sábado, 19 de novembro de 2011

1.ª Mensagem de D. António Couto à Diocese de Lamego

       Com alegria e confiança de criança, levanto os meus olhos para os montes, para Aquele que guarda a minha vida, de noite e de dia, quando saio e quando entro, desde agora e para sempre! É com esta luminosa melodia do Salmo 121, que canto, neste dia, ao bom Deus, que sei bem que «tem sido o meu pastor desde que existo até hoje» (Génesis 48,15).
        D’Ele quero ser transparência pura, sempre, como Ele, pastor que visita, com um olhar repleto de bondade, beleza e maravilha, os seus filhos e filhas que Ele agora me confia. Enche sempre, Senhor, o meu olhar, mãos e coração com a tua presença bela e boa. Que, em mim, sejas sempre Tu a visitar o teu povo. É esta divina maneira de ver bem, belo e bom (episképtomai), que diz o bispo (epískopos) e a visita ou visitação pastoral (episkopê) (Lucas 1,78; 7,16; 19,44).
       É nesta toada de comovida oração que saúdo e abraço a bela, antiga e ilustre Diocese de Lamego, todos os filhos e filhas de Deus que nela levantam as mãos e o coração para Deus, desde os mais pequeninos até aos mais idosos, todos e todas as comunidades e paróquias, com os/as seus/suas catequistas, cantores, acólitos, leitores, zeladoras, confrarias, movimentos, ministros da comunhão, animadores da caridade, seminaristas, institutos religiosos e seculares, diáconos, presbíteros, serviços e secretariados, colégio de consultores e cabido da Sé Catedral, e o meu querido amigo e irmão no episcopado, D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho, a quem saúdo com particular afeto.
       Estarei amanhã [domingo], Dia da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, em comunhão com todos vós na celebração do Dia da Igreja Diocesana, e sentirei convosco «A Família e a Igreja nos caminhos da Nova Evangelização». Que o Senhor a quem servimos e que nos mandou servir os nossos irmãos mais pequeninos encha das suas graças o jovem Ricardo Jorge Ribeiro Barroco, que amanhã receberá a Ordenação Diaconal. Para todos invoco a bênção de Cristo Rei, e a proteção de S. Sebastião, Padroeiro da nossa Diocese de Lamego, e de Maria, Mãe de Deus e nossa mãe, que particularmente invocamos como Nossa Senhora dos Remédios.
       Quero, nesta hora de graça, manifestar também o meu afeto e gratidão à Igreja Bracarense, que Deus me deu a graça de servir nos últimos quatro anos. O meu abraço grato e fraterno ao Senhor Arcebispo Primaz, D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga, e ao Senhor Manuel da Silva Rodrigues Linda., que tem sido comigo Bispo Auxiliar. As minhas mais afetuosas saudações a todos aqueles que, nestes quatro anos, Deus colocou no meu caminho: presbíteros, diáconos, seminaristas, fiéis leigos empenhados no «trabalho do amor» (1 Tessalonicenses 1,3) e o bom povo de Deus, a quem tanto fico a dever.
       À Igreja de Lamego que servirei agora, à Igreja de Braga que servi nestes quatro anos, à Sociedade Missionária da Boa Nova que me acolheu desde criança e em cujo seio aprendi a dilatar o coração, e a todas as Igrejas por onde tive a graça de passar e de servir, a todos peço que «luteis comigo na oração» (Romanos 15,30) para que eu possa ser sempre fiel à causa do Evangelho. Esta hora de graça serve ainda para atestar a minha fidelidade, comunhão e gratidão ao nosso Papa Bento XVI, e também a minha lealdade e comunhão ao Senhor Núncio Apostólico em Portugal, D. Rino Passigato, e a todo o Colégio Episcopal.

Braga, 19 de novembro de 2011, Memória de Santa Maria no Sábado
D. António José da Rocha Couto

Falaste bem, Mestre...

       E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos». Então alguns escribas tomaram a palavra e disseram: «Falaste bem, Mestre». E ninguém mais se atrevia a fazer-Lhe qualquer pergunta (Lc 20, 27-40).
        No tempo de Jesus existiam vários grupos, fações. Um desses grupos, os saduceus, classe dos comerciantes, preocupava-se sobretudo com o que era material, com o que poderia dar dinheiro. Era um grupo materialista. Os seus membros não acreditavam na ressurreição dos mortos.
       Aproximam-se de Jesus e colocam-lhe um "problema" muito da tradição judaica. Se um irmão tivesse casado e morrido sem descendência, o irmão a seguir desposaria a mesma mulher para desse modo lhe dar descendência, e se este, por sua vez, também não deixasse descendência, o seguinte assumia a responsabilidade de casar com a mesma mulher a fim de lhe dar a descendência. Ora sucedeu que sete desposaram a mulher, mas todos morreram sem descendência, com qual deles ficaria ela na vida eterna?
A resposta de Jesus é clara e inequívoca, na vida eterna nem se casam nem se dão em casamento. É uma realidade distinta da terrena e história.
       Por outro lado, Jesus evoca a Sagrada Escritura, na ocasião em que Moisés vai falar com Deus, tratando Deus como o "Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob", ou seja, um Deus de vivos e não de mortos. Como Moisés é uma referência fundante e fundamental para todos os judeus, esta referência de Jesus é conclusiva e não merece reparos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A felicidade à mão de semear!

Há quem pergunte: por que é que alguns dos meus companheiros andam tão felizes e eu não? Não tenho também porventura o direito à felicidade?

Não há receitas para se ser feliz. Nem certamente alguém poderá dizer de verdade que é realmente feliz. Contudo, podemos ter atitudes que podem tornar os nossos dias mais alegres.
Damos 5 sugestões:

1. O LADO POSITIVO
       Em vez de vermos o lado negativo das coisas, é bom vê-las com outros olhos. É o caso do copo meio cheio. O optimista fica satisfeito porque está com líquido até meio. O pessimista vê a parte vazia e lamenta-se.

2 . TER UM PROJECTO DE VIDA
       Cada qual deve ter um projecto a realizar a curto, a médio e a longo prazo. Que seja um projecto belo, que ajude a ser mais humano e mais solidário. E empenhar-se activamente na sua realização. O trabalho dá alegria.

3. INTELIGÊNCIA E CORAÇÃO
       Cada qual deve exercitar a sua inteligência, sentindo alegria de fazer sempre novas descobertas. Mas deve também exercitar o coração, escutando as pessoas, conhecendo-as melhor e amando-as como a nós mesmos.

4. NÃO ESPERAR PELOS OUTROS
       Isto significa que será cada qual a assumir o seu destino, sem estar à espera que nos venham servir a felicidade numa bandeja. Ajudados por uns e estorvados por outros, somos nós os responsáveis da nossa vida.

5. FAZER NOVAS AMIZADES
       É bom ter o nosso grupo de amigos, em quem confiamos e com quem nos sentimos felizes. Mas é saudável encontrar outras pessoas, conquistar novas amizades, dedicando-lhes o nosso tempo, torná-las felizes.

in Revista Juvenil, Outubro 2010, n.º 539

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Pedacinho de DEUS

       Esta é uma canção proposta no manual de EMRC do 6.º Ano de escolaridade. Na unidade letiva 1 - Sou Pessoa - Deus é-nos apresentado como PESSOA, que Se relaciona connosco, e que nós trazemos em nós, a nossa identidade fala-nos de Deus, trazemos em nós os traços da divindade, com a mesma capacidade criativa para amar e ser amado, para construir, para renovar, para fazer "coisas novas". Pedacinho de Deus recorda-nos o que há de melhor em nós.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Parábolas sobre o Céu e o Inferno

       Quando frequentava o sétimo ano de escolaridade, há uns anos largos, o Livro de EMRC, trazia uma pequena história/parábola sobre o céu e o inferno:
Dois burros presos um ao outro, com dois fardos de erva, de cada lado. Cada um puxava para o seu monte e a corda não dava para que os dois chegassem ao respectivo monte em simultâneo. Cada um procurava comer do monte de erva que tinha pela frente. Resultou infrutífero. Era o inferno. Numa situação posterior, os dois burros juntaram-se e comeram primeiro de um monte e depois do outro. É o Céu. A partilha leva-nos a lucrar a todos. O egoísmo prejudica-nos a todos.
Uma outra parábola, recolhida sobre esta temática, cuja origem desconhecemos:
Pessoas com um rico manjar pela frente, à base de arroz. Uma condição: para comerem tinham que usar os pauzinhos (comer como os chineses), com dois metros de cumprimento. Cada qual tentava comer o seu manjar, sem se preocupar com o outro, apenas com a preocupação de não deixar nada. Nenhum conseguia comer. Era o inferno. A outra situação mostrava o mesmo manjar delicioso, com as pessoas, alegres e sorridentes, a estenderem a comida à pessoa que tinham à sua frente. Era o Céu. Todos conseguiam comer, saborear, apreciar o outro a comer!!! Partilha e solidariedade.
       Por vezes pequenas gestos decidem a vida e podem alterar o mundo que nos envolve. A atitude é fundamental. Uns diante das imensas dificuldades que a vida lhes coloca, lutam, lutam até vencerem. Outros, com tantas oportunidades mas que não mexem uma palha. Deixam como está. Mas como a história é dinâmica, deixar como está é contribuir para tornar o mundo pior.
       Não cabe aos outros decidir. Cabe a cada um de nós. A felicidade bate-nos à porta, tantas vezes, de tantas maneiras diferentes, em ocasiões diversas. escolhamos ser felizes com os outros. Se ainda assim for difícil, deixemo-nos surpreender por Deus...

Outros textos sobre esta temática, neste nosso blogue.
Ao procurarmos uma imagem que ilustrasse este post, encontramos a segunda imagem também blogada e talvez mais fiel à parábola original, aqui!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

CEP - Esperança em tempo de crise

MENSAGEM dos BISPOS de PORTUGAL:

       Estimados concidadãos e também vós, os imigrantes que connosco constituís Portugal, neste difícil fim de 2011:
       É com inteira proximidade e muito afeto que vos dirigimos esta mensagem, querendo assinalar o nosso compromisso com todos, especialmente os mais atingidos pela presente crise e as grandes interrogações que ela levanta.
       Atravessamos dificuldades grandes, como grandes são as incertezas quanto ao futuro, tanto na economia como na vida social, para a generalidade dos cidadãos e muito especialmente os mais pobres e frágeis. Como bispos católicos, devemos e queremos estar absolutamente com todos, em especial com quem mais precisa de palavras e gestos de esperança: esta nasce da solidariedade e de um Deus que nunca nos abandona. Na compreensão cristã da vida, a generosidade e a coragem com que se superam as dificuldades são fermento de uma sociedade nova.
       Não é a primeira vez na nossa história que os sobressaltos na vida habitual e nas expectativas normais se tornam ocasiões de consciencialização e decisão coletivas. Aproveitemos este momento, que não desejávamos, para aprofundar valores que não deveríamos esquecer nunca, pois são a própria base duma sociedade justa e saudável.
       É certo que se juntaram fatores externos e internos, como muitas análises, mais ou menos coincidentes, não deixam de evidenciar. Excessiva especulação financeira e pouca consistência económica somaram-se negativamente e tanto nos enfraqueceram internamente como nos prejudicaram internacionalmente. Alimentámos, ou alimentaram-nos, aspirações que agora são impossíveis de concretizar. Falha hoje a própria base material em que tudo o mais se sustenta, ou seja, uma vida económica saudável e suficientemente apoiada pelo investimento e pelo crédito, que garanta trabalho digno para todos: trabalho que é condição indispensável para o sustento e a realização das pessoas e das famílias.
       Acompanhamos o esforço dos vários responsáveis nacionais e internacionais, agora mais premente pela magnitude dos problemas. É cada vez mais claro que a política internacional não pode reduzir-se, nem muito menos submeter-se, a obscuros jogos de capital que fariam desaparecer a própria democracia. Esta só acontece onde todos se reconhecem, respondendo cada um pelo que faz ou não faz, à luz de valores e direitos que a todos interessam e suportam. O capital provém do trabalho, que, realizando a pessoa humana, mantém prioridade absoluta. Nem podemos abster-nos da vida democrática, nem devemos cair nas mãos de novos senhores sem rosto. Também aqui se há de respeitar a verdade, condição básica da justiça e da paz.
       Nesta curta mensagem, que pretende ser um sinal de presença, oferecemos o que nos é mais próprio como Igreja Católica em Portugal:
– A nossa solidariedade ativa, como é exercida diariamente pelas instituições sociais católicas, com todas as possibilidades que tivermos e em franca colaboração com tudo o que se faça na sociedade em prol de um bem que tem de ser verdadeiramente comum e não deixe ninguém em condições desumanas.
– A nossa insistência nos valores e princípios fundamentais da doutrina social da Igreja, que aliás compartilhamos com a racionalidade humana em geral, concretizando-se em quatro pontos axiais: a dignidade da pessoa humana; o bem comum; a subsidiariedade, que suscita e apoia a contribuição específica de cada corpo social; e a solidariedade, expressão da fraternidade, que nunca procura o bem particular sem ter em conta o bem de todos.
– A certeza, mais uma vez afirmada, de que compartilhamos “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias” dos nossos concidadãos, querendo reproduzir agora os sentimentos daquele Cristo, que tendo nascido há dois mil anos, quer “renascer” também no Natal que se aproxima – e com a mesma luz para idênticas trevas.
Com todos e cada um de vós,
Os Bispos de Portugal

Fátima, 10 de novembro de 2011

O lodo e as estrelas

       Chegou-nos, há poucos dias, este pequeno grande livro, do Pe. Telmo Ferraz, da Casa do Gaiato, e que agora recomendamos vivamente.
O autor:
       Pe. José Telmo Ferraz é bem nosso conhecido. Amigo de famílias que encontrou em Angola, tem vindo a cada passo a Tabuaço, para connosco celebrar Eucaristia, por alguns daqueles que o Senhor já chamou a Si. Há alguns anos atrás, responsável pelo grupo da LIAM, vinha com muita frequência, na promoção missionária, em encontros de oração e de reflexão, pelo que é também bem conhecido da comunidade paroquial.
O Lodo e as Estrelas:
       surpreendeu-nos em todos os sentidos, uma vez que desconhecíamos que o autor tivesse posto em livro memórias do seu trabalho na Casa dos Gaiatos, junto das pessoas mais fragilizadas e mais desprotegidas, em Portugal e por terras de Angola.
       Na construção das "barraiges", entre 1955 e 1959, por exemplo em Picote, em que muitos trabalhadores, para sustentar as famílias, estragam a vida por 25$OO (vinte e cinco escudos, para hoje: € 0,125), nas doenças dos pulmões, acabando sem qualquer protecção social, e com as respectivas famílias a morrer de fome. A presença do sacerdote é um alento para as almas, acompanhando na doença, no desfortúnio, na morte, mas também em momentos de alegria, baptizando os filhos, ajudando com os meios escassos de que dispõe ou que lhe fazem chegar.
       Depois, em terras de Angola, outra realidade portuguesa, também nos idos anos de 1960 e 1961, quando fervilham ódios, conflitos, e se acentua a revolta dos negros contra os brancos, e muitas vezes, na maior das desumanidade, se mata (só) por matar, para vingar, porque alguém mandou, porque é de outra cor... e depois e de novo a pobreza extrema, a miséria, palhotas pequenas para albergar famílias com muitas bocas famintas... e os preconceitos...

O Lodo e as Estrelas (3.ª Edição, Editorial Casa do Gaiato. Paço de Sousa: 1985):
       É também um testemunho de vida, de entrega, de fé. Escrito em prosa, mas com poesia nas palavras, nas frases, nos olhares que se percebem, no amor, na paixão em servir, poesia da fé mas também dos limites humanos. É uma leitura agradável, refrescante, certamente escrita com muitas lágrimas, muitas recordações, mas com a consciência que se deixaram marcas de bem dizer e bem fazer.
       Parabéns aos autor. Surpreendeu-nos, muito sinceramente. E a todos o que poderão tornar-se seus leitores, não vão ficar desiludidos.

O comentário do autor sobre o livro:
       «Apontamentos simples, no quotidiano, de factos tão simples, quase banais - mas nossos, reais. Há neles verdade e sinceridade. Só anseio que, partindo deles, encontres uma vivência que avive um pouquinho o teu amor pelos outros. Sabes a história da primeira parte, na primeira edição. Uma gota d'água causou susto! A esta gota d'água junto em segunda parte uns fios de espuma tecidos em Angola».

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A nossa maratona

No meio daquela multidão cada um se sente, de repente, radicalmente só, ferido pela dor, provado por uma incógnita que não oferece tréguas
       Acho que todas as vidas, mais longas ou mais breves, têm o mesmo comprimento: medem todas quarenta e dois Kms. Porquê? Por que essa é a extensão de uma maratona. Repito: se a vida se parece com alguma modalidade, penso que não anda longe dessa corrida bela e interminável que de uma maneira evidente coloca em prova a resistência, a esperança e a vontade. Hoje vi passar uns largos milhares de corredores e dei comigo a pensar no que faz estas pessoas correr. Não falo dos atletas profissionais que têm aí uma expressão importante da sua vocação e do seu talento. Falo destes milhares de mulheres e de homens comuns, que ao longo de um ano arranjam com esforço um tempo livre para os treinos necessários e que anualmente acorrem à maratona não para competir uns com os outros, mas talvez por alguma razão mais profunda, que nos endereça para zonas silenciosas do nosso próprio coração. Eles correm porquê? Muito simplesmente para se sentirem vivos ou a reviver. Para se lançarem a si próprios um desafio. Para sentirem, de forma mais palpável, que as múltiplas corridas em que quotidianamente se embrenham (em que nos embrenhamos) convergem para uma meta.
       De que a maratona é uma parábola da vida não restam dúvidas quando ouvimos um maratonista descrever a sua experiência. O arranque, com o entusiasmo e a quase euforia. Depois a comunhão com os outros corredores e com o público que assiste. As palmas tornam-se um encorajamento e as palavras de confiança um redobrar da confiança própria. Nesta etapa nem se sente o chão e cada corredor como que levita. Diz quem sabe que as coisas mudam mais ao menos ao Km vinte e cinco. O desgaste físico e as primeiras incertezas trazem um abatimento interior inesperado. No meio daquela multidão cada um se sente, de repente, radicalmente só, ferido pela dor, provado por uma incógnita que não oferece tréguas. “É a primeira crise?”- perguntamos. Um maratonista ri-se e dirá que daí para a frente é só crises. E, por isso mesmo, ele tem a cada momento, na adversidade, de restaurar a possibilidade da esperança. A confiança não é um garantido seguro, mas uma marcha no aberto, para não dizer no desprovido. E, verdadeiramente, os corredores vacilantes que cruzam a meta não se podem queixar. A primeira parte desta maratona, por exemplo, era feita por mulheres e homens em cadeiras de rodas, e muitos deles não tinham pernas.

José Tolentino Mendonça, Editorial da Agência Ecclesia

domingo, 13 de novembro de 2011

Pontos Cardeais (PC) - Tabuaço

       Uma visita guiada pelo Concelho de Tabuaço, pela história, tradições, pelos monumentos, por paisagens deslumbrantes:

PC-Tabuaço from Luisdemar Rodrigues on Vimeo.

sábado, 12 de novembro de 2011

Deixando-me perdoar, aprendo a perdoar...

       "Importante é também o sacramento da Penitência. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas – assim disse ele – o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o facto de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento.
       E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo".

São Josafat, Bispo e Mártir

       Nasceu na Ucrânia, cerca do ano 1580, de pais ortodoxos. Abraçou a fé católica e entrou na Ordem de S. Basílio. Ordenado sacerdote e eleito bispo de Polock, dedicou se com grande empenho à causa da unidade da Igreja, pelo que foi perseguido pelos seus inimigos e morreu mártir em 1623.
Oração de Colecta:
       Intensificai, Senhor, na vossa Igreja a acção do Espírito Santo, que levou o bispo São Josafat a dar a vida pelo seu povo, e concedei-nos, por sua intercessão, que, fortificados pelo mesmo Espírito, não hesitemos em dar a vida pelos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Seminário e a generosidade e a tolerância


       O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da tolerância, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Seminário.
       Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser.
       Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à protecção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. A todos vos abençoe Deus omnipotente Pai, Filho e Espírito Santo.

Seminaristas e a piedade popular...

(Bento XVI em Santiago de Compostela)

       Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, é sempre também muito semelhante, porque, no fim de contas, o coração do homem é o mesmo. É certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, às vezes, talvez mesmo para a exterioridade. No entanto, excluí-la, é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. Por isso a piedade popular é um grande património da Igreja. A fé fez-se carne e sangue. Seguramente a piedade popular deve ser sempre purificada, referida ao centro, mas merece a nossa estima; de modo plenamente real, ela faz de nós mesmos «Povo de Deus».

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Deus não é só uma palavra...

        Para nós, Deus não é só uma palavra.
       Nos sacramentos, dá-Se pessoalmente a nós, através de elementos corporais. O centro da nossa relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia; celebrá-la com íntima participação e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas.
       Para além do mais, São Cipriano interpretou a súplica do Evangelho «o pão nosso de cada dia nos dai hoje», dizendo que o pão «nosso», que, como cristãos, podemos receber na Igreja, é precisamente Jesus eucarístico. Por conseguinte, na referida súplica do Pai Nosso, pedimos que Ele nos conceda cada dia este pão «nosso»; que o mesmo seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado, que Se nos dá na Eucaristia, plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino.
    Para uma recta celebração eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Deus não se retirou com o "big-bang"...


       "Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do «big-bang».
       Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar connosco.
       Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo.
       O sacerdote... é o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si.
       Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contacto com Deus. Quando o Senhor fala de «orar sempre», naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contacto interior com Deus. Exercitar-se neste contacto é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo facto de que Deus está perto de nós e podemos servi-Lo".
(Bento XVI em Espanha)

Oração pelos Seminários - Diocese de Lamego

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Oração na Semana dos Seminários

Senhor Jesus, Bom Pastor,
que em obediência ao Pai
dais a vida pelas ovelhas,
concedei-nos as vocações sacerdotais
de que a Igreja e o mundo tanto necessitam.

Fazei que as nossas famílias e comunidades
sejam campo fértil, onde possam germinar.
Abençoai o trabalho apostólico
dos sacerdotes, catequistas e educadores
para que acompanhem a vocação sacerdotal
daqueles que escolheis.

Dai aos jovens seminaristas a coragem de Vos seguir
e o dom de configurarem o seu coração com o Vosso.
E que Santa Maria, Vossa Mãe, Rainha dos Apóstolos,
os guie e proteja, até chegarem a ser
pastores consagrados a Deus e ao seu Povo.
ÁMEN.
»» oração proposta pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

domingo, 6 de novembro de 2011

Mensagem de D. Jacinto: Semana dos Seminários

       De 6 a 13 de Novembro decorre, como nos anos transactos, a Semana dos Seminários.
 (Seminário Maior de Lamego e Seminário Menor de Resende)

       Ela terá na nossa diocese este ano um particular significado, atendo à celebração jubilar da inauguração do novo edifício do Seminário Maior, realização dum sonho alimentado ao lon­go de gerações, depois do esbulho realizado pelo Governo a seguir à proclamação da República.
       Como há cinquenta nos testemunhou o Senhor D. João, o grande Prelado do empreendi­mento, aquela construção foi um milagre da Providência. Poderemos dizer que fruto da Graça é toda a missão que o Seminário ao longo dos anos vem desenvolvendo no serviço da formação dos novos sacerdotes. Tem todo o sentido a aplicação da Palavra da Escritura: Se o Senhor não edificar a Sua casa, em vão trabalham os que a constroem.
       Por isso voltamos a pedir-vos a riqueza da vossa oração, lembrando a recomendação de Jesus: Rezai ao Senhor da Messe para que envie operários para a Sua seara. Recordemos o pensamento que Sua Santidade, Bento XVI, escreveu no seu livro Jesus de Nazaré: “O chama­mento dos discípulos é um acontecimento de oração – são por assim dizer gerados na oração, na intimidade com o Pai. […] Os trabalhadores da messe de Deus não se podem escolher sim­plesmente como um empresário procura os seus operários: mas devem ser pedidos a Deus, e por Ele mesmo serem escolhidos para este serviço.” 
       Sabemos como sempre a piedade da oração é sumamente valorizada com o sacrifício voluntário, nomeadamente quando ele é expressão do esforço da conversão que nos é pedida, para garantir a autenticidade de cristãos.
       Contamos convosco, caríssimos diocesanos, com a solicitude das vossas preces e da vos­sa mortificação. Não podemos dispensar a caridade desta comunhão. Tomai consciência que os seminários são vossos, são casas que vos pertencem e as suas equipas formadoras e os nossos seminaristas ficam contentes com a vossa visita, sinal do vosso carinho e da vossa solidariedade.
       Há cinquenta anos, no discurso da inauguração, sublinhou o Senhor D. João os grandes sacrifícios pedidos aos cristãos da Diocese e a sua exemplar generosidade. Sempre os seminá­rios se mantiveram com a caridade dos fiéis. Num tempo tão difícil como o que vivemos e ex­perimentamos, limitadíssimos nas economias, compreendereis que a vossa esmola, muito mais sacrificada, dadas as circunstâncias, é particularmente necessária, mas, como o óbolo da viúva, provocará a resposta gratificante do Senhor que se não deixa vencer em misericórdia.
       Que Jesus, Maria, Senhora de Lurdes, Ana e José, padroeiros dos nossos seminários, os abençoem e cubram com a sua protecção todos os fiéis da Diocese de Lamego.

+ Jacinto Tomaz de Carvalho Botelho, Bispo de Lamego

sábado, 5 de novembro de 2011

XXXII Domingo do Tempo Comum (ano A) - 6 de Novembro

       1 – "Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora".
         Na semana em que celebrámos a eternidade, na solenidade de Todos os Santos e na evocação dos fiéis defuntos, e quando nos aproximamos do final do ano litúrgico, a Palavra de Deus interpela-nos para a vivência do tempo presente, como resposta vivida e antecipada perante o desenlace certo da nossa existência na história e no tempo.
       Sabemos que a nossa permanência na terra não é para sempre, tal como nos conhecemos, de carne e osso, alma e corpo. Há-de chegar um dia, que não sabemos quando será, em que terminará a nossa caminhada. Nesse sentido, temos várias escolhas, tais como cruzar os braços e esperar que cheguem ao fim os nossos dias, viver com amargura por sabermos que a nossa vida é efémera e que não podemos fazer nada para alterar esse facto, deixar que outros decidam por nós a vida que nos foi dada por amor, lamentar-nos pelos momentos de fragilidade, na doença, na solidão, na morte de familiares, amigos e vizinhos e pelas contrariedades quotidianas, ou viver com garra, comprometidos em dar o nosso melhor para tornar o mundo à nossa volta mais habitável, mais justo, mais fraterno, conscientes que não estamos dispensados do sofrimento e da própria morte.
       A comemoração dos fiéis defuntos coloca-nos numa atitude de gratidão por tudo o que os antepassados nos legaram. Agora é a nossa vez e o tempo de fazermos alguma coisa pelos outros e pelo mundo que habitamos, para o deixarmos a outros melhor do que o encontramos. É o nosso compromisso, a nossa sina, se queremos dar sentido à nossa vida terrena.
       Do mesmo modo, a celebração dos SANTOS nos recorda que muitos homens e mulheres, de todas as raças, cores e feitios, tornaram úteis as suas vidas e fizeram com que as qualidades pessoais estivessem ao serviço dos outros, na promoção da paz, da justiça, do bem pessoal, familiar e social. Eles cumpriram. Viveram não apenas para si mesmos, mas no serviço caritativo aos demais. Foram rosto de Deus para os irmãos. Agora está nas nossas mãos.

       2 – Jesus conta-nos mais uma parábola sobre o reino de Deus, mas desta feita sobre a hora em que estaremos na presença de Deus, na passagem deste mundo para a eternidade. 10 virgens, cinco sensatas e cinco imprudentes. Quem vai para o mar prepara-se em terra. Depois não há nada a fazer. Não se pode voltar para trás, o barco segue o seu rumo, também a vida segue connosco ou sem nós, nem abandonar o barco, seria desistir de nós e comprometer a viagem dos outros, somos sempre co-responsáveis uns pelos outros.
        Cinco virgens preparam-se para serem recebidas pelo noivo, as outras cinco deixam-se dormir. Quando se aproxima a hora dão-se conta que não têm azeite para manter acesas as suas lâmpadas. Que fazer? Ir à procura de azeite? E por que não pedir às outras cinco virgens? Mas depois nem umas nem outras terão azeite suficiente! Pelo menos cinco ficam garantidas. Vão então à procura de azeite, mas quando regressam a porta já está fechada.
       Voltemos à história do mar. Imaginando 10 tripulantes que deveriam levar alimento para todos os dias da viagem, mas cinco esqueceram-se de levar a sua parte, ou por pensarem que o dos outros chagava, ou que iriam encontrar alimento alternativo. Que fazer? Os cinco que se prepararam em terra dividem, correndo o risco de morrerem todos à fome uma vez que, dividindo, o alimento só dá para meia viagem?!
       A questão colocada na parábola é pertinente e obriga-nos a pensar a nossa vida a partir do fim, a partir do cemitério, a partir da eternidade. Quando morrermos, já nada poderemos fazer, a não ser confiar na misericórdia de Deus. Porquanto, com mais ou menos talentos, com mais ou menos contrariedades, ainda podemos fazer algo por nós, pelos outros, pelo mundo em que vivemos e pelo qual também somos responsáveis. Podemos lamentar-nos. Ou podemos fazer (ou pelo menos tentar) a nossa parte, fazendo o que está ao nosso alcance, deixando que Deus opere em nós, abrindo-nos à Sua graça e à Sua força, movendo-nos para que os nossos braços, a nossa voz, os nossos passos, possam prestar-se a realizar a vontade de Deus, o que Lhe é agradável: nossa e a felicidade dos outros, vivendo na caridade.

       3 – Nesta lógica, o Apóstolo São Paulo, acalenta a nossa esperança: "Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido... Consolai-vos uns aos outros com estas palavras". A morte e a ressurreição de Jesus antecipa o que sucederá connosco.
       A morte temo-la como certa, só não sabemos nem o dia nem a hora. A ressurreição é uma garantida da nossa fé em Jesus e da fé na eternidade e no próprio Deus. Não adiantaria de muito ter um Deus que não assegurasse o nosso futuro, preservando a nossa identidade e a nossa memória. Com a morte perder-nos-íamos para sempre. De pouco teria valido, nesse caso, fazermos algo de bom, pois seria esquecido, ainda que tivesse tido a dita de nos fazer sentir bem connosco.
       A esperança na ressurreição dos mortos, seguindo a Ressurreição de Jesus Cristo, exige que vivamos n'Ele, para que Ele, que nos atrai de junto de Deu, nos leve (e eleve) para Deus. Consolamo-nos com estas palavras, para estarmos vigilantes e vivermos procurando imitá-l'O no perdão e na caridade.
       Com este propósito, procuremos a sabedoria que nos vem do alto: "a Sabedoria é luminosa e o seu brilho é inalterável; deixa-se ver facilmente àqueles que a amam e faz-se encontrar aos que a procuram", para que os nossos caminhos não se afastem do d'Ele, Senhor nosso Deus.


Textos para a Eucaristia (ano A): Sab 6,12-16;1 Tes 4,13-18; Mt 25,1-13.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Sê bondoso para contigo!

Ser bondoso para contigo significa
olhares para ti com humanidade.
Ser bondoso significa sentires-te bem contigo próprio.
É reconhecer a criança ferida que existe em ti
e usares de misericórdia para com ela;
olhar para as próprias feridas
com o olhar compassivo do coração
e agir com uma dedicação sincera.
Não deves enfurecer-te com as tuas próprias fraquezas,
mas sim olhá-las com amor e aceitá-las.
Só um olhar carinhoso pode fazer com que as nossas fraquezas se transformem.

Não dificultes a tua vida
ao levar demasiado a sério aquilo que não te agrada em ti
e o que te aborrece nos outros.
Vive e deixa viver.
Vê para lá das coisas.

Sê criativo na forma como levas alegria
à vida das pessoas que vais encontrando.
As rosas que fazes florescer para os outros
não perfumam apenas a vida delas.
Também inebriam a tua.
Também enchem o teu coração de amor e alegria.
Sempre que te aproximas dos outros,
há algo em ti que se agita, que te faz sentir livre e expansivo.

Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade", a partir de ABRIGO dos SÁBIOS 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Perto da fogueira - estória para refletir...

       Era uma vez um grupo de jovens. Estavam sentados numa floresta, a conversar.
       Quando a noite os cobriu com o seu negro manto, fazia frio. Juntaram alguma lenha e com ela acenderam uma fogueira.
       Estavam sentado e bem juntos, enquanto o fogo os aquecia e a claridade da chama iluminava os seus rostos.
       Um deles, a um certo momento, não quis conviver mais tempo com os seus companheiros. Pegou num tição ardente da fogueira e foi para um lugar distante dos outros.
       O seu tição, no princípio, brilhava e aquecia. Mas não foi preciso muito tempo para se apagar.
       O jovem foi submergido pela escuridão e pelo frio da noite. Pensou uns momentos, pegou no seu tição apagado e foi juntar-se aos companheiros. Estes acolheram-no fraternalmente.
       Meteu o tição apagado na fogueira comum e este voltou a acender-se. A claridade da chama iluminava de novo o seu rosto. Passou da tristeza à alegria.

in Revista Juvenil, n.º 549, novembro 2011.

Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor

        Nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, morremos para o Senhor. Portanto, quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. Na verdade, Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. Mas tu, porque julgas o teu irmão? Porque desprezas o teu irmão? Todos havemos de comparecer diante do tribunal de Deus, como está escrito: «Por minha vida, diz o Senhor, todo o joelho se dobrará diante de Mim e toda a língua dará glória a Deus». Portanto, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus (Rom 14, 7-12).
        A mensagem do Apóstolo São Paulo aos romanos, e para todos nós, é um desafio para vivermos, todas as situações, em Cristo Jesus. Faça calor ou faça frio, nos momentos agitados e nos momentos calmos da vida, nas alegrias e nas contrariedades, façamos tudo para sermos agradáveis ao Senhor. O referencial é Jesus Cristo que morreu e ressuscitou por nós. A pergunta de Paulo é por demais pertinente, se só Ele é o Senhor dos vivos e dos mortos por que é que continuamos a julgar-nos uns aos outros? Por que é que desprezamos os irmãos?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Solenidade de Todos os Santos - 1/Novembro

       1 – “Homens sede homens”. As palavras do Papa Paulo VI, em Fátima, no dia 13 de Maio de 1967, remetem-nos para a raiz da nossa identidade.
       Se levarmos a sério a nossa humanidade, na abertura aos outros e aos desafios que a vida nos coloca, chegaremos, como cristãos, à interpelação de Jesus: “sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste” (Mt 5, 48).
       Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, não na aparência das formas, mas na capacidade de amar, de criar, de cuidar do mundo em que vivemos, de promover laços que nos relacionem reciprocamente no bem, na justiça e na paz.
       Em Cristo Jesus, com a Sua morte e ressurreição, somos assumidos como filhos de Deus e, concomitantemente, como irmãos de Jesus. Ele vem para viver a humanidade em plenitude e nos ensinar, com as Suas palavras e gestos, a viver humanamente. É a nossa natureza humana que Ele coloca à direita de Deus Pai, donde nos atrai constantemente.
       Temos as ferramentas para chegarmos ao Céu, como pessoas e como crentes. Ele desvendou-nos o mistério da nossa salvação.

       2 – A vocação universal à santidade, veiculada pelo Concílio Vaticano II, decorre da nossa identidade cristã. Não é uma opção aleatória, é uma consequência natural do ser cristão/cristã.
       O nosso compromisso baptismal aponta claramente nesse sentido: amar a Deus e ao próximo como Jesus nos ensinou, viver ao jeito do Mestre.
       Fez-Se um de nós, assumindo as nossas limitações e finitude, para nos elevar para Deus, para nos guiar pelo caminho da santidade. Vive humanamente, carrega, como filho de Deus, as nossas dores, sofrimentos e pecados, traz luz onde só existia treva. Na Sua cruz, Ele leva o amor até às últimas consequências, morre por amor à humanidade.
       Os SANTOS branquearam as suas vestes, a sua vida, no sangue do Cordeiro; neles a oração fez-se partilha solidária no serviço ao próximo. Iluminados em Cristo, pelo Espírito de Amor, transformaram a sua fé em dádiva a favor dos irmãos.

       3Cada um de nós é santo (em potência). Lembremos que os cristãos inicialmente eram, precisamente, chamados de santos. Ser cristão é ser santo, ou caminhar na santidade.
       A Igreja reconhece e propõe alguns como referência e estímulo, como promessa e como certeza que Deus continua a actuar na humanidade, em nós e através de nós.
       Eles fizeram o seu caminho – quer os que oficialmente são reconhecidos, quer os muitos e muitos santos que ficaram no anonimato, mas que vivem no coração de Deus –,  com mais ou menos dificuldades, mais popular ou mais discretamente, na família, na Igreja, na sociedade, nos conventos, nas missões, em ambientes cristãos, em lugares adversos ao cristianismo. Eles cumpriram, com a ajuda de Deus.
       Hoje, somos nós a geração dos que procuram o Senhor, que procuram a face de Deus”. Contudo, não caminhamos sozinhos. Deus caminha connosco. Envia-nos o Seu Filho que nos dá o Espírito Santo, com a Sua morte e ressurreição. Em cada Sacramento, o Espírito Santo devolve-nos Jesus Cristo.
       Caminham connosco, igualmente, os SANTOS que iluminam, exemplificam, testemunham, com as suas vidas e intercessão, a vida nova que receberam de Deus.
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Textos para a Eucaristia (ano C): Ap 7,2-4.9-14; 1Jo 3,1-3;  Mt 5,1-12

Reflexão na página da Paróquia de Tabuaço
(Reposição da reflexão de 2010)