uma vez mais, é o coração e a capacidade de cada um se tornar ouvinte, discípulo. A paciência amorosa de Deus é sem limites.
       Deixemo-nos pescar pelo Senhor, sabendo que para sermos bom peixe basta abrir o nosso coração, deixando-nos transformar na fé pelo Espírito de Amor que Jesus nos comunica com a Sua vida, morte e ressurreição.

       4 – Deus chama-nos; em Jesus Cristo vem ao nosso encontro. N'Ele o Reino dos Céus chega até nós. Vem para nos salvar, para que através do dom da Sua vida, do Seu amor infinito, nós sejamos inseridos na Sua vida divina, tornando-nos n'Ele, filhos de Deus.
       São Paulo fala-nos desta vocação primordial: "Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. E àqueles que predestinou, também os chamou; àqueles que chamou, também os justificou; e àqueles que justificou, também os glorificou".
       Em Jesus Cristo fomos/somos redimidos do pecado e da morte, a nossa herança é a vida eterna, a salvação junto de Deus.

       5 – Na dúvida e na incerteza dos tempos presentes, nas provações e dificuldades que encontramos, só a atitude de humildade nos leva a compreender a palavra de Deus e a fazer com que a vontade de Deus se traduza na nossa vontade muito humana. Por vezes podem faltar as forças, o ânimo; por vezes, as preocupações podem esvaziar o nosso compromisso e tornar este mundo mais belo e justo.
       Nunca nos falte a humildade, a abertura de coração. Como Salomão supliquemos a sabedoria para nos deixarmos guiar pelo Espírito de Deus: "Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para governar o vosso povo, para saber distinguir o bem do mal; pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?».
       Não sabendo o que havemos de pedir, peçamos a sabedoria do Espírito Santo.


Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Reis 3, 5.7-12; Rom 8, 28-30; Mt 13, 44-52.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Amar um ser é esperar nele para sempre

       «Que significa amar?
       Amar um ser é esperar nele para sempre.

       Amar um ser é não o julgar; julgar um ser é identificá-lo com aquilo que dele se conhece: «Agora, conheço-te. Agora julgo-te. Sei aquilo que vales»... Isto representa matar um ser.

       Amar um ser é esperar sempre dele algo de novo, algo de melhor.

       Se bem leio no Evangelho, poderei concluir da maneira pela qual Jesus saiu ao encontro dos homens e os amou e enriqueceu, que Ele sempre os considerou crianças, crianças que não haviam crescido convenientemente, que não haviam sido suficientemente amadas.
      
       Cristo nunca os identificou com aquilo que tinham feito até então.

       Pensai, por exemplo, em Maria Madalena: Cristo esperava dela algo que ninguém tinha conseguido descobrir e amou-a tanto, perdoou-lhe tão generosamente que dela obteve o amor mais puro e mais fiel e, admirados, todos à sua volta comentavam: «Será possível que ela seja assim?! Tínhamo-la julgado, pensávamos conhecê-la, haviamo-la condenado e tudo porque nunca fora convenientemente amada...»
       Cristo amou-a com tal perfeição que a tornou aquilo que os outros, pobres e desconfiados, demasiado avarentos de amor, não tinham sido capazes de suscitar nela.

       Cristo aguardava, esperava tudo de toda a gente. Fazia surgir, ao Seu redor, vocações, amizades e generosidades; e todos os que supunham conhecer de longa data aqueles personagens, ficavam atónitos: «Como? Zaqueu tornou-se generoso? Maria Madalena tornou-se pura e fiel? Tomé tornou-se crente? Mateus, o publicano, feito Apóstolo? E todos esses pobres, todos esses pecadores se transformaram em apóstolos e santos?... Como é possível?»

       Alguém os tinha amado, tinha acreditado neles.
       Alguém não havia repetido o que nós dizemos: «Não há nada a fazer dele, nada se conseguirá. Tentei tudo. Não quero tornar a vê-lo. Não volto a escrever. É perder tempo...»
       Cristo foi ao encontro de cada um deles, dizendo: «Só porque não foi amado o bastante é que se tornou assim mau. Se o amassem mais, seria melhor. Se tivessem sido mais delicados, mais generosos, mais afectuosos para com ele, ele teria conseguido libertar-se daquela armadura, daquela carapaça de que se revestiu para não sofrer tanto»...

Louis Evely, em "Fraternidade e Evangelho", in Abrigo dos Sábios.

Santa Maria Madalena

Nota Biográfica:
       É mencionada entre os discípulos de Cristo, assistiu à sua morte e mereceu ser a primeira a ver o Redentor ressuscitado de entre os mortos na madrugada do dia de Páscoa (Mc 16, 9). O seu culto difundiu-se na Igreja ocidental, sobretudo a partir do século XII.
Oração (colecta):
       Senhor, que, na vossa infinita bondade, quisestes que Maria Madalena fosse a primeira a receber do vosso Filho a missão de anunciar a alegria pascal, concedei-nos, por sua intercessão, que, seguindo o seu exemplo, anunciemos a Cristo ressuscitado e O contemplemos no reino da glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

       Maria Madalena, aquela de quem Jesus retirou sete espíritos, e que O acompanhou durante a vida pública.
       Durante muitos anos, Maria Madalena foi confundida ora com a mulher adúltera, ora com uma mulher de vida fácil, passe a expressão. Contudo a Igreja tem vindo a corrigir o erro. Não é que não pudesse ser um ou ser outra, e estar entre as primeiras e principais testemunhas do Evangelho. Mas destas não se conhece a identidade, e daquela sabe-se quem é (Maria) e de onde é: Magdala (=magdalena = madalena).
       Crê-se, que os sete espíritos deveria ser uma grave doença e a partir da cura ela não mais deixou de servir Jesus e os seus discípulos, com os seus bens, e com os seus préstimos, como reconhecimento e gratidão pela cura.
       Viria a ser a primeira testemunha da ressurreição de Jesus.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A fé purifica o coração!

       "...Adão, que tentara com as próprias forças apoderar-se do divino... Cristo desceu da Sua divindade tornando-Se homem... despoja-Se do seu esplendor divino, ajoelha-Se por assim dizer diante de nós, lava e enxuga os nossos pés sujos, para nos tornar capazes de participar no banquete nupcial de Deus.
       ... é o amor de Jesus até ao fim que nos purifica, que nos lava. O gesto do lava-pés exprime isto mesmo: é o amor serviçal de Jesus que nos arranca da nossa soberba e nos torna capazes de Deus, nos torna 'puros'...
       ... A fé purifica o coração. A fé deriva do facto de Deus Se voltar para o homem. Não se trata simplesmente de uma decisão autónoma dos homens. A fé nasce porque as pessoas são tocadas interiormente pelo Espírito de Deus, que lhes abre os corações e os purifica".

Joseph Ratzinger/Bento XVI, Jesus de Nazaré,  pp. 56-57.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Novas tecnologias ao serviço da missão

       Conferência de Miguel Cardoso, em Valadares, sobre as tecnologias e o seu papel na missão da Igreja. Fundador da "Terra das Ideias", autora da nossa página www.tbcparoquia.com. A exposição é também um testemunho de vida cristã:

Uma esposa para Isaac: Rebeca - Gn 24, 32-66

       A jovem, cujo nome era Rebeca, ficou surpreendida com os presentes que lhe haviam sido oferecidos. Sem fôlego com tanto entusiasmo, correu para contar à sua mãe.
        “Escutai! O homem deu-me jóias em ouro e perguntou-me se podia visitar o Pai. Certamente isso só pode significar uma coisa” – exclamou ela.
       O irmão de Rebeca, Labão, tinha reparado nas jóias e apressou-se a sair para saber o que se passava. Ele e o seu pai ouviram o servo contar a tarefa que lhe tinha sido destinada: encontrar uma esposa a pedido do seu parente Abraão.
       “Bom, é realmente espantoso que Deus vos tenha guiado até nós” – concordaram ambos. “Deve fazer parte do desígnio de Deus que a nossa Rebeca case com o filho do vosso amo”.
       “Assim é” – disse o servo. “Lembrai-vos que o meu amo é um homem rico e que me providenciou tudo o que possa ser necessário para tratar dos preparativos”. Exibiu presentes esplêndidos para a família e as jóias de ouro e roupas mais refinadas para Rebeca.
       O pai e o irmão de Rebeca acenaram com a cabeça. “Estamos contentes com a oferta” – disseram. “Agora temos de perguntar a Rebeca o que pensa”. Rebeca ficou radiante. “Teria todo o gosto em ir convosco e conhecer esse jovem assim que quiserdes!” – disse ela.
       Com a bênção da sua família, Rebeca e alguns dos seus servos prepararam-se para viajar para Canaã com o servo de Abraão. Meio alegres, meio tristes, montaram os camelos e acenaram em despedida.
       Isaac ficou radiante com a chegada da sua futura noiva. Pouco tempo depois, descobriu que também estava apaixonado por ela.

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, Julho 2011.