segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Caminhada de Advento e Natal 2016

       Do espaço pastoral que me está confiado, as Paróquias de Tabuaço, Távora e Pinheiros, viveram a CAMINHADA DO ADVENTO E NATAL proposta para o Arciprestado de Moimenta da Beira, Sernancelhe e Tabuaço.
       Domingo a domingo, de acordo com o Plano Pastoral da Diocese de Lamego e com a Liturgia da Palavra, a construção de um Presépio, com textos, palavras, gestos e orações. "Pretende-se com isso envolver o maior número de pessoas possível, ao longo de cada domingo. As propostas são apenas indicativas. Cada paróquia deve adaptar à sua realidade eclesial e coadunar a construção do presépio com o espaço litúrgico da igreja, e utilizar os materiais que considerar mais convenientes".
À medida que a caminhada vai avançando também a luz se vai multiplicando, potenciando o efeito da luz, na tradicional coroa do Advento encimada com a Luz do Natal...
       Cada Paróquia procurou envolver, desafiar, preparar o melhor possível o Natal de Jesus. Algumas imagens:

PARÓQUIA DE TABUAÇO (outras fotos: AQUI)

PARÓQUIA DE TÁVORA (outras fotos: AQUI)

sábado, 31 de dezembro de 2016

Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus - 2017

       1 – Cada novo ano civil se inicia sob o patrocínio de Maria, Mãe de Deus. Renovamos a esperança num mundo em que (re)nasça e cresça a paz e a alegria, a luz e a justiça e a ternura da Virgem Mãe.
       A vida de Jesus é envolvida pela docilidade e delicadeza, pela inclusão e pelo cuidado aos mais frágeis. Como lembra São Pedro, o Senhor Jesus passou fazendo o bem, sem fazer aceção de pessoas. Por certo não será difícil encontrar a doçura, a afetividade, a delicadeza em Maria e em toda a sagrada Família. A entreajuda nas tarefas de casa e nos compromissos sociais, a participação na vida da comunidade, os tempos de festa e de alegria, os momentos de dor, de perda e de luto, as grandes comemorações comunitárias e o ritmo semanal que culmina na reunião familiar, na refeição ritual, na ida à Sinagoga para agradecer a vida, para invocar as bênçãos de Deus para a família, para a aldeia e para o povo, para o trabalho e para os animais, que garantirão parte essencial da alimentação, para recordar a história e a aliança de Deus com o Seu povo e a promessa de novos tempos de prosperidade e de bênção.
       Pelo fruto se vê a árvore. E os frutos que Jesus vive e partilha clarificam e testemunham a vivência na Sua família humana. Em tempos difíceis, sob o domínio do império romano, as famílias e as comunidades apoiam-se mutuamente para sobreviverem. A elevada carga de impostos que têm de pagar às autoridades dificultam a vida mas fortalecem a união. Seguindo a Lei do Senhor, a atenção aos mais pobres, provendo agasalho, alimento e abrigo. Os dias de festa são para todos. Quem pode mais, ajuda quem se encontra em situação periclitante. Os estrangeiros e pedintes são acarinhados, lembrando-se que também foram estrangeiros. Esse auxílio agrada ao Senhor.
        2 – No Principezinho, o narrador inicia a sua história com um desenho: uma jiboia a digerir um elefante. Como os adultos não percebem o desenho, faz um segundo, colocando os contornos do elefante dentro da jiboia. Tinha então seis anos de idade e mostra o desenho 1 e depois o 2 para meter medo, mas para quem vê não passa de um chapéu. Dizem-lhe que deixe de brincar e se dedique à história, à geografia, à matemática e à gramática. Só mais tarde, muito mais tarde, já aviador, perdido no deserto do Saara, alguém, o pequeno Príncipe, percebe espontaneamente o seu desenho: uma jiboia a digerir um elefante! Afinal, as pessoas adultas são esquisitas, andam de um lado para o outro e nem sabem o que procuram!
       «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado…» (Lc 10, 21).
       Só os pequeninos, os pobres, os simples, os humildes de coração compreendem os mistérios de Deus e, quando não compreendem, confiam. Não admira, portanto, que sejam os pastores os primeiros a escutarem a luz e a voz que vem das alturas e a compreenderem que Aquele Menino é uma bênção de Deus dado à humanidade.
       Os pastores são gente simples, pobre, humilde! Aproximam-se rapidamente de Maria e de José, veem o Menino deitado na manjedoura e extravasam de alegria, relatando tudo o que ouviram acerca d'Aquele Menino. Todos ficam maravilhados. Têm o encanto do encontro e a alegria da partilha. Há de ser assim o nosso encontro com Jesus, contando-Lhe a nossa vida e confiando-Lhe os nossos anseios e preocupações, os nossos sonhos e projetos. Em simultâneo, atraiamos outros com o nosso entusiasmo em falar de Jesus, em viver perto de Jesus, em transparecer Jesus. Sempre que isso acontecer connosco, outros hão de escutar e hão de aproximar-se, farão a experiência do encontro e alegrar-se-ão a partilhar a boa Nova de Jesus.
       Sublinha-se, neste episódio, a importância da dimensão missionária. Os pastores escutam os Anjos. Diante de Jesus, Maria e José, dizem as razões da sua alegria. No regresso a suas casas continuam a anunciar Jesus e o que Deus fez a favor de todo o povo.
       3 – «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38) «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva...» (Lc 1, 46-55). As palavras de Maria sublinham a humildade com que acolhe e vive a Sua vocação de Se tornar a Mãe do Salvador. Como sublinhava o então Cardeal Ratzinger / Bento XVI, Maria engrandece o Senhor, não que Deus possa ser engrandecido, mas porque Maria, na Sua humildade e transparência, permite que a grandeza de Deus Se torne manifesta e visível para o mundo. É a Sua missão. Há de ser também a nossa: engrandecermos, com humildade, nas palavras e nos silêncios, nos gestos e nas obras, a presença de Deus, para que Ele, em nós e através de nós, continue a operar maravilhas.
       Maria é a Aurora da Salvação, a Estrela da Manhã, é Mãe de Deus e nossa Mãe, é Mãe da Igreja. É o primeiro sacrário da história, guarda em Si, no Seu ventre e no Seu coração, Aquele que há de ser para todos salvação e luz. É discípula e missionária da alegria, que comunica a Isabel, aquando da visitação, e que presencia no nascimento de Jesus e na visita dos Pastores e, mais tarde, dos Magos vindos do Oriente, vindos de toda a parte. Por vezes as palavras traduzem a alegria, o espanto, a admiração. Os pastores não disfarçam a a alegria deste encontro e têm urgência em comunicar tudo o que ouviram acerca deste Menino. E continuam pelo tempo fora a anunciar as palavras dos Anjos e a agradável surpresa do encontro com a Sagrada Família de Maria, José e Jesus.
       Maria deixa que as palavras saltem do coração, quando se encontra com Isabel. Hoje mantém-se atenta, a escutar com o coração, a meditar nas palavras proferidas pelos pastores. «Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração». Como reiteradamente tem salientado o nosso Bispo, D. António Couto, Maria não apenas escuta mas compõe as palavras e os acontecimentos que lhe chegam ao coração. É uma melodia nova que está a manifestar-Se ao mundo.
       4 – A chegada do Deus-Menino, Deus connosco, Jesus (= Aquele que salva), é a maior das bênçãos para a humanidade tantas vezes perdida em confusões e em conflitos, em que pessoas e povos se afirmam pela força. O primeiro dia do ano é também Dia Mundial da Paz. O Papa Francisco, reconhecendo que vivemos num mundo dilacerado pela violência, pela guerra «aos pedaços», terrorismo, criminalidade, ataques e abusos contra os migrantes e refugiados, tráfico humano, devastação ambiental, desafia: «Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais… Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas».
       Na primeira leitura, Deus convoca Moisés para comunicar a bênção a todo o povo. Bênção é a mais bela oração que podemos proferir, pois as palavras comprometem a vida. Tornamo-nos fiadores do bem que professamos, pois o bem dito exige o bem a ser feito. "O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz".
       Se, com verdade, invocamos a bênção de Deus para nós, então ficamos comprometidos na partilha dessa bênção. Deus não abençoa sob reservas ou condições, com aceção de pessoas, mas abençoa a humanidade inteira. O Antigo Testamento deixa vir ao de cima este compromisso universal. Deus abençoa Abraão para que nele sejam abençoados os povos de toda a terra. Como recorda o velho Simeão, na apresentação de Jesus no Templo: os «meus olhos viram a Salvação que ofereceste a todos os povos, Luz para se revelar às nações» (Lc 2, 30-32).

       5 – Chegada a plenitude do tempo, Deus dá-nos o Seu Filho muito amado, para nos resgatar do pecado e da morte, das trevas e da escravidão da Lei. Faz-Se lei para nos tornar filhos adotivos, como sublinha São Paulo, e assim também nós, libertos das cadeias da injustiça e do mal, possamos trabalhar por um mundo mais humano e fraterno, mais pacífico e solidário, procurando que todos se sintam em casa, em segurança e alegria, confiantes no futuro e sobretudo confiando nos outros, que acolhemos como presença de Deus.
       Será um bom propósito para iniciar e viver este novo ano. Maria acompanha-nos, estimulando-nos a seguir Jesus, a acolher e amar Jesus, a multiplicarmos a graça que Deus nos dá em abundância, ou, como Ela, tornar-nos de tal modo transparentes que as maravilhas de Deus sejam visíveis em nós e em tudo o que façamos. A oração será o ponto de partida e o ambiente para vivermos, como Maria, ao jeito de Jesus. "Senhor nosso Deus, que, pela virgindade fecunda de Maria Santíssima, destes aos homens a salvação eterna, fazei-nos sentir a intercessão daquela que nos trouxe o Autor da vida, Jesus Cristo, vosso filho".
       Se nos predispomos a rezar, predispomo-nos a satisfazer em palavras e obras a vontade de Deus. Só assim a nossa oração é autêntica. Não pedimos a Deus para cumprir a nossa vontade, pedimos que nos ajude a compreender e a realizar a Sua vontade.
       "Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção, resplandeça sobre nós a luz do seu rosto… Alegrem-se e exultem as nações, porque julgais os povos com justiça... Deus nos dê a sua bênção e chegue o seu temor aos confins da terra" (salmo).

Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia (A): Num 6, 22-27; Sl 66 (67); Gal 4, 4-7; Lc 2, 16-21.

O Verbo Se fez carne e veio habitar no meio de nós

       "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho d’Ele, exclamando: «Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer" (Jo 1, 1-18).
       O texto do Evangelho que nos é proposto para hoje é o mesmo do dia de Natal, revelando-nos que Jesus Cristo é o Verbo encarnada, a Palavra que Se faz pessoa. A palavra criadora de Deus é também palavra salvadora. É Jesus Cristo que em definitivo nos revela o rosto de Deus. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, é por Ele que vamos ao Pai a Quem jamais alguém viu, o Filho é que O dá a conhecer.
       A grande alegria pelo nascimento de Jesus Cristo, o Deus que Se despoja da Sua grandeza, para comungar a humanidade connosco e de novo nos conduzir pelo caminho da vida, deve motivar-nos a viver cada vez melhor, cada vez em maior sintonia com o Senhor Jesus.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Natal de Jesus Cristo - 2016

       1 – O maior poder não é o que se impõe pela força, mas pelo amor. Não o que se consegue pela supremacia, a partir do exterior, mas o que surge livre a partir do interior. O Natal vem de fora, vem da eternidade, mas não se impõe a partir do exterior ou a partir de cima, mas nasce, enraíza-Se, encarna, torna-Se carne da nossa carne e osso dos nossos ossos, identifica-Se e confunde-Se connosco, entranha-Se no mundo, mistura-Se com a humanidade.
       São João Paulo II desafiava os jovens a serem evangelizadores dos outros jovens, pois ninguém como eles estaria tão preparado para evangelizar os jovens da mesma idade: eles percebem os mesmos códigos linguísticos que, por ventura, escapam aos mais velhos. 
       Para compreendermos os outros precisamos de nos sentir próximos. Precisamos de nos colocar no lugar do outro, mesmo que isso seja impossível, pois o tempo e o espaço não são simultâneos para duas pessoas: ocupam espaços e tempos diferentes, não se sobrepõem. Nunca. Como duas linhas retas em paralelo que nunca se fundem uma na outra. Colocar-se no lugar do outro para o perceber, para sentir o seu sofrimento, as suas inquietações. É um esforço meritório, mas só alcançável por Deus. 
       “Põe-te no meu lugar”. Expressão que apela à compreensão, a sintonizar o ponto de vista do outro para tentar compreender as suas palavras, a sua atitude ou os seus gestos. Ninguém nos pede uma sobreposição ao outro, mas sincronização, aceitação, proximidade.
        Deus faz este “esforço” de aproximação. Ao longo dos tempos. Em Jesus, a aproximação de Deus é total, coloca-Se no nosso lugar, do nosso lado, passa a ver a partir de baixo e de dentro, a partir da fragilidade e da limitação humanas, identifica-Se connosco. É a Sua grandeza: faz-Se pequeno, do nosso tamanho, deixa-Se ver e ao mesmo tempo esconde-Se no meio de nós, confundindo-Se connosco. Deixa-Se perseguir e amar, deixa-Se prender e até matar. Tão grande que tem o poder de Se tornar pequeno. É a Sua fraqueza: amar até morrer, morrer para ressuscitar, para viver, amar sem limites. Deus, por amor, não desiste de nós. Nunca desiste. Nós podemos ignorá-l’O, fazer de conta que não existe e, no entanto, Deus continua do nosso lado, a amar-nos, a atrair-nos para Si. São Paulo, na primeira Carta aos Coríntios (9, 19-23), mostra como se fez tudo para todos, para ganhar alguns para Cristo. Assim faz Deus, faz tudo para nos (re)conquistar para o Seu Reino de Amor. Se deixarmos que Ele nos vença, vencemos nós, e será novamente Natal.
        2 – Visitando as páginas da Sagrada Escritura, nos textos propostos para esta solenidade, a acentuação do abaixamento de Deus que, em Cristo, assume a nossa frágil condição humana, com as suas limitações, com os seus sonhos e projetos, com os seus sofrimentos e desilusões.
       "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam". Este é o mote dado pela Palavra de Deus. Jesus vem ao mundo, pre-existindo-lhe. À Sua frente vem um mensageiro, João Batista, que aponta para a Luz verdadeira, que é o Messias Jesus.
       O Filho de Deus Altíssimo, o Messias, não é de todo um desconhecido! Desde sempre nos conheceu. N’Ele foram criadas todas as coisas e sem Ele nada foi criado. Veio para o meio dos seus. Mas, diz o Evangelho, os seus não O reconheceram. Andavam atarefados com tantas coisas, distraídos, ou cheios de si, com corações de pedra. Quem O reconhece será salvo. A salvação consiste em conhecer Jesus, acolhê-l'O, para O amar e O viver, testemunhando-O, transparecendo-O.
       O profeta Isaías sublinha a beleza, a alegria, a rapidez do mensageiro que anuncia a boa nova da salvação. É tempo de largar as amarras da escravidão, do pecado e da morte. É tempo de júbilo, porque o Senhor está no meio de nós, irrompendo as cadeias das injustiças, restaurando as ruínas de Israel, consolando o Seu povo, "o Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus".
       Deus está agora mais visível. É Pessoa, de carne e osso. Está sujeito à determinação do espaço e do tempo, como cada um de nós. Está ao alcance do nosso olhar e das nossas mãos. Podemos vê-l’O, podemos segui-l’O, podemos matá-l’O. Sabemos onde encontrá-l’O.
        Embrulhado em panos, perto dos animais, é irreconhecível para os distraídos, para os que confundem grandeza com ostentação e poder, para os que esperam um Messias saído de um palácio, nascido num berço de ouro. Ele entranha-Se na história dos homens e na própria natureza.
       3 – Com efeito, "muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo".
       Ele é o Filho Unigénito de Deus, o Seu Eleito, que transborda da eternidade para o tempo, do seio do Pai para a convivência daqueles que assume como irmãos. Para nos redimir. Para nos elevar. Deus nunca esteve longe de quantos O invocam de coração humilhado e contrito. Com Jesus a distância encurta-se, pois Ele próprio, é Deus connosco, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.
       Deus continua a falar-nos e a falar ao mundo. Hoje Deus fala através de nós, de mim e de ti. Somos os mensageiros que correm velozes a anunciar a paz. Por vales e montanhas, por aldeias e cidades, aquém e além-mar. Uma vez convertidos, restabelecidos pela misericórdia do Senhor, cabe-nos hoje, cabe-nos agora, anunciar o Evangelho, levar Jesus a todo o lado, a todos os ambientes. Deus continua a falar. Não fiquemos na praia, de braços cruzados, a ver as gaivotas a pousar, adentremo-nos na história, envolvamo-nos na transformação do mundo em que vivemos. Levemos o melhor de nós – Deus que nos habita –, para que o mundo possa testemunhar o nascimento de Jesus e a certeza de que Ele está vivo, no meio de nós.
       O mandato divino é para todos, é para mim e para ti, é para hoje, pois amanhã é tarde, demasiado tarde. O futuro a Deus pertence. A nós pertence o presente, para sermos o presente de alegria, de amor e de serviço uns para os outros. Ide e anunciai o Natal, a Boa Notícia, a toda a criatura.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (A): Is 52, 7-10; Sl 97 (98); Hebr 1, 1-6; Jo 1, 1-18.

Bendito seja o Senhor, Deus de Israel

Zacarias, pai de João Baptista, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou dizendo:
«Bendito seja o Senhor, Deus de Israel,
que visitou e redimiu o seu povo
e nos deu um salvador poderoso
na casa de David, seu servo.
Assim prometera desde os tempos antigos,
pela boca dos seus santos Profetas,
que nos libertaria dos nossos inimigos
e das mãos de todos os que nos odeiam;
que teria compaixão dos nossos pais,
recordando a sua sagrada aliança
e o juramento que fizera a Abraão, nosso pai:
que nos concederia a graça de O servirmos
um dia sem temor, livres das mãos dos nossos inimigos,
em santidade e justiça, na sua presença,
todos os dias da nossa vida.
E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo,
porque irás à sua frente a preparar os seus caminhos,
para dar a conhecer ao seu povo a salvação,
pela remissão dos pecados;
graças ao coração misericordioso do nosso Deus,
que das alturas nos visita como sol nascente,
para iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte
e dirigir os nossos passos no caminho da paz» (Lc 1, 67-79).
       É bem conhecido o cântico de louvor de Zacarias, Benedictus, colocado em paralelismo com o cântico de louvor de Nossa Senhora, Magnificat, propostos todos os dias na Liturgia das Horas, um nas Laudes e outro nas Vésperas.
       A propósito, têm alguns traços comuns, o louvor, o reconhecimento do Deus altíssimo, e do feitos realizados a favor do seu povo, a Sua proximidade. Neste cântico, proposto como leitura para a manhã do dia 24 de dezembro, horas antes da celebração festiva do Natal, nascimento de Jesus, sinal e expressão de Deus que vem até nós, é uma oração de louvor, de gratidão, de ação de graças pelas maravilhas que Deus continua a operar, no povo, através de mensageiros concretos, como será o caso do filho de Zacarias, João Batista, que vem para preparar os caminhos do Salvador...
       Preparemo-nos de todo o coração para receber o Messias, Deus que se faz homem!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Quem virá a ser este menino?

       Chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício e congratularam-se com ela. Oito dias depois, vieram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas a mãe interveio e disse: «Não, ele vai chamar-se João». Disseram-lhe: «Não há ninguém da tua família que tenha esse nome». Perguntaram então ao pai, por meio de sinais, como queria que o menino se chamasse. O pai pediu uma tábua e escreveu: «O seu nome é João». Todos ficaram admirados. Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua e começou a falar, bendizendo a Deus. Todos os vizinhos se encheram de temor e por toda a região montanhosa da Judeia se divulgaram estes factos. Quantos os ouviam contar guardavam-nos em seu coração e diziam: «Quem virá a ser este menino?» Na verdade, a mão do Senhor estava com ele (Lc 1, 57-66).
       O Percursor do Messias desponta como a voz que clama no deserto. Ainda antes do nascimento já João experimenta a alegria pela vinda do Messias, saltando de alegria no momento em que a voz da saudação de Maria chega aos ouvidos de Isabel.
       O relato do nascimento de João envolve-nos na mesma alegria da proximidade de Jesus Cristo. Hoje, João, amanhã, o Messias de Deus, Jesus Cristo Salvador.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Homenagem do GJT e das Catequistas à D. Evinha

       No dia 17 de dezembro, Festa de Natal da Catequese, o Grupo de Jovens de Tabuaço (GJT) e o grupo de Catequistas prestou uma sentida homenagem à D. Evinha, pelo testemunho da vida e de vivência da fé, de empenhamento e alegria nos diferentes compromissos eclesiais e sociais.
       Nasceu a 10 de fevereiro de 1934, em Pinheiros, e faleceu no dia 30 de setembro de 2016, na Santa Casa da Misericórdia de Tabuaço. Funeral a 1 de outubro, na Igreja Matriz de Pinheiros.
       Poder-se-ia considerar cidadã do mundo. Depois dos primeiros estudos, continuou a sua formação na Escola Diocesana de Formação Social, em Lamego, e no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa; integrou o Ministério do Trabalho e da Solidariedade, comprometendo-se com a vida eclesial, em diferentes partes do mundo, Portugal, Espanha, Brasil, Uruguai, em diferentes zonas do país, de Bragança ao Algarve, dedicando-se na promoção da educação, da cultura, da saúde, no apoio às pessoas mais carenciadas, na catequese, na lógica da Ação Católica Rural, ver, julgar e agir, envolvendo as pessoas, para que fossem agentes e não apenas destinatários.
       Regressada do Brasil, fixando-se definitivamente em terras de Tabuaço, nunca desistiu de se empenhar, participando onde era necessário, na Igreja e na vida social e cultural. Sempre disponível, para mais oração, para mais formação, das crianças aos jovens e aos adultos, aos mais idosos, na catequese, nos grupos de jovens, como ministra extraordinária da comunhão, na vivência do Natal, da Páscoa, a cantar as Boas Festas, a visitar doentes, a dar conselhos com a delicadeza de uma mãe, preparando jovens para o crisma, intervindo nos tempos de formação, escrevendo, partilhando a vida, gastando-se… sempre ligada à vida da Igreja, sempre sintonizada com os sinais dos tempos.
       Como Pároco pude usufruir da sua amizade e dos seus conselhos, da sua ajuda e das suas sugestões. Uma das sugestões, no início no meu ministério sacerdotal: as homilias deveriam terminar sempre de forma positiva, para que fosse autêntico o “assim seja”…
       Que Deus lhe dê o merecido descanso e que o testemunho da sua vida, o empenho alegre, simples e generoso da sua fé e do seu compromisso eclesial, nos ajude ao mesmo compromisso nas nossas famílias e na nossa comunidade.
       Depois da presença no Velório e no Funeral, agora mais esta homenagem, em jeito de agradecimento pelas lições que a D. Evinha a todos deixou, a garra e a vontade de viver, a força e a agilidade para levar mais longe a vivência do Evangelho, num compromisso diário, constante, incentivando todos, sem descriminações, procurando estar onde era mais necessário.

Segue o vídeo, com fotos de D. Evinha. Depois do videoporama, as catequistas e os jovens deixaram o seu testemunho.


Visite o Álbum de fotos dedicado à D. Evinha,

Paróquia de Tabuaço | Festa de Natal | 2016

       A Festa de Natal da Catequese iniciou com a celebração da santa Missa, já com as crianças vestidas de branco. Ocuparam o lugar no presbitério, junto do pároco e dos acólitos. Durante a Eucaristia, a Caminhada do Advento-Natal.
       No final, sem grandes delongas, a intervenção dos mais pequeninos. Seguiram-se outros grupos, finalizando com a intervenção do Grupo de Jovens, integrando os adolescentes do 9.º ano de catequese (os do 10.º já integram o GJT).
       Para conclusão estava reservada a homenagem à D. Evinha, que ao longo dos últimos anos se dedicou por inteiro ao trabalho pastoral na Paróquia de Tabuaço, sempre solícita, empenhada, pronta para mais oração, mais convívio, mais formação, deixando marcas profundas nos jovens e nos adultos, na comunidade. O Grupo de Jovens e as Catequistas prestaram-lhe mais esta merecida homenagem. Foi preparado e passado um vídeo com fotos de várias atividades pastorais, ao longo dos anos. A segunda música do videoporama foi trazida pela D. Evinha para a nossa paróquia.


Fotos disponíveis na Paróquia de Tabuaço no Facebook

domingo, 18 de dezembro de 2016

Tabuaço: Festa de Natal da Catequese - 2016

       Com o aproximar do Natal e com as férias escolares, chega também a Festa de Natal da Catequese paroquial. Sábado, 17 de dezembro de 2016. Depois da novena e do grande dia da Festa da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição, atenções para a festa de Natal. Por opção das catequistas, este ano, o espaço escolhido para a festa foi a Igreja Paroquial, facilitando a participação dos paroquianos, sobretudo dos mais idosos que, desta forma, ficaram mais aconchegadas.
       A Festa iniciou com a celebração da santa Missa, já com as crianças vestidas de branco. Ocuparam o lugar no presbitério, junto do pároco e dos acólitos. Durante a Eucaristia, a Caminhada do Advento-Natal. No final, sem grandes delongas, a intervenção dos mais pequeninos. Seguiram-se outros grupos, finalizando com a intervenção do Grupo de Jovens, integrando os adolescentes do 9.º ano de catequese (os do 10.º já integram o GJT).
        Para o final estava reservada a homenagem à D. Evinha, que ao longo dos últimos anos se dedicou por inteiro ao trabalho pastoral na Paróquia de Tabuaço, sempre solícita, empenhada, pronta para mais oração, mais convívio, mais formação, deixando marcas profundas nos jovens e nos adultos, na comunidade. O Grupo de Jovens e as Catequistas prestaram-lhe mais esta merecida homenagem. Foi preparado e passado um vídeo com fotos de várias atividades pastorais, ao longo dos anos. A segunda música do videoporama foi trazida pela D. Evinha para a nossa paróquia.
       Segue-se o vídeo e logo depois algumas fotos desta festa.


Disponibilizamos outras FOTOS na Paróquia de Tabuaço no Facebook.