terça-feira, 26 de abril de 2016

Tabuaço - Confraternização dos grupos paroquiais

       No dia 16 de abril, ao fim da tarde, no Centro Paroquial de Tabuaço, encontro, convívio e confraternização das pessoas mais envolvidas nas atividades da paróquia, membros dos vários grupos paroquiais, conselho económico, catequistas, grupo coral, acólitos, GJT, leitores, participantes nas celebrações da Semana Santa e na Visita Pascal.
       Um momento diferente mas que ajuda a estreitar laços de amizade, fortalecendo também o compromisso com a comunidade paroquial.
       Algumas fotos deste dia:

Outras na página da Paróquia de Tabuaço no Facebook.

sábado, 23 de abril de 2016

5.º Domingo da Páscoa - ano C - 24 de abril de 2016

       1 – «Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».
       Durante a Última Ceia, Jesus fala-lhes do tempo em que não estará materialmente entre eles, deixando-lhes a síntese e o essencial da Sua mensagem. Para serem Seus discípulos, e reconhecidos como tal, terão de se amar uns aos outros como Ele os amou. É a única condição. Para eles e para nós, discípulos do mundo atual.
       2 – Um Pai, vendo aproximar-se a hora da morte, chamou os seus 10 filhos para lhes revelar os últimos desejos. Todos os filhos vieram para junto do seu leito. Pediu que cada um pegasse num vime, a começar pelo mais novo, e o partisse. Um a um, todos partiram facilmente o vime que lhe calhou em sorte. Depois pediu ao filho mais velho que pegasse em 10 vimes, os juntasse e os partisse ao meio. Tentou uma e outra vez, mas não conseguiu. Pediu que os outros filhos tentassem, mas nenhum obteve melhor resultado. Perguntou-lhes que lição a tirar desta experiência. Uma única conclusão: juntos é possível enfrentar os maiores obstáculos. A união faz a força!
       Quando um pai vai para longe, durante um certo período de tempo, chama os filhos e pede-lhes para se portarem bem e ajudarem nas tarefas de casa, para fazer os trabalhos da escola, para ajudarem a mãe. Ao mais velho pedir-lhe-á para ajudar a mãe a tomar conta dos irmãos e da casa.
       Quando alguém está para morrer, e sabe disso, chama os que que são mais próximos e manifesta-lhes o que ainda gostava de fazer e quais as suas últimas vontades. Quem lhe quer bem, tudo fará para concretizar os seus pedidos. Outra forma de o fazer é através do testamento, como partilha dos seus bens mas também de projetos que gostaria de ver realizados. Por exemplo, os Papas Paulo VI ou João Paulo II deixaram testamentos sobre alguns os poucos bens materiais e sobretudo os seus escritos, mensagens, o que gostariam que permanecesse do Seu ministério.
        O Testamento de Jesus é este: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.
       3 – O que diz no final, Jesus viveu-o, amadureceu-o, experimentou-o ao longo de toda a sua vida. A família de Nazaré, como tantas famílias naquele tempo e naquela região, passou por diferentes situações que, por certo, ajudaram a amadurecer a união e a entreajuda, o acolhimento dos estrangeiros e a delicadeza para com os vizinhos. Durante algum tempo, Maria e José, e o Menino Jesus, refugiaram-se no Egito, regressando a Nazaré. Uma cidade-aldeia em que todos são vizinhos, e talvez todos com laços de sangue, e se auxiliam para sobreviver e enfrentar as dificuldades.
       Intuímos, facilmente, uma vida honrada, simples, com poucas coisas, de trabalho e muitas vezes de sacrifício. Vive-se com pouco. Os elevados impostos do Templo e do Império e das autoridades locais não permitem uma vida desafogada. Jesus cedo percebe as dificuldades mas também as injustiças infligidas às famílias de Nazaré, bem como a sobrecarga de leis e de preceitos. 613 Mandamentos, 365 negativos (correspondem aos dias do ano solar) e 248 positivos, tantos como os órgãos do corpo humano. Não seria fácil cumprir tantos preceitos, ainda que em Nazaré a influência do Templo e dos seus dirigentes não fosse tão sufocante como em Jerusalém.
       A delicadeza e a docilidade de Jesus vêm-lhe de um ambiente de fraterna entreajuda. Todos se envolvem nos problemas uns dos outros para ajudar. A sobrevivência, o pão de cada dia, depende desta solidariedade. Também aí se manifesta a fé e a confiança em Deus, o que lhes traz paz diante da prepotência dos dirigentes e os motiva para enfrentar as dificuldades. Lidam com estrangeiros que passam e que precisam de abrigo e de pão. A Lei "obriga" a acolher o peregrino, alimentando-o e, se estiver a cair a noite, abrigando-o, pois também eles foram estrangeiros em terras estrangeiras.
       4 – Durante os três anos de vida pública, Jesus age em conformidade com a educação recebida, com a cultura e a religiosidade do seu povo. A graça de Deus, a sabedoria, levam a valorizar a palavra dada, a ternura e compaixão como formas de criar laços de amizade. Percebendo as injustiças e a inutilidade de muitas leis, terá tudo isso em conta na hora de falar e sobretudo de agir. Coloca-Se do lado dos mais frágeis. Fez isso connosco. Como nos recorda o apóstolo, Ele deu a vida por nós quando éramos pecadores. Com efeito, a própria Encarnação significa a identificação com a humanidade, fez-Se pobre para nos enriquecer com a Sua pobreza, assumindo a nossa fragilidade, gastando-Se na nossa finitude, para nos resgatar ao poder do pecado e da morte.
        Percorrendo os caminhos da Galileia e da Judeia, e da Samaria, indo às suas periferias, Jesus deixa um rasto de perfume, de atenção, de cuidado, de misericórdia. Não se assusta com o mal, com o pecado, ou com o sofrimento, cada pessoa que encontra Lhe lembram o Pai. A miséria das pessoas e das famílias continuam a ser um contraponto para lhes conceder paz, bênção e alegria. Tantos que são espoliados, escravizados, explorados, tantos que não têm lugar nos reinos deste mundo! Jesus dá-lhes prioridade. Agora choram e são perseguidos, mas serão bem-aventurados, porque Deus os ama acima de tudo e os quer no Seu Reino.
       Toda a mensagem de Jesus está condensada no mandamento do amor. Amar, servir, dar a vida, compaixão, proximidade, abaixamento. Modos de agir e de viver. Quem não serve para servir, não serve para viver. Eis que venho, ó Pai, para fazer a Tua vontade. Não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida por todos. Quem de entre vós quiser ser o maior, seja o servo de todos. Estou no meio de vós como quem serve. Quem não se tornar como criança, não entrará no Reino de Deus. O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos a Mim o fazeis. Até ao fim, em todas as horas. Até na Cruz Jesus tem tempo para nós: hoje mesmo estarás comigo no Paraíso. A glorificação de Jesus é a Sua paixão por nós. Tudo se encaixa na Sua entrega. A Sua ressurreição diz-nos que a Sua vida é o Caminho, a Verdade e a Vida se queremos alcançá-l'O e entrar na vida eterna.
       5 – Paulo e Barnabé prosseguem na missão de evangelizar. Permanecem em Antioquia durante um ano. Os membros desta comunidade, inspirados pelo Espírito Santo, enviam-nos para outras terras para anunciarem o Evangelho e formarem discípulos, cumprindo desse modo o mandato de Jesus: ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho as todas as gentes.
        Serão muitas as provações a que estão sujeitos os que se convertem a Cristo e ao Seu Evangelho. Paulo e Barnabé exortam à fidelidade em Deus. Nas comunidades, para que estas não fiquem abandonadas, estabelecem anciãos, sob a ambiência da oração. Atravessam a Psídia e a Panfília, anunciam a Palavra em Perga e descem a Atalia, para regressarem a "Antioquia, de onde tinham partido, confiados na graça de Deus, para a obra que acabavam de realizar. À chegada, convocaram a Igreja, contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos gentios a porta da fé".
       A palavra de Deus que nos é dado escutar neste domingo mostra como a obra da evangelização é de Deus. Mas Deus conta connosco, com a nossa vida, o nosso compromisso, a nossa alegria, o nosso empenho. Deus comunica-Se através de nós.
       Confiemo-nos ao Senhor nosso Deus, que nos enviou o Salvador e nos fez Seus filhos adotivos. Peçamos-Lhe: "Atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna".
        6 – São João, no Apocalipse, faz-nos ver um novo céu e uma nova terra, "a cidade santa, a nova Jerusalém, que desce do Céu, da presença de Deus, bela como noiva adornada para o seu esposo”. É «a morada de Deus com os homens. Deus habitará com os homens: eles serão o seu povo e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; nunca mais haverá morte nem luto, nem gemidos nem dor, porque o mundo antigo desapareceu». 
       Com Jesus, Deus renova todas as coisas e faz-nos participantes da Sua vida. Acolhendo a Sua Palavra, realizando as Suas obras, assumindo-nos como discípulos, cabe-nos, seguidamente, levar a outros esta Boa Notícia, para que todos se encontrem, se descubram e vivam como filhos bem-amados de Deus, novas criaturas, identificáveis pela caridade e pelo perdão, pelo serviço e auto doação, transparecendo o Mestre da Docilidade.

Pe. Manuel Gonçalves

Textos para a Eucaristia (C): Atos 14, 21b-27; Sal 144 (145); Ap 21, 1-5a; Jo 13, 31-33a. 34-35.

Discípulos, cheios de alegria e do Espírito Santo

       No segundo sábado em que Paulo e Barnabé estiveram em Antioquia da Pisídia, reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus. Ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfémias às palavras de Paulo. Corajosamente, Paulo e Barnabé declararam: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Mas uma vez que a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, porque assim nos mandou o Senhor: ‘Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra’». Ao ouvirem isto, os gentios encheram-se de alegria e glorificaram a palavra do Senhor; e todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé. Assim, a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região. Mas os judeus instigaram algumas senhoras piedosas mais distintas, bem como os homens principais da cidade, e moveram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, expulsando-os do território. Estes sacudiram contra eles a poeira dos pés e seguiram para Icónio. Entretanto, os discípulos ficavam cheios de alegria e do Espírito Santo (Atos 13, 44-52).
       A evangelização está em progressão.
       Paulo, com Barnabé, continua a privilegiar o anúncio do Evangelho aos judeus. Por conseguinte, a sinagoga é o lugar em que os Apóstolos se apresentam para mostrarem como Jesus Cristo, morto e ressuscitado, cumpre com as promessas feitas por Deus, através dos Profetas. Tal é adesão à palavra de Deus, quase toda a cidade se reuniu, que provoca ciúmes, inveja, sobretudo da parte de judeus, que tinham para si mesmo que a salvação lhes estavam destinada. Aos outros, só se aderissem a todas as tradições e costumes judaicos.
       Os Apóstolos deixam claro que o anúncio da Palavra de Deus se iniciou pelos judeus, mesmo em terras estrangeiras, mas muitos não se deixaram iluminar por ela. Então, Paulo e Barnabé abriram o Evangelho aos gentios e estes foram aderindo em massa, por terem menos preconceitos religiosos.
       Consequência: Paulo e Barnabé são expulsos da cidade. O Evangelho vai chegar a novas terras.

domingo, 17 de abril de 2016

Rui Alberto e Sofia Fonseca: APRENDER A PERDOAR

RUI ALBERTO E SOFIA FONSECA (2015). Aprender a Perdoar. Uma alternativa saudável à amargura. Porto: Edições Salesianas. 150 páginas.
       Um sacerdote católico, que escreve habitualmente, publicando dinâmicas para grupos, e uma psicóloga, que trabalha com diferentes faixas etárias, crianças, adolescentes, adultos e casais. Juntaram-se para refletir sobre o perdão. Este é associado muitas vezes à religião, confundido com irenismo, com resignação, ou uma forma de pedido de desculpas.
       Os autores procuram mostrar o que é e o que não é o perdão. O que exige e pressupõe. O perdão faz bem à saúde física e mental. Quem entra numa espiral de vingança e de rancor adoece afetiva e fisicamente podem manifestar-se diversas mazelas. Abrir-se ao perdão é apostar na vida, com esperança e confiança no futuro. Para o ofendido é um exercício custoso, que pode levar tempo, mas que vai valer a pena. Há ofensas que não é possível simplesmente esquecer ou deixar que o tempo cure. O tempo pode ajudar a fazer um enquadramento alternativo, mas a alternativa é proativa, é decidir-se a perdoar, porque o outro reconheceu o mal feito e pediu perdão, ou não reconheceu nem pediu perdão, mas o ofendido decidiu tocar a sua vida para a frente sem ficar preso à mágoa nem à pessoa que magoou e decide perdoar.


       Por parte do ofensor também pode haver uma resposta ao perdão. Reconhecendo que errou. Não medindo o tamanho da ofensa, pois cada pessoa reage à sua maneira, prontificando-se a pedir perdão, a escutar aquele que ofendeu, a fazer algum gesto que permita ao ofendido perceber que está arrependido.
       Perdoar não significa reconciliar-se, isto é, retomar o mesmo tipo de relação anterior à ofensa. No mundo cristão pressupõe-se. Mas posso perdoar e não me sentir com forças para retomar o compromisso e a relação onde estavam quando se deu a ofensa. Posso negociar novos termos para retomar o relacionamento. Por parte do ofendido e do ofensor deve haver esta abertura, para retomar, alternar, ou suspender a forma de se relacionarem e sobretudo se o comportamento se vai repetindo.
       Perdoar não é apagar a memória e esquecer o mal feito. A memória também faz parte do perdão e da reconciliação.Ter presente o mal feito, não para estar sempre a cobrar, mas em ordem a amadurecer, a tentar não repetir os mesmos erros. Pode ser uma oportunidade para valorizar e dar mais qualidade à relação.
       O perdão não anula a justiça. Pressupõe ou exige. Se pratiquei algum mal, algum dado, mesmo que o ofendido me perdoe devo recompensar, repor, devolver. O ofendido pode perdoar e ainda assim esperar ser ressarcido. Desta forma, a justiça ajuda a solidificar o perdão e a reconciliação.
       Outro tema abordado: fazer as pazes. Podem-se fazer as pazes sem que haja verdadeira reconciliação, ainda que esta seja mais duradoura. Quero viver em paz com o outro, pessoa ou grupo, sem agressões mútuas, mas nem por isso estar numa relação ativa, apenas numa dinâmica de não-agressão.
       O livro tem diversas técnicas, sugestões, dinâmicas, para ajudar a perdoar e a procurar o perdão, enquadrando a ofensa além da pessoa. Esta é mais que a ofensa. Isto vale para o ofendido e para o ofensor.

sábado, 16 de abril de 2016

4.º Domingo da Páscoa - ano C - 17 de abril de 2016

       1 – É surpreendente como um bebé sossega ao ouvir a voz da Mãe. Desde cedo, o bebé aprende a voz, o cheiro, o toque da Mãe. Se durante a gravidez a Mãe falar com o/a filho/a, criando um ambiente tranquilo, quando nascer ele/a reconhecerá a mesma voz e o mesmo ambiente calmo, ou alguma música que escutou dentro do ventre materno. Virá depois o cheiro e o toque, facilmente identificáveis. O mesma ligação, ainda que mais ténue, do Pai. Se, durante a gravidez, o Pai tomou parte no mesmo ambiente, falando com o/a filho/a, este/a irá reconhecê-lo quando falar. Progressivamente, se for um Pai presente, irá reconhecer o seu cheiro, o seu toque, os seus passos.
       É quase instintivo. Horários, barulhos, ambientes que progressivamente a criança irá interiorizando. E assim também, ainda ao colo da Mãe, começará a "negociar" (manipular) os pais, descobrindo, por exemplo, que o choro os traz imediatamente de volta.
       Quem tem animais de estimação, sabe que sucede algo de semelhante. Um gato, ou um cão, identifica a voz de quem o alimenta e afaga, reconhece a voz, o barulho do motor do carro a chegar, a porta a abrir, bem como os cheiros, aproximando-se se forem familiares, escondendo-se ou revelando "irritação" se forem estranhos. O barulho do prato de comida! Um animal doméstico pode até detetar o humor dos seus donos, mantendo-se por perto ou afastando-se.
       Outros animais domésticos, vacas, cabras, cavalos, coelhos (e até as galinhas), ovelhas, reconhecem os passos dos donos, de quem os trata, lhes traz o alimento ou os leva a pastar. Reconhecem a voz, o som dos carros que se aproximam, agitam-se, pois sabem que vão comer ou que vão sair. Ou, em sentido inverso, agitam-se porque apareceu algum estranho, pessoa ou animal, um cheiro e um barulho diferentes do habitual. O cavalo aprendeu a reconhecer a voz do seu tratador, terá dificuldade em sossegar diante de um estranho e dificilmente se deixará aparelhar ou cavalgar.
       2 – Jesus viveu grande parte da sua vida em ambientes rurais. Nazaré é uma pequena cidade, mais aldeia que cidade, em que todos se conhecem e se entreajudam. É carpinteiro, como São José, trabalhando a madeira, a pedra e o ferro. É uma parte do trabalho. Semeiam os campos, próprios ou arrendados. Têm um ou outro animal doméstico. Alguns cabritos ou ovelhas. Recolhem a lã e o leite, para consumo próprio ou para trocar por outros alimentos essenciais. Pela Páscoa comem o Cordeiro pascal com os outros familiares. Em conformidade com a Lei mosaica, todas as famílias se reúnem para comer o Cordeiro pascal. Se houver alguma família que não possa, as outras devem prover para que não lhes falte, condividindo. Este cordeiro é para comer naquele dia. Mata-se o cordeiro do tamanho necessário para a refeição da família ou de forma a partilhar com uma família que não tenha meios para comprar e matar um cordeiro. Não haverá sobras para o dia seguinte!
       Quando sobem ao Templo, por ocasião da Apresentação, José e Maria oferecem um par de rolas ou de pombas, por serem uma família modesta. Porém, é expectável e provável que tivessem uma ou outra ovelhinha, um ou outro cabrito. Por outro lado, o pastoreio fazia-se muitas vezes em comum. Os mais novos tomavam conta das ovelhas das famílias da aldeia, formando um só rebanho. Poderia ainda acontecer que um homem mais rico contratasse um dos jovens para guardar o seu rebanho. Em Nazaré, contudo, as famílias estariam niveladas, por baixo, no estatuto social e económico, ajudando-se reciprocamente nos campos, no cuidado dos animais de pequeno porte, nos trabalhos braçais e na lide doméstica, sobretudo aquando de festas religiosas, ou dos casamentos, e também por ocasião dos funerais. A aldeia forma uma só família.
       As palavras de Jesus estão cheias de vida e de experiência: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só».
       Ele sabe do que fala e o seu auditório compreende perfeitamente o que lhes diz. Não é um discurso bonito, é a vida que emerge das suas palavras.
       3 – Jesus é o Bom Pastor que conhece todas as ovelhas, que as chama pelo nome e que dá a vida por elas. O mercenário encara o pastoreio como um trabalho que realiza por um preço ajustado, sem colocar em risco a própria vida. Se há ameaça, mais importante é salvar-se a si mesmo. A tentação da Cruz – Salva-te a Ti e a nós também! Jesus ousa dar a vida. Não Se poupa nem Se resguarda.
       Ele é o Bom Pastor que sai em busca das ovelhas. Se alguma se perde ou foge do redil, vai procurá-la. Se a encontra faz festa, como o Pai misericordioso faz festa pelo regresso do filho pródigo. Se a ovelha está ferida ou cansada, coloca-a aos ombros, e condu-la de volta ao rebanho. Mas não se pense que descura as que ficam no aprisco, condu-las às pastagens verdejantes e às águas refrescantes.
       Quem Me vê, vê o Pai. Jesus vive sintonizado com o Pai, transparecendo-O no tempo e na história. É o Pai que Lhe confia as ovelhas. "Eu e o Pai somos Um só". Se as ovelhas são do Pai – e o Pai é maior do que todos –, Ele não deixará que as ovelhas se percam. Vem ao de cima a Misericórdia do Pai, que tudo fará para não perder nenhuma ovelha. Envia-nos como Bom Pastor o Seu Filho Jesus, a Quem confia toda a humanidade. De todos os cantos da terra, de todos os tempos, Jesus vem congregar-nos numa só família. Um só rebanho, um só Pastor.
       4 – No Apocalipse, São João continua a revelar-nos as suas visões. Escuta um dos Anciãos: «Estes são os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus, servindo-O dia e noite no seu templo. Aquele que está sentado no trono abrigá-los-á na sua tenda. Nunca mais terão fome nem sede, nem o sol ou o vento ardente cairão sobre eles. O Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água viva. E Deus enxugará todas as lágrimas dos seus olhos».
       Jesus é o Cordeiro de Deus, é o Pastor que conduz a imensa multidão, pessoas vindas de todos os povos, línguas ou nações. A salvação é extensível a todos. Jesus oferece a Sua vida a favor da humanidade. Conduzirá todos às fontes de água viva e enxugará as lágrimas dos seus olhos.
       5 – Celebramos hoje o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. O Papa Francisco, na Sua mensagem, sob o tema "A Igreja, Mãe das Vocações", sublinha que "a Igreja é a casa da misericórdia e também a «terra» onde a vocação germina, cresce e dá fruto... A conversão e a vocação são como que duas faces da mesma medalha, interdependentes continuamente em toda a vida do discípulo missionário". O Papa Francisco aprofunda a mensagem em três notas que nos remetem para o único rebanho de Cristo: 1) A Vocação nasce na Igreja. 2) A Vocação cresce na Igreja. 3) A Vocação é sustentada na Igreja.
       A segunda leitura incide sobre o ministério missionário de Paulo e Barnabé que lhes foi confiado pela Igreja. Visível a conversão, a inserção à comunidade e o compromisso missionário a partir da comunidade. O Papa diz-nos que "a missão de Paulo e Barnabé é um exemplo desta disponibilidade eclesial. Enviados em missão pelo Espírito Santo e pela comunidade de Antioquia (cf. Atos 13, 1-4), regressaram depois à mesma comunidade e narraram aquilo que o Senhor fizera por meio deles (cf. Atos 14, 27). Os missionários são acompanhados e sustentados pela comunidade cristã, que permanece uma referência vital, como a pátria visível onde encontram segurança aqueles que realizam a peregrinação para a vida eterna".
       Entretanto a missão de Paulo e de Barnabé estende-se aos pagãos. A Boa Nova não está restringida aos judeus, mas destina-se a todas. As circunstâncias antecipam a Igreja em saída: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Uma vez, porém, que a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, pois assim nos mandou o Senhor: ‘Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra’». Os gentios rejubilam, mas os "principais da cidade" perseguem e expulsam, do seu território, Paulo e Barnabé. Eles continuam com alegria, e com o Espírito Santo, para outros lugares.


Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia (C): Atos 13, 14. 43-52; Sal 99 (100); Ap 7, 9. 14b-17; Jo 10, 27-30.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Tabuaço: restauro da Porta da Capela de São Plácido

       No verão de 2003 ou 2004, no espaço de um mês, a Capela de São Plácido foi assaltada por duas vezes, apesar de não haver ofertas-donativos que justificassem o vandalismo. O estrago maior foi o da porta.  Ao longo do tempo colocou-se um ou outro remendo, pois o orçamento para restaurar ou fazer uma porta nova era muito elevado e havia outras prioridades na paróquia. Um arranjo completo foi agora executado pela Câmara Municipal de Tabuaço, à qual agradecemos a cooperação. A Porta dá um aspeto de asseio e cuidado à Capela.
       A Paróquia de Tabuaço está empenhada em valorizar este espaço, não apenas a Capela mas o recinto que a circunda. Para tal tem mantido contactos com a autarquia a fim de poder requalificar este espaço que, por certo, beneficia a Vila de Tabuaço, como ponto turístico, e a comunidade paroquial que preserva o local, podendo no futuro promover alguma celebração ou romaria.
Algumas imagens da Capela de São Plácido.


Para ver fotos do Património Religioso,
consultar a página da Paróquia de Tabuaço no Facebook.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Paróquia de Tabuaço: Festa de São Vicente Ferrer

      São Vicente Ferrer acompanha os inícios do povoado de Tabuaço, venerando-se desde o século XV ou XVI, havendo perto da localização atual uma ermida em sua honra, à volta da qual a povoação foi crescendo.
        Na Capela existem, depois das obras de recuperação, quatro imagens: São Vicente, Santa Frebena, São Paulo, Apóstolo, e Santa Maria (Romana).
        A imagem de São Vicente representa-o com o traje dominicano. Na imagem original, teria asas, sendo visíveis dois buracos na parte superior das costas, onde estariam incrustadas as duas asas que entretanto desapareceram, por ser apelidado de “anjo do apocalipse”. Sentado aos pés, a judia que ele ressuscitou e que se converteu ao cristianismo.
       Nos últimos anos temos festejado a memória litúrgica de São Vicente, desde que não caia na Semana Santa ou na Páscoa, como foi no ano anterior. Este ano teve dois momentos: no dia 5 de abril, o dia da memória litúrgica, a celebração da Eucaristia, animada pelo Grupo Coral, e no dia 9 de abril, promovida por um grupo de pessoas ligadas a São Vicente, com Procissão em sua honra, da Capela para a Igreja e da Igreja para a Capela, integrando-se na Eucaristia vespertina com as crianças e adolescentes da Catequese. No final, o habitual convívio de comes e bebes e um momento musical.
Algumas fotos das Eucaristias, no dia 5 e no dia 9, e da Procissão:

Para as restantes fotos que temos disponíveis,
visitar a página da Paróquia de Tabuaço no Facebook.

sábado, 9 de abril de 2016

3.º Domingo da Páscoa - ano C - 10 de abril de 2016

       1 – O Papa Bento XVI, na celebração vespertina do dia 12 de maio de 2010, na Basílica da Santíssima Trindade, em Fátima, com religiosos, seminaristas, diáconos e sacerdotes, evidenciava: "Permiti abrir-vos o coração para vos dizer que a principal preocupação de todo o cristão... há de ser a fidelidade, a lealdade à própria vocação, como discípulo que quer seguir o Senhor. A fidelidade no tempo é o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo a Cristo Sacerdote".
       O amor é a fidelidade no tempo. Não é um sentimento passageiro, ou uma emoção que nos entusiasma, mas uma opção de vida, aprofundando os laços que nos unem uns aos outros, promovendo gestos de afeto, de proximidade, de ternura, de serviço. Jesus não passa pelas pessoas. Jesus permanece. Para. Olha. Fala. Envolve. Cura. Desafia. Chama. Envia. "Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos" (Mt 28,20). Não estará num momento, ou apenas nas situações favoráveis, mas em todo o tempo, e em todas as situações da vida. Deus é amor. Quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele (cf. 1 Jo 4, 7-19).
       Jesus volta a aparecer, a estar junto à margem, a colocar-se no meio de nós, como Aquele que congrega. Convida-nos para a Sua mesa. O entusiasmo inicial desvanece-se com alguma celeridade. É assim em muitos projetos que engendramos. E aqui todos somos muito infantis ou muito juvenis. Entusiasmamo-nos, mas logo o entusiasmo passa e tudo regressa à rotina e ao cansaço. E eis que vemos Jesus, a chamar-nos, a alimentar-nos e a enviar-nos. Ainda não percebemos que a ressurreição nos leva para outros caminhos? Por quê voltar à vida do passado? A vida está aquém do sepulcro e além da morte. O Ressuscitado reenvia-nos para o HOJE e para o amanhã. Por quê voltar atrás?
       Em Lisboa, no Terreiro do Paço, a 11 de maio, o Papa Bento XVI sublinhava que "o Ressuscitado oferece-Se vivo e operante, por nós, no hoje da Igreja e do mundo. Esta é a nossa grande alegria. No rio vivo da Tradição eclesial, Cristo não está a dois mil anos de distância, mas está realmente presente entre nós e dá-nos a Verdade, dá-nos a luz que nos faz viver e encontrar a estrada para o futuro... Para isso é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano. A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja".
    2 – Jesus apareceu aos discípulos, na tarde daquele primeiro dia, encontrou-os fechados em casa com medo dos judeus. Oito dias depois voltou a aparecer-lhes, estando também presente Tomé, que antes estava ausente. Porém, o Evangelho dá a entender que os discípulos ainda não sabem em que pé estão. O entusiasmo tomou conta deles, depois de um tempo de grande desencanto, mas parece ter sido sol de pouca dura. Que fazer? Esperar que Jesus Ressuscitado restaure em definitivo o Reino de Deus?
       O Apóstolo Pedro, para se distrair ou ocupar o tempo, decide ir pescar. Os outros seguem-lhe o exemplo. Tomé, Natanael, João, Tiago e mais dois discípulos. Já se tinham esquecido que Jesus os retirou da pesca real para os tornar pescadores de homens (cf. Mt 4, 19). E, com efeito, a noite não rendeu, não pescaram nada. Ao romper da manhã, Jesus apresenta-Se na margem. Jesus chega cedo à nossa vida. Eles não sabiam que era Ele. Muitas vezes também nós não nos apercebemos que Jesus nos visita ou que está diante de nós!
       A pergunta de Jesus deixa-os boquiabertos: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Como não lembrar o pedido feito à Samaritana: dá-Me de beber! Depois será Ele a saciar-lhe a sede (cf. Jo 4,1-42). Ou quando se faz convidado: Zaqueu, desce depressa que HOJE devo ficar em tua casa. E Zaqueu sentir-se-á em casa com Jesus (cf. Lc 19, 1-10).
       Os discípulos escutam o pedido e, como outros trabalhadores, de bom grado o atenderiam. Mas andaram toda a noite e não pescaram nada. Então Jesus diz-lhes: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Para pescadores experimentados não era muito lógico lançar as redes pela manhã, mas fazem-no e são surpreendidos, pois as redes enchem-se de peixes. Sucedem-se momentos extraordinários. Com Jesus, a pesca é abundante. Sem Ele, é inútil qualquer trabalho. Nesta pescaria são precisas muitas mãos. Pedro vai ao encontro de Jesus, outros discípulos puxam as redes para a margem. Novamente Pedro, sobe ao barco, ainda Hoje, como Francisco, e puxa a rede para terra firme, com 153 grandes peixes. Não importa o número mas a comunhão de amor. Na margem, Jesus espera-os para os alimentar. Primeiro pediu-lhes que comer, agora tem o lume aceso e peixes a assar. Mas também agora conta com eles, e connosco: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora».
       3 – «Vinde comer». É o convite de Jesus, para todos os tempos, para os que estão na praia, no mar ou em terra firme. Para ontem e para hoje. Para eles e para nós. "Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes". O que temos só é verdadeiramente nosso quando o repartimos pelos outros. À mesa de Jesus todos têm lugar, sobretudo os excluídos dos reinos deste mundo. Ele dá-nos tudo o que tem, a Sua própria vida, como alimento até à vida eterna, presente no Sacramento da Caridade, a Eucaristia, que havemos de comungar com os outros, no dia-a-dia da nossa existência.

       4 – O amor é a fidelidade no tempo. Não é um instante, ainda que se alimente de instantes e se renove constantemente. Traduz-se em obras, gestos e atitudes. "Nem todo aquele que diz 'Senhor, Senhor' entrará no reino dos Céus, mas somente aquele que fizer a vontade de Meu Pai" (Mt 7, 21). O que os lábios professam, a vida transparece. Pedro havia professado Jesus, garantindo que estaria com Ele em todas as horas. É audível a repreensão de Pedro a Jesus (cf. Mt 16, 22). Mas, como Jesus previra, Pedro, na hora de maior desgaste, nega-se e nega Jesus (cf. Jo 18, 12-27).
       Neste reencontro, Jesus questiona Pedro sobre a sua fidelidade: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Pedro vai gaguejando e respondendo como se fosse algo óbvio: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Jesus insiste com Pedro, como por vezes insistimos com os amigos para garantirmos que eles vão estar connosco quando mais precisamos! Na última resposta, Pedro reconhece-se humildemente, quase a sussurrar: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo».
       Olhando-o nos olhos, Jesus desafia-o: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Mais uma vez não lhe promete facilidades. Jesus estará sempre com ele e connosco, desde que O amemos de todo o coração. Como a Pedro, ontem, também a nós, hoje, Jesus interpela: «Segue-Me».
       5 – Simão Pedro, impulsivo e espontâneo, aprendeu a confiar em Jesus e assumir a sua vocação; confirmado na fé, passou a confirmar os irmãos.
       A resposta dada ao sumo-sacerdote, que os proibia novamente de pregar, é clarificadora: «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós destes a morte, suspendendo-O no madeiro. Deus exaltou-O pelo seu poder, como Chefe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e o perdão dos pecados. E nós somos testemunhas destes factos, nós e o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que Lhe obedecem».
       A ordem das autoridades do Templo antigo é para os açoitar, intimidando-os para não voltarem a falar no Nome de Jesus. Porém, "os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus", com o propósito de anunciar o Evangelho em toda a parte.

       6 – «Digno é o Cordeiro que foi imolado de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor, pelos séculos dos séculos». A visão de João, no Apocalipse, permite-lhe presenciar a oração dirigida a Jesus, o Cordeiro de Deus, que foi imolado para a salvação de todos. Na adoração inicia-se a conversão. Todas as criaturas que há no céu, na terra e no mar, são, em Cristo Jesus, resgatadas para Deus.
       Confiemos a nossa vida a Deus, Pai de Misericórdia: "Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim. Senhor, sede Vós o meu auxílio. Vós convertestes em júbilo o meu pranto: Senhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente" (Salmo).
       Dobremos os joelhos em adoração, mas sobretudo o coração, para que a nossa miséria, nas palavras do Papa Francisco, seja cancelada pela misericórdia de Deus.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 5, 27b-32. 40b-41; Sl 29 (30); Ap 5, 11-14; Jo 21, 1-19.

Servir os irmãos, na palavra e na caridade...

       "Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e também obedecia à fé grande número de sacerdotes" (Atos 6, 1-7).
       Com a Páscoa, com as aparições, os Apóstolos assumem a missão antes confiada a Jesus Cristo. É o mesmo protagonista, Jesus que pelo Espírito Santo atua nos cristãos e de forma peculiar nos Apóstolos e seus sucessores.
       O ministério dos Apóstolos é uma prioridade nas comunidades cristãs, a pregação, o anúncio do Evangelho, a oração, a fracção fraterna. Porém, esta não deve descurar o serviço aos mais necessitados, os órfãos e as viúvas. Neste sentido, os Apóstolos sugerem a escolha homens de boa reputação para o serviço caritativo, passe o pleonasmo. A estes homens dar-se-á o nome de diáconos, servidores. A palavra indica precisamente serviço, diaconia, que deve ser a característica de toda a Igreja ainda que possa haver pessoas ou organismos mais concentrados neste ministério.
       Como disse em variadas ocasiões o Papa Bento XVI, o rosto da Igreja passa pelo serviço. Aqueles que estão à frente são servidores. Se se servem apenas a si mesmo ou buscam lugares estão a trair o mandato de Jesus Cristo. Uma das formas de encontrar Deus no mundo atual é precisamente nos pobres, "o que fizerdes ao mais pequeno dos irmãos, a Mim o fazeis". Numa das últimas intervenções do Pontificado, Bento XVI, diz de forma clara que a Igreja "não é uma organização, uma associação com fins religiosos ou humanitários, mas um corpo vivo, uma comunhão de irmãos e irmãs no Corpo de Jesus Cristo, que une a todos".
       Na primeira Eucaristia do Papa Francisco usava termos muito semelhantes, dizendo que se caminhamos, edificamos e confessamos mas sem Cristo, tornar-nos-emos "uma ONG sociocaritativa, mas não a Igreja", e na Audiência com a comunicação social, "ah, como eu queria uma Igreja pobre e para os pobres!"