quinta-feira, 17 de maio de 2018

Alberto Mendes - CUIDADOS PALIATIVOS

MENDES, A.P.M. (2016). Cuidados Paliativos. Diagnóstico e intervenção espiritual. Lisboa: Multinova. 144 páginas.
       A vida é a raiz, o fundamento, o início de tudo o que tem a ver com o ser humano. Só depois vem o sofrimento, a morte, os conflitos, a desistência, a comodidade, a inveja, o egoísmo! Por conseguinte, para a Igreja, para os cristãos, mas também para cada pessoa de boa vontade, a vida deveria estar em primeiro lugar, a vida e o bem, a verdade e a beleza, a bondade e a ternura, a compaixão e o amor!
       Num tempo em que a comodidade é colocada em primeiro lugar, o sofrimento surge como um empecilho mortal, e aqueles que sofrem roubam-nos a tranquilidade de uma vida indolor! Com efeito, tudo devemos fazer para resistir ao mal e combater o sofrimento! Tudo, tudo o que nos humaniza e dá mais qualidade à nossa vida e das pessoas que estão à nossa beira. O sofrimento, a doença e a morte estão no horizonte da vida, mas deveria prevalecer a amizade, a empatia, a audácia de gastar a vida a favor dos outros.
       Aproximamo-nos perigosamente do fim, pois a vida parece deixar de ser mistério, dom, e de ser inviolável, para ser descartável, tal como as pessoas. A vida é manipulável desde o início até ao fim, logo que surjam dificuldades ou se vislumbre sofrimento. A resposta de alguns ou de muitos, e do Estado parece ser: acabe-se com a vida para acabar com o sofrimento! Depois da despenalização do aborto, da sua legalização e do financiamento do mesmo, em nome da modernidade, é agora tempo de discutir e propor a eutanásia e suicídio assistido, legalizando, promovendo e financiando a morte, quando, por todas as razões, se deveria apoiar, promover, proteger, financiar, celebrar a vida, dispensando recursos para tal!
       Neste contexto, pode ser incluído e recomendado um livro como este, que enfrenta as incompreensões do sofrimento, da doença e da morte inevitável, procurando ajudar, envolver e minorar o sofrimento dos doentes (terminais), apoiando também as suas famílias, reconhecendo-os como interlocutores, respeitando os seus ritmos, os silêncios.
       A proposta é abrangente, multidisciplinar, contemplado clínicos, psicólogos, capelão, atendendo aos aspetos físicos, psicológicos, espirituais, procurando uma permanente ligação à família. A diminuição da dor passa também por dignificar o mistério da pessoa, as suas dúvidas e anseios, os seus medos e os seus ritmos. 

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