A terceira Carta Encíclica de Bento XVI empresta o título a este blogue. A Caridade na Verdade. Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas só esta entra na eternidade com Deus. Espaço pastoral de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo, de portas abertas para a Igreja e para o mundo...
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Santa Eufémia: tomar a Cruz e seguir Jesus
A CRUZ é sem dúvida o símbolo mais expressivo do cristão.
Mesmo que todas as cruzes do mundo desaparecessem, não desapareceria a Cruz de Cristo, isto é, a entrega, a doação, o sacrifício de Jesus Cristo, no alto da Cruz, permanecerá para a eternidade. Obviamente que a cruz de Jesus não é um apelo ao sofrimento, ou ao sacrifício pelo sacrifício, é, antes de mais, a expressão do AMOR de Deus para connosco, que nos entrega o seu Filho, para que Ele nos substitua, redimindo a humanidade inteira, e colocando-nos de novo em comunhão com os outros e em comunhão com Ele.
O amor à cruz de Jesus está expresso na vida e na oferenda de Santa Eufémia. Encaminha-se para a morte na certeza de realizar um gesto semelhante ao de Jesus Cristo. Ele morre por toda a humanidade, morre também por ela. A jovem Eufémia encara a morte como oportunidade de encontro com Jesus Cristo, morre por Ele, ou, dito de outra forma, morre para afirmar a sua fé em Jesus Cristo e na verdade do Seu evangelho.
O próprio Jesus desafia: "quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de Mim".
A fé em Jesus Cristo não livra Eufémia do sofrimento, da perseguição, nem a livra da morte, mas ela sabe que podem destruir-lhe o corpo, mas sobre a alma só Deus tem poder, e um poder que se caracteriza pela caridade.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Leituras: O Deus da Ausência
Joaquim Sarmento, O Deus da Ausência. MinervaCoimbra, Coimbra 2012.
De novo nos surpreende o Dr. Joaquim Sarmento, com este belíssimo exercício literário. Já nos habituou a escrever bem, de forma escorreita, ao correr da pena, enformado por uma profunda cultura, numa linguagem acessível, em diálogo com a história, com a religião e a fé, com a vida do campo e da cidade, com o país e a Europa, com a psicologia e a política, com os costumes e tradições do povo, com a evolução dos tempos, com este nosso Douro, onde se passa grande parte da história e do enredo do Romance, diálogo com a filosofia e com o quotidiano.
Já o dissemos oportunamente, os romances de Joaquim Sarmento ombreiam facilmente com nomes da nossa literatura portuguesa e se tivesse a mesma divulgação/projeção mediática por certo se tornariam sucesso de vendas. Os romances de Joaquim Sarmento, para lá da originalidade dos enredos, entram na nossa identidade bem portuguesa, de brandos costumes, mas com grandes paixões. Lamego (Balsemão) e o Douro projetam-se na sua candura, na sua beleza, no trabalho árduo e comprometido, na vinha e no sol, na pobreza e em paisagens deslumbrantes. E nas influências que se trocam, e se vendem, em interesses e no suor daqueles e daquelas que construíram/constroem o Douro, os socalcos do sacrifício e do pão de cada dia. Outros beberam e bebem refastelados à sombra o néctar que esta região, património da humanidade, ajuda a produzir, com as suas encostas e encantos e com as costas e as mãos e os pés de muita gente.
A família Quitiliano tem segredos, tem vida, tem sonho, tem paixão. Joaquim Sarmento envolve-nos numa trama, em que o narrador se situa bem perto dos personagens, conhecedor de sentimentos divulgados ou escondidos. E se a trama romanceada é por demais bem conseguida, também a contextualização temporal, passagem do século XIX para o século XX, num Portugal em ebulição, no fim de um regime (monárquico) e no início de outro (republicano) e nas experiências que custam muito sofrimento a muitas pessoas
Quem tiver oportunidade, quem gostar de ler, este é um livro que se devora com muito agrado, lê-se e compreende-se sem necessidade de estar sempre a reler o que se acabou de ler.
Veja blogue da MinervaCoimbra.
Santa Eufémia - louvar a Deus por tudo - 7.º Dia
No dia de hoje, o Evangelho que nos é proposto (Lc 6, 27-38), Jesus desafia a amar os próprios inimigos, dar a outra face, ser misericordiosos como Deus é misericordioso. "Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados".
Ao sétimo dia de novena, centramo-nos no louvor de Santa Eufémia com toda a sua vida.
Por um lado a harmonia com os outros e com a natureza. Ao jeito de Daniel, também Santa Eufémia desfruta da beleza e da comunhão da própria natureza. Como é sabido, a imagem de Santa
Eufémia é acompanhada de dois leões e tem a ver com o facto daqueles
estarem presentes nos suplícios que lhe são infligidos.
Segundo uma tradição, depois da tortura e de variadas formas de agressão, numa roda esquartejante, numa fornalha em chamas, ela terá sido morta por um leão, mas não esfacelada. Ou seja, um leão te-la-á morto, mas depois de morta, os leões deitaram-se junto dela, mansamente, como que a protegendo de outras agressões.
Segundo uma tradição, depois da tortura e de variadas formas de agressão, numa roda esquartejante, numa fornalha em chamas, ela terá sido morta por um leão, mas não esfacelada. Ou seja, um leão te-la-á morto, mas depois de morta, os leões deitaram-se junto dela, mansamente, como que a protegendo de outras agressões.
Segundo outra tradição, foram
várias as tentativas de a matarem com violência, mas resistiu ao fogo, à
roda que a esquartejaria, lançada aos leões estes terão ficado mansos,
sem darem sinais de a atacar, então um algoz desferiu o golpe fatal da
espada. E assim foi morta a jovem Eufémia.
Numa ou noutra tradição, os leões aparecem protectores de Santa
Eufémia, remetendo-nos aos episódios bíblicos, nos quais Daniel é
colocado numa fornalha ardente, e sai ileso, e posteriormentente
colocado na cova de leões e sai também ileso. Nesta perspetiva,
poder-se-á dizer que quem está bem com Deus, com a sua consciência, está
bem com os outros, com o mundo e com a natureza inteira.
Na relação com os outros, Eufémia apresenta-se no melhor de si mesmo, sem juízos de valor, não condena, é condenada, não acusa, é acusada. Não se recusa a responder ao Juiz, não se recusa a dar testemunho por Jesus Cristo. Também nos momentos últimos da sua vida, Eufémia reza e louva e canta a Deus, une-se às vozes de todos os cristãos, de todos os mártires, de todos os santos, une-se ao Céu e à terra, a Deus e aos outros.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Santa Eufémia - feliz mesmo na tormenta - 6.º Dia
Seguindo os itens da NOVENA publicada pela paróquia, hoje a expressão proposta para reflexão - A Alegria no rosto de quem ama - enquadra-se em perfeição com o Evangelho das Bem-aventuranças (Lc 6, 20-26) proclamado na Eucaristia.
"Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e proscreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem. Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa".
"Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e proscreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem. Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa".
Santa Eufémia sente-se "afortunada", bem-aventurada, por ser digna de dar a vida pela fé em Jesus Cristo, Ela mostra-nos uma alegria contagiante diante dos perigos que a afligem. Sabe que se aproxima o seu martírio. Mas não são as adversidades que a desmobilizam ou a paralizam. Mantém o discernimento muito vivo: morrer por Jesus Cristo é uma honra que a levará a receber a coroa de glória na eternidade. Manifesta ao perseguidor a pressa em se juntar ao grande número de
mártires, para assim se encontrar em definitivo com o seu Amado: Jesus Cristo.
Tudo o mal deve ser combatido, e todo o sofrimento deverá ser evitado, ou curado, quando é possível e está ao nosso alcance ou da medicina. Em todo o caso, mesmo no sofrimento, e quando nos fazem mal, é possível que queiramos e persigamos o bem. Nada nos devará separar do amor de Deus, nem a própria morte. Somos bem-aventurados quando damos prioridade ao bem, à verdade, à justiça, ao amor de Deus, mesmo que isso nos custe a perseguição, a difamação ou a própria morte.
Que, em Santa Eufémia, encontremos a firmeza na afirmação positiva da nossa fé em Jesus Cristo e no seu evangelho de amor.
Que, em Santa Eufémia, encontremos a firmeza na afirmação positiva da nossa fé em Jesus Cristo e no seu evangelho de amor.
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
Santa Eufémia: respeitar e proteger os outros
O quinto dia de novena é coincidente com o aniversário da queda das Torres Gémeas, nos EUA. Foi a 11 de Setembro de 2001, que o terrorismo entrou em grande escala nas cidades ocidentais. Já se vira tamanha violência, mas não tão perto, e ainda por cima dentro do território daquela que é considerada a maior potência do mundo.
Um dos argumentos de imediato esgrimido foi o tema religioso, a religião islâmica contra o cristianismo. Obviamente, os motivos fundamentais são diversos, económicos, políticos e militares. Em todo o caso, veio ao de cima o fundamentalismo religioso, matar em nome da religião, ou usar a a religião para cometer as maiores atrocidades contra pessoas.
A religião só pode levar à vida, proteger, dignificar, celebrar a vida, o bem. Em todo o caso, ao longo da história da humanidade muitas foram as vítimas em nome da religião. Ao próprio Jesus Cristo, a acusação que O levará ao Calvário, é a religião, "por se fazer Filho de Deus".
Mesmo dentro da Igreja, houve momentos de perseguição, de violência, de guerras, com o fundamento de espalhar a fé, levar o cristianismo a outras partes do mundo, defender as verdades da fé...
Santa Eufémia, tal como Jesus, é vítima do preconceito. A religião que se queria impor era a da adoração do imperador. Eufémia continua a seguir a Deus e morre por amor a Jesus Cristo. Manteve a sua fé, perdeu a vida, na certeza da eternidade junto de Deus.
Na ligação ao Evangelho ((Lc 6, 12-19) proposto para hoje, em que Jesus passa a noite em oração e escolhe 12 apóstolos entre os seus discípulos, para testemunharem mais de perto a Sua vida. Também nós somos escolhidos, chamados, desde o batismo, pelo nome. Também Santa Eufémia recebeu um nome, tornou-se cristã e santa. A oração foi para ela uma escola para conhecer e amar Jesus Cristo. Há de ser também a nossa escola. Aprendermos a ser filhos de Deus na oração, para depois nos torarmos anunciadores do Evangelho.
Na ligação ao Evangelho ((Lc 6, 12-19) proposto para hoje, em que Jesus passa a noite em oração e escolhe 12 apóstolos entre os seus discípulos, para testemunharem mais de perto a Sua vida. Também nós somos escolhidos, chamados, desde o batismo, pelo nome. Também Santa Eufémia recebeu um nome, tornou-se cristã e santa. A oração foi para ela uma escola para conhecer e amar Jesus Cristo. Há de ser também a nossa escola. Aprendermos a ser filhos de Deus na oração, para depois nos torarmos anunciadores do Evangelho.
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Homilia de D. António na Festa de Nª Sª dos Remédios
- O Evangelho deste Dia faz desfilar diante de nós uma admirável litania de nomes. Esta longa, lenta e bela melodia ensina-nos que, para chegarmos junto de Jesus e de Maria é necessário primeiro atravessar, com sentida emoção e repassada alegria, a lição de todo o Antigo Testamento, sentir o pulsar do coração dos «justificados» que o habitam, e entrar, juntamente com eles, nessa imensa peregrinação ou procissão de esperança que nos leva até «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus» (Mateus 1,16). É uma teia de 44 nomes que nos leva a esse cume inundado de Luz, que nos encandeia e nos cega os olhos, e nos faz ver este mistério inefável e profundo, legível só à outra luz do coração.
- Admirável litania de nomes e gerações,/ longa, lenta e bela melodia,/ que nos ensina que para chegarmos junto de Jesus e de Maria, / é necessário subir a escadaria.
- Prosseguindo o Evangelho deste Dia, também se vê bem que «o essencial é invisível para os olhos», e que «só se vê bem com o coração». É assim que José, o justo, pensa em sair de cena, silenciosamente, amorosamente, para não atrapalhar ninguém, e deixar a cena toda livre para Deus. E é também assim que Deus desce na passividade de um sonho e entrega a José o que é, na verdade, coisa própria de Deus: a esponsalidade e a paternidade. Deus é o Esposo, o verdadeiro Esposo, tantas vezes dito nas páginas do Antigo e do Novo Testamento. Deus é o Pai, o verdadeiro Pai, tantas vezes dito nas páginas do Antigo e do Novo Testamento. É só por graça que José recebe Maria como esposa, e é só por graça que é o pai do Filho de Deus, nascido de Maria. Na verdade, diz bem Tiago, juntamente com o Apóstolo Paulo, que «toda a paternidade, como todo o dom perfeito, vêm do Alto, descem do Pai das Luzes» (Efésios 3,15; Tiago 1,17).
- Subamos, pois, mais alto. Desçamos, pois, mais fundo. Caríssimos pais e mães, os filhos que gerais e que vos nascem, são, antes de mais, vossos ou são de Deus? Dir-me-eis: este filho é nosso, fomos nós que o geramos, fui eu que o dei à luz, nasceu no dia tal. E eu pergunto ainda: sim, mas porquê esse, e não outro? É aqui, amigos, que entra o para além da química e da biologia. É aqui, amigos, que entramos no limiar do mistério, na beleza incandescente do santuário, onde o fogo arde por dentro e não por fora. É aqui que caímos nos braços da ternura de um amor novo, maternal, patente neste colo virginal de Nossa Senhora dos Remédios, que nenhuma pesquisa biológica ou química explicará jamais. Todo o nascimento traz consigo um imenso mistério. Sim, porquê este filho, e não outro? Porquê este, com esta maneira de ser, este boletim de saúde, este grau de inteligência, esta sensibilidade própria? Sim, outra vez, porquê este filho, e não outro, com outra maneira de ser, outro boletim de saúde, outro grau de inteligência, outras aptidões? Fica patente e latente que, para nascer um bebé, não basta gerá-lo e dá-lo à luz. Quando nasce um filho, é também Deus que bate à nossa porta, é também Deus que entra em nossa casa.
- A Bíblia é um livro cheio de nascimentos. Hoje é o dia de anos de Maria, o aniversário de Maria, que aqui, nesta sua Casa, saudamos de perto sob a invocação de Nossa Senhora dos Remédios. O humilde profeta Miqueias, saudou-a de longe, à distância de oito séculos no tempo, e de trinta quilómetros no espaço, lá do meio dos seus campos de Moreshet-Gat, a sua aldeia natal. Daí, levantou os seus olhos claros e carregados de verdade como árvores carregadas de frutos, e viu a cidade capital, Jerusalém, cheia de vícios, de vazio religioso, exploração dos pobres pelo rei e pelos poderosos. Miqueias denuncia esta situação escandalosa com uma linguagem duríssima. Escreve ele: Por acaso, não cabe a vós, chefes de Jacob, dirigentes de Israel, conhecer o direito, vós que odiais o bem e amais o mal, que arrancais a pele do meu Povo, lhe comeis a carne, cortando-a em pedaços e cozendo-a na panela, e lhe roeis os ossos?» (Miqueias 3,1-3).
- Visto isto, Miqueias levanta ainda mais os seus olhos muito puros, lancinantes, como estremes facas de dois gumes, e eis que vê nascer, ainda que à distância e em claro contraponto, um futuro novo, um mundo novo, que se condensa, não na figura de um rei, rico, viciado, explorador, mas no puro recorte de uma mãe que há-de dar à luz e amamenta um menino (Miqueias 5,2). Uma mãe que amamenta um menino. Este quadro, vê-o Miqueias, não a surgir da viciada Jerusalém, mas dos campos da humilde terra de Belém (Miqueias 5,1). Por isso também, não se atreve Miqueias a dar o título de rei (melek) ao senhor desse mundo novo, a raiar; em vez de rei, será um guia (môshel), que sabiamente irá à frente do seu Povo (Miqueias 5,1).
- Uma Mãe que amamenta um menino. Se vejo bem, estou mesmo a ver o quadro luminoso de Nossa Senhora dos Remédios. E compreendo melhor a razão porque a amamos tanto. Está ali, bem à vista, a Mãe e o Menino, mas também o coração,/ a respiração,/ a pulsação,/ a lalação,/ a aleitação./ Vida recebida,/ amada,/ mimada,/ acariciada./ Nunca enlatada.
- Não há no mundo braços tão fortes como os de uma Mãe. Da nossa Mãe. Por isso vimos aqui de dia e de noite. Respira-se aqui outra cultura, outro amor, outra alegria. Por isso vimos aqui, de noite e de dia, entregar a Maria as nossas dores e as nossas flores. Aqui encontramos a cura do amor verdadeiro e sem ruga. Daqui saímos sempre renovados, porque aqui sentimo-nos amados e embalados nos teus braços maternais, Mãe. Aqui, aqui, aqui começa o mundo, Mãe.
- Encarecidamente imploro ao Senhor Reitor deste Santuário de Nossa Senhora dos Remédios e à Real Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios, que tudo façam para que este lugar nunca seja um des-lugar, mas seja cada vez mais, não apenas o ex-libris de Lamego, mas o mais belo lugar de Lamego, o mais terno lugar de Lamego, o mais aconchegado lugar de Lamego, o património mais comovido de Lamego. Os pobres, os nossos irmãos que doem, têm de encontrar aqui a sua Casa. E as esmolas e as ofertas aqui depositadas pelos nossos irmãos que doem e que dão têm de nos merecer um infinito respeito, e não podem ser gastas em qualquer coisa, de qualquer maneira, sem estremecimento nosso. Têm de ser obrigatoriamente gastas, exclusivamente gastas, escrupulosamente gastas em abraços maternais, sem outras contabilidades, calculismos ou exercícios financeiros. A Real Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios tem aqui a sua vocação e a sua missão mais nobre, mais pura, mais sublime, mais humana, mais divina. E nós, todos nós, que mais de perto sentimos o chão e o Céu deste Santuário temos todos a estrita obrigação de nos gastarmos também em abraços maternais.
- Encarecidamente imploro às queridas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, que são quem mais tempo passa neste Santuário e a ele mais se dedica, a graça de continuarem a dar-se de corpo inteiro, coração inteiro e tempo inteiro, a encher de amor este bocadinho de chão e de Céu. Eu sei que vós sabeis, melhor do que ninguém, como fazer deste espaço um regaço e um abraço.
- Senhora dos Remédios, Senhora da Embalação e da Aleitação, pega em nós ao colo, vela por nós, fica à nossa beira. É bom ter uma Mãe como companheira, médica e enfermeira.
Lamego, 08 de Setembro de 2012, Solenidade de Nossa Senhora dos Remédios
+ António José da Rocha Couto, Bispo de Lamego
Discípulos e Apóstolos da Palavra - 4.º Dia de Novena
No quarto dia de Novena, seguindo a proposta publicada da mesma, a linha de orientação obedece à expressão: "Discípulos de Jesus, Apóstolos da Palavra de Deus". Poderíamo-nos remeter ao Evangelho de ontem, uma vez mais, para concluir facilmente que Santa Eufémia é ouvinte atenta da Palavra de Deus, aprende a conhecer, a amar, a viver Jesus Cristo. E, simultaneamente se torna anunciadora da fé em Jesus Cristo e da Palavra de Deus, testemunhando com a alegria, serenidade e confiança a vida nova em Deus.
No Evangelho (Lc 6, 6-11) proposto para esta segunda-feira, Jesus confronta-se com o preconceito de fariseus e escribas. Entra na sinagoga a um sábado, para ensinar, e depara-se com um homem com uma mão atrofiada. Oportunidade para fazer visualizar o poder e amor de Deus. Chama para a luz aquele homem e cura-o, permitindo-lhe dessa forma que tenha uma vida com mais conforto e qualidade.
Por um lado, a força de Deus que é preenchida de um amor imenso pela humanidade. Cada gesto de Jesus revela que Deus Se coloca do nosso lado. Por outro, o bem não tem dia nem hora. Todas as horas são boas para fazer o bem. Não há tempo bom para fazer o mal.
Na resposta, os escribas e fariseus congeminam "para fazerem a folha" a Jesus.
Eufémia alimenta-se de Jesus e da Sua palavra, não temendo os perseguidores e carrascos dos cristãos. É firme a sua fé e confiança em Deus. Diante do Juiz ela não treme. Mais vale a morte do que renegar o Senhor da Vida e da morte. Eufémia, como Jesus, está sujeita às tramas das autoridades que ora usam a adulação, ora usam a ameaça, ora mostram como sofrem aqueles que não negarem Jesus Cristo.
Grande é o testemunho de Eufémia, junto das autoridades como junto de todos aqueles que são presentes ao juiz, mostrando que só Deus é o verdadeiro JUIZ.
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domingo, 9 de setembro de 2012
Seguir Cristo na escola de Sta Eufémia - 3.º dia da Novena
O terceiro dia da NOVENA de Santa Eufémia é coincidente com o XXIII Domingo do Tempo Comum (ano B), e na ligação à Palavra de Deus proposta para hoje, a reflexão acentuará a forma como Santa Eufémia acolheu Jesus Cristo, como Se alimentou da Palavra, como abriu os ouvidos para escutar Jesus para lá do ruído exterior e como usou a língua para animar outros cristãos que enfrentaram a perseguição e a morte.
Na primeira leitura, o profeta Isaías desafia à confiança e fé em Deus, na certeza que o próprio Deus virá salvar-nos. Santa Eufémia ilustra esta mesma confiança, chegando mesmo a pedir ao Juiz Prisco que lhe conceda a coroa da glória para mais rapidamente se encontrar face a face com Deus que salva, adiando a morte dos seus companheiros. É a Cristo que se quer unir eternamente.
No Evangelho, Jesus cura o surdo-mudo. Depois de curado, louva a Jesus Cristo. "Effatá" é a palavra que acompanha este prodígio. Abre-te. É um dos ritos do batismo, para que quando chegar o tempo os ouvidos se abram para escutar a Palavra de Deus e a língua se solte para professar a fé em Jesus, para louvor e glória de Deus Pai.
Santa Eufémia é uma ouvinte atenta da Palavra de Deus. Absorve-a na sua vida. Proclama a fé publicamente. Diante do Juiz - "Tanto as ordens do imperador quanto as tuas devem ser obedecidas, se não forem contrárias ao Deus do Céu; mas se forem contrárias a Deus, devem ser não apenas desobedecidas mas combativas". E professa a fé animando os companheiros de infortúnio, com alegria, com cânticos e orações, sem temer o que sucederá, porque tudo o que suceder será para glorificação de Deus.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Novena de Santa Eufémia de Pinheiros: 1.º Dia
Inicia-se hoje a novena em honra de Santa Eufémia, na paróquia de Pinheiros (Tabuaço).
Como em anos anteriores, pelas 20h30, terá lugar a celebração da Santa Missa, com a recitação do Rosário. Todos os dias, à excepção de Sábado e Domingo, em que a celebração da Eucaristia será da parte da manhã.
Tradicionalmente esta é a última das festas populares do Concelho. É das maiores festas. A devoção Santa Eufémia espalha-se por todo o concelho de Tabuaço, mas também ao concelhos vizinhos de Armamar e de Moimenta da Beira. É um tempo de festa mas também romaria. Muitas pessoas chegam para cumprir as suas promessas, muitas partirão confiantes na intercessão de Santa Eufémia no auxílio das suas dificuldades.
No primeiro dia, seguindo a NOVENA publicada há três anos, acentuar-se-á o ambiente familiar em que nasceu Santa Eufémia. A este propósito, e seguindo a leitura do Evangelho proposto para hoje, diríamos que a tradição ajuda Santa Eufémia ao nível da educação humana e cristão. O ambiente favorece-a num primeiro momento. Mas depois, a tradição, ou o espírito da época, de perseguição à Igreja e aos cristãos, levá-la-á à morte. Assume a fidelidade a Jesus Cristo como orientação decisiva e definitiva nas suas escolhas.
Com Jesus Cristo, diríamos que as tradições só são defensáveis se promovem a pessoa, a sua dignidade e da sua felicidade.
Tradicionalmente esta é a última das festas populares do Concelho. É das maiores festas. A devoção Santa Eufémia espalha-se por todo o concelho de Tabuaço, mas também ao concelhos vizinhos de Armamar e de Moimenta da Beira. É um tempo de festa mas também romaria. Muitas pessoas chegam para cumprir as suas promessas, muitas partirão confiantes na intercessão de Santa Eufémia no auxílio das suas dificuldades.
No primeiro dia, seguindo a NOVENA publicada há três anos, acentuar-se-á o ambiente familiar em que nasceu Santa Eufémia. A este propósito, e seguindo a leitura do Evangelho proposto para hoje, diríamos que a tradição ajuda Santa Eufémia ao nível da educação humana e cristão. O ambiente favorece-a num primeiro momento. Mas depois, a tradição, ou o espírito da época, de perseguição à Igreja e aos cristãos, levá-la-á à morte. Assume a fidelidade a Jesus Cristo como orientação decisiva e definitiva nas suas escolhas.
Com Jesus Cristo, diríamos que as tradições só são defensáveis se promovem a pessoa, a sua dignidade e da sua felicidade.
NOVENA em honra de SANTA EUFÉMIA
A novena de Santa Eufémia, editada pela Paróquia de Pinheiros há três anos, procura fazer a ligação entre a liturgia da Palavra, a vida de Santa Eufémia e a liturgia católica, seguindo os seguintes itens:
- 1.º Dia: Nascimento e Família cristã.
- 2.º Dia: (Natividade de Nossa Senhora), Acolher o Espírito de Deus.
- 3.º Dia: Aprender na Escola de Santa Eufémia.
- 4.º Dia: Discípulos de Jesus, Apóstolos da Plavra de Deus.
- 5.º Dia: Respeitar e proteger os outros.
- 6.º Dia: A Alegria no rosto de quem ama.
- 7.º Dia: Louvar a Deus pela criação inteira.
- 8.º Dia: Tomar a Cruz e seguir Jesus Cristo.
- 9.º Dia: Fidelidade a Cristo, na vida e na morte.

Hoje é primeiro dia de novena em honra de Santa Eufémia, na comunidade paroquial de Pinheiros.
Clicando em cada item, acederá a pistas de reflexão para cada um dos nove dias de novena. Também no nosso blogue Escolhas & Percursos tem oportunidade de revisitar a reflexão proposta para os nove dias.
Clicando em cada item, acederá a pistas de reflexão para cada um dos nove dias de novena. Também no nosso blogue Escolhas & Percursos tem oportunidade de revisitar a reflexão proposta para os nove dias.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
O Reino de Deus é já uma realidade, em fermento!
É este o maravilhoso tesouro a descobrir. Deus já está presente. E o que precisamos é de nos tornar sensíveis a essa presença. O Reino de Deus é já uma realidade, é já um fermento... E se é verdade que o Reino de Deus representa também uma realidade escatológica, uma realidade do futuro, uma coisa que ainda há de chegar na sua plenitude; a verdade é que, embora sabendo nós que ele é dom futuro, o Reino de Deus é já realidade do hoje da minha vida. Hoje a minha vida está envolvida pelo Reino de Deus.
Pe. José Tolentino de Mendonça, Pai-nosso que estais na terra.
Ninguém deve gloriar-se nos homens
"Ninguém tenha ilusões. Se alguém entre vós se julga sábio aos olhos do mundo, faça-se louco, para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus, como está escrito: «Apanharei os sábios na sua própria astúcia». E ainda: «O Senhor sabe como são vãos os pensamentos dos sábios». Por isso, ninguém deve gloriar-se nos homens. Tudo é vosso: Paulo, Apolo e Pedro, o mundo, a vida e a morte, as coisas presentes e as futuras. Tudo é vosso; mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus" (1 Cor 3, 18-23).
Esta primeira Espístola de São Paulo aos Coríntios é um exercicio pastoral importante. O Apóstolo procura acentuar os aspectos positivos da comunidade, sublinhando o fortalecimento da fé, a vivência da caridade, a adesão alegre a Jesus Cristo.
No entanto, há alguns perigos que se vão manifestando e para os quais Paulo chama a atenção. A tentação da divisão é um deles. Por outro, a tentação do poder. Insinua-se que começava a haver partidários do Apóstolo, de Apolo, de Pedro... São Paulo, ontem como hoje, deixa claro que a referência fundante e fundamental é JESUS CRISTO.
Pedro, Paulo, Apolo, cada um de nós, é de Jesus Cristo e trabalha para irradiar e aprofundar a vivência do Evangelho.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Adão está triste: o paraíso não vale a ausência de Eva...
Esta é a bênção para toda a terra: querer-se bem, pessoa a pessoa, coração a coração, casa a casa, clausura e aldeia, até envolver a cidade inteira do homem.
Adão, senhor de todas as coisas, busca no Éden uma ajuda semelhante a ele. Busca a coisa mais importante da sua vida: o assombro da infinita abertura. Ao outro mundo, a si mesmo.
Adão está triste: o paraíso não vale a ausência de Eva...
Só quando te sentes amado, podes desabrochar em todos os teus aspetos; só quando te sentes escutado, dás o melhor de ti próprio...
O amor, em todas as suas formas, desvenda o sonho de Deus de que está repassada toda a criação...
Cada história de amor e de amizade põe a nú a verdade da nossa alma. Ali podes ser tu próprio, sem hipocrisia e sem exibicionismos... amo, logo existo.
ERMES RONCHI, Os Beijos não dados. Tu és a Beleza.
A solidão de Adão representa a primeira expressão do mal
"O Senhor vê a tristeza de Adão, vê uma solidão que nem sequer Deus pode colmatar, mas tão só alguém semelhante a ele: «Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele (Gn 2,18)».
A solidão de Adão representa a primeira expressão do mal, nascida no jardim, ainda antes da sedução da serpente: o primeiro mal de viver é a solidão. É o próprio Deus que afirma: «Não é bom que o homem esteja só».
O estar só é um «não bem», anterior, mais original ainda do que o pecado original. O ser humano nasce esfomeado: é fome de amor, eros e ágape inseparáveis. Fome de ser amado por muitos. E as mães alimentam os filhos com leite e sonhos, com leite e amor.
(...) Cada filho de homem não é, na realidade, filho de um homem e de uma mulher, mas é filho da sua comunhão, do seu encontro ao longo de uma vida ou breve como um instante. A vida floresce a partir do encontro"
ERMES RONCHI, Os Beijos não dados. Tu és a Beleza.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Está-se vivo quando se está interessado na vida
"Humanamente, está-se vivo na medida em que se está interessado na vida e se reparte a vida com outro, com aquele interesse que apelidamos de amor. E quanto mais amarmos a vida, apaixonadamente, tanto mais sairemos de nós próprios e nos exporemos às experiências que a vida nos oferece (o amor não protege, antes expõe), tanto mais seremos capazes de sentir felicidade. E, ao mesmo tempo, também dor, envolvimento no sofrimento e nas desilusões".
ERMES RONCHI, Os Beijos não dados. Tu és a Beleza.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
CARTA DO JUDEU DO GUETO DE VARSÓVIA
"... O texto apresenta o ambiente de 1943: o gueto de Varsóvia está cercado e em chamas. Um após outro, caem todos os seus defensores. Numa das últimas casas em que ainda resiste está presente o filho de Israel. E mete numa garrafa vazia um escrito com as suas últimas palavras:
...Creio no Deus de Israel, embora Ele tenha feito de tudo para arrasar a minha fé n'Ele. As minhas relações com Ele já não são as de um servo diante do seu senhor, mas a de um discípulo perante o seu mestre...Morro, mas não satisfeito; como um homem abatido, mas não desesperado; crente, mas não suplicante; amando a Deus, mas sem dizer cegamente: Ámen. Segui a Deus, mesmo quando Ele me repeliu. Cumpri o seu mandamento, mesmo quando, para premiar a minha observância, Ele me castigava. Amei-o, amava-o e amo-o ainda, embora me tenha abaixado até ao chão, me tenha torturado até à morte, me tenha reduzido à vergonha e ao escárnio. Podes torturar-me até à morte, acreditarei sempre em ti; amar-te-ei sempre, mesmo que não queiras. E estas são as minhas últimas palavras, meu Deus de cólera: Não conseguirás fazer com que Te renegue.Tentaste de tudo para fazer-me cair na dúvida, mas eu morro como vivi: numa fé inabalável em Ti. Louvado seja o Deus dos mortos, o Deus da vingança, o Deus da verdade e da fé que imediatamente mostrará os fundamentos com a sua voz omnipotente. Shema' Israel, Adonai Elohenu, Adonai echad! Escuta, Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é um!
in BRUNO FORTE, As quatro noites da salvação, Prior Velho, Paulinas 2009.
domingo, 2 de setembro de 2012
A fé resiste e matura nas necessidades
A Fé resiste e matura nas necessidades, nas angústias, nas afrontas, nos sofrimentos, isto é, no interior de uma existência assaltada pela tentação. Não se trata de escamotear ou de superar essa experiência: é no interior dessa experiência que eu sou forte. É um paradoxo, claro, Mas é aí que a própria experiência espiritual se realiza.
O grande obstáculo a uma vida de Deus não é a fragilidade e a fraqueza, mas a dureza e a rigidez. Não é a vulnerabilidade e a humilhação, mas o seu contrário: o orgulho, a autossuficiência, a autojustificação, o isolamento, a violência, o delírio do poder. Diz um poema de Lao Tsé: «Os homens quando nascem são tenros e frágeis. A morte torna-os duros e rijos. As ervas e as árvores quando nascem são tenras e frágeis. A morte torna-as esquálidas e ressequidas. O duro e o rígido conduzem à morte. O fraco e o flexível conduzem à vida». A força de que verdadeiramente precisamos, a graça de que necessitamos, não é a nossa, mas a de Cristo.
Pe. José Tolentino de Mendonça, Pai-nosso que estais na terra.
Ele abraçou o tempo amassado entre derrotas e esperanças
Somos chamados a contemplar o mistério de Deus e do Homem, no mais devastador dos silêncios que o mundo conheceu. Com a sua morte, Jesus desceu a abraçar todos os silêncios, mesmo aqueles abissais, mesmo aqueles longínquos, para dizer a vida como possibilidade de infinito. Ele abraçou este tempo amassado entre derrotas e esperanças, entre tentações, naufrágios e recomeços que é a nossa existência. Ele abraçou o silêncio dos nossos impasses, daquilo que em nós é omitido; o silêncio desta sôfrega indefinição que somos entre já e ainda não.
Pe. José Tolentino de Mendonça, Pai-nosso que estais na terra.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
O amor não explica, cura...
"O amor não fornece explicação do universo, não é justificação da história, não faz nascer cientistas ou filósofos. Faz muito mais. Não justifica, mas faz viver. Não explica, mas cura. Nada impõe, mas cria homens verdadeiros. Quem saboreia o amor, mesmo que se sentisse a morrer, pode renascer. Por isso O [Jesus Cristo] seguiam".
ERMES RONCHI, Os Beijos não dados. Tu és a Beleza.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Amigo: uma salvação que caminha a teu lado
"O amigo não te condena, mas também não te absolve incondicionalmente. Olha para ti com o olho límpido do médico que não se espanta com nenhuma enfermidade. Está perto de ti, disposto a perder a estima para te ganhar. Caminha contigo, não um milha ou duas, mas durante toda a noite, até que não tenhas medo.
Amar uma pessoa significa aceitar em mesmo a debilidade do outro e carregar com ela: assim fez Jesus, tornando-se pecado por nós.
Amar significa ainda transformar a sua vida em função do amado. Por isso, o amigo torna-se para o amigo «uma salvação que caminha a seu lado», segundo o projeto do Éden...
O amigo não é apenas um espelho que me reflete, é também o outro mim-mesmo sonhado.
No olhar do amigo tens a confirmação de que existes, de que sabes amar, de que és amado. O amigo é aquele que solicita amoravelmente a expressão mais profunda de nós próprios...
ERMES RONCHI, Os Beijos não dados. Tu és a Beleza.
Buscamos nos olhos do outro a evidência de que existimos
"Todos buscamos nos olhos do outro a evidência de que existimos, a certeza de que sabemos amar, de que somos capazes de relações verdadeiras, a garantia de que temos valor para alguém, de que merecemos atenção, interesse, talvez amor. Quem, pelo contrário, está sozinho é levado até a duvidar de si mesmo".
ERMES RONCHI, Os Beijos não dados. Tu és a Beleza.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Só os que te tocam são capazes de mudar a tua vida
Ser tocado é um dos acontecimentos mais emocionantes e capitais da vida: aquele que te tocou no íntimo, mesmo só uma vez, permanecerá entre os teus profetas.
Quem te toca entra em ti, doravante recebe-lo em casa; ele rasga sulcos, trabalha o teu campo, extirpa raízes, traz sementes, solicita e desperta as fontes da vida.
Só os que te tocam são capazes de mudar a tua vida. O amigo é amigo porque te toca, desarmado e desarmante. Quando consegues deixar-te tocar pelo outro e tocá-lo, podes ali dizer que és tu próprio, porque deixaste cair todas as máscaras.
Eis o milagre que sempre se deve implorar: alguém que saiba tocar o coração.
Eis o sonho de Deus: que ninguém esteja sozinho na vida e que nenhuma casa exista sem festa no coração.
ERMES RONCHI, Os Beijos não dados. Tu és a Beleza.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Tarde Te amei...
Tarde Vos amei,
ó Beleza tão antiga e tão nova,
tarde Vos amei!
Eis que habitáveis dentro de mim,
e eu, lá fora, a procurar-Vos!
Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes.
Estáveis comigo e eu não estava Convosco!
Retinha-me longe de Vós
aquilo que não existiria,
se não existisse em Vós.
Porém, chamastes-me,
com uma voz tão forte,
que rompestes a minha Surdez!
Brilhastes, cintilastes,
e logo afugentastes a minha cegueira!
Exalastes Perfume:
respirei-o, a plenos pulmões, suspirando por Vós.
Saboreei-Vos
e, agora, tenho fome e sede de Vós.
Tocastes-me
e ardi, no desejo da Vossa Paz"
Santo Agostinho.
ó Beleza tão antiga e tão nova,
tarde Vos amei!
Eis que habitáveis dentro de mim,
e eu, lá fora, a procurar-Vos!
Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes.
Estáveis comigo e eu não estava Convosco!
Retinha-me longe de Vós
aquilo que não existiria,
se não existisse em Vós.
Porém, chamastes-me,
com uma voz tão forte,
que rompestes a minha Surdez!
Brilhastes, cintilastes,
e logo afugentastes a minha cegueira!
Exalastes Perfume:
respirei-o, a plenos pulmões, suspirando por Vós.
Saboreei-Vos
e, agora, tenho fome e sede de Vós.
Tocastes-me
e ardi, no desejo da Vossa Paz"
Santo Agostinho.
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